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Em busca de um candidato

por Duarte Calvão, em 24.05.20

 

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Marcelo cola-se a António Costa porque António Costa é popular. Se não fosse, não se colava. Não percebo porque se perde tanto tempo a analisar as evidências do nosso lindo e original sistema semi-presidencial, que prevê eleições directas para a presidente da República. Parece que na minha área política, as melhores cabeças se ocupam em arranjar um candidato alternativo, alguém que nos venha vingar das derrotas nas urnas nas eleições legislativas. A “dupla legitimidade” do voto no seu esplendor, o país que se lixe. Outros apostam em fortalecer Marcelo para ele combater São Bento a partir de Belém num segundo mandato redentor. E o país que se entretenha a assistir, deliciado, a quem melhor esgrime o florete no duelo.

Eu compreendo perfeitamente que nem todos consigam ser monárquicos – foram demasiadas aulas a mostrar os sentidos em que a História progride, demasiado filmes e séries de Hollywood -, mas ao menos os republicanos podiam parar um pouco para pensar se, depois de 44 anos (quarenta e quatro anos) de semi-presidencialismo, não seria melhor adoptarmos um sistema parlamentar, com eleições indirectas para presidente, como, por exemplo, acontece na Alemanha ou Itália. Ou então que se presidencialize o regime de uma vez, como se fez em França.

Não percebo como gente inteligente e que ainda tem esperanças no futuro do país, não tire nenhuma ilação do que aconteceu nas eleições presidenciais da nossa III República. O resumo é rápido de fazer: Eanes, hoje santificado pela nossa proverbial falta de memória, fez a vida negra aos primeiros-ministros eleitos, Soares e Sá Carneiro, e acabou a patrocinar a partir de Belém um partido inspirado na sua figura. Soares apoiou Cavaco no primeiro mandato - desiludindo o PS, despachando Vítor Constâncio e acabando com o partido de Eanes – e fez tudo para o derrubar no segundo. Sampaio colaborou activamente no descalabro guterrista, dissolveu a maioria absoluta de Santana, lançou Sócrates. Cavaco - o primeiro presidente de direita, que ia finalmente mostrar as virtudes do semi-presidencialismo português – deixou Sócrates à solta no primeiro mandato, foi impotente para contê-lo no segundo, quando o desvario já era evidente, e acabou por não conseguir impedir a geringonça. Marcelo é o que se vê. Acham, realmente, que agora é vai aparecer alguém que vai mostrar as grandes vantagens nosso ridículo e medíocre semi-presidencialismo?

Porquê? Para quê

por henrique pereira dos santos, em 21.05.20

"O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou esta quarta-feira que há ainda um “longo caminho pela frente” em relação à Covid-19, afirmando que só nas últimas 24 horas foram reportados 106 mil novos casos. “É o maior número num único dia desde o início do surto. E quase dois terços desses casos foram relatados em apenas quatro países”, disse o responsável numa conferência de imprensa"

Vamos admitir que os números citados são mesmo estes (não é o que diz o gráfico abaixo mas são pequenas diferenças irrelevantes), o que resta é perguntar: por que raio continua este senhor a insistir na tese "the worst is yet to come"?

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Olhando para o gráfico do número de casos diários, é evidente que não está em crescimento e, muito menos, em crescimento relevante.

O número de casos é fortemente dependente do número de testes, portanto, para ver a evolução global da epidemia, o melhor é olhar para a mortalidade.

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Como é evidente no gráfico da mortalidade, a epidemia não está em crescimento, pelo contrário, está num evidente abrandamento (se amanhã acelera outra vez não sabemos, a mim não me parece provável, mas não passa de achismo, o certo é que não sabemos).

O que estranho é que é evidente que o Secretário-Geral da Organização Mundial de Saúde sabe isto perfeitamente. É verdade que alguém que acha boa ideia nomear Robert Mugabe como embaixador da boa vontade da organização tem com certeza um défice de compreensão do mundo mas, mesmo assim, eu não entendo a vantagem procurar apresentar como ainda mais difícil uma situação que é, forçosamente, complicada, como qualquer epidemia é.

"We have seen the infection grow, turn around and go away almost like clockwork. Different countries had different policies and yet what we have observed is a uniform pattern of behaviour. The driving force was the build up of imunity. That is a much simpler explanation than the ones that need a varying lockdown in every country to have the same effect."

Sunetra Gupta, desde muito cedo, contestou de forma muito fundamentada o modelo do Imperial College e a ideia dominante de que é possível, e mesmo que o seja, desejável, controlar com uma epidemia através de medidas não farmacêuticas profundamente disruptivas para o funcionamento da sociedade.

Neste parágrafo sintetiza bem o essencial da discussão teórica: para quê procurar explicações complicadas que precisam de ser adaptadas situação a situação quando existe uma explicação clássica para interpretar os dados que se verificam em todo o lado?

Claro que os gráficos do post não mostram a descrição do parágrafo citado porque essa explicação aplica-se localmente a cada surto, o que é disfarçado nos números globais que juntam diferentes surtos, em diferentes localizações e em diferentes tempos.

Também não explica a intensidade do ataque da infecção em cada ponto.

Mas que é a explicação mais simples para o conjunto da epidemia, isso é.

Qual é então a utilidade de continuar a vender a ideia de que o apocalipse é amanhã?

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Primeiro foi Rui Rio, imediatamente crucificado quando considerou que informação e sapatos são ambas atividades económicas,  que deveriam beneficiar dos mesmos apoios. Sem surpresa,  a comunicação social caiu-lhe em cima, como se a sua importância e sobrevivência  não devesse também depender do real interesse da população em pagar pelos seus serviços. Há sempre quem pense merecer estar acima das regras de mercado, já que presta serviços de especial relevância que não são reconhecidos pelo ingrato pouco preparado consumidor. E como referido por muitos defensores, há que proteger a pluralidade dos meios de informação.

Ontem o André Ventura terminou a sua longa ligação  com a CMTV (grupo Cofina, na tabela = 1.691.006,87€).

Ontem ouvi a indignação de José Manuel Fernandes,  pela repartição anunciada da  distribuição destas ajudas especiais,  que atribuíram ao Observador (cuja administração já rejeitara esta ajuda do Estado por falta de critérios de transparência) uma pequena fracção do que os seus pares receberam. Como lembrou, “quem se mete com o PS, leva”.

Nada de novo.  É apenas mais socialismo marxista enxertado com caciquismo, a casta predominante em Portugal. Sou pessoalmente um optimista, mas ando triste, porque não convenço as minhas filhas a emigrar.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade.

De socialismo está o inferno cheio

por João Távora, em 19.05.20

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É verdade que em Lisboa, o preço dos arrendamentos habitacionais estão proibitivos para a bolsa do comum dos mortais. Fernando Medina, certamente com boas intenções, inventa o programa "Renda Segura", que consiste no arrendamento pela Câmara Municipal de Lisboa de apartamentos para o seu posterior subarrendamento, a preços inferiores,  a alguns felizardos, escolhidos por um qualquer método facilmente questionável.

Se o objectivo fosse simplesmente privilegiar alguns munícipes, como vai acontecer, seria objectivamente mais eficiente dar uma subvenção a essas pessoas, para que elas escolhessem a melhor forma de gastar esse dinheiro ( não necessariamente em habitação).

Se o objectivo for ser justo na escolha dos poucos contemplados por rendas abaixo do mercado, então não sei como vão fazer: todos os que forem excluídos têm também o estatuto de cidadãos.

Se o objectivo for o de resolver o problema da habitação, então ficamos longe, já que quanto muito vamos substituir alguns afortunados que vivem em Lisboa por outros, sendo provável que o aumento da procura de casas (pela CML) aumente o seu preço;

Se a transparência for um objectivo, a criação de benefícios fiscais aos senhorios que adiram ao esquema, apenas introduzirá dificuldades em avaliar esta política.

Se a eficiência for objectivo, então há a lamentar o gabinete de funcionários públicos que passará a ser necessário para intermediar o que antes acontecia de forma natural.

Resumindo, cria-se uma política que descrimina positiva e questionavelmente alguns sortudos, a quem não é dado a liberdade de escolherem como gastar dinheiro da forma que lhes dê mais bem estar, baralham-se os preços para ser impossível avaliar a iniciativa, cria-se a necessidade de um gabinete cheio de funcionários e, no final, os afortunados que podem viver em Lisboa vão ser basicamente no mesmo número: só mudam as pessoas ,  o custo final sobe, o problema para todos os outros aumenta: é obra.

A "Renda Segura" não é apenas um "programa", é também a essência das políticas socialistas. Que implicam mais custos para o mesmo resultado, a concentração de benefícios num grupo felizes contemplados e os custos distribuídos por todos. O paraíso socialista.  

 

PS: Existem 20.000 casas para venda em Lisboa. A maior parte delas estaria para arrendamento se as políticas sociais de habitação desde os tempos de Salazar não punissem os senhorios.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade.

O estranho caso da Suécia

por henrique pereira dos santos, em 19.05.20

Não, não me interessam as discussões sobre se o modelo sueco de gestão da epidemia provoca mais mortos ou não pela simples razão de, neste momento, ser uma discussão sem qualquer sentido.

Não sabemos, e não saberemos tão cedo, os factores que estão na base dos diferentes níveis de ataque da epidemia em diferentes sítios, por exemplo, não sabemos explicar as diferenças entre Estocolmo e Gotemburgo, tal como não sabemos ainda as razões para as diferenças de mortalidade, e muito menos saberemos explicar as diferenças entre países, tanto mais que os níveis de ataque da epidemia estão muito longe de ser uniformes dentro de cada país.

O que é estranho na Suécia é o empenho de tanta gente em querer demonstrar que o modelo sueco de gestão da epidemia é responsável por não sei quantas mortes a mais.

Mesmo em comentários pequeninos, como este de hoje, no Público "Há trinta anos que não morria tanta gente num só mês na Suécia como em Abril, segundo os números oficiais divulgados ontem. Houve 10 458 óbitos no país de 10,3 milhões de habitantes que optou por não decretar medidas de confinamento".

O comentário é, em si, idiota (sem contexto para os números não sabemos o que querem dizer 10 458 óbitos, e muito menos sabemos a relação deste número com a covid que deve ser responsável por um quarto, no máximo, dessa mortalidade), mas serve a ideia de que é preciso apontar o dedo à Suécia e puni-los por terem optado por uma gestão diferente da epidemia - as diferenças, sendo relevantes do ponto de vista do respeito pelas pessoas e a sua autonomia de decisão, são relativas do ponto de vista do efeito prático porque houve uma grande redução voluntária dos contactos sociais.

O que estranho é que ao ler uma boa parte dos comentários sobre o modelo sueco, o que parece motivar boa parte das pessoas não é perceber o que correu bem e mal nessa gestão (e há sítios no mundo em que correu muito pior que em Estocolmo, tal como há sítios em que correu melhor, como em Gotemburgo), mas sim impedir a divergência e demonstrar que não havia alternativa ao que foi feito noutros lados.

A ideia de esmagar as diferenças, a diversidade e a desigualdade parece ser uma ideia muito mais popular do que eu pensava.

Bons exemplos

por Convidado, em 18.05.20

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Estou farto de estar a criticar e, por isso, decidi escrever sobre alguma coisa boa, o que é muito mais agradável mas muito mais difícil de encontrar no meio desta crise.

Ontem a Suécia ultrapassou Portugal no número de infectados confirmados. Nunca escondi o minha preferência pela estratégia sueca. Em primeiro lugar, por ser tendencialmente mais sustentável do que a nossa. Em segundo lugar, porque o Estado não trata os Suecos como inconscientes, como aconteceu em Portugal.

O futuro irá confirmar quem consegue melhores resultados. Mas confesso que independentemente do que acontecer, dificilmente deixarei de pensar que eles foram os campeões europeus do Coronavírus. Entendo a estratégia , aprecio a serena coragem e deliro com o respeito ao cidadão.

Não resisto a juntar o gráfico de infecções diárias do  worldometer da Suécia:

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Ao contrario da generalidade dos Países, não se nota uma queda evidente das infeções ao longo do tempo, o que confirma as medidas mais leves e menos potentes de distanciamento social que a Suécia implementou. Suficientes, no entanto, para impedir um crescimento exponencial dos casos, como foi garantido por muitos autores.

Embora muito ligeira, descortina-se uma ligeiríssima queda das infeções, eventualmente explicada pela comunicada baixa de casos em Estocolmo, onde, supostamente, 25% da população já está infectada e por isso já existe um grau relativo de imunidade de grupo.

As mortes continuam a ser, para já, muito superiores aos outros países da Escandinávia, mas muito inferiores aos dos países mais fustigados pela letalidade. Em termos práticos, tudo está em aberto, mas já se nota uma diminuição expressiva das criticas á “louca roleta russa” ou “capítulo vergonhoso da história do pais” como já a vi ser citado. Um bom exemplo para continuarmos a acreditar ser possível a liberdade e o bom senso.

 

PS: Uma confinação menos severa, não foi determinada para atingir a imunidade de grupo e muito menos por interesses económicos. A consciência de que a pandemia será prolongada no tempo, tornou evidente a futilidade de medidas

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade. 

Uma leitura simples

por henrique pereira dos santos, em 17.05.20

"So far as anyone can tell, the intellectual machinery that made this mess was invented 14 years ago, and not by epidemiologists but by computer-simulation modelers. It was adopted not by experienced doctors – they warned ferociously against it – but by politicians."

De vez em quando, alguém diz, com uma concisão e elegância que invejo, o que gostaria de ter sido capaz de dizer.

E ver isso acontecer várias vezes no mesmo artigo (incluindo o que é citado de outros artigos) deixa-me ainda com mais inveja:

"Confronting a manageable epidemic and turning it into a catastrophe: that seems like a good description of everything that has happened in the COVID-19 crisis of 2020."

Resumindo:

"Ideas have consequences, as they say. Dream up an idea for a virus-controlling totalitarian society, one without an endgame and eschewing any experienced-based evidence that it would achieve the goal, and you might see it implemented someday. Lockdown might be the new orthodoxy but that doesn’t make it medically sound or morally correct. At least now we know that many great doctors and scholars in 2006 did their best to stop this nightmare from unfolding. Their mighty paper should serve as a blueprint for dealing with the next pandemic."

Vamos ver se para a próxima olhamos mais para as pessoas e os sistemas naturais, e menos para simulações computacionais.

Domingo

por João Távora, em 17.05.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João


Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse: «Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho Te glorifique, e, pelo poder que Lhe deste sobre toda a criatura, Ele dê a vida eterna a todos os que Lhe confiaste. É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu glorifiquei-Te sobre a terra, consumando a obra que Me encarregaste de realizar. E agora, Pai, glorifica-Me junto de Ti mesmo com aquela glória que tinha em Ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo Me deste. Eram teus e Tu mos deste e eles guardam a tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste vem de Ti, porque lhes comuniquei as palavras que Me confiaste e eles receberam-nas: reconheceram verdadeiramente que saí de Ti e acreditaram que Me enviaste. É por eles que Eu rogo; não pelo mundo, mas por aqueles que Me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu; e neles sou glorificado. Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto Eu vou para Ti».


Palavra da salvação.

Isto é mesmo jornalismo?

por henrique pereira dos santos, em 16.05.20

Confesso que nem li a peça antes de fazer este post, de tal forma fico irritado com esta praga dos jornalistas transformados em assessores de imprensa do vírus e de quem disser que o está a combater.

Comecemos pelo título.

"Quando e como posso ir à praia? E jantar fora com amigos? Ou levar o carro à inspeção?".

Caros jornalistas, será possível que não compreendam que o simples facto de acharem normal alguém ter de perguntar quando e como pode ir à praia ou jantar com os amigos vos deveria fazer acender uma luz encarnada no cérebro? Será que acham normal que seja preciso perguntar a alguém se posso ir jantar fora com os amigos quando em todo surto da covid em Portugal morreram mais ou menos um terço da média anual das mortes excessivas por época de gripe?

Será que não percebem mesmo que a vossa função é questionar o poder que pretende determinar se eu posso ou não ir jantar fora com os amigos, em vez de aceitarem abulicamente tudo o que o poder vos quiser impingir em matéria de restrição de direitos individuais?

Será que não sabem mesmo que o jornalismo é socialmente útil quando está do lado da liberdade e é simples prostituição quando se passa para o lado da defesa da segurança em nome do bem comum?

É que para isso que existe a polícia, não são precisos jornalistas.

"O país entra numa nova fase de desconfinamento, mas isso não implica mudanças no dever de recolhimento, diz António Costa."

Lá dizer diz, e António Costa tem todo o direito de dizer o que entender, os jornalistas é que não têm o direito de ser os megafones do que diz este, ou qualquer outro, primeiro ministro, o vosso dever é perguntar-lhe permanentemente a que propósito é que existe dever de recolhimento se o surto está controlado, se o número de novos casos é perfeitamente gerível - e ocorre em ambientes confinados -, se o número de mortos é completamente ridículo face às cerca de 300 mortes diárias que é normal ocorrerem e se não existe o menor sinal de problemas nos países em que a abertura ocorreu mais cedo.

Quando estudava em Évora, uma visita que nunca lá tinha estado perguntava a que horas fechava o templo de Diana porque queria ir visitá-lo e, pelo vistos, há jornalistas que também acham que as praias abrem e fecham de acordo com a vontade do governo.

O vosso dever é dizer que não existe qualquer razão para se aceitar o dever de recolhimento de pessoas saudáveis e de baixíssimo risco face ao surto em curso, o vosso dever é estar do lado de quem resiste, o vosso dever é estar do lado das liberdades e dos direitos individuais.

Se não servem para isso, não servem para nada.

75 Anos. Obrigado Senhor Dom Duarte

por João Távora, em 15.05.20

Trata-se sem dúvida de uma feliz coincidência o facto de D. Duarte Pio celebrar o seu aniversário natalício hoje que é Dia Internacional da Família: acontece que a nação é a forma mais alargada de família existente, e o rei, cuja genealogia atravessa a história rumo ao futuro, é o seu Chefe natural.
Ao Chefe da Casa Real Portuguesa aqui deixo os meus votos de um feliz dia aniversário!

Isso é que era ambição...

por João Távora, em 15.05.20

Anda p'raí uma divertida discussão nas redes sociais sobre a possibilidade da direita moderada arranjar um candidato presidencial contra Marcelo e contra Ventura. O que eu estranho é que ao fim de tantos anos não tenham entendido o problema. Talvez que as energias fossem melhor aplicadas a rever o nosso sistema político e diagnosticar as suas fragilidades. E considerar a hipótese duma solução em que o Chefe de Estado, que representando a Nação, estivesse salvaguardado do sectarismo partidário e da chicana política. Isso é que era ambição. E não me venham dizer que o regime funciona bem assim, porque o facto é que o nosso lugar é na cauda da Europa. 

A horinha dos imbecis

por José Mendonça da Cruz, em 14.05.20

Todos os dias, depois de engolirem impávidos e serenos tudo o que o poder e a DGS lhes digam ou o contrário, os pobres diabos dos telejornais têm dois pequenos momentos obtusos sobre o Brasil e os EUA. O conteúdo é planeado e escrito por uma combinação de imbecis e chicos-espertos.

Os imbecis comparam os números absolutos de infectados e mortos, sem nunca perceberem que países com populações mais de dez vezes maiores do que a portuguesa terão necessariamente mais infectados e mortos (e, em termos relativos e em certos casos, em percentagens bem menores do que a portuguesa).

Os chico-espertos têm agendas que os mandam odiar certos países, certos governantes e todas as ideias que não sejam socialistas; e, acima de tudo, acreditam que estão a «noticiar» para imbecis como os que têm a seu lado.

A existência ou inexistência de problemas de solvabilidade nos media dá a justa medida do fracasso ou do êxito desta receita.

A semana 19 (fim)

por henrique pereira dos santos, em 14.05.20

Porque a única maneira de verificar se uma visão do futuro estava certa ou errada é verificá-la no futuro, olhemos então para a famosa semana 19 (usando o Euromomo), agora que já existem os dados reais (ainda provisórios, como convém frisar).

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O primeiro comentário é sobre o carácter provisório dos dados: é verdade que de semana a semana há variações naquela parte a amarelo, mas não têm sido variações por aí além.

O segundo comentário é que o pico de mortalidade excessiva foi nas semanas 14 e 15, e a quase entrada na normalidade na semana 19.

Diferenças em relação à visão do que deveria acontecer prendem-se com o carácter tardio do pico, nas semanas 14 e 15, em vez da ser até à semana 12. Isto pode dever-se às características clinicas da doença, em que a morte sobrevém a partir de quinze dias da infecção (mais ou menos), mas também pode ser simplesmente a entrada em cena tardia do vírus que nos permitiu ter um surto intenso, mas relativamente curto.

Em qualquer caso, um desfasamento de uma semana, no máximo duas, para a definitiva entrada na mortalidade esperada. Veremos nas próximas semanas se se confirma.

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Olhando agora para o conjunto dos último quatro anos, o que se verifica é um pico acentuado - cerca de 16 mil mortos a mais em relação à semana do pico de 2017 - sem que seja evidente que a mortalidade excessiva de toda a época será muito maior no pico da covid.

O "quase fechado" resulta de haver dois países ainda com mortalidade claramente excessiva (há mais dois ou três com alguma mortalidade excessiva, mas nada de especial), uma moderada, na Suécia, e outra mais acentuada em Inglaterra (não no resto do Reino Unido), que impedem que, no conjunto, a Europa já tenha entrado claramente na mortalidade normal.

Se a Suécia já estava claramente a mergulhar no sentido da normalidade na semana passada, sobre a Inglaterra havia mais dúvidas, que desaparecem com os dados desta semana: está também a mergulhar rapidamente para a mortalidade esperada.

Hoje há bastantes notícias sobre o estudo serológico em Espanha (ver aqui), que aponta para uma média de 5% da população que terá contactado com o vírus (dez vezes mais que os casos confirmados, mais coisa, menos coisa). Mais uma vez, as diferenças regionais são muito grandes e há zonas acima dos 10%, como nas zonas mais afectadas.

Independentemente das discussões sobre qual é o nível de imunidade de grupo que garante a inexistência de surtos, os 5% de contacto com o vírus e, em especial, os 10% das zonas mais afectadas, são boas notícias: a haver novos surtos, provavelmente no próximo Inverno (não há qualquer indício de que esteja a haver segundos surtos nos países que têm estado a desconfinar), estes níveis de pessoas com alguma imunidade (será preciso verificar se a imunidade se mantém e por quanto tempo, mas nos outros corona mais estudados o que se tem verificado são imunidades de um ano ou mais) devem ser suficientes para aumentar a heterogeneidade e, com isso, limitar muito a capacidade da infecção se propagar de forma tão rápida e extensa como o fez este ano.

Se a isso se somar a hipótese, mais que razoável, de que os mais susceptíveis e mais frágeis foram os mais afectados este ano (como é normal que aconteça numa doença nova), é perfeitamente razoável admitir que os novos surtos estejam dentro do que pode ser encaixado pelos serviços de saúde.

Continuará a haver casos, continuará a morrer gente, mas "a vida é uma doença sexualmente transmissível, sempre fatal", não há risco zero nem faz sentido definir políticas que tenham como objectivo atingir um risco zero, seja no que for.

Uma questão de decência

por João Távora, em 14.05.20

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Ontem voltei a Lisboa utilizando os transportes públicos e andando na rua como costumo fazer com gosto nas minhas voltas, para sentir o pulsar e usufruir dos encantos da minha cidade natal. Curioso é como comboios da linha de Cascais deixaram de ter revisores que foram substituídos por polícias aos pares a corrigir com voz grossa a forma como os passageiros usam a máscara. Estão impantes com o estado de excepção e ainda receei que descobrissem que a minha não é certificada.

A crise que temos vivido tem o condão de por a nu a profunda divisão entre a maioria da população que é privilegiada e os mais desfavorecidos, operários e trabalhadores não qualificados, que quando eram muitos foram pretexto para as causas populistas dos partidos de esquerda, que agora os abandonaram, entretidos com os conflitos de costumes. Para perceber o panorama que ontem encontrei no Cais do Sodré ao fim da tarde, é imaginar-se como era a estação antes do coronavírus, e subtrair os turistas, os estudantes, os reformados e alguns funcionários e profissionais liberais que não gostam de engarrafamentos no trânsito. O que sobra é um formigueiro de gente humilde, maioritariamente imigrantes, trabalhadores braçais, empregadas de limpeza, que enfrentam o medo do vírus com o pragmatismo dos sobreviventes. Foi isso que eu testemunhei ontem.

Digo-vos uma coisa: aconselho-vos vivamente a saírem quanto antes das vossas bolhas, para perceberem que não existe coisa mais reaccionária (classista) que o confinamento, o teletrabalho e o “distanciamento social” que afinal sempre foi capricho dos possidónios. Que as pessoas saudáveis retomem uma vida normal, pois é a melhor maneira de evitarmos a discriminação e impedir a miséria. É uma questão de decência.

Com adversários assim ninguém precisa de amigos

por José Mendonça da Cruz, em 13.05.20

O ministro das Finanças transferiu para o Novo Banco 850 milhões de euros, no prazo e na forma a que estava obrigado contratualmente, e por valores que estavam previstos no Orçamento de Estado. O primeiro-ministro ignorava ou fingiu ignorar por duas vezes esses factos, e jurou ao Bloco de Esquerda que a tranferência não aconteceria; e o Bloco, sempre despudorado, nãosabia ou fingiu não saber que aprovara o Orçamento que acolhia o valor desta mesma transferência.

Vai daí, quem é que Duarte Pacheco, do PSD, criticou e acusou dos piores malefícios a propósito disto tudo? O distraído Costa? Os demagogos do Bloco? Não. Pacheco fez fogo sobre Centeno, enquanto ia elogiando Costa.

E, sim, é como dizia o outro: abandonai toda a esperança!

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Casos confirmados de covid

Regulamento nacional e socialista para o usufruto das praias

por José Mendonça da Cruz, em 13.05.20

«As praias marítimas e fluviais são parcelas valiosas do património comum, pelo que a sua fruição não deve ser deixada ao capricho privado e às forças selvagens do mercado, antes deve obedecer a regras determinadas pelo poder político socialmente legitimado e segundo políticas de garantia de uma praia para as pessoas. É no pleno entendimento destes princípios e a fim de assegurar a boa utilização balnear e uma gestão adequada dos tempos livres por parte dos cidadãos que se determina o seguinte...»

De um artigo meu publicado no Observador.

A ditadura da pandemia

por Convidado, em 12.05.20

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A resposta à pandemia, mesmo que não corresponda a estratégia sustentável,  congregou uma das maiores unanimidades de que tenho memoria. Em muito pouco tempo, alguém escreveu os novos mandamentos, em vigência pura,  numa pedra qualquer:

  1. A proteção do coronavírus é o valor absoluto, inalienável, obrigatório e superior a qualquer outra consideração;
  2. Todos devem seguir as normas de saúde publica anunciadas, por mais disparatadas que elas possam parecer ou mesmo que não tenham fundamento científico;
  3. Questionar regras é um pecado mortal, prevaricar é tão grave que não tem nome. Ninguém pode ter uma opinião divergente sobre um tema, em que estamos todos no mesmo barco. Só existe o lado da virtude (a DGS) e o lado do mal (os não DGS) ;
  4. A liberdade individual, está suspensa até nota em contrario;
  5. Não podem existir qualquer tipo de raciocínios sobre a proporcionalidade de medidas ou a consideração de outros interesses senão os anteriores.
  6. Todos os cidadãos são responsáveis por fiscalizar o correto cumprimento dos mandamentos e denunciar as prevaricações que possam ter presenciado;
  7. Quem infringir qualquer mandamento deve ser apedrejado sumariamente, não tendo direito a julgamento prévio;
  8. Quem não apedrejar um infrator, deverá ser apedrejado.

Ontem de manhã, fui alertado para a possibilidade de os atuais mandamentos não serem suficientes.

Na sua rubrica no Observador “O bom, o mau e o vilão”, Miguel Pinheiro, elegeu Jerónimo de Souza como vilão. Em causa as suas declarações da vontade de realizar a festa do Avante, aceitando seguir as regras da DGS. Miguel Pinheiro até reconheceu que O PCP e o seu Líder, nessas circunstâncias, até poderiam realizar a festa.  Mas que é vilania  fazer o que se pode e não o que se deve. E o que se deve é ir sempre além das possíveis restrições em prol do combate ao Vírus. Neste caso, o virtuoso será não se realizar qualquer festa, o caminho mais direto para liquidar o vírus, que ninguém sabe se ainda vai andar por aí em Setembro.

A consequência é um novo mandamento: faz sempre mais do que te é pedido no combate ao coronavírus: a tua quarentena para todo o sempre será apreciada. Serei eu o único a pensar que Miguel Pinheiro foi muito infeliz com estas observações?

 

PS: A realização da festa do Avante a acontecer será mais uma triste prova da dualidade de critérios, cada vez mais flagrante, entre o que se aplica aos políticos e o que se aplica ao povo que,  em circunstância nenhuma, pode realizar festas ou  festivais.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade. 

Valentina e o regresso à normalidade

por João-Afonso Machado, em 12.05.20

Todos saberão, chamava-se Valentina a infeliz criança barbaramente assassinada: «alegadamente» pelo pai e pela madrasta, num enredo que impressiona pelos requintes de insensibilidade e malvadez. Há 72 horas ininterruptas quase, a CMTV dá notícias sobre notícias acerca do crime de Atouguia da Baleia.

Até então, era o tema Covid19. A levar-nos à exaustão. Mas fique a ressalva: as intervenções do Bastonário da Ordem dos Médicos, de Roque da Cunha, Baptista Leite, e de mais dois ou três clínicos "sem papas na língua" dizendo da sua ciência, da sua verdade, na CMTV, decerto muito ao arrepio do gosto do Governo. O canal televisivo mais acompanhado em Portugal tem as suas vantagens.

Aliás, se é o mais acompanhado é porque também é o mais gostado. Os portugueses não prescindim de algo que lhes prometa tragédia, e o Covid19 já só quase era um lugar-comum.

E muita violência, nestas semanas de estado de emergência, terá sido cometida à revelia do conhecimento nacional. Assim vamos regressando aos nossos bons costumes - a actividade criminal para ser sugada até ao tutano, o escandalo político para tornar à tona. A propósito, parece que a formiguinha Catarina Martins encomendou a Quaresma a fábula da cigarra André Ventura...

Enfim, depois de Fátima, a apaixonante longa-metragem do Avante. Para já, apenas se discute o seu título (enqanto em Hollyood o cenário começa a ser montado), e a respectiva tradução para português - "Festa" não será... "Avante Cultura"?; "A Cultura e os previlégios"?; "Atalaia, a Atlântida cultural"? Não se sabe ainda. De certo, somente, a entrada nessa mega-produção ser livre, de borla, com o alto patrocínio da República.

A neo-antiglobalização

por Convidado, em 11.05.20

Multiplicam-se na comunicação  social notícias que são o prelúdio da neo-antiglobalização. A diferença, agora, é que ao contrário do usual e erróneo argumento, de que o comércio internacional produz vencedores e vencidos, parte de uma premissa verdadeira, que será extrapolada e distorcida até permitir tirar conclusões erradas.

A pandemia (sempre ela), veio tornar evidente, nalguns sectores, a dependência internacional (do Ocidente) de fornecedores não amigos (a China). A questão começou a colocar-se quando a procura de máscaras e ventiladores, entre outros productos, aumentou subitamente e de repente não havia oferta suficiente para atender às necessidades. Ao mesmo tempo, muitos países (sobretudo no Ocidente) impediram as exportações e guardaram para seu uso esses produtos, que se tornaram escassos em face à crescente necessidade.

Multiplicaram-se também notícias de paralisações de industrias causadas pela implosão das cadeias logísticas internacionais, ou seja, porque algures no planeta (na China) alguém não tinha produzido o que devia.

Verificada a extensão dos danos, começou-se a olhar para a enorme quantidade de outros bens em que existe dependência internacional. Ainda no outro dia li um artigo que alertava para o perigo da maior parte dos analgésicos consumidos nos EUA serem fabricados na China, tal como a maior parte de outros medicamentos baratos (os caros continuam a ser produzidos localmente).

Imediatamente a imaginação dos saudosistas de mercados protegidos começou a funcionar. Empresários e Sindicalistas, darão as mãos, no futuro próximo, em prol da criação de reservas de mercado. O sonho de uma vida sem concorrência é realmente sedutor. Em Portugal, já se especula que, a necessidade do Ocidente ser menos dependente de terceiros (da China), vai catapultar a sua mão-de-obra barata ou a sua privilegiada memória de como se fazem os produtos de baixa tecnologia, para um novo período de glória industrial subsidiada.  

É verdade que a realidade importa bem menos do que percepções e convicções políticas. E,  por isso, a ameaça à globalização é real, tal como já acontecia antes desta crise. Mas o que acontece, é muito diferente da narrativa com que vamos ser invadidos.

As faltas de material médico que ocorreram, iriam verificar-se qualquer que fosse o pais que os produzisse antes. Nenhuma industria está preparada para dobrar a produção de um dia para a noite, quanto mais multiplica-la por 5, 10 ou 100, em função de uma procura imediata e inesperada.

Espantosa foi a velocidade com que mascaras e ventiladores apareceram, não se sabe muito bem de onde. O mercado livre é mesmo extraordinário!

Não tenho conhecimento de existirem faltas e roturas de outro tipo de bens e serviços não ligados à pandemia. Os tais comprimidos baratos e outros artefactos mais ou menos imprescindíveis, continuaram a ser disponibilizados pela China. Como de resto aconteceu de forma geral com tudo o que continuou a poder ser comprado, em lojas que continuaram abertas ao público.

As industrias que pararam fizeram-no, mais por falta de procura dos seus produtos do que por rotura das cadeias de distribuição. Que obviamente também ocorreram, como poderiam ter ocorrido mesmo que toda a cadeia de produção estivesse instalada no mesmo país.

A possibilidade de haver problemas quando haja uma interdependência global é muito maior, já que há que somar dificuldades que podem ocorrer em todo o globo. Mas problemas com sérias implicações no comércio internacional não têm acontecido. Pandemias graves, na história dos últimos séculos, são menos de uma a cada cem anos. Não parecem elas ser, por isso, um critério relevante para decisões estruturais contrarias á globalização.

É evidente que a extraordinariamente complexa rede de relações num mundo globalizado, causa interdependências. É evidente que considerações geoestratégicas criam a necessidade de salvaguardas que em muito transcendem a lógica económica. A caríssima política agrícola comum, é um exemplo poderoso. Mas não é menos verdade que reservas estratégicas que compensem um período de quebra de cadeias logísticas, sempre foram consideradas suficientes para salvaguardar dependências. Até porque estas são sempre em dois sentidos: todos dependem de todos, com o comércio internacional.

A única lógica que poderá justificar uma atenção particular a esta questão, é a do cavaleiro do apocalipse que falta. Já temos Peste, Morte e Fome… pelo que só falta mesmo a Guerra. Um factor que se torna menos plausível e próximo exactamente por causa das interdependências que a globalização nos promove. Até lá, há sempre tempo para empobrecermos ainda mais e fabricarmos de forma mais cara o que outros fazem mais barato. Honestamente, espero que os que anseiam pela nova vaga industrial para substituir administrativamente a dependência do oriente fiquem desapontados. Já temos problemas suficientes para a eles somarmos o fim dos benefícios do comércio internacional.

José Miguel Roque Martins
Convidado Especial*

* As opiniões manifestadas pelos nossos convidados são da sua exclusiva responsabilidade. 




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