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Catarinas e Joacines: o calendário da vida

por João-Afonso Machado, em 10.02.20

Foi à saída da missa, ajoelhando ao caciquismo. Assim mesmo, a antecipar comentários eruditos dos fieis da maquinaria urbana.  Num tema pleno de actualidade e em vésperas de ser discutido (e aprovado...) pela República, no seu lugar onde mastiga e devora o alheamento dos portugueses - no Parlamento.

Então redigi imediatamente a minha assinatura: eutanásia - não!!!

Evidentemente o tema é complexo. Toda a gente tem o direito de querer morrer. Como é óbvio, esta vontade tem de ser avaliada cuidadosamente e, mais cuidadosamente ainda, é necessário saber quem pode matar quem.

Não me proponho reflectir sobre o tema. Não me chamo Catarino, nem Joacino, nem Costa, o augusto, ávido de palmas senatoriais.

O meu apontamento é só este: ante o já confronto de opiniões, nesse tal senado (de opiniões menos axiológicas do que jurídicas, para não variar), a extrema gravidade do assunto já ficou atrás - na manipulação das Catarinas e das Joacines, na benção do Costa do castelo eleitoral.

Exemplificando: se por acaso chegar a velho, e doente, nada me apetecem conselheiros da morte, "psicólogos" pró-socialistas a dissertar sobre o bem das minhas cinzas num arvoredo qualquer. Sendo certo, tudo é possível neste mundo em propriedade horizontal...

Daí, Senhor Abade, com a sua bênção, eu me dispenso de pensar, eu me dispenso de votar, assim não me deem cabo da cabeça com modernidades toiras, valha-me Deus, se me der para o suicídio aí vai bala (ou coisa que o valha). Grande é o Pai e a sua bondade.

A morte fica-vos tão bem...

por João Távora, em 10.02.20

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A lógica da eutanásia, mais que a do aborto ou outra medida fracturante que vamos involuntariamente assimilando como "direitos adquiridos", está directamente ligada à atomização da sociedade e ao desaparecimento progressivo das antigas comunidades de proximidade, nomeadamente a família alargada, coesa e solidária. O hiperindividualismo significa a total exposição da pessoa, "página em branco", deslumbrada com tanta liberdade e “direitos”, aos caprichos dum Estado omnipresente e voraz. E depois não digam que não foram avisados.

A propósito ide ler a maravilha de texto que é este

 

Meu querido diário (3)

por João Távora, em 09.02.20

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Na minha modesta opinião, o CDS, não sendo um "partido monárquico" (designação que é uma contradição de termos), em respeito para com a grande maioria dos seus simpatizantes e a sua matriz conservadora, devia abster-se de apoiar qualquer candidato à presidência da república (no caso português uma instituição revolucionária e ilegítima) e declarar a sua simpatia pelo modelo monárquico e parlamentarista. Isso é que era coragem e autêntica diferenciação.

Domingo

por João Távora, em 09.02.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».


Palavra da salvação.

O primado da vida

por João Távora, em 08.02.20
 

1- A vida tem, desde o seu princípio ao seu fim natural, a mesma dignidade absoluta que deve ser salvaguardada e protegida. Os grandes textos civis e sagrados, médicos e filosóficos que são a matriz das nossas sociedades, e formam a nossa consciência moral, recordam-no incessantemente. Ir contra o primado da vida é atentar contra a humanidade de todos os seres humanos.

2- Não é o primado da vida que tem de estar sujeito às circunstâncias (económicas, políticas, culturais, etc.) de cada tempo, mas sim as circunstâncias que devem estar ao serviço incondicional do primado da vida. A verdadeira missão que compete à política é o suporte infatigável à vida.

3- Nenhuma vida vale mais do que outra. Nenhuma vida vale menos. A vida dos fracos vale tanto como a dos fortes. A vida dos pobres vale o mesmo que a dos poderosos. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis. Passar a ideia de que há vidas que, em determinadas situações, podem valer menos do que outras é um princípio que conflitua com os valores universais que nos regem. 

4 - O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade. Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão. É fundamental dizer, por palavras e gestos, que “nenhum homem é uma ilha”.

5 - Recordo o que me contou, emocionada, uma voluntária que trabalha há anos numa unidade oncológica: “O que me faz mais impressão é o número de pessoas que morrem completamente sós.” Devia-nos impressionar a todos a desproteção familiar e social que tantos dos nossos contemporâneos experimentam precisamente na hora em que se deveriam sentir sustentados pela presença e pelo amor dos seus. A solução não é avançar para medidas extremas como a eutanásia, mas inspirar modelos de maior coesão, favorecendo práticas solidárias em vez de deixar correr a indiferença e o descarte.

As nossas sociedades têm de se perguntar se já fizeram tudo o que podiam fazer para promover e amparar a vida, sobretudo a daqueles que são mais frágeis.

6 - Por trás da vontade de morrer subjaz sempre uma vontade ainda maior de viver, que não podemos não ouvir. Claro que a vida dá trabalho. Que o serviço à vida frágil, à vida na sua nudez implica muitos sacrifícios e uma dedicação que parece maior do que as nossas forças. Mas coisa nenhuma é mais elevada do que essa. Talvez em vez dos heróis que sonambulamente festejamos, as nossas sociedades deveriam colocar os olhos no verdadeiro heroísmo: o heroísmo daqueles que enfrentam o caminho do sofrimento; o heroísmo daqueles que se dedicam ao cuidado dos outros como testemunhas de um amor incondicional.

7 - As nossas sociedades têm de se perguntar se já fizeram tudo o que podiam fazer para promover e amparar a vida, sobretudo a daqueles que são mais frágeis.

8 - Os paradigmas de felicidade da sociedade de consumo são paraísos artificiais talhados à medida do indivíduo, que passa a preocupar-se apenas por si mesmo e que se apresenta como o seu começo e o seu fim. Em nome dessa felicidade assiste-se facilmente ao triunfo do egoísmo. Porém, a pergunta ancestral “onde está o teu irmão?” será sempre um limiar inescusável na construção da felicidade autêntica.

9 - Àqueles que, movidos pelos melhores sentimentos, veem na eutanásia um passo em frente da nossa civilização recomendo a leitura do conto de James Salter intitulado “A Última Noite” (Porto Editora, 2016). Tem razão quem escreveu que a literatura é uma lente para olhar o humano.

10 - Diga-se o que se disser, a vida é a coisa mais bela.

10 RAZÕES CIVIS CONTRA A EUTANÁSIA

José Tolentino Mendonça no Expresso

Nasci para ser radical

por henrique pereira dos santos, em 08.02.20

Claro que é absurdo estar a Assembleia da República a tomar decisões sobre projectos concretos de linhas de metro ou preços de alterações no cartão de cidadão.

Mas convém ser radical e ver onde está a raiz desta coisa absurda.

E a raiz está no facto de ser preciso discutir o financiamento nacional de linhas concretas de metro, ou preços de actos administrativos, no orçamento de estado em vez de termos um sistema racional que confia nas pessoas e nas instituições, dando-lhes liberdade e autonomia para tomar decisões, dentro de um quadro de regras abstractas bem definidas e escrutináveis, que incluem o princípio do utilizador/ pagador.

Claro que se se considera a descida (ou a eventual gratuidade) do preço dos passes sociais das duas principais áreas metroplitanas do país como uma reforma estrutural nacional e, ao mesmo tempo, se pretende financiá-la com decisões anuais contigentes, tomadas em sede de Fundo Ambiental (um fundo nacional para o qual todos contribuímos), o assunto, tarde ou cedo, acabará a ser decidido pelos senhores deputados, no orçamento de estado, quando acabar o tempo das vacas gordas.

O que se resolve de forma radical e simples: as áreas metropolitanas que façam a gestão que quiserem dos seus transportes, desde que tratem também do seu financiamento, deixando de passar o tempo a saquear o resto do país para resolver os seus problemas.

Nesse dia as decisões sobre o metro de Lisboa dirão respeito aos lisboetas (aqui entendidos como os que vivem na área metropolitana, e não os que vivem em Lisboa cidade) e deixarão de ser condicionadas por circunstâncias particulares da composição do parlamento nacional.

A geringonça está bem

por José Mendonça da Cruz, em 06.02.20

Está, portanto, aprovado um orçamento de Estado que carrega ainda mais nos impostos em cima da mais alta carga fiscal de sempre. Ninguém se importa nos partidos, e nos media ainda menos. Tem que ser assim quando o dinheiro dos outros começa a faltar. É preciso ir buscá-lo, já não onde o estão a acumular, mas onde ainda reste algum.

A geringonça está bem e de saúde, e o PSD andou a fazer figuras tristes com o IVA da electricidade para demonstrar o que todos já sabíamos.

O BE fará tudo em troca de uns dinheiros para que o PS não o tire do bolso, enquanto vai dizendo umas coisas tonitruantes e sem significado nenhum. A colecção de malucos e idiotas úteis que vota no BE pouco se importa. Tem sempre a evangelização do Louçã e a cópia da Catarina.

O PC fará sempre um arremedo de protesto, e, depois de enviar um sindicato qualquer para a rua, ordeiramente, alinhará. Pagará com menos uns décimos nalguma sondagem, porque nem toda a gente é distraída, mas muita é.

E o PS continuará a gabar-se de ter acabado com a austeridade, enquanto aperta as malhas dela e alarga a avidez da colecta. Desta vez, foi a propósito das energias renováveis, que afinal são boas é para o fisco e o teatro do superavit.

Continuaremos pobretes, mas os alegretes gostam assim.

 

6 de fevereiro

por João Távora, em 06.02.20

Faz hoje 14 anos que começámos e parece que foi há décadas. A morte dos blogues foi um manifesto exagero: a liberdade de expressão e pluralidade de opiniões são valores a preservar. Longa vida ao Corta-fitas, continuamos cá para cortar e às vezes para colar.

As pessoas e os planos

por henrique pereira dos santos, em 06.02.20

Esta discussão sobre a gestão de trânsito em Lisboa, em que me meti voluntariamente apenas na óptica da participação pública, e fui metido involuntariamente por causa do programa da rádio Observador em que passei a participar, acabou por me levar a um ponto interessante do conteúdo do plano.

No regulamento previsto, pode ser mudado porque ainda haverá uma discussão pública em Março, os taxis podem circular na área de exclusão, mas os Uber só podem se forem eléctricos.

Algures fiz um comentário a dizer que não entendia a lógica desta distinção, excepto na óptica da gestão política da execução do que se pretende: o que os promotores do plano gostariam seria tirar todos os carros do centro de Lisboa (eu também gostaria, num mundo ideal), não podendo, preferem restringir aos carros eléctricos, mas comprar uma guerra com os taxistas era um suicídio político e portanto aceita-se que entrem na zona de exclusão.

Um amigo contrapõe a esta minha visão cínica do assunto (já agora, os processos de participação pública, começando desde o início da discussão do problema, visam exactamente limitar interpretações como a minha, eventualmente resultante de má ou nenhuma informação, o que me impede de ver a racionalidade de tratar os Uber de forma diferente dos táxis) esquece que para ser taxista há todo um procedimento e custos que faz com que ninguém queira ser taxista só para poder levar o carro para o centro de Lisboa, mas é bem possível que muitos condutores se registassem como Uber para contornar a limitação de entrada na Baixa.

É possível que haja alguma racionalidade neste argumento (embora seja fácil contornar isto definindo outro tipo de critérios para o acesso, nomeadamente em articulação com as plataformas que registam todos os pedidos de serviços) mas o que esta discussão me mostrou foi que na verdade os taxistas têm todas as razões para apoiar fortemente este plano da Câmara: passam a garantir a quase exclusividade do mercado na zona de maior concentração da procura de serviços de transporte, apenas tendo de concorrer com autocarros, metro e as pernas dos seus utlizadores.

As discussões públicas abertas, desde estados iniciais, são excelentes para identificar ganhadores e perdedores em decisões públicas e, neste caso, os taxistas estão, de longe, entre os maiores ganhadores.

Nada contra (excepto os efeitos negativos que as reservas de mercado sempre acarretam para os consumidores e contribuintes), o que acho é que este tipo de coisas devem ser bem claras.

É mesmo estupidez, não tem outro nome

por henrique pereira dos santos, em 05.02.20

Na novela da taxação da actividade florestal (uma tolice sem nome e com efeitos contraproducentes) a única coisa que verdadeiramente me espanta é a facilidade com que jornais e jornalistas chamam isto "taxa das celuloses".
Não entro na discussão sobre se isto é uma taxa ou um imposto, mas seguramente não é "das celuloses" é de muito mais gente: "“taxa de base anual a incidir sobre o volume de negócios de sujeitos passivos de IRS ou IRC que exerçam, a título principal, atividades económicas que utilizem, incorporem ou transformem, de forma intensiva, recursos florestais”.

Perante um problema sério de ausência de competitividade num sector que atenua o gravíssimo problema do abandono e falta de gestão do território, lembram-se de aumentar os custos de contexto, com base numa ideia que a investigação sobre o assunto desmente cabalmente.

É muita estupidez, peço desculpa, mas não arranjo outra maneira de classificar isto de outra maneira.

Os números de Trump que «temos que admitir»

por José Mendonça da Cruz, em 05.02.20

O sono é bom conselheiro. Depois de assistir, entre as 2 e as 3,15 da madrugada, ao discurso do presidente americano sobre o estado da Nação, passei em breve revista o que se passava nas redacções de televisão que ainda estavam acordadas. E tive dúvidas. Tive dúvidas sobre o que era mais confrangedor, se o gesto de Nancy Pelosi, a líder democrata no Congresso, ao rasgar a sua cópia do discurso, se a ginástica dos painéis da RTP e da Tvi, onde se procurava aflitamente encontrar mentiras ou contradições no discurso. O afã era tal que um dos presentes dizia às tantas que entre as afirmações e números referidos por Trump via uns que «temos que admitir». «Temos que admitir», dizia ele, numa daquelas frases que saem sem querer, e põem ao léu toda uma agenda.

De manhã, porém, este tipo de jornalistas já dormira e concluira que a melhor reacção era ignorar o conteúdo, omitindo-o, e concentrar-se no acessório. Sim, o sono foi-lhes bom conselheiro.

Mas, o que era, então, tão doloroso para eles «admitir» no discurso de Donald Trump sobre o estado da Nação norte-americana?

Eram insuportáveis os números, primeiro:

-- que o incapaz e incompetente pudesse gabar-se da criação de 7 milhões de novos empregos e da taxa de desemprego mais baixa dos últimos 50 anos;

- que o racista e xenófobo pudesse invocar as taxas de desemprego de americanos de origem Africana, Latina ou Asiática mais baixas de sempre;

- que o machista pudesse orgulhar-se da taxa de desemprego de mulheres mais baixa dos últimos 70 anos e de que no último ano 72 por cento dos novos empregos tenham sido preenchidos por mulheres;

- que o velho senil, inculto e insensível pudesse orgulhar-se da taxa de desemprego entre americanos com deficiência mais baixa de sempre, e de uma taxa de emprego jovem recorde;

- que o milionário e especulador pudesse inscrever no seu historial a mais baixa taxa de desemprego de sempre entre os trabalhadores sem curso liceal, ou que os trabalhadores com salários baixos tivessem registado um aumento de rendimentos de 16% nos últimos 3 anos. E que tivesse, por fim, o extremo descaramento de proclamar que os EUA estão perante um «blue collar boom» (serão os tais a que a outra chamava deploráveis) , e que os rendimentos da classe média são os mais altos de sempre.

Era insuportável que um ricaço e racista honrasse um cidadão negro recuperado à droga e ao desemprego e depois o primeiro piloto aviador de caças negro, McGee, que fez cem anos em dezembro e estava presente com o bisneto de 13 anos, que sonha com uma carreira espacial; e honrasse, depois, o chefe da polícia fronteiriça, que é um cidadão de origem mexicana, de nome Ortiz.

Era insuportável que o bárbaro que ia lançar o pânico e a crise no comércio mundial afinal não tivesse lançado nem uma coisa nem a outra, antes podendo proclamar resultados de renegociações altamente favoráveis para a economia americana com México, Canadá e China.

Era insuportável, acima de tudo, que todos os elementos de uma política avessa ao socialismo, e inimiga do socialismo (a livre escolha na educação, a livre escolha na saúde, a acentuada baixa de impostos, a desburocratização, o primado da iniciativa privada) produzissem tão bons resultados. O que o primeiro-ministro de um dos três países mais pobres da UE considera «pensamento mágico», colocou os EUA, maior potência económica mundial, a crescer duas vezes mais que esta nossa pátria pobre, e iluminada pela magia socialista.

Como o sono é bom conselheiro, de manhã os media enviesados de Portugal já sabiam como melhor proceder.

Primeiro, ignorando o discurso, antes focando o fait divers de que Nancy Pelosi rasgara a sua cópia do discurso, de pé e para toda a gente ver. Para eles, como para quem não quer ouvir e muito menos noticiar, é «a imagem que fica» e que «roubou as atenções». É claro que o gesto vai custar aos democratas menos um ou dois décimos nas preferências em que se enterram sem compreenderem, mas tanto eles como os jornalistas portugueses compreenderão só depois.

Segundo, supreendendo-se que Trump não tenha dedicado uma linha, um àparte, um ressentimento, uma vingança ao defunto impeachment. Também nisto, os media portugueses são como os democratas americanos, ainda não compreenderam que o impeachment lhes saiu pela culatra e que já ninguém quer saber.

Terceiro, condenando veladamente o facto de o discurso de Trump, além de politicamente forte, ter sido um espectáculo de televisão. Sim um show verdadeiro, com momentos emocionais, condecorações de surpresa, regressos de combatentes aos braços da família encantada, a celebração a Juan Gaidó, «o verdadeiro presidente das Venezuela», presente, e a promessa de apoio a mais um país que o socialismo destruiu.

Para mim, foi este, talvez, o aspecto mais surpreendente das reacções nos orgãos de informação portugueses. Não me surpreende que queiram afastar ou desmentir ou condenar o presidente de outro país, porque concedo que há muito perderam todo o sentido de ridículo. Mas ainda me surpreende que profissionais de media e televisão fiquem amofinados ao constatar que um profissional da política percebe mais do que eles de media e televisão. Mas, enfim, temos que admitir...

 

 

 

A pureza que os leve

por José Mendonça da Cruz, em 05.02.20

O novo partido Iniciativa Liberal apresenta na Assembleia da República um projecto para matar gente, processo também chamado eutanásia, que diz que é mais «solene e formal» do que o dos outros que querem matar de forma mais corriqueira e informal. Fá-lo no cumprimento do anseio e do desejo já antes anunciados pelo anterior presidente do partido, Carlos Guimarães Pinto: o anseio da pureza liberal, nos costumes como na economia, e o desejo de não deixar à esquerda o monopólio das questões fracturantes.

Aplaudo vivamente esta iniciativa do IL. E espero ardentemente que lhes seja fatal.

Públicos vícios

por João Távora, em 04.02.20

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A defesa da liberdade de expressão é sem dúvida uma prioridade inalienável para a salvaguarda duma nação que queremos dinâmica, inclusiva e dialogante. Mesmo que dessa liberdade emerjam os mais ignóbeis discursos de ódio e uma sempre perigosa conflitualização do debate político – essa é, sabemo-lo, a grande fragilidade da democracia. Que tal radicalização seja inevitável nas redes sociais, em que tantos bons chefes de família perdem a compostura por dois minutos de fama, e que o mais das vezes se assemelham a uma malcheirosa e barulhenta taberna onde sobressaem as mais sonoras, excêntricas e ultrajantes boutades, entende-se. Agora, o “cartoon” duma tal Cristina que caricatura o símbolo do CDS associando-o a uma cruz suástica publicado no domingo pelo Público só vem confirmar a casa mal frequentada em que há muito se tornou esse jornal, cuja redacção mais parece uma extensão do esquerda.net.

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"Nasci para estar ali"

por henrique pereira dos santos, em 04.02.20

Talvez sendo a Joacine eu possa dizer isto sem me lapidarem.

Sim, eu sei, a formulação é infeliz, presta-se a boas piadas mas, caramba, toda a gente percebeu o que a Joacine estava a dizer, e não estava a dizer nada de especial (tal como toda a gente percebeu a piada infeliz da devolução do que veio de África, tal como toda a gente percebeu o "não podemos ser piegas", ou o "aguenta, aguenta" ou dezenas de outras coisas ditas ligeiramente, ou não tão ligeiramente, "fora do tom, sem melodia" como dizia o Caetano Veloso quando o pública vaiava o seu "proibido proibir").

Em relação a afirmações deste tipo não podemos simplesmente fazer uma piadas e seguir em frente, em vez de nos indignarmos?

Razão teve o Bernardo Silva em queixar-se de que hoje em dia já nem se pode brincar com um amigo.

E eu acrescento que toda a gente diz asneiras, umas vezes mais conscientemente, outra vezes menos conscientemente, e esta mania de lutar por uma linguagem asséptica, neutra, sem imperfeições é uma coisa bastante estúpida, e só não digo que é perigosa e chata porque, felizmente, as pessoas continuarão, por necessidade ou descuido, a dizer coisas erradas ou coisas certas da forma errada, independentemente das várias facções das polícias de costumes.

Estou absolutamente farto deste policiamento permanente da linguagem, como se fosse a linguagem que moldasse o mundo, e não fosse a linguagem uma mera expressão da vida.

Aos que esperam que "o tédio de um mundo feliz nos persiga", eu sugiro que esperem sentados.

E, no entretanto, deixem toda a gente dizer coisas imperfeitas ou de forma imperfeita, que isto fica muito mais divertido assim.

Uma questão de perspectiva

por Maria Teixeira Alves, em 04.02.20

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O grande desafio

por João Távora, em 03.02.20

A longa liderança de Portas instituiu um mandarinato atípico de "jovens turcos" e "turcas" que Cristas deixou solto em deslumbramento mediático, "correcto" e, nalguns casos, de cumplicidade com a suposta "moral cultural superior" das esquerdas. Isto baralhou o eleitorado "tradicional" do CDS que outorgou 4% e cinco deputados ao partido em Outubro. Tudo somado, Francisco Rodrigues dos Santos não tem a tarefa facilitada, o que torna o desafio político e pessoal mais estimulante.

João Gonçalves a ler na integra aqui

A Taberna do Quinzena

por João-Afonso Machado, em 03.02.20

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Depois de meses de jejum prolongado e contrariado, dei comigo na Azambuja em fértil maré de faisões. Na véspera, Santarém e a busca para o jantar de um grupo numeroso, havia de ser coisa alegre, corridinha e saborosa.

O nosso chefe, o nosso guia, o velho M. M., ordenou a Taberna do Quinzena, uma das três escalabitanas, fora as mais, Cartaxo fora, e até no grande Hotel. A escolhida era a primitiva. Daí a história.

Noite sem luz, casa sem iluminação exterior. Como se gosta e sonha.

Mas eu não escreveria não tivesse conhecido o patrão e a saúde que fizemos a El-Rei nosso Senhor. Já não vou no pitoresco... Vou em quem é português do tempo em que Portugal não morreu. E foi depois desse copo, pela vida de todos nós, que vim cá fora, tirei um retrato e volvi dentro, a saber mais coisas.

A Taberna do Quinzena, já o disse, prolifera em Santarém. Mas é velha de 148 anos e o seu fundador, Francisco Baptista, vulgo o "Quinzena", merceava então, aceitando pagamentos dos clientes de quinze em quinze dias, o que lhe valeu o epíteto. O neto, o Sr. Fernando Baptista, comanda presentemente as operações, numa frente muito mais vasta. Ei-lo a mostrar-me a sua "bula", de um rigor sumo-pontificial, prenho de sageza como as páginas bíblicas.

De início, além das vendas dos géneros alimentares, ali se bebiam uns copos também. Quem vai à fonte, à fonte leva sede... E ali se conversava e jogava, fossem cartas, fosse o dominó. São o demónio, estes primórdios! Ainda há três décadas, na Taberna não entravam senhoras.

Marialvismos, usos disformes do nosso Minho. Certo é, damas de toda a reputada consideração nortenha, vão lá três dias, fidalgas até mais não, entraram de rompante na Taberna do Quinzena e assenhorearam-se da conversa. Quem isto afirma, prudentemente se recolhia a falar em azul riscado em papel, pela ponta de uma caneta, a ouvir, a ouvir, transcrevendo como qualquer tabelião. Mas a petiscar, orientado por conselhos sublimes acerca de grelhados. E sequioso.

Em meu redor, nas paredes, uma inteireza de cartazes tauromáquicos, alguns já quase centenários; fotografias de celebridades - reconheci muitas... - quase todas elas descansando da vida dos vivos; e, avantajando-se, um óleo monumental de Diamantino Vizeu. Olé!!! A nossa sala de repasto (uma entre tantas) parecia, cheirava a arena.

Que mais dizer? O Sr. Baptista, a amabilidade em gente. Os preços módicos. A barriguinha cheia. Mais uma saúde a El-Rei. E um negócio, percebe-se, de vento em popa, com o vinho a soprar muito de feição, de boa cêpa (- Este é Casa do Cadaval... - Eu prefiro a Casa Real - É como eu! Eu também!)

A noite findou num grande abraço. A manhã seguinte pertencia aos faisões. Tudo somado, isto é o Ribatejo, quase tanto como o Minho.

E eles a dar-lhe

por henrique pereira dos santos, em 03.02.20

Via Campo Aberto (não encontrei o original do texto da QUERCUS), encontrei este parágrafo notável a propósito da discussão pública do Plano Integrado para a Gestão de Fogos Rurais, que decorre até ao próximo dia 5 de Fevereiro (participem na discussão, eu preferiria um documento mais conciso, mas vale a pena influenciar a sua evolução para uma orientação mais focada na resolução do problema da falta de remuneração da gestão de largas partes do país):

"No documento para consulta há princípios orientadores positivos, como a governação, a qualificação e a comunicação, mas continua-se a fazer referência a mais controlo de vegetação (ou seja mais desmatação) e ao uso de fogo (ou seja fogueiras, queimadas e fogo controlado). Ora numa abordagem regenerativa, não há “uso correto do fogo”! O máximo de biomassa possível tem de ser incorporada no solo e sequestrar carbono (e outros materiais)." 

De uma penada a QUERCUS consegue negar toda a investigação sobre o assunto, defender a posição completamente irresponsável de que a gestão de combustíveis não é a questão chave do controlo sobre o fogo, dizer uma barbaridade sem nome, totalmente infundada e sem a menor base científica e técnica "não há "uso correcto do fogo", e defender soluções que só existem num pensamento mágico sem qualquer aderência à realidade.

Por volta de 2030, se posições como esta prevalecerem e se continuar a gastar rios de dinheiro em acções sem qualquer efeito prático na gestão do problema do fogo à escala da paisagem, voltaremos à situação de 2003, 2005, 2017, com as consequências conhecidas.

Espero que nessa altura alguém se lembre destas posições místicas de organizações como a Campo Aberto e a Quercus (há outro notável parágrafo que não consigo perceber se é uma citação que a Campo Aberto faz do que diz a QUERCUS, se é uma elaboração da Campo Aberto a partir das tolices da QUERCUS, mas é notável na sua tentativa de explicar a negação da investigação científica com processos de intenções de que nunca se encontrou o menor vestígio de fundamento "Repare-se que estes fogos rurais, que não há muito se chamavam "florestais", são na verdade, mesmo quando começam em matos e terrenos agrícolas marginais, exponenciados pelas grandes extensões de eucalipto e pinheiro que alimentam o volume e dimensão dos fogos, que nunca atingiriam essas proporções se se limitassem a matos e terrenos marginais. Quem estará interessado em não associar estes fgogos às "florestas artificiais e de espécies amigas do fogo"?") e lhes peça responsabilidades pela contribuição que estão a dar para a criação de condições para desastres da dimensão de 2017.

Por mim, há muito que defendo soluções simples e focadas no problema central que podem ser discutíveis na sua concepção ou na sua aplicação prática, e não deixo de me espantar com a profundidade da penetração do pensamento mágico no actual movimento ambientalista quase totalmente capturado por activistas que vivem nas nuvens, sem a menor preparação e experiência sobre gestão do teritório.

Domingo

por João Távora, em 02.02.20

Evangelho de São Lucas 2, 22-40

Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel;
e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que d’Ele se dizia.
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; – e uma espada trespassará a tua alma – assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».
Havia também uma profetiza, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela e viúva até aos oitenta e quatro. Não se afastava do templo,
servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Estando presente na mesma ocasião, começou também a louvar a Deus e a falar acerca do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele.

Palavra da salvação

Tribalistas

por henrique pereira dos santos, em 01.02.20

Hoje, estava eu preparado para fazer um post sobre esta notícia (atenção, é de 2007, não vá alguém não reparar), salientando o facto de já em 2007 Francisco Ferreira (mas poderia dizer, de forma mais geral, o movimento ambientalista, não só por ser verdade, mas também porque o Francisco pode ser considerado, com toda a legitimidade, o ambientalista do regime) dizia, sobre o mesmo aeroporto de Lisboa, o mesmo que diz hoje: que é preciso avaliar mais estrategicamente.

A principal diferença é que agora as alternativas que é preciso avaliar já não são apenas as diferentes localizações para o aeroporto, mas também as alternativas de mobilidade, como o comboio, até porque a contestação anterior dizia que era preciso avaliar o Portela + um (principal candidato ao mais um: Montijo), e agora para contestar o Montijo era difícil manter o argumento.

Amanhã, se as hipóteses do comboio estiverem incluídas no processo de decisão, vai-se pedir que se avaliem também as hipóteses de ir de barco ou de trotinete e avaliar se se recorre aos tribunais.

Estava eu a preparar-me para me divertir com tudo isto - e ainda com o facto de raramente uma associação ambientalista mudar de opinião por causa das avaliações de impacte ambiental, se a avaliação confirmar a opinião é porque é boa, se não confirmar, não se muda de opinião, contesta-se a competência e lisura de processos da avaliação - quando resolvo fazer um inocente post a perguntar se alguém sabia alguma coisa da discussão pública deste plano ontem apresentado por Fernando Medina para a Baixa de Lisboa.

O pequeno comentário que fiz resulta do plano ter sido apresentado como um facto consumado, ou seja, como uma decisão tomada, para entrar em vigor em Agosto, sem qualquer destaque ao facto de ainda haver um processo de discussão pública em Março, indiciando aquilo que é a prática geral do Estado, central ou autárquico, na maioria dos casos: as discussões públicas de planos são minudências administrativas que é preciso cumprir, nada mais.

Tanto bastou para que amigos meus, com os quais, aliás, estou basicamente de acordo sobre a necessidade de condicionar o acesso automóvel ao interior de Lisboa, se zangarem comigo, achando que eu estava só com vontade de dizer mal de Medina.

Confesso que estranhei, achei que a ideia de que a participação pública num plano se faz desde a sua origem, desde que se admite a necessidade do plano, era consensual, pelo menos entre as pessoas que têm uma visão de sustentabilidade democrática do planeamento. Achei que quase toda a gente reconheceria que essa é a forma das pessoas compreenderem as decisões tomadas, concordem ou não.

Tenho de me render à evidência de que o tribalismo está a chegar muito mais longe do que imaginei e de que conceitos básicos sobre as características dos processos democráticos são, afinal, contestados.

Aparentemente, é cada vez mais importante definir o lado em que se está, o grupo a que se pertence, e menos importante olhar simplesmente para os factos e os argumentos.

E isso é inquietante.


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