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Só por amor

por João Távora, em 29.11.19

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Carlos Santos Silva reconheceu ontem que tinha o hábito de andar com muito dinheiro vivo consigo, coisa de construtores civis que para bem do negócio tantas vezes se vêm obrigados a pagar luvas a “facilitadores”. Curioso é como José Sócrates era o único parceiro a quem entregava milhões só por amor.

Imagem daqui

O Guerreiro da esquerda

por Pedro Picoito, em 29.11.19

No Público, António Guerreiro escreve hoje uma crónica inteira sobre o lançamento do livro Linhas Direitas sem: a) o ter lido; b) ter estado lá. Não podia haver melhor prova de que a) o livro é necessário; b) a sua principal tese é verdadeira (no espaço público português, a direita define-se por aquilo que a esquerda pensa dela).

Claro que o Guerreiro diz mais do que isto, mas não vos vou maçar com minúcias dialécticas porque: a) a minha cultura de trabalho é uma cultura de descanso; b) sobretudo no sentido intelectual do termo.

Uma história edificante

por henrique pereira dos santos, em 28.11.19

Ontem, em Sintra, a Montis (associação de conservação de que sou Presidente até 14 de Dezembro), recebeu uma doação de terrenos.

Pela primeira vez, no caso da Montis, houve quem se lembrasse de dar destino a pequenas propriedades entregando-as a uma organização que achou que cuidaria melhor delas.

Dir-se-ia que é uma decisão alinhada com as necessidades sociais (gerir terrenos em risco de abandono ou abandonados) e alinhado com as políticas públicas que pretendem saber quem são os donos dos terrenos e criar condições para a sua gestão.

Os terrenos, dez pequenas (a mais pequena tem 20 metros quadrados) parcelas dispersas por vários concelhos, segundo a avaliação do Estado valerão, no conjunto, cerca de 600 euros. No mercado, salvo um acontecimento extraordinário, como de repente ganharem capacidade construtiva ou estarem no perímetro de expropriação de uma qualquer obra pública, não valem sequer esses 600 euros (ao dizer isto não estou, de maneira nenhuma a desvalorizar a doação, bem pelo contrário, sei bem quanta generosidade e coragem é precisa para se tomar uma decisão destas, o que neste caso ainda foi ampliado pela forma absolutamente impecável como os doadores se dispuseram a tratar rigorosamente de toda a papelada).

Pois bem, para consumar esta doação, foi precisa uma escritura pela qual o Estado cobrou quase 500 euros (ou seja, mais de 80% do valor que o Estado reconhece aos terrenos) e que obrigou várias pessoas a perder uma manhã inteira por causa da sua absoluta incapacidade para tratar de questões simples de articulação entre serviços.

Os papéis foram entregues um mês antes da escritura. Três semanas depois, são pedidas, com urgência, cópias autenticadas de documentos da associação (não contabilizei essa despesa nos custos de transação acima, se contabilizar todos os pagamentos ao Estado em diferentes momentos, provavelmente chego aos 100% do valor dos terrenos), o que se providenciou.

Na manhã da escritura ("essa operação só pode ser feita na plataforma nesse dia, portanto só nessa altura é que se consegue saber se há algum problema") a escritura não se pode fazer à hora indicada porque a plataforma não aceita nem o pagamento de selo, nem a indicação de que a associação está isenta desse pagamento, nem a regularização posterior da situação, é preciso uma declaração de isenção das finanças (a repetir o que a lei diz, na verdade).

Lá se vai às finanças, depois de perdido um bom tempo na conservatória para tentar perceber se a dificuldade tecnológica se resolve ou quais são as alternativas, pedir a dita declaração de isenção (sete números da senha à frente, em meia hora tinha andado um número, foi preciso recorrer a um telefonema para resolver o assunto mais rapidamente, bem à portuguesa, porque os doadores tinham duas outras escrituras marcadas nesse dia, uma das quais com pessoas vindas directamente de avião, e que, 48 horas antes, tinham passado a estar em risco porque descobriram que faltava um papel da treta de preferências e a Câmara de Lisboa não o queria passar porque duas funcionárias não se entendiam sobre quem tinha de passar o papel, coisa que o património cultural tinha resolvido em minutos com uma declaração on-line, mas esta é outra história lateral).

A funcionária das finanças repara, aterrada, que apenas tínhamos a minuta da escritura, e não a escritura em si, pelo que não sabia se podia passar a declaração essencial para assinar a escritura que não estava assinada e que era necessária para a declaração que era imprescindível para a assinatura da escritura.

Desapareceu, para falar com as chefias, e um bocado depois, felizmente, apareceu com as declarações de isenção, atestando o que a lei diz, e especificando que na verdade havia uma isenção de um imposto de selo que corresponde a 1,1% (se não me engano, a ordem de grandeza é esta) sobre o valor de uma transação que, em qualquer caso, com ou sem isenção, seria zero, porque se trata de uma doação.

Quando vos disserem que os impostos altos servem para pagar serviços de saúde, reformas e etc., o melhor será lembrarem-se desta história: não, não é só para isso que servem os impostos, é mesmo também para pagar a ineficiência de regras e procedimentos absurdos (note-se que todas as pessoas de serviços públicos envolvidos em tudo isto foram absolutamente impecáveis, simpáticas e procurando, verdadeiramente, resolver os problemas, nada nesta história se relaciona com um funcionalismo público incompetente ou desleixado, é mesmo uma questão estrutural de regras, procedimentos e suportes informáticos desenhados por um herdeiro intelectual de Kafka).

Joacine, hoje

por João-Afonso Machado, em 27.11.19

Lembrei hoje o grande catedrático que foi António Barbosa de Melo. Professor em Coimbra, fundador do PPD de Sá Carneiro, deputado constituinte, deputado da Assembleia da República, à qual presidiu também.

Decerto, esse o seu grande defeito - seria republicano. E daí os cargos de que foi titular, os mandatos que desempenhou.

Tinha, não sei se lhes ocorre, uma deficiência fisica, uma perna maior do que a outra, o que o obrigava a, no pé da menor, usar um sapatão de sola altíssima.

Na realidade, creio que tal na sua vida não passava de um mero pormenor. O Prof. Barbosa de Melo fez a sua carreira por si, pelo seu saber e pela sua competência. Com brilhantismo, apenas.

Ora, se lembrei hoje esse grande legislador e parlamentar, foi porque acabo de assistir à intervenção da deputada Joacine no debate quinzenal da AR. A qual, sim, manifestamente foi escolhida pelo Livre pela sua gaguez.

Melhor dizendo, não assisti. Não fui capaz de ir até ao fim em tão confrangedor momento. Não havia palavra que não lhe saísse da boca sem um esforço enorme, prolongadíssimo. Sinceramente, compadeci-me, fui sala fora.

Sob o pretexo da defesa das minorias, Tavares preparou este "número especial". Parece, entretanto, a coisa não lhe corre pelo menor. Joacine, por seu lado, não se atrapalha e continua a deixar-nos incomodados por ela, aliás sem proveito que se veja para alguém. A não ser na expectativa já gerada de qual o passo seguinte na vida doméstica do Livre, sendo Joacine muito presa de língua mas muito de rédea solta na sua vontade.

 

Um mundo de cóltura

por José Mendonça da Cruz, em 26.11.19

Ontem, no jornal das 20 horas, a RTP descobriu que estão presos na China 2 milhões e meio de pessoas «de etnia muçulmana». «Etnia muçulmana», por oposição, por exemplo, a muitos chineses de etnia ateia, ou europeus de etnia cristã.

Ontem, no jornal das 20 horas, a Tvi informou, a propósito de Jesus e do Flamengo, que a nossa relação com o Brasil já vem «do tempo dos reis». Não D. Manuel I, nem D. João V, nem D. Pedro IV. Não, «do tempo dos reis».

Fiquei muito animado. Manifestamente a «geração mais bem preparada de sempre» chegou à televisão.

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A homenagem a Jorge Jesus no Brasil acompanhada ao minuto em Portugal, só vem reforçar o quanto os portugueses estão condenados à sua taquenha insegurança. Somos os mesmo que o Eça caricaturava nos seus romances no século XIX.

Desde que o treinador português, que foi do Benfica e depois do Sporting, pôs o clube do Rio de Janeiro, o Flamengo, a sagrar-se campeão do Brasil quando festejava a conquista da Taça Libertadores, que em Portugal se excedem em elogios rasgados a Jorge Jesus. São horas de diretos televisivos, páginas dos jornais, elogios nas redes sociais, exaltações de toda a ordem, comentários nas notícias online. Nem parecem os mesmos que quase o escorraçaram do Sporting, nem os mesmos que o criticavam no Benfica. 

Ainda me lembro de eu (sportinguista) ter ficado sozinha numa sala onde homens sportinguistas criticavam fortemente o então recém contratado treinador do Sporting. Não conseguia perceber, eu estava contente com a contração e fiquei mesmo com pena quando o Sporting perdeu Jorge Jesus. Mas os sportinguistas, cegos como sempre, criticaram-no à entrada e à saída. Ainda que os benfiquistas o criticassem eu percebo, foi sentido como uma traição o treinador trocar o Benfica pelo Sporting. 

Antes disso, quando se destaca enquanto treinador do Benfica, nem por isso os elogios abundavam. Nessa altura os portugueses nas redes sociais, os humoristas, os jornais, os opinion makers troçavam dos seus pontapés na gramática, do seu inglês de ZéZé Camarinha, da sua vaidade atabalhoada, do seu pensamento genuinamente pouco elaborado, da sua pastilha mascada violenta e grosseiramente. 

Quando Jorge Jesus foi para o Sporting, passei a reparar nele, e quando ouvia os seus discursos atabalhoados nas conferências de imprensa pensei, este homem é muito inteligente, e mesmo na sua forma rústica de falar, há ali alguma encenação estratégica. 

Jorge Jesus foi rei noutro país, e zás... Portugal passa a estender o tapete encarnado ao treinador. De autor do "peaners" passa a génio, a herói, a orgulho nacional. 

Os portugueses vêem mal ao perto e só enxergam bem ao longe.

Assim, ainda bem que alguém reconheceu Jorge Jesus. O técnico português, treinador do Flamengo, foi condecorado esta segunda-feira com o título de cidadão honorário da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Jesus tornou-se o primeiro português a vencer um campeonato nacional na América do Sul, ao arrebatar, sem jogar, o título brasileiro pelo Flamengo.

Mas mais uma vez foi preciso o estrangeiro dar o certificado de qualidade para que os portugueses reconheçam o mérito no seu conterrâneo e isso não abona nada em favor do país. Portugal é um país que tem falta de auto-estima e por isso não consegue ser o primeiro a reconhecer o mérito. Os portugueses, como têm medo de arriscar e se comprometerem com um elogio, preferem a crítica e a sátira fáceis. Assim não se comprometem e (pior) não se sentem diminuídos. 

Este episódio só reforça a tese que se alguém tenta fazer alguma coisa melhor em Portugal, só encontra críticas, obstáculos, alianças negativas, invejas, adversidades. 

Portugueses, libertem-se dessas amarras antigas e não tenham medo de reconhecer genuinamente o mérito no vizinho ou, caso contrário, estarão sempre condenados a chegar sempre tarde aos acontecimentos, tarde à inovação, ao progresso e à mudança. 

We the People of Joacine

por Pedro Picoito, em 24.11.19

Para além da comédia de enganos que é a pseudocisão do Livre, partido tão ecológico que recusa as vantagens do email, do telemóvel e do pombo-corrreio na comunicação interna, há um problema político de fundo. Em campanha, Joacine Katar Moreira invocou como principal - para não dizer único - mérito da sua eleição o facto de ser mulher, negra e gaga, o que levaria finalmente as minorias a estarem representadas no Parlamento. É uma dupla mentira. É mentira porque os deputados não representam fatias da população; representam o seu círculo eleitoral e, em última instância, todos os Portugueses. E é mentira porque Joacine não é a primeira negra eleita para São Bento e muito menos a primeira mulher. Admito que seja a primeira gaga, mas isso não constitui grande mérito parlamentar, como se tem visto (mais do que ouvido). 

O Livre, porém, não só deu menos importância à dupla mentira do que a um voto pela Palestina, como a cavalgou alegremente. Foi o exemplo mais bacoco de política identitária que vimos em Portugal desde que Miguel Vale de Almeida foi eleito deputado para fazer a lei do casamento gay - embora a sua ação política, honra lhe seja,  não se possa resumir à bandeirinha. Nem o PCP, "partido dos trabalhadores", tem uma visão tão classista da democracia.

Agora, Joacine está livre do Livre. A autoproclamada representante das minorias em regime de monopólio (a esquerda é contra os monopólios, excepto o dos pobrezinhos) representa-se apenas a si própria. Basta ver a retórica irredentista, clássica das cisões da extrema-esquerda, com que responde aos seus críticos no partido. Como antes respondia aos seus críticos fora do partido. Rui Tavares e o "grupo de contacto", irónico nome, são uns traidores e uns vendidos que nunca a apoiaram e ficaram mais contentes com a subvenção partidária do que com a eleição da messiânica deputada. Como antes Daniel Oliveira era comparado à extrema-direita por causa de um simples twitter, essa paixão funesta. 

Surpreende que tenha acontecido tão cedo, mas não surpreende que tenha acontecido. Quem recusa as regras democráticas do compromisso e da convivência com os adversários, também as recusará com os camaradas, companheiros ou compagnons de route. Quem começa por fazer a política de uns contra os outros, acaba a fazer a sua política contra tudo e todos. Dentro e fora. A esquerda, melhor que ninguém, devia sabê-lo. Mas repetir sempre os mesmos erros é parte do seu charme discreto. Minoritário, mesmo.

O barulho que seria, se não fosse o Bloco de Esquerda

por henrique pereira dos santos, em 24.11.19

O Bloco de Esquerda gosta de se apresentar como um campeão das políticas de combate ou adaptação às alterações climáticas (embora eu suspeite que poucos dos dirigentes tenham perfeitamente clara a diferença entre políticas de mitigação das alterações climáticas e políticas de adaptação, mas isso agora não interessa nada).

Para quem tenha paciência, pode ler aqui o programa do Bloco nesta matéria, em que se diz logo (embora não me lembre de ver alguém chamar a atenção para a contradição) que não é a aumentar o preço da energia que o problema se resolve.

 Catarina Martins continua agora a insistir na ideia de baixar o IVA da electricidade porque, diz Catarina, "A eletricidade e o gás são um bem essencial de primeira necessidade, a sua descida tem um efeito enorme na economia e também porque para as famílias quanto menos pagarem na conta da luz, mais fica de salário e de pensão".

Há quem não veja grande semelhança entre esta frase e este tweet de Trump "The Democrats’ destructive ‘environmental’ proposals will raise your energy bill and prices at the pump. Don’t the Democrats care about fighting American poverty?", mas claro, é só porque há gente que tem problemas de visão muito graves quando se trata de avaliar as propostas concretas do Bloco em vez de se ficar pela retórica.

Domingo

por João Távora, em 24.11.19

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses


Irmãos: Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; Porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.


Palavra do Senhor.

Eduardo Nascimento

por João Távora, em 23.11.19

Noto com pesar a morte do cantor Eduardo Nascimento. Acontece que eu tinha uma bonita voz quando era criança, e à época com 5 anos, importado directamente da cozinha onde se ouvia telefonia (!), eu interpretava com sucesso o tema "O vento Mudou" nos jantares de família. Para lá deste insignificante dado pessoal, o protagonismo deste cançonetista negro no Portugal "colonialista" dos anos sessenta fala por si. Ontem como hoje, à maioria interessa mais as pontes do que as fracturas - só assim poderemos todos viver melhor.

A manif dos polícias, um atrevimento "fascista"

por João-Afonso Machado, em 22.11.19

Ontem foi mais uma manifestação das forças da ordem - contra a desordem em que as suas Instituições vivem e a desordem que não lhes e possível ordenar - por falta de ordem e de meios. 

Foi uma manifestação exemplar. Plena de ordenação. Mas carregada de sentido. Desde logo, contra o Governo.

Essa malta - o Governo - refugia-se em 2013, na Troika. Votando firme na querença do eleitorado. Na sua desmemória. Uma legislatura volvida (e o problema vinha muito de trás) continua a sua mentira.

A realidade: os agentes de segurança (urbana ou rural) cada vez mais (politicamente correcto seria dizer: cada vez menos...) dispõem de meios para atingir os seus desideratos. Faltam armamento conforme, viaturas automóveis em bom estado, comunicações e pessoal, e a autoridade confirmada pelos tribunais na sua actuação.

(Entretanto, à cambada ministerial convém lembrar a elevada taxa de suicídios entre os agentes de segurança. Porquê isso?)

Outrossim, à ordeira manifestação de ontem, cabe lembrar estes e outros antecedentes. Não será por acaso, o Sr. André Ventura foi recebido em apoteose. Segue-se o "programa" da extrema-direita... Sem mais delongas, a extrema-direita foi sempre um conveniente produto da Esquerda. Tal qual o desenterro de Franco do Vale dos Caídos...

E depois, os sindicatos da policia. Críticas? Nenhumas. Eles são o Portugal dos dias feitos pela cambada. Ninguém os poderá contestar.

Mas a sublime voz da Esquerda não cala. Os «zeros» da manif deram-lhe o pretexto. O seu silêncio reforçou-o: foi a extrema-direira infiltrada. E daqui não sairemos com a porcaria da Imprensa a fazer eco de tais derivações.

Cabrita afaga a barbela. Costa ri. Salazar não faria diferente.

 

 

Correio Real - 10 anos *

por João Távora, em 22.11.19

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O primeiro sinal de capitulação no combate cultural que travamos contra o progressismo que assola e corrói as fundações da nossa pátria é a renúncia ao ideal monárquico, à legitimidade histórica dos Duques de Bragança na representação duma nação com quase 900 anos de história.

* Capa do Correio Real produzido pela Real Associação de Lisboa a ser distribuido em dezembro pelos associados da Causa Real. 

Media al borde de un ataque de nervios

por José Mendonça da Cruz, em 21.11.19

Como eles andam nervosos a ver supremacistas brancos em quem desenha um zero com o polegar e o indicador.

Como eles andam sobressaltados a afligirem-se por, dizem, não saber quem protesta, quando quem protesta não cabe nos sindicatos domesticados que se habituaram a venerar.

Como eles andam pressurosos a noticiar que o governo desmentiu uma afirmação de André Ventura (que não deram), quando o desmentido do governo (que dão largamente) não desmente coisa nenhuma.

Como eles andam zelosos a rematar cada notícia inquieta com declarações de um dos 100 ou 200 governantes, a dizer que é tudo um equívoco, que o governo já pagou, já investiu, já resolveu.

Como eles andam obcecados a ver extrema-direita em cada canto e cada esquina de onde não venha a música que os faz dançar.

Como eles andam alheados e acríticos quando, perante uma manifestação pacífica de polícias, o governo toma medidas de segurança dignas de um Estado policial.

Como eles andam distraídos da emigração de cérebros (já não há choros no aeroporto nem «testemunhos» de mulherzinhas histéricas nos comícios socialistas), dos desastres do SNS (já ninguém está a matá-lo, já a mediocridade e as captivações não matam ninguém), da queda das exportações e da subida das importações, do aumento em absoluto da dívida, do défice e da mediocridade das empresas públicas de transportes, do não funcionamento das instituições, do empobrecimento do país, do aumento de impostos.

Como eles andam desgostosos por verem que a informação que torcem ou escondem acaba por vir à tona, naquilo a que chamam fake news.

 

António Jacinto Ferreira

por João Távora, em 21.11.19

Antonio_Jacinto_Ferreira.png

A resistência monárquica em Portugal teve ao longo dos últimos cem anos muitos rostos, a maior parte deles anónimos ou esquecidos da História. Para corrigir essa falha proponho-me recuperar os nomes maiores: Este verbete na Wikipédia é o meu tributo a António Jacinto Ferreira, publicista e fundador do semanário "O Debate" que foi editado entre 1951 e 1974. Outros se seguirão.

"Vemos, ouvimos e lemos"...

por João-Afonso Machado, em 20.11.19

É sabido, morreu José Mário Branco. Como é do respeito devido a qualquer defunto, aqui expresso o meu sincero pesar. Estará, certamente, no reino dos justos, e o meu maior desejo é a resignação possível da sua Família.

Nada tenho a criticar à sua pessoa. Sobretudo agora... Mas revolve-me as tripas o tratamento dado pelas televisões ao infausto acontecimento. Sobretudo quando relevam a sua obra.

Porque JMB foi - felizmente de forma assumida - o que foi. Por exemplo, o autor do célebre tema  de que, até à exaustão, ouvimos agora o excerto - A cantiga é uma arma, eu não sabia, tudo depende da alma e da pontaria. Tudo depende da alma e da alegria.

Certamente. Mas o refrão era mais assim:

A cantiga é uma arma contra a burguesia (contra quem, camaradas?...). Tudo depende da raiva e da pontaria.

A parte, pois, que a actual Censura cortou.

Ora tal omissão, de tão significativo trecho, da responsabilidade da Comunicação Social, - sempre politicamente correcta - fere o passado que JMB nunca renegou.

Talvez porque os cabecilhas desta República sejam todos o exemplo crasso dessa burguesia digna de boa pontaria - de Marcelo a Costa, passando por Ferrangutângo. Todos eles menos parcos de que um genuíno voto de pesar.

O mais é nada. Cá por casa não há burgueses. Há algo que talvez JMB não entendesse. Seja como for - R.I.P.

Qual é a tua, ó meu?

por Pedro Picoito, em 20.11.19

Em entrevista ao Público, Manuel Monteiro diz que "a direita perdeu a batalha da cultura e tem de ter a capacidade de recuperar o combate cultural". É irónico que estas palavras surjam no mesmo jornal que dedica sete páginas a José Mário Branco ( com toda a justiça, acrescento). Porque a direita não perdeu a batalha da cultura: nem sequer a travou. Continua a pensar que a "cultura" é o que une um país, sem perceber que a "cultura" é o que a esquerda cria, difunde e consome para combater a direita. Um exemplo? O elogio (justo, repito) ao génio criador de José Mário Branco que inclui a "coerência", a "generosidade" e a "rebeldia" da sua intervenção política, muito próxima do discurso de ódio. O que é ainda mais irónico quando esse elogio vem de uma direita cada vez mais próxima do discurso de ódio. Elogio, suprema ironia, que José Mário Branco de certeza odiaria (e ainda mais justamente).  Enquanto pensar assim, a direita continuará a "perder a batalha da cultura". Por falta de comparência.

Uma grande perda

por José Mendonça da Cruz, em 19.11.19

Morreu o cantor e compositor José Mário Branco e será característico que durante dias sejamos fustigados com excertos apressados de «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», e recomendações de que «a canção é uma arma».

O Presidente da República lamentou a perda de um músico «importante para a democracia». A ministra da Cultura disse que o seu legado «é intemporal e é património coletivo». 

Não é uma coisa nem outra. A democracia afirmou-se sem ele e até contra ele, e o seu legado é datado e minoritário. Mas não tinha que ser assim.

Um dos elementos mais presentes na obra de José Mário Branco é a criação de grandes peças musicais subjugadas por textos extremistas e violentos. A canção não foi «uma arma contra a burguesia», que somos todos nós. A canção foi um serviço ideológico. E assim mesmo se menorizou, celebrando revolucionários, torcionários e genocidas, e suscitando quando muito leve e passageira irritação no seu alvo putativo.

A perda de José Mário Branco deve ser lamentada como a perda de um grande talento que se auto mutilou, que se pôs às ordens de agendas menores. Quem quiser ouvir uma amostra do que esse talento poderia ter sido deve ouvir «Gare de Austerlitz». É uma peçazinha instrumental de menos de 2 minutos, uma composição aparentemente simples, mas que abraça e nos transmite (e assim nos move) todos os sentimentos da emigração - a saudade, a esperança, a estranheza, o medo, a descoberta. Na «Gare de Austerlitz» -- o mais fundo e sentido do fado transmitido pelo mais doce do acordeão parisisense -- há mais grandeza artística, mais amor ao próximo, mais generosidade e talento do que em toda a obra de José Mário Branco. Foi pena.

Não há como evitar o risco

por João Távora, em 19.11.19

Não concordo que a culpa dos poucos que “sucumbem” e dos muitos que “resistem” seja da "sociedade capitalista" e duvido muito da solução que a Raquel Varela prescreve para pôr toda a gente de “espinha direita”. Porque no fundo não existe tal entidade com vontade própria chamada de “sociedade”, mas antes pessoas com as suas complexidades, forças e fragilidades, que só se poderão realizar (ou sucumbir) em Liberdade... Não há como evitar o risco sem fazer das pessoas marionetas. O resto, tudo bem.

Quem se importa, afinal?

por Corta-fitas, em 19.11.19

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Passo quase diariamente diante do Tribunal Criminal de Lisboa, em Monsanto, e de cada vez que o faço observo com estupefacção e incredulidade o estado degradado em que permanece — desde o julgamento Casa Pia (2004...) — o edifício, entrada e estacionamento do conjunto onde são deliberados assuntos que a todos interessam. Fica-se com a sensação consolidada de que o Ministério da Justiça é indiferente às condições de dignidade em que tais audiências devem ser feitas. Mas também é de notar que os contingentes de imprensa que ali se perfilam perdem a oportunidade para filmar tudo aquilo ao pormenor e expor à opinião pública até que ponto o Estado desleixa «a sua própria casa». É simplesmente impossível que ali se faça qualquer manutenção de pintura externa ou de jardinagem simplificada desde há muito, porque o abandono é patente. E no entanto uns e outros parecem conviver bem com essa degradação, e assim sendo...

Vasco Rosa

Escrutínio parlamentar, precisa-se!

por Corta-fitas, em 18.11.19

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Desconheço que actividade tem a Comissão de Cultura do parlamento português, ou que acção desenvolvem os assessores ditos culturais — se os há — dos partidos de centro-direita, mas não deixa de ser flagrante a ausência de escrutínio parlamentar às políticas de cultura dos governos de António Costa e seus aliados, diante do avolumar de casos de burocratização, desinvestimento ou do mais insultuoso desleixo patrimonial.

A recentíssima denúncia de que a maioria dos directores de museus e monumentos nacionais está em situação de precaridade por ausência de concursos, com todos os prazos legais ultrapassados para esse efeito — enquanto são forçados por lei nova a planos de actividade plurianuais que não sabem se eles ou outros vão cumprir —, é apenas um desses casos que raiam o absurdo de o próprio Estado não cumprir ele próprio leis que aprovou. Mas há bastante mais, desde a gravíssima e lastimosa situação da Biblioteca Nacional ao adiamento da renovação da lei do depósito legal de livros, da falta de uma campanha nacional de digitalização documental à medíocre mas bastante dispendiosa «internacionalização da cultura portuguesa», onde o clientelismo impera sem pudor, e milhões gastos de nada servem de facto. E claro — acima de tudo — a complacência e a tibieza com que vê empurrada com a barriga a permanência de um mentecapto «acordo ortográfico» com graves consequências educativas e culturais para as gerações do futuro.

Enfrentar e desmarcarar — e tão fácil é — o mais que propagandístico «amor da esquerda pela cultura» é algo que precisa de ser feito, e a chamada de ministros a prestar contas e esclarecer políticas deveria ser parte do trabalho parlamentar de quem não quer resignar-se a uma fatídica travessia de deserto.

Vasco Rosa

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