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A ditadura do politicamente correcto

por João-Afonso Machado, em 15.11.19

Já em tempos idos me indignaram alterações produzidas no texto e no desenho de albuns de Hergé, como por exemplo o seu primeiro a cores, - Tintin no Congo, depois chamado Tintin em África.

No Congo porque, à época, - a Década de 20 do transacto século - essa uma possessão belga. Enfim, a coisa passou. Despercebidamente.

Leio agora nos jornais, a banda desenhada de Walt Disney - desde o Dumbo aos Aristogatos - vai também ser revista nos textos. O motivo, o mesmo, - inconveniências, desactualidade do discurso.

Falta apenas remexer os Lusíadas e rescrevê-los ao gosto das Joacires todas deste mundo. Afonsos de Albuquerque,e demais capangas, borda fora.

Um tal mundo que, afinal, não esqueceu o lápis azul, nem o vermelho. Um mundo que se quer - pretensiosamente - novo e livre do Passado.

Parece, esta tropa de doidos não percebeu o óbvio - a História contem o Passado, o Presente e o Futuro. Dentro da mobilidade do Tempo. Começá-la a partir de hoje é falseá-la.

Ou então, como procederia Estaline, manipulá-la. Já Jean François Revel escrevia, a arma do comunismo (hoje traduzido lato sensu) é privar os homens da visão histórica e utopista da História. Sem fronteiras de pensamento, o bicho socialista vive o seu dia-a-dia e não é contestado.

O tremendo Costa não é exactamente isto. Mas disto se serve para ser o que sabe ser - um reles politico

 

O ressentimento como opção política

por henrique pereira dos santos, em 15.11.19

Susana Peralta escreve hoje no Público um artigo interessante, especialmente interessante pelo que não diz e não tanto pelo que diz.

O assunto é o englobamento das taxas liberatórias no rendimento geral e, do ponto de vista dos princípios eu não poderia estar mais de acordo com Susana Peralta: o ideal era simplificar os impostos e tornar tudo mais claro, razão, aliás, que me faz apoiar a proposta eleitoral da Iniciativa Liberal no sentido de englobar todos os rendimentos e taxá-los todos, acima de um limite, a 15%.

Logo no título, Susana Peralta diz ao que vem: a taxa liberatória é um presente para os 10% mais ricos.

Claro que tanto se pode dizer que as taxas liberatórias são um presente aos 10% mais ricos, como dizer que a possibilidade de englobamento voluntário é um presente aos outros 90%, mas essa hipótese não aparece no texto, apesar de ser a hipótese mais provável: o Estado, achando que taxar mais de 28% uma renda é um esbulho, permite, no entanto, que os contribuintes com menos rendimentos paguem ainda menos, englobando os rendimentos e pagando a taxa geral que pagam pelos restantes rendimentos.

Susana Peralta não se detém com essas minudências, o que a preocupa é que os ricos e o capital paguem mais que os outros e o trabalho, por isso, mesmo sendo professora numa escola de gestão, acha normal que em 1000 euros pagos por uma renda, 480 euros sejam para entregar ao Estado.

Num país completamente descapitalizado, com empresas e famílias descapitalizadas, com poupança em níveis preocupantemente baixos, o que o artigo não diz é que capital e trabalho são igualmente factores de produção que temos de valorizar, se queremos criar mais riqueza, pelo contrário, o que o artigo diz é, apenas, que os trabalhadores são umas vítimas da exploraçao capitalista e é preciso é ir buscar dinheiro onde ele existe.

Para o entregar a um Estado reconhecidamente mau gestor e com elevados níveis de corrupção. Não por ser um Estado, mas porque este em concreto é um Estado institucionalmente fraco e com um ódio de morte à liberdade e iniciativa das pessoas comuns.

Pelos vistos, não só somos pobres, como nas escolas de gestão se ensina como devemos continuar o caminho para sermos cada vez mais pobres, em termos relativos: obrigar os ricos a entregar ao Estado 480 euros de uma renda de mil e liquidar de vez a vontade de alguém poupar e investir.

A nova inquisição

por João Távora, em 14.11.19

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Ainda se recordam da polémica que envolveu Bernardo Silva, Benjamin Mendy e uma embalagem de Conguitos? Esta quarta-feira ficámos a saber que uma simples piada no Twitter envolvendo dois amigos, que esteve online durante exactamente 46 minutos no dia 22 de Setembro (Bernardo Silva apressou-se a apagá-la mal se apercebeu da polémica), custou ao jogador português 50 mil libras (cerca de 58 mil euros), um jogo de castigo no campeonato inglês e a necessidade de assistir a sessões de educação — ou, na preocupante expressão escolhida pelo The Guardian, que ainda soa mais totalitária e com cheirinho a lavagem cerebral num qualquer campo de reeducação para lá da Cortina de Ferro, Bernardo Silva “must undergo education”.

Note-se que o Manchester City, clube de Bernardo Silva e de Benjamin Mendy, protestou ligeiramente contra a decisão, mas engoliu o castigo e não vai recorrer, com medo de que ele possa ser agravado. O próprio Bernardo Silva fez o seu acto de contrição no processo, admitindo que o tweet poderia ser considerado ofensivo. Nem assim se safou. A federação inglesa afirma acreditar piamente que o jogador “lamenta as suas acções”, mas justificou o castigo com o facto de muitas das pessoas que viram a imagem “considerarem o seu conteúdo ofensivo devido à sua relação com raça, cor e origem étnica, de uma forma que inquestionavelmente desacredita o futebol”. Em resumo, Bernardo Silva disse que não queria ofender Mendy; Benjamin Mendy disse que não se sentiu ofendido; ambos reconheceram que são grandes amigos; a federação inglesa reconhece que ninguém queria ofender ninguém; mas nada disso foi suficiente para ultrapassar o facto de o tweet ter ofendido muita gente.

Se esta sequência (i)lógica, da multa de 50 mil libras ao jogo de castigo, já me parece bastante absurda, há um momento em que a decisão da federação inglesa salta para o campo da absoluta obscenidade e do assalto violento à consciência individual — quando decide obrigar o jogador “to attend a mandatory face-to-face education programme” no decorrer dos próximos quatro meses, declarando que se esse programa educativo “face a face” não for completado de forma satisfatória, Bernardo Silva será suspenso de todas as competições nacionais. Ou seja, um tipo que não é racista e que fez um tweet sem intenções racistas vai ter de ser ensinado a não ser racista porque muita gente o considerou racista. Em que mundo é que isto faz sequer vagamente sentido?

Pelos vistos, no perigoso mundo do século XXI.

Eu já assisti a manifestações repulsivas de racismo em campos de futebol, em particular quando demasiada gente na bancada decide imitar sons de babuínos para insultar jogadores adversários. Esse comportamento miserável deve ser combatido de todas as formas, encerrando estádios de futebol, se preciso for. No entanto, o futebol é um dos maiores trunfos contra o racismo que existem na nossa cultura, impondo uma comunhão de objectivos e de paixão entre pessoas de todas as cores. Haverá certamente muitos votantes de André Ventura que adoram as trivelas de Ricardo Quaresma, e todos sabemos que Eusébio e Mário Coluna já eram heróis portugueses quando os negros ainda eram diariamente explorados nas colónias africanas. Este caso dos Conguitos é a caça aos gambuzinos do racismo, e só é pena Bernardo Silva não poder mandar a federação inglesa meter o seu programa de reeducação no local em que ele merecia estar, porque ainda corria o risco de ofender mais uma minoria sensível.

João Miguel Tavares hoje no Público.

"(...) Mas uma pessoa não é definida apenas pelos seus actos. A monstruosidade de abandonar o filho à morte não transforma automaticamente aquela mulher num monstro. A condenação do acto não nos impede de olhar com misericórdia para uma humanidade de tal maneira desfeita e ferida que é capaz de um dos actos mais anti-naturais do mundo.

 

José Seabra Duque no Observador

Bebés no lixo

por João Távora, em 12.11.19

Tudo bem, temos de compreender as circunstâncias miseráveis da mãe que deitou o seu bebé no lixo. Nem que seja por Acção de Graças pelo milagre que foi o resgate do nascituro (os milagres sempre existem, é bom de ver), a mãe merece toda a nossa caridade (na acepção do termo) e uma oportunidade efectiva de recuperação da sua dignidade de filha legítima de Deus. Mas daí a fazerem dela uma heroína que foi mártir do sistema vai um grande passo. A hedionda atitude tem de ser sinalizada, até porque isso é fundamental para que a sua redenção seja autêntica.

Espanha - pela Santa liberdade

por João-Afonso Machado, em 11.11.19

O mundo politico-partidário incandesce-me de irritação. Isto desabafado, o tema é, em Espanha, o resultado eleitoral do Vox.

O que é o Vox? Em suma, a vontade dos espanhois numa Espanha regionalista, mas una. Além desta questão primordial, o mais é nada. O Vox é a resposta nas urnas aos Pablos-rabo-de-cavalo.

Tudo seria simples não fora o caso de essa vontade unitária se manifestar em crescendo. É quando a Esquerda dá ordens aos seus apparatchic's. E na imprensa geral, resulta o assustador da «extrema-direita populista». 

Em boa fé, portanto, a Esquerda é elitista. Ou, pelo menos, só para alguns.

Nesta sequência, a primeira nota recai sobre os votantes. Mesmo na civilizada Espanha, esses pobres cidadãos, os milhões que são, já carregam no braço a estrela estigmática do vermelho não encarnado.. São gente de segunda, semi-gente, «extremistas-populistas».

Depois, na nossa imprensa canina (no sentido pejorativo da palavra, - irracional, brutamontes, pavloviano), as notícias roem o osso. E assim se vai explicando o óbvio de quem é o que, no fundo, não é.

Em outras palavras, os ditames do nosso País vizinho são analisados por gente venal, mesmo entre nós ligada ao aparelho, do que tudo resultam enormes fenómenos informativos, como os que seguem.

- O Vox é, apenas, um esporádico resultado eleitoral.

- Os republicanos catalães barram estradas, confrontam as forças da ordem, legitimamente no seu direito de minoria (que, por razões de ordem pública, não existe).

Perante o exposto, falo eu, de mim, desempregado da política e políticamente incorrecto: viva o Rei Felipe VI!

E viva a minha opinião de homem livre, saudoso de um 25 de Novembro que a Maçonaria almoçou. Intentando perturbar-lhes a digestão, acrescento: Franco deu-vos o futuro...

 

 

 

Gin tónico, vinho branco e Miguel Morgado

por Duarte Calvão, em 11.11.19

 

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Presentes ao acto, da esquerda para a direita, o Fundador, Miguel Morgado, Vasco Rosa, Henrique Pereira dos Santos, João Távora, Maria Teixeira Alves, Vasco Mina e João Afonso Machado

 

Foi ainda na fase gin tónico que eu alvitrei um renascimento da blogosfera motivado pelo desencanto de gente civilizada pela superficialidade do Facebook, Twitter e Instagram. Desafortunadamente, senti logo que os meus digníssimos colegas do Corta-fitas que se encontravam presentes não acompanhavam com grande entusiasmo este optimismo. Julgo que recebi mesmo um ou outro olhar de esguelha. Pareciam pensar: “Olha este, que já não escreve um post nem quando o rei faz anos, agora vem com histórias...”. Creio que decidiram mesmo punir-me, obrigando-me a escrever este relato do jantar. Mas eu, valendo-me do meu estatuto de fundador que resta do blog,  vou fazê-lo só pela rama. É para aprenderem a não me encarregarem de assuntos sérios.

Estávamos nas cercanias do Parlamento, no simpático restaurante Parlatório, na Rua de São Bento, e esperávamos pelo nosso convidado, Miguel Morgado, sem dúvida uma das vozes mais interessantes que existem no Portugal não-socialista. Empenhado em construir uma “federação de direitas”, tendo já fundado o Movimento 5.7, a sua intervenção tem muito a ver com o que tem sido a vivência deste blog desde que surgiu, em pleno primeiro mandato de José Sócrates, quando, tal como acontece um pouco hoje, parece que quem não é de esquerda não é bem visto em Portugal. No mínimo. Ora no Corta Fitas sempre albergámos diversas maneiras de ser não socialista, desde que tolerantes e respeitadoras da democracia burguesa.

Foi na fase vinho branco que a conversa com o convidado se desenvolveu e Miguel Morgado não desiludiu. Entre bacalhau à Brás, rosbife e empadão de vitela, trocámos impressões sobre o futuro do CDS, PSD e Iniciativa Liberal, sobre a Comunicação Social portuguesa, comparámos a governação socialista com a de Passos Coelho (à qual Miguel Morgado pertenceu), sobre as dificuldades de ser de direita entre nós, quando muitas vezes até falta apoio de quem naturalmente pertence a este espaço, e sobre várias outras coisas de que agora não me lembro.

Lembro-me sim do que achei na altura e que confirmou o que já conhecia do nosso convidado. A sua geração apresenta uma série de pessoas bem-educadas, cultas e desassombradamente não-socialistas, que estão - ou estiveram - na política pelos melhores motivos. Mas nem todas possuem uma grande qualidade que me parece distinguir Miguel Morgado, a combatividade. Atrever-me-ia mesmo a considerar que ele gosta do cheiro a pólvora, que nunca se queixa de se ter metido na política partidária, sabendo de antemão o que isso implica. Por outro lado, também se distingue por não se deixar limitar e intimidar pelo discurso da esquerda. Não esperem dele frases que comecem com “sou de direita, mas em certas coisas...”, perdendo tempo em intervenções públicas a justificar que não é “ultramontano” ou que não tem nada a ver com salazarismos ou regimes autoritários afins. Nele é tão evidente que não precisa de ser enunciado.

Tivemos, portanto, um convidado excepcional e, a julgar pelo tempo que demorou e pela animação das conversas, fico com a ideia de que Miguel Morgado também gostou da jantarada. Venham mais como ele e nós cá continuaremos a estar no Corta-fitas para os ouvir. Afinal, digam o que disserem os moderninhos, os blogs ainda são o melhor lugar para estar.

 

Nota: O nosso convidado bebeu só uma (1) cerveja

Para Joacine e seus amigos, com amor...

por João Távora, em 10.11.19

Domingo

por João Távora, em 10.11.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?». Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».


Palavra da salvação.

O problema do PSD

por Pedro Picoito, em 09.11.19

O problema do PSD é que a pessoa mais ou menos certa, ou certa assim-assim, ou sejamos-mesmo-muito-generosos-quase certa, tem a estratégia errada e as pessoas erradas têm a estratégia certa. Entre Rio e dois maçons, não tenho qualquer dúvida em votar Rio. Sim, é um preconceito, mas a vida ensinou-me algumas coisas e tenciono mantê-lo enquanto me restar um mínimo de racionalidade e decência (duas condições nunca definitivamente seguras, sobretudo na minha pessoa). Reparem que eu não disse que Montenegro e Pinto Luz são pretos ou gays (duas condições definitivamente seguras, embora não na minha pessoa, com as quais convivo bastante bem). Disse que eles são maçons e que não gosto disso, pelo menos enquanto me restar etc.

Ora, acontece que a estratégia de aproximação ao PS em nome das famosas reformas estruturais, criticada pelos não-pretos e não-gays Montenegro e Pinto Luz, é um erro monumental. Não apenas em termos eleitorais, como se viu, mas em termos políticos. Com o encosto da laranja à rosa e a queda no abismo do CDS, abriu-se à direita um enorme espaço que foi explorado pelos novos pequenos partidos. O Aliança não pegou, a Iniciativa Liberal não vai crescer muito porque já tem o que queria (alguém no Parlamento, como explicou o seu ex-Presidente quando foi tratar da vidinha), mas o Chega chegou para ficar. E isto já não é só um problema do PSD - é um problema do país.

Os temas do Chega são os clássicos da extrema-direita: desemprego, insegurança, imigração, antiparlamentarismo, "decadência do Ocidente". O nacionalismo ainda é pouco visível, mas há-de aparecer. A direita conservadora-liberal tem que lhes dar resposta, e uma resposta obviamente conservadora-liberal. Não vale a pena insistir que todos os indicadores estatísticos mostram que Portugal, comparado com outros países, não tem um desemprego tão alto, ou uma criminalidade que se veja, ou uma imigração que possa causar chatices, como faz a extrema-esquerda (à qual, de resto, interessa o crescimento do Chega, primeiro para colar a direita ao fascismo, um velho exercício autolegitimador, segundo porque lhes dá mais jeito combater uma direita que é o seu reflexo tribal no espelho partidário). Tudo isso  é verdade, mas estamos no terreno dos preconceitos alimentados pela CM-TV, de onde André Ventura saiu direitinho para S. Bento. Preconceitos muito mais irrealistas do que os antiaventalinhos. Mas, se tal vos tranquiliza a consciência, então esperem pela multiplicação dos Venturas. Ou das desventuras.

Não é preciso ser um génio (aliás, basta ser um Montenegro ou um Pinto Luz) para perceber que, se o PSD inflectir demasiado ao centro, caminha para o desastre. E com ele o país, repito. É esse o problema.

 

 

Ajoelhados

por João Távora, em 08.11.19

(...) Votar na candidata do Livre, mulher e negra, era a oportunidade de o eleitor se lavar dos pecados de uma sociedade racista e patriarcal. Foi assim que tanta gente, em tanto lado, dizendo até discordar do posicionamento do Livre, fez questão no entanto de fazer em público votos piedosos para que a sua candidata fosse eleita. A dificuldade de fala da candidata era, a esse respeito, irrelevante, quando não mais uma ocasião para o eleitor demonstrar rectidão, escolhendo uma pessoa com deficiência física. O voto no Livre foi o equivalente de uma penitência religiosa.

Ou seja, a deputada do Livre, independentemente das suas capacidades e ideias, foi eleita como um símbolo. Está na assembleia como um monumento, a lembrar as virtudes dos que votaram nela, e os crimes dos que não votaram. Desse ponto de vista, Joacine Katar Moreira é o membro mais eloquente do parlamento. Nenhum outro deputado se faz compreender tão bem, nenhum outro comunica tão claramente. Basta olhar para ela, e está tudo dito e percebido.

O Livre apostou tudo na mística e no ritual do politicamente correcto. (...)

 

Rui Ramos no Observador

Sinal de alerta

por João Távora, em 07.11.19

O problema das "Fake News" é culpa das "empresas privadas" (leia-se redes sociais) que só têm em vista o lucro? Seria melhor o Estado tomar conta das redes sociais e monitorizar o comportamento dos cidadãos e atribuir-nos pontos e penalizações?
Quando o António Costa reclama que o CDS e o PSD votaram contra o serviço nacional de saúde ou quando a Marisa Matias afirma que deputados portugueses votaram contra o salvamento de refugiados no mediterrâneo, a responsabilidade é das redes sociais e do Mark Zuckerberg?
Quando um assunto como a limitação da liberdade de expressão começa a ser discutido como se isso fosse plausível temos de ficar alerta. Do que nos apercebemos é dum enorme esforço de pressão sobre estas plataformas e os seus responsáveis de modo a comprometê-los com critérios subjectivos de avaliação política aos conteúdos, de acordo com o "pensamento oficial". Afinal, num mundo global, a China é já aqui ao lado, não é?

Barroso freeport

por João-Afonso Machado, em 07.11.19

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Imaginemos a vigência do Governo Passos/Portas ainda.

Imaginemos, também, a operação lítio nessas circunstâncias.

E não  imaginemos mais - estava aí, em todo o seu aparato, a Esquerda inteira, vermelha, a falar do seu amado verde.

Essa a desdita de Portugal: o verde e o vemelho. Ora um, ora outro, os dois, em simultâneo, numa total anedonia, que é uma só voz e nos vai matando.

Desta feita, o microfone aos verdes. Comedidamente. Desconexamente.

Com a ancestral região do Barroso a sofrer as consequências.

Ouvem-se vagos dizeres socialistas. versando o famigerado «impacto». Enquanto tal, as terras do Barroso são escalavradas. Vai tudo a eito - hortas, regadios, matas. É ir lá e constatar.

Explicação - o «estudo ambiental». Situação - o arrasar da paisagem.

Tudo por causa do lítio. Um diamante local, dinheiro para o Estado. O peso das carências do Explorador que se sobrepõe ao condicionalismo da Região.

Num País de mentira, uma de duas: ou as gentes do Barroso (conhecidas por tanto) enfrentam o Governo - se for para a guerra, lá estarei, - ou uma das nossas mais bonitas regiões se transforma numa mina.

In illo tempore, os volframistas foram altamente condenados. Mas República é fatalmente uma e só uma...

Portanto, gente independente, gente do Norte mais nortenho, mantenham a luta. Não queiram sofrer. Contra o galambismo-socialismo, a voz do povo - nem poeiras, nem pedreiras, nem terra descaracterizada. O Barroso é Portugal puro, é jamais uma fonte do Estado autofágico. Gente do Norte - às armas !!! De fisga bem apontada ao Governo.

Uma história sem importância

por henrique pereira dos santos, em 05.11.19

Há algum tempo, o processo do Freeport passou-me pelas mãos e a divisão que eu chefiava no ICN deu parecer negativo (por razões que são perfeitamente discutíveis, claro, estava longe de ser uma situação evidente).

Independentemente disso, e de ser eu o responsável por esse parecer negativo, sempre tive a opinião pessoal de que aquele projecto não tinha grandes impactes ambientais, a questão é que a minha função não era exprimir opiniões pessoais, mas aplicar a lei que, na opinião que eu e os meus técnicos fizemos na altura , estava a ser violada (nada que não fosse resolvido com uma alteração ao projecto, mas não era uma alteração fácil).

O processo saiu das minhas mãos, passou a ser directamente acompanhado pelo meu director de serviços, e foi aprovado como toda a gente sabe.

Muitos anos depois, já eu não estava no ICN e nem me lembrava dos pormenores do processo, o assunto ressuscitou e vários jornalistas começaram a fazer-me perguntas. Tive então o quarto de hora de fama que me caberá em sorte (o que me obrigou a pedir para ver outra vez o processo e reparar, divertido, nas minhas anotações à margem do processo (de que já me tinha esquecido totalmente), registando as intervenções por telefone do meu então director de serviços).

Tudo isto já terei contado muitas vezes, do que falo menos vezes é de um telefonema de uma pessoa que eu conhecia de outros carnavais, e que era, ou tinha sido, um quadro importante do PS, convidando-me para um almoço.

Foi uma conversa agradável, o Freeport tinha sido anunciado como o tema do almoço e, essencialmente, percebi que o meu amigo queria saber o que sabia eu sobre os bastidores do processo e se sabia de alguma coisa objectiva que apontasse para uma ilegalidade.

Na verdade eu nunca disse que havia ilegalidades no processo (para além da que tinha motivado o meu parecer negativo, mas essa, legitimamente, tinha sido afastada de forma clara e transparente, erradamente, do meu ponto de vista, mas apenas isso). Embora tenha sido um processo com uma tramitação excepcional, isso poderia ser resultado de considerações legais sobre o assunto.

No entanto, disse que me lembrava de ouvir rumores na altura, nada mais que rumores (muito frequentes neste tipo de processos mediáticos e que envolvem muito dinheiro, mas raramente verdadeiros), de que teria havido favores ligados ao financiamento partidário.

Foi esse o contexto em que ouvi a mais circunstaciada história sobre a herança de Sócrates, envolvendo uma história rocambolesca das circunstâncias da morte do avô, que justificariam um caminho ínvio para a herança, que na altura achei uma mera chalaça.

Vejo hoje, talvez uns sete ou oito anos passados, que estava enganado, não era uma piada ou uma história divertida para um almoço, afinal sempre era mesmo verdade que a herança existia e que tinha ido parar a Sócrates.

Épater le bourgeois...

por João Távora, em 03.11.19

O socialismo é a aposta no conflito entre classes sociais (e seus derivados). O nacionalismo é a aposta no conflito entre uma nação e os forasteiros. Tem de haver qualquer coisa no meio para as pessoas razoáveis.

Domingo

por João Távora, em 03.11.19

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses


Irmãos: Oramos continuamente por vós, para que Deus vos considere dignos do seu chamamento e, pelo seu poder, se realizem todos os vossos bons propósitos e se confirme o trabalho da vossa fé. Assim o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós n’Ele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. Nós vos pedimos, irmãos, a propósito da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e do nosso encontro com Ele: Não vos deixeis abalar facilmente nem alarmar por qualquer manifestação profética, por palavras ou por cartas, que se digam vir de nós, pretendendo que o dia do Senhor está iminente.


Palavra do Senhor.

Sarna para nos coçarmos

por João Távora, em 02.11.19

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Extraordinária é a capacidade de atracção que têm os extremos em política, totalmente desproporcional à sua real representatividade nas comunidades. É um pouco como o fascínio que exerciam na populaça os circos de horrores do século XIX, com a mulher de barba ou o homem elefante. Na verdade, o Livre de Joacine, por exemplo, obteve em termos nacionais 57.000 votos (menos 10.000 que André Ventura), coisa que em relação aos 10.800.000 votantes significa pouco mais que 0,5%: ou seja, uma em cada duzentas pessoas com idade de votar. O facto é que nas últimas semanas a estreia destes protagonistas em São Bento domina as conversas de café, as redes sociais e a opinião publicada. Hoje por exemplo, a troca de galhardetes entre o comentador Daniel Oliveira e a deputada guineense no Twitter (estão bem um para o outro) está em destaque no Observador.

Mas o que interessa é pôr os pés no chão: será que as preocupações de Joacine e de Ventura reflectem a realidade do meu país? Vive a Nação o perigo de desagregação e a insegurança oprime os portugueses de tal forma que receiam andar na rua com o relógio no pulso? Vive-se em Portugal um mal disfarçado apartheid e as pessoas de cor são estigmatizadas pela segregação racial? A percentagem de votos que os elegeu indica o contrário.

Pela minha parte o meu testemunho vai pelo mesmo caminho: nos sítios por onde circulo faço-o em segurança, seja na praia do Estoril onde convivem pacificamente mundos diferentes (?) como o dos turistas e das famílias em harmonia com a rapaziada que vem dos bairros periféricos mergulhar ao paredão, seja na cidade de Lisboa e nos transportes públicos em que um homem de meia-idade, de fato e gravata como eu, é tolerado sem problemas de maior – ando à vontade pela cidade e já por mais que uma vez jovens corteses me ofereceram lugar sentado nos transportes públicos, sem que na realidade eu precise. Depois há os "afro-descendentes" com quem me cruzo amiúde, seja o empregado da pastelaria com um sorriso benevolente, seja a graciosa mãe com dois filhos pequenos no banco da frente do comboio que partilhamos, ou o padre em Cascais que celebra a missa de domingo. Contrariamente ao discurso fracturante e de ódio que os extremos nos querem impingir, prevalece em mim a sensação de que somos uma nação integradora e tolerante, na qual os meus filhos têm espaço para crescer com valores hoje minoritários – que são os da minha casa. Mas essa é outra conversa, uma outra luta que dificilmente pode ser travada na arena política, porque é eminentemente cultural. A prosperidade de Portugal depende de problemas graves e complexos por resolver, mas definitivamente não são as guerras que André Ventura e Joacine Katar Moreira nos querem impingir. Mero entretenimento ou sarna para se coçarem.

Marisa, a populista

por henrique pereira dos santos, em 02.11.19

Marisa Matias, com aquele seu ar simpático e empático, resolveu dar uma aula magistral de populismo.

No parlamento europeu foram a votos quatro resoluções sobre a gestão do fluxo migratório que chega através do Mediterrâneo, traduzindo diferentes pontos de vista sobre a forma de gerir o problema.

As votações cruzadas dos deputados acabaram por fazer com que nenhuma das votações fosse aprovada.

Este assunto passaria como qualquer outro assunto complexo que não tem soluções evidentes, e o processo político seguiria o seu curso, seja no sentido de se trabalhar uma maior aproximação política das diferentes visões sobre o assunto, seja no sentido da maior radicalização das visões sobre o assunto.

Foi então que Marisa Matias resolveu jogar uma cartada populista, bem alinhada com o modelo de intervenção anti-democrático do Bloco de Esquerda.

Num texto que pretendia arregimentar apoios pela emoção, na característica técnica populista de reduzir problemas complexos a emoções simples, resolveu acusar os que votaram contra a moção que defendia de serem contra o salvamento de pessoas em risco no mar (como se a União Europeia tivesse jurisdição sobre águas internacionais e as convenções que regulam o assunto), convenientemente omitindo que também ela, Marisa Matias, votou contra coisas destas: "Reitera a obrigação decorrente do direito internacional do mar de prestar assistência a pessoas em perigo e insta todos os Estados-Membros, a título individual e quando agem na qualidade de Estados-Membros da UE ou no contexto de fóruns internacionais relevantes, a respeitarem plenamente as normas do direito internacional e do direito da União pertinentes; insta todos os navios que realizam operações de busca e salvamento a cumprirem as instruções dadas em conformidade com o direito internacional e da União pertinente pelo centro de coordenação de busca e salvamento competente e a cooperarem com as autoridades dos Estados-Membros e a Frontex, a fim de salvaguardar a segurança dos migrantes;".

Claro que Marisa Matias não votou especificamente contra este texto (absolutamente consensual, penso eu, e que é o primeiro ponto da moção proposta pelo PPE) mas contra o o sentido geral da moção em que este ponto existe, tal como todos os que votaram contra a moção apoiada por Marisa Matias o terão feito na mesma base geral, e não por serem contra o salvamento de pessoas no mar, como Marisa Matias pretende.

Aparentemente, o que Marisa Matias pretende, como qualquer populista, não é ter ganho político racional (isto é, fazer avançar a sua agenda política com base em apoio social racional) mas usar emoções básicas das pessoas a quem se dirige para destruir os seus adversários que vê como psicopatas capazes de propôr que se pergunte a quem se está a afogar se é migrante ou refugiado e, no primeiro caso, deixar que se afoguem (este absurdo não foi inventado por mim, é Marisa Matias que, apanhada em contra-pé pelo facto de também ter votada contra moções que visavam o salvamento de pessoas, argumenta que as moções que rejeitou contêm propostas tão estúpidas como a que descrevi).

Na prática, como qualquer populista, o que Marisa Matias consegue, com estas opções, é simplesmente destruir qualquer chão comum para a discussão de problemas comuns complexos, ao tratar os seus adversários políticos como psicopatas e não como aquilo que verdadeiramente são: pessoas comuns que pensam de maneira diferente de Marisa Matias.

Não, Marisa Matias (como o Bloco) não têm uma visão democrática dos seus adversários, se isso não se nota muito, é apenas porque o poder de que dispõem é realmente pequeno.

Num dia em que tivessem o poder de mandar na polícia, construir prisões e governar o sistema de justiça, nesse dia, seria evidente como os populistas, como Marisa Matias, são corrosivos para o sistema democrático.

Política na era do ressentimento

por Maria Teixeira Alves, em 01.11.19

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Vou confessar que a ideia, que subscrevo completamente, não é minha, é do Carlos Guimarães Pinto, o líder do novo partido Iniciativa Liberal, que recentemente acabou de dar por cumprida a sua missão e abandonou a liderança do partido (pensei que a missão dele era mudar o país, mas isso são outros 500) .

Carlos Guimarães Pinto diz (num artigo de opinião do Público) que o país está estagnado há 20 anos e que se o país tivesse crescido economicamente havia empreendedorismo e meritocracia e que isso teria posto fim à inveja que tanto nos paralisa.

O Carlos diz que como o país estagnou, o bolo não chega para todos e por isso reina a inveja. O sucesso dos outros incomoda, pois como o crescimento "parco" da economia não beneficia todos, «as pessoas começam a desenvolver o sentimento oposto ao da cooperação: a inveja», diz o ex-líder da IL. Concordo.

Aí começa a saga, «os pobres culpam os mais ricos, as minorias culpam as maiorias, a que acusam de discriminação. Instala-se a política do ressentimento, do foco nas lutas pela redistribuição em vez da produção, abrindo a mais socialismo e a mais identitarismo. O socialismo cria a miséria que depois alimenta ainda mais socialismo num ciclo vicioso difícil de romper. A cultura do mérito é ultrapassada pela cultura da inveja. O foco no crescimento é substituído pelo foco no ressentimento». 

«Os socialistas nunca esconderam a sua aposta política no ressentimento. A luta de classes é isso mesmo: a aposta no ressentimento de uma classe contra a outra», escreveu o fundador da IL.

Ao longo do tempo, defende, às classes juntaram-se subgrupos: raças, etnias, sexo, situação profissional, que seguem a mesma cartilha do ressentimento em relação à "maioria".

Logo, esta coisa das minorias (sexuais e outras que tais) não passa de uma extensão da política de ressentimento tão cara à esquerda (digo eu, não o Carlos, cujo partido defende as questões fracturantes em nome da liberdade individual).

Diz ainda o Carlos que vinte anos de estagnação tornaram o país susceptível à política do ressentimento.

Por fim Carlos Guimarães Pinto diz que o Chega e o Livre, em pólos opostos, são partidos que apostaram no ressentimento como arma eleitoral.

Tudo isto para dizer que a alternativa à política do ressentimento é a política do crescimento. É a valorização do trabalho, do mérito, do risco e da iniciativa privada. 

Não posso concordar mais com a IL na parte que se refere à economia e ao liberalismo económico. Concordo 100% com a ideia que o socialismo se suporta da política do ressentimento. 

O problema é saber como que se quebra este circulo vicioso, quando a política do ressentimento das minorias afectou todo o mundo ocidental, mesmo os países ricos, e aí a tese de Carlos está incompleta. O que é o ódio ao Trump e o rótulo de racismo e outros ismos que se lhe colam senão a expressão máxima dessa política do ressentimento? (só para dar um exemplo).

Estou absolutamente de acordo que a aposta no ressentimento é um dos maiores vírus do fim do século XX e do início do século XXI. Mas será que se consegue travar esta praga? Como? É que ela alastrou aos países ricos, aos povos aburguesados e como tal culpados pelos dados lhes serem favoráveis.

Na minha modesta opinião o longo período de bem-estar da Europa e dos Estados Unidos criou um sentido de culpa que alimenta esta política do ressentimento. 

A culpa, sempre a culpa, esse motor da história. Não nos podemos esquecer que a culpa dos homens imortalizou (e bem) Jesus Cristo. 

Aproveito para dizer que o Parlamento precisa de partidos novos com pessoas novas e o Iniciativa Liberal, o Chega e o Livre são bem vindos, ainda que para já sejam apenas partidos de protesto. 

By the way, André Ventura mostrou ser um bom parlamentar. A tropa do politicamente correcto ainda vai ter de engolir um grande sapo no futuro. Veremos.



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