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Cuidado com o que desejas…

por João Távora, em 30.09.19

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Perante um tão sólido consenso da comunidade científica no que refere ao aquecimento global, independentemente das dúvidas que me afligem quanto à eficácia das medidas de mitigação do problema mesmo a longo prazo, estou convicto que tudo o que fizermos para bem cuidarmos da nossa casa comum será pouco e isso talvez valha o sobressalto. Mas o que mais me causa aflição é o terreno fértil que esta agenda encerra para despertar os revolucionários das catacumbas a voltarem à carga com os seus perversos sonhos de despotismo e tirania, na domesticação dum Homem Novo. Quando cheios de ódio nos ameaçam que o Capitalismo é incompatível com a Ecologia, eles já não estão a disfarçar as suas intenções, mortinhos por nos imporem um modo de vida – do número de filhos à ementa alimentar, dos automóveis às viagens de avião, passando pelo uso da Internet; o menu de potenciais proibições é um autêntico programa de terror. O meu receio é que, como dizia hoje alguém na telefonia, não tarda estaremos todos a debater a compatibilidade da Ecologia com a Democracia – pois já percebemos que com a liberdade não será muita.

Foto daqui

A falta que faz uma boa coluna vertebral...

por João Távora, em 28.09.19

Acusação do caso de Tancos provoca dores nas costas. Entendi bem?

Abbey road - 50 anos

por João Távora, em 27.09.19

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Esta crónica, apesar dos muitos disparates, vale pela homenagem merecida a um dos melhores álbuns de sempre de música pop. Dava uma boa tertúlia à volta dum gira-discos, isso sim.

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O SNS (Serviço Nacional Socialista)

por João-Afonso Machado, em 27.09.19

Todo o sucedido vai na primeira pessoa do singular: foi - recente e felizmente - o meu único confronto com o país das maravilhas da Geringonça no capítulo da Saúde.

Vão lá quatro dias. Telefonou-me um meu filho, atrapalhado, supunha ter partido um pulso. De imediato fui ter com ele e o transportei ao hospital local.

Feita a triagem, entrámos a fundo no inferno das Urgências socialistas. Naquele imenso acumulado de gente à espera.

Acomodei o rapaz o melhor que pude e, quando ele se queixava das dores e da demora, tentava "consolá-lo" apontando o engarrafamento de macas onde gemiam novos e velhos, homens e mulheres, entubados e entrapados, criteriosamente estacionados e esquecidos num recanto de espera.

Por fim, a radiografia e o resultado - fractura. O passo seguinte seria o ortopedista... se houvesse ortopedista.

Ninguém sabia. Eram 18.30h. O ortopedista chegaria às 20.00h. Se chegasse... Ontem, por exemplo, não chegara.

Às 21.00h, enfim, convencemo-nos de que hoje também não chegaria. (A acumulação de macas e os seus desgraçados gemebundos mantinha-se intacta.) A salvação: demandar o hospital de Braga; se necessário, arranjar-se-ia uma ambulância...

Fomos mais rapidamente de automóvel. E num hospital quintuplamente maior, mais a abarrotar de gente, menos soturno, entrámos e o meu filho foi visto, engessado, tratado por uma equipa médica amável, prestável, muito simpática e profissionalmente cumpridora.

(Braga, uma das duas parcerias público-privadas na Saúde que escaparam à sanha geringoncista.)

Agradecemos e despedimos-nos. Os médicos riram-se quando, então, lhes pedi apresentassem os meus cumprimentos ao Sr. Costa - o chefe deste pasto de vacas sagradas que somos todos nós, na expectativa de não sermos abatidos para benefício do clima, diz-se agora, muito acalorado enquanto ruminamos.

Debatam, mas não muito!

por João Távora, em 27.09.19

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É um costume pouco democrático mas o facto é que há demasiados políticos e "fazedores de opinião" sempre prontos a moralizarem sobre as formas mais ou menos legítimas de fazer política, na ânsia de limitarem a disputa e o espectro das ideias, sobre o que deve ou não ser tema de debate ou de campanha, quais as temáticas verdadeiramente elevadas ou rasteiras, populistas ou sofisticadas. Nessa lógica, recordemos que em tempos se pretendiam proscritos da agenda os temas económicos, que eram afinal meras "contas de mercearia", porque havia "mais vida para além do deficit". Por estes dias não são poucos os que consideram que os casos judiciais devem ficar de fora de discussão até que as decisões transitem em julgado, uma esperteza saloia para promover a impunidade dos protagonistas visados. Mas a temática que mais incomoda a intelligentzia regimental e de modo crescente à medida que as eleições se aproximam, são sem dúvida as chamadas questões de costumes que se eclipsaram dos debates. Como se houvesse questão mais determinante para o sucesso de uma civilização que a dos costumes. Curioso como as propostas dos partidos sobre o aborto (um assunto que o regime pretende arrumado e bem escondido das nossas consciências), a eutanásia, a adopção de crianças por homossexuais, o casamento, a família, a autodeterminação de género (o que quer que isso seja), as barrigas de aluguer, a liberdade religiosa ou até o multiculturalismo, acabam censurados dos discursos partidários, condicionados por um estranho puritanismo higiénico. O que há afinal de mais importante para uma comunidade do que os "costumes" em que as suas relações assentam, aquilo que ninguém quer debater e muito menos levar a votos? No fim, somos todos pela igualdade, social-democratas, ecologistas e anda toda a gente a brincar às alternativas. Depois queixem-se da abstenção. 

Um prego no pão, sff

por João Távora, em 26.09.19

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É por conhecer bem os sistemas de produção de bovinos e pelas razões acima aduzidas, que continuo a comer carne de vaca, sem me pesar na consciência, pois sei que estou a ajudar à sustentabilidade de uma produção que, quando orientada por bases técnicas e científicas corretas, poderá contribuir para um planeta mais saudável e equilibrado.

A ler a opinião de Manuel Cancela d’Abreu, Professor do Departamento de Zootecnia da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora. 

 

Emergências

por João Távora, em 25.09.19

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A História já nos provou por diversas vezes que os sentimentalismos e as histerias colectivas podem ser bem mais funestas para a humanidade que o carbono. A natureza, essa, adapta-se sempre.

Uma flor...

por José Mendonça da Cruz, em 23.09.19

Maria Flor Pedroso, a directora de informação da RTP, lançou o debate entre os partidos com assento parlamentar com a seguinte pergunta: «O que correu bem e mal» na governação socialista. E insistiu várias vezes com os presentes para que respondessem o que tinha corrido bem. Assunção Cristas compreendeu e evitou o patético entorse inquisitivo; Rui Rio caiu nele. Seguidamente, a resposta correcta: «A Maria Flor Pedroso é socialista e tem uma agenda e uma prática de defesa do PS, mas eu, oposicionista e crítico, não perfilho, evidentemente, o seu credo e as suas tentativas de conformação deste debate.»

É tempo de o centro direita contestar e desmascarar os truques destes agentes encapotados. 

Nem com o seu próprio guru aprendem...

por José Mendonça da Cruz, em 22.09.19

Num gesto raro de classe, o primeiro-ministro António Costa registou a subida do PS na Madeira, mas acrescentou que o governo socialista trabalhará com quem ganhou as eleições em prol do bem da Madeira. A mensagem que é, além de elegante, habilidosa, pois envia um sinal de equilíbrio e razoabilidade para o centro, poderia servir de deixa à legião de serventes, lacaios, pobres diabos, travestis de jornalistas, marionetas, borra-botas e activistas socialistas que poluem as redacções de jornais e televisões. Mas não, nada. Nos apontamentos enviesados de redacção e nas perguntas ressabiadas em conferências de imprensa, a manada continuará a celebrar a «vitória histórica» da derrota do PS e a «derrota histórica» da vitória do centro direita.

Domingo

por João Távora, em 22.09.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador, que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei-de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei-de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’. Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes. Ora Eu digo-vos: Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».


Palavra da salvação.

A nossa salvação

por João Távora, em 21.09.19

A democracia, o mais frágil dos sistemas políticos, definitivamente sofre da atracção pelo abismo: na ânsia da disputa dos eleitorados, não satisfeitos com a armadilha da promessa da felicidade (o que é isso da felicidade?!) os políticos arrogam-se agora do poder de salvar o planeta. Todos sabemos como acabaram os salvadores da pátria, agora sujeitamo-nos aos salvadores do planeta? O melhor será rezarmos pelas nossas almas, que estamos feitos seja pela doença, seja pela cura.

A função coproiética

por henrique pereira dos santos, em 20.09.19

Uma das coisas mais impressionantes em toda esta discussão sobre o consumo de carne e da sua produção, é a extensão da ignorância básica sobre os processos naturais e da forma como milhares de anos de experiência em agricultura e pecuária os manipulam e usam para satisfação das necessidades das comunidades humanas.

Na militância vegetariana e vegan campeia (com excepções, claro, estou a falar de uma mediania mais vocal) uma pulsão quimicofóbica que postula uma superioridade intrínseca da natureza, como se não morresse muito mais gente por ingestão de produtos naturais que por ingestão de venenos.

Neste mundo quimicofóbico desconhece-se que a diferença entre remédio e veneno é a dose.

Quando transpõem os seus mitos para a gestão do mundo rural, concluem que os animais não fazem falta nenhuma e acham que a reposição da fertilidade dos solos e a recuperação de solos degradados (com o consequente aumento do stock de carbono) se pode fazer prescindindo dos animais e com base em compostagem que dispensa a produção de estrumes e chorumes por animais, procurando convencer o povo de que a criação de animais é uma mania de tarados apoiados por obscuros interesses.

Carlos Aguiar é das pessoas que mais tenho ouvido falar na função coproiética dos rebanhos, uma coisa que em meados do século XX era referida na literatura científica com relativa frequência, mas a que a descoberta da síntese da amónia industrial, isto é, a possibilidade de obter fertilidade (compostos azotados, o fósforo fia mais fino) numa fábrica a partir da atmosfera e energia, veio retirar visibilidade.

Meus caros militantes da ideia de que existem lixos orgânicos suficientes para repôr a fertilidade dos solos produtivos (a agricultura é, por definição, exportadora de nutrientes, para já não falar da perda de matéria orgânica e estrutura dos solos provocada pelas lavouras), talvez fosse tempo de porem os pés na terra e perceber o alcance e significado de uma frase de Carlos Aguiar a que vale a pena prestar atenção (espero não estar a citar de forma imprecisa, a minha memória e o que sei do assunto não é lá grande coisa): a agricultura biológica consiste em pôr uma planta ou uma planta e um animal entre o saco de adubo e a produção.

A acumulação de lixos orgânicos em grandes cidades resulta de processos produtivos noutro lado qualquer, ou seja, para que existam os tais lixos que acham que são em quantidade suficiente para repôr os nutrientes em grande parte dos solos, é preciso que, primeiro, esses solos tenham produzido as matérias primas dos processos produtivos que levam o produto ao cliente final, cujos desperdícios dão origem à tal acumulação de matéria orgânica nas grandes cidades. E nesse fluxo há enormes ineficiências.

Depois de produzido os lixos, é preciso compostá-los e voltar a devolvê-los (sem ser com animais de tiro, que, coitados, não foram feitos para estar à frente de carroças, ou seja, com base em combustíveis fósseis) aos solos onde fazem falta, processo em que volta a haver ineficiências enormes, de maneira a que possam ser produzidos os tais alimentos biológicos sem recurso à exploração de animais.

Claro que se pode dizer que ao nível da exploração de pode fazer isto com cadeias curtas. E claro que pode, mas isso significa ter enormes extensões não produtivas, com a única função de produzir material para compostagem. Se o produtor não for burro, vai produzir nos melhores solos e deixa para esta função as terras marginais, que produzem uma vegetação com enormes teores de lenhina, dificultando os processos de compostagem.

O que os nossos ancestrais perceberam rapidamente, porque a vida deles dependia de facto do que conseguiam produzir em cada ano, é que este processo pode ser enormemente encurtado usando as características dos animais, que se deslocam sozinhos (primeiro ponto importante), que fazem uma selecção da vegetação muitíssimo eficaz (deixam lá a lenhina e escolhem as partes tenras da vegetação) e que ainda aumentam a velocidade de degradação dos tecidos vegetais com os seus sistemass digestivos, oferecendo ao agricultor estrumes e chorumes quase prontos a ser usados, em muito menos tempo e com muito menos trabalho que o necessário para obter os mesmos nutrientes por via da compostagem.

E depois, de tempos a tempos, usavam o fogo para degradar rapidamente a lenhina, disponibilizar nutrientes rapidamente às plantas, renovar a pastagem e recomeçar o ciclo.

E de caminho os animais produzem carne, leite, queijo, pele, cornos, lã, etc..

Cavalgar a ideia infantil de que se pode prescindir da produção animal para obter os alimentos e fibras de precisamos não é levar a sério a necessidade de adoptarmos medidas de adaptação às alterações climáticas, é mesmo ignorância militante que nos impede de reconhecer a importância da função coproiética dos rebanhos.

Adenda: parte do que aqui escrevo, sobretudo o facto de ter conseguido fazê-lo de forma relativamente escorreita, decorre do workshop sobre alimentação de caprinos em que participei esta semana, organizado pelo Centro de Competências de Caprinicultura e estaria ser ingrato sem este parágrafo de agradecimento a quem o organizou e lá esteve

António Costa e o peixe oficial

por henrique pereira dos santos, em 19.09.19

Acho que sou insuspeito de defender um consumo alimentar sem consideração pelos efeitos ambientais e de gestão associados a cada uma das nossas opções alimentares.

Há mais de dez anos que esse é um dos meus temas constantes de trabalho, e há mais de dez anos que trabalho com o António Alexandre a relação entre cozinha e gestão do território, sendo que em grande parte desse tempo a ideia foi reforçada com o Luís Jordão.

E, de repente, vejo-me a criticar um reitor de uma Universidade que, aparentemente, teria comprado a ideia e, agora, a criticar um primeiro ministro que diz que ""A regra agora é que todos os jantares oficiais têm peixe, porque temos o melhor peixe do mundo", acrescentou António Costa".

As minhas contradições não me incomodam por aí além (eu acho a coerência uma característica muito sobrevalorizada) mas neste caso não é nada disso, é mesmo porque me falta a paciência para conversa ambiental e de adaptação climática que não passa de demagogia a cavalgar uma onda mediática efémera.

António Costa está a falar de um dos grandes (e difíceis) problemas ambientais que temos de gerir: a deplecção dos recursos pesqueiros.

Ou seja, substituir carne por peixe (ou por vegetais) sem saber de que sistemas de produção estamos a falar é completamente vazio do ponto de vista da sustentabilidade ambiental.

Acresce que este governo (e bem) é o mesmo que lançou um programa para pagar a pastores para terem os seus rebanhos a controlar matos para tentar ganhar controlo sobre o fogo, ao mesmo tempo que o Senhor Primeiro Ministro defende um boicote ao consumo de carne, seja ela qual for, em vez de usar os mercados públicos para dar viabilidade aos modelos de produção extensivos.

Mas depois de fazer isto, resolve dar sinal público de que comer carne, qualquer carne, mesmo aquela cuja produção o Estado financia porque presta um serviço ambiental inestimável, deve ser banida das nossas mesas.

Nada disto se prende com questões ambientais, mas apenas com a convicção de que há mais votos a ganhar em grupos urbanos que não fazem ideia de como o mundo é grande e diverso, e que muito mais que os produtos, são os métodos de produção que definem os impactos ambientais, que votos a ganhar com pastores e produtores pecuários objectivamente prejudicados por esta razoira que equivale produção intensiva a produção extensiva.

Se António Costa verdadeiramente quisesse usar os mercados públicos a favor de políticas de adaptação climática, mandaria alguém à oficina de cozinha que neste Sábado vamos fazer em Vouzela, centrada nas três irmãs (milho, feijão, abóbora) para ajudar a viabilizar as explorações que criaram e mantêm as paisagens de socalcos que achamos fantásticas.

Talvez aí pudesse provar umas papas de milho com abóbora, feijão, couves e desfiado de novilho assado cozinhadas pelo António Alexandre e percebesse que a primeira opção das refeições que pretendam contribuir para a adaptação climática, é mesmo a frugalidade e a diversidade.

Como escrevia hoje uma das minhas irmãs "migas (acho que lá para o Alentejo não é a mesma coisa, mas para mim é broa, feijão e couves), arroz de espigos, arroz de vagens, quase todas as sopas com excepção de canja (coisa para doentes ou paridas, que precisavam de um reforço de proteína), feijão com couves, feijão ou favas guisadas só com um cheirinho de carne de porco para dar gosto" são pratos tradicionais, sem carne ou com muito pouca carne e faria muito mais pela adaptação climática adoptar uma cozinha frugal, assente num território que é preciso viabilizar, que com essa parvoíce de banir a carne para a substituir por peixe, não sabemos vindo de onde, pescado com que métodos, conservado de que forma e, sobretudo, em que quantidades é servido.

E se quiser acrescentar um desfiado de cabrito ou borrego, como fez o António Alexandre numa das oficinas em que tentámos dar a conhecer outras maneiras de comer cabrito ou anho, em menos quantidade, aproveitando restos, enriquecendo a base de vegetais, esteja à vontade.

Agora, se quer comer peixe, sejam quais forem as suas razões, por favor, coma o que entender mas poupe-nos à hipocrisia de fingir que está a contribuir para um mundo melhor para mais alguém para além de si próprio.

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A razão pela qual António Costa anuncia alto em bom som a eliminação da carne de porco nas acções de campanha do seu partido e de qualquer tipo de carne nas ementas da presidência do Conselho de Ministros nada tem a ver com preocupações ecológicas – mal estaremos nós quando interesses obscuros se sobrepuserem à alimentação saudável do ser humano. Trata-se apenas do mais vil populismo em acção, no total desprezo pelo interior do país e pelo mundo rural que não rende muitos votos. E isso é preciso denunciar.

Uma espécie de parábola

por João Távora, em 17.09.19

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Foi já no século passado, quando em tempos trabelhei num conhecido hotel de Lisboa, que tive o privilégio de conhecer o Sr. Mendes*, beirão com um espírito imenso que exercia as funções de porteiro da noite. O Sr. Mendes tinha imigrado para Lisboa nos anos sessenta oriundo de uma terriola perto de Castelo Branco, e antes de ingressar nesse hotel como mandarete – o início da carreira de quase todos os hoteleiros na época - tivera uma curta passagem na mercearia dum tio, experiência que serviu para se ambientar às ameaças da buliçosa Lisboa, cidade que ao mesmo tempo fascinava e assustava o cândido rapaz de 16 anos. Entre outras histórias – o turno da noite num Hotel, entre o fecho de contas das secções e os primeiros checkouts da madrugada muitas vezes permitia alguma distensão – o Sr. Mendes contou-me a grande aventura que fora o primeiro dia de folga depois de chegar a Lisboa. Para tanto, em vez de ir ao cinema como lhe tinham aconselhado os colegas, planeou e cumpriu um programa para ele absolutamente inédito: passar o dia na praia. Assim fez. Comprou ao tio um cacho de bananas (uma fruta à época pouco acessível e por cujo sabor exótico se deixara seduzir), apanhou a camionete na Praça de Espanha e foi passar o dia à Costa da Caparica. Foi nessa jornada memorável que, contava ele, aprendeu o que era a dor dum escaldão épico e o dissabor duma brutal indigestão de bananas. Foi assim a modos que trágico o seu debute na capital madrasta, que segundo ele, terá originado no dia seguinte, uma das poucas faltas que deu ao trabalho ao longo da vida.
Recordo-me também de uma observação que o Sr. Mendes fazia quando, guloso e com água na boca, ao descobrir que o cozinheiro deixara preparados uns suculentos bifes para a ceia da equipa da noite: “Destes, Sr. Távora, antes de chegar a Lisboa, só os via a passar à porta da casa da minha mãe, a puxar uma carroça - passávamos muitas privações”.
Lembrei-me destas histórias hoje ao saber que a Cantina da Universidade de Coimbra irá deixar de incluir carne de vaca na ementa. Estamos entregues a imbecis. 

* Nome fictício

Uma Universidade pop

por henrique pereira dos santos, em 17.09.19

Vejo aqui no Observador que o Senhor Reitor da Universidade de Coimbra decidiu que as cantinas da Universidade, que consomem 20 toneladas de carne de vaca por ano, vão deixar de servir carne de vaca a partir do ano que vem.

"A carne de vaca será substituída “por outros nutrientes que irão ser estudados, mas que será também uma forma de diminuir aquela que é a fonte de maior produção de CO2 que existe ao nível da produção de carne animal”."

Comecemos pelo método de decisão usado na Universidade: a opinião do Senhor Reitor é aplicada sem que os principais visados pela decisão tenham qualquer voto na matéria e, mais relevante para uma Universidade, é tomada a decisão de acabar com uma coisa, a substituir por outra que ainda não se sabe o que é e, presume-se, cujos impactos (económicos, ambientais, etc.) não foram avaliados.

Tenho insistido na importância dos mercados públicos para a criação de estímulos económicos que nos permitam um gestão mais sensata e socialmente útil do território e da paisagem.

Se o Senhor Reitor tivesse dito que iria avaliar o impacto das opções alimentares nas cantinas e iria alterá-las no sentido de obter este ou aquele objectivo, eu seria com certeza um entusiástico apoiante da medida.

Se mesmo antes de avaliar, dissesse que lhe parecia possível reduzir o consumo de carne e de lacticínios, de alimentos processados, de alimentos congelados e aumentar o peso dos alimentos frescos provenientes de cadeias curtas de comercialização e curtas distâncias, eu seria um entusiástico apoiante da medida.

Se, mais que isso, o Senhor Reitor se tivesse referido ao contributo que queria dar à gestão dos fogos e da paisagem em Portugal, contratualizando compras de produtos provenientes de produtores cuja actividade contribui para a gestão de combustíveis, eu acharia fantástico.

Se o Senhor Reitor dissesse que queria contribuir para aumentar a viabilidade do Rebanho da Serra do Rabadão, da Quinta Lógica, da Terra Chã, da Terra Maronesa (sim, são vacas, senhor, mas são vacas em produção extensiva, que pastam parcialmente em pastagens pobres, que gerem combustíveis nas serras, contribem para a conservação do lobo e outros elementos da diversidade biológica) eu então entraria em delírio com o Senhor Reitor.

Assim, caro Senhor Reitor, tenho a agradecer-lhe chamar a atenção para a importância dos mercados públicos para as políticas ambientais e de gestão do território, mas tenho pena, francamente pena, que a vontade de surfar a onda de tanta gente mal informada o tenha levado a pôr a Universidade de Coimbra na posição de um agente pouco sofisticado e ignorante.

Sim, é verdade que a produção intensiva de carne de vaca tem impactos muito relevantes e é bom que a Universidade queira assumir as suas responsabilidades na diminuição desses impactos, mas é mau, muito mau, que o faça a partir de uma generalização simplista que difunde a ideia, errada, de que a produção de carne tem toda o mesmo impacto (para já nem falar de um programa de plantação de árvores sem gestão, um disparate frequente e recorrente que não estaria à espera de ver subscrito pela Universidade de Coimbra).

A minha sugestão é simples: prepare uma decisão com cabeça tronco e membros, avalie o que realmente quer fazer, saiba que alternativas vai querer usar, e ponha o assunto em discussão pública.

Do ponto de vista da sensibilização o processo seria muito mais produtivo e a Universidade cumpriria a sua função de dignificar a ciência acima do senso comum.

Ganhávamos todos.

PS Obrigado ao Luis Aguiar-Conraria por me ter chamado a atenção para esta notícia

A presunção e a estupidez urbanas exibem-se em cartaz

por José Mendonça da Cruz, em 16.09.19

Na Autoestrada 2, a do Algarve, há painéis luminosos que advertem (segurem-se e suportem o ridículo) em nome do «Portugal (que) chama», para que, sendo embora esta a fase mais alta e activa da temporada agrícola, no entanto «com vento e calor não opere máquinas agrícolas».

Os imbecis e ignorantes que conceberam estas recomendações sugerem, portanto, que no próximo ano não se coma nada ou, então, se importe tudo. Poderia explicar porquê, mas seria em vão. 

Ide cavar batatas

por henrique pereira dos santos, em 15.09.19

"Mas este é um cenário urbano, informado, que representa apenas uma parte do país. Do outro lado da balança está o eleitor mais distante ou menos informado, mais disponível para votar se for incentivado directamente. Para Rui Oliveira e Costa, o factor que mais pesa numa vitória eleitoral é o caciquismo.

...

Eu poria transportes públicos gratuitos no dia das eleições. Defendo tudo o que sirva para combater a abstenção".

E é isto que elite cultural, urbana, informada, que publica no Público, ou noutro jornal de referência, pensa da "província" a propósito de eleições (ou de entradas na universidade, ou de exposições de biodiversidade, ou de fogos florestais, ou de descarbonificação da economia, ou do que quer que seja).

O que eu sugiro a Leonete Botelho que escreve coisas destas, ou Oliveira e Costa, que sugere coisas destas, é que, de vez em quando, saiam dos circuitos fechados em que vivem e vão, por exemplo, cavar batatas ao lado de qualquer um desses eleitores distantes e ignorantes (suponho que pensam que é a única actividade desses pobres coitados).

Não acredito que o trabalho vos renda muito (até porque provavelmente descobrirão que os eleitores distantes e mal informados vos mandam sozinhos para o campo porque estão a organizar um esquema de adopção de cabras, pela internet, para gente de todo o mundo, como forma de aumentar a competitividade do seu negócio) mas sempre terão oportunidade de verificar, por si próprios, que "nestes vagos" não há transportes públicos, para além dos táxis que têm pouca vontade de fazer borlas nas poucas oportunidades que têm para ganhar a vida.

Domingo

por João Távora, em 15.09.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa». Jesus disse-lhes ainda: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado».


Palavra da salvação.

"The man ain't got no culture"

por henrique pereira dos santos, em 14.09.19

Tenho escrito com regularidade sobre a gestão do Fundo Ambiental (não sobre a gestão técnica, mas sim sobre a gestão política) e o essencial do que penso sobre o assunto está aqui.

E faço já uma declaração de interesses: até Dezembro deste ano eu sou presidente de uma associação de conservação da natureza que tem sido beneficiária do Fundo Ambiental e tencionamos continuar a concorrer a todas as oportunidades que nos forem dadas, portanto, estou potencialmente a escrever em causa própria (mesmo que não pessoal, esta associação tem clausulas estatutárias que impedem os seus dirigentes de ter relações económicas com a associação).

Ora a propósito da inauguração, hoje, de um passadiço pelas copas das árvores de Serralves, eu voltei a escrever uma coisa qualquer, provavelmente por causa disso ligou-me uma jornalista a perguntar-me a minha opinião sobre o assunto, e eu expliquei que não tinha nada contra o passadiço, tenciono lá ir quando tiver oportunidade, acho que pode ser uma coisa com interesse, mas era frontalmente contra o seu financiamento pelo Fundo Ambiental.

Por causa desta notícia do Público, um simpático membro da nossa elite cultural (não estou a ser irónico, é-o de facto, por mérito próprio, não tem qualquer relação, que eu saiba, com Serralves e nenhum interesse directo no assunto) deu-se ao trabalho de me escrever um mail curto: "Desculpe lá, o meu amigo o que é é um chato e um inculto". Respondi o mais simpaticamente que sei (não sou muito bom nisso, sou completamente incompetente do ponto de vista social) dizendo que era o mais que faltava que alguém me pedisse desculpas por constatar factos.

Já da outra vez, quando escrevi o tal artigo que liguei acima ("Um bolso sem Fundo") tinha recebido um telefonema, bastante cordial, do vereador de Lisboa que tutela este assunto a explicar-me como todo o país iria beneficiar dos 750 mil euros gastos em Lisboa com a exposição sobre biodiversidade, porque seria uma fantástica montra do país que, com certeza, iria promover a economia das regiões presentes na exposição.

Pelo que percebo, apesar de escrever regularmente sobre o assunto, talvez não esteja a explicar-me bem sobre o que são as minhas objecções às opções políticas sobre o Fundo Ambiental.

Há um tipo de objecções mais geral que se prende com o facto dos milhões do Fundo (420 milhões em 2019) serem decididos por mero despacho do Ministro do Ambiente, sem qualquer discussão aberta desta afectação, o que resulta, por exemplo, na atribuição rápida de 104 milhões para apoiar a baixa dos preços dos passes dos transportes públicos (essencialmente Lisboa, um bocado Porto, e uns trocos para a paisagem que tem transportes públicos), sem que um único jornalista, que eu tenha dado por isso, questione o Governo, dia sim, dia não, pela opção de financiar uma medida estrutural a partir de uma origem de fundos contingente e circunstancial.

Há outro tipo de objecções que é o que motiva este post.

O Fundo Ambiental (como o Fundo Florestal, e de certeza que há outros) é uma oportunidade, limitada é certo, para pagar a gestão dos serviços de ecossistema que nos beneficia a todos, mas que o mercado não remunera.

Afectá-lo a coisas fantásticas, mas que podem aceder a outros meios de financiamento, seja o mercado puro e duro (as entradas no tal passadiço de Serralves ou na tal exposição lisboeta), seja no mercado da paz de espírito em que se movem os mecenas, seja ainda na taxação específica que existe, como a taxa turística, que representa uns milhões em qualquer destas duas cidades (qualquer coisa acima de 30 milhões em Lisboa e de dez milhões no Porto), deixando à mingua o pagamento dos serviços de ecossistema que ninguém paga (desde logo, os serviços de gestão do fogo, isto é, o pagamento da gestão de combustíveis) é uma opção moralmente errada, éticamente indefensável e que, convenhamos, contribui para os efeitos trágicos dos grandes fogos que são alimentados pela falta de gestão de territórios sem futuro económico de curto prazo.

Eu compreendo a opção política, os votos estão em Lisboa e Porto, o resto é paisagem e já se percebeu que nem quando ardem meio milhão de hectares no país isso tem qualquer efeito nas perspectivas eleitorais de quem tem de tomar decisões.

Por isso, mais sábio que escrever esta catilinária teria sido completar logo o título do post "But it's alright, Ma, Everybody must get stoned".


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