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Pregar aos peixes

por João Távora, em 21.07.19

"O que se passa hoje em relação aos incêndios é uma questão de opção política tomada lá atrás por um ministro da administração Interna que forçou uma opção quando tinha duas hipóteses: ou tratar do assunto como ele deveria ser tratado, que era tratar do problema da gestão florestal e com isso preparar o território para o fogo que sempre existirá, ou reforçar os meios de combate e toda essa lógica da protecção civil e etc. Esse ministro que se chamava António Costa fez essa opção nessa altura. Enquanto estivermos convencidos que isto é um problema de fogo posto, francamente! 1% das ignições resultam em 90 % da área ardida. De certeza que querem discutir como é que o fogo começa em vez de discutir porque é que o fogo não pára? O problema central não é como o fogo começa, ele pode começar de dezenas de maneiras. O problema é perceber porquê é que o fogo não pára. Qual é o distrito do país onde há mais ignições? É no Porto. É aí onde os incêndios são um problema? Não! 
(...) Quando um responsável político continua a falar dos artefactos, no "fogo posto" e na estranheza, está esta simplesmente a desviar a RESPONSABILIDADE POLÍTICA do seu governo e anteriores."

Henrique Pereira Dos Santos a pregar aos peixes em directo na SIC Notícias  hoje pelas 19.30hs.

Até se me revira o estômago...

por João Távora, em 21.07.19

Reconheço que cheguei atrasado a esta crónica, mas isso é um sinal da minha salubridade. Mas esta aventesma (para ser simpático com o adjectivo) consegue surpreender-me: o que mais me custa é perceber que esta conversa irresponsável (a alta perigosidade das drogas mencionadas é cientificamente e estatisticamente comprovada) seja veiculada e patrocinada em meios "de referência" - mesmo que em processo de falência. Quando souber da próxima pessoa a dar entrada num internamento ou morrer com uma overdose - o meio é-me relativamente próximo - vou lembrar-me da Fernanda Câncio mais à sua boémia.

Domingo

por João Távora, em 21.07.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 


Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada». 


Palavra da salvação. 

Chegada à Lua - 50 Anos

por João Távora, em 19.07.19

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Quando há cinquenta anos Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram a Lua eu tinha sete anos e estava em Milfontes de férias. Nessa noite morna de Verão, como grande parte dos habitantes da vila, desci com os meus pais ao Café Miramar na Barbacã, para assistir na televisão ao acontecimento em directo. Não mais me esquecerei da emoção vivida, aquelas imagens difusas e misteriosas, as palmas, as interjeições e efusivos comentários dos adultos. A partir daquela data seguíamos todas as missões Apollo até à última em directo na televisão. Naqueles anos esta temática dominava os brinquedos da moda, dos mais sofisticados aos brindes dos gelados.
Imagino que a chegada à Lua tenha sido o maior acontecimento histórico da humanidade sucedido na minha já longa existência. Sinto-me até mais moderno que os meus filhos que, não tendo testemunhado este feito, jamais aprenderam a encantarem-se à noite com a imensidão do céu, a brecha pela qual nos é permitido vislumbrar o universo infinito, que é uma metáfora de Deus. Pela minha parte eu continuo a imaginar com entusiasmo como será a grande aventura da expansão humana para o Espaço.

A aventura da Apollo 11 pode ser seguida em directo e em "tempo real" aqui

Carta aberta a Clara Ferreira Alves

por henrique pereira dos santos, em 16.07.19

Cara Clara,

Chamaram-me a atenção para este seu texto a que não ligaria muito, não se desse o caso de uma amiga minha ter feito um comentário (não sobre o seu texto, foi uma mera coincidência temporal) dizendo que "Uma das coisas que esta última polémica sobre o racismo torna evidente é que a descolonização (e o nosso passado colonial) é uma ferida que não só ainda não sarou, como ainda não se sabe bem o que fazer com ela".

A conversa que este pequeno post motivou centrou-se na ideia de que no espaço público só há espaço para os discursos do saudosismo colonial e para coisas como as que escreve, que sem novidade ou surpresa, é a banal cartilha que pretende desresponsabilizar as elites dos novos países atribuindo ao colonialismo todos os males actuais desses países.

Este seu parágrafo "Sempre pasmei da ausência de ressentimento tanto nos intelectuais como na gente simples de um país que condenámos à miséria e à corrupção." é extraordinário a todos os títulos, ao pretender que a corrupção endémica em muitos desses países é uma herança colonial e não uma responsabilidade das suas elites, quer dos que ficaram imensamente ricos sem que alguém lhes conheça qualquer fonte de rendimento extraordinária, quer dos que não ficaram, mas não viram nada de errado acontecer nos seus países desde a independência. E sim, a miséria é hoje bem mais extensa e profunda do que era em 1974, mas a mim não me apanha a usar este facto para defender a situação anterior a 1974, porque isso é misturar alhos com bugalhos, as razões da miséria actual são muitas e complexas, uma parte será herança do colonialismo (mesmo que a vida da maior parte da população fosse melhor nessa altura), mas outra é bem responsabilidade das elites que se formaram nesses países: talvez não tenha reparado mas esses países já têm quase tantos anos de independência como os anos que durou o Estado Novo, é um bocadinho de mais pretender que nesse período de tempo não se poderia ter feito nada para reverter a herança recebida.

A sua defesa do mito do bom selvagem (como o racismo é persistente, não é, como ele está entranhado em sítios em que é tão difícil expô-lo sem ser "por ínvios caminhos, quais se diz que são ínvios os de Deus") pretendendo contrapor a "empatia, à humanidade, à educação e à consideração de que somos todos parte de uma raça, a humana" dos moçambicanos ao facto de haver gente que odeia em Portugal, é ainda mais pateta (sim, não é patética, é mesmo pateta) quando estamos a falar de países mergulhados anos a fio em guerras civis.

Num dos comentários ao post que citei acima, um amigo meu (adversário de estimação em dezenas de discussões por discordarmos em quase tudo) relata a sua experiência em 1974: "Durante o Sete de Setembro de 1974 eu viajava de carro na companhia dos meus avós e da minha irmã, em Lourenço Marques (na altura ainda se chamava assim a cidade). Uma multidão cercou-nos, obrigou-nos a sair do carro e cobriu-nos de gasolina. Fomos salvos da imolação por um soldado da Frelimo que reconheceu o meu avô: era o branco que a cada quinze dias ia à sua aldeia prestar, em gesto voluntário, primeiros socorros, oferecer medicamentos, sementes agrícolas, &c.".

Eu lembro-me bem desse dia 7 de Setembro, apesar de não ter uma história arrepiante como esta, de ódio, sim, mas de humanidade também, como é próprio da nossa natureza. Mas lembro-me das rajadas de metralhadora, do recolher obrigatório, dos mortos, dos incêndios que não batem certo com a sua historinha sobre "empatia, à humanidade, à educação e à consideração de que somos todos parte de uma raça, a humana". E olhe que este meu amigo era moçambicano, a família estava há duas ou três gerações (se não me engano) em Moçambique e não tinha outra terra a que chamar pátria, teve foi o azar, nesse dia, de ser branco.

E este comentário vinha na sequência do meu próprio comentário anterior "Um dia a minha mulher foi a Moçambique, muitos anos depois de lá ter saído. Como teve oportunidade para isso, resolveu ir ver a casa de infância, no então colonato do Limpopo, vila de Trigo de Morais, hoje Choqwé. Viu um miúdo brincar no jardim e disse-lhe que gostava de ver a casa, se ele achava que poderia entrar. O miúdo desapareceu na casa e veio de lá um senhor, grande, com ar razoavelmente desconfiado, saber o que se passava. A minha mulher explicou-lhe que tinha vivido naquela casa muitos anos e tinha curiosidade em revê-la. O senhor abre-se num sorriso, pergunta-lhe se era filha de fulano tal e perante a confirmação dá-lhe um grande abraço misturado com o choro genuíno dos dois, convidando-a para entrar, servir-lhe o melhor pequeno almoço que tinha em casa e uma grande conversa muito emocionada. Isto não cabe no discurso sobre a colonização, descrever isto, que é apenas uma contingência e não tem moral política nenhuma, é imediatamente rotulado de branqueamento do colonialismo, da exploração, da miséria e etc. (e nem reproduzo a conversa para não me chamarem reacionário). Enquanto este ponto de vista de pessoas comuns estiver proscrito do espaço público, como se não fizesse também parte da realidade que existiu, é uma ferida que nunca se curará, aqui e nos outros lados".

E foi para lhe explicar isto que lhe escrevi esta carta, que o discurso das pessoas comuns (as de cá e as de lá) está completamente ausente do espaço público no que diz respeito à colonização e descolonização, o que mantém demasiadas feridas abertas (cá e lá) e que o problema de textos como o seu não é o serem mistificações, factualmente errados e com generalizações preguiçosas e banais, o problema de textos como o seu é porque são meras pedras de sal nas feridas (de cá e de lá) que impedem as pessoas comuns de simplesmente falarem do que viram, do que sentiram, enfim, das suas vidas, sem terem de estar a medir cada palavra para não serem imediatamente classificadas assim ou assado.

E da próxima vez que ficar pasmada pela ausência de ressentimento, fale com as pessoas normais, com as que vendem fruta nas ruas e estradas de Moçambique, ou com as que simplesmente não gostam de falar da forma como foram tratados pelos seus irmãos de pátria, mas não de cor, e pelos seus irmãos de cor, mas não de pátria.

Provavelmente encontrará uma explicação mais simples que a do mito do bom selvagem para isso: para além da imensa e natural simpatia dos moçambicanos, é provável que a explicação esteja no facto da Clara ter uma visão completamente deturpada de um mundo que desconhece e sobre o qual tem tantas certezas.

Antes, durante e depois da descolonização, eram simplesmente pessoas normais que estavam em todos os lados, pessoas que viviam vidas normais, em que o bem e o mal coexistem permanentemente, e nunca existiu esse mundo em que os bons estavam todos de um lado (presumivelmente, o seu), e os maus estavam todos do outro.

O mundo não é assim e já não era assim nesse tempo.

As contas fazem-se no fim

por João Távora, em 16.07.19

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Parece-me que já vi este filme algumas vezes. Com o prenúncio de um resultado histórico das esquerdas, que arriscam em Outubro alcançar 2/3 dos lugares no parlamento pela primeira vez desde o 25 de Abril, a direita a dois meses da campanha eleitoral entretém-se furiosamente à caça da própria cauda. São indisfarçáveis as contagens de espingardas, os julgamentos e distribuição de culpas que escapam entre dentes dos barões, sargentos e soldados que gravitam neste espectro político. Por exemplo, a  liderança e os actores principais do CDS passaram de bestiais a bestas, surgem crenças messiânicas, e voltam a ser invocadas as maiorias silenciosas adormecidas desde 1975, eternamente escondidas no espectro da abstenção. As razões apontadas para o anúnciado descalabro (uma profecia auto-realizável) são muitas: há quem diga que pagamos o preço duma má governação durante a Troika, que não há projecto nem mensagem,  que a Assnção Cristas declarou-se a favor do casamento entre homossexuais, que falta um líder para o povo seguir.
O que há é uma conjugação extraordinária de circunstâncias negativas, por demais evidenciado nas eleições europeias; e o prodigioso erro na questão dos professores não explica tudo, há que considerar o histórico não muito distante: houve a humilhação da direita em 2015 (que não chegou à maioria porque com os anos de chumbo do resgate perdeu a sua quota de funcionários do Estado e seus familiares) por uma coligação inimaginável dos socialistas com a extrema esquerda que arrefeceu de forma radical a conflitualidade social, que evitando agitar em demasia as águas (reformas) apanhou boleia da inevitável retoma e abrandamento da austeridade... e o diabo não veio, que a Europa nos proteja. 

É em consequência destas fragilidades que se assiste, a par com um fenómeno meramente emocional de desmotivação, a um perigoso fraccionamento da direita em novos projectos mais ou menos pessoais mais ou menos ideológicos. Os liberais já não querem nada com os conservadores, que cortam com os democratas cristãos que viram costas aos sociais-democratas. E há os oportunistas.  

Mas de nada serve ter razão antes de tempo. A dinâmica para ser vencedora deveria ser exactamente no sentido contrário, de unidade, para uma alternativa clara ao fado do socialismo. Acontece que um partido vencedor terá sempre de ser uma federação de opiniões que concorram entre si sem se anularem. Afinal a pureza ideológica que muitos reclamam é um sinal de perigosa decadência, simplesmente porque tal coisa não existe, e quando e existir certamente será proveniente dos últimos dois militantes em véspera de uma cisão. 

Por agora há que fazer das tripas coração e evitar uma humilhação à direita. Os próximos meses serão decisivos no alerta e na mobilização contra uma esmagadora hegemonia da esquerda que torne o ambiente do país ainda mais fracturado e irrespirável. As contas fazem-se no fim.

Com um abraço ao PCP

por João-Afonso Machado, em 16.07.19

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Em Couço, Coruche, no passado domingo, o cartaz a anunciar a Tourada Real, posto ao alto numa esquina, era impossivel passar despercebido. E como ele muitos outros, uma verdadeira colecção de mapas taurinos: as corridas tinham data marcada em Alcochete, Évora, Almeirim, Benavente, Tomar, Santarém, Monsaraz, Montemor... Por todas aquelas longas estradas, onde houvesse uma parede perto, mais cartazes às catadupas, tal qual cá para cima se anunciam as romarias... e touradas também.

A arte taurina não deixará que a matem. Desta vez a Esquerda - dogmática, intransigente, professoral - não levará a sua avante. Até por uma razão muito simples: o PCP já se enfraqueceu o bastante, a nível autárquico, para poder embarcar em tais aventuras. O que seria do PCP se chegasse ao seu território de implantação local com a "novidade" de que agora é preciso acabar com as touradas, coitadinhos dos toiros?...

Não é o tempo de explanar argumentos. Eles foram já todos ditos e reditos e, é manifesto, à Esquerda urbana interessa sobretudo entrar de picareta em punho nos gostos e costumes da nossa sociedade, destruindo-os. O resto é estatística: é contar os destituídos que nunca tinham pensado em tal, mas de repente acham moderno defender os direitos das minorias - das manadas de minorias.

A caridade militante, a política policial, voltadas, fazem o favor, para os locais do crime. Do verdadeiro. E para os sem-abrigo que, esses sim, não nasceram para dormir ao relento nem para que a sociedade e o Estado os farpeiem todos os dias com a sua indiferença.

No mais, vivam as praças de touros repletas de povo, Ribatejo e Alentejo fora, em marés de Festa Brava.

 

Os inassimiláveis

por Pedro Picoito, em 15.07.19

Aqui fica a minha opinião sobre o artigo de Fátima Bonifácio e a respectiva polémica. Hoje, no Observador. 

Não aconteceu, mas é bem visto

por henrique pereira dos santos, em 15.07.19

O título deste post caracteriza muito do jornalismo actual, o tal do diabo que estava para vir, uma frase que nunca ninguém conseguiu demonstrar que foi dita, ou da famosa explicação para o "desvio colossal" que Vítor Gaspar sempre negou que tivesse dito.

E o post resulta de ter lido este fantástico exemplo de jornalismo "não aconteceu, mas é bem visto", de que o Observador (e os outros) nos vai dando muito bons exemplos, como este aqui, que é de cabo de esquadra.

Trump faz um tweet idiota e, na minha opinião, indigno do presidente de um país. O tweet não é idiota por não fazer sentido: Trump está permanentemente em campanha eleitoral (como sou o único a ver semelhanças entre Costa e de Trump, independentemente de um usar tweets e o outro usar a imrpensa tradicional para estar sempre a vender banha da cobra, devo ser eu que estou enganado) e dizer a uma congressista que fugiu do péssimo governo da Somália que volte para lá para aplicar as suas ideias e, depois de ter resultado, volte para ensinar aos americanos como se governa um país, é um argumento idiota, sim, mas extraordinariamente eficaz para o eleitorado que pretende atingir.

O tweet diz o seguinte: "So interesting to see “Progressive” Democrat Congresswomen, who originally came from countries whose governments are a complete and total catastrophe, the worst, most corrupt and inept anywhere in the world (if they even have a functioning government at all), now loudly and viciously telling the people of the United States, the greatest and most powerful Nation on earth, how our government is to be run. Why don’t they go back and help fix the totally broken and crime infested places from which they came. Then come back and show us how."

Sim, é usado um plural que qualquer pessoa sabe ser um recurso retórico ("eles, há pessoas", coisas destas que usamos para mandar indirectas) mas o que é dito encaixa na perfeição apenas em uma congressista.

Pois bem, uma parte da imprensa dedica-se a fazer interpretações e conclui que o tweet é para mais três pessoas que não encaixam (por terem nascido nos Estados Unidos), tomam como um facto a sua própria interpretação e, a partir daí, fustigam Trump por ser tão estúpido que usa argumentos destes contra pessoas nascidas nos Estados Unidos.

No fim, queixam-se porque "a basket of deplorables" não ligam nenhuma ao que escrevem nos jornais e preferem acreditar nos tweets de Trump, fazendo-o ganhar as eleições e criando dificuldades económicas aos jornais que não percebem por que razão as pessoas não querem pagar por um produto fraudulento.

Em frente, Observador, em frente, continuem assim a reproduzir acefalamente qualquer tolice, independentemente dos factos, que o futuro será radioso para o jornal e para o sector.

Quatorze juillet

por João Távora, em 14.07.19

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Hoje, 14 de Julho, quando passam 16 anos sobre a sua morte, é tempo de prestar homenagem a Henrique Barrilaro Ruas – um dos maiores pensadores e políticos do século XX que de forma sublime fez a síntese do Integralismo Lusitano com a Democracia Liberal. Nada melhor do que fazê-lo anunciando para breve a publicação duma sua antologia de textos dispersos, o terceiro volume da chancela “Razões Reais” da Real Associação de Lisboa. O livro intitulado “Liberdade Portuguesa” é organizado pelo Vasco Rosa e tem um prefácio do jornalista Nuno Miguel Guedes. Em Setembro voltarei ao assunto.

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Domingo

por João Távora, em 14.07.19

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses 


Cristo Jesus é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus. 


Palavra do Senhor. 

A inquietação só nos faz bem

por João Távora, em 12.07.19

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Mamadou Ba assume aqui um discurso que tem a virtude de ser cristalino. Convocar a raça e  a orientação sexual como instrumento para o combate pelo socialismo. A luta vai ser na rua daqui a 5 ou 6 anos? Com as sondagens a dar a esquerda perto dos 2/3 do parlamento - o necessário para uma revisão constitucional - a inquietação só nos faz bem.  

O Presidente, o futuro PM e a desinformação suicida

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.19

1. Os factos. O embaixador de Inglaterra nos EUA, Kim Darroch, que se entretinha a dizer em círculos diversos de Washington que o Brexit, a política do seu governo, era um desastre, enviou para Londres um despacho a dizer que o Presidente americano era «inepto», «inseguro» e «singularmente disfuncional». Azar, o texto que deveria ser confidencial transpirou para a imprensa. Ora, o Presidente americano não é uma figura decorativa como outros Chefes de Estado, ele é o chefe do executivo; a «relação especial» Reino Unido - EUA sempre foi uma pedra de toque entre os dois países, e ela é ainda mais crucial para Londres, agora, em vésperas de Brexit. Donde resulta que a demissão do embaixador era uma necessidade e uma evidência de política externa. O putativo futuro Primeiro-Ministro inglês, Boris Johnson (antigo diretor da Spectator, autor de uma biografia sobre Churchill, antigo presidente da Câmara de Londres, antigo ministro dos Estrangeiros, e Membro do Parlamento), recusou-se, portanto, a defendê-lo num debate com o outro candidato, Jeremy Hunt, que não será Primeiro-Ministro -- decerto por coisas como esta.

2. As cabecinhas formatadas. Acontece que os jornalistas, digamos assim, dos orgãos de informação, assim digamos, portugueses têm sobre a mesa ou gravado nos escassos neurónios um manual que diz que tudo o que é americano é mau, que se for republicano é pior, e que Trump, sobretudo por causa dos excelentes indicadores económicos e sociais do seu mandato, é péssimo. E que qualquer outro governante que não seja socialista é no mínimo «excêntrico» e normalmente «xenófobo e de extrema-direita».

3. A versão progressista. Sendo assim, a notícia em 1., depois de passada pelas cabecinhas em 2., sai assim:

- que o embaixador Kim Darroch está a ser perseguido por dizer a verdade;

- que Boris Johnson não o defendeu e está «a ser alvo de fortes críticas».

- ponto final.

A versão é confrangedoramente lacunar e medularmente estúpida. Mas é a que passa em jornais e telejornais portugueses. Os quais, pressupondo a estupidez dos espetadores, vão aplicando a vulgata e dando tiros nos pés todos os dias, enquanto todos os dias se queixam das «redes sociais» e do que eles julgam que são fake news.

 

"A redacção de O Liberal (Partido Progressista), tendo sido insultada pelo sr dr. Eduardo Souza, director do Diário da Tarde (Partido Regenerador), entendeu dever desforçar-se. Havia quatro campos à escolha: - o tribunal judicial; - o tribunal d' honra; - o duello ; - o desaggravo pessoal. O tribunal judicial foi logo posto de parte - era ridículo. O tribunal d' honra era impossível com o sr dr Eduardo de Souza que é um desqualificado. O duello, pelos mesmos motivos, egualmente impossível: um duello, que em Lisboa tem muito de ridiculo, no Porto era decididamente ultra-cómico, e com o Sr. Eduardo de Souza humilhante. Restava-nos o desforço pessoal. Tirámos à sorte e a sorte designou o redactor Alexandre de Albuquerque. Partiu para o Porto com o firme proposito de cumprir briosanmente o que lhe mandava a sua honra profissional e pessoal
Os factos deram-se taes como os contou o nosso correspondente, em seu telegramma de hontem, que de novo transcrevemos: "Porto, 6 - 1 e 17 da tarde, O Liberal galhardamente desaffrontado. Às 10 horas e meia chegou dr Eduardo de Souza à porta da redacção do Diário da Tarde. O dr. Alexandre d'Albuquerque não o conheceu por causa das barbas e da gordura. O dr Souza prevenido pelo aviso de O Liberal, conhecendo o dr Albuquerque, fugiu para as escadas, denunciando-se. O dr Alexandre d'Albuquerque, completamente desarmado, correu sobre o dr Eduardo de Souza, que se achava armado de bengala, e derrubou-o a murro, saltando sobre elle e soccando-o fortemente, pretendendo o dr Souza arranha-lo, mas sem o conseguir. Accudiu o povo, segurando o dr Albuquerque, o que o dr Souza aproveitou para lhe jogar duas bengaladas que lhe fizeram uma ligeira escoriação na testa. O dr Albuquerque, soltando-se, derrubou outra vez o dr Souza, soccando-o e calcando-o aos pés, sovando-o fortemente. O dr Souza retirou-se para a redacção do Diário da Tarde. Povo felicitou o dr. Albuquerque."

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Em dias de tempestade verbal como esta, se me sobra algum respeito (ainda assim muito) reservo-o a brancos que falam em nome próprio, em defesa da sua identidade branca, como Maria de Fátima Bonifácio. Não me sinto obrigado a respeitar brancos que usurpam sentimentos, identidades, representatividades de terceiros. Não por uma birra qualquer, mas porque usurpar identidades alheias é profundamente imoral. A representatividade social existe para ser tomada a sério. Os homens não representam as mulheres; os idosos não representam os jovens; os ricos não representam os pobres; logo, os brancos não representam negros, ciganos ou quaisquer outros. (...)

(...) Há outro detalhe da loucura dos tempos. Ao longo de quatro séculos, negros das mais variadas origens, estatutos (as comunidades ancestrais africanas organizam-se por linhagens, isto é, desde a origem que marcam diferenças sociais), línguas, crenças, hábitos, tradições em África eram, depois, amalgamados nos países de destino da escravatura como se fossem todos iguais. Bastava serem negros para se reconverterem numa massa coletiva indistinta homogénea, para desaparecerem enquanto indivíduos e, com isso, dissolvia-se a singularidade e subjetividade que a condição humana acarreta. Por ironia, esse passado está hoje bem vivo pela ação do igualitarismo de esquerda.

(...) Mas é importante clarificar ainda outra questão. O que marca as sociedades ocidentais é o primado do indivíduo sobre o coletivo, sendo o inverso na tradição islâmica ou na tradição soviética. Isso para sublinhar que, no mundo ocidental, nunca serão os negros ou os ciganos enquanto coletivos a «subir na vida», mas todos os indivíduos de todas as pertenças raciais, e cada um por si. Negros, brancos, mestiços, pobres, remediados e todos os demais. É por serem assim que as sociedades ocidentais articulam, melhor do que muitas outras, mobilidade social com coesão social.

Por isso, é do caminho cultural da descoberta do indivíduo enquanto tal de que mais necessitam os segmentos que mais recentemente se vão integrando na tradição ocidental, as minorias. (...)

Gabriel Mithá Ribeiro a ler na integra aqui 

Nada disto, porém, faz da autora uma “racista” e muito menos do seu artigo um “manifesto racista”. Vamos entender-nos: uma coisa são preconceitos, ou desconfianças derivadas de certos comportamentos – se isso fosse racismo, então toda gente, em todo o mundo, foi, é e será sempre racista; outra coisa são instituições e doutrinas que, com fins políticos, visam a classificação e discriminação das  pessoas como membros de “raças”, e nesse sentido, nem toda a gente foi, é ou será racista, e é aí que deve assentar a expectativa de que a humanidade resistirá a propostas para usar características “étnicas” com fins políticos.

Nós e os outros - racionalidade precisa-se!

por João Távora, em 08.07.19

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Anda praí um forrobodó que extravasa as redes sociais por causa dum artigo polémico da Maria de Fátima Bonifácio, de tal forma que o jornal que o publicou já veio meter os pés pelas mãos manifestando arrependimento e pedidos de desculpa à parte dos leitores que se amofinou com ele. O  Público fez bem publicá-lo: a censura ou a proibição é sempre um erro grave, para mais num debate que me parece tão difícil quanto importante. Ou seja, como poderemos em Portugal garantir a preservação dos nossos valores civilizacionais e ao mesmo tempo promover uma abertura a culturas em que a maioria dos seus elementos neles não se revêem? Em minha defesa, e antes que me comecem a apedrejar pelos motivos errados, deixem-me que vos diga que ao contrário da Maria de Fátima Bonifácio, eu não concordo com as quotas para as mulheres e acho que o maior problema de Portugal são os portugueses - basta conhecer a nossa História ou constatar a maioria de esquerda que por passividade nossa nos pastoreia há pelo menos duzentos anos - somos demasiado atreitos ao Síndrome de Estocolmo. Além disso, parece-me que temos muita sorte pelo facto de a maioria dos imigrantes que se por cá vêm instalando provirem das nossas antigas colónias, e assim sendo, maioritariamente de origem cultural cristã. E estou convencido que por essa razão, mais tarde ou mais cedo, não terão dificuldade em reconhecer os direitos e deveres que se lhes assistem como Seres Humanos. Já quanto à Revolução Francesa imagino que o assunto não os inspire grandemente, e devêmo-nos congratular por isso. De resto, constatar que há ciganos e outras comunidades que evidenciam dificuldades de integração é tão legítimo quanto admitir que há polícias racistas ou lisboetas racistas. Admito que sejam por enquanto casos pontuais que não devem ser exacerbados mas para os quais devemos olhar com realismo, por forma sabermos que políticas se empreender para mitigar a fractura e promover uma mais salutar assimilação. Porque me parece inevitável que as próximas gerações tenham de acolher e aprender a conviver com um cada vez maior número de imigrantes à procura daqueles trabalhos que por cá mais ninguém quer e do conforto que só o nosso modo de vida, com as nossas regras, proporciona. Não irá ser fácil, mas o pior que podemos fazer é alimentar tabus e evitar polémicas, por mais incómodas que nos pareçam. Há que olhar para os nossos vizinhos europeus e tentar aprender com os seus erros.

 

Ilustração: acampamento de ciganos nos jardins de Moulinsart, do álbum do Tintim "As Jóias de Castafiore", leitura juvenil que desconfio terá escapado à historiadora Maria de Fátima Bonifácio

Ainda se lembram do tontinho Varoufakis?

por João-Afonso Machado, em 08.07.19

Vale a pena recordar algumas penosas ocorrências helénicas: a vitória do Syriza, o consequente júbilo da nossa Esquerda - a democracia regressara ao seu berço; um palhaço chamado Varoufakis e o seu tristíssimo número Europa além; a iminência do colapso na Grécia, as eleições antecipadas e a vitória, menos expressiva, de Tsipras, já despido de Varoufakis; o terceiro resgate logo após.

Tudo isto até 2015.

Quatro anos volvidos, nova ida às urnas, com uma inequívoca vitória da Direita, da Nova Democracia.

Porquê, afinal, o fracasso da Esquerda fraterna e miraculosa?

Segundo os analistas gregos porque o eleitorado não deu conta de qualquer melhoria económica ou social. Houve cortes nos salários e pensões. Enfim, urgia pôr cobro aos "populismos".

Aguardo, na maior expectativa, os comentários das nossas Catarinas às eleições gregas. Palpita-me tudo seja muito simples: o planeta está infernalizado por fascistas; pelo "populismo" e pela extrema-direita.

Mas reforço a minha ideia: entre gente menos informada, para se repudiar definitivamente a Esquerda, o remédio está em ser governado por ela. Algo demasiadamente arriscado antes da queda do Muro de Berlim, mas não agora, felizmente.

Lamento, mas...

por João Távora, em 07.07.19

Ao contrário da Maria de Fátima Bonifácio, cuja opinião tem a virtude de colocar em discussão um tema difícil, eu não concordo com as quotas para as mulheres e acho que o maior problema de Portugal são os portugueses. Se tiver tempo amanhã volto ao assunto que me parece riquíssimo.

Domingo

por João Távora, em 07.07.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 


Naquele tempo, designou o Senhor setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. E dizia-lhes: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Ide: Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge nem sandálias, nem vos demoreis a saudar alguém pelo caminho. Quando entrardes nalguma casa, dizei primeiro: ‘Paz a esta casa’. E se lá houver gente de paz, a vossa paz repousará sobre eles; senão, ficará convosco. Ficai nessa casa, comei e bebei do que tiverem, que o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Quando entrardes nalguma cidade e vos receberem, comei do que vos servirem, curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: ‘Está perto de vós o reino de Deus’. Mas quando entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saí à praça pública e dizei: ‘Até o pó da vossa cidade que se pegou aos nossos pés sacudimos para vós. No entanto, ficai sabendo: Está perto o reino de Deus’. Eu vos digo: Haverá mais tolerância, naquele dia, para Sodoma do que para essa cidade». Os setenta e dois discípulos voltaram cheios de alegria, dizendo: «Senhor, até os demónios nos obedeciam em teu nome». Jesus respondeu-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago. Dei-vos o poder de pisar serpentes e escorpiões e dominar toda a força do inimigo; nada poderá causar-vos dano. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem; alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão escritos nos Céus». 


Palavra da salvação. 




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