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Experiência piloto sobre uma proposta de Miguel Poiares Maduro

por henrique pereira dos santos, em 30.07.19

Um destes dias, Miguel Poiares Maduro defendia a ideia de que os jornais deveriam ter editores para os textos de opinião, isto é, alguém que lendo um texto de opinião se encarregava de verificar a fundamentação das afirmações factuais.

Acho a ideia boa, mas tem o problema de deitar para o lixo grande parte dos textos de opinião, deixando os jornais sem opinião para publicar.

Exemplifiquemos com um texto ao acaso: "Pirómanos de fósforo na mão" do especialista em fogos Francisco Louçã.

"pode ser que só dentro de alguns anos uma pista fortuita nos permita conhecer com exatidão como começaram estes incêndios"

Facto: a investigação das causas de fogos é de muito boa qualidade e, em especial para os grandes fogos, é feita quase sistematicamente produzindo resultados em muito pouco tempo.

"num dos meses de julho mais frescos e até chuvosos de que nos lembramos"

Facto: Este mês de Julho até pode ter sido dos mais frescos e chuvosos de que nos lembramos (saberemos isso dentro de dias quando o IPMA fizer essa análise), mas isso não diz nada sobre o facto de alguns dos dias desse mês terem sido muito secos e com vento, as condições em que os fogos se desenvolvem facilmente.

"As populações a denunciarem fogo posto."

Facto: todos os estudos feitos sobre o assunto, quer em Portugal, quer em Espanha (na realidade, noutros países também) demonstram que a percepção do público sobre a origem dos fogos é substancialmente diferente dos resultados da investigaçao objectiva sobre a origem dos fogos, sendo o fogo posto tipicamente muito mais considerado na percepção pública que o que na realidade resulta da investigação objectiva.

"Os eucaliptocratas exigem helicópteros e aviões."

Facto: a menos que por eucaliptocratas se entenda os bombeiros, a protecção civil e as populações que, esses sim, exigem sempre mais helicópteros e aviões, a verdade é que os maiores produtores comerciais de eucalipto, que são a própria indústria, são os únicos que têm uma corporação de bombeiros florestais profissionais, pagas por si próprios, que têm 95% das suas intervenções fora das suas propriedades (não por altruísmo, com certeza, mas porque é a maneira mais eficaz de defenderem o seu património). E o que exigem, sempre, é gestão florestal e combate ao abandono, nunca os ouvi reclamar mais meios de combate.

"A floresta está tão abandonada, tão combustível e tão condenada como sempre esteve"

Facto: tem havido uma evolução, perfeitamente documentada, no sentido de um abandono crescente, ou seja, não é verdade que sempre tenha estado assim, o abandono tem crescido. Este aspecto é ainda ampliado pelos grandes fogos, responsáveis por homogeneizar a vegetação, potenciando os efeitos do abandono na disponilidade, continuidade e homogeneidade dos combustíveis.

"No fundo, todos sabemos que nada se modificará enquanto houver eucaliptos a mais"

Facto: foi recentemente publicado um estudo que avalia de forma abrangente a eventual relação entre a expansão do eucalipto e a evolução dos incêndios, sendo a conclusão diametralmente oposta à que Francisco Louçã escreve no seu artigo: não há relação relevante entre a expansão de eucalipto e a evolução dos fogos em Portugal.

"Como é que autarcas, que sabem que as populações denunciam as ações de quadrilhas de incendiários, não exigem resultados das perícias policiais, investigação cuidada das ignições e ação musculada contra o delito?"

Facto: existem anos de investigação da Policia Judicária e muita informação pública sobre o perfil dos incendiários e sobre o seu papel nos incêndios em Portugal. O que essa investigação demonstra é que não faz o menor sentido pretender que o problema dos fogos está nos incendiários, e que embora exista uma investigação cuidada e uma acção musculada sobre o assunto, a verdade é que isso é marginal para a gestão do problema.

"Como não sou o único a notar que há concelhos que parecem estar marcados para a repetição dos fogos, creio que a resposta é óbvia."

Saltemos por cima do facto do óbvio ser uma coisa muito subjectiva (por exemplo, para mim a única coisa óbvia é a ignorância sobre o assunto de quem escreve um texto como este) e fiquemos pelo facto menos óbvio, mas muitíssimo bem estudado e documentado, de que os dois factores que explicam a frequência e distribuição do fogo em Portugal são a meteorologia (esmagadoramente, penso que com qualquer coisa como 80%) e o tempo decorrido desde o último fogo. Na verdade os concelhos do centro, sem gente nem gestão, ardem menos vezes que os concelhos do distrito do Porto e Braga, o que têm é incêndios muito maiores, quando ocorrem (Mação tinha ardido em 2003 e 2005, voltou a arder em 2017 e 2019, agora irá voltar a arder lá para 2030/ 2035, mais ano menos ano).

Ou seja, embora a ideia de Poiares Maduro seja boa, percebe-se por que razão os jornais não a adoptam: ficavam sem estes comentadores que tanto os entusiasmam (note-se que a questão é geral, usei um exemplo, mas se pegasse em qualquer texto de Miguel Sousa Tavares sobre eucaliptos e o expurgasse das asneiras comprovadas pela investigação sobre o assunto, não havia texto para publicar nessa semana).

E, na verdade, as teorias de conspiração e o pensamento mágico - jornais continuam a publicar horóscopos, que admito que tenha sido a secção a que este texto estava destinado - vendem muito mais que o pensamento racional, de base científica, de maneira geral uma coisa bem menos excitante.

Postais de férias 2

por João Távora, em 30.07.19

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Não há populismo mais descarado do que o daqueles que prometem, já não apenas salvar os portugueses, mas salvar o planeta. A primeira promessa é definitivamente uma completa utopia.

Postais de férias 1

por João Távora, em 30.07.19

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Tive uma ideia: para ganharmos qualquer coisinha de vez em quando mudamos todos para o PS e formamos uma tendência. Talvez assim, o que é que acham?

Tarefas delegam-se, responsabilidades não

por henrique pereira dos santos, em 29.07.19

O caso das golas nem é especialmente chocante nem sequer é o primeiro caso nebuloso à volta dos dinheiros da protecção civil.

Mais que isso, o que tem vindo a ser descrito é apenas o que toda a gente sabe que é a realidade da gestão intermédia na administração pública, em especial na administração que interage com as organizações do bem (segurança social, bombeiros, ONGs e por aí fora) e a administração que administra em permanente estado de emergência e urgência (protecção civil, fundos de apoio de emergência e por aí fora), em que as regras do Estado são preteridas em nome de um bem maior, seja por normas excepcionais, seja pela vulgaríssima prática da administração pública entregar dinheiro a organizações privadas (como bombeiros, ONGs, misericórdias, associações de solidariedade várias, SOS racismo, fundação para as telecomunicações, fundação da prevenção rodoviária, associações de desenvolvimento local, e tutti quanti) para que o gastem nos fins que o Estado pretende, mas sem o incómodo das regras que se aplicam aos gastos públicos.

"Veja lá se conhece mais duas empresas para consultarmos para lhe podermos adjudicar isto" é do mais trivial que se ouve no país inteiro.

E isto tem duas origens centrais: 1) uma lei que é estupidamente restrita nos formalismos, mas mais que deficiente na transparência e avaliação sucessiva; 2) uma cultura instalada de jeitinho que é praticada por responsáveis de todos os partidos, incluindo os que não têm partido nenhum (se dou este exemplo do PC não é porque o PC seja mais ou menos permeável a isto, é porque há muita gente que acredita na superioridade moral do PC nestas matérias, tal como há muita gente que é incapaz de ver a menor sombra de nepotismo no facto da filha de Francisco Louçã ser assessora do grupo parlamentar do BE).

Sócrates não foi o que foi por acaso, Sócrates foi o que foi porque compreendeu muito bem o contexto em que estava e sabia que o método é pegar num presidente de câmara, fazê-lo membro do governo, permitir-lhe que contrate um rapaz lá da terra que resolve problemas em vez de complicar e, se a coisa der para o torto, ainda serve de fusível. Lá mais para a frente se lhe pagará o favor de se manter calado.

Isto só é possível numa sociedade que desconhece que tarefas se delegam, mas as responsabilidades ficam com quem delega.

O PS funciona assim, e está em vias de ganhar as eleições, porque o país se reconhece, quer no rapaz esforçado e trabalhador que vindo de uma pequena vila do fim do mundo se consegue encaixar na corte, quer no cortesão que não esquece os amigos e o apresenta à corte, quer no rei que finge nada ver, nada ouvir e nada saber, "que o tipo pode ser intruja mas é esperto".

Cada voto no PS (e, já agora, em Rui Rio) é uma manifestação de confiança e contentamento nesta forma de ser, de olhar para a coisa pública e para os impostos.

A demisão do adjunto é apenas o resultado de alguma coisa ter corrido mal, ao contrário do habitual e será absolutamente irrelevante para o que vier amanhã.

Um pedido de esclarecimento

por henrique pereira dos santos, em 29.07.19

É mesmo verdade que boa parte dos que embandeiram em arco (e muitos outros cuja omissão é um apoio que se pretende negar na altura propícia) com a possibilidade de Mário Centeno ir para o FMI se entretiveram a zurzir, metódica e audivelmente, o facto de Vítor Gaspar ir para o mesmo FMI?

Eu não acredito que a gente impoluta que escreve no Esquerda.net (apenas um exemplo, claro) ainda não tenha feito um artigo a explicar que Centeno ir para o FMI é uma recompensa pela sua submissão aos interesses do grande capital, reconheço que o facto de eu não encontrar qualquer referência nesse sentido deve ser só incompetência minha na procura que fiz.

O máximo que encontrei foi uma pergunta do senhor que para ter tempo para escrever coisas destas tem uma senhora que ajuda lá em casa (e que se dispôs a ter um lugar decorativo numa organização nada incapaz e agressiva, como o Banco de Portugal): "Então a pergunta que sobra é: por que carga de água é que alguém há-de querer ser o chefe de uma organização tão incapaz e tão agressiva?".

Que fofinhos.

Domingo

por João Távora, em 28.07.19

Leitura do Livro do Génesis 


Naqueles dias, disse o Senhor: «O clamor contra Sodoma e Gomorra é tão forte, o seu pecado é tão grave que Eu vou descer para verificar se o clamor que chegou até Mim corresponde inteiramente às suas obras. Se sim ou não, hei-de sabê-lo». Os homens que tinham vindo à residência de Abraão dirigiram-se então para Sodoma, enquanto o Senhor continuava junto de Abraão. Este aproximou-se e disse: «Irás destruir o justo com o pecador? Talvez haja cinquenta justos na cidade. Matá-los-ás a todos? Não perdoarás a essa cidade, por causa dos cinquenta justos que nela residem? Longe de Ti fazer tal coisa: dar a morte ao justo e ao pecador, de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte! Longe de Ti! O juiz de toda a terra não fará justiça?». O Senhor respondeu-lhe: «Se encontrar em Sodoma cinquenta justos, perdoarei a toda a cidade por causa deles». Abraão insistiu: «Atrevo-me a falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza: talvez para cinquenta justos faltem cinco. Por causa de cinco, destruirás toda a cidade?». O Senhor respondeu: «Não a destruirei se lá encontrar quarenta e cinco justos». Abraão insistiu mais uma vez: «Talvez não se encontrem nela mais de quarenta». O Senhor respondeu: «Não a destruirei em atenção a esses quarenta». Abraão disse ainda: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos». O Senhor respondeu: «Não farei a destruição, se lá encontrar esses trinta». Abraão insistiu novamente: «Atrevo-me ainda a falar ao meu Senhor: talvez não se encontrem lá mais de vinte justos». O Senhor respondeu: «Não destruirei a cidade em atenção a esses vinte». Abraão prosseguiu: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei ainda esta vez: talvez lá não se encontrem senão dez». O Senhor respondeu: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade». 


Palavra do Senhor. 

Do pessimismo...

por João Távora, em 26.07.19

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“A doutrinação é a pedra angular de toda a actividade politica, não só porque ela contém em si a garantia da expansão de princípios, como também porque só mediante ela é possível criar vontades decididas e convicções capazes de dar corpo aos princípios abraçados. É da adesão das inteligências mais do que das inclinações sentimentais, que há-de resultar a profunda transformação em geral desejada e considerada indispensável para a redenção de Portugal”.

Temo que esta coerente formulação de António Jacinto Ferreira, fundador e director do Jornal “O Debate”, o mais relevante órgão de comunicação monárquico que subsistiu com grande tiragem entre 1951 e 1974 quando após a revolução foi extinto pelo MFA, não passe afinal de um “wishful thinking”. Só isso justifica que toda a produção intelectual de uma excepcional geração de grandes pensadores e filósofos políticos do século XX português como Jacinto Ferreira, João Camossa, João Taborda, Francisco Sousa Tavares, Ribeiro Telles, Barrilaro Ruas, Mário Saraiva, António Sardinha, Hipólito Raposo, Pequito Rebelo, Almeida Braga, Alfredo Pimenta, e Alberto Monsaraz entre outros, tenha caído no quase completo esquecimento, e à qual urge fazer justiça num país que a cada dia mais se afunda no mais cínico niilismo sócio-existencial. Cada um por si tiranizado pelo curto prazo.

Alexandra Domingos e o país

por henrique pereira dos santos, em 26.07.19

Este post não é sobre fogos, mas sobre bolhas sociais.

"Na tarde deste Sábado, dia 20, quando soaram as sirenes no centro do país, o Partido Socialista apresentava, em Lisboa, o Programa Eleitoral com o qual se apresentará às eleições de 6 de outubro.

...

Coincidências? Existem. Ainda assim fica a dúvida se por ora falamos de coincidências ou de clara intenção de apagar um momento mediático , de ofuscar e de colocar em causa o Governo de António Costa"

Nao inventei, não aparece no Inimigo Público ou na Imprensa Falsa, é mesmo a sério este texto da presidente da JS de Cascais e penúltima candidata a deputada pelo círculo de Lisboa.

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Vale a pena pensarmos o que andam a fazer os partidos e as respectivas juventudas partidárias quando uma militante, com relevância suficiente para ser presidente da JS de Cascais e candidata a deputada (mesmo no penúltimo lugar da lista), está tão ofuscada com o seu mundinho partidário e social que nem percebe o ridículo de escrever "centro do país" como letra minúscula, como se estivesse a referir ao centro geométrico e não a uma região, no mesmo texto em que escreve "Programa Eleitoral" com letra maíuscula.

Quanto à hipótese do fogo de Vila de Rei e Mação ter sido programado para ofuscar o momento mediático da apresentação do programa eleitoral do partido socialista, não tenho comentários a fazer, parece-me uma hipótese bastante provável e consistente com o que se sabe do comportamento do fogo. Só não percebi bem em que medida prender um incêndiário, num ponto do território distante, horas antes das cinco ignições destinadas a ofuscar a apresentação do programa eleitoral do PS, tem alguma relação com o assunto, mas com certeza sou eu que sou muito ingénuo e incapaz de ver que "isto anda tudo ligado".

As pessoas livres são difíceis de controlar

por João Távora, em 25.07.19

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A razão porque a oligarquia ambiciona organismos intermédios frágeis e hostiliza comunidades naturais livres e robustas (a família por exemplo) é por medo de perder o controlo da agenda política que lhe convém. 

"Só o Estado construído sobre as comunidades naturais e sobre a radiação que elas difundem vê o seu poder referido à justa medida. Pelo contrário, todo o Estado sem sociedades é axiomamaticamente um Estado coercivo, policial, a armado de um arsenal de leis e regulamentos encarregados de dar sentido às condutas imprevisíveis do indivíduos. A sua tendência para o totalitarismo é directamente proporcional ao desaparecimento das comunidades naturais, à ruína dos costumes, ao desastre da educação."

Jacinto Ferreira - In Poder Local e Corpos Intermédios - 1983

A destruição de valor como política de Estado

por henrique pereira dos santos, em 25.07.19

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Este mapa, produzido por Pedro Venâncio, representa o fogo destes dias em Vila de Rei e Mação, com os graus de destruição identificados por satélite, representando o encarnado mais escuro maior destruição e os amarelos menor destruição. A cor de laranja desmaiado estão perímetros de fogos de 2017.

O que o mapa mostra é o que todos os que sabem do assunto tinham antecipado: quando o fogo deste ano batesse na área ardida há dois anos, seria muito pouco provável que não fosse parado. Mas mostra ainda que na zona de contacto, o grau de destruição reduz-se imediatamente quando fogo entra em área ardida há dois anos.

À escala da paisagem, esta é a demonstração empírica do que dezenas de estudos, a teoria e experiências concretas têm referido: a redução da disponibilidade de combustível é o instrumento mais eficaz de controlo de grandes incêndios e uma das formas mais eficazes para fazer essa redução de combustível é o uso do fogo prescrito ou controlado, como lhe queiram chamar, embora fogo selvagem (gosto desta tradução imprecisa de wild fires) tenha também o mesmo efeito, só que com efeitos secundários negativos que me dispenso de descrever.

Sendo isto absolutamente consensual entre quem estuda o assunto (que não inclui, por exemplo, o presidente da QUERCUS, João Branco, que acha que "até as áreas ardidas em 2017 já estão em risco de novo, porque os eucaliptos já cresceram") seria normal que a política de gestão do fogo em Portugal tivesse duas preocupações centrais: 1) redução da carga de combustível à escala da paisagem; 2) adopção das formas mais sustentáveis, incluindo do ponto de vista económico, para conseguir essa redução.

Ora, nada disto se passa.

O Governo e os seus parceiros entretiveram-se a fazer a maior reforma florestal desde D. Dinis (que não consta que tenha feito nenhuma reforma florestal, portanto esta formulação era apenas modéstia, na verdade era a maior reforma florestal desde a última glaciação, pelo menos) que, espremida, espremida, se traduzia em perseguir a produção de eucalipto, baseado nas informações de grandes especialistas na matéria que descobriram que a falta de eucalipto na Alemanha não se devia ao mesmo tipo de razões pelas quais não se produzem bananas no Ártico, mas sim, por serem árvores muito perigosas (não estou a inventar, o argumento foi publicamente expresso quer por Francisco Louçã, quer pelo seu genro, João Camargo, dois dos especialistas em gestão florestal com que o Bloco de Esquerda tem contado para formular as suas propostas políticas na matéria, a verdadeira base da tal reforma).

Mas como uma boa reforma não se faz partindo do zero, o Governo aprofundou a opção que António Costa, então Ministro da Administração Interna, forçou em 2005: na sequência dos grandes fogos de 2003 e 2005 estavam em cima da mesa dois caminhos para lidar com o problema: 1) compreender e aprofundar a gestão do território que está na base da actual disponibilidade e continuidade de combustíveis, financiando os proprietários e gestores através do Fundo Florestal Permanente, expandindo o uso do fogo, etc.; 2) ceder à pressão dos bombeiros e dos sectores ligados ao combate para se aprofundar o que já vinha de trás, despejando dinheiro e recursos no combate aos fogos, perseguindo os proprietários por não gerirem deficitariamente os seus terrenos e criando uma complicado meandro burocrático que atirasse para as pessoas e a economia a responsabilidade de criar descontinuidades de combustíveis, de modo a que o Estado se ilibasse da responsabilidade financeira de garantir a segurança de pessoas e bens (uma matéria a que o Estado evidentemente é estranho, como todos sabemos) e se ilibassem os decisores políticos (deste e dos anteriores governos) da responsabilidade política de executar políticas sensatas de redução da disponibilidade e continuidade de combustíveis.

António Costa, ele mesmo, forçou a decisão do governo na altura, impondo uma derrota histórica ao seu colega da Agricultura, e condicionando tudo o que depois foi feito neste domínio, quaisquer que fossem os governos.

O resultado é o que conhecemos, continuando a haver uma forte corrente ideológica que defende que existe responsabilidade de gestão dos proprietários, mesmo quando não são responsáveis pelo crescimento da vegetação ou pelas condições meteorológicas, e a gestão seja deficitária.

Em termos práticos, há umas miríficas faixas de gestão de combustível primárias e secundárias em que o Estado impõem condicionantes que reduzem o seu potencial produtivo, diminuindo a receita (fazer plantações de pinheiros e eucaliptos em que as copas estejam dez metros afastadas entre si é uma estupidez de tal dimensão que até hoje não consegui perceber quem escreveu isso na lei, a única coisa que sei é que de todas as pessoas que conheço, e são muitas, com um mínimo de responsabilidade na matéria e que poderiam estar ligadas à redacção desse artigo, rapidamente me explicam que elas não tiveram qualquer influência nessa parvoíce), impõem obrigações que aumentam o custo de gestão sem qualquer utilidade prática e temos a REN, a EDP, as Infraestruturas de Portugal, as Forças Armadas, as autarquias, muitas outras empresas, fora os particulares, a gastar milhões de euros inutilmente, apenas porque os governos querem passar entre os pingos da chuva e poupar uns trocados que lhes são úteis para a compra de votos.

E não se pense que vale a pena argumentar que a REN ou a EDP têm muito dinheiro e portanto não há problema nenhum em gastar um bocado para que todos vivamos melhor: o que fazem não serve para nada do ponto de vista da gestão do fogo (se quisesse ser um bocadinho mais rigoroso e politicamente correcto diria que serve para muito pouco) e os custos são directamente transferidos para os clientes, é a economia e as pessoas que pagam este gasto inútil de recursos, não são as empresas directamente envolvidas.

Um exemplo prático: este ano uma associação de que sou temporariamente presidente fez um fogo controlado numa parcela de uma área que tem sob sua gestão. Qual era o maior risco desse fogo controlado? A faixa secundária de gestão de combustíveis em que o ICNF tinha gasto uns milhares de euros a cortar um giestal alto que ficou todo no mesmo sítio, potenciando enormemente o risco de incêndio ao criar uma faixa de combustíveis finos mortos e secos ao longo de todo o caminho.

Não, os milhares de euros gastos não foram só inúteis, eles aumentaram enormemente o risco.

Situações destas são aos milhares pelo país fora, e são ainda mais os milhões gastos recorrentemente debaixo de linhas eléctricas e ao longo de estradas que, mesmo não potenciando o risco de fogo, são estritamente dinheiro deitado à rua.

Alguém consegue ver as linhas eléctricas e as estradas neste mapa, alguém identifica essas linhas, secundárias ou primárias, usando o grau de destruição?

Por mim, estou realmente farto da conversa dos eucaliptos, dos incendiários, dos meios aéreos, do negócio do fogo, da responsabilidade dos proprietários, da dimensão da propriedade, do abandono do interior e toda essa conversa de treta em que se sustenta o apoio da sociedade a estas políticas de destruição de valor como instrumento para resolver um problema de competitividade na gestão do território.

Não, António Costa (e todos os outros, mas este tem uma responsabilidade histórica bem identificada, a das opções que forçou em 2005) não é responsável pelo fogo de Vila de Rei e Mação, nem pelo de Pedrógão, nem pelo de Vouzela, nem por qualquer outro individualmente.

Mas sim, é responsável sim (ele e todos os outros anteriores) pela adopção de políticas sem qualquer fundamento técnico, ruinosas e contraproducentes em matéria de gestão do fogo, usando a falácia da responsabilidade dos proprietários como escudo de defesa política.

Literalmente, ide pastar ou arder nas chamas do inferno, também somos nós, cada um de nós, que somos responsáveis pelo que se passa e passará e pesam-me na consciência os mortos futuros que resultam do tempo que perdemos a tentar demonstrar a responsabilidade dos proprietário e gestores pelo facto das plantas fazerem fotossíntese e da sua obrigação em estoirar recursos que nos fazem falta, só para mascarar a responsabilidade dos governos na adopção de políticas estúpidas e destruidoras de valor.

O alinhamento dos lacaios

por José Mendonça da Cruz, em 24.07.19

O alinhamento das notícias faz maravilhas. Fogos trágicos em Portugal, fruto de incúria e más políticas, que, no entanto, distribuem vastos lucros? 

Segundo a Tvi, não. O que o jornal das 20 noticia é o seguinte:

1. Primeiro, Judite, naquele ciciar característico que tão bem imita o das dentaduras defeituosas, explica que os fogos «supreenderam» (como só aos burros) as populações em «locais de difícil acesso».

3. Depois, o telejornal recorda que o ministro Eduardo Cabrita responsabiliza os autarcas.

4. Seguidamente, é convocado Jorge Coelho que, por ser da Beirayalta e «ir muito ao interior» explica que tudo isto é natural.

5. A rematar, a tvi ostenta um fogo na Grécia (acontecido há um ano, mas a aproveitar enquanto sobra um país mais mal gerido), adornado com um daqueles textos que os jornalistas medíocres têm na conta de elegante e poético: «Quando o novo dia trouxe a luz apenas deixou ver a dor e o silêncio da tragédia. Mati acordou para uma dor nunca vista ou sentida», etc.

De forma que ficamos a saber : a cada vez que surja um problema que castigue os portugueses e comprometa o governo, a tvi já decidiu de que lado fica, com os socialistas, contra os contribuintes.

Bestas quadradas

por henrique pereira dos santos, em 24.07.19

O título deste post é o título da crónica de ontem de Miguel Esteves Cardoso.

"É um choque descobrir que um acto humano de bondade básica - dar de comer a animais na rua - é proibido. ... O PAN decidiu tentar acabar com esta proibição não só porque é imoral e cruel e desumana, mas porque não faz sentido o esforço enorme que tem sido feito para esterilizar gatos de rua que assim podem continuar a viver em colónias".

Confesso que, para mim, é um choque ver pessoas cultas, informadas e cosmopolitas ignorarem o acto humano de humanidade básica que consiste em proteger os mais frágeis de doenças transmitidas e das agressões físicas provocadas pelas colónias de gatos, dos bandos de pombos, das nuvens de gaivotas, das matilhas de cães, para além de recusarem a protecção mínima que um bom coração humano dispensa aos pássaros e as lagartixas e as borboletas condenadas a ser estraçalhadas por garras dos gatos.

Quem se quiser documentar, pode ir à Caparica visitar as milhares de gaivotas que esperam pelos restos dos pescadores, ou o bando de gatos de tornou a entrada da Mata da Machada num deserto faunístico, ou à Fonte da Telha visitar a matilha de vinte ou trinta cães selvagens a que a Câmara de Almada não consegue dar destino porque tem os canis cheios da bondade que proíbe o seu abate, uma espécie de bomba relógio à espera de um ataque mais severo da matilha a quem por ali passe.

Ou pode informar-se em estrangeiro, se preferir: "They estimate that cats in the UK catch up to 275 million prey items a year, of which 27 million are birds" (Ler mais aqui)

E ignorarem a básica bondade humana que consiste em proporcionar aos filhos espaços públicos de qualidade e não esterqueiras que alimentam ratos.

E ignorarem a bondade humana básica que consiste em apreciar o desenvolvimento de sistemas naturais equilibrados, incluindo lagos com vegetações marginais diversas com espécies diferentes explorando nichos ecológicos diferentes, em vez de construir um mundo desertificado pelo excesso de patos mudos alimentados pelo milho trazido pelos bondosos que têm imensa bondade pelos patos que alimentam, e zero de empatia pelo mundo que nos rodeia.

Nesta história talvez devamos ter um longa conversa sobre quem são de facto as vítimas da bondade sem razão e conhecimento, e depois fazer o balanço de perdas e ganhos da alimentação de animais vadios.

Dois Mundos

por José Mendonça da Cruz, em 24.07.19

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Quem tenha algum interesse por ciclismo ao mais alto nível e por turismo de qualidade, e disponha da funcionalidade de «Idiomas» no serviço da NOS, pode entreter-se, uma dessas tardes, com uma comparação engraçada entre o comentário português e o comentário inglês do Tour de France 2019.

De um lado, o português, terá boa disposição, apostas e piadas entre os comentadores, episódios e historiais de voltas e atletas passados, e informação puramente desportiva. Do outro lado, terá informação desportiva propriamente dita, mas também informação turística, geográfica, histórica, ecoómica e gastronómica sobre os pontos que a Volta vai passando (pois, por alguma boa razão, a transmissão francesa identifica os lugares, as regiões e os monumentos).

São, de facto, dois mundos.

A democracia e os fascistas

por José Mendonça da Cruz, em 23.07.19

A redacção da TVi conseguiu inserir na notícia do jornal das 20 horas sobre a eleição de Boris Johnson, a propósito do novo primeiro-ministro inglês, os epítetos «racista», «xenófobo», «machista» e «homofóbico». Na véspera, num raciocínio tão articulado quanto hoje lhe é possível, Miguel Sousa Tavares disse em directo de Lagos que hoje em dia o que é mau é eleito, logo Boris Johnson seria eleito. Estes travestis de jornalistas e comentadores - ignorantes, boçais e preconceituosos - estão hoje à altura do melhor que se faria num jornal oficial do Burkina Faso ou da antiga Albânia. Parabéns. 

Rabos de saia

por João Távora, em 23.07.19

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Feministas de todo o mundo, tende cuidado com o que desejam, a liquidificação do “género” igualitário pode mesmo realizar-se. Afinal os homens a usar saia e perfumes doces, peritos na roupa da moda, a arranjar as unhas, corpo deplilado e muito amiguinhos das mulheres é uma "construção cultural" que ameaça fazer caminho, na medida inversas em que a virilidade é amesquinhada e confundida com a grosseria. Excitante não é? Reprimidos dos seus impulsos amorosos os homens do futuro prescindirão de seduzir a própria mulher, não mais usarão Old Spice ou irão com os amigos ao futebol, obstados de falar grosso e beber umas imperiais numa tasca barulhenta. Rapazes, queredes mesmo viver afroixados num mundo comedido e harmonioso como uma música de Richard Clayderman ou um cabeleireiro de senhoras, em que o 007 será uma miúda assexuada e pacifista?
Não liguem, isto é tudo fruto da minha delirante imaginação, estava a brincar!

Fotografia daqui

Eles andem aí...

por João Távora, em 23.07.19

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Eduardo Pitta, afamado (?) "poeta" e ”ensaísta" socialista, como o nosso João Afonso Machado também é adepto das teorias da conspiração, e insurge-se com o fogo posto contra o seu governo. De nada serve a evidência estatística de que sem incêndios criminosos a floresta na sua actual configuração e em face ao nosso clima arderá sempre ao fim de uns anos. Também há aqueles que acreditam que a terra é plana e que o homem não foi à lua. Pode ser exasperante discutir com eles.

Está aqui tudo

por João Távora, em 23.07.19

Ou de como perante a ameaça duma maioria constitucional da Esquerda é imperdoável que a direita ande distraída em conspirações internas e exercícios de auto-flagelação a dois meses da campanha eleitoral.

Porque é que o País continua a arder?

por João-Afonso Machado, em 22.07.19

«Porque é que o País continua a arder?» é o título actual de uma reportagem do Observador. E tem uma resposta fácil - continua a arder porque o incendeiam. (Esta moda recente das "ignições" diz tudo, fala do peso do "politicamente correcto".) Que me perdoe o Amigo Henrique Pereira dos Santos (e outros muitos), defensores do miraculoso contrário, mas o facto é doloso. Isto é - voluntário.

Claramente, as circunstâncias costumam beneficiá-lo. Mas ficar só pela negligência é não querer ver as chamas. Portugal arde porque há quem o queira ver assim - a arder.

Os motivos serão muitos. No limite da isenção política, aí vai a hipótese de um Costa a cheitar a esturro, inepto, em vésperas de eleições...

Como quer que seja, a situação transporta décadas consigo. Do que resulta o mais enigmático "porquê?" da nossa história contemporânea: assim o calor se instale e os ventos soprem de feição - Portugal arde. Vidrinhos como lentes?

Encurtando razões, o caminho é da frente para trás, até se perceber quem são os beneficiários da calamidade. E esta indiciação ainda ninguém a deu.

Entretanto a lei escrita, verifica-se, não resolve o problema e só o ataca do ponto de vista preventivo. Defensivo, diria. Burocrático, nitidamente. Querendo ignorar, a prevenção a sério exige um sistema humano de vigilância capaz. O tal que o Estado não tem dinheiro para pagar. Já nada mais resta pedir senão justiça para as vítimas (a qual o Estado é incapaz de fazer).

Um 2017 socialista veio demonstrar isso mesmo - os imbróglios que ocorrem praticar por essa malta famigerada.

Ao que se diz, vem aí um Agosto e um Setembro quentes. The show must go on. As eleições são já a 6 de Outubro...

Incendiários e condutores de automóveis

por henrique pereira dos santos, em 22.07.19

Ontem acabei a jantar tardíssimo (como eu gosto de sandwiches de carne estufada, com manteiga, por mim substituía todas as sandwíches de carne assada por carne estufada, desde que a carne passe pelo menos cinco hora em lume brando, e o copo de vinho branco depois soube-me pela vida) porque depois de me ter comprometido a ir a uma das televisões, pediram-me para ir a outra e entre os dois programas (à hora de jantar) tinha de atravessar Lisboa de lés a lés.

O assunto era fogos. Eu bem explico que do que sei alguma coisa e gosto de falar é de paisagem, e lá vou contrabadeando ideias sobre a paisagem no meio dos fogos, mas fogos é que é o assunto.

No primeiro sítio onde estive, pressionado pelo tempo para me ir embora (tinha sido a outra televisão a falar comigo primeiro, portanto não queria chegar atrasado por causa da concorrência) e ao fim de meia hora em estúdio a ouvir falar de incênciários e afins, já se devia ver o fumo a sair das orelhas, tal era a minha irritação, quer com a insistência no tema, quer com a trafulhice política do ministro da administração interna usar a percepção pública errada para fugir às suas responsabilidades.

Depois dos dois programas, fui vendo aqui e ali comentários e, inevitavelmente, aparece o argumento sistemático, usado como sendo definitivo: sem ignições não há incêndios, portanto a questão está nas ignições.

Meus amigos, não vou maçar-vos a repetir que ignições há sempre, que se eliminarmos todas as ignições de origem humana apenas estamos a criar fogos mais violentos e extensos quando houver uma ignição natural, que 1% das ignições dão origem a qualquer coisa como 90% da área ardida, que a geografia das ignições não coincide com a geografia dos grandes incêndios (o maior número de ignições ocorre onde há mais gente, os problemas com os maiores incêndios estão nas zonas onde há menos gente), que 80% das ignições ocorrem num raio de dois quilómetros das aldeias, onde os fogos são mais fácil e rapidamente dominados, que nos últimos anos reduzimos as ignições em um terço, ou seja, dimuímos as ignições em mais de 30%, e que isso não teve qualquer reflexo na área ardida, e outros argumentos factuais e racionais porque sei que o argumento: "não havendo ignições, não há fogos" não é do domínio da racionalidade mas do domínio da fé.

Por isso, num último esforço, venho apenas falar-vos de uma analogia.

Todos temos a ideia de que sinistralidade rodoviária é um problema sério no país. E também sabemos que é hoje um problema de muito menor dimensão do que já foi.

Pois bem, se não houver condutores de automóveis, não há sinistralidade rodoviária, mas o facto é que a sinistralidade rodoviária diminuiu, ao mesmo tempo que aumentou o número de condutores rodoviários. E nunca ouvi ninguém defender que para resolver a sinistralidade rodoviária a questão chave é acabar com os condutores porque sem condutores não há acidentes rodoviários.

Era só isto.

Fogos cheios de virtude

por José Mendonça da Cruz, em 21.07.19

Os pobres broncos que se preocupam com a possibilidade de  casas e propriedades arderem nos fogos que «lavram», deviam ouvir a Sic e a Tvi. Está tudo a correr muito bem. O Governo tomou medidas fantásticas, o Siresp funcionará, embora ainda não tenha começado a funcionar, há «meios aéreos» (aeronaves) à farta e a trabalhar até à noite, há um secretário de Estado qualquer atento, e a Protecção Civil está cheia de socialistas para servir. Aliás, se houver problema, como Sic e Tvi desde já insistem e explicam, então é porque foi o vento, foi mão criminosa, foram os privados que não cumpriram na limpeza, foi a topografia, foi o calor, foi a vida.


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