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Por falar em lata

por João Távora, em 16.05.19

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Parece que a Nação encontrou finalmente em Joe Berardo um bode expiatório que personifica todo o descaramento e impunidade (a celebrada ética republicana) que o regime vem acalentando e que estamos condenados a pagar com juros por várias gerações. Talvez isso fosse realmente instrutivo se a indignação levasse a uma profunda revisão por quem de direito dos critérios de atribuição de comendas e demais lataria que outros impostores exibem ao peito. Bonito, bonito, era que a gente honrada na posse de tais nobilitações (que as há), num assomo de pudor e exigência estética as devolvessem à procedência, como parece que vai fazer o advogado José Miguel Júdice – ou não?

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Quinze de Maio

por João Távora, em 15.05.19

Dom duarte.jpg

Feliz coincidência é o Chefe da Casa Real Portuguesa ter nascido a 15 de Maio, data em que veio a ser instituído o Dia Internacional da Família, uma efeméride que ganha importância num tempo de desagregação e decadência deste testado modelo de organização social que os Duques de Bragança tão bem dignificam. Ao Senhor Dom Duarte de Bragança aqui presto a minha homenagem e profunda gratidão pela incansável dedicação a Portugal e aos portugueses ao longo de toda sua vida. Muitos parabéns e longa vida, são os meus sinceros votos.

 

Foto daqui

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Quando é que atravessamos a rua?

por João Távora, em 14.05.19

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Sinceramente estou convencido de que políticamente combater a propaganda homossexual é tempo e energias perdidas, só serve à vitimização dos visados. Sou do tempo em que foi necessário enfrentar o preconceito e promover a tolerância na sociedade portuguesa. No final dos anos 70 com o entusiasmo natural da juventude ajudei a organizar no CNC de Helena Vaz da Silva umas jornadas sobre o tema, com exposições e conferências - orgulho-me disso. Acontece que o tema chegou estafado e redundante à actualidade - como se tivéssemos todos de levar escrito na testa o que gostamos (ou não) de fazer na cama. 

A minha esperança é que o assunto saia do topo da agenda por desgaste e cansaço das pessoas, e se ajuste à real importância que possui numa democracia liberal. As pessoas têm direito a viver as suas vidas como entendem e em paz, e eu espero que a prioridade (a moda) passe a ser a família natural e a consequente demografia... A atomização social e o Inverno demográfico são fenómenos complexos com consequências catastróficas e têm de olhados de frente. Antes que seja tarde.

 

Fotografia daqui

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Do milenarismo

por henrique pereira dos santos, em 13.05.19

Ontem reagi a esta afirmação de um amigo meu "Não há Planeta que aguente a dimensão e a rapidez destas transformações" dizendo que "há 50-60 anos que o movimento ambientalista promete o apocalipse para amanhã.
No dia em que for a sério já ninguém ligará nenhuma".

Daqui resultou uma troca de argumentos que, dispensando o folclore, se resume ao facto de para mim ser um enorme erro trocar as pessoas pelo planeta na afirmação inicial, ao deslocar o foco do que está em causa nas questões ambientais.

Pelo meio apareceu o sectário habitual nestas coisas que em vez de tentar compreender os argumentos dos outros, imediatamente tenta encaixar as opiniões divergentes numa caixinha ideológica extremista para poder sair da argumentação difícil e racional e passar directamente ao julgamento moral.

No caso concreto, tentaram logo encostar-me aos negacionistas climáticos quando eu não tenho nada, mas rigorosamente nada, que me ligue aos negacionistas das alterações climáticas ou das relações entre a nossa actividade e essas alterações.

Como em muitos outros assuntos, não tenho bagagem de conhecimento e cultura que me permita ter opiniões próprias sobre tudo que o que envolve alterações climáticas, falta-me conhecimento de física para perceber integralmente os artigos que se publicam, falta-me conhecimento de clima para interpretar as implicações do que leio, falta-me conhecimento de economia e sociedade para avaliar todas as implicações de um assunto extraordinariamente complexo e, por último, falta-me a assitência do divino espírito santo que permite que crianças de dezasseis anos compreendam o que eu não compreendo ao ponto da Assembleia da República preferir ouvi-las em vez de ouvir os chatos e velhos que andam há trinta ou quarenta anos a tentar compreender o problema e todas as suas implicações.

Ou seja, neste assunto, como em muitos outros, eu dependo inteiramente do instável consenso sobre o que se sabe e não sabe sobre a matéria, portanto em caso algum poderia estar do lado dos que negam o que a esmagadora maioria dos que estudam o assunto conseguem produzir como consenso provisório e instável.

Acresce que nisto estou inteiramente de acordo com o que o Miguel Araújo diz neste artigo, já com dez anos: "há que ser responsável na gestão das incertezas e assegurar que as decisões adoptadas sejam as que minimizem o risco de cometer erros graves. Ora as medidas de mitigação que se propõem são, na grande maioria dos casos, de tipo “win-win”. Ou seja, são políticas que são positivas quer haja alterações climáticas ou não e o custo social que advém de lhes conferir prioridade é bastante inferior ao custo social de não as implementar num cenário provável de alterações climáticas".

Mais que isto, comer 100 gramas de carne diariamente, ou expandir a produção de carne à custa das matas tropicais, ou ser ineficiente no uso de energias fósseis são más opções sociais, independentemente da questão das alterações climáticas, isto é, procurar uma gestão eficiente dos recursos é bom em si mesmo, independentemente de isso contribuir ou não para mitigar as consequências sociais das alterações climáticas previstas.

Daí a minha hipersensibilidade aos discursos milenaristas ao apocalipse amanhã: o que está em causa são opções sociais, a terra, a natureza, o planeta estão-se bem nas tintas para nós, a conservação da biodiversidade é um problema humano, não é um problema para as espécies que se extiguem.

Ora ao lado dos riscos associados às alterações climáticas, ou extinção em massa de espécies, temos de pôr o facto de que a pressão da actividade humana sobre os recursos naturais resultar da satisfação de necessidades das sociedades humanas, cujos resultados, actualmente, se traduzem no período histórico em que menos gente (proporcionalmente) passa menos fome, mais gente se libertou da miséria, de centenas de doenças, umas fatais outras incapacitantes, mais gente consegue manter a qualidade de vida controlando os efeitos negativos das doenças e por aí fora.

O problema seria simples, como acharia, por exemplo, uma criança de dezasseis anos que se pronunciasse sobre o assunto, se de um lado estivessem os maus e gananciosos e do outro as vítimas (incluindo essa categoria com alto poder totalitário e manipulador que é a da vítima futura e da vítima sem voz), mas acontece que, infelizmente, não é assim, de um lado e do outro estão pessoas que passam fome, que vivem miseravelmente, que não têm maneira de se defender da hostilidade do mundo, incluindo a hostilidade dos seus semelhantes mais fortes e poderosos.

Reduzir a utilização de agroquímicos é, em si, bom, mas não porque as coisas naturais sejam melhores que os produtos tecnológicos - não há coisa mais natural que a morte e a doença, Sócrates, o legítimo, morreu a beber uma cicuta 100% natural sem corantes nem conservantes - mas porque desconhecemos todas as implicações da manipulação dos processos naturais.

Mas só é bom até ao ponto em que as alternativas possam tornar os produtos alimentares tão mais caros que seja reduzido o acesso dos pobres a uma alimentação minimanente satisfatória e esta limitação não pode ser esquecida na discussão.

Argumentações apocalípticas sobre o que a Terra sofre ou não sofre, sobre encharcar a Natureza de venenos, e outros que tais só servem para criar ainda mais confusão em assuntos muito complicados, confusão essa que habitualmente serve alguns confusionistas sem escrúpulos que usam este tipo de argumentos para justificar moralmente o seu verdadeiro desprezo pelas pessoas concretas que, ao seu lado, sofrem e morrem por não ter recursos para uma vida digna.

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Domingo

por João Távora, em 12.05.19

Leitura dos Actos dos Apóstolos 


Naqueles dias, Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo. 


Palavra do Senhor. 

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Decerto todos já repararam, há momentos em que António Costa não consegue disfarçar a sua atrapalhação. É quando tropeça nas palavras, engasga as frases, engana-se nos enunciados, descobre uma expressão verdadeiramente aflita do aluno que sente a sebenta decorada fugir-lhe debaixo dos pés. Isto acontece em algumas entrevistas com jornalistas mais afoitos e, sobretudo, em debates televisivos.

(Foi assim com Passos Coelho, a quem a generalidade dos comentadores atribuiu a "vitória" no último confronto com Costa nas eleições de 2015. E Passos embandeirou em arco, esquecido de que é apenas um homenzinho de Massamá, e Costa, sempre, um lord de Sintra.)

Mas, de um modo geral, o 1º Ministro criador e comercializador da Geringonça passeia ante todos nós o seu diletantismo e falta de escrúpulos. Estes e a coerência são conceitos de que Costa conhece apenas a película utilitária, se for a oportunidade de os lançar à cara dos adversários.

No mais, o sorriso matreiro (e descarado) de sempre, o andar gingão e descontraído próprio daqueles a quem a vida corre bem.

E, de vez em quando, um susto. Real ou simulado. Como com o recente episódio dos professores. Na base de tudo estará (segundo, por exemplo, o credibilíssimo José Eduardo Martins) a sua vontade em enxotar o PC e o BE da órbita dos seus amigos parlamentares. Não é isso que está agora em causa. Antes o célebre Conselho de Ministros do dia seguinte. Apenas com o «núcleo duro» do Governo (há, portanto, um núcleo "mole", descartável, a que se limpará o rabo e se deitará fora); e com D. Ana Catarina Mendes que - Costa tem alma para o afirmar... - ali estaria, sendo sábado, para ajudar nuns cafézinhos.

(Ou teremos outras surpresas na agência governamental de matrimónios? Será o discreto Ministro da Educação o escolhido? Ou o Capitão Hadock e a Castafiore?)

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A lição espanhola

por Pedro Picoito, em 10.05.19

Um dos motivos pelos quais continuo a comprar o Público, apesar de todas as irritações, é a qualidade dos seus artigos de opinião. A crónica de Nuno Garoupa na edição de hoje ("A lição espanhola") é um bom exemplo. Garoupa analisa as recentes eleições espanholas e a reconfiguração do sistema partidário, com a passagem de dois grandes partidos a cinco partidos médios, e pergunta-se, como tanta gente, porque é que em Portugal não se está a passar algo semelhante, uma vez que a impopularidade do regime, traduzida na abstenção, é a mesma. E conclui que os partidos tradicionais gozam de "um contexto bem mais favorável em Portugal": acesso privilegiado à comunicação social, legislação que dificulta o aparecimento de novos partidos, maior finaciamento público, maior centralização da vida pública em Lisboa, sociedade envelhecida, ausência de uma crise territorial e um Estado central muito mais influente.

Concordo com tudo. De resto, não acredito em qualquer demonstração da nossa excepcionalidade que invoque os famigerados "brandos costumes" e a longa noite do fascismo. Só há quatro aspectos que se poderiam acrescentar, um referido de passagem, os outros ignorados. O primeiro é a corrupção. Garoupa diz que não é assim tão diferente nos dois países, mas por cá, apesar de Sócrates e dos Quarenta Ladrões, não sofremos um assalto generalizado ao dinheiro dos contribuintes como em Espanha, sobretudo por parte do PP (que está a pagar agora com língua de palmo: não basta invocar a unidade da pátria e o papão da extrema-esquerda para convencer o eleitorado conservador - também dá jeito ter mínimos éticos). O segundo é o clima de antifranquismo artificial criado pela "Lei da Memória Histórica", que só serviu para polarizar uma sociedade nunca esquecida da Guerra Civil, despertar o revanchismo da direita e catapultar o Vox. O terceiro é o próprio surgimento do Vox, que, em sentido contrário, mobilizou o eleitorado de esquerda em torno do PSOE contra a ameaça da extrema-direita. E o quarto, talvez o mais importante, é que não há em Portugal qualquer problema de imigração, e muito menos de imigração muçulmana, ao contrário do que se passa em toda a Europa (e esta, parece-me, constitui mesmo a principal razão da nossa excepcionalidade).

Mas, enfim, isto sou eu a falar com Vossas Mercês. Leiam o Garoupa, que vale a pena.

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Outra vez a praga dos argentários socialistas

por João-Afonso Machado, em 09.05.19

DALTON.JPG

É notícia nos jornais, as câmaras municipais voltaram ao angustiante atraso no pagamento dos seus fornecedores. Porquê? - É improvável por caloteirismo dos autarcas...

Fique o registo deste retrocesso, seja ele julgado pelos portugueses.

É notícia, também, o elevdo risco de pobreza das regiões Norte e Centro. Mas a Grande Lisboa vive melhor (com um rendimento superior à média nacional em 1600 euros). Sobre este tema, para não variar, o Governo mastiga os números e vomita mentiras.

É notícia, por fim, os impostos e contribuições sociais cresceram 5,9% em 2018, com reflexos (contas feitas a final) numa subida de 0,8% no PIB. Di-lo o Banco de Portugal.

O aumento da carga fiscal, obviamente, é a contrapartida das migalhas que Centeno - no maior alarido - distribuiu por uns tantos, a maior parte dos quais as gasta agora em gasolina e outras habilidades tributárias similares.

Estamos como estivemos com Sócrates. Na burla, na hipocrisia e no bom caminho da miséria socialista. Do socialismo da alta sociedade.

Quem vê caras, vê corações...

 

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Great again

por Pedro Picoito, em 07.05.19

Resultados da política externa de Trump: o Irão retomou o seu programa nuclear, depois de os EUA terem abandonado o acordo de contenção assinado entre Obama, a China, a União Europeia e o regime iraniano; Sergei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros russo, anunciou ao mundo que niguém (leia-se: Trump) intervirá militarmente na Venezuela e que a Rússia irá mesmo aumentar a sua presença no país.

"Make America great again"? Defina "greatness"...

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A norma travão

por henrique pereira dos santos, em 05.05.19

António Costa já tinha ensaiado a dramatização com a lei de bases da saúde, mas foi com os professores que achou que estavam reunidas as condições certas para levar à cena a peça que vinha a ensaiar há já bastante tempo.

Ao contrário do que seria a minha ideia, se alguém me tivesse perguntado, Rui Rio é capaz de, apesar da imprensa, ter estragado o espectáculo.

Se os partidos são coerentes, se recuam ou não, se os tapetes são tirados aos deputados, a isso os eleitores ligam muito pouco, parece-me (ainda estou para encontrar um eleitor que acredite na letra do que lhe é dito em publicidade, comunicação ou política).

Mas Rui Rio trouxe para o ponto focal da cena a "norma travão", isto é, arrumou a questão da contagem de serviço dizendo que já toda a gente votou a favor disso, e concentrou as atenções de toda a gente (incluindo dos jornalistas que parecem ter andado distraídos nesta matéria, se as coisas forem como Rui Rio as apresentou) na votação da norma travão que terá sido proposta e que o PS terá chumbado.

No dia da votação do diploma, esta norma vai ser de novo votada e vai ser impossível passar por essa votação como cão por vinha vindimada: o PS vai mesmo ter de, explicitamente, aprovar ou chumbar a norma travão.

Ao concentrar todas as atenções neste ponto, Rui Rio parece ter resolvido a questão, do ponto de vista de percepção pública.

A seu tempo se verá. 

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Domingo

por João Távora, em 05.05.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 


Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me». 


Palavra da salvação. 

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Se bem entendo...

por henrique pereira dos santos, em 04.05.19

... parece não haver dúvidas nenhumas de que amarrar o PS, nas próximas campanhas eleitorais, à ideia de que não há alternativa à austeridade, é um golpe de génio político de António Costa.

Amarrar o PS, todo o PS, ao discurso de Passos Coelho para os próximos meses é realmente o que é mais mobilizador para o eleitorado que, ao que parece, é todo muito sensível ao discurso das contas certas e da responsabilidade orçamental, como os últimos anos em Portugal têm demonstrado.

Eu estou como o Luis Aguiar-Conraria dizia ontem no 360 da RTP3: dar uma borla fiscal de 400 milhões aos restaurantes, ou resolver o problema dos 600 milhões da segurança social, ou os não sei quantos milhões dos professores, é uma questão de opção política, e a opção de António Costa, para os próximos meses, ficou amarrada à ideia de que não se pode pagar aos professores porque gastámos com os restaurantes, ou seja, a mim parece-me que há algum risco do eleitorado estranhar esta opção.

Mas se quase toda a gente me garante que António Costa empenhar todos os trunfos no discurso da falta de alternativa e da persistência da austeridade é de génio, quem sou eu para duvidar.

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Quem é que defende os nossos interesses?

por João Távora, em 03.05.19

"Quanto perderam os portugueses que trabalham no sector privado, que têm empresas ou que trabalham por conta própria nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias?" E a nós quem nos devolve o que perdemos? 

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Sou um velho reaccionário

por henrique pereira dos santos, em 03.05.19

Decididamente sou um velho reaccionário com preocupações que parece que simplesmente já só existem marginalmente em Portugal.

image.jpg

Ainda recentemente a Comissão Europeia, com o seu velho reaccionarismo, ficou muito nervosa porque uma Comissária usou meios da Comissão para uma acção partidária (falou numa sala da Comissão para apoiar Pedro Marques).

Nesta fotografia (que pensei que fosse uma brincadeira qualquer) vê-se a secretária geral de um partido a participar numa reunião do núcleo de coordenação política do Governo.

Para um velho reaccionário como eu, isto é de uma simplicidade extrema: ou este núcleo de coordenação política é um orgão do Estado, e portanto a Secretária-Geral do PS não participa nas suas reuniões, ou é uma estrutura de coordenação partidária, e portanto não reúne em São Bento.

Mas claro, é com certeza rabugice de velho, aparentemente a fotografia não causa grande frisson a quem a divulgou e a reproduziu como se fosse a coisa mais normal do mundo.

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Viver acima das possibilidades

por henrique pereira dos santos, em 03.05.19

A encenação que decorre sobre o tempo dos professores tem tudo para ter o público rendido aos pés dos actores, em especial este último acto fabuloso em que se aprova uma mão cheia de nada que dá origem a uma tempestade criada pelo governo para ver se o focus group diz que se ganha mais provocando infantilmente eleições agora ou aguentando estoicamente a degradação de perspectivas até às eleições previstas.

Tirando esta parte, a única coisa substancial é que, finalmente, o governo de António Costa e o PS resolveram admitir que a situação anterior, que agora não se pode repôr por ser insustentável, é o que tem sido definido como "viver acima das possibilidades".

Se não há recursos para repôr a situação anterior é, evidentemente, porque a situação anterior era insustentável.

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O complexo edipiano do PP

por Pedro Picoito, em 02.05.19

O caso bué farsolas das passadeiras arco-íris propostas pelo PP resume-se a uma coisa muito simples: o eterno complexo de direita do partido. É uma das razões pelas quais, pertencendo à mesma área ideológica, nunca votei "centrista" (ou lá como eles gostam de se definir). Mas estamos em 2019.  Não será tempo de matarem o pai e portarem-se como pessoas crescidas? 

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25 de Abril às vezes

por Pedro Picoito, em 01.05.19

Para os portugueses mais amigos de Maduro do que dos venezeluanos, o 25 de Abril é só para consumo interno. A Venezuela não tem direito à liberdade. Nada que surpreenda: o único problema da extrema-esquerda com as ditaduras é não serem as suas ditaduras. 

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