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O PAÍS TEM O QUE MERECE!

por Vasco Lobo Xavier, em 07.02.19

Vejo na comunicação social que Centeno disse hoje no Parlamento que é falso que tenha havido aumento de impostos, justificando a afirmação com a eliminação da sobretaxa de IRS, a reorganização dos escalões do IRS, a subida do mínimo de existência e a descida da taxa do IVA na restauração. Acrescenta que o enorme aumento de impostos ocorreu em 2013 e que os portugueses pagam agora mais impostos apenas porque ganham mais. Teve ainda o topete de se referir a um “alívio fiscal”. É espantoso!

A primeira constatação que se pode fazer é desde logo que o Ministro é um charlatão, para não dizer aldrabão, que a oposição anda ali aos papéis, pois não oferece contestação a este tipo de disparates, e que a comunicação social continua a limitar-se a ser um papagaio, provavelmente a pensar numa futura contribuição do desgraçado contribuinte. Três em um.

Ora bem. A sobretaxa do IRS foi paga ainda agora, em Agosto de 2018, por muito boa gente. Gente da classe média ou mesmo remediada. O mesmo tipo de gente que, não podendo em lado algum do mundo considerar-se rica ou equivalente, paga em Portugal impostos no escalão dos mais ricos. Eu, por exemplo, e para registo de declaração de interesses.
Mexida nos escalões do IRS?!? Mas pensará ele que somos todos parvos? Que somos todos comunicação social? Que somos todos amigos da geringonça e de António Costa? As alterações nos escalões foram mínimas e não alteraram o essencial! Esta malta do PS, que tanto criticou (e continua a criticar, sem pejo nem vergonha) o enorme aumento de impostos numa altura em que o país estava a tentar sair da bancarrota em que o próprio PS o tinha colocado, praticamente mantém a coisa tal como estava! Reponha o PS os escalões que existiam anteriormente, que era o que devia fazer antes de aumentar a despesa!

É verdadeiramente inconcebível que António Costa se ponha a prometer mais aumentos na função pública antes de repor os escalões de IRS que existiam antes da bancarrota; e ninguém se incomoda com isto! A oposição cala-se, a comunicação social acomoda-se, e esta malta socialista diz e faz o que lhe apetece! E ainda se queixam de que a juventude esclarecida fuja do país!

Os portugueses pagam mais impostos porque estão a ganhar mais?!? Este tipo é um mentiroso! Uma enorme fatia dos portugueses está a pagar mais impostos ganhando o mesmo, ou sensivelmente o mesmo, mas apenas porque foram colocados em escalões diferentes de IRS perfeitamente inconcebíveis! Reponha o PS os escalões anteriores à troika, anteriores às alterações de 2013! Se está tudo tão bem, se tanto criticaram as medidas na altura, façam-no agora! Estão há três anos no governo!

Mas o que mais me impressiona é que tenha de ser eu a dizer isto! Eu tenho outra vida, outra ocupação, outro trabalho. Não há políticos na AR ou jornalistas e comentadores sérios na comunicação social que constatem estas evidências, este embuste, esta mentira? Esta geringonça mantém os níveis de impostos anteriores, os escalões de IRS impostos pela bancarrota socialista, e ainda aumenta brutalmente os impostos indirectos, e ninguém se indigna?!? No Parlamento não se oferecem contestações? Na comunicação social papagaia-se a propaganda socialista sem comentário?
Isto é um país miserável, tem o que merece!

 

Parabéns a nós

por João Távora, em 06.02.19

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Hoje o Corta-fitas faz 13 anos de existência, que são 13 anos de resistência: de resistência à inercia, à desistência e ao conformismo. De 2006 até hoje passou uma vida, uma crise severa, apareceu o Facebook, o Twitter e o Instagram; os blogs deixaram de estar moda e tivemos um governo sustentado pelos partidos da extrema-esquerda ao arrepio da nossa tradição parlamentar. Entretanto descobriu-se a importância das notícias falsas e do populismo e o discurso políticamente correcto refinou-se. Nada de novo, portanto. E dado que o Corta-fitas mantém uma freguesia fiel de cerca de 700 visitantes por dia em média, achamos que devemos continuar a resistir. Desculpem a maçada... dos dias sem publicações.   

E novidades, há?

por henrique pereira dos santos, em 06.02.19

Pela enésima vez, o Governo (quando digo o Governo, não falo apenas deste governo, falo de todo os governos de há uns anos a esta parte) entretém o circo mediático com medidas de gestão dos seus trabalhadores que não passarão do papel, a não ser marginalmente.

Periodicamente o Governo inventa um esquema em que, para adequar a sua força de trabalho às necessidades, admite ter trabalhadores a receber dinheiro sem produzirem trabalho.

Numa empresa esta pode ser uma medida razoável de redução de custos com baixa contestação social (ainda assim, são medidas menos eficazes para isso que a liberalização dos despedimentos, associada a um bom sistema de protecção dos desempregados, desenhado para evitar os custos sociais da repentina perda de rendimentos, mas também para incentivar o retorno ao mercado de trabalho), situação que é limitada pelo facto dos donos da empresa não terem interesse em perder dinheiro pagando a quem não produz.

Quando se pretende transferir estes modelos de gestão de recursos humanos para o Estado, levanta-se o velho problema de uns comerem os figos e a outros lhes rebentar a boca: quem decide (o dirigente, neste caso o membro do governo responsável pelas finanças, o que evidentemente vai bloquear todo o processo e o tornar presa fácil de quem conhece exactamente como se obtém a assinatura necessária) não perde nem ganha nada por aceitar que alguém receba sem trabalhar, excepto o benefício que existe em ter muitos amigos, quem beneficia (o trabalhador) não tem qualquer incentivo para não querer esta situação, mas quem paga (o contribuinte) não tem qualquer capacidade de influenciar a decisão, tanto mais que, com a opacidade da administração portuguesa nestas matérias, nem vai perceber o que está a acontecer até estar atulhado de obrigações contratuais em que alguém o comprometeu, sem lhe dar cavaco.

O governo pretende que a percentagem do que se recebe seja negociada entre o Estado e o trabalhador, variando entre 25% e 100% do ordenado, sem ao menos explicar que critérios de decisão devem ser usados para definir esta percentagem. Lógicamente, o trabalhador vai pedir 100% do ordenado. O dirigente A vai pedir às finanças que autorize, as finanças vão-lhe responder que sendo assim, isso signifca que tem gente a mais no departamento, portanto escusa de pedir novas contratações no futuro, o dirigente A vai dizer ao funcionário que a 100% não dá, é melhor tentar a 90% para poder justificar com a diminuição de despesa, e a novela vai continuar até se chegar a um valor arbitrário qualquer.

O resultado disto vai ser que afinal é preciso definir critérios para estabelecer essa percentagem (até lá as finanças não decidem nada para não criar um precendente, porque sabem que uma vez definida uma percentagem alta num único caso vai receber uma chuva de pedidos de revisão de eventuais decisões anteriores em que, ao abrigo do princípio do tratamento igual para todos, se reivindica para todos o tratamento mais favorável, o que pressurosamente será concedido ao abrigo da equidade de tratamento dos seus trabalhadores a que o Estado está obrigado).

Nessa altura um ministro das finanças qualquer faz um despacho (discricionário, não escrutinado pelos poderes democráticos) que estabelece uma percentagem qualquer (muito provavelmente, um esquema complexo de percentagens com critérios fundados nas categorias profissionais envolvidas, no tempo até à reforma, e por aí fora, esquema esse cujos buracos vão, mais uma vez, permitir um aproveitamente favorável por parte de quem passa o tempo a pensar como sacar dinheiro ao Estado, em vez de estar a trabalhar, que é uma das categorias mais especializadas entre os trabalhadores em funções públicas, normalmente facilmente reconhecível pelo número de horas de formação e participação em seminários destes trabalhadores especializados).

Se essa percentagem for baixa, o assunto morre aí porque não há adesão dos trabalhadores.

Se a percentagem for alta, há uma corrida a estes processos, que chocará nas recusas sistemáticas de aprovação por parte das finanças, com excepção de alguns casos isolados por razões nem sempre fáceis de identificar (no meu caso, beneficiário de um destes esquemas, tinha-se inventado uma regra em que os serviços em reestruturação podiam tomar a decisão em vez das finanças e dava-se o caso do presidente do serviço onde eu trabalhava ter um especial gosto em me ver pelas costas, que coincidia com o meu especial gosto em ver as costas do Estado, naquela altura).

O resultado será o resultado já obtido em todos os esquemas anteriores: afinal a situação é escandalosa e é preciso acabar com o despesismo criado pelo governo anterior, extinguindo este esquema manhoso (no meu caso, o Estado começou por alterar unilateralmente o contrato que tinha celebrado, reduzindo a remuneração em 50%, depois foi alterando uma série de outras condições para corrigir o problema financeiro que tinha criado e, mais tarde, acabou definitivamente com o esquema, com a ressalva de umas excepções para quem tinha mais de 55 anos).

Nada disto é muito relevante, no sentido que isto é o esquema habitual de gestão de recursos humanos do Estado, fortemente influenciado pelos sindicatos, que na verdade recusam violentamente qualquer passo que possa ir no sentido em que é preciso ir: aumentar a liberdade de gestão dos gestores públicos, aumentando a sua responsabilidade pessoal e financeira nas decisões tomadas, de modo a que progressivamente se caminhe na resolução dos dois cancros centrais da administração pública portuguesa: 1) a ausência real de distinção entre funcionários bons e maus, com claros reflexos na progressão de carreira e na remuneração; 2) a mais absoluta irresponsabilidade das chefias intermédias, para quem a opção mais inteligente, no actual contexto, é não fazer ondas, não fazer nada, nunca assumir responsabilidades e dizer que sim aos maiores absurdos do mundo, desde que as instruções tenham vindo por escrito, mesmo que numa língua de pau em que ninguém perceba o que foi decidido, desde que eu possa dizer que a responsabilidade não foi minha.

O exemplo que costumo usar como a verdadeira caracterização do funcionamento da administração pública é o da decisão sobre o Estudo de Impacte Ambiental do campo de golfe de Carlos Melancia, há já mais de vinte anos: depois de um processo muito conturbado, um serviço público faz uma longa informação em que propõe duas hipóteses de decisão incompatíveis (não me lembro se eram mais de duas, mas pelo menos duas eram de certeza), a ministra da altura (Elisa Ferreira) exara um despacho exemplar perante as duas hipóteses de decisão "concordo" e, até hoje, ninguém sabe com qual das hipóteses concordou Elisa Ferreira, e o campo de golfe foi construído (e entretanto destruído por falência do promotor), sem que se consiga identificar quem foi o responsável por essa decisão.

O estranho é apenas o ar sério com que imprensa noticia estas faenas administrativas, como se isto não fosse apenas uma garraiada para entreter a plateia.

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Estranho (ou talvez não) é verificar a animosidade de uma certa elite intelectual que se arroga defensora das liberdades e da igualdade em teoria, mas que fica profundamente acossada com a sua prática no concreto. Será certamente uma maçada para ela ver Lisboa invadida por jovens em festa, vindos de todos os cantos do mundo, de diferentes línguas, raças e nações, a encher Lisboa por amor de Jesus Cristo e à Sua Mensagem, apenas com uma linguagem comum: a generosidade de que sejam capazes, a sua Fé, energia e poder de reivindicação que lhe é intrínseca. Julgo que esse rancor se explica pelo temor e incompreensão daqueles que nunca experimentaram a Liberdade profunda que nos devolve uma Fé sincera e cultivada. Afinal é com os joelhos no chão e os olhos no céu que nos redimimos e libertamos, e isso, hoje como há 2000 anos, é uma verdade chocante aos olhos do mundo. 

Como é bom de ver, mas não conveniente aprofundar, é nessa prática cristã, que testemunhamos o desabar das fronteiras nacionais num benigno multiculturalismo realizado, porque fundado sobre a rocha dos mais basilares valores fundamentais da humanidade: «Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Maior do que estes não há mandamento algum». Esta é a chave desse mistério, o legado de Jesus Cristo. No princípio os cristãos distinguiam-se pela alegria e amor que irradiavam, “olhai como eles se amam”, um desafio que ainda hoje enfrentamos. E quem conheça a vida da Igreja nas nossas cidades, sabe muito bem como é normal celebrarmos uma Eucaristia presidida por um sacerdote africano de pele retinta e ajoelharmo-nos lado a lado com um individuo ou família de diferente condição económica, da mais exótica etnia ou cor de pele, sem que isso esmoreça o fervor da oração comunitária.
Ao fim de 2000 anos temos de nos perguntar se haverá caminho alternativo para a humanidade que não a mensagem de amor cristão emanado de Jesus Cristo. Porque será que esta proposta de harmonia não vos serve? Porque será que os dois milhões de jovens de tantas e distintas pátrias e continentes reunidos no Panamá em torno do Papa Francisco causam tanto incómodo à intelectualidade bem pensante europeia? Porque estas reuniões constituem a desconstrução da Luta de Classes e do Marxismo Cultural que nos querem impingir aqueles que há séculos  prometem acabar com a Igreja de Pedro?

Como aconteceu nos diferentes grandes eventos católicos sucedidos em Portugal desde a visita de Paulo VI, sempre que foi dado protagonismo devido à juventude generosa e entusiástica, estes acontecimentos resultaram no reforço do catolicismo, mas principalmente foram ocasião para muitas mentes inquietas (e que perigo é a inquietação para o status quo), de gente inconformada com a precariedade das respostas do tempo, se converterem ao desafio que Jesus Cristo a todos propõe.
No fundo a grande ameaça que constituem as Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa em 2022 é o reforço dessa identidade cristã neste extremo da Europa, fervorosamente laicista, tecnocrática, economicista e anódina, que preconiza tornar a nossa gente meros consumidores divididos em segmentos de mercado. Um continente em que a caridade (leia-se Amor) se quer desligada das pessoas, regido por um algoritmo legal, sem alma, sem identidade, sem pertença... sem consequência. 

Trivialidades de um mundo rural invisível

por henrique pereira dos santos, em 04.02.19

É possível que quem me leia regularmente saiba que sou, até ao fim deste ano, presidente de uma associação de conservação da natureza, provavelmente a única que, simultaneamente, assume um âmbito nacional e tem sede numa vila de pouco mais de mil habitantes.

Por razões que agora não interessam, essa associação gostaria de ter a possibilidade de ter pelo menos uma casa alugada em uma das aldeias da região, perto de propriedades geridas por nós (a associação centra a sua actividade na gestão de terrenos com objectivos de conservação, não é uma associação que sirva para influenciar políticas favoráveis à conservação da natureza).

Qualquer pessoa que tenha tentado alugar casas em grande parte das aldeias do mundo rural mais despovoado sabe que, de maneira geral, há muitas casas vazias, ou vazias na grande maioria do ano (para nós não levantaria qualquer problema manter o uso dos proprietários parte do ano), mas há uma baixíssima disponibilidade de casas para alugar. Sobretudo se não for alguém da aldeia ou que não conheça bem alguém na aldeia.

Depois de muitas voltas, indicaram-nos uma pessoa que poderia estar disponível para nos alugar a casa, visitámos a casa, identificámos as dificuldades inerentes às condições em que estavam, mas tudo se resolveu e acertou-se um preço para o aluguer: 100 euros mensais.

Mas, e aqui começa o post depois desta longa introdução, o dono queria cem euros líquidos, ou seja, ou cem euros sem recibo (o que acontece na generalidade dos casos neste mundo rural em que Judas perdeu as botas), ou o contrato teria de ser feito por 140 euros, para que, retirados os 28% de taxa liberatória do IRS, o dono ficasse com os tais 100 euros.

Vejamos o que isto quer dizer na prática.

Neste caso uma associação, mas poderia ser uma pessoa, uma empresa, seja o que for, quer levar gestão do território até onde faz falta, quer contrariar o quadro geral de abandono, quer levar gente nova para uma aldeia onde só há gente que agradece profundamente um bocadinho de atenção, para isso precisa de uma casa e o que faz o Estado para apoiar esse conjunto de benefícios colectivos que resultam desta opção?

Aumenta os custos, por via fiscal, em 40% (sim, a taxa são 28%, mas para receber cem euros líquidos, o dono tem de pôr o preço 40% acima do que quer receber).

Esta é só uma das milhares de pequenas decisões do Estado (e da sociedade) que, reconhecendo o problema do abandono da gestão em grande parte do território, na prática cria regras que em vez de contrariar esse abandono, acentuam as dificuldades de quem opta por gerir território.

É assim com as kafkianas regras da produção pecuária (a generalidade das pessoas não fazem ideia do peso regulamentar e das exigências que são feitas à mais pequena das instalações pecuárias, seja directamente na produção, seja numa pequena queijaria artesanal), é assim com as impressionantes regras para o abate de animais, que liquidam qualquer veleidade de valorizar pequenas produções pela exploração de mercados de nicho dispostos a pagar a diferenciação usando canais directos de comercialização, é assim com os pesados custos de contexto na compra e venda de terrenos, por mais pequenos que sejam, é assim com as absurdas regras de gestão de combustíveis junto de casas, estradas, infraestruturas, etc., é assim com o tratamento fiscal dado a pequenos produtores ou aos trabalhos eventuais e temporários inerentes à opção por explorações agrícolas de microdimensão não especializadas, e poderia dar mais não sei quantos exemplos, alguns deles completamente ridículos, como as regras para a realização de campos de férias, de tal maneira absurdas que exigem condições de espaço à mesa para as refeições que qualquer família numerosa não cumpre em sua casa, liquidando a possibilidade de acrescentar mais meia dúzia de euros à facturação através da prestação desse tipo de serviços (claro que são prestados na mesma, por muita gente, porque a pormenorização das regras é inversamente proporcional à capacidade do Estado verificar o seu cumprimento, mas não deixa de ser um risco relevante que muita gente não está disposta a correr).

O mesmo Estado que passa o tempo a impor obrigações a toda a gente que queira fazer qualquer coisa neste mundo rural invisível, é o Estado que, naquilo que lhe competiria, não cumpre, sendo miserável a segurança de pessoas e bens que garante, já nem falando da gestão do fogo, não têm conta os roubos, sejam de gado, de pivots, de paineis solares, de cortiça, de pinha (como o Estado não consegue assegurar uma presença suficientemente dissuasora do roubo de pinhas, inventa um complicado sistema de prazos para a colheita de pinha que inferniza a vida dos proprietários, mas teoricamente facilita o controlo dos roubos), de casas, de fruta, de azeitona, de madeira, que qualquer jornalista minimamente interessado no mundo rural poderia documentar facilmente (e por que razão haveria um jornalista de se interessar pelo mundo rural, se os seus leitores não querem saber disso para nada?).

É o mesmo Estado que desvia os milhões do Fundo de Coesão para financiar os metros de Lisboa e Porto, ou os autocarros eléctricos de Lisboa, com o pretexto da descarbonificar a economia, mesmo à custa do aumento da macrocefalia, mas é incapaz de pôr de pé um sistema de transporte a pedido que libertasse todos os velhotes que vivem por estes pagos mas não guiam, permitindo-lhes ir à vila quando lhes fosse conveniente, sem ser à custa da generosidade dos vizinhos (quando existem e podem ajudar neste aspecto) ou dos custos do táxi que mandam vir de outro lado para lhes resolver a vida, resolvendo também os milhares de quilómetros de carreiras cheias de ausentes que circulam por trajectos pouco convenientes, a horas pouco convenientes, porque alguém decidiu que isso é que é o transporte colectivo adequado a estes mundos de baixa densidade populacional.

E é o mesmo Estado que se recusa a pagar a gestão de serviços de ecossistema a quem os presta, para resolver a falha de mercado que está na base do problema dos fogos como o conhecemos (o Governo tem andado, nos últimos dias, a encher a boca com dois milhões que vai gastar neste Orçamento de Estado em pagamentos de serviços de ecossistema, mas não vale a pena deitar foguetes, não se trata de um programa em que o Estado apoie as melhores candidaturas, com maior efeito demonstrativo e replicativo, de gente que anda por aí a gerir serviços de ecossistema com utilidade social e que o mercado não remunera, trata-se de uns programas piloto em áreas que o governo decidiu, para fazer o que o governo decidiu e suspeito que grande parte desses milhões retornam ao Estado: o governo fala sempre em apoiar os proprietários e os municípios, o que na lingua de pau normal neste tipo de políticas costuma dizer os municípios com alguns proprietários que lhes sejam próximos).

Francamente, que o post vai muito longo, estou farto de anúncios de milhões para desenvolver o interior (o que nem sei o que seja), o que queria mesmo é que o Estado percebesse que tem é de deixar de moer o juízo às pessoas, criando-lhes dificuldades desnecessárias e, por exemplo, limitar-se a dizer que em todas as freguesias não urbanas com menos de X habitantes (escolham lá um número qualquer) os impostos associados ao arrendamento de uma casa são ZERO.

O resto as pessoas vão fazendo, se o Estado quiser ajudar a resolver as falhas de mercado, óptimo, mas se não quer, ao menos não complique aplicando as mesmas regras ao matadouro de Lisboa e à Quinta Lógica.

Prémio Mesa Marcada: Feitoria "rules"

por Maria Teixeira Alves, em 03.02.19

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Os Prémios Mesa Marcada nasceram em 2009 e são, desde aí, a distinção de cozinha e restauração mais importante em Portugal. Este ano, a cerimónia teve lugar no Ritz Four Season Hotel e contou com a presença de mais de 400 profissionais da área. O evento elege os 10 melhores restaurantes e cozinheiros do país e ainda distribui oito prémios especiais, do fornecedor à revelação do ano.

Pela terceira vez consecutiva, João Rodrigues somou duas vitórias nesta noite de prémios: o chef conquistou o primeiro lugar no ranking de Melhor Chef de 2018, com uma diferença de mais de 330 pontos do segundo classificado, o chef José Avillez, e arrecadou, ainda, o lugar do topo na classificação de Melhor Restaurante com o Feitoria, o galardoado restaurante do Hotel Altis Belém, em Lisboa.

Mas, apesar de João Rodrigues ter conseguido um verdadeiro feito(ria), a noite acabou por correr (muito) bem a António Galapito. O chef de 27 anos ganhou o prémio Revelação do Ano e o seu restaurante, Prado, foi eleito Destaque do Ano.

À lista de vencedores, juntou-se José Avillez, que foi surpreendido com um prémio inesperado no final da noite. A festejar uma década, os Prémios Mesa Marcada estrearam uma nova categoria - Prémio Especial 10 anos Mesa Marcada - e atribuíram-na a Avillez. O chef, que conta com mais de 15 restaurantes espalhados pelo país, foi a personalidade gastronómica que mais prémios ganhou ao longo da última década.

Artigo inicialmente publicado no Jornal Económico.

Domingo

por João Távora, em 03.02.19

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios 


Irmãos: Aspirai com ardor aos dons espirituais mais elevados. Vou mostrar-vos um caminho de perfeição que ultrapassa tudo: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a plenitude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens aos famintos e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita. A caridade é paciente, a caridade é benigna; não é invejosa, não é altiva nem orgulhosa; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas a caridade não acaba nunca. De maneira imperfeita conhecemos, de maneira imperfeita profetizamos. Mas quando vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Mas quando me fiz homem, deixei o que era infantil. Agora vemos como num espelho e de maneira confusa, depois, veremos face a face. Agora, conheço de maneira imperfeita, depois, conhecerei como sou conhecido. Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade. 


Palavra do Senhor. 

Pretender que a deslocação duma pessoa do ponto A ao ponto B sem ser pela força dos músculos das pernas (e mesmo assim...) ou pela da gravidade, é possível sem prejuízo do ambiente é duma ingenuidade extraordinária. Querem contabilizar as emissões de dióxido de carbono e os danos colaterais para o planeta por um Ser Humano ter um filho? Nada de novo: desde o "Imagine" do John Lennon que sabíamos que a verdadeira harmonia só é possível sem pessoas.

Manuel Tiago tem razão

por henrique pereira dos santos, em 02.02.19

"Se há coisa que sabemos da Caixa Geral de Depósitos e de outras grandes empresas do sector empresarial do Estado, é que estas são geridas ao serviço de interesses que raramente são públicos".

Manuel Tiago, um ex deputado o Partido Comunista que habitualmente reforça a linha mais ortodoxa deste partido, está absolutamente certo na análise que faz da Caixa Geral de Depósitos e de outras grandes empresas do sector empresarial do Estado.

"A forma como o Serviço Nacional de Saúde, o Sistema Público de Ensino, as empresas públicas de transportes, as infraestruturas públicas, a banca pública são geridas é o reflexo dessa submissão do poder político ao poder económico".

Saltemos por cima da crítica fácil, e verdadeira, de que o actual Governo, cuja actuação está bem descrita por Manuel Tiago nos parágrafos anteriores, só existe com o apoio do Partido Comunista, ou seja, que o descrito também é da responsabilidade do Partido Comunista nos últimos anos, e centremo-nos no ponto relevante do que transcrevi deste artigo de hoje no Público: "a submissão do poder político ao poder económico" como explicação para tudo o resto.

Na verdade esta expressão é totalmente incompreensível como explicação para uma prática que, essencialmente, prejudica a economia, beneficia uns quantos políticos individualmente e, provavelmente, beneficia os partidos políticos (por exemplo, a isenção de IMI, de que o Partido Comunista é um grande beneficiário, implica que o resto da economia pague mais impostos, logo, onde está a submissão do poder político ao poder económico?).

Pretender que foi Joe Berardo que colocou Vara à frente da CGD para ter músculo para destruir valor no BCP é um absurdo. É verdade que Berardo beneficiou de empréstimos em condições inacreditáveis, mas também é verdade que, no fim de todo o processo, Berardo, para além de ter deixado um rasto de dívidas a ser pagas pelos contribuintes, se fartou de perder dinheiro ele próprio, ou seja, teria sido preferível para Berardo (aqui usado como uma metáfora do poder económico), uma concessão de crédito exigente que o tivesse protegido das suas próprias manias de grandeza.

Quem beneficiou então com tudo isto?

O poder político, isto é, a dominação da esmagadora maioria da banca por homens de mão do secretário geral de um partido é a demonstração de que foi o poder político que submeteu o poder económico, à custa de uma gigantesca perda de valor que vampirizou toda a economia.

De maneira que, caro Manuel Tiago, tendo razão em tudo até ao equívoco final, e defendendo o Manuel Tiago que nada disto se teria passado se em vez de ser o CDS, PSD e PS a tomarem conta da CGD e das outras grandes empresas do sector empresarial do Estado estivessem à frente dessas empresas os impolutos dirigentes do PC, venho pedir-lhe o seu apoio para uma ideia que nos beneficiaria a todos:

Para já, na medida do possível, privatizamos isto tudo para retirar ao CDS, PSD e PS a possibilidade de usarem todas estes sistemas públicos "ao serviço de interesses que raramente são públicos". Daqui a algum tempo, quando finalmente o Partido Comunista ganhar as eleições e assegurar que tudo ficará ao serviços dos interesses públicos (como a história tem demonstrado ser constante em todos os regimes dominados por partidos comunistas), então sim, nacionaliza tudo e submete o poder económico ao poder político.

Até lá diga aos seus amigos dos sindicatos que todos os dias defendem a escola estatal, o SNS estatal, a CGD estatal, os transportes estatais, as infraestruras estatais e etc., para se deixarem de estar sempre a defender os interesses do CDS, PSD e PS contra os interesses públicos.

Pode ser?

Não esqueceremos

por João Távora, em 01.02.19

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O hediondo assassinato do Rei Dom Carlos e do Príncipe Real Dom Luiz Filipe em 1908 foi um evento por demais perturbador e fracturante na História de Portugal, cujas repercussões nos chegam até hoje e nos exigem a persistência de uma condigna homenagem anual pelas almas dos dois augustos mártires, desagravo que a Real Associação de Lisboa, de há muitos anos, promove a cada 1º de Fevereiro na Igreja de São Vicente de Fora, paredes meias com o Panteão da Dinastia de Bragança. A evocação em forma de Missa Solene terá lugar logo às 19.00hs e contará como habitualmente com a presença da Família Real Portuguesa.

Correio do Minho

por João-Afonso Machado, em 01.02.19

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À minha prezada Amiga,

Menina Catarina:

Espero que esta a vá encontrar de boa saúde, que nós por cá todos bem. E me desculpe o incómodo, não me atreveria não fosse o acaso da fonte, e da placa nela aposta, descoberta numa das minhas recentes andanças por terras das suas gentes.

A minha rica Menina decerto não conterá a fúria diante os seus dizeres. E há de apelidar-me do pior.

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Mas, Menina Catarina, eu sequer quero comparações com o heróico antifascismo de tão galante Menina. Saiba, porém, aqui em casa não se votava Salazar e sempre se foi defensor de uma monarquia radicada na liberdade, no respeito pelas pessoas e por todos os valores da Modernidade séria, incluindo, claro está, os de Deus Pai Nosso Senhor. Se iriamos à Guerra? Iriamos. Iriamos porque não tinhamos o direito de não partilhar a sorte dos nossos compatriotas que a ela não podiam escapar. Se eramos socialistas? Não, redondamente não! O socialismo era o outro lado da Guerra, à escala mundial, uma imensa gula imperialista que cavalgava a nossa sociedade europeia. Ou estará tão arguta Menina a imaginar-nos militantes da Liga Comunista Internacionalista?

Com o 25/A, varrida a II República, pensámo-nos de regresso à civilização. Mas levámos em cheio com os desmandos dos admiradores da minha prendada Menina; e depois maltratados por este Estado voraz e corrupto, como agora vivemos. Pobres não são robles, diz o povo e com toda a razão.

A Menina perguntará, enfim, porquê isto tudo. Olhe minha Menina, porque sim - porque nada mudou, salvo as placas. À Menina, e aos da sua condição, continuamos a pagar impostos para os sustentar. Em troca - mandam-nos prás cativações. A Menina, a minha estremosa Menina, desculpará, mas para estes lados ainda ninguém veio contar a história do politicamente correcto. Por isso me despeço sem lhe revelar onde topei as ditas fonte e placa. E com um conselho: deixe o passado, pense no futuro, que ambos pertencem à História, seguramente um percurso, e não um instrumento do seu socialismo.

Este último, fique seu, sempre seu e só seu.

Do sempre devotamente também seu

JAM


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