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Milagre, diz Mariana

por henrique pereira dos santos, em 14.12.18

"Os privados sugam o dinheiro ao SNS .. este milagre de dar lucro, poupar ao Estado e prestar bom serviço é uma coisa que...".

Marina Mortágua é economista, sabe, portanto, o que é eficiência de gestão: fazer mais usando menos recursos.

Sabe também, é forçoso, que o que tem defendido para a saúde, como para a educação, isto é, a apropriação colectiva dos meios de produção, é uma velha receita testada ao longo de todo o século XX e que ainda hoje está na base da tragédia humanitária da Venezuela.

Portanto, a questão é muito simples: Mariana Mortágua sabe que pode haver gestão privada que gera lucro e, ainda assim, sai mais barata ao Estado, mais, sabe que essa demonstração tem sido feita pelas actuais PPP da saúde (que, genericamente, funcionam bastante melhor que as PPP rodoviárias porque cumprem a regra de ouro para obter um bom resultado com PPP: o risco está do lado do privado, não do lado do Estado, circusntância que transformas as PPP de uma boa ideia numa fonte de rendas ineficiente, como acontece nas estradas).

O único milagre aqui é que ainda haja quem desvalorize a sua tremenda má-fé, achando que vale a pena ouvi-la sobre a definição de políticas públicas.

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A falta que faz um pai

por João Távora, em 13.12.18

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Queria escrever um texto sobre a importância da paternidade, advogar em causa própria (tornei-me um pai a tempo inteiro), algo que nestes tempos de feminismos exacerbados e decadência da chamada “cultura patriarcal”, talvez seja um atrevimento. Não quero de todo contrariar o cânone contemporâneo de que Pai e Mãe devem partilhar funções em casa: de facto não está escrito nos cromossomas quem deve lavar a loiça, mudar a fralda ao bebé a meio da noite ou pendurar a roupa no estendal. Mas parece-me importante homenagear as virtudes masculinas inscritas na paternidade, mais ainda quando tenho a convicção de que os tempos modernos consolidaram a matriz maternal do Ocidente, em cima da marca feminina da cultura católica, e se chega ao democrático século XX da revolução Pop, pelas utopias do Maio de 68 “Imagine all the people”, que cimentou o império do amor romântico e outros sentimentalismos muito femininos, já para não falar do predomínio da psicologia, da introspecção, do autoconhecimento, do diálogo e da compreensão, de afectos e negociações, tudo atributos de forte pendor maternal – que me perdoe o Eduardo Sá que é um modelo de mãe. Toda a cultura moderna exorta o pai a ser mais como a mãe, a seguir estes valores pacifistas, a saber interpretar sinais subtis, nuances emocionais, desejos não explícitos, sentimentos implícitos, negociações infindáveis; e há que conceder que perante este caldo, o macho arrisca-se a perde-se em pieguices melosas, terrenos pantanosos que não são inteiramente seus; e pior que isso, os filhos arriscam à grande perda de terem de crescer com duas “mães” ternurentas e protectoras, e muita confusão nas suas cabeças. Sim, é importante que o Pai procure entender e tire vantagem da sensibilidade e da astúcia feminina da sua companheira, e saiba optar por diferentes estratégias para a aproximação com os filhos – em matéria de educação, levar a carta a Garcia exige equilíbrios sensíveis, muito afecto, diplomacia, algum contorcionismo e, principalmente, razão. Aqui chegados e entendidos parece-me que hoje em dia é preciso reclamar a libertação do papel masculino da repressão igualitária que arrisca fazer do casal uma cataplasma incipiente e incapaz de cumprir os seus desígnios. Tanto mais que acho injusto exigir à mulher outras disposições que não as suas mais naturais, que significariam uma sobrecarga ao instinto maternal que lhe confere demasiadas obrigações e, quem sabe, complexos de culpa. O facto é que a “veia masculina” do Pai faz falta às crianças, com tudo o que o excesso de endorfinas lhe confere, para cortar a direito quando é preciso, de empurrar as crias para a arena do risco e do desafio, ou de assumir a tirania de clarificar as meias tintas, de desmontar a manipulação, assumir a voz grossa para impor limites ao que não se pode mais tolerar, disfarçar a angústia numa resolução salomónica, sacrificar a acomodação e a paz que se tornou podre, impedir uma injustiça, pôr um adolescente na ordem... enfim. 

Fui educado por um pai que, talvez por ser muito brincalhão e afectuoso avant la lettre, do alto do seu 1,90 de tirania e potente voz de tenor, muitas vezes me desconcertou com as suas fúrias bravias – boa parte delas com alguma razão. Passadas mais de duas décadas de saudade, tenho a certeza que muita falta faz para a formação do bom carácter dum infante a complementaridade harmónica mas distinta das marcas paternal e maternal. Que a febre da igualdade não acabe com isso é o meu desejo. De resto, a vida descobre sempre caminho e um pai faz muita falta.

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Auto Europa - está a ir, vai, foi-se ?

por José Mendonça da Cruz, em 13.12.18

Será verdade que decorrem «negociações ao mais alto nível», ou seja, entre Costa e o director-geral da VW, para que a Auto Europa não feche?

Será verdade que o último automóvel sairia da linha de montagem às 24 horas de hoje, quinta feira, após o que a fábrica encerraria por 20 dias?

Será verdade que, pendendo as altas negociações, essa data foi adiada para as 24 horas de sexta-feira?

Será verdade que os motores já deixaram de ser enviados para Portugal, e vão antes para a nova fábrica no Norte da Alemanha, visto que a VW tem cerca de 50 milhões de euros paralisados em Setúbal, e os correspondentes clientes sem carros?

Será verdade que todos os fornecedores de peças já foram informados para não enviarem mais nada?

Será verdade que um dos equipamentos mais caros -- uma das duas prensas de peças da carroçaria -- já foi desmontada e enviada para a Alemanha?

Será verdade que não se ouve, lê, nem vê uma notícia?

 

 

 

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O que eu queria era poder votar na Troica

por henrique pereira dos santos, em 13.12.18

Depois de destruir uma série de escolas de que os pais gostavam mais (não discuto se são melhores ou não, limito-me a constatar que os principais interessados as preferiam às alternativas) e que saíam mais baratas ao contribuinte, o actual governo pretende usar o mesmo tipo de mentiras que usou sobre os contratos de associação para fazer a vontade ao PC e BE, à custa da prestação de serviços sociais básicos, agora na saúde (como aliás também fez nos transportes públicos, logo que chegou).

Tanto quanto sei (e sei pouco sobre o assunto, excepto que o serviço tem sido considerado muito bom, e o preço é muito em conta), o que se passa no hospital de Braga é que grande parte das cirurgias, quando foi feita a concessão, eram feitas com internamento, cujo pagamento estava previsto no contrato.

As coisas evoluíram desde a concessão, e grande parte das cirurgias passaram a ser feitas em ambulatório havendo actos médicos inerentes a essas cirurgias a ser prestados de borla porque não estavam previstos no contrato, o que o concessionário tem vindo a contestar, pretendendo renegociar o contrato original para o adequar à prática real.

O Governo não tem querido renegociar, o concessionário manteve o cumprimento do contrato nestas circunstâncias, mas não está disponível para o manter para lá do tempo contratual previsto (tudo informações a confirmar, é muito difícil saber se é realmente isto que está em causa, para um leigo como eu).

Como o Estado não acautelou um novo concurso para concessão em tempo útil, pretende estender o tempo de concessão nas actuais circunstâncias, até ter o concurso (ou reverter o hospital para a gestão directa do Estado), situação para a qual o concessionário, legitimamente, não está disponível.

Tal como nos contratos de associação o que é arrepiante não são as opções e o resultado final, o que é arrepiante é toda a discussão pública sobre o assunto ser feita sem informação de base objectiva, sobre a qual cada um possa formar a sua opinião, baseando-se essencialmente em afirmações de partes interessadas, muito pouco escrutinadas (ou em bitaites pouco fundamentados, como os que estou aqui a debitar, por não saber como pode um mané qualquer ter informação de confiança, facilmente acessível e legível por leigos sobre o assunto).

Por causa desta cultura é que o Público, para saber exactamente as condições em que foi autorizado o pagamento antecipado ao FMI teve de ir lê-las no site do parlamento alemão.

É esta opacidade (que é possível por causa do Estado de bovinidade geral da imprensa, que ouve este e aquele e acha que isso a dispensa de ir à procura dos factos) que está na base da manutenção do principal problema económico do país: a captura do Estado pelos interesses privados ou, na definição certeira de João César das Neves, o facto de vivermos num capitalismo de compadres.

Nos últimos anos melhorou-se francamente a transparência da actuação financeira do Estado, é certo e é bom, mas infelizmente quase toda essa melhoria decorreu de imposições da Troica, sendo activamente combatida por este Governo, no que me parece um dos resultados mais perniciosos da geringonça, quer no enfraquecimento dos reguladores, quer na sistemática desvalorização dos orgãos que lhe escapam do controlo, quer na retenção de informação, quer na manipulação de informação, quer na activa e evidente ocupação dos cargos de decisão relevantes por generais prussianos.

É por isso que eu já só peço uma coisa: por favor, deixem-me votar na Troica.

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Joana Gorjão Henriques

por henrique pereira dos santos, em 12.12.18

Hoje o Público tem uma resposta dos pastéis de Belém a um artigo de Joana Gorjão Henriques publicado em papel no dia 9 de Dezembro, mas actualizado no on-line às 17 e 59 do dia 10 de Dezembro, na sequência dos esclarecimentos da fábrica dos pastéis de Belém, que Joana Gorjão Henriques achou dispensável ouvir antes.

Logo quando li o artigo em papel, no dia 9, como acontece com dezenas de artigos deste tipo, e como acontece com boa parte dos jornalistas militantes do Público (como Joana Gorjão Henriques ou Sofia Lorena, por exemplo, que na verdade deveria antes caracterizar como militantes jornalistas), a história me pareceu muito mal contada, basta conhecer um mínimo da sociedade portuguesa para ser evidente que as informações que constavam do artigo não podiam estar totalmente certas, se não na letra, pelo menos, o que é frequente, nas omissões (um exemplo clássico consiste em referir o ordenado base de uma pessoa, referir horários muito pesados, e omitir que ao ordenado base não corresponde o ordenado referido porque há pagamentos suplementares por causa das horas de trabalho além do horário base).

A resposta da empresa dos pastéis de Belém é arrasadora na demonstração da total incompetência da jornalista (na hipótese benigna), ou da mais pura manipulação (na hipótese menos benigna do papel de militante se sobrepôr ao papel de jornalista).

O Público, bem, tem uma nota de redacção sem rodriguinhos e justificações parvas, limitando-se a reconhecer o erro e assumindo a responsabilidade do jornal.

O problema que subsiste é, no entanto, um problema bem mais de fundo: o jornal reconhece o erro, que é um erro de palmatória inadmissível em jornalistas estagiários (noticiar factos que não foram verificados jornalisticamente, sobre os quais se constroi uma visão do mundo que se apresenta como verdadeira, apesar de ser um mundo de fantasia), mas não nos informa do seu efeito na carreira da jornalista, na prática da jornalista, nas opções do jornal em manter o contrabando ideológico mascarado de notícias de jornal.

O resultado é que pessoas como eu (e eu ainda sou dos que continuam a comprar o jornal e a pagá-lo todos os dias em banca), dão enormes descontos às notícias de lêem, pura e simplesmente saltam tudo o que é escrito por jornalistas concretos, salvo algum interesse específico em avaliar se o Estado de alienação se mantém inalterado e, de hoje para amanhã, quando aparecer um demagogo qualquer a inventar ele próprio uma realidade alternativa, tratá-lo-ei com a mesma desconfiança que dedico ao jornalismo, estando totalmente dependente do meu tempo e da minha capacidade para interpretar a realidade para distinguir o que é facto e o que é fantasia.

Ou seja, nessas circunstâncias, o jornalismo é inútil.

Obrigado pela sua contribuição para isso, Joana Gorjão Henriques e toda a tribo de militantes que escrevem nos jornais, bem como toda a tribo de contemporizadores que criam o ambiente geral de manada que lhes permite que o que escrevem seja publicado, sem escrutínio sério que separe o jornalismo das causas dos jornalistas.

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Mau tempo

por João Távora, em 11.12.18

A frustração que deve ser prá Catarina e pró Jerónimo a circunstância de não serem verdadeiramente oposição no contexto político turbulento que se aproxima...: as greves agendadas são uma suave prova de vida que prejudica sempre os mesmos mansos sem direito a semana de 35 horas e com um ordenado mesmo mínimo. A Europa entretanto desmorona-se e a nossa esquerda radical vai faltar à festa, essa é que é essa. 

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Um mundo que foi outro

por henrique pereira dos santos, em 10.12.18

cotorinho comp dois.jpg

Esta imagem tem uma história anterior a ter chegado aqui.

Luis Carloto Marques publicou a fotografia de cima, fazendo referência ao seu autor, Artur Pastor, à data aproximada, pelos anos 50 do século XX e admitiu-se que se trataria de uma imagem algures na serra da Freita ou Arada.

Paulo Fernandes publicou uma fotografia posterior aos fogos de 2016, nas serras de Freita e Arada, que admitia ser um outro ponto de vista da mesma cumeada, eu tentei encontrar mais ou menos o mesmo ponto de vista da fotografia original no google earth, e João Mariares Vasconcelos, não estando convencido da localização proposta, andou umas horas à volta do assunto até encontrar as aldeias certas no Marão. Depois, Paulo Fernandes produziu a imagem de baixo, mais próxima do ponto de vista da fotografia original que a que João Mariares Vasconcelos tinha usado para mostrar de onde era a fotografia original.

Independentemente desta história, que ilustra bem as razões pelas quais gosto das economias colaborativas e de partilha (e que espero que o Observatório de Paisagem da Universidade do Porto venha um dia a pôr de pé de forma generalizada para as fotografias de paisagem), o que verdadeiramente me interessa no resultado final é a demonstração, de forma muito intuitiva e clara, do que tem vindo a ser dito (também por mim, mas por muitas outras pessoas) sobre a evolução da paisagem, a recuperação dos sistemas naturais e consequente acumulação de combustíveis, tudo partes de um processo que é a base para a compreensão do problema dos fogos em Portugal.

Só quando as políticas públicas e a economia encararem de frente a gestão de combustíveis, encontrando mecanismos privados e públicos para ganhar controlo sobre o fogo através de acções sustentáveis de gestão da vegetação que substituam a economia de miséria que a fotografia original reflecte, e que deixou de ter capacidade para gerir as áreas marginais, é que teremos uma relação serena com o fogo, sem dramas excessivos.

As duas imagens explicam bem de onde vimos e para onde caminhamos, resta-nos ser capazes de encontrar os mecanismos adequados para chegarmos onde queremos, o que forçosamente passa por pagar os serviços de gestão de ecossistemas que são de interesse geral e que a economia actual deixou de assegurar.

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Domingo - 2º do Advento

por João Távora, em 09.12.18

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


No décimo quinto ano do reinado do imperador Tibério, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e Traconítide e Lisânias tetrarca de Abilene, no pontificado de Anás e Caifás, foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorreu toda a zona do rio Jordão, pregando um baptismo de penitência para a remissão dos pecados, como está escrito no livro dos oráculos do profeta Isaías: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’».

 

Palavra da salvação.

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Penela

por João-Afonso Machado, em 09.12.18

Penela vem dos tempos da terra de ninguém a sul de Coimbra. Nasceu numa elevação, obra de um desses condes medievais cujo nome é dificil de dizer, sempre atento ao horizonte e às hostes sarracenas que lá poderia topar.

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Depois do galope de D. Afonso Henriques até Santarém e Lisboa, Penela foi sossegando. E desceu ao mundo. Até onde a vista alcançasse, as serranias só muitos séculos depois tornariam a ser invadidas pelo ruído dos motores

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Entretanto, a devoção ganhou o lugar que lhe compete e as muralhas, pelo sim, pelo não, também se mantiveram de guarda.

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De resto com uma função capital: a de permitir a visão da pequena vilória que brotou a partir do castelo, aos trambolhões  pelo morro abaixo.

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Sem comércio, quase sem serviços, é um castigo dar com a Câmara Municipal ou com o Tribunal. Naquelas paragens, até as fundamentais tascas escasseiam. A Primavera enche Penela de andorinhas e os seus ninhos nos beirais. Mas estamos quase no Inverno e o que frutifica agora é o presépio vivo. Está tudo a postos para o nascimento do Menino Jesus - S. José, sempre a carpinteirar, a vaca e o burro, as ovelhas e os pastores. E Nossa Senhora, lindíssima.

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Tanto que aproveitei um momento de distracção do empenhado S. José, às voltas com o martelo e os pregos, e tirei um retrato à já quase Mãe de Cristo (a deitar-se nas palhinhas apenas no dia 25). Mostrei-o, e Ela, na sua infinita bondade, ainda me agradeceu. Obrigado estava eu, respondi. E segui à minha vida pensando que afinal tudo se deve ter passado em Penela, e não em Belém.

 

 

 

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Nossa Senhora da Conceição

por João Távora, em 08.12.18

Rainha de Portugal.jpg

Magnificat

A minha alma glorifica o Senhor *
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva: *
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: *
Santo é o seu nome.

A sua misericórdia se estende de geração em geração *
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço *
E dispersou os soberbos.

Derrubou os poderosos de seus tronos *
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens *
E aos ricos despediu de mãos vazias.

Acolheu a Israel, seu servo, *
Lembrado da sua misericórdia,
Como tinha prometido a nossos pais, *
A Abraão e à sua descendência para sempre

Glória ao Pai e ao Filho *
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio, *
Agora e sempre. 
Amen.

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O anti-imperialista de sofá

por henrique pereira dos santos, em 05.12.18

Com a mania de andar de transportes públicos, lá ia eu pela Rodrigo da Fonseca abaixo para a paragem da Joaquim António de Aguiar, quando sou barrado pelas cancelas da polícia.

Pergunto porque não posso passar, respondem-me que está uma alta individualidade no hotel e eu, na minha irritação, protesto, inútil e infantilmente, em altos brados "Abaixo a ditadura chinesa, liberdade para o povo chinês, liberdade para o povo do Tibete", pensando que depois lá iria fazer os 280 metros a subir e descer, em vez dos 120 metros planos que me separavam da paragem do autocarro.

Só que o senhor graduado da PSP resolve mandar-me calar a meio. Naturalmente pergunto-lhe por que razão me está a mandar calar, responde-me que é para não incomodar os vizinhos, replico que às dez da manhã dificilmente a minha voz isolada viola a lei do ruído, responde-me que tenho de me calar porque o senhor graduado me está a dizer que esteja calado e eu, naturalmente, repeti em altos brados "Abaixo a ditadura chinesa, liberdade para o povo chinês, liberdade para o povo do Tibete" porque estou como o Pinheiro de Azevedo, não gosto que me dêem ordens ilegais, é uma coisa que me chateia.

Lá vem um empurrão, doutro agente ali ao lado, eu pergunto porque me está a empurrar, o agente manda-me seguir, empurrando-me, eu pergunto-lhe a que propósito me está a empurrar, responde-me que eu não estou a acatar as instruções que me deram, respondo que quero saber qual é a norma legal que estou a infringir, dê-me a sua identificação, está aqui senhor guarda, senhor guarda não que isto não é a GNR, é senhor agente, três horas depois (fui ter a reunião que tinha de ter e depois voltei, não estive ali três horas) estava a apresentar uma queixa crime por abuso de autoridade numa esquadra próxima.

Eu compreendo que os senhores agentes estejam de saco cheio com o que devem estar a ouvir de há dois dias para cá por causa da paranoia securitária de um ditador. A única razão para eu apresentar queixa é a convicção de que é inaceitável que na cultura organizacional da PSP ainda caibam oficiais que não saibam que uma pessoa qualquer, num sítio público, tem todo o direito de dizer, em altos brados "abaixo a ditadura chinesa, liberdade para o povo chinês, liberdade para o povo do Tibete".

O meu problema não é com aqueles agentes em concreto, o meu problema é com o comando da PSP que não conseguiu, até hoje, incutir na cabeça de todos os seus oficiais, o respeito por direitos básicos dos cidadãos: se eu quisesse estar o dia inteiro, naquele espaço público, a gritar "abaixo a dituadura chinesa, liberdade para o povo chinês, liberdade para o povo do Tibete", poderia ser o maior dos idiotas, mas estava no meu direito fazê-lo (enfim, tenho dúvidas que fosse mais idiota que os anti-imperialistas que se manisfestam contra as visitas de Merkel ou de um presidente americano, mas dos quais não se ouve o menor murmúrio perante a vassalagem do estado português a um ditador como o presidente chinês).

Depois, na longa hora que me demorou estar a fazer a queixa percebi que o problema central é ainda mais fundo: se o Estado português investisse tanto na eficácia e modernização das polícias, como tem investido na eficácia e modernização da máquina fiscal, Portugal era, seguramente, um país muito mais decente.

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Uma dor d' alma...

por João Távora, em 05.12.18

Deveríamos respeitar os antigos, que sabiam dar nomes bonitos partindo do mérito dos próprios locais. Campo das Cebolas, Rua da Alfarrobeira, Rua das Gaivotas, Rua dos Mastros, Rua dos Navegantes, Rua do Poço Novo, Beco das Terras, Rua da Vitória, Rua da Saudade, Rua da Bela Vista, Rua do Alto do Moinho Velho, Rua das Gáveas, Rua da Horta Seca, Travessa da Espera, Rua da Misericórdia, Rua das Mercês ou dos Fiéis de Deus - tudo nomes que irradiam encantamento e que, por isso, estou convencido, têm o condão de ajudar a fazer dos seus habitantes pessoas melhores e mais felizes... Mas não é isso que eles querem, não descansam enquanto não apagarem a memória da cidade. A falta que fazem os escritores e os poetas para nos defenderem destes engenheiros sociais que nos apascentam.

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Ao cuidado dos senhores jornalistas

por henrique pereira dos santos, em 04.12.18

Eduardo Cabrita:

"o ministro defendeu que os resultados positivos alcançados têm como justificação o “esforço de todos: dos bombeiros voluntários e profissionais, das estruturas de Proteção Civil, das Forças Armas, da Força Especial de Bombeiros”, a par do trabalho da GNR desenvolvido relativamente à fiscalização, mas também à sensibilização para a limpeza da floresta. Isto, num ano que “foi dos mais difíceis de sempre” ao nível da meteorologia."

ICNF:

"Num exercício que procura retirar o efeito da meteorologia na avaliação da extensão de área ardida anual, foi atribuído a cada incêndio rural de 2018 um valor de "área ardida ponderada", obtido com base na média da área ardida de todos os incêndios (do decénio 2008-2017) da respetiva classe de DSR no respetivo distrito.
Desta forma, chegou-se a um valor total de "área ardida ponderada" (para o ano de 2018) de 34899 hectares. Este valor traduz a área ardida total que se obteria se todos os incêndios seguissem o "comportamento" médio histórico face à severidade meteorológica do dia/local em que ocorreram.
O valor de área ardida real (38223 ha) corresponde a 110% da "área ardida ponderada", o que significa que a área ardida no ano de 2018 é muito próxima à área ardida "expectável" tendo em conta a severidade meteorológica verificada."

Senhores jornalistas, enquanto vossas excelências ouvirem as maiores barbaridades e as transcreverem sem mais e sem o menor esforço de verificação, todo o mundo será de quem não tem vergonha e o populismo terá carta de alforria.

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Eduardo Jorge

por henrique pereira dos santos, em 03.12.18

Eduardo Jorge é tetraplégico e cansou-se de ser tratado como se o que quer fosse menos importante que o que os outros querem para o ajudar.

No essencial, cansou-se de tanta gente achar normal que para ter alguém escolhido por si, para tratar de si, o Estado lhe entregue no máximo 93 euros, mas se em vez de estar na sua casa, ao cuidado de pessoas que ele próprio escolhe, estiver numa instituição, o Estado paga mil euros à instituição, não é portanto uma questão de falta de dinheiro, é mesmo uma escolha nossa, de sociedade.

E quando o Estado, perante tão evidente aberração, começa a pensar na hipótese de talvez lhe entregar o dinheiro e o deixar escolher se prefere estar numa instituição ou em sua casa, aos cuidados de quem escolher, o Estado começa a impôr regras absurdas, como escolaridades mínimas e outras que tais, quando não quer, ele mesmo Estado, escolher a pessoa que cuida dele.

Por isso resolveu fazer um protesto que, no limite, punha a sua vida em risco, à porta da Assembleia da República, até que os poderes publicos olhassem para o assunto.

Lá foi Marcelo, levando uma Secretário de Estado consigo e talvez agora os poderes públicos se mexam. António Costa, com a cobardia que o caracteriza, não apareceu, como nunca aparece nestas circunstâncias. Ferro Rodrigues, na sua irrelevância, manteve-se irrelevante.

Tudo isto, no entanto, é relativamente menor (não para o Eduardo Jorge, claro, mas para todos nós), o que verdadeiramente nos deveria preocupar resume-se numa questão central: montar e aplicar um sistema de apoio à deficiência envolve centenas, quando não milhares de pessoas, desde técnicos, financeiros, decisores, etc..

Assim sendo, como é possível que nós todos, como sociedade, não sejamos capazes de produzir uma solução melhor que entender que mais importante que a vontade das pessoas directamente interessadas é a vontade do Estado em cuidar das pessoas directamente interessadas, da forma como o Estado entender?

É verdadeiramente deprimente que seja precisa a imensa coragem de Eduardo Jorge para nos confrontar com o imenso conforto da nossa pequena cobardia de não levantar ondas, não questionar os pequenos poderes instituídos no dia a dia, acabando por aceitar coisas que qualquer pessoa de bem considera evidentemente inaceitáveis, só porque nos parecem pequenas e não parecem ter muita importância quando comparadas com a fome no mundo.

Seríamos um país bem mais decente se fôssemos mais exigentes com as sarjetas mal mantidas e nos deixássemos de tanta atenção aos prémios de turismo do país e se nos preocupássemos mais com as vidas concretas das pessoas da nossa rua, ao menos nos intervalos dos esforços que dedicamos a resolver as grandes questões do mundo.

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Domingo - 1º do Advento

por João Távora, em 02.12.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem». 


Palavra da salvação. 

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