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Sinistras ideias de borla

por João-Afonso Machado, em 30.11.18

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Entrados no mar e vencida a rebentação das ondas, os barcos vão até muito longe, lançam as redes e regressam. Mais não fora, tão biblico procedimento valerá o ataque. Mais adiantemos algo mais:

O par de horas seguinte é de grande sofrimento para os bois. Não nos enganem as imagens do presépio - os bovinos nasceram também para puxar as redes de pesca no seu arrasto de centenas de metros.

Arte xávega, esse o nome da monstruosidade praticada aqui e ali, ao longo da nossa costa, de Espinho à Caparica, com alguns episódios no Algarve. Atrelados às cordas das redes, os bois puxam-nas até ao cimo do areal. Uma vez lá, são desengatados e vêm em corrida desabrida até às águas, onde reiniciam a operação. A rede, sempre captando peixe, cresce em peso, tanto quanto cresce o cansaço dos animais. O remédio é simples - trancada de três em pipa nas costas do gado que muge, urra, de lingua de fora, esbaforido, as pratas enterradas na areia, incapazes de um passo além. Que vai dando, porém, sempre à força de porrada.

Bois mansos, cujo tormento estival é o narrado, salvo onde já foram substuídos por... tractores.

Agora os peixes que Jesus um dia multiplicou, e os portugueses vão subtraindo sem grandes critérios. Aliás, um assunto com actualidade política e com a Esquerda espantosamente desatenta. - Os peixes, esses infelizes, morrendo aos milhares e milhares todos os dias, afogados (ao contrário dos humanos) fora de água.

Volvendo à arte xávega, é somar os turistas em redor das redes, à chegada destas, num roldão, os peixes esmagando-se numa pasta multiespécie, com um ou outro, preso nas pontas, a conseguir libertar-se, ainda na espuma, quase no retrocesso da próxima onda, não fora a voz

- Eh Remígio, olha esse robalo que vai fugir!

E o Remígio, afoito, a enfiar no robalo um portentoso chuto que o leva para o meio da praia. A contorcer-se, enfarinhado em areia, melhor seria atirá-lo logo para a frigideira.

O demais peixe passará suplício idêntico, caso não lhes sorria a fortuna da morte por esmagamento. Sempe espinoteando, gozosamente (como alguns mistérios do Terço...) apartados - cavalas, carapaus, sardinhas, robalos, sargos - em cabazes e levados à lota e leiloados ainda vivos, no estertor da asfixia - ou asfixiando ainda, quando não, ao entrar na cozinha para serem estripados e comidos fresquinhos.

É assim na arte xávega, na pesca do alto mar, até mesmo em alguma desportiva. Só não se percebe é como as meninas do BE e o Sr. André já-não-me-lembro-do-resto ainda não deram por isso. Porque, de certeza, a nossa tradição piscatória (com raízes tremendamente cristãs) e a nossa economia não justificam tais barbaridades.

Além disso, o macho da cavala há de chamar-se cavalo, visto não ter sido feito duma costela da fémea e por cá sermos todos iguais. Se tem escamas ou patas, a Esquerda que se vá dando conta das burrices que propaga.

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A alma de Lisboa

por João Távora, em 29.11.18

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A propósito da intenção da Câmara Municipal de Lisboa de alterar o topónimo do Campo das Cebolas para Largo José Saramago a Real Associação de Lisboa emitiu o seguinte comunicado que convido os meus amigos a ler e divulgar

 

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Campo das Cebolas

por João Távora, em 29.11.18

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Eles gostam é de "engenharias" e andam por cá há muito tempo a destinar as nossas vidas e amestrar as nossas afeições. Uma das actividades preferidas deles é a de mudar os nomes às ruas, normalmente com um intuito de educar o povo para o “progresso civilizacional”. É assim que agora, com os votos do PS, PCP e Bloco de Esquerda, o Campo das Cebolas vai ostentar uma placa toponímica com o nome de José Saramago, como pretendia o executivo de Fernando Medina – o povo, esse continuará a chamar-lhe o nome antigo. E porquê não homenagear o escritor numa dessas “novas centralidades” em evolução na cidade?
Como lisboeta, é para mim uma tristeza imensa a forma despótica como meia dúzia de iluminados vêm apagando os ecos da memória colectiva da minha cidade ao sabor dos eventos políticos ou conveniências das suas clientelas. Lisboa ainda ostenta ruas com nomes antigos que falam do lugar mas já não falta muito para eles destruírem definitivamente a alma cidade e torná-la num insuportável panfleto sobre as virtudes da “modernidade” e dos seus arquitectos. Estamos entregues a uma cambada de brutos e eu não me conformo com isso.

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Luta de classes deu a volta...

por João Távora, em 27.11.18

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“Devolvam-nos o caviar” é o titulo do novo livro do João Gomes de Almeida, que reúne as crónicas que ele vem publicando (à borla) no jornal i e Eco. Isto confirma a minha suspeita de que o melhor do João,  que é um belíssimo publicitário, sempre foram os títulos – não desfazendo.  

Mas a questão principal é que este título nos remete para uma trágica realidade a que urge a ciência política debruçar-se: aqui chegados o poder político e económico, não está na direita liberal ou conservadora dos Joões Gomes de Almeida ou Lancastre e Távora da vida, que nos dias de hoje se esmifram a trabalhar sem descanso semanal para todos os meses levarem um parco sustento para casa, espremidos pelos impostos que servem unicamente (não há investimento público e os serviços do Estado degradam-se todos os dias) para pagar doses de caviar para a esquerda que nas ultimas décadas se instalou nas empresas, organismos e cargos estatais - um autêntico progresso civilizacional. É confirmar este fenómeno na proveniência laboral dos deputados na assembleia da república e atestar quem, antes de ocupar lugares públicos pagava ou consumia os nossos impostos. O problema é que no que concerne à luta de classes esta realidade inverte o ónus da dialéctica: o levantamento revoltoso a verificar-se algum dia (populista, certamente) terá proveniência dos novos descamisados, que são explorados pelos esquerdistas e seus familiares que capturaram o Estado, e que à falta de melhor, com os chavões, causas fracturantes e identitárias, tentam entreter o neoproletariado enquanto os sugam até ao tutano. 

Definitivamente eles não nos vão devolver o caviar, e até eu já me sinto um revolucionário.  

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Jorge Paiva e o debate público

por henrique pereira dos santos, em 26.11.18

"Outra atitude indecorosa é quererem convencer toda a gente que os eucaliptais não são tão inflamáveis como os ditos matos. Sou biólogo e botânico, por isso, durante os estudos universitários tive várias disciplinas de Zoologia, Botânica e Química. Além disso, como tive um grande professor de Química (Rómulo de Carvalho, o Gedeão), que me ensinou racionalmente as reacções químicas e como doutorei gente em plantas medicinais (grande parte são aromáticas), sei química suficiente para saber que as essências elaboradas pelos eucaliptos são muito voláteis e altamente inflamáveis. Por favor, não considerem que as pessoas não são minimamente instruídas ou que são estúpidas".
Este parágrafo está inscrito numa crítica ao "Manifesto por uma floresta não discriminada", evidentemente promovido pela indústria de celulose, mas subscrito por um sólido conjunto de pessoas e instituições (pessoalmente fui convidado a assinar o manifesto e não o fiz por discordar dele em duas questões de fundo, em especial por o considerar mais um texto de defesa de trincheiras que um texto de quem quer sair da sua trincheira para ir ter com a sociedade).
Nesse conjunto de pessoas estão uma boa parte dos académicos que mais estudam a ecologia do fogo em Portugal, cuja investigação é reconhecida internacionalmente.
O que Jorge Paiva faz neste parágrafo, é considerar que um conjunto de várias dezenas de colegas seus, académicos, adoptam a atitude indecorosa ao ter uma opinião diferente da de Jorge Paiva, considerando que os seus colegas estão a querer enganar pessoas que não são minimamente instruídas ou que são estúpidas.
Em si nada disto teria muita importância (Helena Freitas, por exemplo, vai bastante mais longe e acusa os seus colegas de fraude académica, dizendo que a ciência que produzem é martelada para responder a eventuais financiadores (esta alegação de financiamento é falsa para a maioria dos subscritores que mais ciência têm produzido no domínio da ecologia do fogo, mas isso é irrelevante): "o empenho dos académicos NACIONAIS que, por acaso, talvez vejam os seus trabalhos patrocinados pelo empresário")mas há um aspecto fundamental: Jorge Paiva é um homem superior, unanimemente reconhecido pela verticalidade da sua postura cívica e com um imenso prestígio pessoal e académico, inteiramente merecido.
Por esta razão, a quantidade de pessoas que acreditam cegamente no que diz Jorge Paiva, e formam as suas convições a partir de parágrafos como o citado de início, é enorme e tem influência real nas políticas públicas.
Só que Jorge Paiva sabe imenso de taxonomia, é um homem de uma energia extraordinária (aos 85 anos continua a publicar artigos científicos no seu domínio de especialidade), é prazer extraordinário ouvi-lo e ter a oportunidade de ir para o campo com ele, é de uma simpatia cativante, mas sobre a matéria que escreveu é um leigo que entende que o que aprendeu de química há 70 anos com o seu professor de liceu é suficiente para julgar que sabe mais de um assunto que não estudou que os seus colegas que o investigam diariamente.
E fá-lo usando um truque retórico que não é bonito: não querendo ou não podendo dizer que os seus colegas, que são reconhecidos internacionalmente como investigadores de topo na matéria, estão a dizer asneiras porque não sabem do que falam, prefere a insinuação de que pretendem fazer dos outros pessoas pouco instruídas ou estúpidas.
Só que, neste caso (e isso não é diminuir Jorge Paiva, é respeitá-lo o suficiente para o confrontar de igual para igual num assunto específico, como tenho a certeza de que prefere à lisonja e bajulação de muitos que o cercam) o que Jorge Paiva revela neste parágrafo é mesmo muito pouca instrução sobre ecologia do fogo, desconhecendo que nos fogos florestais os combustíveis são praticamente idênticos por serem todos dominantemente celulose (as pequenas variações químicas a que alude Jorge Paiva são praticamente irrelevantes em condições reais, razão pela qual a investigação de laboratório que segue essa linha de trabalho tem tão pouca aplicação prática para a gestão do fogo), pelo que o que realmente conta é a sua densidade e estrutura (isto é, a física é mais útil para compreender e gerir o fenómeno que a química), em especial em condições meteorológicas extremas, como são aquelas em que ocorrem os maiores incêndios (80% da área ardida num ano concentra-se em 12 dias, mais ou menos).
Duas coisas são bastantes tristes em tudo isto:
1) A facilidade com que se recorre à conversa dos interesses para evitar a discussão sobre os argumentos de substância, sem medo de, pelo meio, caluniar e difamar terceiros com alegações e insinuações nunca demonstradas;
2) O facto de nada disto ser característico desta discussão, mas ser um padrão geral que caracteriza o debate público, permitindo, por exemplo, que ainda hoje tanta gente insista na ideia pueril de que a austeridade é uma opção política e não uma mera consequência da falta de dinheiro.

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Do sucesso em literatura

por Pedro Picoito, em 25.11.18

Há dias, numa tertúlia de amigos, arrisquei a hipótese de que o Raul Brandão e o Vergílio Ferreira seriam os maiores escritores portugueses do século XX. Fui massacrado, claro. Atiraram-me logo com o Saramago e o Lobo Antunes à cabeça. Os mais velhos foram até buscar o Torga às profundas da memória, valha-me Deus. Vencido, mas não convencido, fiquei a pensar na receita do sucesso literário. Eis um dos temas mais fascinantes da sociologia da literatura. O mérito conta, mas é a base da pizza: tem que levar em cima os ingredientes que lhe dão sabor. Uma boa máquina editorial, o favor da crítica, os contactos certos, a pose,  o mito, as ideias (de preferência à esquerda, mas não necessariamente, veja-se o Houellebecq) e, sobretudo, essa coisa intangível: a sintonia com o zeitgeist, o ar do tempo, a conjuntura. Numa palavra, a moda.

Também conta. No caso do Saramago, talvez a dissonância entre o agora revelado machismo e os efeitos do movimento Me Too provoque algum desdouro. Não sei, mas não me preocupa. Seria um absurdo tão grande deixar de lê-lo por causa do machismo como começar a lê-lo só por causa do Nobel. Se a moda ajuda ao sucesso, não contribui para o génio. Fará um bestseller, mas não uma obra-prima. Quando me querem obrigar a ler o Saramago, ou o Lobo Antunes, ou o Torga, lembro-me do velho professor de Cambridge que respondia sempre, a quem lhe perguntava se já tinha lido o último êxito: "Não tive tempo. Ainda me faltam uns diálogos do Platão..." 

A esta hora, o próximo Platão há-de estar a escrever num T2 da Brandoa ou de Argenteuil, findo o dia de trabalho no McDonald`s. O Mestrado em Semiótica não lhe serviu de nada, mas se tiver a sorte de publicar (depois da recusa de várias editoras) será lido, conhecido e amado - mais tarde ou mais cedo. Pode não ser em vida, mas o seu tempo chegará. Chega sempre porque os grandes livros, dizia o Steiner, esperam toda a eternidade pelos seus leitores. 

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Domingo

por João Távora, em 25.11.18

Leitura do Livrio do Apocalipse 


Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen. Ei-l’O que vem entre as nuvens, e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra. Sim. Amen. «Eu sou o Alfa e o Ómega», diz o Senhor Deus, «Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo». 


Palavra do Senhor. 

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De pé, ó vítima da fome

por Pedro Picoito, em 23.11.18

Segundo a recente biografia de Saramago escrita por Joaquim Vieira, o nosso Nobel era um "machista" e terá tido, como diz a entrevista ao biógrafo no Público de hoje, os seus "avanços físicos não consentidos" sobre algumas mulheres, que compreensivelmente preferiram manter-se no anonimato. É mais um curto-circuito do politicamente correcto. Ainda me lembro do embaraço de um jornalista da RTP que, num directo em Estocolmo, quando a pátria inteira alçava o escritor ao panteão dos imortais, quis elogiar Pilar del Rio e soltou a banalidade "atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher." Saramago, com aquele seu jeito de estalinista ribatejano, trovejou de imediato: "Atrás? Atrás não, ao lado..." E o jornalista, corrigido diante de toda a turma pelo mestre-escola, desculpou-se com "a emoção do momento". Eu vi. Mas, de algum modo, a revelação não surpreende. Quem não respeita os inimigos, dificilmente respeitará as amigas. Se escavarem um bocadinho mais, ainda descobrem que o homem gostava de touradas. Aguardo agora, com raro optimismo antropológico, o devido comunicado das Capazes e outras amazonas. 

(For the record: considero Saramago um bom romancista, mas sobrevalorizado. Gostei muito do Memorial do Convento, bocejei na História do Cerco de Lisboa. Da poesia não falo porque nunca li. E o Nobel, para o caso, é totalmente irrelevante. Quem diria que um escritor consagrado, ainda por cima de extrema-esquerda, andava por aí a assediar senhoras das suas relações como qualquer porco burguês?)

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Algumas diferenças...

por José Mendonça da Cruz, em 23.11.18

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Quem quiser assistir a um exercício de inteligência, pensamento abstracto, cultura e senso político deve seguir este debate realizado pelo Observador não apenas sobre touradas, mas sobretudo sobre civilização e política, com especial recomendação para a intervenção de Jaime Gama, a partir do minuto 3.20. Depois, para melhor enquadramento e inevitável tristeza, deve pensar que Gama foi ministro da administração interna em 1978 ( e agora o ministro é Eduardo Cabrita), que Gama foi presidente do grupo parlamentar do PS em 1991 ( e agora o presidente é Carlos César), e que Gama foi presidente da AR em 2005 (e o presidente da AR agora é Ferro Rodrigues).

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Das pedreiras

por henrique pereira dos santos, em 21.11.18

Entre as várias coisas que fiz na vida, contam-se vários anos como responsável pela gestão dos processos de pedreiras numa área protegida.

Quando lá cheguei, todas as pedreiras eram ilegais e cresciam a olhos vistos, quer em dimensão, as que existiam, quer em número.

O Parque Natural ia emitindo uns pareceres que a entidade de tutela da actividade ignorava olimpicamente e os exploradores de pedreiras iam fazendo pela vida como podiam e sabiam.

Já não me lembro bem, foi há muitos anos, mas tenho ideia de que a legislação tinha mudado qualquer coisa há algum tempo (antes apenas era precisa uma comunicação para a exploração, depois passou a ser necessária uma licença prévia à abertura da pedreira) e a equipa de guardas e vigilantes da área protegida (na altura, provavelmente a melhor e mais bem estruturada em todas as áreas protegidas) tinha propostas muito concretas para resolver o assunto, começando por estabelecer um ponto zero que permitisse saber o que era novo e era velho.

Demoraria tempo, exigiria muito trabalho e persistência e implicava algum risco, tudo coisas a que a administração pública portuguesa é, com frequência avessa (mais nas suas chefias que nos seus trabalhadores).

Parece uma questão de pormenor, mas aparecia um buraco para explorar calçada e se alguma fiscalização ali passava, as respostas eram sempre mais ou menos no mesmo sentido: isto não é meu, é do Chicolate, eu só vim aqui tirar um metro cúbico para safar uma encomenda, ou isto estava para aqui abandonado há muitos anos e eu estou só a ver se dá, ou isto não está abandonado, é do Viagens, mas ele só cá vem quando faltam os fretes, e por aí fora.

Como a legislação protegia as situações pré-existentes (bem) e como as entidades responsáveis pelo sector o que queriam era que a produção aumentasse, ninguém ligava nenhuma a questões administrativas e legais, de maneira que não havia uma ponta por onde se pegasse no problema.

Não muito tempo antes tinha sido aprovado um Plano de Ordenamento da Área Protegida, que era uma mera portaria a que ninguém ligava muito (a não ser os que lá trabalhavam e tinham de o aplicar), mas tinha uma obrigação que se veio a revelar central: a obrigação de prestação de uma caução para a recuperação da pedreira no fim da exploração (hoje é a norma geral, mas não naquele tempo).

O que fizemos, um trabalho sobretudo assente na equipa de fiscalização da área protegida, foi passar a levantar autos a todos os buracos, mesmo quando se desconhecia o explorador, de maneira a 1) ter um registo concreto de todos os buracos de pedreira existentes; 2) criar um vínculo entre um explorador e uma pedreira, de maneira a poder responsabilizá-lo e a eliminar do problemas as pedreiras sobre as quais ninguém se responsabilizava. Ao mesmo tempo era dado um prazo razoável para legalização da pedreira.

Esta actuação deu origem a braço de ferro com as entidades de tutela das pedreiras, sempre, sempre do lado dos exploradores (sempre foi mais difícil a relação com as entidades de tutela que com os exploradores) que se recusava a reconhecer a validade legal de toda a actuação da área protegida.

Aos poucos, com persistência, às vezes teimosia, e muita atenção aos problemas dos exploradores de pedreiras e dos seus trabalhadores, a situação foi-se resolvendo, foram sendo melhoradas as regras, os empresários melhores passaram verdadeiramente a procurar resolver o problema da legalidade das suas explorações (os outros tentavam oferecer bacalhau, azeite e coisas que tal para lhes resolver o problema, os mais básicos, ou tentavam adjudicar os serviços de projecto de recuperação necessários à legalização, os menos básicos, porque sempre tinha sido assim que tinham resolvido os problemas das suas explorações).

Um ou outro incidente (pneus do carro cortados à porta de casa, tiros nocturnos sobre o pré-fabricado em que trabalhávamos) e, contra a minha opinião, passámos a andar acompanhados pela GNR quando começámos a dar ordens de paragem às explorações ilegais (nós não queríamos ir com a GNR, não porque nos quiséssemos armar em heróis, mas porque sabíamos que entrar numa pedreira com a GNR atrás era considerado uma declaração de guerra e também sabíamos que os elementos da GNR não podiam ouvir, como às vezes acontecia, "se dá mais um passo na minha pedreira leva um tiro", sem considerar essas ameaças a quem fazia a fiscalização como inaceitáveis, criando-se facilmente uma situação de crispação que poderia fugir do controlo facilmente, tanto mais que do lado os exploradores parar a pedreira era retirar-lhes o ganha-pão e pôr em sério risco o emprego de muitas pessoas que não tinham alternativaa região).

No essencial, o sector naquela área protegida ficou muito melhor que no resto do país, sendo dali que eram exportadas as melhores práticas administrativas e ambientais, as que tinham dado resultados concretos, mas sempre, sempre, com as entidades de tutela do sector em contra-pé, mantendo uma prática laxista, incompetente e irresponsável (tendo eu hoje poucas dúvidas, e nenhumas provas, sobre a corrupção que oleava os processos, podendo, na altura, nomear alguns dos técnicos e dirigentes que consensualmente eram tidos como "gajos porreiros").

A gestão desta área protegida (sobre a qual eu não tinha responsabilidade, portanto não é do meu trabalho que falo neste ponto) esteve sempre entre dois fogos em todo este processo:

dos exploradores, acolitados pela administração pública de tutela do sector (dir-se-ia, facilmente, que era dos sectores da administração que nunca deram pelo 25 de Abril no que diz respeito à sua relação com a sociedade);

do movimento conservacionista que, ignorando totalmente a dura vida daqueles homens, nunca aceitaria menos que o encerramento total da actividade na área protegida.

Fatalmente, saindo do processo algumas pessoas chave, e sendo incomparavelmente mais fácil para todos não fazer ondas, o que se conseguiu teve, anos depois, retrocessos inacreditáveis, embora muita coisa já estivesse suficientemente consolidada para não poder voltar ao ponto de partida.

Lembrei-me de escrever estas memórias a propósito de Borba: sim, há responsáveis concretos sobre situações concretas, mas a altíssima probabilidade de haver, mais tarde ou mais cedo, catástrofes destas (como nos fogos, como nas cheias, como nos sismos, como na manutenção de infra-estruturas) tem a sua raiz na forma como nos organizamos como sociedade, na forma como somos pouco exigentes com o Estado, na forma como preferimos fazer leis maximalistas em vez de investir seriamente em fiscalização inflexível sim, mas sensata, próxima dos destinatários e respeitadora das pessoas, na forma como recusamos o compromisso das situações intermédias e nos entricheiramos em posições irredutíveis, etc., etc., etc..

Em qualquer país exigente, um primeiro ministro que dissesse desconhecer a situação das pedreiras de Borba/ Vila Viçosa estaria imediatamente debaixo de fogo, não porque um primeiro ministro tenha de saber tudo (é difícil alguém ignorar que havia, e há, ali um problema, o que é válido para o primeiro ministro, mas também para os jornalistas, para o movimento ambientalista, para mim, etc.), mas porque seria inadmissível que um primeiro ministro se recusasse a assumir parte da responsabilidade pelo estado miserável em que está a administração da lei e da justiça em quase toda a administração pública.

Uma coisa é haver uma circunstância em que tudo correu mal e houve uma tragédia, o que acontece em qualquer parte do mundo e em qualquer organização.

Outra coisa é o que hoje sabemos que acontece em Portugal: mesmo quando as coisas correm como seria de esperar, nada nos livra do risco de uma tragédia, porque o que esperamos deste Estado é que se concentre nas festas do concelho, que seja accionista de uma companhia aérea, dono de uma televisão, promova feiras tecnológicas e, mesmo dizendo que não, no fundo estamos dispostos a aceitar que as sarjetas não funcionem, que os equipamentos hospitalares não tenham manutenção, que a GNR não tenha combustível, para que possamos brilhar numa final de um campeonato de futebol.

Diz-se do trabalho da dona de casa que não brilha e nós gostamos tanto do brilho que estamos dispostos a fingir que não sabemos que a casa está no estado em que está.

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A geringonça é que nos dá o que Salazar recomendava

por José Mendonça da Cruz, em 21.11.18

O «milagre económico» é como o «fim da austeridade» e a «redução da carga fiscal» – não existe. Portugal é pobre e está em vias de empobrecimento relativo. As políticas socialistas garantem-nos, digo eu no Observador, a modéstia, a renúncia e a pobreza que o Dr. Salazar nos aconselhava.

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Louçã e o urso polar

por henrique pereira dos santos, em 20.11.18

Neste interessante texto de Francisco Louçã, o Senhor Conselheiro de Estado retoma a sua tese de que Portugal tem a maior área relativa de eucalipto do mundo porque, ao contrário de todos os outros países do mundo, Portugal não impõe limites ao eucalipto.

Que Portugal seja o país do mundo que tem mais área de sobreiro, tanto em termos relativos como em termos absolutos, aparentemente, dever-se-á também, segundo a lógica de Louçã, ao medo que os outros países do mundo têm dos riscos que a expansão de sobreiros acarreta para esses países.

Não deixa de ser inquietante percebermos que temos um Conselheiro de Estado que, aos 62 anos de idade, está convencido de que apenas as restrições à sua presença explicam a não existência de ursos polares na Amareleja.

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Pedro Filipe Soares gosta de dizer coisas...

por João Távora, em 20.11.18

"O Estado Novo trocou o “vermelho” pelo “encarnado” para retirar quaisquer conotações de esquerda ao apoio ao Sport Lisboa e Benfica", diz Pedro Filipe Soares a propósito da linguagem e da política, das camaradas e dos camarados. De castigo, para não chamarmos de louco furioso a um deputado da Nação devia ser obrigado a provar a afirmação.

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A catástrofe somos nós

por João Távora, em 20.11.18

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Quem veja a fotografia aérea da estrada que desabou entre duas explorações de mármore em Borba vê uma amarga metáfora sobre o desleixo nacional e o enorme buraco subjacente. Não é preciso ser engenheiro civil para  perceber que aquela estrada deveria ter sido vedada há muito, que houve incúria da autarquia e ganância na exploração das pedreiras de um lado e do outro da velha estrada. E não, este problema não se restringe às autarquias do Portugal profundo ou a insaciáveis empresários de província: é transversal ao nosso País governado de improviso de alto a baixo, um dia de cada vez, fazendo figas para que o vento não mude, que com um muita aldrabice e sorte à mistura vai contornado os grandes desafios que se nos colocam. Ao povo, que não esqueceu e miséria e é pouco dado a responsabilidades, bastam um pouco de circo e um naco de pão. Afinal a catástrofe somos nós, sem rei nem roque. 

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Domingo

por João Távora, em 18.11.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».

Palavra da salvação.

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Mediocridade

por João Távora, em 16.11.18

Em Portugal não se cultiva o diálogo e o apelo à moderação (agora tão na moda) o mais das vezes parece um convite ao silêncio de uma das partes, e já se equipara o conservadorismo ao fascismo. Velhos hábitos são difíceis de cortar: nos últimos duzentos anos tivemos uma guerra civil, um regicídio intervalando meia dúzia de revoluções. Em resultado disso hoje a pobreza e o fosso das desigualdades é aberrante no contexto europeu, a liberdade tem dias, e a fraternidade é o que sabemos. Portugal está longe de ser uma nação civilizada em que as diferentes ideologias coexistem num saudável conflito, franco e aberto, sem preconceitos, sem amputações provocadas por velhos ódios recalcados, escondidos, latentes, perversos. Temos a mediocridade que merecemos.

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As costas largas do nacionalismo

por Pedro Picoito, em 15.11.18

Em entrevista ao Público de hoje, Jerónimo de Sousa volta a afirmar  o velho nacionalismo do PCP e, de resto, da generalidade da esquerda. Enquanto o BE divide os despojos de futuros ministérios, ainda não votados (mas isso que interessa? para aqueles lados, a democracia burguesa é apenas um pormenor, já se sabe), o PCP marca terreno e distância para previsíveis negociações de uma nova geringonça. É uma das razões pelas quais tão cedo não nos veremos livres do pessoal da Soeiro Pereira Gomes, apesar de todas as profecias de social-democratização. O que talvez nem seja assim tão mau. Prefiro o voto de protesto no punho fechado de um contínuo façanhudo do que nos devaneios  dos filhos da burguesia  que fumam umas ganzas no recreio.

Seja como for, diz o camarada Jerónimo que a culpa do "desenvolvimento das forças xenófobas e racistas" é do "mandonismo da União Europeia" (a fórmula é um pouco proletária, mas percebe-se a ideia). E porquê? Porque, e aqui vem a pièce de resistance,  "mal ou bem, as pessoas assumem como questão fundamental poder decidir da vida e do futuro do seu país. e se a União Europeia é um obstáculo a isso - e é - surge como reflexo a resposta inquietante desses movimentos, que capitalizam para si a defesa da soberania e do desenvolvimento económico e social. A melhor resposta que se pode dar a essas forças é a garantia e a afirmação da nossa soberania nacional, não no quadro isolacionista, que não defendemos."

Para um comunista, não dá para fugir à velha suspeita de que o adversário está sempre a capitalizar. Mas não é isso que interesa. O que interessa é a reafirmação da "soberania nacional", mesmo rejeitando o "isolacionismo", o que significa, na prática, que o PCP aceita as imposições orçamentais de Bruxelas, uma condição primária para apoiar uma possível maioria parlamentar liderada pelo PS. Geringonça oblige. Ou, por outras palavras, temos Governo PS com o apoio do PCP, dentro ou fora. O BE que se cuide.

Já agora, e deixo isto para outro post, convinha ter um bocadinho de cuidado quando se acusa o nacionalismo de todos os males presentes. O camarada Jerónimo deixa bem claro, nos termos supracitados, que há um nacionalismo de esquerda, como há de direita. Maduro não é menos nacionalista que Trump ou Bolsonaro. Mélenchon não é menos nacionalista que Le Pen. Corbyn não é menos nacionalista que Boris Johnson. E, por supuesto, os separatismos catalão ou escocês não são menos nacionalistas que a Liga italiana. A próxima batalha das democracias liberais não será entre fascistas e anjos, mas entre o nacionalismo certo e o errado. E sabem que mais? O PCP, que não defende o "isolacionismo", Deus os abençoe, é bem capaz de vir a dar uma mãozinha.

 

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Agradecidos

por João Távora, em 15.11.18

Numa inédita iniciativa que saudamos encontram-se para votação os "Sapos do ano", divididos diversas categorias e onde poderá encontrar o Corta-fitas a concurso em Política e Economia. Não sendo absolutamente correcta essa catalogação será um acto de justiça ir lá votar em nós. Aqui.

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O famoso "diabo" da economia começa a mostrar a cauda

por Maria Teixeira Alves, em 14.11.18

Resultado de imagem para antonio costa no parlamento

Os dados económicos do INE não são animadores. A economia portuguesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, depois dos 0,6% do segundo trimestre. Em termos homólogos, a economia cresceu 2,1%, o ritmo mais lento desde a primeira metade de 2016. Antes (no segundo trimestre) estava a crescer 2,4%. 

Isto é, a economia portuguesa desacelerou para o ritmo mais lento dos últimos dois anos. As exportações e consumo privado, que têm sido o motor do crescimento, abrandaram. Só não foi pior porque houve mais investimento, mas ainda assim não serviu para compensar a queda do consumo das famílias.

Mas António Costa preferiu destacar que Portugal voltou a crescer mais do que a média europeia e do que a zona euro. “Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado e está a acontecer este ano”, disse o nosso primeiro-ministro.

Faltou acrescentar que apesar de estar acima da média Portugal registou a quinta taxa de crescimento mais baixa da zona euro. 

A isto acresce outra má notícia para a economia. O PIB da Alemanha contraiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2015, segundo a estimativa do gabinete de estatística alemão divulgada esta quarta-feira, 14 de Novembro.

Faltou ao Governo falar do que ainda pode estar para vir ao nível da desaceleração da economia europeia.

Portugal arrisca a perder o impulso no turismo. A isto não será alheio o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter introduzido uma moratória que durante um ano vai limitar a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas freguesias. Durante um ano vai ficar proibida a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas zonas históricas, que são as zonas que os turistas preferem.

O imobiliário para investimento pode assim acabar por ficar mais condicionado. E as famílias que usavam as casas para rentabilizar com o Airbnb vão perder esse rendimento extra. Mas em troca não há sinais que o preço do arrendamento em Lisboa vá cair e ajustar-se aos salários baixos dos portugueses - temos um número de trabalhadores a receber salário mínimo como nunca aconteceu, são mais de 700 mil pessoas. Os números são de António Leitão Amaro.

Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que veem os senhorios não renovar os contratos de arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na área da Grande Lisboa.

 As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que veem de fora da capital.

Resultado. A economia vai perder a força sem que os salários dos portugueses tenham chegado sequer a recuperar da crise.

Portugal é um país condenado, inserido numa Europa que perde o comboio da evolução e crescimento (tudo o que é inovação vem dos EUA ou da China).

Portugal é ainda o país onde o problema demográfico tem maior expressão na Europa. Políticas para isso no OE2019? Não há.

É o país que tem o maior problema de dívida do Serviço Nacional de Saúde aos privados (os prazos de pagamento rondam os 270 dias enquanto em Espanha 70 dias é o prazo médio de pagamento das dividas dos hospitais públicos). E não é possível agilizar porque tudo exige a aprovação formal e burocrática do Ministério das Finanças. Tudo exige concursos públicos de seis meses. Há situações em que quando a única pessoa que introduz faturas no sistema, nos hospitais públicos, está de baixa, o serviço pára porque não é possível substituir pessoas sem toda uma complexa burocracia. "Somos todos Centeno", como disse o Ministro da Saúde que acabou substituído.

A descentralização devia começar no SNS (dar autonomia aos hospitais públicos para gerir). Mas o Governo prefere falar da descentralização que passa por promessas ideológicas de transferir o Infarmed para o Porto. 

António Costa é o campeão do "com a verdade me enganas", porque usa números bons para criar uma realidade doirada que na verdade não existe. Mas o que está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça.

(atualizada)

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    Ah, mas o racismo só é políticamente incorrecto se...

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    Acho muito bem, que quem viu os seus carros ardido...

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    Pois, obviamente. É caso para dizer que na prática...

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    Então se as instituições e os costumes não servem ...

  • Anónimo

    ainda vai dizer que parte o focinho ao ministro


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