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"Seria mais pedagógico arrancar carvalhos e plantar eucaliptos?"

por henrique pereira dos santos, em 18.10.18

A pergunta que uso no título foi-me feita na sequência das minhas críticas ao número do Senhor Presidente da República a arrancar eucaliptos e vale a pena escrever meia dúzia de parágrafos à volta do assunto.

A falta de gestão que temos no mundo rural, em especial nas terras marginais, decorre da ausência de uso económico nessas terras que pague essa gestão e remunere o dono do terreno.

Nessas circunstâncias o combustível acumula-se e, periodicamente, há fogos socialmente muito negativos.

Depois do fogo a natureza reage e as plantas ou voltam a rebentar, quando o que ardeu foi a sua parte aérea e a planta não morreu, ou germinam das sementes que foram poupadas ao fogo (há espécies que fazem as duas coisas).

Quase toda a nossa vegetação natural está adaptada ao fogo, havendo muito poucos sistemas que possamos dizer que são seriamente afectados pelos fogos: alguns zimbrais, alguns cervunais, e pouco mais. O resto, como mais ou menos abalo, aguenta-se.

De entre as espécies introduzidas há algumas que se adaptam particulamente bem ao regime de fogo que temos, como as hakeas ou as várias espécies de acácias, cuja agressividade pós fogo é conhecida e especialmente difícil de controlar, ou o eucalipto, que não é, de maneira geral, muito agressivo na sua expansão (não rebenta de raiz, produz pouca semente e a dispersão da semente é muito limitada pelo seu tamanho, forma, peso e por ser pouco consumida por animais) mas que em situações de pós fogo, com o solo muito mineralizado, pode ter uma germinação prodigiosa em alguns locais (tal com carvalhos, em sentido lato, que inclui o sobreiro, giestas e outras plantas autóctones).

Este ano, aparentemente porque os fogos foram em Outubro na zona Centro e porque houve chuvas até Junho, a germinação tem sido intensa e a mortalidade das plantas jovens (que, tipicamente, anda pelos 90% no primeiro ano) não parece estar muito elevada.

Eu não acho (mas espero para ver) esta situação particularmente preocupante porque tirar eucaliptos de um terreno não tem dificuldade técnica de maior (ao contrário de hakeas e acácias, por exemplo).

Há, no entanto, quem esteja muito preocupado e, não dando o devido peso ao facto de na raiz desta evolução estar a falta de gestão do território, desate a arrancar eucaliptos, a defender que o governo se devia preocupar e financiar o arranque de eucaliptos e, no caso do Presidente da República, até faça campanhas para o arranque de eucaliptos.

Ora esta reacção não faz o menor sentido porque mesmo que eu não tenha razão e a situação seja preocupante, a forma de lidar com o assunto não é pôr pessoas a arrancar eucaliptos, uma tarefa com baixíssima eficiência, mas fazer uma ou duas aplicações técnicas de glifosato, feitas como dever ser e por pessoal qualificado, e as plantas resultantes da poderosa germinação desaparecem em três tempos.

A questão está em saber o que se passaria depois.

Essas áreas rapidamente seriam recolonizadas por vegetação germinada a partir das sementes que existam por ali (e que não são afectadas pelo glifosato, que apenas actua sobre os mecanismos da fotossíntese), rapidamente recompondo a cobertura do solo e preparando o terreno para arder violentemente daí a uns anos, recomeçando o ciclo, incluindo com a germinação de eucalipto após fogo (fenómeno mais que conhecido, não apareceu este ano).

Daí a pergunta do título: "Seria mais pedagógico arrancar carvalhos e plantar eucaliptos?".

Como não há nada de pedagógico em arrancar eucaliptos ou carvalhos (em qualquer caso a acção será muito pouco eficiente porque das duas espécies nascem milhões de exemplares todos os anos, independentemente da nossa vontade) e corresponderia a uma acção mais que ineficaz, na verdade os resultados de uma opção ou de outra seriam os mesmos: nenhuns, quer no terreno, quer nas pessoas a quem se estaria a dar a informação errada de que um problema de falta de gestão se resolve com acções quixotescas sem objectivos claros e sem continuidade.

Tudo teria sido diferente se em vez desta obsessão com o eucalipto se tivesse optado por descascar algumas das milhares de mimosas (acacia dealbata) que existem exactamente no mesmo monte da Senhora do Castelo em que esteve o senhor presidente, porque há muita gente que se quer ver livre das mimosas e não sabe como, porque de facto é preciso atacar de frente o problema da invasão com acácias e hakeas, desenvolvendo programas de intervenção de longo prazo e não se trataria o problema sério da falta de gestão das terras marginais com a ligeireza de quem dá um mergulho no Tejo.

Claro que a popularidade de arrancar eucaliptos não é a mesma de descascar mimosas, e se o objectivo é ser popular, sendo mais ou menos indiferente a forma como o país trata dos seus territórios marginais antes e depois do fogo, então sim, foi uma acção brilhante.

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A ler...

por João Távora, em 18.10.18

... esta preciosa contribuição de João Vacas para repensarmos o valor da instituição real nestes tempos de globalização e de ameaça de dissolução das velhas nacionalidades e suas arquitecturas políticas, aqui

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Das trincheiras

por henrique pereira dos santos, em 18.10.18

Uma dia destes uma pessoa disse uma coisa que me parece um rematado disparate sobre as crianças serem ensinadas a dar um beijinho aos avós.

Não só acho que o senhor disse um rematado disparate como me espanto, ainda mais, com a quantidade de pessoas que, concordando com o que eu acho um disparate, pretendem fundamentar a sua opinião na comprovação científica que existirá de que o rematado disparate está cientificamente estabelecido, espantando-me ainda mais, com outra enorme quantidade de pessoas que acham que o facto de não terem gostado nada que as obrigassem a dar beijinhos em criança demonstra que o disparate não é um disparate mas uma verdade como um punho.

Até aqui, nada de especial, acho muito bem que o senhor possa dizer os disparates que entender, tal como eu digo os disparates que entendo, sou um grande defensor do direito à asneira, não apenas um defensor teórico, mas exerço concretamente esse direito muitas vezes.

O que é mais sério é haver uma quantidade enorme de pessoas que, concordando comigo em achar um disparate o que o senhor disse, não se limitam a estar calados por acharem o assunto razoavelmente ridículo ou sem interesse (como a larga maioria da pessoas), não se limitam a gozar com a ideia que acham disparatada, não se limitam a dizer que acham um disparate ou mesmo a procurar argumentar sobre o assunto, passando rapidamente ao ataque pessoal, comentando opções de vida do senhor, características pessoais, trocando o ataque ao argumento pelo ataque à pessoa que usa o argumento.

Estou mais que habituado a este tipo de coisas, no sentido em que são um hábito e sou muitas vezes alvo desta forma de proceder (ainda hoje, por causa de umas coisas que disse sobre o arranque de eucaliptos de Marcelo, matéria sobre a qual farei um post, lá estão alguns nos comentários a chamar-me vendido, como é frequente), mas não consigo habituar-me ao ponto da indiferença: eu acho mesmo execrável esta forma sectária de conversar.

Noto, no entanto, que grande parte das pessoas que neste caso, como eu, acham execrável este ataque pessoal motivado pela opinião de uma pessoa, parecem não ver nada de anormal no facto de esta ser a forma de actuação padrão de boa parte da esquerda mainstream (sim, também existe na direita, em especial na direita mais troglodita mas, justamente, é considerada inaceitável quando é usada pela direita).

Na verdade, Cavaco nunca é só um político cujas políticas se podem criticar, no mínimo é a múmia, o saloio, o amigo dos criminosos dso BPN, quiçá, ele próprio um criminoso do BPN, Passos Coelho nunca é só um político cujas políticas se podem criticar, é o sádico que resolveu ir além da troica para castigar o povo, ou o fantoche do grande capital que pretendeu tirar dinheiro dos trabalhadores para o dar aos patrões com a malograda (infelizmente) proposta de alteração da TSU e as outras coisas todas de que se acusa Passos Coelho, sem precisar, para isso, de falar sequer dos seus argumentos.

Para o Bloco, por exemplo, tudo são interesses obscuros e sempre que alguém discorda é porque tem interesse no assunto ou porque não tem sensibilidade social ou porque o seu preconceito de classe o impede de adoptar o ponto de vista dos mais fracos, tal como o PT no Brasil, e muitos outros, nunca é simplesmente por considerar informação diferente, ou a mesma informação de forma diferente, para usar a ideia de Descartes sobre o bom senso.

Não seria grave se o viveiro de sectarismo que consiste em cavar trincheiras em qualquer discussão não acabasse com qualquer discussão, permitindo que Bolsonaros e afins vejam legitimados os seus métodos: afinal não passam do espelho do que a esquerda mainstream tem vindo a cultivar afanosamente na sua acção política, na academia, nos jornais e em todo o lado, com a conversa dos interesses e com o permanente ataque pessoal e teorias de conspiração a substituir a discussão racional das naturais divergências entre pessoas e grupos sociais.

A esmagadora maioria das pessoas sensatas e de bem acaba mesmo por desistir ou, simplesmente, quando o quotidiano se torna insuportável, votar nas coisas mais esquisitas e perigosas.

E isso sim, enfraquece o convívio liberal, civilizado e não violento entre as pessoas, bem como a chatíssima altenância democrática entre diferentes grupos que se combatem, mantendo um chão comum de liberdades individuais.

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Transportes

por João Távora, em 18.10.18

Para a minha filha se deslocar diariamente do Estoril para a Cidade Universitária pago um passe de estudante de 54,00€ de comboio e metro. Hoje por causa da greve ela teve que adquirir um cartão "Zapping" (estranho nome estrangeiro) para apanhar o autocarro em Alcântara. Lá se foi o desconto prometido do Costa e receio que não tenha chegado a horas à faculdade. 
Isto para dizer que não nos podemos deixar enlear nos artifícios socialistas e prescindir de atender à raiz dos nossos principais problemas: há décadas que somos reféns do socialismo, um país sequestrado pela força de (alguns) sindicatos e do peso de um Estado que consome os parcos recursos da nossa economia. E a conversão do povo aos transportes públicos exige que os resgatemos ao Partido Comunista.

É importante manifestarmos a nossa zanga sem temores ou tibiezas.

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Medo, ódio e fúria

por José Mendonça da Cruz, em 17.10.18

Visto que a governação medíocre e imprudente afinal é muito hábil; visto que Catarina Martins é uma luminária e as manas Mortágua grandes figuras; visto que os homens de Sócrates são o melhor governo de sempre e Galamba um secretário de Estado... visto tudo isso, mas apesar disso, o Observador teve a bondade de publicar hoje um artigo meu. Visto o que fica escrito acima será um artigo «extremista», «populista» e «facista» mesmo.

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"Não podemos ser idealistas, temos de ser eficientes"

por henrique pereira dos santos, em 14.10.18

Um artigo do Observador que vale a pena ser lido.

É um artigo em que a imprensa não alinha nos espantalhos do costume sobre fogos e em que os técnicos e investigadores deixam de lado os chavões da dimensão da propriedade, da reforma dos impostos rurais e do ordenamento do território que não sabe responder quem paga o que se propõe, até por não saber quanto custa, deixando ainda de lado a ladaínha rainha deste ciclo pós-fogo: o eucalipto.

É um artigo que traduz uma viragem no discurso técnico sobre a gestão do fogo, se quisermos, sobre a gestão florestal, querendo eu, da gestão da paisagem, um artigo e um trabalho que fogem de atribuir responsabilidades aos proprietários por garantir a paisagem que terceiros querem ter mas não querem pagar, um artigo e um trabalho que se concentram no problema fundo que realmente conta, isto é, a gestão do ponto de vista do dono do terreno.

Declaração de interesses: desde o primeiro dia deste trabalho que José Miguel Cardoso Pereira me pediu alguma disponibilidade para ir dando umas opiniões, fui a umas pouca reuniões e só os 90 anos de uma tia me impediram de ter estado ontem em Álvares, mas a minha opinião acima tem muito pouca relação com esta colaboração, até por ter sido muito marginal e centrada em coisas que são, elas próprias, marginais.

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Domingo

por João Távora, em 14.10.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 


Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e perguntou- Lhe: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível». Pedro começou a dizer-Lhe: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna». 


Palavra da salvação. 

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Ases pelos ares

por José Mendonça da Cruz, em 13.10.18

 A cobertura noticiosa do terrível ciclone, aliás tempestade, aliás vento... é uma parábola do jornalismo português: reportagens veementes, excitadas e em directo de acontecimentos que, afinal, não sobrevieram; o desenvolvimento de boas histórias a que só falta serem reais.

Quanto à Protecção Civil demontra mais uma vez que é tão excelente a alarmar como óptima a desproteger.

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Uma piada socialista de mau gosto

por Pedro Picoito, em 12.10.18

Todos percebemos que o ex-Ministro da Defesa tinha os dias contados quando o Público de hoje noticiou que o PS já pedia a sua cabeça e Costa só o ia segurar até à votação do OGE. Mas, em bom rigor, Azeredo já não tinha condições para continuar desde que o seu ex-Chefe de Gabinete admitiu ter recebido o famoso memorando com o teatrinho de Tancos. Como é que nem ele nem o Primeiro-Ministro viram isso, eis um pormenor deprimente que em muito ultrapassa as conversas de café sobre "o estado a que isto chegou". Com episódios surrealistas, entre os quais a tirada de que "não compete ao Ministro estar à porta dos paióis", uma singela frase que revoluciona toda a teoria do poder executivo desde Montesquieu. Portugal é um país que pergunta a crianças de nove anos qual a sua orientação sexual para combater a discriminação, mas não assegura funções básicas de soberania como impedir o roubo de armas num quartel ou que centena e meia dos seus cidadãos morra num incêndio por incompetência do Estado. Aliás, Portugal em 2018 não é bem um país, é uma piada socialista de mau gosto. 

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Fascistas! Fascistas!

por Pedro Picoito, em 12.10.18

Há dias, o deputado do CDS Michael Seufert dizia no Facebook que o adjectivo fascista tem sido tão usado ultimamente que já não quer dizer nada. E dava um exemplo: quando se chama fascista a Passos Coelho, faltam palavras para Bolsonaro.  

Tem razão, mas não é de agora. Em Portugal, a esquerda sempre se considerou dona do regime democrático. A direita é tolerada porque alguém tem que estar na oposição. Mas se, por inexplicável acaso, a direita está no Governo ou em Belém, cruzes canhoto que vem aí a ditadura. AD, Cavaco, até a Merkel quando nos visitou e lhe chamaram nazi... E agora, o que é que chamam à Alternativa Para a Alemanha?

Vá lá, camaradas, enriqueçam o vocabulário.

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Do obscurantismo instrumental

por João Távora, em 11.10.18

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O mundo está realmente perigoso. É de leitura obrigatória este artigo do insuspeito Luís Aguiar-Conraria sobre o modo como certas fraudes passaram por artigos científicos em revistas especializadas desde que correspondam a determinada ideologia ou vitimizações em voga. Se isto se passa com revistas académicas científicas, como não hão-de as redacções dos jornais papar todas as "novidades" e "estudos" das causas a que são tão atreitas? Andamos nós a queixarmo-nos das notícias falsas e boçalidades difundidas nas redes sociais...

Depois vem a reclamação duma tal "Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância"  que incita as autoridades portuguesas em matéria de manuais escolares a "repensar o ensino da história e, em particular, a história das ex-colónias" por forma a incluir temas como a “discriminação e a violência cometidas contra os povos indígenas". Tudo isto porque o ar do tempo exige, como insinua no Expresso do sábado passado Joseph C. Miller, que a historiografia deve reflectir a realidade política do seu tempo, que na Europa é de uma sociedade multicultural de acolhimento de diferentes povos, no lugar do velho conceito de "Pátria Cultural", lugar de história, heróis e valores que constituem o nosso “Chão Comum” e penhor do nosso desenvolvimento que é tão atractivo para os forasteiros (nada contra!). Onde é que fica o propósito da busca de uma verdade tanto quanto possível objectiva no meio disto é que resta saber. Que as chamadas “Ciências Humanas” são espaço privilegiado para o relativismo e propaganda já sabíamos, mas é preciso não exagerar para não se transformarem em instrumento do obscurantismo, sabe-se lá com que agenda.

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Literatura e política

por henrique pereira dos santos, em 09.10.18

Ao que parece há uma grande comoção com as eleições brasileiras e o crescimento do fascimo.

Grande parte dessa comoção resulta do facto de se entender que o PT governou mais de dez anos mas não é responsável por coisa nenhuma do que se passa, e de Bolsonaro dizer umas coisas inacreditáveis.

Avaliar as pessoas pelo que fazem com as palavras é do domínio da literatura, no domínio da política o que interessa não é o que as pessoas dizem ou escrevem, mas o que fazem.

No dia em que a independência judicial for posta em causa, em que começarem a fechar jornais ou televisões, em que as eleições forem adiadas ou feitas com a oposição presa (isto é, no dia em que o Brasil funcionar como hoje funciona a Venezuela), aí sim, vou às manifestações contra o crescimento do fascismo.

Até lá, Bolsonaro (tal como Trump e os outros fascistas de turno, cada um que aparece sempre considerado como pior que o anterior) é apenas um político como os outros, que defende coisas certas e erradas, sendo a classificação de certas ou erradas em cada uma dessas políticas uma coisa muito subjectiva (tanto mais que o peso relativo que é dado às diferentes políticas também é muito subjectivo e, no caso do Brasil, há muita gente a valorizar mais o sentimento de insegurança que as tolices sobre orientação sexual ou questões de raça ou género), tal como Lula foi um político como os outros, que fez coisas certas e erradas, mantendo as garantias democráticas intactas, não podendo ser confundido com políticos como Maduro, Chavez ou Raul Castro, só porque, muitas vezes, diz coisas semelhantes ao dizem esses seus amigos.

O que um político diz, interessa muito pouco, o que interessa mesmo é só o que faz.

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Eleições e comunicação

por João Távora, em 08.10.18

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É público como Bolsonaro foi segregado pelos media tradicionais e desprezado pelos politólogos, peritos e de mais elites que tomam conta dos media brasileiros, de como os seus opositores, apoiados nas televisões e jornais de referência, acabaram por cair na asneira de transformar as eleições presidenciais no Brasil num plebiscito ao personagem que de tanta depreciação acabou por alcançar 47% do eleitorado à primeira volta. Foi assim que Trump conquistou a Casa Branca. Interessa-me particularmente este assunto na perspectiva do fenómeno comunicacional de que é fruto, o da perda abismal de influência da comunicação social perante a ascensão das libertárias redes sociais, qual concurso de “soundbites” imediatistas e emocionais que democraticamente todos se arrogam difundir, partilhar e ampliar numa caótica e atomizada rede de influenciadores oficiosos e sem escrutínio. É assim que a comunicação política hoje exige nova abordagem, diferentes estratégias, ferramentas e actores profissionais, porque a ampliação ou silenciamento da mensagem já não depende do controlo dos tradicionais “mediadores” e ela se vem tornando formalmente cada vez mais democrática – literalmente entregue às mãos do povo. O que me preocupa este fenómeno é como sendo democrático pode potenciar a intolerância: pela necessidade de simplificação das ideias e torna-las emotivas para concorrer nas redes sociais, o discurso perde densidade, racionalidade e sofisticação que é o espaço por excelência para os consensos e para a tolerância que exige a boa governança do bem comum numa sociedade liberal. 

Quem me conhece sabe como o meu pensamento político nunca foi mainstream e de como desde a génese deste fenómeno da auto-edição nascido com os blogs no apogeu da Internet não deixei de aproveitar o movimento para difundir ideias pouco populares às agendas do jornalismo “de referência” que sempre gostou de servir a oligarquia e alimentar os seus populismos. Mas tal não impede de admitir que devemos suspeitar deste admirável mundo novo, de como ele nos exige prudência, repensar fórmulas de contrapesos que nos defendam dos aventureirismos autoritários emergentes de maiorias inorgânicas e indomáveis bem manipuladas. Os revolucionários (todos, republicanos, socialistas ou reaccionários) sabem bem do que estou a falar.

 

Publicado originalmente aqui

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Há semanas o Dr. Marques Mendes determinou que os eleitores brasileiros deveriam eleger Fernando Haddad, do PT, para presidente da República, porque tendo em conta a alternativa Bolsonaro, Haddad seria o mal menor. Pormenor despiciendo: os brasileiros discordam. Então, ontem, o Dr. Marques Mendes determinou o reverso da sua opinião: disse que a rejeição do PT (que ele menosprezara) era tal, que Bolsonaro seria eleito, mas por essa única razão.

O Dr. Marques Mendes é um homem inteligente, mas vive e pensa num círculo muito restrito. Pode-se chamar-lhe oligarquia, ou círculo dos old boys, ou meio político. Esse círculo normalmente restrito tem, em Portugal, a pequenez correspondente à pequenez do país, mas fechou-se no mesmo casulo em que se fechou a oligarquia de EUA, Brasil, França, Alemanha, Itália, Áustria.

  

O Dr. Marques Mendes e seus amigos nacionais e internacionais convivem, conhecem-se, e têm uma enorme admiração pela inteligência uns dos outros. Ouvem-se, portanto, muito e reciprocamente. E ouvem muito pouco tudo o que se pense ou diga ou, aliás, aconteça, fora do círculo. Fundamentalmente, as coisas estão muito bem como estão. E em cada medalha vêem verso e reverso, mesmo quando não há medalha nenhuma. Fazem assim com Portugal, fazem assim com os EUA, fazem assim com o Brasil.

O PT transformou-se num coito de corruptos, tiranetes e ladrões? Sim, mas Haddad terá que flectir para o centro se quiser ser eleito.

As cidades brasileiras transformaram-se em selvas de bandidagem e homicídio, medo e insegurança? Sim, mas temos que ter atenção aos condicionalismos sociais.

As empresas públicas transformaram-se em centros de prejuízos, compadrio, roubo e incompetência? Sim, mas terá servido de lição.

A crise económica persiste, a dívida pública dispara e o elevador social avariou? Sim, mas devemos considerar as melhorias em sectores mais desfavorecidos.

 

O centro, a oligarquia, os old boys usam da mesma complacência para questões igualmente graves em países cujos eleitorados mostram sinais de igual cansaço.

O terrorismo, a insegurança, a imigração descontrolada, a recusa de assimilação, os conflitos culturais? Temos que nos mostrar melhores, temos que ser acolhedores, temos que ser multiculturais.

A concorrência internacional desleal e a falência de sectores nacionais inteiros? Temos que nos reinventar.

A perda de poder político e económico, a estagnação? Sim, mas a história, a cultura milenar...

 

Mas perante inevitabilidades como um Trump ou um Bolsonaro, ei-los que ficam perplexos. Primeiro, atiram epítetos:  fascista, xenófobo, desclassificado, extremista, inimigo da democracia! Depois, ofendem os eleitorados: deploráveis, ignorantes, retrógrados -- e recusam-se a compreender como e porquê. Por fim, perante resultados (como, por exemplo, os que Trump prometeu e cumpriu em termos de crescimento económico, investimento, baixa de impostos, emprego, política externa e renegociação de acordos comerciais) refugiam-se no silêncio ou na discussão de um penteado, um gesto de mão, um tweet.

O Dr. Marques Mendes e os seus amigos nacionais e internacionais refastelaram-se na armadilha do centro. Fazem como Boris Vian dizia que Proust fazia: vão bebendo golos da água do banho de imersão em que se confortam. O mundo que pula e avança é que já não é o deles.   

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E agora?

por Pedro Picoito, em 08.10.18

Bolsonaro venceu a primeira volta das presidenciais brasileiras, com 47% dos votos. Haddad foi segundo, com 28%. A grande quastão, agora, é saber qual deles consegue agregar os votos suficientes para ganhar na segunda volta. Aparentemente, Bolsonaro tem a tarefa facilitada: a sua vantagem é enorme e basta-lhe ter um voto. Mas tem também uma taxa de rejeição altíssima. Será suficiente para gerar um "efeito anti-Le Pen", como sucedeu em França na campanha que deu o segundo mandato a Chirac? Não creio porque Haddad tem uma taxa de rejeição tão grande ou maior. O antipetismo, aliás, é o grande responsável pela votação de Bolsonaro. O Brasil que elegeu Lula não se tornou fascista de repente.  Tudo isto são evidências, mas diz muito dos nossos "tempos perigosos" que as tenhamos de repetir. 

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Domingo

por João Távora, em 07.10.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 


Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem à prova e perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério». Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas. 


Palavra da salvação. 

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A fractura exposta por Cristiano Ronaldo

por João Távora, em 06.10.18

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Há um elefante gigantesco e malcheiroso no meio da sala para o qual a opinião publicada continuar a evitar olhar: são os prejuízos reputacionais que o caso Ronaldo infringe nas entidades que dele se vêm servindo para se projectar há mais de uma década. O que é facto é que independentemente da possibilidade de condenação ou não do craque por violação de Kathryn Mayorga, o caso descrito pelo Der Spiegel é demasiado feio para o país que durante mais de uma década da sua fama tanto se promoveu dele sair incólume. Isso ajuda a explicar as declarações complacentes (a raiar a irresponsabilidade) de Marcelo Rebelo de Sousa e o silêncio daqueles que viam no “melhor do mundo” o representante duma nova geração para competir com Eusébio no Panteão do heroísmo nacional e internacional - lembrem-se do jovem indonésio Martunis sobrevivente ao tsunami e de outros milhares para quem o ídolo se arrisca a desfazer rapidamente em barro enlameado. 

Independentemente do modo como Cristiano Ronaldo se saia deste imbróglio de dimensão global, nele já se vislumbram perdedores evidentes e um deles é o patriotismo pacóvio. E pelo andar da carruagem receio que o aeroporto da Madeira ainda venha a mudar de nome e o museu do Sporting tenha de ser reconfigurado. É assim a vida hipermediatizada destes nossos ingratos tempos: é chato mas o Eusébio viveu noutra época e a idolatria nos nossos dias dá inevitavelmente nisto.

 

Publicado originalmente aqui 

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Diz (contrariada) que está mais "forte"

por João-Afonso Machado, em 05.10.18

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Há já algum tempo não nos cruzávamos. Hoje encontrei-a no hipermecado e, cerimoniosamente, cumprimentei-a. Que estava muito bem, obrigado, apenas um pouco «mais forte», abusava algo, abria a boca em excesso..

(Esta recusa feminina em darem-se por gordas, estes eufemismos... A D. Repúbica dir-se-ia poder estourar a qualquer momento, de tão «forte», de tanta chouriça que havia de rilhar todos os dias...)

Com ela, a prole, endiabradíssima. E magricela, não obstante. São uns três ou quatro e apenas o mais velho me pareceu sadio. A multiplicar-se em maus exemplos. Quando eu já quase gritava - Socorro! Fugiu um fauno da mitologia, agarrem-no! - era somente o Antoninho que abrira um pacotinho de especiarias e esperneava do nariz e dos olhos em todas as direcções.

A D. República limitou-se a sorrir. Mas já não assim com os pequenotes que mexiam ávidos na montra das frutas e das hortaliças, agarrados a pés de couve galega, de couve de Bruxelas, com se lhes mordessem as saudades do chocolate. De comestíveis menos republicanos, menos caseiros, melhor cozinhados. E a mãe, inflexivel, que não, as compras hoje ficavam por ali, ainda faltava a gasolina para o automóvel, caríssima, vá lá saber-se porquê?

(Mas acabou vergando, quando o Antoninho lhe pediu duas dúzias de chamuças para levar para casa. Ela própria se lambuzou toda, sublime, «forte», fortíssima, já se vê para quem duas duzias assim compradas, quase às escondidas dos mais miúdos. Da propriamente dita "arraia miúda", conclui).

Eu ia apenas por ração para os meus cães e gato. Depois lembrei-me de umas bolachitas para os idosos da minha família. Hoje é um dia triste. Os hipermercados são a costumeira enchente... Mas quem seríamos nós, portugueses, se em vez de comprarmos para nós e para os nossos - familiares e animais - nos atafulhássemos em chamuças? Anda por aí, ao que dizem, um partido novo que se preocupa com essas questões. Infelizmente só tem um deputado, um finguelinhas ao pé da D. República. E esta, sempre na lamúria, não lhe passa um dia por cima. Azar nosso, quando a apanhámos por vizinha... O melhor ainda será inundá-la de chamuças, até à indigestão - ao crash... - fatal.

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5 de Outubro de 1910

por João Távora, em 05.10.18

jesuitas.jpg

"Valentine Williams, correspondente do “News-Chronicle”, chegou a Lisboa um ou dois dias depois da revolução de Outubro. Desembarcou do Sud-Express às três da manhã e encontrou uma cidade deserta. Havia sinais de bombardeamentos nas paredes dos edifícios e cadáveres abandonados sob as árvores da Avenida da Liberdade. No Hotel Avenida Palace não se achava ninguém a receber as visitas. Carregou as malas pela escada acima e instalou-se num quarto à sua escolha. Nos dias seguintes percorreu a cidade, assistindo a gloriosas jornadas revolucionárias. A caça aos padres e às freiras estava na ordem do dia."

 

 

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Umbilicus Mundi

por Pedro Picoito, em 04.10.18

No fundo, o que eu queria era ficar no meu canto, com os meus livros, a minha música e o meu cachimbo. Os clássicos davam o nome de aurea mediocritas a esta quietude contemplativa, e parece-me bem mais áurea do que o desassossego estéril a que tantos chamam vida. Mas não posso desentender-me da sorte dos outros, até porque a defesa da liberdade de todos é também a defesa da minha liberdade. A democracia em que acredito, fruto imperfeito das grandes revoluções modernas, prometeu-nos com a cidadania o direito à felicidade. Está na Declaração de Independência americana. É essa a sua força e a sua fraqueza. Porque não há nada que mais separe os homens do que a felicidade. Nenhuma bússola indica o caminho, nenhuma lei traduz na língua do quotidiano a gramática do absoluto. Sim, alguns falam em bem comum, mas receio que seja no sentido de vulgar, não de colectivo. O poder doce e omnipresente que cresce à sombra dos egoísmos, como o descreveu Tocqueville.

Deveria ser de outro modo? Não creio. Dou-me bem com esta anomia, embora sinta por vezes a nostalgia da cruzada. Por exemplo, quando querem impor-me a novilíngua de turno como se fosse a revelação divina. Deus não morreu, ao contrário do que ameaçava Nietzsche: minimizou-se em milhões de trolls e passeia na brisa da tarde das redes sociais. Nada tenho contra a descoberta do próprio umbigo. Segundo a Declaração de Independência, trata-se de uma viagem tão legítima como a ida à Lua ou a Jerusalém. Mas já tenho alguma coisa a dizer sobre o erro de rota de quem descobre o centro do mundo no próprio umbigo. Ir à Lua ou a Jerusalém obriga a partir, a sair de casa, a cruzar mares e céus distantes. E cruzar mares e céus distantes é também uma forma de cruzada. Pouco exaltante, já se sabe. Afinal, não passa de combater umbigos. Mas o que assim se ganha é nem mais nem menos do que a liberdade de pensar. Também está na Declaração de Independência. 

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