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Metamorfose de Narciso - Salvador Dali.jpg

Expulsa do Éden, a humanidade tornou-se escrava dos elementos, receosa da criação, desconfiada do seu olhar. O homem ganhara consciência de si, prenúncio de uma tragédia. Com o tempo, foi aprendendo (e obrigado) a olhar à sua volta, a interpretar o Mundo e assim defender-se da sua violência, iludindo a precariedade. Olhando para fora identificou as ameaças mas descobriu a Beleza onde se esconde Deus. Seduzido pelo seu reflexo, assim foi progressivamente fortificando a ideia de individualidade que o olhar de Cristo consolidou na noção de Livre Arbítrio (vontade) e na consciência da sua singularidade de criatura divinal e dramática. Esse percurso é reflectido nas artes, da literatura à pintura, passando pela música; do formalismo à exacerbação do filtro das paixões, desejos e frustrações, da genialidade com que o artista foi submetendo a realidade à sua recriação. Daí ao auto-convencimento da supremacia do seu olhar sobre a realidade em si mesma, fixado na sua auto-suficiência, o “eu” arvorou-se no fim e o princípio de todas as coisas e até a beleza caiu em desuso. Não interessa mais o que são as coisas, mas como cada um as sente, e vai aonde te leva o coração. Assim, o individuo desliga-se dos outros e da História, descarta o compromisso por troca com o efémero, todos filhos únicos, geração espontânea,  tudo é relativo, sensações, uma pedrada, uma “experiência”, um estado de espírito, o amor-próprio e outras balelas, uma "assinatura" esborratada num monumento, “ó Leonilde is lôve”, que a Arte é um direito de todos como a opinião. 

Aqui chegados, tornámo-nos todos narcisos definhando estéreis à beira do rio que flui indiferente, embevecidos (ou acabrunhados) com o próprio reflexo, que a vida são só dois dias e amanhã é o fim do mundo.

 

Imagem: Metamorfose de Narciso, Salvador Dali 

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Já aqui há dias, Vera Barros Gouveia, lúcida e sensatamente como é seu costume, explicava: "Quando se fala em tabelar o preço de venda e de arrendamento das casas está-se, imagino eu, a pensar em impor um limite que seja inferior ao preço normalmente praticado (para ser mais alto não valia a pena). Ora, isso significa que a quantidade que era oferecida acima desse tecto desaparece do mercado, até porque os imóveis não são bens que pereçam facilmente, logo é fácil guardá-los para vender em altura mais favorável".

O mesmo artigo, aliás, cita uma observação judiciosa de Fernanda Câncio: "ao deliberarem intervir no mercado do arrendamento no sentido de o tornar cada vez mais penalizador para os proprietários estão a certificar que cada vez menos gente – mesmo no BE, ahah – queira investir nele ou nele permanecer".

João Pires da Cruz também lembra que o chão não produz (no sentido económico do termo), o que produz é o trabalho que se faz nesse chão: "na realidade, o espaço não vale absolutamente nada tirando aquilo para o qual as pessoas o usam".

Claro que há sempre umas pessoas que acham que "aqueles que andam a provocar preços especulativos paguem um imposto superior àqueles que não o fazem" porque, provavelmente, acham que os preços do espaço sobem por vontade dos vendedores e da sua ambição em ficar ricos depressa.

Ora o que me interessa é que escusam de testar nos centros urbanos o que é facilmente demonstrável no mundo rural.

Um amigo meu, respondendo ao argumento frequente de que os fogos se justificam com os negócios da madeira queimada, argumentando que os madeireiros ganham muito em comprar a madeira mais barata, depois de um fogo, lembrava, bem, que compram a madeira mais barata pelo simples facto de valer menos, tal como uma casa que ardeu tem um preço mais baixo que uma casa intacta porque o fogo a fez perder valor.

O que está a acontecer há muitos anos, no mundo rural, é que o valor económicos das terras marginais (que existia enquanto o mato tinha valor, fosse para aquecimento, para estrume ou para pastoreio) tem vindo a baixar na medida em que os usos que poderiam ser feitos nessas terras deixam de ser usos competitivos (o pastoreio não paga assim tanto, a madeira de pinho tem perdido valor relativo à medida que o preço dos factores de produção sobem, o que é agravado pelo risco de fogo, a resina esteve pelas ruas da amargura e ainda não é uma actividade assim tão interessante, os produtores de eucalipto queixam-se do preço pago pela indústria, e a indústria argumenta com o preço do mercado internacional de matéria prima, etc.).

Mas, como lembra Vera Barros Gouveia, os terrenos não bens que pereçam facilmente, e portanto podem ser guardados para melhores dias, já que agora não há quem os queira comprar a preços que interessem aos seus proprietários porque o que lá se pode fazer não paga preços mais interessantes.

Como lembra Fernanda Câncio, as medidas que penalizam os proprietários apenas asseguram que cada vez menos gente queira investir ou permanecer neste mercado.

Ou seja, o chão deixa de ter valor, como diz João Pires da Cruz mas, estranhamente, os especuladores capazes de produzir preços especulativos capazes de os tornar instantaneamente milionários, não aparecem e preferem actuar em mercados muito mais arrsicados e povoados de gente, como o do imobiliários dos centros históricos de Lisboa e Porto.

O resultado final é que sem valor económico o destino do chão é o abandono.

Já foi assim nos centros históricos de Lisboa e Porto, tendo como consequência o despovoamento e a ruína dominantes não há muitos anos, com gente pobre mas muito típica, que não tinha recursos para procurar casas com condições mínimas de habitalidade e, por isso, continuava ali, no meio das ruínas, porque era aquilo que o seu rendimento permitia pagar para estar perto do seu trabalho.

É assim em grande parte do mundo rural, com a diferença de que não havendo pessoas não há actividade económica, não havendo actividade económica não há trabalho e as pessoas foram-se embora, deixando os terrenos sem gestão.

O mais extraordinário é que enquanto a discussão nos centros urbanos é uma discussão económica entre os que acham que os preços são um equilíbrio entre oferta e procura e os que acham que há especuladores que provocam preços especulativos comprando e vendendo rapidamente, a discussão sobre o mundo rural é sobre coimas, obrigações e o mau carácter dos proprietários ou, na melhor das hipóteses, sobre os amanhãs que cantariam se se resolvessem os problemas de propriedade, de associativismo, de capacidade técnica, etc..

Os negócios do fogo, de que muitos falam, são iguais aos negócios do alojamento local: ou há procura, rendimento, investimento, valor económico, e os proprietários ficam felizes por ter na sua mão um património que lhes resolve a vida e paga os estudos dos filhos, ou não há procura, não há rendimento, não há investimento, não há valor económico e é preciso ir tratar da vidinha para outro lado.

Robles especulou em Lisboa (felizmente para ele e para todos nós) mas o BE pode estar descansado: nas actuais circunstâncias, não há o menor risco de ter vereadores ou dirigentes a fazer especulação com terrenos rurais marginais, infelizmente para esses vereadores, dirigentes e para todos nós.

A verdade é que ainda não perdi a esperança de ver a discussão sobre fogos (dos que têm chama) ser feita na mesma base da discussão sobre fogos (dos que têm rendas), isto é, numa base económica minimamente sensata.

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 Rui Rio não é apenas um político medíocre. É um político com propostas e convicções empobrecedoras. Posso dizer isto do alto da insignificância do meu voto singular. Mas posso também esperar e desejar (e espero e desejo veementemente) que este homem -- que como líder do PSD já demonstrou em poucos meses mais nojo à iniciativa privada do que o Bloco e mais avidez de novos impostos do que o PS -- consiga o pior resultado de sempre do PSD nas legislativas. Desejo-lhe um desastre eleitoral. Desejo-lhe com inteira sinceridade um resultado vergonhoso, para ele e para o seu partido. Desejo-lhe uma morte política o mais humilhante possível. E a quem o escolheu como líder.

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Da lagosta e da mais valia

por henrique pereira dos santos, em 11.09.18

Uma das minhas filhas, quando estava a acabar o curso, andava à procura de uma organização para fazer um voluntariado relacionado com micro-crédito.

Essa minha filha e uns amigos acharam que não havia nenhuma organização suficientemente atractiva e resolveram fundar eles próprios uma organização e desenvolver um projecto na Ilha de Moambique que, nessa altura, era mais que paupérrima e ainda não estava a beneficiar do turismo actual.

A organização cresceu, mas na altura era muito pequenina e duas das minhas filhas bem como dois dos meus sobrinhos estiveram nos programas iniciais (na altura eram poucos os candidatos a passar uns meses no fim do mundo a ajudar pessoas a serem menos pobres), o que me fez ficar com uma boa colecção de histórias, porque são todos diferentes uns dos outros (embora todos, ao fim de algum tempo, estivessem fartos de camarão e lagosta e suspirassem por poder ir a um Mc Donalds).

Uma das histórias mais interessantes, porque ilustra muito bem as dificuldades das diferenças culturais associadas à ajuda ao desenvolvimento, era a de um empreendedor que costumava comprar produtos na ilha e ia vender mais longe, no continente, nunca percebendo por que razão o negócio não prosperava. Foi a equipa do projecto que finalmente descobriu o problema: ele vendia os produtos exactamente pelo preço que os comprava, visto que era o valor que achava justo.

Lembrei-me desta história quando ouvi hoje um político que, seguramente, teria o voto deste homem, se votasse em Portugal: "uma coisa é comprarmos e mantermos durante ‘x’ tempo e outra coisa é andarmos a comprar e a vender todos os dias só para gerar uma mais-valia meramente artificial".

O problema é ter a sensação de que há muito mais gente do que eu gostaria que olha para a mais-valia da mesma maneira.

Serão muito menos os que, coerentemente, chegam ao corolário desta visão sobre a mais valia: "propriedade é roubo".

Mas todos juntos ajudam a explicar por que razão temos tanta dificuldade em sermos um país um bocadinho mais rico.

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Objectivos e medidas

por henrique pereira dos santos, em 10.09.18

Joaquim Miranda Sarmento tem hoje um bom artigo no ECO, sobre um assunto que me interessa: mobilidade sustentável (na verdade o artigo não é sobre isso, mas há uma ligação estreita entre o artigo e esse assunto).

O que me interessa realçar é a distinção entre os méritos de um objectivo e os méritos das medidas para o atingir.

No caso concreto das medidas sobre os transportes públicos de Lisboa, não basta que haja vantagem em ter os preços mais baixos possível para concorrer com outros meios de transporte que têm externalidades negativas maiores, o que interessa é saber a resposta a esta pergunta fundamental: "Seria preferivel usar os 65M€ que dizem que a medida custa na melhoria da oferta e ou na redução do preço?"

O mesmo tipo de questões se põe, por exemplo, para a avaliação da proposta do BE que consiste em criar uma taxa sobre transacões imobiliárias de curto prazo, supostamente para combater a especulação e os altos preços das casas em Lisboa e Porto. Por mim, não vejo grande problema na especulação, mas percebo as dificuldades que preços definidos a partir do mercado internacional possam criar a quem tem rendimentos baixos, como os portugueses. O que não entendo é como quer o BE fazer baixar preços de casas aumentando os custos de transação e diminuindo a oferta.

Também eu, a propósito, por exemplo, dos sapadores florestais, tenho insistido que a sociedade poderia obter muito melhores resultados com o mesmo dinheiro se em vez de subsidiar equipas de sapadores, apoiasse as fileiras económicas que podem fazer a gestão de combustíveis. Isso não é ser contra os sapadores ou desconsiderar o seu trabalho, é apenas chamar a atenção para a definição de objectivos associados às equipas de sapadores: se existem para apoiar a gestão florestal, isso é uma coisa e nesse caso os sapadores deveriam estar todos afectos aos produtores florestais e às suas organizações. Se o objectivo é a gestão do fogo, então há maneiras muito mais baratas para obter resultados muito melhores.

Em todos estes casos, e muitos outros, ser contra medidas concretas não significa ser contra os objectivos pretendidos por quem defende essas medidas concretas, muitas vezes significa apenas que se entende que as medidas propostas são erradas para os objectivos pretendidos ou que há medidas mais eficientes para obter os mesmos resultados.

O estranho disto é a dificuldade de, com frequência, separarmos os objectivos das medidas, discutir primeiro os objectivos pretendidos e, uma vez fechada essa discussão, discutir as medidas concretas para chegar a esse objectivo, havendo uma radicalização imediata: quem é contra as medidas é contra o objectivo (e isso explica-se porque se tem interesses inconfessáveis) e, rapidamente, passa-se para a desqualificação de quem se limita a pensar coisas diferentes.

Que façamos isto num blog, em redes sociais, na tasca, não é grave, é da natureza das coisas, mas que na imprensa seja em grande parte assim que se estruturam as discussões sobre medidas de política, isso sim, já é mau jornalismo: não me lembro de ouvir um único jornalista perguntar a Catarina Martins como quer diminuir preços reduzindo a oferta.

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Domingo

por João Távora, em 09.09.18

Leitura da Epístola de São Tiago 


Irmãos: A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam? 

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Onde anda a inteligência?

por João Távora, em 07.09.18

A coisa que mais me irrita são aquelas pessoas com opiniões redondinhas, editorial do Expresso, maioritárias, equilibristas, não me comprometas.
A segunda coisa que mais me irrita são as pessoas com opiniões berrantes, insensatas, irrealistas e inconsequentes, só para serem diferentes.
Isto não é nada fácil.

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Esqueci-me de vos contar, mas esta manhã no carro ouvi inadvertidamente num noticiário da TSF que um colectivo do Supremo Tribunal Indiano revogara uma lei que proibia a homossexualidade... herdada do Império Britânico. De facto a hedionda pegada da colonização é um jugo difícil de debelar, mesmo pelas mais superiores civilizações.

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Transportes e concessões

por henrique pereira dos santos, em 06.09.18

A recente proposta de Medina não nasceu recentemente e por isso talvez valha a pena olhar para a sua genealogia.

Até à chegada da troica Portugal tinha um problema seriíssimo com as suas empresas públicas de transportes, com um serviço medíocre, prejuízos operacionais imensos, dívidas colossais, mantidas artificialmente fora do perímetro de consolidação do défice do Estado e um peso dos sindicatos que simplesmente mantinham as gestões reféns da agenda política do PC.

Durante o governo de coligação troica/ Passos Coelho, esta situação foi muito alterada: o serviço continou no mesmo patamar de mediocridade, aqui e ali diminuiu o serviço prestado mas sem por em causa o essencial do serviço publico, foi atingido o equilíbrio operacional e começou-se a resolver o enorme problema da dívida, primeiro estancando o seu crescimento, depois, mais lentamente do que eu gostaria, foi-se começando a diminuir a dívida e a capitalizar as empresas.

Isto foi possível porque foram cortados rendimentos aos trabalhadores destas empresas, para além das melhorias de eficiência, nomeadamente com o fecho de serviços ruinosos.

Para além disto, o tal governo de coligação, fez a concessão dos serviços de transportes públicos de Lisboa e Porto, através de concursos internacionais, o que o PC e os sindicatos entenderam, aliás bem, como um golpe fortíssimo na sua capacidade para influenciar as políticas do país e manter a sua influência social através da manipulação política das greves no sector dos transportes, o último grande reduto (a par do ensino, mas neste caso com menos impacto social) da actividade sindical controlada pelo PC.

A então oposição e actual governo, estrebucharam o que puderam e prometeram, cumprindo, reverter a concessão dos transportes, que acusavam de estar mal feita, não garantir a melhoria do serviço prestado e essas coisas do costume. Davam até como exemplo a Fertagus, uma concessão caríssima, segundo dizem, ao contrário do que está expresso na avaliação dessa concessão. E em relação ao Metro do Porto conseguiram convencer (olá jornalistas preguiçosos) uma boa parte da opinião pública de que se estava a fazer uma concessão que alterava alguma coisa, como se o Metro do Porto não tivesse sido, desde o primeiro momento, uma concessão.

Para fazer esta reversão, o Estado central assumiu a dívida da Carris (o que é razoavelmente pacífico) e, num processo nebuloso (ao contrário dos processos transparentes de concessão a que a Câmara Municipal poderia ter concorrido se quisesse), entregou a gestão da Carris à Câmara de Lisboa, que prometeu revolucionar o serviço prestado, melhorando-o substancialmente, sem custos para os contribuintes de todo o país e assentando nos recursos próprios da Câmara Municipal.

O resultado é, até agora, deprimente.

O serviço tem estado numa degradação rápida, o Governo central, de forma muito pouco transparente, tem estado a financiar o investimento, nomeadamente em novos autocarros, através do Fundo de Carbono (e, com isso, ficando sem dinheiro para pagar os serviços de ecossistema que nos poderiam fazer ganhar controlo sobre o fogo e aumentar a riqueza criada nos territórios marginais do país) mas, como era de esperar, o dinheiro continua a ser curto para a operação, tanto mais que foram tomadas um conjunto de medidas demagógicas que aumentam o custo operacional, sem tradução em aumento de receita.

A proposta agora feita por Medina é simplesmente a forma engenhosa (em bom português, uma esperteza saloia) para voltar a ter o Estado central, quer dizer, os contribuintes de todo o país, a subsidiar a operação da Carris, através de uma medida de suposto interesse social e reforço do transporte público, como é a subsidiação dos passes sociais.

É isto que está em causa, é fechar o ciclo da reversão das concessões com a subsidiação da operação da Carris por parte de todos os contribuintes, o resto é fogo de artifício.

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Unir o Sporting

por João Távora, em 05.09.18

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Apesar de nenhum dos 7 candidatos a presidente do Sporting me ter deslumbrado particularmente tomei a decisão de votar em Frederico Varandas. Convenceram-me a sua genuína vontade de ocupar o cargo reflectida no corajoso e antecipado anúncio da sua candidatura, a lufada de juventude que transparece e a consistência da sua carreira como médico e militar, que dá indicações dum perfil decidido, resiliente e ponderado, qualidades necessárias para o difícil período que o nosso emblema enfrentará nos próximos tempos. Importa aqui ressalvar que se for outro candidato a obter a confiança dos sócios, esse será presidente que eu apoiarei no dia seguinte, para reerguer o Sporting do vendaval de destruição sofrido nos últimos meses e fazer esquecer o maluquinho do kamikaze cujo nome me escuso mencionar. Para que isso aconteça, no sábado os sócios são chamados a comparecer em peso, única fórmula de virarmos a página mais negra da nossa história e assim voltarmos a unir o Sporting.

 

Publicado originalmente aqui

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A ética do dinheiro público

por henrique pereira dos santos, em 04.09.18

Saltemos por cima da velha citação de Thatcher (there is no such thing as public moneythere is only taxpayers' money) e concentremo-nos na discussão sobre a proposta de pôr os impostos de todos a financiar a mobilidade das regiões mais ricas do país.

Este governo (tal como os anteriores, de resto) está longe de demonstrar grande preocupação com a coesão territorial quando chega à decisão pura e dura de afectação dos dinheiros públicos, como se pode ver nas suas decisões de pôr o Fundo de Coesão a financiar os transportes públicos de Lisboa e Porto, ou de afectação das verbas para o mundo rural, ou ainda na afectação do Fundo Ambiental.

Este governo, onde vai mais longe, é mesmo em decisões extraordinárias como a de pôr o dinheiro do Fundo Ambiental a financiar festivais de música, nisso temos de reconhecer alguma originalidade.

Já aqui me diverti ao ver a esquerda a defender que quem paga mais impostos (tipicamente os que mais têm ou mais ganham) tem direito a uma parte desses impostos, por exemplo, na subsidiação dos passes para os transportes públicos.

Ainda assim, achei que valia a pena fazer um ou dois comentários.

1) O facto de se ser contra o financiamento dos transportes públicos das regiões mais ricas com os impostos de todos não significa que se seja contra o financiamento público de transportes públicos, significa apenas que se discorda da opção de financiar a mobilidade das regiões mais ricas com os impostos das regiões mais pobres;

2) A Câmara de Lisboa tem muitas alternativas para financiar as suas propostas, começando pelo aumento de IMI sugerido, por exemplo, por Paulo Ferreira, até ao aumento do preço do estacionamento em espaço público, passando pela famosa taxa turística (ou será que acabar o Palácio da Ajuda, quando existe tanto património edificado sem função adequada, é assim uma prioridade tão grande?) e muitas outras possibilidades (uma das que mais me agradam é acabar com o financiamento de festas e festarolas em que os impostos de todos servem para o povo poder asssistir à borla a um espectáculo da Rosita, aplicando o dinheiro poupado em transportes públicos). Estranho seria se as regiões mais ricas não tivessem capacidade para gerar os recursos de que necessitam para ter uma mobilidade sustentável.

Aparentemente há alguma falta de consciência de que os impostos de todos incluem os impostos dos que menos têm, mesmo dos mais miseráveis e, por mais pequena que seja a percentagem do dinheiro dos mais pobres no conjunto, a verdade é que é imoral usar esse dinheiro para beneficiar quem vive muito melhor.

Claro que há muitas coisas em que procurar levar este preceito moral às últimas consequências pode conduzir a soluções menos eficientes para todos.

Por exemplo, no caso concreto dos transportes públicos, seria eticamente preferível que o custo para os utilizadores fosse o que resulta dos custos reais de prestação do serviço, financiando-se directamente os que não pudessem pagar esse preço justo dos transportes, mas isso pode conduzir a soluções de verificação de rendimentos tão complexas que os benefícios se percam pelo caminho.

Porque as contas nem sempre são fáceis, estas são matérias raramente consensuais, mas ao menos o princípio geral de não usar dinheiros públicos como forma de transferir riqueza dos mais pobres (sejam indivíduos, sejam regiões) para os mais ricos, deveria estar perfeitamente claro e adquirido.

A julgar pelas propostas em cima da mesa, infelizmente nem esse princípio é consensual e as regiões mais ricas, à boleia da sua maior capacidade eleitoral, continuam a concentrar os recursos de todo o país na resolução dos seus problemas, sempre com justificações excelentes de benefício para todos, claro, como a descarbonificação da economia.

É pena é que essas justificações, por mais diversas e bondosas que sejam, resultem sempre no mesmo: a concentração de riqueza nas regiões mais ricas e o abandono do resto do país que, como sabemos, é só paisagem.

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Os revolucionários

por João Távora, em 04.09.18

É um momento particularmente difícil e que nos deixa desnorteados! Grandes baluartes do Catolicismo tradicional, em pungente descompostura, vêm a público quais camponeses desesperados, munidos de archotes e forquilhas, cercar a Cidade Eterna em uma noite de lua minguante para pedir — quem o ousaria imaginar jamais? — a cabeça do Cristo-na-Terra. Católicos tradicionais, conservadores, pedindo em público a renúncia do Papa! Seria inacreditável, uma piada de mau gosto, uma burla grotesca, se não fosse a terrível e dolorosa verdade. 

 

A ler na integra aqui

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Reconhecimento

por João Távora, em 04.09.18

O rei olha para os actores da política sectária com uma isenção que advém da sua independência dos partidos. Já os cristãos são desafiados a amar os seus inimigos. Não te admires, Pablo.

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Por falar nisso

por henrique pereira dos santos, em 03.09.18

Vinha só lembrar que o argumento de que não há problema nenhum em os impostos dos pescadores de Rabo de Peixe e os pastores da Serra da Estrela pagarem os transportes da imensa maioria de lisboetas e tripeiros porque são estes últimos que pagam a maioria dos impostos é um argumento muito perigoso num país em que 9% dos contribuintes pagam 70% do IRS (dos quais os 1% de rendimentos mais altos pagam 28% de todo o IRS).

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Domingo

por João Távora, em 02.09.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

 

Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

 

Palavra da salvação.

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A Igreja que se reergue

por João Távora, em 01.09.18

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Um amigo meu agnóstico comentava comigo há dias as recentes manchetes que flagelam a Igreja afirmando que, ao contrário do que se diz, não há hoje uma especial crise de vocações, ela sempre existiu, só que na geração dos nossos pais e avós as motivações para o sacerdócio nem sempre seriam as mais correctas – um modo de vida, ascensão social e académica, etc.

No outro dia, perguntei à minha mãe quem era o padre que aparece numa fotografia a ministrar-me o sacramento do baptismo. Surpreendeu-ma a sua resposta, que não sabia, tanto mais que naquele tempo não era como agora, havia muitos padres mas a maior parte deles (com bastantes e honrosas excepções) eram como que anónimos “funcionários”, figuras cinzentas sem grande carisma ou autoridade. Disse-me que temos sorte nos nossos dias, onde encontramos vocações extraordinárias, homens de rara erudição, grandes exemplos de espiritualidade, modelos de santidade e verdadeiros heróis no serviço. Conheço de perto alguns casos impressionantes.

Isto para dizer que, ainda antes da previsível legalização da pedofilia (o abaixamento da idade de consentimento de que se fala no influente meio LGBT), acredito que as ovelhas negras estão condenadas à erradicação nos seminários.

 

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