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Quase mártires da liberdade

por João-Afonso Machado, em 12.07.18

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O episódio é verídico, rigoroso, ocorrido em plena Lisboa. Eles eram três democratas com a cabeça a prémio. A fuga tornara-se imperiosa. Valendo-se de alguns sofisticados meios tecnológicos (felizmente ao dispor), o mais novo, mais afoito, conseguiu estabelecer contacto com um resistente destacado para auxiliar a evacuação (salvo seja) dos aflitos.

A cidade dormia quando o operacional surgiu silenciosamente, num automóvel vulgar, conquanto limpo e dotado de boa música na telefonia, completa a ausência de futebol no seu habitáculo. A viagem para o aeroporto decorreu sem sobressaltos, rapidíssima. Nada de palavras de ordem, de diatribes políticas, de populismos travessos. Tudo fora combinado, o desembarque processou-se discreto, instantâneo, mesmo nas barbas das viaturas verde-negras ou bejes dos guardiões do regime.

A ditadura taxista sofrera mais um revés, sobretudo quando, muito ao longe, ouviu gritar:

- Uber alles!!!

A globalização da humanidade

por João Távora, em 09.07.18

campeões do mundo.jpg

A meio da semana passada, impressionado com as notícias que vinham da Tailândia, perguntei aos meus filhos pequenos se sabiam do que se estava a passar. Não sabiam: como a maioria dos jovens e das crianças, hoje em dia conseguem viver numa bolha onde convivem com a “realidade” que escolhem seguir, por via do Youtube, do Instagram ou dum qualquer canal de séries ou desenhos animados sempre ao dispor. A razão por que nesse dia os obriguei a ver um noticiário da TV foi por considerar que aquele “caso” era definidor do que é uma autêntica “notícia”, além disso capaz de comover o mais empedernido adolescente. Esta história de 13 destemidos jovens sepultados vivos nas entranhas impenetráveis da terra e a obstinação de uma comunidade quase planetária disposta a tudo fazer para os salvar concentra em si o dramatismo mais profundo da condição humana seja na sua fragilidade ou nobreza. A complexidade de todas as histórias que daí se ramificam, da angústia dos pais e familiares aos heróicos mergulhadores que arriscam a vida num diabólico labirinto de corredores e câmaras rochosas submersas pelas impiedosas águas das chuvas…  E a eventualidade da humanidade por uns instantes expurgar a sua alma colectiva com o sucesso desta operação, coroada com uma triunfal presença dos rapazes Domingo que vem na final do Mundial em Moscovo? Um final que se faça hino ao que de melhor é capaz o ser humano.

Os meus miúdos já acompanham as notícias que nos chegam das grutas do norte da Tailândia que depois debatemos e aprofundamos à mesa em família. Não como uma novela ou um torneio de futebol como sugeria há dias no Facebook um “intelectual” sempre enfastiado. Uma comoção verdadeiramente global que espelha a humanidade que somos todos independentemente da geografia, história e da língua com que nos fizemos gente (desculpa lá o mau jeito John Lennon). Porque o que está em jogo é o simples duelo entre as trevas e a luz, e nisso (quase) todos sabemos de que lado somos.

Toiradas e fogos

por henrique pereira dos santos, em 07.07.18

Procurar discutir racionalmente qualquer coisa relacionada com touradas é "em esforço inútil, um voo cego a nada" porque ninguém está interessado numa discussão racional sobre o assunto.

Há dias em que me dá para causas perdidas e hoje é um desses dias.

Argumento 1: direitos dos animais e questões conexas

Do ponto de vista dos direitos dos animais elegar a proibição de toiradas como prioridade é simplesmente absurdo. Os toiros de lide têm três a quatro anos de vida em que a sua natureza é respeitada, a sua liberdade é quase integral e a sua condição essencial de criatura viva é profundamente mais digna que a dos cães e gatos que toda a vida são sujeitos aos interesses e natureza dos seus donos, sem oportunidade para o desenvolvimento da sua condição de animal com valor intrínseco (curiosamente a primeira pessoa que li e me chamou a atenção para este aspecto foi Jane Godall). Penso que nem vale a pena argumentar sobre os animais de produção, deste ponto de vista. É certo que essa vida acaba (ou não) numa tarde sangrenta, mas isso não anula o argumento base de que o toiro de lide, no conjunto da sua vida, tem o seu valor intrinseco como ser vivo, e a possibilidade de desenvolvimento da sua natureza própria, muito mais respeitado que qualquer dos cães e gatos cujo dia a dia, da alimentação à reprodução, passando pelas tempos limitados de liberdade condicionada e de possibilidade de relação com a natureza e outros seres vivos, incluindo os da sua espécie, é totalmente subordinada ao arbítrio e interesse dos seus donos.

Argumento 2: tradições e significado da toirada

O toiro e os rituais associados ao toiro e à vaca são transversais a toda a bacia do mediterrâneo e bastante mais além, sendo muito relevante na Índia, como é do conhecimento comum. Os rituais da luta entre toiro e homem, de maneira geral relacionados com a fertilidade, são muito generalizados, assumem muitas formas e estão profundamente embebidos na nossa matriz cultural, mesmo que não demos por isso. Pretender que a tourada é um mero divertimento, esquecendo toda a história que a precede é demasiado pueril para ser levado a sério. Por outro lado, pretender que todos os rituais em que se funda a nossa cultura e identidade actuais se devem manter como se as sociedades não evoluíssem, é igualmente pueril. O relevante, neste aspecto, é apenas não desvalorizar quer o significado profundo dos rituais colectivos, quer a necessidade de os adaptar (reconhecendo-os) às sociedades que esses rituais servem. Neste caso é útil notar a clivagem evidente entre um ritual de base rural, e como tal ainda reconhecido (mesmo que não racionalmente) nesse contexto (Barrancos é um bom exemplo, mas está longe de ser o único, como se poderá ver na capeia arraiana ou nas chegas de touros nortenhas) e uma visão estritamente urbana que não reconhece qualquer legitimidade a culturas alternativas, em especial, não tem o menor respeito por culturas rurais que considera arcaicas, sem fazer o menor esforço por compreendê-las.

Argumento 3: sociedades mais humanas não fazem espectáculos públicos que impliquem o sofrimento de outros seres vivos

Este é verdadeiramente o único  argumento ético que tem um fundamento sólido para a eventual proibição de touradas, se se reconhecer que os rituais ancestrais de fertilidade associados ao touro deixaram de ter significado, sobrando apenas o espectáculo que, enquanto espectáculo, é indigno de sociedades mais humanas. É um argumento que levanta dificuldades quando são tidas em atenção as questões que tratarei depois, na medida em que levanta um conflito de valores relevante, sobretudo quando aceitamos sofrimentos inacreditáveis noutros espectáculos (costumo dar o exemplo das corridas de bicicleta, sobretudo as desumanas etapas de montanha) feitos com pessoas, porque aceitamos que as pessoas (por exemplo, os ciclistas) têm o direito a optar por ser sujeitos às condições desumanas desses espectáculos, opção essa que está vedada ao touro porque não se lhe pode perguntar, em pequenino, se quer viver toda a vida num estábulo, totalmente dependente de terceiros para comer e se reproduzir, acabando num talho em que é morto com o mínimo de sofrimento possível, ou se prefere ser um touro de lide, com total liberdade e autonomia durante três a quatro anos, para se preparar para um combate final que pode ser mortal e doloroso.

Admitindo-se que o argumento 3 é sólido e justifica a proibição de touradas, avaliemos o que isso significa em termos práticos.

Ao contrário do que muitas vezes se ouve, o fim das touradas não significa o fim do sofrimento de muitos toiros que assim podem ser felizes, significa sim o fim dos toiros de lide, que são produtos económicos que só existem em função da economia que os gera.

Na ausência dessa economia, as explorações são reconvertidas e deixa de haver toiros dessa raça, a menos que se faça com os toiros de lide o que agora se faz com os burros das raças que perderam utilidade, das vacas de trabalho que são menos produtivas em leite e carne, das raças de ovelhas que produzem menos leite, lã e carne, das raças de cabras menos produtivas, etc.: montamos pesados e caros sistemas de transferência de recursos dos contribuintes para os produtores para nos substituirmos à economia que gerava essa diversidade biológica.

Mas ainda que se arranje maneira de manter uns quantos toiros de lide para garantir a manutenção da diversidade biológica, isso não garante a economia que hoje mantém geridos os territórios em que são produzidos toiros de lide e, com elevada probabilidade, porque de maneira geral estamos a falar de terrenos de baixa produtividade, a principal alternativa de gestão é o abandono.

Essa probabilidade tem duas consequências socialmente negativas: por um lado diminui a área do país que está sujeita a uma exploração de muito baixa intensidade e de elevado valor para a conservação da natureza que está associado à produção de toiros de lide, por outro lado o abandono aumenta a área de risco de incêndio, reforçando as circunstâncias que nos fizeram perder o controlo sobre o fogo, por falta de controlo social e económico do território.

Pessoalmente tenho sobre esta matéria sentimentos mistos: compreendo a ideia de que um espectáculo que implica sofrimento é um sintoma de desumanidade (estou aliás convencido que, sendo a sensibilidade e cultura urbanas esmagadoramente dominantes, só a desastrada actuação das associações animalistas e afins, com a sua habitual cegueira em relação ao outro, com a sua habitual irracionalidade que as leva a preferir as emoções à razão, e com a sua assumida superioridade moral e desprezo pelo mundo rural, tem sustentado uma reacção que estancou a progressiva decadência da tourada como espectáculo), mas também sei que as consequências sociais e económicas do fim das touradas acentuam os fundamentos da decadência de um mundo rural que não temos sabido integrar no património colectivo, com os resultados que conhecemos, o mais visível dos quais é o padrão de fogo que temos.

Também aqui me impressiona a forma extremada, emocional e sectária como discutimos o que pode definir o que é o nosso chão comum como sociedade e o que é a normal divergência de interesses e pontos de vista dentro da comunidade.

Aparentemente, deixámos de reconhecer o outro na sua imensa liberdade de ser diferente para nos concentrarmos na tarefa de levar o outro a ser o mais igual possível a todos os outros.

O atrevimento da... má fé

por João Távora, em 06.07.18

Se o fito de Fernanda Câncio for esclarecer a opinião pública, então deve parar um pouco para se informar melhor. Mas se a sua intenção for flagelar Portugal, torná-lo responsável por muito do que de mau existiu na história, fazê-lo campeão das iniquidades, se o seu propósito for culpabilizar os actuais portugueses, fazendo-os crer que os seus antepassados eram invulgarmente nocivos e cruéis, então não precisa de se informar, é só continuar na mesma senda.

 

A ler aqui na integra o artigo do Historiador João Pedro Marques 

Eucaliptos e teorias da conspiração

por João Távora, em 05.07.18

(...) A sociedade, tendo o bode expiatório do eucalipto e dos grandes interesses económicos associados, só dificilmente se mobiliza para disponibilizar os recursos necessários para resolver a falha de mercado que tem permitido a expansão, em algumas áreas claramente excessiva, do eucalipto.

Pôr a tónica na espécie, em vez de a pôr no verdadeiro problema, isto é, na ausência de gestão, é andarmo-nos a enganar sobre a melhor forma de resgatar o mundo rural da armadilha de fogo em que está metido. (...)

 

A ler o nosso Henrique Pereira dos Santos aqui na integra.

 

A República sem ter de fazer

por João-Afonso Machado, em 03.07.18

Eis um Verão dos mais cinzentos dos últimos anos: sem sol e sem incêndios. Sem esse drama terrível que, em política, serve basicamente para trocas recíprocas de acusações e responsablizações.

Um Verão, ainda, que se esperava apimentado pelo Mundial de futebol onde Portugal não foi além dos oitavos-de-final. Como festejar assim, a classe política, os "nossos herois", indo ao aeroporto, abraçando-os, passeando-os em autocarro aberto na Capital, recebendo-os nos salões camarários, condecorando-os?

Um Verão que nunca mais é Outono, para reatarmos o "caso Sócrates". E um Sócrates, por maldade e casmurrice, há meses calado e escondido.

Um Verão sem Bruno de Carvalho e com um Sousa Cintra tomado por essa complicada doença que é o bom senso.

Um Verão em que o Governo aparenta paz e tranquilidade, sabe que os portugueses para nada querem saber da discussão orçamental que lhe sucede. Por isso António Costa não perde o sono, e vive pacatamente um dia de cada vez.

Assim sendo este Verão, como não encontrá-los todos, de todos os orgãos de soberania da República, aos pulos no concerto dos Xutos? Coitada dela, espreguiça-se e quase vai morrrendo de tédio.  Fez muito bem a República em sair à noite para se divertir e a nós também. Gostei - como sempre - particularmente de Catarina Martins e de Ferro Rodrigues. Que speed, meu!

Marcelo foi infantil, superficial, soberbo e absurdo. Foi superficial quando trouxe o tema do vinho da Madeira para a conversa, como que a querer situar o seu interlocutor na importância de Portugal na história dos Estados Unidos. Foi infantil quando trouxe o tema Ronaldo para a conversa, como quem traz na lapela uma medalha de honra. Foi soberbo quando reagiu à piada de Trump (que esteve bem em entrar no tom jocoso, uma vez que Marcelo não levou temas sérios para a conferência de imprensa) querendo insinuar que a política portuguesa é que é a sério ao contrário da norte-americana, e foi absurdo (e isto foi mesmo o pior) quando fez questão de dizer em conferência de imprensa que tinha estado com Putin e que este lhe mandara cumprimentos (como se o presidente russo precisasse de Marcelo para enviar cumprimentos a Trump), claramente a pôr-se em bicos de pés entre dois gigantes mundiais.

Via-se claramente que Marcelo se esforçou para se tornar importante aos olhos Trump, o que é uma reacção típica de quem não é. 

Resta a  Marcelo a interpretação favorável que se fez cá no burgo. Marcelo em Portugal foi aplaudido e elevado em ombros pela sua prestação na conferência de imprensa com Trump (o que é um sinal de como Portugal vive numa espécie de Caverna de Platão, que toma as sombras pela realidade). 

Vejam a conferência de imprensa do Primeiro-Ministro holandês Mark Rutte com Trump que se seguiu e comparem a postura e maturidade do chefe de Governo da Holanda com a do nosso chefe de Estado.

P.S. Só o penteado de Trump (o que é que o senhor fez ao cabelo?) no encontro com Mark Rutte retira seriedade ao momento. 

 

Domingo

por João Távora, em 01.07.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos 


Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e Ele deteve-se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que O apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que tinha um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-Lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de Si mesmo. Voltou-Se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-Lhe: «Vês a multidão que Te aperta e perguntas: ‘Quem Me tocou?’». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem O tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-Lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou». Ainda Ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com Ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, Eu te ordeno: Levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina. 


Palavra da salvação. 


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