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Não temos salvação

por henrique pereira dos santos, em 31.05.18

O nosso primeiro-ministro disse um dia destes: "Mas quanto mais limparmos este ano, menos teremos de limpar para o ano e assim sucessivamente".

Isto vinha a propósito da gestão do problema dos fogos.

Seguramente Tiago Oliveira, que depende directamente do Senhor Primeiro-Ministro, terá dito, em algum momento, que a gestão de combustíveis (a limpeza das matas na linguagem popularucha que tem caracterizado a discussão sobre o assunto) não é um processo cumulativo porque as plantas crescem sozinhas.

Seguramente os dirigentes do ICNF, a autoridade pública que tutela a floresta e a conservação da natureza, terão dito, em algum momento, que a gestão de combustíveis não é um processo cumulativo porque as plantas crescem continuamente.

Vários académicos disseram, explicitamente, que a gestão de combustíveis não é um processo cumulativo e que seria preciso arranjar soluções de gestão contínua ao longo do tempo.

No entanto, quando desde o mais analfabeto dos agricultores, ao mais qualificado dos doutorados portugueses que lidam minimamente com plantas, sabem, e dizem, que isso dos matos não vai lá com intervenções únicas que se somam no espaço, o Governo não só fez aprovar legislação absurda (pretender que as ervas não tenham mais de vinte centímetros, ao longo do ano, é pretender que se ande com um corta relvas, por meio país, todos os meses, mais ou menos como se faz nos campos de futebol, embora com mais frequência, um exemplo que uso por me parecer o único contacto que muitos dos que decidem sobre o assunto terão com a gestão da vegetação), como insiste nesta cantilena sem pés nem cabeça.

E como é isto possível?

Simples, não há qualquer custo político em dizer coisas absurdas porque os jornalistas não perguntam, a oposição não se opõe (nesta matéria, aliás, há um enorme consenso político no sentido de se gerir os espaços não agrícolas esquecendo a realidade), os que sabem cansaram-se e a generalidade da população estará minimamente satisfeito com o "faz-se o que se pode, coitados, ao menos alguma coisa melhorará, se não se fizer nada é que é pior".

Assim sendo, como já gastei todos os argumentos racionais de que disponho para falar deste assunto, resolvi fazer um boneco usando três fotografias de Francisco Barros.

As duas primeiras, publicadas a 13 de Março deste ano (portanto, desse dia ou de um dos dias imediatamente anteriores) são um antes e depois da famosa limpeza imposta pelas regras.

antes francisco barros 13 de Março.jpg

depois francisco barros 13 de Março.jpg

A terceira fotografia é de hoje, 31 de Maio, sensivelmente dois meses e meio depois.

31 de Maio francisco barros.jpg

Ou seja, quando as políticas públicas são feitas com este grau de conhecimento da realidade dos processos que pretendem influenciar, a responsabilidade não é de António Costa, Rui Rio, Assunção Cristas, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins e por aí fora, a responsabilidade é mesmo nossa, de uma sociedade anestesiada que aceita que se discutam políticas públicas, sejam elas a gestão florestal, a eutanásia, os contratos de associação das escolas, o salário mínimo a dívida, o desemprego, seja o que for, sem a menor exigência pública quanto ao estabelecimento de uma base factual objectiva que todos possam reconhecer, antes de discutirem o que fazer a partir dessa realidade.

Não temos salvação se continuarmos tão pouco exigentes como temos sido com a base factual para a gestão dos fogos e do resto.

Adenda de Francisco Barros: "Na 1a foto vê-se o que cresceu entre o inicio de junho de 2017 até à data. Na ultima, vê-se o que cresceu em 2 meses e meio após o corte. Ou seja, não faz sentido nenhum efectuar este tipo de controle em março ou mesmo em abril ou inicio de maio. É ter trabalho e gastar dinheiro em vão".

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Porque será que o DN vai passar a semanário ?

por José Mendonça da Cruz, em 31.05.18

Sobre a desaceleração do crescimento económico revelado ontem pelo INE, é o seguinte o título que se lê, hoje, no DN online (vale a pena ler a notícia que, evidentemente, não suporta o título):


PIB abranda por causa da chuva e moderação na compra de carros

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31 de Maio: Dia dos Irmãos

por Vasco Mina, em 31.05.18

A minha mãe partiu recentemente e o mesmo aconteceu com o meu pai há cerca de dez anos. Sou agora confrontado com a tarefa de desmontar a casa onde vivi desde que nasci até me casar. Por outras palavras, tratar da herança que recebi. No meio de tantos e variados assuntos aos quais tenho de ocupar o tempo, fica, no ecoar dos dias que passam, a seguinte pergunta: qual a verdadeira herança que recebi? Qual o valor que os meus pais me acrescentaram?

Faço parte de uma geração intermédia que não pertence "ao outro tempo", mas que não acompanha no pleno os tempos que correm. Em 1974, tinha 12 anos e era o mais velho de três irmãos; os meus pais não foram militantes antifascistas e o 25 de Abril foi um grande dia: não tive aulas! Crescemos como qualquer outra família da pequena burguesia (terminologia que só bem posteriormente entendi), educados para sermos bons alunos, a respeitar os mais velhos, a cumprimentar as pessoas, a não ser "malcriado", a andar vestido "como deve ser" e a ir à missa com as avós. Ao estrangeiro, fomos duas vezes a banhos ao Sul de Espanha e férias grandes (três meses, sim, três meses) passámo-las sempre na praia Grande. Não tínhamos primos direitos (os meus pais, algo raro à época, eram ambos filhos únicos) e sempre ouvimos (sem a entender muito bem) a lamúria da falta de irmãos. Éramos uma família pequena que, por isso mesmo, criou laços muito fortes entre si. Considerando apenas os 29 anos em que estive solteiro, o meu quadro de referência familiar eram os meus irmãos, os meus pais e as minhas avós.

Quando nos casamos, "viramos a página" e os pais e os irmãos deixam de fazer parte do quotidiano das nossas vidas. Os encontros passam a ser na casa paterna e as histórias do passado passam a ter cada vez mais significado. Misto de alguma nostalgia com o desejo de não perder referenciais, passamos a dar outra importância às relações com os nossos pais e irmãos. Perde-se algum "fio à meada", mas ganha-se a vontade de estarmos juntos.

Os filhos e os sobrinhos vão nascendo e crescendo e os encontros familiares ganham outro movimento. Vão sendo cada vez mais espaçados e, por isso, cada vez mais ricos em partilha de histórias e vivências. Um dia, as avós partem e a dor é imensa. Delas ficam muitas histórias e destas as mais saborosas são as que em conjunto vivemos. Crescemos sem muita consciência do valor das vivências e só nos damos realmente conta desta dimensão no momento de uma partida...

Mas regressando ao desmontar de uma casa, muitos são os objetos que nos passam pelas mãos e, no meio da azáfama, há alguns que nos fazem sentar no sofá, pois nos "obrigam" a recordar tempos passados. São as fotos! São estas as "peças" que nos fazem viver outra vez, que nos recordam os bons e maus momentos vividos e sobretudo aqueles que mais nos marcaram. São momentos que ficaram registados ao longo do tempo, que remontam à nossa infância, mas também aos mais recentes, que passam pelas férias em conjunto, pelos encontros de Natal, por casamentos e batizados... enfim, a história das nossas vidas! Mas tirando as que são a solo, as fotos têm um elemento comum: a companhia dos pais e dos irmãos. Quando aqueles partem, estes são a verdadeira herança quando ficamos órfãos. É que os irmãos não se escolhem: recebem-se. São a doação viva dos meus pais! Fazia-nos realmente falta este dia, o Dia dos Irmãos, a 31 de maio, para celebrarmos esta herança perpétua, a festejarmos, a renovarmos.

Artigo publicado no "Jornal de Notícias"

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Hoje é Dia dos Irmãos

por João Távora, em 31.05.18

irmãos.jpg

Aqui partilho a minha homenagem à frágil instituição dos Irmãos hoje publicada no jornal i (reciclado de um post aqui publicado há um ano). 

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Celebrar a vitória

por João Távora, em 30.05.18

capai.jpg

Apesar da ambiguidade provocadora (ou talvez por isso) acabo por gostar da capa do jornal i. Podíamos imaginar que teria sido engendrada para outro resultado da votação sobre a Eutanásia que era mais expectável. Mas não: eu prefiro acreditar que, pela cor e conteúdo, ela é celebrativa, festeja um desfecho. De resto a votação foi nominal a pedido (e bem!) do CDS. Daí me parecer pertinente a elencagem dos nomes dos deputados que se devem orgulhar do seu voto decisivo numa matéria tão sensível - num resultado assim tangencial cada um foi determinante. As reacções negativas dos meus amigos entendo-as à luz da costumeira discriminação negativa a que são sujeitas as ideias conservadoras pelos media. Isso não pode justificar uma “mania da perseguição” que é entrar no jogo do adversário. Já basta o que basta, temos de aprender a lidar com a vitória, saboreá-la e prepararmo-nos para os novos embates que nos esperam. É para isto que está destinado um orgulhoso e prudente conservador.

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As redacções das televisões confessam-se derrotadas

por José Mendonça da Cruz, em 29.05.18

No fim da votação que chumbou os quatro programas de eutanásia, Sic, RTP e TVi focaram toda a atenção nos derrotados, nos abraços de Isabel Moreira à lider da JSD, nos abraços de Isabel Moreira à autora do programa de eutanásia socialista, na entrevista da inevitável Catarina Martins. PCP, CDS e a esmagadora maioria do PSD, os vencedores, era como se não existissem. As televisões estavam com os derrotados; derrotados como elas.

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Eutanásia 3

por João Távora, em 29.05.18

(...) É certo que há quem defenda a eutanásia por sentimentos de compaixão, como resposta a situações de sofrimento duradouro e insuportável. Por isso se fala em morrer com dignidade. Como se a vida, em si mesma, nas suas dificílimas circunstâncias, físicas, psicológicas, sociais ou económicas, pudesse ser indigna. Como se ao Estado pudesse caber a tarefa de reconhecer a existência de vidas que, objectivamente, não merecem ser vividas. Como se fosse unívoco até o conceito de sofrimento insuportável. É evidente que a morte, antecipando o termo da vida, põe fim a qualquer sofrimento. Mas se o problema que queremos debelar é o sofrimento, a morte nunca poderá ser a solução. Aos olhos do Estado toda a vida deveria merece ser vivida. Tirar a vida não é solução para coisa nenhuma. Aquilo que nos deve mobilizar é permitir que todos possam viver, até ao fim, com toda a dignidade.

 

A ler Nuno Pombo e Rui Castro aqui na intergra no Jornal i

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Médicos e enfermeiros de várias especialidades dão o seu testemunho sobre a sua posição contrária à eutanásia.

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Eutanásia? Não!

por Vasco Mina, em 28.05.18

Manif 2905.jpg

Os projectos legislativos sobre a eutanásia vão, amanhã, a votos na AR. A sociedade civil também se manifestará e daí o desafio que a todos lanço no sentido de nos encontrarmos, pelas 13h30m, frente a S. Bento.

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Sobre a eutanásia (o projecto que vai ao Parlamento à revelia dos eleitores), afirma o PCP: «A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.» Isto e mais algumas coisas bem pensadas diz o PCP num comunicado admirável que se pode ler aqui. Era inevitável que um conservador coincidisse em algum momento ou tema com outros conservadores. Hoje sou comunista.

Hoje sou Cavaquista. O filho do gasolineiro, o homem que come bolo de boca aberta, vale mais em coragem moral e afirmação de princípios do que os membros mais sonoros das elites mais venais que tão cretinamente troçavam dele.

Diz Passos Coelho: «Ao pretender, por absurdo, emprestar mais dignidade na morte por supostamente desejar evitar sofrimento promove-se outro equívoco fundamental: uma vez que já hoje existem meios adequados que podem ser mobilizados para lidar e minorar o sofrimento físico e psicológico (...) o recurso à eutanásia pode representar uma demissão e uma desresponsabilização da sociedade na forma de ajudar os que sofrem.» Um dos motivos dos ódios a Passos Coelho tem a ver com a habilidade que sempre ele teve para desmascarar as intenções encapotadas. E os burros que não o compreenderam, nem compreendem o que lhe devem (ou compreendem, e, portanto, negam) fariam bem se lessem a opinião que publicou aqui, um texto denso e sério que os mesmos burros, obviamente, decerto não compreenderão. Hoje sou Passista com gosto e honra.

Hoje sou João Paulo Segundista que mostrou à evidência, longamente, penosamente, como a dor pode ser digna, o sofrimento nobre e nobilitante, e a assumpção do envelhecimento físico algo de admirável.

Hoje confirmo o nojo à busca histérica de protagonismo do BE, e à leveza protocriminosa do PS, sempre em busca da «modernidade», no caso de ela valer alguma popularidade e uns votos. Hoje confirmo a minha indiferença perante o CDS, que nunca me desilude ao desiludir-me sempre, e que, mesmo num caso como este, toma a posição que seria a minha, mas com argumentos de processo, não de fundo. Hoje, confirmo a minha completa desvinculação em termos intelectuais, éticos, políticos, sociais, comportamentais, desse cadáver trepanado e gasoso que é o PSD do lamentável Rui Rio.

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A morte como serviço público?

por João Távora, em 28.05.18

Eutanasia-Canada-W.jpg

Vivemos tempos estranhos quando o mesmo Estado que criminaliza os maus-tratos  aos animais e quer proibir o seu abate por razões de saúde pública, não só se recusa a criminalizar os maus-tratos a pessoas idosas como pretende agora oferecer a morte a pedido no menu do Serviço Nacional de Saúde. Vivemos tempos estranhos quando a morte a pedido nos é vendida como privilégio civilizacional garantido pelo Estado, o mesmo que não quer, não sabe, não consegue, garantir os direitos de um fim de vida digna aos seus cidadãos. Vivemos tempos estranhos quando o Estado pretende incumbir seres humanos encartados para matar outros seres humanos, justificando isso com a liberdade de um individuo. 

Essa máquina irá encarregar-se de gerir a conveniência dos pedidos de assassinato fundamentados em desesperos certamente inconcebíveis, com a ajuda de gabinetes de advocacia que se encarregarão de justificar dentro dos limites do quadro legal a conformidade do pedido do seu cliente ou a fundamentação da clinica perante casos extremos que considere atendíveis. Assusta-me viver num país que banaliza o valor da vida (inviolável segundo a Constituição), e cuja licitação poderá ficar ao alcance da apetência de cada um, e a morte um serviço garantido pelo Estado. Temos o dever de resistir.

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Eutanásia 2

por João Távora, em 28.05.18

Aquilo que está em jogo na eutanásia e no suicídio assistido é a transformação do suicídio num valor colectivo decorrente de um alegado direito a morrer. Um direito que importa matar à nascença. O ser humano terá sempre a liberdade radical para se matar, não pode é ter o direito de desviar o ónus do seu suicídio para outra pessoa ou para uma entidade colectiva e desresponsabilizadora. 

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António Costa entre a alquimia e a utopia

por Maria Teixeira Alves, em 26.05.18

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O secretário-geral do PS, que é também primeiro-ministro do país, fez um discurso triunfalista no 22º Congresso do PS. Um discurso marcadamente ideológico de 42 minutos a fazer lembrar outros líderes duradoiros da história. Claramente está para ficar. 

António Costa tem orgulho em ter aprovado o casamento gay e adopção, a liberalização do aborto, e prepara-se agora para aprovar a eutanásia (mais uma medida na cultura da morte).

Do seu discurso saliento alguns paradoxos: António Costa quer familias gay e abortos e ao mesmo tempo quer familias a procriar para inverter o saldo demográfico.  

Isto é, em nome das liberdades individuais defendeu o casamento gay e a adopção de crianças, e a liberalização do aborto. Mas alertou para o grave problema demográfico que faz com que “em 2060 não seremos 10 milhões, mas sim 7 milhões”. Ora alguma vez Costa pensou no efeito pedagógico das leis que defende? 

Se uma coisa está na lei, no limite é o mesmo que dizer que é a regra, ou seja é o comportamento a seguir. Mas se todos o fizerem lá se vai a demografia. 

Mais à frente no discurso defendeu a família. António Costa disse que é preciso “criar condições de estabilidade do emprego, do acesso à habitação para que as pessoas possam constituir família e terem bons serviços de apoio social que lhes permitam ter filhos”. 

Costa garantiu querer criar condições para aumentar a natalidade. No entanto as políticas que vão promover a natalidade são apenas ideias, e as políticas que o PS aprovou em primeiro lugar são as que vão pedagógicamente em sentido contrário, em nome das "liberdades individuais", que são soberanas.

Penso que a crise das familias não é apenas fruto da falta de dinheiro, é também fruto da crescente e gradual destruição da instituição, é fruto de uma mudança de mentalidades no sentido do individualismo e da misantropia.

Depois não posso deixar de realçar o paradoxo deste país e desta ideologia. Pois a única medida fraturante aprovada, que gerava natalidade (reprodução medicamente assistida) é barrada com a estupida regra de dar o direito às crianças de conhecer os pais-doadores. O que inviabiliza a medida imediatamente. Para já no falar do custo de tal medida.

 

Mais à frente no seu discurso no Congresso Costa adianta que é preciso criar condições para as pessoas formarem família (referindo-se, imagino eu, ao conceito de família de direita: pai, mãe e filhos), mas diz que isso não chega para inverter o saldo demográfico e por isso defende políticas ativas de migração para que os portugueses não partam (o que é curioso num assumido europeísta) e criar também condições para atrair imigrantes, para ter um saldo demográfico mais equilibrado. Até aí tudo muito bem. De facto é preciso criar condições para recebermos estrangeiros que queiram viver em Portugal. Mas lá está, a seguir cai noutro paradoxo. Ao dizer que essa política ativa de imigração se faz “combatendo um discurso xenófobo e racista” está a situar o tipo de imigração que defende.

Mas afinal Costa quer a imigração para aumentar a natalidade num contexto de empregos sólidos e adequadamente remunerados, como defendeu ao longo de todo o discurso, ou quer a imigração como bandeira de solidaridade social e quer imigrantes sem trabalho e que em vez de melhorar a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde do país e o desenvolvimento económico o vai degradar?

Reparem na diferença do que disse Costa para o que disse uma vez António Horta Osório. O banqueiro disse "é preciso criar políticas de imigração inteligentes" e citou os casos de Singapura, Canadá e Austrália, que promoveram a recepção de imigrantes nas áreas em que mais precisavam. A população dobrou em 20 anos e a economia cresceu. "Se não fizermos isso estaremos dependentes do rácio reformados versus pessoas ativas", disse referindo-se à relação entre população ativa e o crescimento da população.

António Horta Osório não falou em combate à xenofobia, falou em abrir a porta a políticas de imigração inteligentes, seletivas e confinada a áreas em que o país precisa, para fomentar o crescimento económico. O que António Costa propõe ou parece defender em termos de imigração só em sonhos cria crescimento económico.

Costa não quer apenas essa política para Portugal defendeu também uma Europa solidária com os refugiados e que saiba “partilhar esse encargo entre todos”. Como é que se compatibiliza isso com mais e melhor emprego, e mais remunerado? Não sabemos.

Analisemos o outro argumento. É óbviamente desejável manter os portugueses em Portugal, porque é um sinal que o país cria oportunidades de realização profissional. Mas um país que tem quatro ou cinco bancos e meia dúzia de empresas, onde os salários mínimos sobem, para gáudio do líder socialista, mas os salários médios estagnam ou descem face à inflação, que condições é que existem para os portugueses se manterem em Portugal? Quando os ordenados não chegam sequer para alugar uma casa, ou comprar.

Admitiu também que é preciso manter as novas gerações em Portugal e para isso é preciso que as empresas paguem melhores salários. Maiores salários e mais salários para as mulheres para combater a desiguladade. Mas também quer aumentar a produtividade das empresas. Mas como? Não disse. Outra alquimia de Costa é o querer a revolução digital [que serve para melhorar o desenvolvimento do país, mas que irá fazer desaparecer muitos empregos] e querer ao mesmo tempo quer manter os atuais empregos e mais bem remunerados. 

“Honramos-nos  de ter criado o Rendimento Social de Inserção",disse. Vangloriou-se de ter aumentado as pensões, o salário mínimo. Depois anunciou a política de modernização das infraestruturas e o investimento nas Ferrovias. “Queremos fazer na ferrovia o esforço que no passado fizemos na Rodovia e nas infraestrutura de telecomunicações”. António Costa disse mesmo que “temos o maior programa de investimento na ferrovia dos últimos 100 anos”.

Disse também que "não basta que a lei diga que somos todos iguais, temos de ter as mesmas oportunidades” e adiantou ser um desígnio “que o Estado assegure condições de igualdade de acesso a todos os bens públicos essenciais”. 

“Temos de continuar a trabalhar para defender o Serviço Nacional de Saúde”, foi uma das mensagens deixadas por Costa. Ora a realidade é que os portugueses pagam para o Serviço Nacional de Saúde e depois pagam os seguros privados se querem ter bons médicos e rapidez de atendimento, e com isso resta-lhes ainda menos dinheiro disponível para formar família e inverter a demografia. Mas para o socialismo o que importa é a igualdade. 

Todos estes gastos do Estado e ainda assim Costa garante que “enfrentámos a dívida com uma gestão rigorosa das finanças públicas dando ao país o menor défice da nossa democracia, e começando a reduzir a dívida e juros e mobilizando o dinheiro na edução, saúde, transportes públicos e serviços públicos”.

O líder do PS conclui que se há algo que se podia orgulhar é que “com o seu governo” tinha acabado o mito que só a direita é que consegue gerir a economia e as finanças públicas, numa retórica abertamente triunfalista.Mas Costa camufla o aumento da carga fiscal em tudo o que compramos (por exemplo na gasolina, mas não só, nas roupas, na comida, nos impostos imobiliários, etc) e que acaba com o poder de compra das classes médias. Mas para Costa “o PS é o partido que melhor governa a economia e as finanças públicas”. 

E lá diz o slogan: "foi possível virar a página da austeridade sem sair do euro”.

A ideia mais coerente que lhe saiu foi quando citou o socialista francês Mitterand: “O socialismo continua a ser a ideia mais jovem do mundo”. 

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Parabéns Senhor Arquitecto

por João Távora, em 25.05.18

Ribeiro Telles.jpg

Hoje, na passagem do 96.º aniversário do Arq. Ribeiro Telles é ocasião privilegiada para sublinharmos a perenidade das suas ideias como líder monárquico que se foi afirmando desde a Convergência Monárquica de 1961 até ao regime emergente da revolução de Abril através do partido monárquico que ajudou a fundar, uma referência democrática e de vanguarda na abordagem de problemas fundamentais para o futuro de Portugal como cultura, paisagem e território. Esse duplo compromisso com a tradição monárquica e lealdade à Casa de Bragança na pessoa do Senhor Dom Duarte Pio e a modernidade ecológica — representada pelo seu alerta precoce para a degradação da tão estimada ruralidade e pela sua defesa dos solos agrícolas de qualidade — não se esgotou no passado recente: antes pelo contrário, vivifica-se e renova-se continuamente, diante do actual estado das coisas. Na verdade, a mensagem de Gonçalo Ribeiro-Telles parece-nos das mais poderosas e inspiradoras do nosso tempo. Parabéns Senhor Arquitecto. Estamos-lhe profundamente gratos.

 

(Texto adaptado do meu prefácio ao livro "Por Que Sou Monárquico" publicado pela Real Associação de Lisboa em 2017)

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Cavaco diz que legalização da eutanásia “é a decisão mais grave que o Parlamento pode tomar”

"Nas eleições legislativas de 2019 não votar nos partidos que apoiarem a legalização da eutanásia e procurar explicar àqueles que me são próximos para fazerem a mesma coisa. Trata-se de uma votação com tais consequências para a sociedade portuguesa que, como eleitor, em 2019, eu não me posso esquecer daquilo que os deputados fizerem agora". Mais do que nunca os deputados, nomeadamente os do PSD, têm uma responsabilidade política pessoal e intransmissível pois, nesta votação sobre a eutanásia, serão verdadeiramente escrutinadas as suas opções para a sociedade portuguesa. Os círculos uninominais são cada vez mais necessários para a avaliação política daqueles que são os nossos representantes no Parlamento!

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Bruno de Carvalho, Rua!

por João Távora, em 24.05.18

Ao mesmo tempo que Bruno de Carvalho faz uns malabarismos para se acorrentar ao poder (difícil é entender como Augusto Inácio e Fernando Correia se sujeitam a estas coisas), começo a ouvir algumas vozes de comentadores a afirmar que irá ser difícil demitir esta direcção e convocar eleições, que o presidente tem tudo minado e que facilmente manipulará uma assembleia geral com as suas claques fiéis. Que mais vergonhas têm os sportinguistas de passar e desgraças são precisas acontecer para que o doidinho nos desampare o Clube?
Vamos ou não vamos expulsar o usurpador, Dr. Marta Soares? Onde é que eu tenho de assinar?

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Não, não é ironia e muito menos surreal. O Ministro da Ciência assinou um documento de protesto contra a sua própria política. É difícil de acreditar mas o Manifesto Ciência Portugal 2018 foi assinado por 2400 investigadores (e pelo próprio ministro). Verdadeira cereja no topo do bolo da geringonça. Imaginem o que seria se fosse num governo liderado por Passos Coelho!

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Qual é a pressa?

por João Távora, em 22.05.18

Qual é a pressa de legislar a despenalização da eutanásia e do suicídio assistido? Quem corre atrás de quem? Há alguém à espera do sim da maioria dos deputados para dar asas ao negócio? Para reforçar o lobbying e o networking para poder começar a angariar clientes rapidamente? Alguém para quem é importante estabelecer business plans e definir estratégias de marketing para projectos cuja eficácia se mede exclusivamente através da garantia de que todos os clientes morrem e nenhum fica vivo? Pergunto, porque não percebo a pressa. 

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