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Prós Aliados, carago! (Escreve um portista)

por João-Afonso Machado, em 30.04.18

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Esfuziante, ergue os braços perante o repórter. Oh! massa poderosa, sumo dos mais consagrados japoneses, padeira de aljubarrota, bandeirante de muitos hectares de bandeira... Pois claro, dali segue para os Aliados. - Bou eu e bai o meu home! Bamos todos, o puto também! . - Mas ainda falta um ponto para o Porto ser campeão... - Falta quê?! Falta nada! Já é!

Excitação total. E se amanhã é dia de trabalho, o trabalho que espere pelo dia. A noite será longa. - Carago!

Há muitos anos deixou de olhar para si. Entre o trabalho e a cozinha não há espelhos... Mas só de pensar em blusas com mangas já sua cavalarmente. E este é um dia diferente (- carago! -), um dia de liberdade. O home, tão ferrenho assim, vê-a com bons olhos nos Aliados. É substância, é megafonia acrescentada à multidão. Uma vez por outras, a cortar no rame-rame, sendo tanto o alarido e a hipótese de a TV os entrevistar...

Todos a vimos. Isto é o futebol na sua fase culminante, o pós-jogo. A vitória sobre esses inúteis de Lisboa. - Nós cá somos assim, carago! - Mas houve desacatos, briga nas ruas... - Foram eles, polha, foram esses vadios que começaram a apedrejar os nossos! Arfando, bota a mão ao seio e cobre o decote.

De Pedras Rubras aos Aliados a viagem promete. Ela ameaça sentar-se na janela aberta da viatura, atropelar os transeuntes com as suas nádegas de fora. - Oh moço, tens aí a tua bubuzela?

Seja-lhe feita justiça. Antes de finais de Junho, só lá para o S. João, não terá outra oportunidade de se divertir assim. A vida é mesmo muito monótona.

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Domingo

por João Távora, em 29.04.18

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto. Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei. Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem. Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos». 


Palavra da salvação. 

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Jamais deixarei que os factos influenciem as minhas opiniões

por henrique pereira dos santos, em 28.04.18

Hoje, no meio de outras coisas, resolvi dedicar uns bocadinhos a responder aos comentários no Observador sobre uma peça assinada por José Miguel Cardoso Pereira, Paulo Fernandes e António Carvalho.

O último não conheço, mas se escreve uma coisa a meias com os outros dois é, com certeza, alguém que sabe do que fala e é sério (pode estar errado, claro, como qualquer um de nós, mas isso é outra história).

Já os dois primeiros conheço-os bem e devo-lhes quase tudo o que sei sobre fogos (há uma pequena parte que diz respeito à minha área de trabalho, a evolução da paisagem, que aprendi noutros lados).

Os três resolveram fazer uma crítica séria e fundamentada à inacreditável reportagem de Ana Leal na TVI sobre o incêndio no pinhal de Leiria.

Que há sempre comentários parvos, ignorantes e por aí fora, é um dado adquirido.

O que é divertido é o nível básico, básico da argumentação e o facto da esmagadora maioria dos comentários encaixarem na clássica argumentação de que há uns extra-terrestres verdes que andam no meio de nós. Quando alguém argumenta que nunca ninguém encontrou o menor sinal desses extra-terrestres, o interlocutor responde que isso só prova que são tão inteligentes que conseguem viver no meio de nós sem deixar o menor rasto.

O melhor de todos, para mim, é este comentário: "Nem vou ler todo o rol de "baboseiras" referido por estes três senhores...acho uma falta de ética e profissionalismo brutal que três anonimos (só são conhecidos onde trabalham) venham colocar em causa o trabalho de meses de investigação de uma credenciada jornalistas Ana Leal. Quem me diz a mim e alguém já o comentou aqui, que estes três anonimos estao a por em causa o que as vítimas e o madeireiro disseram porque "alguem" lhes encomendou este sermão? Queriam ficar "famosos", pois já ficaram quanto mais não seja pelo pior motivo e da pior forma."

Primeiro começa-se por avisar que se vai comentar o que não se leu. Depois acha-se absurdo que três pessoas com trinta anos de trabalho cada uma num assunto tenham o desplante de pôr em causa o trabalho de uma jornalista que dedicou três semanas de investigação ao mesmo assunto. E depois, a conclusão clássica: se alguém discorda de mim, é por causa dos interesses que defende (este deve ser o argumento mais usado em Portugal, em todo o lado e em todos os níveis de sofisticação que possam existir numa discussão, sendo aliás o argumento base de grande parte da esquerda a propósito de tudo e nada).

Devo dizer que me diverti imenso a fazer comentários aos comentários, mas no fim, no fim, fica-me sempre aquela sensação de que o país não tem volta, é mesmo isto que somos, uns pobres de espírito, mas desta vez mal-aventurados, como me dizia um amigo sobre estes comentadores.

Mas num país em que nem um único jornalista alguma vez perguntou a António Costa se nunca achou nada de estranho no estilo de vida de Sócrates, o que poderemos esperar do sentido crítico que praticamos?

Razão tem João Gonçalves em citar regularmente Rodrigo da Fonseca: "nascer, viver e morrer entre brutos é triste".

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Será que autorizariam se fosse uma mesquita?

por Vasco Mina, em 27.04.18

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Líder judaico lamenta que "mono do Rato" venha "fechar o cerco" à sinagoga

 

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A reabilitação de José Sócrates

por João Távora, em 27.04.18

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A posição de Arons de Carvalho, que assume achar normal que um ex-primeiro ministro ande a receber envelopes com dinheiro “emprestado” de um amigo, reflecte uma coragem que muitos dos seus camaradas não têm, que se limitam a sussurrar sobre a violação do segredo de justiça, a substituição da procuradora e o “não jornalismo”. Arons de Carvalho vem apenas quebrar o ruidoso silêncio dos socialistas sobre a acusação a José Sócrates, numa demonstração de fidelidade ao seu mestre. 

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A proposta não é nova, é simples de enunciar, não tão simples de executar e não é barata.

É uma proposta cujos efeitos na diminuição da procura de habitação em Lisboa seria inegável, para além de ter efeitos também na diminuição da necessidade de desviar os dinheiros do fundo de coesão das regiões mais pobres para as mais ricas através da esperteza de financiar os metros de Lisboa e Porto, como está a ser feito.

É uma proposta que não mexe na regulamentação do mercado, mantendo a estabilidade das regras que são essenciais para que os senhorios aumentem os prazos dos arrendamentos. Antes de qualquer consideração económica, a preocupação central do dono da casa é manter o controlo sobre o seu uso. O que depende da confiança nas instituições, matéria que parece não preocupar este governo neste sector (nos outros também, mas agora isso não interessa nada).

É uma proposta que depende só da vontade do Estado e da sua opção na afectação de recursos, o que traz muitas vantagens por reduzir muito os riscos de execução.

E, como digo, é muito simples: mudem a capital para Castelo Branco.

O Estado libertaria muito espaço em Lisboa, dezenas de edifícios, o Estado deslocaria emprego do litoral para o interior, arrastando consigo toda a indústria de lobbying instalada em Lisboa, para já não falar dos inúmeros serviços associados ao governo da nação e ao apoio aos seus servidores.

Pode ser perfeitamente faseada no tempo, à medida dos recursos disponiveis, primeiro, meramente simbólico, poder-se-ia deslocar o Presidente da República, depois o Governo, depois a Assembleia e, pouco a pouco, os serviços públicos que, aliás, escusavam de ir todos para Castelo Branco, podem espalhar-se por aí.

Se quiserem ir mais longe, podem mesmo deslocar o Teatro Nacional (para Évora, eu gosto da ideia do Teatro Nacional estar sedeado em Évora e fazer intinerância em Lisboa) Universidades, o comando das Forças Armadas e da GNR, prisões, Imprensa Nacional, etc..

Mas tudo isso pode ficar para as calendas, já, já, era tomar a decisão de discutir isto. Só essa mera possibilidade diminuiria de imediato a pressão da procura de casa em Lisboa.

Depois o Presidente.

O resto seria só o resto.

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Reforma do Sistema Eleitoral

por Vasco Mina, em 26.04.18

Ontem, na cerimónia comemorativa do 25 de Abril na AR, o Presidente da República apelou à necessidade de renovar o sistema político. Ora tal só é possível através de mecanismos que estimulem e criem condições para a maior e melhor participação dos cidadãos. Desconhece-se qual vai ser a resposta dos partidos a este apelo do PR mas, a avaliar pelo que se passou desde 1997 com a revisão constitucional, nada acontecerá. No entanto, um grupo de individualidades, liderado por José Ribeiro e Castro e em torno “Manifesto: Por Uma Democracia de Qualidade”, vai lançar uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos que visa a reforma do sistema eleitoral. Na essência, a proposta em criar círculos uninominais (sem eliminar os círrculos plurinominais) e dando a possibilidade aos eleitores de escolher  o seu deputado. Mais detalhes aqui no artigo de opinião assinado por José Ribeiro e Castro. Eu apoiarei esta iniciativa.

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Da irrelevância dos jornais e afins

por henrique pereira dos santos, em 25.04.18

Por que razão é só num comentário de Facebook que leio isto, que todos os jornais acham irrelevante ao mesmo tempo que se prestam a dar tempo de antena a aldrabões de feira sem exercer um contraditório sólido: "todos os arguidos que prestaram declarações na Operação Marquês assinaram autos em cujo início estava escrito o seguinte: "Pelo arguido foi dito que desejava prestar declarações, tendo as mesmas sido gravadas através do sistema de gravação digital de audio e vídeo, disponível neste DCIAP, tendo sido gravado CD com as declarações, que se anexa a este auto.".

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Recordam-se?

por Vasco Mina, em 25.04.18

Ermelinda Duarte.png

Hoje é dia de memórias e para registo inicial eu tinha 11 anos em 25 de Abril de 1974. Uma das músicas que ouvimos, até à exaustão, foi a da gaivota. Recordo agora que o título da mesma era “Somos Livres” e Ermelinda Duarte a autora e também cantora. A dose foi de tal forma intensa que ainda hoje retenho:

Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Felizmente somos um povo que em tudo encontra um motivo para uma boa sátira. Por isso me recordo também de ouvir, então, uma música “alternativa” que até terá passado num Teatro de Revista. Não consegui encontrar na net esta referência mas aqui está uma memória.

 

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600 mil inquilinos precários

por henrique pereira dos santos, em 24.04.18

Tem sido repetidamente repetido um número entre 500 mil a seiscentos mil contratos de inquilinos precários, isto é, com contratos arrendamento urbano com um prazo de menos de um ano.

Jornais e jornalistas repetem este número dizendo qualquer coisa como, "estima-se que", etc..

A Pordata diz que em Portugal existem cerca de quatro milhões e cem mil agregados familiares.

Cerca de 75% dos portugueses são proprietários da habitação própria, isto é, três milhões desses agregados têm casa própria e portanto sobra um milhão de agregados que serão inquilinos.

No fim de Janeiro de 2016 Portugal teria registados nas finanças cerca de 750 mil contratos de arrendamento, dos quais cerca de 250 mil eram posteriores à obrigatoriedade de registo dos contratos de arrendamento (Novembro de 2015, se não me engano).

Ou seja, se existem cerca de meio milhão a seiscentos mil contratos de arrendamento novos com prazo de um ano, como se tem dito, só podemos ficar satisfeitos: houve uma explosão fabulosa do mercado de arrendamento, de tal forma que estamos a fazer contratos novos a um ritmo que é duplo do ano em que começou a ser obrigatório o seu registo e que é da dimensão dos contratos anteriores a 2015.

Se, como todos sabemos, as rendas são proibitivas para a classe média, há poucos indicadores do sucesso económico de Portugal mais sólidos que este meio milhão de novos agregados familiares milionários que todos os anos mudam de casa em Portugal.

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Frequentemente me dizem não compreender por que razão desvalorizo a questão da propriedade na discussão sobre fogos, em especial o problema da dimensão da propriedade e da escala de gestão.

A minha questão começa no facto de, há pelo menos 150 anos, os florestais (desconte-se a generalização, que é abusiva como todas as generalizações) defenderem a necessidade de ganhar escala na produção florestal, mas raramente o terem conseguido demonstrar na prática.

As demonstrações da relavância da escala na exploração florestal que conheço são em condições muito particulares: basicamente feitas pelas celuloses em terrenos especialmente escolhidos para isso. Quando as mesmas celuloses avançaram sem fazer bem contas à produtividade, confiando cegamente na ideia de que os ganhos de escala eram suficientes para justificar os investimentos, nos anos 80, fartaram-se de demonstrar o contrário, como na serra de Ossa, no Tejo Internacional ou em Mogadouro, só para dar exemplos bem conhecidos, ou como demonstra a Floresta Atlântica, para dar um exemplo menos conhecido.

Vejamos os meus argumentos:

1) A economia de escala é especialmente útil quando o investimento é muito elevado mas a operação é barata e rentável;

2) No caso da generalidade dos países europeus (e em muitas outras partes do mundo) esse é o caso da exploração florestal, na medida em que a instalação de povoamentos é muito cara, mas a gestão operacional é bastante barata (podendo mesmo não ser nenhuma, em muitos casos);

3) Em zonas de elevada produtividade (como é o caso de Portugal), em especial quando coincidem com condições climáticas que propiciam meteorologias extraordinariamente favoráveis ao fogo (como é o caso de Portugal), as operações de gestão assumem uma dimensão totalmente diferente, com custos elevadíssimos, que só as produções mais competitivas podem pagar;

4) Nos terrenos em que é possível a mecanização (que em Portugal representam áreas relativamente contidas), os custos de operação podem ser diminuídos com aumento do investimento em florestação (quer em conhecimento, quer em perda de densidade de árvores produtivas), ao ponto de, em fileiras com remunerações razoáveis (o caso do eucalipto, em Portugal), a escala poder ser um factor limitante, isto é, abaixo de determinada área a mecanização deixa de ser interessante e os custos de operação disparam. Acima de uma determinada área, relativamente pequena, deixa de haver ganho de escala por cada novo hectare, estabilizando a rentabilidade por hectare;

5) Ou seja, na generalidade das condições de Portugal, fora da fileira do eucalipto e em algum pinho já instalado e adulto, é muito pouco provável que a escala seja um factor relevante de rentabilidade porque a operação é inerentemente deficitária e aumentos de escala só conduzem a aumento do prejuízo. O que conduz ao abandono generalizado que conhecemos e que é retroalimentado pelo padrão de fogo daí decorrente;

6) Se os cidadãos que não são donos dos terrenos quiserem reintroduzir gestão onde foi abandonada, terão de pagar aos gestores de modo a que tenham retorno, o que é diferente de pagar pela disponibilidade de serviços: o que se remunera é a gestão e não a existência de quaisquer valores que existam nas propriedades, evitando a criação de rendas injustificadas;

7) Significa isto que o que defendo não tem nenhuma relação com minifúndio ou latifúndio, independentemente do maior Valor Acrescentado Florestal ser produzido no minifúndio, não por ser minifúndio, mas por haver uma estreita relação entre a dimensão da propriedade e a produtividade primária.

Enquanto continuarmos a agitar espantalhos sobre o sector florestal em vez de assumir claramente que há um défice de competitividade que tem de ser suprimido pelo resto da economia para podermos gerir o fogo de forma socialmente útil ou, em alternativa, aceitar o agravamento do padrão de fogo actual, com períodos de dez a quinze anos de relativa acalmia seguidos de tragédias como as de 2003 ou 2017, temo bem que vamos continuar a gastar dinheiro inutilmente em reformas florestais, da protecção civil, limpezas jamais feitas pelo menos desde a última glaciação, sem qualquer retorno social associado.

Mas vale pegar no dinheiro e distribuí-lo de helicóptero.

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Domingo

por João Távora, em 22.04.18

Leitura dos Actos dos Apóstolos 


Naqueles dias, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: «Chefes do povo e anciãos, já que hoje somos interrogados sobre um benefício feito a um enfermo e o modo como ele foi curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença. Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. E em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome, dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos». 


Palavra do Senhor. 

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Quando o ataque é a melhor defesa

por Vasco Mina, em 21.04.18

Sócrates acusa Rosário Teixeira e Carlos Alexandre de “patifaria”.

Como bem comentou aqui o José Mendonça da Cruz, os excertos do interrogatório resumiram-se a “uma sábia montagem em que as acusações são breve e lacunarmente anunciadas em voz off, para logo serem histrionicamente negadas por Sócrates, com abundância de críticas ao procurador e à justiça.” Hoje, no Observador, Alberto Gonçalves refere que “a tese dominante assegura que os vídeos dos interrogatórios ao “eng.” Sócrates foram divulgados pelo advogado do próprio”. Se assim foi, temos, uma vez mais, a habitual estratégia assente no ataque como garantia da melhor defesa.

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Das casas, da natureza do socialismo e dos seus ridículos

por José Mendonça da Cruz, em 20.04.18

Liberto pelo anterior governo da camisa de forças com que Salazar e os socialistas o tinham tolhido, o mercado imobiliário restaurou Lisboa, tirando-a do estado catatónico e ruinoso em que estava. Os socialistas estão, pois, muito preocupados; agora que Lisboa foi restaurada contra sua vontade, querem «revertê-la», ou seja, reassumir o caminho da ruína.

O primeiro passo foi decretar que umas casinhas novas renovadas a expensas da Câmara iam ser arrendadas por baixo preço, para... ah, como é que eles dizem?... rejuvenescer a cidade ... ou evitar a gentrificação... ou o raio que os parta.

Mas como o socialismo não passa, no fundo, de um comunismo envergonhado, os socialistas trataram das casinhas públicas e económicas, mas, depois, puseram-nas a leilão. O resultado foi o mercado rir-se dos socialistas camarários, como a economia se ri dos do governo: as casinhas subiram aos preços que a oferta e a procura determinam como razoáveis.

Horror, terão pensado os socialistas, o nosso homem novo escapou-se-nos das mãos outra vez! E, visto isso, declararam nulo o próprio contrato que haviam redigido e assinado -- um hábito muito seu, como sabemos, sempre em defesa das «pessoas», evidentemente. Dizem que anunciam a continuação quando a continuação continuar.

E entretanto? Entretanto vêm à carga com a ideia de tirar casas a senhorios que as tenham vazias ou, por qualquer razão, não alugadas. Fica o Estado com elas. Mas, sendo comunistas na versão tolhida pelo pudor, dizem: é só durante uns tempos.

São ideias. A estas se juntarão -- deve esperar-se -- a do regresso ao congelamento de rendas ou despejos, o combate ao turismo (a «pressão turística», como eles chamam a quem em muito os vem subsidiando), e outros entraves à propriedade e à liberdade económica. Tudo (todos em coro, agora) em favor «das pessoas». As mesmas ideias que levaram as famílias a endividarem-se porque arrendar casa era impossível; as mesmas ideias que conduziram à desertificação do centro e à decadência de diversos bairros da capital. As mesmas ideias que -- como julgam os doidos e os socialistas -- desta vez vão ter outros e bons resultados.

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CML Anula Arrendamento

por Vasco Mina, em 19.04.18

Parece uma notícia surreal mas não é. Segundo o DN, a CML anulou o leilão do arrendamento dos T1 que tinham sido licitados por 700,00€ e o T2 por 916,00€ e que aquiaqui eu tinha comentado. O que é curioso é que o concurso foi dado como fechado e os resultados anunciados. Mas a verdade é que o site da SRU Lisboa Ocidental se encontra hoje, à hora em que escrevo este posto, sem acesso possível; ou seja, terá sido desactivado. Segundo a mesma notícia, fonte da CML considera que "o concurso para arrendamento de fogos promovido pela Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) não cumpre os princípios nem os critérios do Programa Renda Acessível (PRA). Este concurso vai, pois, ser anulado pela CML e vai ser lançado outro novo que respeite na íntegra princípios e preços do PRA." Acrescenta ainda que  "vai averiguar as razões deste procedimento da SRU tirando daí as devidas consequências". Mas o concurso foi lançado com algum tempo de antecedência. Não deram conta? Não há comunicação entre a Direção da SRU e a CML? Ou só anulam o leilão porque as pessoas se manifestaram? Talvez seja esta a explicação pois do que vemos da governação socialista é dar no dia seguinte o que foi reclamado na véspera.

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Crónica de uma morte anunciada

por João Távora, em 19.04.18

Tão ou mais grave que as maquinações pelo controlo editorial do jornal, o que me causa amargura é a contínua descredibilização da marca Diário de Notícias, um dos mais antigos títulos da imprensa portuguesa. 

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As fontes, sempre as fontes

por henrique pereira dos santos, em 18.04.18

Sobre toda a conversa à volta das peças que a SIC tem vindo a passar sobre o processo Marquês parece-me que vale a pena realçar um aspecto que não tenho visto por aí.

Os jornalistas têm a obrigação de proteger as suas fontes, em especial quando existe risco real para a fonte (por exemplo, o que denuncia um esquema mafioso e, por isso, corre o risco de ser assassinado pela organização mafiosa que denuncia).

Questão diferente é usar fontes anónimas com interesse directo nas peças a apresentar.

Os jornalistas sabem perfeitamente quem lhes deu acesso aos videos dos interrogatórios e sabem também que a sua divulgação é ilegal, mesmo não estando o processo em segredo de justiça.

Argumentar com o interesse público não faz sentido, tudo o que está nos videos divulgados está no processo e nem sequer é matéria nova.

Interesse público, que neste caso é oposto ao interesse do jornalista, é saber quem está a dar acesso dos jornalistas a peças processuais cuja divulgação é proibida (por boas razões, não se divulgam imagens de pessoas captadas sem que à sua captação as pessoas se possam opôr, em especial em situações de fragilidade como são sempre, sempre, interrogatórios judiciais).

Compreende-se que os jornalistas e a estação de televisão tenham interesse em não queimar as fontes, explicando tim-tim por tim-tim quem está a tentar manipular a opinião pública desta forma-

Mas para as pessoas comuns o verdadeiro interesse está em saber se estamos perante uma justiça venal, que troca peças processuais por qualquer tipo de vantagem, se estamos perante uma justiça que desiste de demonstrar a sua razão em tribunal e tenta ganhar o processo na opinião pública, ou se estamos perante um arguido e respectivos advogados que não hesitam em fazer-se de sonsos divulgando ilegalmente peças processuais para procurarem minar a legitimidade e credibilidade do sistema de justiça que os pode condenar.

Esse é o único verdadeiro interesse público nesta história toda e os jornalistas e respectiva estação de televisão preferem abdicar da sua responsabilidade social para preservar futuros conteúdos noticiosos.

Não se queixem dos outros pela progressiva perda de influência e credibilidade do jornalismo, queixem-se de vocês próprios, camaradas.

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A César o que é de César

por João Távora, em 17.04.18

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Carlos César não é nem mais nem menos que os seus colegas que se aproveitaram duns regulamentos para sacarem o mais lucro que possível do mandato de deputados para o qual foram eleitos – nada de ilegal reclama o socialista. O problema é que, de um deputado se deve exigir um exemplo ético imaculado (em vez de republicano), que é muito mais que o exercício estrito da lei. Ocupar um lugar no hemiciclo de São Bento jamais deveria ser tomado como uma regalia mas como uma missão. É por isso que estes casos denunciados pelo Expresso deveriam ser impiedosamente condenados por uma sociedade civil exigente. De resto, a tolerância ou indiferença perante tudo isto diz mais sobre nós como comunidade do que sobre os prevaricadores.  

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A CML vai arrendar, através da SRU Lisboa Ocidental, um T2 por 916,00€ e 7 T1 por 700,00€. Conforme aqui ontem referi, trata-se de um processo de arrendamento lançado por uma Sociedade de Reabilitação Urbana detida a 100% pela CML. Assim vai o arrendamento acessível da política camarária socialista de Lisboa!

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A intrigante Sic e esta intrigante democracia

por José Mendonça da Cruz, em 16.04.18

A Sic transmitiu hoje no seu jornal do horário nobre e na Sic/Notícias uma curiosa colecção de excertos dos interrogatórios de Sócrates pelo procurador Rosário Teixeira. Previa e amplamente anunciada de forma que parecia não prejudicar o ex-primeiro ministro, a peça por fim transmitida cumpriu essa promesa e excedeu-a. Tratou-se de uma sábia montagem em que as acusações são breve e lacunarmente anunciadas em voz off, para logo serem histrionicamente negadas por Sócrates, com abundância de críticas ao procurador e à justiça. 

É intrigante que gravações de interrogatórios encontrem caminho para uma televisão. É intrigante a cuidadosa selecção de suspeitas e de respostas do arguido. É intrigante que um canal de televisão se preste a estes procedimentos, que parecem menos um «furo» do que uma manobra. E é intrigante a intenção dos autores da peça. Estão identificados como jornalistas, mas, sendo ou não sendo, merecem que se registe os seus nomes: Amélia Moura Ramos, Luís Garriapa e Sara Antunes de Oliveira.

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