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Comunicado da Casa Real Portuguesa

por João Távora, em 22.06.17

Aproveito para divulgar aqui o comunicado que o Senhor Dom Duarte Pio enviou de Dili a propósito da tragédia de Pedrógão Grande cuja divulgação e partilha me parece de grande pertinência:

 

armas reais.jpg

 Comunicado

 

Em visita de trabalho ao interior de Timor-Leste, só tardiamente tive conhecimento dos incêndios que destruíram tantas vidas e bens na região de Leiria. Com a minha Família peço a Deus que acompanhe as Almas das vítimas e dê esperança aos sobreviventes.
Mas depois da ajuda imediata a quem precisa, teremos que tomar, com conhecimento científico e coragem política, as medidas necessárias para combater eficazmente estas tragédias que todos os anos atingem as populações e destroem as nossas florestas.
Há anos que são conhecidas as causas e as soluções, mas as medidas de fundo não são aplicadas...
O combate continua a ser heroicamente conduzido pelas nossas Corporações de Bombeiros, enquanto a maioria se lamenta mas não atua.
Temos a obrigação de agir já, com iniciativas cívicas e políticas, práticas e eficientes.
É preciso convencer os Governantes, por nós eleitos, a acabar com este estado de desordem do território e de abandono do mundo rural, bem como de frequente impunidade dos criminosos.
Nós somos capazes de grandes feitos perante situações dramáticas; desta vez a morte e sofrimento de tanta gente não pode ser em vão!

 

Dom Duarte de Bragança
Dili, 18 de Junho de 2017

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António Salgueiro

por henrique pereira dos santos, em 22.06.17

Nestes dias, em que até eu, seguramente não especialista em fogos (o que estudei é evolução da paisagem e os fogos surgem no meu caminho apenas pela sobreposição que existe nos dois assuntos, procurando eu usar a melhor informação disponível nas matérias que não conheço directamente, sobertudo servindo-me do trabalho de Paulo Fernandes e José Miguel Cardoso Pereira), devo ter dado mais de dez entrevistas, em diferentes formatos, a diferentes jornalistas, António Salgueiro não tinha dito nada até hoje.

Sei que não foi por falta de esforço dos jornalistas envolvidos na produção de informação sobre fogos porque eu próprio sugeri a vários que falassem com António Salgueiro, que esteve sempre na lista de pessoas que vale a pena ouvir sobre o assunto de cada vez que me pediam indicação de quem poderia contribuir seriamente para a discussão. Muitas vezes ouvi de volta que o António não queria falar naquele momento.

Mas hoje tem uma entrevista ao Público e à Renascença, que provavelmente lhe vai sair cara do ponto de vista pessoal e é fundamental neste momento.

O que eu queria era mesmo agradecer publicamente a coragem do que é dito, a ponderação do que é dito e a liberdade de espírito do António.

Obrigado.

 

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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 22.06.17

 Parece que afinal “o inquérito não terminou e não podemos afirmar se houve ou não mão criminosa. Dizer isso é leviano”, afirmou a Ministra da Administração Interna. Disse também na entrevista que precisa de dados de que não dispõe. Aos jornalistas ainda não ocorreu perguntar duas coisitas muito simples e evidentes. A primeira é evidente: se não pode afirmar se houve ou não mão criminosa, se já lhe ocorreu perguntar ao responsável da Polícia Judiciária o motivo pelo qual este veio a correr dizer aos quatro ventos que não havia mão criminosa e que tudo decorreu de um relâmpago sobre uma árvore que já teria sido encontrada e tudo. E quem lhe mandou dizer tal coisa, isso também é importante. A segunda é quem mandou o Presidente da República deixar-se queimar logo nas primeiras horas do incêndio com tudo o que disse. Eu sei que o PR um dia se iria queimar com todo o apoio que tem dado a esta gente, mas parece-me ser do interesse público (com excepção para o Paulo Baldaia) saber quem o mandou atirar-se para a fogueira. Nem que seja pelo pequeno gozo, sempre importante num momento de tristezas.

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Nem todos são parvos:

por Vasco Lobo Xavier, em 22.06.17

O IPMA já respondeu a António Costa. Afinal podemos todos descansar porque estava tudo previsto e tudo correu dentro (da margem de erro) das previsões efectuadas pelo IPMA. Que bom! O problema foi só com as situações complexas e excepcionais que se verificaram. Ah..., bom...

Parece que estas explicações já foram até colocadas no portal do Governo na internet. Aparentemente ninguém se apercebeu da incongruência ou contradição entre um grupo de afirmações e o outro.

Ora, que o IPMA tome o Primeiro-Ministro, os governantes socialistas e os responsáveis políticos da geringonça (bem como variados jornalistas e comentadores) por parvos que engolem coisas deste tipo, eu até posso perceber e concordo plenamente, mas irrita-me que tome todos os portugueses por parvos. Irrita-me solenemente.

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Da falta de vergonha

por henrique pereira dos santos, em 21.06.17

"Aos microfones do Fórum TSF, Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, revelou acreditar não ter sido a trovoada a causadora do incêndio de Pedrógão Grande. Até prova em contrário, o presidente diz-se convicto de que o fogo teve origem criminosa.
“O incêndio já estava a decorrer há cerca de duas horas”, disse Jaime Marta Soares, acrescentando: “Eu tenho para mim de que o incêndio teve origem em mão criminosa.”".

O vergonhoso aqui não é o que diz Jaime Marta Soares, na verdade não se pode esperar das pessoas mais do que podem dar.

O vergonhoso é que afirmações deste tipo, sem qualquer base, sejam acefalamente repetidas pela imprensa.

Que Jaime Marta Soares diga isto no Fórum TSF é uma questão que apenas lhe diz respeito, mas que imediatamente isto seja repetido por grande parte da imprensa já é uma coisa que nos diz respeito a todos.

Desde quando propagar boatos é função da comunicação social?

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Da falta de pudor

por João Távora, em 21.06.17

Na sua entrevista à TVI, o cândido do António Costa - cujo governo tinha apontado "zero mortes" como principal objectivo do Dispositivo Especial de Combate a incêndios - além de afirmar-se convicto de que tudo decorreu regulamente na gestão da tragédia de Pedrógão Grande e que a sua ministra é apenas uma vítima do duro cargo que exerce, disse sem se rir, que não se pode exigir que se faça em poucos dias aquilo que não se fez em décadas, como se ele não tivesse tido um papel político preponderante nessas mesmas décadas, desde logo ministro Estado e da Administração Interna do governo Sócrates. Nem que seja por isso exige-se-lhe um pouco de pudor.

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Exemplos Socialistas a Seguir

por Vasco Mina, em 21.06.17

Em 2001 e após a tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios, o então Ministro de Estado e do Equipamento Social, apresentou a sua demissão ao PM António Guterres. Jorge Coelho declarou que “a culpa não pode morrer solteira nesse sentido têm que se tirar as consequências políticas", afirmou o ministro de Estado e do Equipamento Social."Não ficaria bem com a minha consciência se continuasse" disse ainda Jorge Coelho, explicando que como o é o mais alto responsável do ministério impunha-se que apresentasse a demissão. Morreram, então, mais de 60 pessoas

Temos agora outra tragédia, a do fogo em Pedrógão Grande. As falhas registadas são já inúmeras (SIRESP com falhas, não fecho de estradas, avisos vermelhos do IPMA que não terão sido tomados em devida consideração, alertas das populações que só tardiamente foram tidos em atenção…). Estou convencido que todos fizeram o seu melhor, ou seja, não coloco em questão o empenhamento e a generosidade de todos quantos se envolveram no combate deste fogo. Manifesto a minha tristeza pelas vidas perdidas, pela situação trágica em que se encontram os feridos e por todos aqueles que perderam familiares, as suas casas e todos os seus bens. É a hora de manifestar os nossos afectos, ou seja, de ajudar todos os necessitados. Mas é também o momento, tal como fez Jorge Coelho, de se tirarem as consequências políticas pois como o próprio bem salientou a “culpa não pode morrer solteira”. Já se percebeu que António Costa, conforme bem refere aqui o José Mendonça da Cruz, se considera   “incólume, que não sabia nada, nem do seu governo, nem dos amigos, nem do Siresp, nem dos Khamov, ele que tem o mérito de tudo e nunca tem culpa de nada, como insistem os canais e jornais de reverência”.

Não haverá ninguém no Governo que siga o exemplo de Jorge Coelho?

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A inversão das coisas:

por Vasco Lobo Xavier, em 20.06.17

O PM pede explicações a diversas entidades.

 

Julgo que o PM é que deve explicações aos portugueses.

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Isto, a uma leiga, soa a negligência e pouca perícia

por Maria Teixeira Alves, em 20.06.17

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Eu ouvi ainda agora na SIC que a estrada IC8 foi cortada às 19 horas da tarde (o fogo começou às 14h) e segundo um bombeiro "não houve tempo para cortar a nacional 236", a chamada estrada da morte. Isto parece-me inadmissível.

Reparem, diz o Expresso que António Costa já recebeu a resposta a uma das três perguntas que colocou a entidades públicas, neste caso à Guarda Nacional Republicana, que terá indicado como ponto de fuga ao fogo a estrada 236-1, onde,afinal, dezenas de pessoas acabaram por morrer queimadas.

Porque é que a estrada não foi encerrada? Segundo a GNR, "o fogo atingiu esta estrada de forma absolutamente inusitada e repentina", ” que “surpreendeu” todos, "incluindo os próprios militares", leu o primeiro-ministro, esta noite.

Mas que resposta é esta?! Que surpreendeu tudo e todos está a vista de toda a gente. É óbvio. 

Mas a questão é porquê não anteviram aquilo que os surpreendeu? Em termos abstratos, todos os chefes e mesmo os operacionais, têm a missão de antever os acontecimentos antes deles surgirem. Mas Portugal é avesso a visionários. Toda a sociedade se une para desacreditar os visionários, os que não estão alinhados com o mainstream, e isso desencoraja a iniciativa de se reagir prematuramente, e isso às vezes é decisivo.

Estive ainda a ouvir Clemente Pedro Nunes (professor do IST-Técnico) a analisar na SIC o incêndio de Pedrógão. Diz, que dos contactos que fez com locais lhe contaram que desde as 14 horas da tarde de sábado que habitantes das aldeias telefonaram para a proteção civil de forma lacinante. Numa das aldeias a proteção civil só chegou no dia seguinte, quando já havia 11 pessoas mortas. O que aconteceu entre as 14 h e as 20h, quando os sistemas de comunicação funcionavam? Os incêncios combatem-se nos primeiros 45 minutos a uma hora, depois perde-se o controle e é preciso mobilizar recursos, indo à cadeia de comando e chamando a atenção para a gravidade do assunto. O que terá acontecido aparentemente é que os responsáveis não transmitiram essa gravidade. A primeira intervenção não funcionou, disse o professor que já ajudou a combater fogos, porque é empresário agro-florestal.

"Parece que há uma televisão com uma entrevista com um popular que às quatro da tarde já dizia que não estavam a ser respondidos os seus telefonemas, e terá feito uns comentários críticos menos agradáveis ao primeiro-ministro, e depois essa entrevista já voltou a passar, mas sem as críticas contudentes", disse.

A cadeia de comando não funcionou, disse o catedrático e perguntou "Como é possível cortar a IC8 e não se declara o Estado de emergência no distrito de Coimbra e de Leiria. Não se mobilizam os recursos todos?"

Independentemente de ser apenas uma opinião, não me custa a imaginar a resistência da cadeia de comandos de recorrer na primeira hora à situação de Estado de emergência. Portugal funciona assim, não anda à frente dos acontecimentos. 

A outra teoria é que o sistema de comunicações falhou. Parece-me ter ouvido que o sistema de comunicações com a hierarquia falhou. O Siresp. O Siresp existe para criar uma comunicação de rádio comum a todas as forças de segurança e proteção civil (53 ao todo) mas que, por contrato em 2006, usa cabos da MEO, e portanto quando não há telemóvel, não funciona. As alternativas seriam rede satélite ou por cabo, mas isso seria muito mais caro. Mas pergunto eu, não valeria a pena uma solução mais eficaz, ainda que fosse mais cara?

 

 

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Já vão rolar (inocentes) cabeças

por João-Afonso Machado, em 20.06.17

SENHORA E HORIZONTE.JPG

Este é o País que temos. Melhor: que vamos mantendo. Mesmo sem a ajuda da jihad, bastando-nos a nós próprios, de drama em drama até à catastrofe nacional. Com a confluência dos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco totalmente em chamas. E uma estrada, dita nacional, macabramente coalhada de carros e os respectivos ocupantes carbonizados, assim a modos de um filme americano de terceira extração.

Não tinham chegado ainda as perdas de vidas dos anos transactos. Os «pacotes» de medidas preventivas dos incêndios florestais, sabemos agora, continuarão mais este Verão nas gavetas dos ministérios.

Mas desta vez haverá responsabilização: António Costa já ordenou inquéritos severos e urgentes à GNR, à Protecção Civil, aos bombeiros e à imensidade de siglas em que o sistema se enreda. A culpa não é solteira, mas também não casou com ele. Com ele casou a Esquerda leninista-trotskista, e consta por amante o déficit. Diz a esposa atraiçoada que é alemão e trabalha num banco.

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A desministra

por José Mendonça da Cruz, em 20.06.17

A ministra da Administração Interna recusa ajuda galega acorrida aos desastres incendiários portugueses porque vê nessa ajuda «excesso de voluntarismo» e ausência de «enquadramento». Isto depois de, perante as câmaras de televisão, chorar obscenamente as vítimas da sua incompetência. Obviamente, devia demitir-se, mas verte lágrimas, em vez disso; mostram-se «afectos», julga ela, e fica tudo sarado. Sabe, sobretudo, que é digna do seu primeiro-ministro, e António Costa dela, ele que agora pede «esclarecimentos urgentes» directamente a serviços tutelados pelos seus ministros, que, uns, lacrimejam, outros estão «de coração destroçado». Ele, incólume, que não sabia nada, nem do seu governo, nem dos amigos, nem do Siresp, nem dos Khamov, ele que tem o mérito de tudo e nunca tem culpa de nada, como insistem os canais e jornais de reverência. Diz que há muito quem goste deste tipo de governação. Quem gosta merece-a.

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Foto de Joaquim Casqueiro.

Até agora ainda não percebi porque é que a GNR não cortou o trânsito na estrada nacional 236, já chamada como a estrada da morte?

Será que ouvi bem alguém dizer que as pessoas foram encaminhadas pela GNR para aquela estrada?

Não deviamos já ter prática em incêndios ao ponto de haver especialistas a orientar as populações para as melhores práticas a adoptar?

 

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É a despudorada exploração da desgraça alheia, com câmaras deleitadas fixas sobre gente prostrada no chão, microfones atirados à cara de quem possa chorar um bocadinho aqui para as alegadas audiências.

É a ignorância descabelada, sobre fogos, sobre estradas, sobre meteorologia, sobre governo, sobre território, sobre populações, sobre políticas, sobre a própria língua, como a da jornalista (enfim...) da Sic que dizia que há carros queimados nos sentidos ascendente e descendente porque «as pessoas não conseguiram fugir deste conclave», ou a da CMtv que dizia que já não sei o quê era «profundamente essencial».

É a figura patética e despropositadamente vestida de Judite recuando excitadamente estrada fora a dizer coisas como a Georgina para terminar com um pezinho sobre o reboque que carrega o esqueleto ardido de um automóvel.

É o insuportável linguajar radiofónico, cheio de plurais arrastados e bengalas e tautologias e vacuidade -- oshecarrosshequeentãoestãoaquinestasheentãoflorestashesqueentãoexibemtodaa-a-entãoprofundidadedoshaaadramasshevividosheporessashegentesheaquiondeofogoentãolavraainda  -- a ser envergonhado pelo português articulado e bem pontuado de cada bombeiro entrevistado.

Marcelo distribui platitudes e sentimentos melados? Sim; conhece o povo melhor do que nós. Para o ano arde tudo outra vez? Sim, mas enquanto Marcelo atrair as câmaras ouvimos ao menos português de lei e somos poupados às reportagens.

 

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PedrogãoGrande.jpg

1. O registo emocional em que muita gente prefere permanecer no que à tragédia de Pedrógão Grande diz respeito não é  bom conselheiro: sabemos bem que mais fácil é arranjar um bode expiatório, um alcoólico incendiário para cima de quem canalizar a fúria e a indignação, mas isso não serve para nada – não alivia a dor dos vivos nem ressuscita as vidas tombadas. 

2. Dar ênfase à questão da ignição que deu origem ao fogo, se foi um raio ou um maluquinho, é uma forma de evitar a questão principal, que é a de perceber porque é que Portugal é campeão em fogos florestais para que - de uma vez por todas - se concentrem as políticas na prevenção, promovendo reformas para um ordenamento do território de acordo com o clima que nos coube em sorte.

 

3. “Hoje, através da actuação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, verificamos uma enorme evolução em termos da segurança da população e da salvaguarda do património, com melhorias significativas em termos de capacidade de resposta operacional, mas também com o necessário aprofundamento das políticas de prevenção, investindo-se no planeamento de emergência, na minimização de riscos e nos sistemas de alerta e de aviso às populações.” Estas palavras eram proferidas pela ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa em Março do Ano passado por ocasião do 15º aniversário da Tragédia de Entre-os-Rios. Passado pouco mais de um ano, esse "país das maravilhas" não resistiu à realidade das coisas. 

 

4. Numa democracia avançada todos os factos de uma tragédia desta envergadura têm de ser escrutinados e tiradas as consequências, não é preciso esperar três dias para se questionar tudo o que houver para questionar. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos? Como bem refere aqui o nosso Henrique Pereira dos Santos, “Aquilo a que na maior parte das vezes se chama “imprevisibilidade” em matéria de fogos é, na verdade, ignorância. Uma das armas mais letais que existem.

 

5. A par da assinalável mobilização da sociedade civil no apoio material às populações afectadas pela tragédia e aos bombeiros acredito na importância da oração. As minhas orações por estes dias vão para as vítimas e para as famílias enlutadas.

 

Fotografia - Observador

 

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Da responsabilidade moral e da irresponsabilidade

por henrique pereira dos santos, em 18.06.17

Hesitei em escrever este post, por respeito pelas vítimas e pelo risco de ser entendido como a utilização da morte de terceiros para obter ganho de causa.

Ou melhor, ontem à noite, quando me deitei, não sabendo que havia mortos nos fogos que estão a ocorrer, tinha planeado escrever hoje de manhã um post sobre a responsabilidade moral nas tragédias que ocorram nos incêndios de Verão.

Não porque seja possível evitar todas as tragédias, mas porque estas tragédias, previstas repetidamente por quem estuda seriamente a gestão do fogo, são enormemente potenciadas por uma doutrina de gestão de fogo completamente absurda face ao que hoje se sabe.

Países como os Estados Unidos, a Austrália e outros com territórios no lado Ocidental dos continentes, perto do paralelo 40 (como é o nosso caso), há muito que abandonaram a ideia de suprimir o fogo e insistem em políticas de gestão do fogo através da gestão dos combustíveis.

Mesmo noutros contextos geográficos, há a adopção de mudanças substanciais na doutrina, como fez recentemente o Ontário (depois de um fogo, de características diferentes dos nossos, de meio milhão de hectares).

O problema central é que em Portugal parece ser admissível que um governante diga, como terá dito ontem o secretário de estado da administração interna, que o comportamento do fogo não se prevê, o que há é uns académicos com umas teorias sobre isso.

Tal como parece ser normal o presidente da liga dos bombeiros, que há anos que diz disparates sobre a gestão do fogo (incluindo o clássico "nunca um fogo ficou por apagar"), aparecer sistematicamente nestas situações a repetir a defesa de opções erradas e que estão na base de tragédias como a desta noite.

E que o presidente da AIMMP seja sistematicamente convidado para falar de fogos, com um discurso completamente ignorante e absurdo sobre incendiários, sem qualquer ligação com a realidade conhecida e estudada.

E que o presidente da Protecção Civil diga que correu tudo bem num ano em que há um fogo de trinta mil hectares, tendo como objectivos para o ano seguinte (2017) não ter perdas de vidas.

E que qualquer presidente de Câmara diga que não sabe como é possível o que está a acontecer, quando qualquer curioso que estude o assunto com um mínimo de atenção, e recorrendo a quem sabe do assunto, lhe explica em três tempos que em condições meteorológicas extremas o seu concelho vai ser palco de uma tragédia, mas que isso tem solução se se quiser empenhar nas políticas de gestão de combustíveis a sério, em vez de fazer declarações patetas sobre as origens dos fogos.

Estes senhores são moralmente responsáveis por transformar os bombeiros em carne para canhão, quer defendendo e aplicando a doutrina do Portugal sem fogos, quer mantendo uma estúpida oposição à profissionalização dos bombeiros e respectiva integração entre gestão de combustíveis e combate.

Tal como declarações totalmente irresponsáveis de académicos respeitados, mas que nunca estudaram ecologia e gestão do fogo, bem visíveis neste artigo de 2010 (refiro-me, naturalmente, às declarações irresponsáveis de Helena Freitas, e não à sensatez habitual de Paulo Fernandes, que infelizmente é menos ouvido no país, e pelos decisores, do que seria bom para nós), ajudam a suportar a ideia estúpida de que o fogo é um inimigo que pode ser vencido, em vez de olhar para o fogo como um elemento natural que precisa de ser gerido de forma economicamente sustentável, em que o Estado se empenha em suprimir as falhas de mercado de um sector com graves problemas de competitividade na maior parte do território.

Por respeito e em memória das vítimas decidi pois escrever este post, dizendo que o fogo é previsível, estas tragédias são uma questão de tempo até se repetirem se mantivermos a doutrina do "Portugal sem fogos" e se insistirmos em assentar a gestão do problema em corpos de voluntários sem qualquer ligação com a prevenção estrutural feita no Inverno.

Nada me move contra os corpos de voluntários, são muito úteis e, provavelmente, imprescindíveis, mas precisam de uma estrutura profissional que conheça o território, crie e conheça oportunidades para parar os fogos onde podem ser parados e que enquadre devidamente a generosidade dos voluntários.

Já chega de pura irresponsabilidade e de um discurso obscurantista que desvaloriza o conhecimento existente e a sua aplicação em contexto real.

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O Sr. Costa

por João Távora, em 18.06.17

O PS e o Sr. Costa vivem momentos de sonho. Enquanto por essa Europa todos os partidos socialistas levam forte e feio, em Portugal a opção “geringonça“ vem provando ter sido de uma grande utilidade à sobrevivência partidária. Com sondagens favoráveis, esquerdas irresponsáveis domesticadas, e contando com a natural responsabilidade da direita, o Sr. Costa só corre mesmo um risco. De tanto dilatado que anda poder um dia vir a rebentar.

O interessante na história é que o Sr. Costa pouco fez para os resultados que reclama. Pergunte-se:

  1. A papinha toda feita pelo anterior governo foi obra sua?
  2. O petróleo em baixa é da sua responsabilidade?
  3. O euro em baixa contra o dólar é da sua responsabilidade?
  4. BCE a comprar dívida aos pontapés é da sua responsabilidade?
  5. Países islâmicos a perderem turistas é da sua responsabilidade?
  6. Resultados das medidas estruturais no mercado de trabalho e no turismo são da sua responsabilidade?
  7. A Espanha e Irlanda a crescer, e a Grécia domesticada são da sua responsabilidade?
  8. Parceiros europeus mais suaves para com os povos meridionais é da sua responsabilidade?
  9. Todo um país agora numa paranoia exportadora é da sua responsabilidade?
  10. Muitos incompetentes de peso fora de cena (Salgado, Vasconcellos, Bavas, etc) são da sua responsabilidade?

Nada disto é da sua responsabilidade. O Sr. Costa, como equilibrista que é, vai vivendo dos dividendos da herança e dos ventos favoráveis do momento, o que lhe permite ir gerindo a situação a cada momento, distribuindo um amendoim aqui, outro ali, satisfazendo um e outro grupo de pressão mais irrequieto. E parece que ainda com vagares para não se esquecer que é socialista (o poder e lugares públicos são “nossa” propriedade, não é? a César o que é de César). Nada como uma herançazinha a que se junta um vento pelas costas e um povo que não se importa de ser iludido.

Mas seria incúria não reconhecer que o Sr. Costa consegue coisas mirabolantes. Derrotado nas legislativas criou uma fórmula torpe para sobreviver. A criação da geringonça é realmente insólita. Domesticou a esquerda irresponsável e esganiçada a troco de uns amendoins. O preço? Tanto mais caro quanto o engenheiro social (ir)responsável pela educação tiver poder de acção. O que se passa na educação com o fim dos contratos de associação é um filme de terror. E sabe-se lá o que mais virá de exigências da Fenprof.

O Sr. Costa teve ainda o condão de manter inalteradas as políticas do governo anterior no que respeita ao défice! Embora com alguns truques à mistura (socialismo sempre), do género passar a dívida montantes que não passaram por défice, o Sr. Costa provou, embora um pouco mais tarde, que pode também vir a ser radical nesta matéria, desmentido o Sr. Costa pré eleitoral e indo muito para além do Sr. Passos Coelho & Cª se tomarmos em conta o corte radical no investimento público.

Imagine-se que o Sr. Costa até já fala nas virtudes de ter contas externas equilibradas ou mesmo excedentárias! Com sorte, e se as sondagens correrem ainda mais de feição, ainda ouviremos o Sr. Costa a falar das virtudes da taxa de poupança e de como urge fazê-la subir dos míseros 3,5% ou 4% para uns 12% do rendimento disponível, quando sempre apregoou aos quatro ventos que havia que estimular o consumo interno.

O Sr. Costa reclama para si os louros do que vai acontecendo de positivo na nossa economia quando em muito pouco contribuiu para isso, e na parcela que lhe cabe foi onde deu continuidade ao que antes tanto criticou. Não virou nenhuma página da austeridade como prometeu (nem podia). Bizarro? Nem por isso se pensarmos que não tirou a mesma ilação que impôs ao seu antecessor no PS após igual derrota nas eleições.

Não Sr. Costa, Vossa Excelência não é um príncipe da política. E por as coisas serem como são e por não haver como contornar a realidade, não é de estranhar que o apelidem de poucochinho e Xico-esperto. E não, não é azia. É antes o verdadeiro incómodo ter de dizer aos filhos que o Primeiro-ministro de Portugal não é exemplo a seguir, quer pelo carácter que possui, quer por ser cigarra quando o que precisamos é de formigas.

 

Pedro Bazaliza
Convidado Especial

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Domingo

por João Távora, em 18.06.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Depois chamou a Si os seus doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».


Palavra da salvação

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Cumprir promessas eleitorais

por henrique pereira dos santos, em 17.06.17

Tenho uma discussão recorrente com um dos meus amigos que acha que alguém que se candidata com um programa eleitoral e, depois de eleito, executa outro, deveria ser removido do poder, se preciso, por via judicial.

Eu tenho defendido que prefiro alguém que executa o programa certo, a alguém que executa um programa errado, apenas porque foi o que prometeu nas eleições.

As minhas razões de fundo são duas: 1) não acredito que a maioria dos eleitores vote por causa dos programas eleitorais apresentados em campanha e muito menos acredito que a maioria das pessoas acreditem piamente que alguém os vai executar exactamente como apresentados na campanha, logo, não dou muita importância a essa coisa dos eleitores enganados; 2) não faz sentido executar políticas erradas quando se conclui que são erradas, só porque foram as prometidas nas eleições.

Estou convencido de que a maioria das pessoas sabem que um discurso sobre o futuro, como são sempre as campanhas eleitorais, é intrinsecamente falível porque o futuro é demasiado incerto e estão portanto disponíveis para as adaptações que vão sendo feitas, sejam elas mais pontuais ou mais estruturais.

De resto, a maioria das pessoas que me lembro de se indignarem com o suposto logro de Passos Coelho na campanha de 2011 (um argumento que nunca entendi porque a maioria dos que manifestavam essa indignação não tinham votado nos partidos da anterior maioria, logo, não tinham sido enganadas), estão muito satisfeitas com a actual situação de governo que nunca foi a votos: os programas que estão em execução, quer o que é usado na retórica, quer o que é posto em prática, não são nenhum dos programas apresentados a eleições, são a resultante das negociações pós-eleitorais, no caso do programa retórico, e a resultante das negociações com a  Comissão Europeia, no caso do que é aplicado na prática.

O mesmo se passa com algumas das pessoas que se irritam com Trump por estar a aplicar (mais ou menos) o que prometeu em campanha (quanto a mim, infelizmente, mas a democracia não é o sistema que escolhe as melhores soluções, é apenas o sistema em que se pode remover o governo em funções sem efusão de sangue).

É por isso que, passando por cima da deselegância de nunca se reconhecer o esforço e resultados do governo anterior, estou muito satisfeito por este governo se ter deixado de fantasias e ter passado a aplicar o essencial do que vinha a ser feito.

Há diferenças de pormenor (por exemplo, o governo anterior preferiu cortar salários e pensões no Estado para evitar maiores aumentos de impostos, o actual governo optou por beneficiar dois grupos sociais que lhe são favoráveis, os funcionários públicos e os pensionistas, transferindo o custo para a generalidade da sociedade através de impostos indirectos e cortando no investimento público) mas, no essencial, o caminho de consolidação orçamental está lá na mesma.

Tudo isto é feito ao arrepio do prometido nas eleições?

Sim, é, mas para a sociedade isto é incomparavelmente melhor que aplicar políticas que iríamos pagar amargamente só com o putativo objectivo de credibilizar os processos eleitorais.

Continuo a achar que se está a correr demasiados riscos, que o governo está a ser imprudente, que era possível fazer melhor (por exemplo, concordo totalmente com as políticas de transferência da taxação dos factores de produção, capital e trabalho, para a taxação do consumo, mas isso é muito diferente de capturar impostos indirectos para pagar a grupos sociais específicos, o que faria sentido seria fazer corresponder ao aumento de imposto sobre combustíveis uma baixa do IRC e do IRS, e não comprar votos, como foi feito) e, sobretudo, preocupa-me que a principal linha de reforma do governo anterior esteja totalmente em causa: o combate à captação dos recursos públicos por interesses privados de que o maior símbolo é o "não" que foi dado a Ricardo Salgado.

A promiscuidado entre o poder e a economia está outra vez em crescendo e esse é um problema que nos vai custar muito caro a resolver outra vez, daqui a uns anos.

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"Maltratar e humilhar os Portugueses"

por henrique pereira dos santos, em 16.06.17

O Governo anterior tem vindo a ser reconhecido, muito a custo, como um governo razoável, tal como o programa de ajustamento tem vindo a ser reconhecido como tendo sido útil.

O défice externo (a fonte de todos os problemas) desapareceu desde o meio do programa de ajustamento, a melhoria dos indicadores do emprego e desemprego (o principal custo social do programa de ajustamento) tem vindo a ser reconhecida como influenciada pelas reformas feitas sob os auspícios da troica (e que o actual governo não se tem atrevido a reverter), as condições de financiamento do Estado português (a corda que partiu e levou ao pedido de ajuda) estão em condições razoáveis porque o actual governo tem demonstrado que na prática vai prosseguir as políticas do governo anterior e do programa de ajustamento e a famosa devastação social afinal não existiu e os problemas sociais decorrentes do desemprego foram sendo geridos e começaram a ser revertidos já em 2013 (em especial na medida em que o desemprego começou a descer).

Mas na actual maioria há uma linha de comunicação política absolutamente clara: nunca, em tempo algum, se pode reconhecer que afinal não era verdade o que foi dito ao longo deste tempo todo sobre o governo anterior, porque essa é a única base em que assenta o governo e a maioria conjuntural que o apoia.

É por isso que mesmo sabendo a figura ridícula que resulta desta opção (já nem falo de João Galamba a dizer que outro partido qualquer se tornou num partido estruturalmente aldrabão), Centeno não se coíbe de querer convencer-nos de que quando Schauble diz que "o programa de assistência português “é uma história de sucesso”"quer na realidade dizer que "se conseguiu mais neste ano e meio (que nos anteriores), em particular na credibilidade".

Que a actual maioria continue com este discurso sem que a imprensa questione seriamente este tipo de afirmações absurdas, mas que se repetem mecanicamente, só demonstra o estado deplorável da discussão de políticas públicas que existe.

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Do lado certo da fronteira

por João-Afonso Machado, em 16.06.17

RECONSTRUÇÃO.JPG

Vê-se e sente-se, o Reino reorganiza-se e reconstroi-se longe das querelas sob árbitros e políticos corruptos. O Reino olhou-se ao espelho e não gostou das suas adiposidades de cores e formas. Eram aquelas mirabolantes edificações dos tempos opressivos do mau gosto, azuleijaria e arrebiques caindo como bombas nos povoados.

Nada como recuperar a estima própria e o respeito ou a admiração dos forasteiros. Afinal, está lá a limpidez dos rios e a força da pedra, a verdade pura das serras. Os monumentos e a paisagem. E turistas sinceros, buscando a estética dos lugares mais do que a frivolidade das praias.

O Reino quase se cinge ao Interior. Permanece muito em obras, imparável e meticuloso, como se tomasse o seu duche todos os dias. E no cafezinho da aldeia, entre duas partidas de dominó, os idosos conjecturam sobre Sócrates, Salgado e o Benfica - se a República terá a coragem de os julgar e condenar...

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