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De joelhos

por henrique pereira dos santos, em 12.04.17

"Infelizmente todos estamos recordados de quando os representantes do governo português entravam no eurogrupo português se ajoelhavam para falar com os colegas".

António Costa refere-se às famosas imagens de Vítor Gaspar debruçado para falar com Schauble, que está numa cadeiras de rodas.

Não me incomoda especialmente ter um primeiro ministro tão rasca que diga isto no parlamento, porque a beleza da democracia consiste na possibilidade de qualquerr ordinário ocupar temporariamente o poder, desde que tenha os votos necessários para isso.

O que me incomoda é uma imprensa de joelhos que trata esta afirmação, no contexto em que é feita, como uma mera infelicidade do primeiro ministro, como um erro menor que não deveria ter sido cometido.

A questão central

por henrique pereira dos santos, em 11.04.17

O meu post anterior, sobre quem diz a verdade sobre a existência, ou não, de um perdão aos bancos na venda do Novo Banco, acaba por deixar de lado a questão central que se levanta quando se olha para a forma como o governo está a tratar o sistema financeiro:

está ou não o governo a usar do dinheiro dos contribuintes para resolver os problemas da banca refazendo a promiscuidade entre política e negócios que ruiu com o não de Maria Luís Albuquerque a Ricardo Salgado?

Amigos amigos, negócios à parte

por João-Afonso Machado, em 11.04.17

Emmanuel Macron deu uma entrevista à televisão portuguesa. Parece que é, em França, o esperançoso candidato da Esquerda. Sem embargo, é claro, das suas parecenças com Passos Coelho, aliás reforçadas pelo seu elogio aos nossos esforços de recuperação económica no tempo da governação da coligação da Direita. Depois disso, referiu algumas banalidades sobre os EUA e a Alemanha, o Brexit, a Hungria e a Polónia, e falou do futuro. Do projecto europeu.

Aí foi subitamente claro. Mutualização da dívida? Jamais no que toca à do passado; apenas quanto à superveniente.

Ora, salvo melhor opinião, a dívida constituenda é inevitável, mas o elo de uma cadeia. Não apenas porque o Governo do amigo Costa continua sem forças para soprar o arranque da economia nacional, mas sobretudo porque (sem tais meios) urge criar dívida... para solver a dívida que vem de trás.

Com amigos assim, os socialistas portugueses não vão a lugar algum. A França, afinal, pertence à Europa do Norte. A dos ricos. Um desmancha-prazeres, este Macron.

 

Pois

por henrique pereira dos santos, em 11.04.17

"O que está em causa?
Quando anunciou o acordo para a venda de 75% do Novo Banco à Lone Star, António Costa garantiu que, apesar de a venda não render qualquer encaixe imediato para o Fundo de Resolução, não haveria “qualquer perdão” aos bancos.
Mas Pedro Passos Coelho, na entrevista à SIC na quinta-feira (e Maria Luís Albuquerque, uns dias antes, à Renascença) acusou o Governo de, nas vésperas do acordo com a Lone Star, ter definido condições para os pagamentos pelos bancos ao Fundo de Resolução. Estas novas condições fariam com que tivesse havido, na realidade, um “perdão” de quase metade das responsabilidades da banca associadas à resolução do BES (e do Banif). Quem tem razão?"

Edgar Caetano dedica-se a deslindar a questão acima.

Dá voltas e mais voltas mas no essencial diz que realmente há uma perdão substancial da dívida dos bancos ao Estado, confirmando que, adoptando alguns pressupostos admissíveis, Passos Coelho tem toda a razão (em linha, aliás, com a única fonte não anónima citada no texto).

Mas, diz Edgar Caetano, há uns especialistas anónimos que adoptam outros pressupostos, também admissíveis, que concluem que Passos Coelho tem razão, mas exagerou qualquer coisa (disse uma coisa esticada, na linguagem das verificações de factos do Observador).

Ou seja, Edgar Caetano conclui: "existe um favorecimento mas que não chegaria aos valores expressados pelo líder do PSD".

Para quem está a verificar factos não deixa de ser estranho que Edgar Caetano se abstenha de dizer ele mesmo qual é efectivamente a dimensão do perdão da dívida aos bancos, mas o mais curioso desta conclusão é que ela não responde à questão enunciada: Quem tem razão? Passos que diz que há um perdão de metade da dívida dos bancos ou Costa que diz que não há perdão?

Eu compreendo: por mais voltas que se dêem, é evidente que talvez Passos se tenha esticado, mas é inegável que Costa está a dizer uma valente aldrabice e, por definição, Passos não tem razão face a Costa.

Pois.

Jogo Perigoso

por João Távora, em 11.04.17

O dia seguinte.jpeg

 

Os programas de debate futebolístico à segunda-feira nos canais de notícias vêm-se tornando numa autêntica aberração imprópria para crianças e gente civilizada - caio lá demasiadas vezes nos meus zappings à procura de notícias depois do jantar e fujo quando a coisa azeda, que nunca demora muito tempo. Na busca de audiências, que o mesmo é dizer, transpondo para a discussão verbal o mais básico fanatismo das claques, a conversa descamba com demasiada frequência para a insinuação e o insulto, que propicia cenas de algum embaraço quando a ténue fronteira do descontrolo emocional ameaça desabar entre os oponentes.
Sou do tempo em que no Sporting se debatiam fórmulas de atrair a família, nomeadamente senhoras e crianças para as bancadas do estádio, mas receio que o percurso feito nos últimos anos pelos clubes, através de políticas de comunicação extremamente agressivas, vem sendo inverso: a seguir a cada jogo, no espaço público que vai entre as televisões e as redes socias, toma lugar uma batalha verbal com pouco compromisso com a verdade e ainda menos com a boa educação. Voltando às televisões, desconfio que os responsáveis dos programas, que se não são os primeiros responsáveis, são cúmplices activos, estão simplesmente esfregando as mãos expectativa duma cena de descontrolo ou até de pugilato que exponencie as audiências, que por um dia catapulte o seu programa para os píncaros da popularidade, como se de um radical reality show se tratasse. Veja-se o caso do “Prolongamento” na TVI de ontem em que José de Pina e Pedro Guerra despudoradamente perderam a compostura (presumo que seja habitual).
Acontece que sou um amante do futebol, que preza a rivalidade acesa dentro das quatro linhas, transposta para as bancadas dentro dos limites mínimos das salutares regras de civilidade. Não compreendo que se critiquem os jogadores ou os espectadores quando se descontrolam e se aceite passivamente que esse jogo perigoso seja extrapolado para a televisão com um discurso que toca as raias do irracional como se fosse legítimo. 

Sou do tempo em que as televisões e o jornalismo tinham pretensões pedagógicas e sabiam o seu papel na sociedade. Não me parece que a busca de audiências justifique um espectáculo tão indigno quanto aquele que se vê nos serões das segundas-feiras por essas TVs.

Publicado originalmente aqui

Copos e miúdas

por João Távora, em 10.04.17

Se a barracada dos nossos jovens que vieram recambiados de Torremolinos chega aos ouvidos de J. Dijsselbloem estamos tramados.

Acordo? Discordo

por José Mendonça da Cruz, em 10.04.17

Por razões profissionais fui obrigado recentemente a escrever inúmeras vezes as palavras Rio de Janeiro. De cada vez, o corrector automático «corrigiu» para Rio de janeiro. Pois é, ninguém disse que o corrector tinha que ser menos estúpido do que o «Acordo Ortográfico».

Coelho versus Costa

por henrique pereira dos santos, em 09.04.17

Diz Vasco Pulido Valente que "O papel que cabe a Passos Coelho é mostrar um destino melhor a todo o país".

Não é o único a fazer essa crítica a Passos Coelho, há de facto muito quem diga que o papel da oposição é apresentar melhores propostas, dar um horizonte de esperança para o futuro e essas coisas todas que, no essencial, são a defesa de uma oposição política que prometa bacalhau a pataco se ganhar as eleições.

Essa crítica é muito curiosa porque não se aplica a quem está no governo: qual é o horizonte de esperança que é dado pelo governo nas medidas concretas tomadas até agora?

Substituição de cortes de ordenados ao funcionalismo público e aos pensionistas por mais impostos indirectos para todos é definir um horizente de esperança? Até sou favorável à transferência de impostos sobre o trabalho e o capital por impostos sobre o consumo, e isso sim, seria uma opção de política para o futuro, concorde-se ou não com ela. Mas isso é muito diferente de fazer pagamentos a grupos sociais definidos, à custa de impostos difusos sobre todos: isso é apenas substituir uma medida negativa visível (o corte de ordenados e pensões) por uma medida igualmente negativa mas invisível (o aumento de impostos indirectos), não é seguramente "mostrar um destino melhor a todo o país".

Reverter concessões de transportes públicos sem que se perceba para quê? Reformar florestas sem contar com quem as gere e sem se preocupar com a competitividade da produção florestal? Resolver a estabilidade do sector financeiro à custa do contribuinte e da intervenção directa na estrutura accionista de empresas privadas? Ter 50% da TAP, sem que se perceba para quê?

Tudo isso e muito mais é tudo o que o governo em funções tem feito: intervir directamente na economia com os recursos do contribuinte que foram retirados ao investimento que o Estado deveria fazer nas funções que mais ninguém pode desempenhar.

O governo em funções tem essencialmente gerido as corporações e os sindicatos de voto, em nome de interesses gerais.

Ou seja, o que distingue Coelho de Costa é que é hoje claro que onde Coelho disse não a Ricardo Salgado, Costa teria dito sim, prolongando o principal factor limitante do crescimento do país nas últimas década: a captura do Estado por sectores privados, sempre em nome de ideias nobres como a estabilidade do sector financeiro, a defesa do emprego, o reforço dos centros de decisão nacionais e outras abstracções que tal.

Como diferença de programa político para mim chega e sobra: eu seguramente votarei na mais imperfeita das opções desde que me pareça a que melhor defende um programa mínimo de libertação da sociedade da viscosa promiscuidade entre os sectores protegidos e o aparelho de Estado.

E não preciso que seja uma boa solução, basta-me que seja menos má que a alternativa, quando avaliada pela perspectiva da autonomia da sociedade face ao Estado, e vice-versa.

Domingo de ramos

por João Távora, em 09.04.17

 

Evangelho segundo São Mateus


Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: «Ide à povoação que está em frente e encontrareis uma jumenta presa e, com ela, um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, mas não tardará em devolvê-los».
Isto sucedeu para se cumprir o que o Profeta tinha anunciado: «Dizei à filha de Sião: ‘Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta’».
Os discípulos partiram e fizeram como Jesus lhes ordenara: trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as capas no caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo chão. E, tanto as multidões que vinham à frente de Jesus como as que O seguiam, diziam em altos brados: «Hossana ao Filho de David! Bendito O que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!».
Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é Ele?» – perguntavam. E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia».

 

Da Bíblia Sagrada

Costa versus Coelho

por henrique pereira dos santos, em 08.04.17

António Costa tem-se queixado amiúde de ter de andar a resolver os problemas do sistema financeiro que o governo anterior não quis resolver e empurrou com a barriga para poder fingir que havia uma saída limpa.

Vejo hoje no Público que os bancos absorveram 50 mil milhões de euros em imparidades desde 2008. Nos anos de Passos Coelho (por facilidade, de 2011 a 2015), foram absorvidos para cima de 30 mil milhões (Passos Coelho na entrevista desta semana falou em 20 mil milhões).

Ou seja, por maior fragilidade que exista na situação do sector financeiro que Costa se queixa de ter recebido em herança, ela é 20 ou 30 mil milhões melhor que a que recebeu Passos Coelho.

A diferença essencial é que Passos Coelho foi resolvendo (na verdade, os bancos foram resolvendo) sem quase falar na herança que recebeu, mas apenas na responsabildiade que tinha, e mantendo, no essencial, a tranquilidade do sector, apesar de abalos como o do BES; Costa, que terá até agora resolvido seis mil milhões de euros de imparidades, está sempre, sempre a queixar-se do governo anterior e, muito mais grave, actua completamente focado nos ganhos políticos de curto prazo, mesmo quando isso significa instabilidade para o sistema financeiro (como alardear buracos nas contas da CGD, só para citar o exemplo mais evidente) e custo para o contribuinte.

O que os distingue é essa diferença.

Isso, e uma imprensa hostil, num caso, e muito simpática, no outro e que acha que o governo se avalia não pelo que faz pela vida quotidiana das pessoas comuns, mas pela capacidade de esmagar retoricamente o adversário.

Chuva dissolvente

por henrique pereira dos santos, em 07.04.17

Helena Garrido chama a atenção para a herança mais grave que teremos no fim do mandato de Costa (continuando a obra inigualável de Sócrates no mesmo sentido): o enfraquecimento institucional.

E não se pense que é só nestas atitudes descritas por Helena Garrido, que são realmente graves,os sinais estão lá há muito tempo, desde o à vontade com que mentiu a Cavaco Silva num contexto absolutamente formal da discussão das soluções pós-eleitorais, à forma como Costa se comporta nos debates da Assembleia da República, até à reacção absurda (na forma, na substância, na importância atribuída e na insistência) às declarações do presidente do Eurogrupo.

A tolerância geral face ao evidente desprezo de Costa por regras básicas de comportamento institucional é ainda mais arrepiante que o desprezo em si, tanto mais que já foi uma tolerância do mesmo tipo face aos sinais evidentes de que alguma coisa teria de estar errada em Sócrates que permitiu que o problema alastrasse e chegasse tão fundo.

A informação e os poetastros frustrados

por José Mendonça da Cruz, em 07.04.17

Eis a notícia do atentado terrorista de hoje, em Estocolmo, segundo um orgão de comunicação social sério e sóbrio, neste caso o Observador:

«Um camião atingiu várias pessoas na rua Drottninggatan, no centro de Estocolmo, hoje, por volta das 15 horas, e embateu no centro comercial Ahlens. Várias pessoas foram vistas a saírem a correr do centro comercial. A polícia confirmou que quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas (incluindo crianças), nove das quais estão em estado grave. Um das vítimas morreu no hospital na sequência de ferimentos.Uma pessoa foi detida e confessou a autoria do ataque.O primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven, referiu-se ao incidente como “um terrível ato de terror”

 

Agora, a notícia ao estilo do que a Sic acha que é jornalismo de qualidade e debita em voz off poética:

«Passeavam, quem sabe se sem destino, quem sabe se às compras, ou namorando, talvez, pais e mães, filhos, casais, gente solitária também, quando o horror as tolheu. Eram 15 horas, dizia o relógio na torre próxima, quando a rua do centro da capital sueca, local normalmente sereno, uma rua sossegada, uma rua de paz, foi atroada pelo som de um camião que acelerando, indiferente à calma, indiferente à vida, irrompeu matando, espalhando o pânico por todos os cantos. Fugiram, uns, talvez sem destino, gritavam outros, aflitos, enquanto o camião matava e pisava, mudando para sempre a consciência de Estocolmo. Quem era, quem fora, o que acontecia, perguntavam-se todos...»

As perigosas crianças do BE

por Corta-fitas, em 07.04.17

be-arruada.jpg

A agremiação do BE é um fenómeno que espelha bem um certo tipo de diletantismo que invadiu a sociedade portuguesa. Vida facilitada, com poucos constrangimentos do género “levar filhos à escola”, com acesso abundante a informação processada na mecha e a muita oferta cool disponível por aí, esta desarranjada mole urbana permite-se emitir doutrina à velocidade dos acontecimentos. Na abundância destes com a arrogância daqueles medra um imenso ruído e confusão que serve bem o diletantismo de quem ousa tudo julgar sem nada ter de provar, o que, aliado à condescendência como são tratados, resulta num grupo demasiado curto no argumento e excessivamente largo no berro. A desvinculação na prestação de contas e correspondente falta de escrutínio que aos outros se exige não é mais do que a zona de conforto onde o BE respira.

Assim como certas crianças urbanas mal-educadas a quem tudo se permite, não é de estranhar que o tom arrogante e estridente de que o bloquista se socorre sejam o seu norte, pois que à escassez de Nãos (não vá o petiz traumatizar-se) por oposição abundam infinitos Sins. Para tentar acalmar o rebelde, mesmo que fugazmente, há que o fornecer com muitos brinquedos e satisfazer todos os seus caprichos sempre que a reclamação emirja. Como resultado, a malta do Bloco, como qualquer ser a quem pouco se exige e tudo pode, moldou-se para a satisfação do imediato e efémero, olhando para o “sistema” que o criou mas que ele desvaloriza como um pote sem fundo que deve estar sempre disponível para saciar o apetite do momento, ainda que este esteja em conflito com as melhores prácticas ou com o desejo da maioria. No fundo o bloquista é uma criança estragada.

O momento de ouro do BE já foi. Corria o ano de 2015 aquando da vitória do Syriza e a grande ascensão do Podemos. Aquela imagem de Marisa Matias na primeira fila da grelha a bater palmas a Tsipras quando este entrava em palco aquando da aparição após a sua vitória nas eleições de 2015 simbolizava para o BE o início de uma nova era que afinal não o foi: submeter as decisões dos crescidos à vontade das crianças. Perdendo um aliado de peso, e vendo o outro mesmo aqui ao lado perder gás e representatividade, o BE tarde percebeu que só fora do Euro terá espaço para respirar e poder brincar às revoluções. E é aqui que o BE pode ser perigoso.

Como na transição de um adolescente para a vida adulta se desembrulham algumas questões, é incontornável saber agora se o BE se syriza ou se bloqueia? E o BE já respondeu, bloqueia-se. Por ter visto que a Europa não cedeu ao Syriza e que este cedeu, logo interiorizou que dentro da zona Euro nunca poderá dar largas aos seus dislates. Só com escudos e máquinas que os possam imprimir a seu bel-prazer o BE tem futuro no recreio a que se destinou, tendo até já consultor no Banco de Portugal para o efeito.

Até à geringonça o BE tinha o seu raio de acção muito limitado, mas agora tem influência significativa no orçamento. Lá encontra-se de tudo numa pérfida união de interesses. Para além destas crianças que se estão nas tintas para o défice, encontramos os ilusionistas do PS que procuram maquilhá-lo o melhor que podem para não seguirem o caminho do PSOE e PASOK, passando pelos jurássicos do PCP que há muito só querem o escudo e que só se preocupa com os redutos sindicalistas mais arcaicos de que se alimenta. É nesta união egoísta e estroina que o BE pode fazer valer o seu objectivo. Por isso a geringonça serve o BE na perfeição, por isso o BE se agacha a tudo a que outrora berraria. E é por isto o BE pode ser perigoso. A tudo está disposto para sairmos da zona Euro.

 

Pedro Bazaliza

Convidado especial

 

A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 06.04.17

Ligo distraidamente a televisão e parece que está tudo muito incomodado pelo facto de Passos Coelho ter dito que não se demitiria da liderança do PSD se perdesse as eleições autárquicas. Não sou, nunca fui do PSD e pouco me interessa a questão.

 Mas acho estranho que ninguém estranhe que António Costa, aquele que perdeu clamorosamente as eleições legislativas de 2015, aquele que conseguiu a maior e mais difícil derrota de que há memória em democracia, não se tenha demitido da liderança do PS.

Confiança

por José Mendonça da Cruz, em 06.04.17

Dos jornais de hoje:

 

O PS, partido que governa as finanças e o país, estimava que as suas eleições primárias custassem 328 mil euros. Afinal, custaram 1 milhão e 650 mil. Quem descobriu e questionou foi o Tribunal Constitucional. O secretário nacional do PS, Luís Padrão, ficou irritado, e pergunta se a troika se mudou para o TC. 

 

As avaliações na função pública não são feitas há muito tempo, e há rumores de que funcionários foram chamados para fazer avaliações simuladas. O ministério das Finanças garante, porém, que os funcionários não avaliados não serão prejudicados na evolução das suas carreiras, e, que, portanto, as avaliações são uma mascarada.

 

É tempo de confiar que a saída do Euro, apesar do desastre nacional que acarretaria, é um objectivo importante para este governo, o qual tem enormes (e, do seu ponto de vista, muito razoáveis e justificados) ódio e medo a qualquer fiscalização independente ou séria.

Posso encomendar uma pergunta?

por henrique pereira dos santos, em 05.04.17

Ouvi boa parte da entrevista de António Costa à Renascença em que repete a ladaínha mais recente que consiste em dizer que o governo anterior andou a varrer as dificuldades do sector financeiro para debaixo do tapete por causa da saída limpa.

Curiosamente começa a enquadrar o assunto explicando que ao contrário de Espanha, o nosso memorando de entendimento resolveu não prever a resolução dos problemas da banca, e por isso o governo anterior andou a empurrar com a barriga e deixou tudo para António Costa resolver.

Da próxima vez que repetir esta história à frente de jornalistas, gostaria de encomendar uma pergunta: "Na sua (de António Costa) opinião, quando o governo que assinou o memorando, e que apoiava firmemente, não incluiu a limpeza do balanço dos bancos no memorando, isso seria porque não havia margem orçamental dos financiadores para o aumento de apoio concedido, ou seria porque o então primeiro ministro não queria entidades externas a escrutinar a banca?".

O Marco do Canelas

por João-Afonso Machado, em 05.04.17

Em suma, confrontado com o cartão vermelho que lhe foi exibido, agarrou a cabeça do árbitro, puxou-a para baixo e fracturou-lhe o nariz com uma joelhada. Avançado do F. C. Canelas, de sua graça de guerra - o Orelhas. A seu lado, não se percebe bem se a encobri-lo, se a acalmá-lo, o capitão da equipa, o Madureira - o Macaco, para os amigos.

Este, o chefe da claque portista; aquele, um seu fiel assessor. Ninguém sabe do que vivem exactamente (será do ordenado pago pelo Canelas?), mas vivem como proficientes gestores públicos.

Depois foi aquele andar engorilado do Orelhas à chegada ao tribunal, com o Macaco e outros que tal a escoltá-lo. E as declarações do seu advogado (no meu tempo, num "caso" destes, um advogado fugiria rapidamente a qualquer tipo de declarações...), a saída tranquila, adeus até qualquer dia, e a esperança nossa em que haja julgamento e condenação condigna.

Porque tudo isto é sinal de muito mais. E de que a Justiça não é cega mas anda de olhos fechados. O futebol é a política dos portugueses e, como tal, tende a tornar-se mais um território de impunidade. Acontece que eu gosto do F. C. do Porto, gosto de Portugal, gosto do azul-branco, que são as cores da "naçom" e da Nação, e não gosto nada desta mafiosidade permanentemente encavalitada nelas.

Resultado de imagem para blackrock

Não há dúvida que na essência têm razão, pois foram prejudicados pela decisão do fim de 2015 do Banco de Portugal de transferir 1.985 milhões de euros em obrigações seniores do Novo Banco para o BES. Essa foi a forma encontrada pelo regulador para capitalizar a instituição de transição. E as perdas recairam sobre os investidores institucionais que detinham tais emissões. (Mas não é assim com todas as resoluções?)

No caso concreto estão em causa cinco emissões de obrigações seniores, denominadas em euros, com maturidades a serem alcançadas em 2016, 2017, 2018, 2019 e 2024. Segundo o comunicado, estas emissões foram colocadas especificamente junto de investidores qualificados, isto é, bancos, fundos de investimento, entre outros. Para se subscrever estes títulos, era necessário investir um mínimo de 100 mil euros.

Um grupo desses investidores liderados pela BlackRock recorreu, e bem, para os tribunais e avançou com uma ação judicial. Nada mais normal que essas ações recairem sobre o Fundo de Resolução que terá de assumir contingências judiciais que venham a ocorrer.

Mas isso não tem chegado ao BlackRock. Sob forma de protesto em relação à decisão do Banco de Portugal em transferir cinco linhas de obrigações, no valor de 2 mil milhões de euros, do Novo Banco para o BES, o fundo tem se desdobrado em contatos e em " avisos" (chamemos-lhe assim) com a finalidade de forçar o Governo Português a chegar a acordo com os investidores para os ressarcir através de um acordo. Tudo serve de pretexto, desde a emissão da CGD, aos juros altos da República até à venda do Novo Banco. Qualquer coisa que tenha o cariz público e implique mercados lá está na linha da frente como obstáculo o fundo BlackRock. Mais firme do que uma "rock" nos boicotes.

Primeiro foi a emissão da CGD, apressaram-se a sair para o mercado, a Blackrock e a Pimco, a avisar que não iam subscrever a emissão de dívida subordinada perpétua, AT1, da CGD, numa tentativa de boicote à operação. Mas isso não parece ter assustado os investidores institucionais estrangeiros, uma vez que a emissão acabou por ser colocada e a procura superou mais de 4 vezes a oferta. E os juros (altos) até foram inferiores aos juros do Banco Popular, que tem um rating melhor, no mercado secundário.

Depois fizeram constar que os juros das OT do país estão a ser penalizados pela decisão do Banco de Portugal de dezembro de 2015, e referem que um acordo seria benéfico para Portugal, como que a insinuar que os juros altos da República portuguesa se devem essencialmente a essa operação de dezembro de 2015 de modo a levar a concluir que se o "Governo português decidir pagar as obrigações do BES/Novo Banco aos investidores lesados os juros soberanos descem logo imediatamente". Esse, ainda por cima, é um argumento que convém ao Governo (uma justificação exterior à política económica para os elevados juros cai que nem ginjas) pelo que os ventos podem estar de feição ao fundo norte-americano.

Em reação o primeiro-ministro António Costa já deixou críticas veladas à operação que foi decidida pelo Banco de Portugal em dezembro de 2015; e as autoridades portuguesas já estão até a tentar chegar a acordo com o grupo de grandes investidores que sofreram perdas com a transferência de obrigações que detinham no Novo Banco para o BES “mau”. Segundo a Bloomberg, o acordo que está em cima da mesa prevê uma compensação de 600 milhões de euros a este grupo de investidores, liderados pelas gestoras de ativos BlackRock e Pimco. Este montante seria suportado pelo Fundo de Resolução.

Mas isso não chega ao BlackRock. Agora foi anunciado um acordo para a venda do Novo Banco à Lone Star e lá está a BlackRock a tentar mais um boicote. Desta vez ameaça com uma ação de injunção junto do Novo Banco, que a ser aceite pelo juiz pode afastar o comprador Lone Star. Mais uma vez deixam nas entrelinhas que se houver um acordo para pagar os quase dois mil milhões essas ações podem nem ser colocadas. Mais uma vez é um meio para tentar chegar a um acordo com o Governo português. Não é mais do que isso.

Desta vez o argumento é que a “garantia” dada pelo Banco de Portugal, via o Fundo de Resolução, na venda ao Lone Star, “demonstra que o Banco de Portugal tem os meios, mas não a vontade de resolver o diferendo”.

Harmonia e progresso

por João Távora, em 03.04.17

O Jornal da Noite da SIC promete para quarta-feira um "especial" sobre Passos Coelho na contingência dum “governo Socialista que soma vitórias”. Pela minha parte começo a acreditar que, bem vistas as coisas, para o País alcançar a harmonia e o progresso, ao regime basta um partido, o PS.

António Costa apoia Passos Coelho

por henrique pereira dos santos, em 03.04.17

Fui esperando para ver a coisa bem explicada, mas como vai passando o tempo, talvez alguém me saiba explicar: na apresentação da venda que não é venda do Novo Banco, António Costa passou ou não o tempo a elogiar o governo anterior?

Defendeu com unhas e dentes a argumentação de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque em relação à ausência de custo para os contribuintes da resolução do BES.

Explicou muito bem explicadinho que as regras europeias de resolução, de que a do BES era um ensaio sem precedentes que a pudessem guiar, condicionavam as soluções.

Foi muito pormenorizado em explicar por que razão a nacionalização do BPN tinha sido errada, erro que não queria repetir, sendo a resolução do BES uma solução muito, muito melhor que deixar falir o banco ou nacionalizá-lo.

Onde vi divergências com Passos Coelho foi na sua demonstração de que teria sido muito melhor, para os contribuintes, privatizar a Caixa Geral de Depósitos que capitalizá-la. É certo que estava a falar do Novo Banco, mas toda a argumentação sobre custos para os contribuintes da nacionalização do Novo Banco se aplica, como uma luva, ao que foi feito no caso da CGD.

Só foi pena que na parte em falava de todo o sistema financeiro (outra divergência com Passos Coelho, a sua defesa e orgulho na interferência do Estado na gestão accionista de empresas privadas com uma argumentação que explica por que razão Salgado teria obtido deste governo o dinheiro que o governo anterior lhe negou) se tivesse esquecido de explicar o que até hoje não explicou: as suas opções no BANIF, que me parecem muito pouco coerentes com o que disse sobre o Novo Banco e os contribuintes.




Corta-fitas

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