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Domingo

por João Távora, em 05.02.17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se? Não serve para nada, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».


Palavra da salvação.

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Alberto Gonçalves no Observador

por João Távora, em 03.02.17

(...) Sonho escrever crónicas que usem as palavras “descrispação” e “proactividade”. Sonho escrever crónicas que repitam cada cliché disponível acerca do perigo que o sr. Trump representa. Sonho escrever crónicas que se derretam de admiração pelas “selfies”, pelos “afectos” e pelos obituários, salvo seja, do prof. Marcelo. Sonho escrever crónicas que denunciem as patifarias dos banqueiros, excepto dos que são perseguidos por Pedro Passos Coelho. Sonho escrever crónicas que sublinhem o pacifismo do islão e o belicismo israelita e a culpa ocidental. Sonho escrever crónicas que me candidatem a uma assessoria de imprensa ou a outro posto assim digno. Sonho escrever crónicas que agradem às inúmeras personalidades de relevo que transformaram Portugal naquilo que é.
Mas não consigo (...). 

 

A partir de amanhã leia a nova crónica de Alberto Gonçalves. Todos os sábados, no Observador.

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Resultado de imagem para jorge coelho

Estava a ouvir a Quadratura do Círculo que chamou ao debate o último dos temas fracturantes que falta aprovar. Eu respeito a opinião da esquerda, agora não posso respeitar os argumentos.

Vou citar Jorge Coelho:

"Imagine a pessoa que você mais ama neste mundo a sofrer muito, a pedir que já não aguenta mais com dor e  sofrimento, e não haver condição nenhuma de ser recuperado, e a pessoa com que vê a outra a sofrer, talvez por egoísmo, de ver se há alguma hipótese da pessoa sobreviver, não acompanhar este pedido da pessoa".

Mas depois apresenta um argumento contrário.

"Outra situação: Na sociedade egoísta em que vivemos pode haver razões que como hoje levam a haver muitas pessoas que são pura e simplesmente abandonadas em hospitais e em lares e ninguém da família as procura, quem é que nos diz que para resolver esse problema não é aplicada uma eventual lei desta natureza". Falava portanto da despenalização da morte assistida. Inicialmente não percebi e li neste exemplo um argumento a favor da eutanásia. Mas depois chamaram-me a atenção de que Jorge Coelho neste exemplo estaria a alertar para o risco de banalização da eutanásia. Pelo que altero o post que tinha escrito inicialmente.

 Apresenta-se contra o referendo e na verdade acaba por ser a favor de adiar o problema. Porque não consegue decidir? Ou porque é contra a eutanásia?

 

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Uso muito esta resposta de Maria Luís Albuquerque a um deputado que questionava algumas opções do governo de então.

E nestes dias, em que muitas pessoas resolveram discutir a política salarial da Padaria Portuguesa e, de caminho, criticar o Estado Português por persistir em estabelecer salários mínimos miseráveis, lembrei-me ainda com mais frequência dela.

A quantidade de pessoas que argumentam que o salário mínimo é miserável, e que as empresas que pagam salários mínimos miseráveis devem fechar, é surpreendemente grande. Para meu espanto, abrange muita gente informada e qualificada.

São pessoas que não duvidam da sua superioridade moral quando, ao mesmo tempo que defendem que o desemprego é melhor que um salário baixo (não o dizem assim, dizem apenas que as empresas que pagam salários mínimos devem fechar, despedindo todos os seus trabalhadores em vez de lhes pagar um salário baixo), me convidam a viver com o salário mínimo, para perceber o que é um salário miserável.

Na verdade grande parte destas pessoas estão convencidas de que a definição do salário do trabalhador é uma decisão livre do patrão, que só não paga mais porque não quer.

O mais curioso é que boa parte destas pessoas não querem saber para nada da informação que existe sobre o assunto, chega-lhes a paz de espírito que lhes é trazida por poderem mostrar aos amigos como são bonzinhos.

A definição de pobreza é uma complicação para os serviços de estatística, porque a pobreza é um conceito relativo.

Por exemplo, o risco de pobreza é medido pelo facto de uma pessoa ter 60% do rendimento mediano por adulto equivalente. Em Portugal, isso significa que as pessoas em risco de pobreza têm um rendimento menor que 420 euros, mais coisa, menos coisa. Note-se que grande parte destas pessoas não são trabalhadores no activo, são sobretudo desempregados, velhos e crianças (melhor dizendo, menores de 18 anos, estando este grupo muito afectado pelas famílias pobres que têm três ou mais filhos).

Ou seja, aparentemente, o ordenado mínimo não coloca as pessoas em risco de pobreza. Pode argumentar-se, bem, que sendo a definição deste limiar de pobreza dependente do rendimento mediano, podem os rendimentos do país ser tão baixos que estatisticamente as pessoas não estejam em risco de pobreza mas na verdade sejam miseráveis.

Por isso há um outro indicador estatístico que procura captar uma definição de pobreza que não está dependente do rendimento mediano do país, a privação material. Este indicador é bastante mais complexo, utiliza nove items (desde o acesso a um automóvel, ao aquecimento das casas, ao número semanal de refeições com carne e peixe até à possibildiade de pagar uma semana de férias fora de casa, por ano), considerando-se uma pessoa em privação material severa quando não consegue ter acesso a quatro dos bens ou serviços a que dizem respeito estes nove items, ou em privação material quando não tem acesso a três desses items.

Em 2016 cerca de um quinto dos portugueses consideravam-se em privação material, essencialmente por não terem acesso a uma semana de férias fora de casa, não terem capacidade de fazer face a uma despesa inesperada da ordem de grandeza de um ordenado, não terem capacidade para manter a casa aquecida. Quando se passa para a privação material severa, este número reduz-se para 8,5% em vez dos 20% em privação material.

Globalmente, para o país, estes números são maus, mas é em face deste contexto que devem ser avaliados os patrões portugueses e as suas políticas salariais: não faz sentido comparar a política salarial do café da esquina com a política salarial de uma multinacional de tecnologia.

A Padaria Portuguesa está situada no sector que mais mal paga em Portugal, o sector do alojamento e restauração, que paga abaixo do sector agrícola.

Se alguém quiser avaliar a "bondade" do patrão da Padaria Portuguesa através dos salários que paga, não pode limitar-se a dizer que o ordenado mínimo é uma miséria e que as empresas que não podem pagar mais deveriam fechar, porque isso não fecharia a Padaria Portuguesa, bem pelo contrário, eliminaria grande parte da sua concorrência, o que lhe permitiria pagar melhor, porque lhe permitiria cobrar mais aos clientes.

No caso em concreto, a empresa em causa paga melhor ou pior que a generalidade do sector? Acredito que paga mais; Dá mais garantias sociais ou menos garantias sociais que a generalidade do sector? Acredito que dá mais garantias; Usa de maiores ou menores ilegalidades na gestão do seu pessoal? Provavelmente usa menos ilegalidades.

Não digo que acredito porque ache a gestão da Padaria Portuguesa mais séria que o dono do café da esquina, mas simplesmente porque para aproveitar as oportunidades criadas pela péssima fiscalização do Estado nestas matérias o dono do café da esquina está em muito melhor posição que o dono de uma empresa média, que tem de ter mecanismos de controlo de gestão rigorosos, se não quiser falir em três tempos, o que lhe tira a "flexibilidade" do dono do café da esquina. Ou seja, paga melhor, respeita mais os trabalhadores e cumpre melhor as suas obrigações legais e, ainda assim, cresce e investe mais que a generalidade do sector. Pretender boicotar a Padaria Portuguesa por falta de respeito aos seus trabalhadores não decorre de princípios morais sólidos, mas da mera hipocrisia de se evitar saber como consegue o Esteves servir um café tão barato e tão bom.

Ainda assim pode argumentar-se que os salários mínimos não são dignos de uma sociedade decente, recolocando a questão no plano moral.

O Partido Comunista tem essa posição e por isso defende um salário mínimo de 1200 euros. Significa então que o PC é moralmente superior aos partidos que estão vendidos ao capital e por isso defendem que o salário mínimo só pode ir subindo na medida em que houver uma economia que crie mais valor e, consequentemente, possa remunerar melhor os factores de produção (capital e trabalho)?

A mim parece-me exactamente o contrário, a mim parece-me que a posição moral do PC é que é absolutamente insustentável: considerando que uma vida digna só se consegue com 1200 euros, não se importa de impôr aos seus funcionários uma vida indigna, pagando-lhes menos do que pensa ser o mínimo da dignidade.

O problema de tentar discutir salários a partir da moral e sem ter em conta a realidade do valor criado é este: ou se vai à falência material, quando o patrão deixa de ter dinheiro para pagar o que prometeu aos seus funcionários, ou se vai à falência moral, quando se acaba a submeter os que dependem de nós a condições de trabalho que consideramos indignas.

A questão é que a maioria das pessoas que conheço e que se indignaram com este assunto, na verdade indignaram-se com a liberdade de expressão do dono da Padaria Portuguesa.

Se ele tivesse ficado calado, como o Esteves, nada lhe teria acontecido porque são muito poucos os que verdadeiramente estão preocupados com as condições de trabalho de quem lhe serve um café.

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 Esta é a única maneira aceitável de se criticar Trump. Isto é, com um sentido de humor sublime. Todas as outras formas são grotescas.

 

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El-Rei

por João-Afonso Machado, em 01.02.17

D. CARLOS.JPG

O pior de tudo são os discursos. Por isso, o essencial apenas. D. Carlos, um rei amado pelos portugueses e o alarme em consequência generalizado entre os republicanos. A sua morte e a do Princípe Real. Traiçoeiramente baleados à Sua chegada a Lisboa.

Foi em 1908. Em 1921, no famigerado episódio da "camioneta fantasma", eram igualmente assassinados alguns dos principais fazedores da República. Quem se lembra deles, quem os chora ou sufraga?

A resposta a estas interrogações está em nós. Na Nação portuguesa. Não, não falo em titânicos lances históricos de bravura, sequer em alguma maçadora lista de valores e deveres pátrios pelos quais é forçoso morrer, se necessário... Disse - falo em nós. Nos nossos dias, ontem, hoje e amanhã. No muito que a pessoa do Rei nos segreda ao coração de opositores do Estado e dos seus próceres. Jamais em repúbica um presidente conseguirá (mas parece haver os que tentam...) o povo siga voluntariamente um ideal e se sacrifique por si mesmo. Por aquilo em que já não acreditamos - o nosso futuro, enfim. 

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Corta-fitas

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