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Domingo

por João Távora, em 08.01.17

Evangelho segundo S. Mateus 2,1-12


Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
Onde está - perguntaram eles - o rei dos Judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l'O.
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: "Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta:
'Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo'".
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: "Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l'O".
Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d'Ele, adoraram-n'O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

Palavra da Salvação

 

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Incoerência

por Maria Teixeira Alves, em 07.01.17

Incoerência é o primeiro-Ministro decretar luto nacional de três dias, mas continuar na sua viagem à Índia.

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Mário Soares: Deus o tenha

por João Távora, em 07.01.17

Mário Soares esteve do lado da liberdade quando esta foi ameaçada. Eu estive na Fonte Luminosa, tinha 14 anos e naqueles tempos tumultuosos passava dias no Caldas a distribuir viveres aos retornados e noites em casa a rezar pelos nossos amigos que eram presos ou perseguidos. Assisti em directo ao seu confronto com Álvaro Cunhal. Soares foi corajoso e esteve no lado certo quando isso era arriscado.



Fiquemos com a recordação do Mário Soares bom e magnânimo - nunca nenhum outro presidente foi tão simpático para os Duques de Bragança a cujo casamento fez questão de ir e facilitar nas delicadas questões protocolares que se colocavam num evento que tomou dimensões grandiosas com honras militares e transmissão directa pela televisão pública.



Era laico, socialista e maçon, cometeu muitos erros e era desbocado. Deus talvez perdoe as suas falhas e pecados. A História encarregar-se-á de lhe fazer justiça.

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A dívida segundo Costa, Ferro e a Sic

por José Mendonça da Cruz, em 06.01.17

Diz a Sic no espaço das 20 horas onde putativamente dá notícias que os juros da dívida pública portuguesa ultrapassam os 4% já por vários dias

mas

diz a mesma Sic que não faz mal, porque isso «não preocupa o primeiro-ministro», cujo esclarecimento  a Sic atenta e venerandamente buscou em terras indianas.

mas

sabemos nós (a Sic se soubesse noticiava, certamente) que os 4% são a fronteira em que a última agência de rating que mantém as finanças portuguesas fora do lixo ameaça juntar-se às outras

mas 

segundo a Sic não faz mal, porque Ferro Rodrigues, pressurosamente ouvido, diz que é uma situação «para a qual nada contribuimos»

é claro que

os juros da dívida portuguesa atingem níveis que não atingem os da dívida espanhola (que estão nos 1,5%, mas não digam a ninguém, nem à Sic, que não sabe de certeza, senão dizia)

mas

não faz mal, segundo a Sic, a qual sem revelar (Deus nos livre) algum número que permitisse comparar os juros da dívida dos «países periféricos», logo junta, obsequiosamente, que há «pressão dos mercados» mas que «a tendência é geral», é uma coisa assim não sei se estão a ver

é claro que

nem Espanha, nem Itália tremem com a possibilidade próxima e séria de o Banco Central Europeu reduzir a compra de dívida soberana, porque nem Espanha, nem Itália dependem dos balões de oxigénio do BCE como o governo português depende

mas

segundo a Sic estas coisas são gerais porque (diz a Sic na sua linguagem tão própria e letrada) nestas situações quem «leva por tabela» são «os países perfiféricos»

embora

nós saibamos (como a Sic lembraria seguramente, se acaso lhe ocorresse) que só Portugal, de entre os tais «periféricos» da «tabela», se arrisca a ficar sem o balão do BCE caso a tal agência de rating classifique como lixo a nossa dívida 

mas

não faz mal, porque, tal como decerto a Sic dirá futuramente, eventuais falências ou bancarrotas não terão nada a ver com este governo; elas serão responsabilidade de «tendências gerais» para as quais «não contribuimos em nada» e que se abatem sobre nós «à tabela» por sermos um dos «países periféricos».

Guardem e lembrem-se. Isto é informação de qualidade vinda de uma «sociedade independente».

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Risco sísmico

por henrique pereira dos santos, em 06.01.17

Ontem li uma notícia muito interessante no Público e gostaria de a comentar.

O título é sugestivo "Risco sísmico em Lisboa: "É como estar num barril de pólvora"".

O lead também é informativo: "Mário Lopes, investigador do Instituto Superior Técnico, esteve numa reunião com deputados da assembleia municipal e criticou a inércia do poder político face ao tema".

""Se tivermos a repetição de 1755, um terço de Lisboa fica em escombros" e ninguém parece verdadeiramente preocupado com isso, lamenta Mário Lopes".

"Mário Lopes deu o exemplo de Nórcia, uma cidade a cerca de 60 quilómetros de Amatrice, também abalada por terramotos em 2016. ... nos últimos 40 anos, quase todas as infraestruturas de Nórcia tiveram obras de reforço sísmico, o que contribuiu para que as consequências tenham sido muito menos graves ali".

"A Baixa é um marco da história da humanidade que nós próprios temos andado a destruir ... Isto é a receita para o desastre".

O que proponho é um exercício simples: substitua-se nos bocados da notícia acima "risco sísmico" por "risco financeiro" e "Mário Lopes" por "Passos Coelho" (ou outro qualquer "pessimista").

Talvez assim se perceba o ridículo de dizer que uma pessoa que fala de riscos está a chamar e a ansiar pelas catástrofes e se perceba não só o ridículo, mas a imensa irresponsabilidade dos "optimistas irritantes" que dizem que o facto de hoje não ter havido uma repetição de 1755 demonstra que os "pessimistas" não têm razão.

Retomando a notícia ""O problema do risco sísmico (substitua-se por financeiro) não se resolve a nível técnico ... é um problema político ... Nós estamos em cima do problema. É como estar em cima de um barril de pólvora com a mecha a arder", afirmou o especialista" (escolher o nome do especialista a gosto).

Isto não é um problema de Bruxelas aceitar ou não aceitar mais ou menos décimas de défice, isto é um problema de gestão de risco e é razoavelmente estúpido que um país com o nível de risco que Portugal tem (quer sísmico, quer financeiro), desvalorize os custos de fenómenos de baixa probabilidade e elevado impacto (os cisnes negros) com base no optimismo irracional e em ganhos marginais de elevada probabilidade.

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O Novo Banco e os erros dos banqueiros de bancada

por Maria Teixeira Alves, em 06.01.17

novo banco.jpg

O Novo Banco é o banco de transição fruto de uma medida europeia de Resolução que foi evoluindo. Hoje é diferente. Mas mais tarde irá dizer-se que esta nova versão também é péssima porque chama os depositantes e os obrigacionistas a pagar a factura da Resolução.

Existe alguma possibilidade de um banco que se defronta com défice de capital por excesso de maus activos de ser salvo? Essa é a questão.

O Novo Banco é o que sobra do BES. O BES foi o que se sabe. Não é culpa de Governo nenhum. É culpa de legislações frouxas ou instrumentos de controle ineficazes e da soberba de banqueiros que abusavam do poder que tinham.

A Resolução do BES correu mal? Sim, porque em bom rigor o Novo Banco devia ser do tamanho de um Banif e o BES mau devia ter muito mais créditos tóxicos e activos problemáticos, que, por boa vontade de Carlos Costa ficaram no banco bom.

Perante o que há pela frente o que pode o país fazer? Vender. Se for por zero é por zero. Vender a um fundo de private equity, porque não?

Mas alguém acredita que uma Nacionalização temporária é melhor que a detenção temporária por um private equity que tem a função de rentabilizar e vender? Mas é diferente o Lone Star rentabilizar e vender de uma nacionalização que tem precisamente a mesma função (rentabilizar e vender?) Não teria sido melhor o Banif ter sido comprado por um private equity que valoriza e vende? O Estado quis valorizar e vender. Conseguiu?

Mas Portugal alguma vez nacionalizou um banco com sucesso? O BPN foi um desastre resolvido e bem pelo governo anterior, com a venda ao BIC.

O Banif (que o Estado entrou no capital com o intuito de ser temporariamente) correu bem?

Esqueçam a nacionalização. O Novo Banco tem que ser detido por accionistas que têm o foco na rentabilidade.

Quando eu oiço vozes a dizer que o Novo Banco  tem de ser nacionalizado para salvar o papel de grande parceiro do crédito a empresas, vem me logo à visão as imparidades futuras que vêm para aí. 

Essa visão paternalista cultivada por alguns governos é a grande culpada de os bancos estarem hoje como estão, com muitos créditos em risco. 

Nacionalizar o Novo Banco é trazer para dentro de casa as perdas do side-bank (activos problemáticos do Novo Banco), isto é, para os contribuintes. Mas se o Lone Star quer desvalorizar o side-bank porque há-de o Estado ficar com ele ao valor de 9 biliões de euros?

O Estado com a nacionalização vai aumentar o défice com os aumentos de capital que vão ser precisos fazer para repor o capital do banco que pelos vistos é fictício porque se faltam registar imparidades, é provável que o rácio de capital que apresenta o NB esteja sobrestimado.

O Governo vai tentar nacionalizar o Novo Banco, se Bruxelas deixar, claro, depois vai culpar o Passos Coelho, e daqui a meia dúzia de anos vai tudo concluir que foi um erro, quando já for tarde. Porque ninguém vai comprar o Novo Banco depois de nacionalizado. Ninguém. Vai ser outro Banif.

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Populismos e Pós-verdades

por João Távora, em 05.01.17

Pelo que vi em duas horas de noticiário da SIC Notícias que passei em "F. Forward", o que de mais importante que marca a agenda do país é a sova que um adolescente levou há dois meses e a (in) competência dos árbitros de futebol. Só faltou o comentário do professor Marcelo, mas com a pressa deve ter-me escapado.

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Discos e riscos 2

por João Távora, em 05.01.17

gira-discos.jpg

Para uns delicados ouvidos analógicos como os meus é reconfortante verificar como, a par do vertiginoso processo de desmaterialização da música e do crescimento exponencial do seu consumo através das de plataformas de streaming como o Spotify, Apple Music ou o Google Play, o mercado do vinil vai-se afirmando como uma consolidada alternativa para os verdadeiros melómanos e audiófilos. A comprová-lo basta verificar o espaço a ele reservado nas lojas Fnac, já para não falar da proliferação de novas lojas de discos nos grandes centros urbanos, ou pelo facto da versão em vinil de "Black Star" de David Bowie ter vendido globalmente perto de 500.000 cópias. No entanto convém realçar que este crescimento terá sempre como limitação os custos monetários necessários para a aquisição de um competente sistema de reprodução: um bom gira-discos com uma boa célula, um amplificador competente com entrada “Phono” e umas colunas adequadas ao espaço em que vão tocar. De resto faz-me alguma confusão a profusão de oferta de pequenos gira-discos de má qualidade, a maior parte com um atraente design “vintage”, que constituirão um logro para o consumidor, que rapidamente se perceberá que, para além de estragarem dos discos, não preenchem os valores mínimos de qualidade sonora comparativamente a qualquer pequeno dispositivo de reprodução digital, até o smartphone mais básico.

 

Publicado originalmente aqui.

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champalimaud.jpg

 

Quando em 1999 António Champalimaud, antevendo que o seu Grupo financeiro, um dos maiores à época, se desmantelaria após a sua morte, na guerrilha dos herdeiros e tendo viva a memória do que acontecera à herança Sommer, tenta um acordo com o Emílio Botín para uma parceria que mantivesse intacto o Grupo Champalimaud - BPSM, Totta, Mundial Confiança, CPP e Chemical - levantou-se uma indignação colectiva de que este país é mestre. 

Não faltou banqueiro, opinion maker, que não apelasse ao Ministério das Finanças, na altura era Sousa Franco, para impedir o negócio de venda de 40% do Grupo Champalimaud aos espanhóis. Era o interesse nacional que estava em jogo, a rentabilidade do sistema financeiro português. 

O Ministro das Finanças alegou falha na comunicação e na autorização do ISP, instituto de seguros, por a cúpula do grupo ser uma seguradora (a Mundial Confiança) para chumbar a operação.

Era preciso uma alternativa. A velhice não espera por decretos, e António Champalimaud sabia que teria de resolver a sucessão urgentemente.

O Governo de Guterres, ao bom estilo socialista, logo se assumiu como arquiteto do sistema financeiro (onde é que eu já vi isto? rings a bell? António Costa e a estabilização do sistema financeiro?) e pôs a CGD a fazer aquilo que sabia fazer melhor: comprar participações em empresas portuguesas para as manter em mãos nacionais.

Logo se pôs a CGD (inicialmente presidida por João Salgueiro, mas no ano seguinte, em 2000, por António de Sousa e como Joaquim Pina Moura já a ministro das Finanças) a comprar a Mundial Confiança, na altura por um balúrdio por acção, a qualquer coisa como 12 contos por acção, afinal era a dona de todo o grupo. Ah, mas desenganem-se a CGD compra a Mundial por um balúrdio a António Champalimaud e o BCP em OPA fica com o BPSM pagando com acções do BCP, pois a CGD não precisava do dinheiro, precisava era de ser a garantia da nacionalidade das empresas portuguesas. Podia ter vendido por dinheiro o BPSM na OPA, mas preferiu acções do BCP de Jardim Gonçalves, que tinha uma estrutura acionista muito dispersa e ainda podia aparecer um novo banco espanhol na esquina a lançar uma OPA ao BCP.

O BPSM por sua vez vendia o Totta ao Santander e o CPP idem, o Chemical já nem sei para quem ficou. 

Foi assim a história da CGD, dona parcial de todas as empresas portuguesas de grande dimensão (teve 10% da PT), a empresa que servia de Fundo soberano do Estado português.

Hoje fazem-se comissões de inquérito para tentar acusar o passado da CGD na esperança de se apanhar o adversário político na esquina.

Não mudou muito o papel que os governos (sobretudos os menos liberais e mais de esquerda) querem dar à CGD, o que mudou foi o preço em imparidades que essas estratégias custam).

 

 

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A confirmação veio através de um post do próprio Alberto Gonçalves no Facebook: “só para evitar confusões: saí do DN por vontade da direcção”. Custa-me a acreditar que um jornal como o Diário de Notícias, que luta pela sobrevivência no exíguo espaço que sobeja para a imprensa dita “tradicional”, dispense um dos mais talentosos e populares cronistas da nossa praça. Como é que um jornal, qualquer que ele seja, que pretenda sobreviver nestes tempos em que perdem influência, dá assim um tiro no pé? Em compensação agora oferece-nos essa consagrada virtuosa da escrita que é Maria de Lurdes Rodrigues... A sensação que fica é que os editores não se dão bem com a pluralidade e com a irreverência, preferindo uma pena amestrada e complacente para com a oligarquia que nos pastoreia.

Há uns meses elogiei aqui esforço do DN pela inclusão deste colunista que lhe conferia uma qualidade extra ao Domingo, dia em que muita gente não dispensava a leitura dos textos ácidos e bem-humorados do Alberto Gonçalves. Suspeito que o DN não resista muito tempo a tantos maus tratos. Temo pelo futuro desta velha marca centenária do jornalismo português. Mas pensando bem talvez não seja grave: sobram sempre os blogs e as redes sociais. 

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O que muitos jornalistas gostam é do pugilato

por henrique pereira dos santos, em 04.01.17

Titula o I, em grandiosa manchete "Costa prefere comprar guerra com BE do que com Marcelo".

Vamos saltar a demonstração da falta de qualidade da escrita de um jornal cuja manchete adopta o vulgar, mas errado, "prefere ... do que" em vez do correcto, e bem mais elegante "prefere ... a".

O Jornal I resume uma discussão complexa sobre PPP na saúde a uma mera escolha das guerras que António Costa e os seus apoios querem ou não querem comprar.

Vantagens e desvantagens, quais as melhores opções de políticas públicas, quais os custos, quais os resultados, tudo isso é irrelevante, o que interessa é o pugilato. Não passa sequer pela cabeça do jornal que o primeiro ministro (este ou outro qualquer) simplesmente avalie a informação existente, pondere prós e contras, e faça as opções que, na sua opinião, melhor defendem o bem comum.

Já foi assim com os contratos de associação no ensino (uma forma de PPP não formal, aliás com resultados bem mais evidentemente bons que na saúde).

Eu sei que com o precedente no ensino é natural que se pense que António Costa se está nas tintas para o bem comum e completamente focado nos precários equilíbrios que lhe garantem o cargo. Essa é, aliás, a minha convicção. Mas a minha convicção, tal como a convicção do jornalista que escreve a peça e a manchete, são irrelevantes, não devem entrar na avaliação profissional que o jornalista faz das opções de política pública em debate.

Razão tem Adolfo Mesquita Nunes: qual é o incentivo que os jornais dão a quem queira simplesmente discutir e propor políticas sérias, certas ou erradas caberá ao eleitorado avaliar, e fundamentadas na melhor informação existente?

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Diz a Sic que os estabelecimentos de saúde portugueses foram avaliados.

Quem avaliou foi a Entidade Reguladora da Saúde.

E como é que a Entidade Reguladora da Saúde avaliou?

A Entidade Reguladora da Saúde solicita dos estabelecimentos de saúde resposta a questionários que, todos eles, se poderiam resumir na pergunta: «E tu, funcionaste bem, prestaste serviços de grande categoria?».

Ao que cerca de 80% dos inquiridos respondem que «sim, sim, senhora (entidade reguladora da saúde), funcionei bem, foi uma coisa de categoria, funcionei mesmo excelentemente».

E tem esta avaliação alguma contribuição por parte dos utentes?

Tem sim. A Entidade Reguladora da Saúde pergunta aos estabelecimentos de saúde se inquiriram os utentes sobre a sua satisfação.

E cerca de 80% dos estabeleciments de saúde respondem que «sim, sim senhora (entidade reguladora da saúde), consultámos imenso e está toda a gente contentíssima».

Após o que a Entidade Reguladora da Saúde conclui que avaliou o sistema e que o sistema é excelente.

E a servil, obsequiosa Sic, por sua vez, conclui sem rir nem pestanejar que isto é uma excelente notícia.

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E dispor-se à acção?

por henrique pereira dos santos, em 03.01.17

"um partido que já foi reformista e uma esperança, começa a tornar-se irrelevante. Deixou de ser social-democrata há muito tempo, razão que levou ao afastamento de muitos dos seus militantes e apoiantes. Mas agora, com o tempo, deixou de sequer valer a pena. ... O PSD esqueceu-se do seu papel e do seu propósito. ... o partido está esgotado, esvaziado, está tomado pelo oportunismo, pelas agendas pessoais de curto-prazo e... perdeu o propósito?".

Não interessa nada de quem é a citação acima (não é a posição da pessoa que informalmente fez este comentário que interessa), o que interessa é que esta posição aparece muito no espaço público, quer em militantes do PSD que não gostam da actual orientação do partido, quer em independentes (Nuno Garoupa será talvez um bom exemplo), quer em militantes do PS quando se preocupam com a pasokização do PS.

Confesso que, com excepção dos militantes e dirigentes que dependem das suas posições partidárias, não entendo as preocupações com a morte ou a irrelevância progressiva de qualquer partido: os partidos representam sectores sociais e quando deixam de os representar, naturalmente, tornam-se irrelevantes.

Se muitos militantes e apoiantes dos actuais partidos já não se sentem representados neles, o caminho é mais ou menos óbvio: avancem, façam um partido alternativo e apresentem-se a eleições.

Eu, que não acho interesse nem utilidade nenhuma no que diz e propõe Rui Tavares, deste ponto de vista tenho de lhe tirar o chapéu: em vez de se lamentar por não o representarem convenientemente teve a coragem de fundar um partido e dar o peito às balas.

Há sempre a hipótese de se repetir a história implícita na famosa citação "E quem fará a revolução, na Rússia? Talvez esse senhor Bronstein que passa todo o dia no Café Central?"

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Um casamento feliz

por João Távora, em 03.01.17

Um casamento feliz não dá um bom romance muito menos uma boa crónica. Ninguém que tenha um casamento feliz é louco suficiente para assumi-lo em público. Um casamento feliz pode ser uma maçada para os outros e um incómodo para os casamentos que estão na luta para serem felizes ou não sabem que o são. Depois, toda a gente sabe que até no casamento mais feliz cai a nódoa. Certo é que um casamento feliz é um problema para a literatura. E a falta que fazem à cidade histórias de casamentos felizes...

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Um desejo dos diabos

por henrique pereira dos santos, em 02.01.17

O que eu gostava, para este ano e os seguintes, é que fosse definitivamente abandonada a prática jornalística do uso e abuso de fontes anónimas no noticiário político e social.

No livro de estilo do Público (desconheço se se mantém e se ainda existe) havia uma secção apropriadamente chamada "O jornalista não é um mensageiro". Nessa secção o livro de estilo do Público dizia: "c. O jornalista do PÚBLICO deve, sempre que considerar estar a ser objecto de algum condicionamento, recusar receber informações não atribuíveis ou "off the record". d. Quando se trata de opiniões, o PÚBLICO só reproduz as que forem atribuíveis a fontes claramente identificadas. e. O anonimato e o "off the record" só existem para proteger a integridade e liberdade das fontes, não são formas de incitamento à irresponsabilidade das fontes. f. O jornalista deve sempre confrontar a fonte que exige o anonimato ou o "off the record" com a real necessidade de tal exigência, não aceitando com facilidade a evocação prévia de tais compromissos sobre assuntos em que a fonte nada tem a temer."

Eu não poderia estar mais de acordo com estes princípios e uso uma pequena historieta para explicar porquê.

Um dia, numa reunião à porta fechada, Passos Coelho terá aconselhado os seus correlegionários a descansar bem nas férias porque depois vinha aí o diabo.

Um jornal (penso que o Público) ter-se-á feito eco dessa afirmação, citando fontes anónimas, isto é, irresponsáveis. Provavelmente o Público terá até confirmado que Passos Coelho terá dito isso, noutras fontes, igualmente anónimas.

Ora Passos Coelho, quando confrontado com a afirmação, pergunta se alguém o ouviu dizer isso. E não há ninguém, a não ser fontes anónimas, que confirmem a afirmação.

Mas a partir de certa altura, no debate público, passou a ser um facto que Passos Coelho terá dito que o Diabo vinha em Setembro (note-se que no que parece ser a notícia original sobre o assunto, nem sequer é bem isso que é dito, mas passemos por cima desse pequeno pormenor).

Em si, toda esta história tem uma importância muito relativa (ainda que Passos Coelho tenha dito isto, não é muito diferente do que há anos dizem o BE e o PC, que sem renegociação da dívida o diabo já cá está e vai permanecer), mas ilustra bem como o uso de fontes anónimas permite que qualquer pessoa que tenha a confiança de um jornalista, em quem outros jornalistas confiam, possa sair de uma reunião à porta fechada e criar um facto político que lhe seja conveniente, sem que tenha de assumir qualquer responsabilidade e sem ser confrontado com eventuais imprecisões de citação ou de contexto (há até uma célebre história com conselheiros de Estado, esses sim, obrigados a um dever de confidencialidade que alguns não respeitam, com a cumplicidade de jornalistas que aceitam reproduzir o que lhes é soprado, exactamente por não identificarem a fonte).

Na prática isto permite transformar jornalistas em mensageiros, jornais em orgãos de propaganda e debates em jogos de influência.

Que os governos sejam maus e não façam o que lhes compete, pode ser desagradável mas, apesar de tudo, os estragos são menores do que parece porque os governos mandam muito menos do que pensam (veja-se como o equilíbrio das contas externas, a questão essencial que levou ao programa de ajustamento, se tem mantido apesar do actual governo).

Mas que os jornais estejam transformados nisto, isso sim, é muito preocupante.

Parafraseando Jefferson entre um bom governo com maus jornais ou um mau governo com bons jornais, eu não hesitaria um instante em preferir o segundo.

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A Paz e a Não-Violência

por Vasco Mina, em 01.01.17

Em Dezembro de 1967 o Papa Paulo VI exortou todos os homens e mulheres, de todos os povos e de todas as religiões, a celebrar o “Dia da Paz” e assim o  01 de Janeiro de 1968 se tornu o primeiro Dia Mundial da Paz. Quase cinquenta anos após, o texto da exortação permanece atual e na Mensagem para este ano 2017, o Papa Francisco assim o assinala. Falar e escrever sobre a Paz é quase um cliché ou mero wishfullthinking. Quem não é pela Paz? A questão central não é, pois, ser contra ou a favor, mas sim qual o caminho. Sim, a Paz resulta de uma construção! O Papa Francisco salienta a não-violência: “Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais”. E acrescenta:  “possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas”. Menciona ainda testemunhos notáveis da não-violência como foram Madre Teresa, Martin Luther King, Mahatma Gandhi e o Papa João Paulo II. Termina com um desafio para cada um de nós: “Todos podem ser artesãos da Paz”.

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Domingo

por João Távora, em 01.01.17

Adoração-dos-pastores-noite-natal.jpg

 “Adoração dos Pastores” Bartolome Esteban Murillo 1668

 

Evangelho segundo S. Lucas 2,16-21

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração.
Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno.

 

Palavra da Salvação

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