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Opostos

por João Távora, em 13.10.16

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Para quem não comprou o Diário de Notícias ou o Jornal de Notícias no Domingo, aqui está o artigo da revista Notícias Magazine já na rede, um civilizado confronto República vs. Monarquia corporizado pelo antigo ministro da defesa Nuno Severiano Teixeira e por mim

Perante o descalabro do Serviço Nacional de Saúde, o Ministro da geringonça responsável pela área veio dizer que não pode fazer em um ou dois anos o que "os outros" não fizeram em 20.

Deve ter-se esquecido (tal como a generalidade da comunicação social) que, desde 1996, "os outros" foi quase sempre o Partido Socialista, se descontarmos os dois anos de Durão Barroso e os quatro anos do anterior Governo de coligação, que teve de governar com as dificuldades inerentes à bancarrota em que o PS deixou Portugal.

E, mesmo assim, como há pouco recordava Assunção Cristas na SIC, esse Governo recebeu o SNS com uma dívida de 2.000 milhões de euros e deixou-o em 2015 com apenas 400 milhões de dívida.

Esta, a dívida, com o desgoverno da geringonça, já aumentou para 700 milhões e continuará a aumentar até 31 de Dezembro.

Foi então que o Rodrigo Guedes de Carvalho mudou de assunto. 

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 - Bom dia, sr. Primeiro-ministro. Como avalia este Orçamento de Estado que agora chega à Assembleia da República?

- É um OE muito positivo e que mantém as metas do défice.

- Mas essas metas já foram revistas em alta.

- É verdade, mas por enquanto mantêm-se.

- Há quem o acuse de o fazer à custa da subida de impostos, da receita, do agravamento de uma carga fiscal já pesadíssima.

- É gente pessimista e com azia. A carga fiscal baixou e continuará a baixar. Ainda hoje o Pedro Santos disse.

- Mas sobe o IMI com o sol e as vistas, há novo imposto sobre património de 250 mil euros e mais, agravam-se os impostos sobre combustíveis, tabaco e álcool, vão ser revistos os escalões do IRS para aumentar a receita, chegam mais impostos sobre a gordura, e o sal e os refrigerantes…

- Essa é uma medida de defesa da saúde pública e do SNS que o anterior governo queria destruir.

- No entanto, como diz que a carga fiscal desceu se os impostos directos desceram 875 milhões até Agosto mas no mesmo período os indirectos subiram 924 milhões?

-  A maior parte disso a que chama impostos são taxas. Só paga quem quer. É uma política para as pessoas.

- De qualquer forma poderá dizer-se que virou a página da austeridade quando os sacrifícios aumentam sempre em nome do cumprimento do défice? Não há vida para além do défice?

- Claro que há. Demos o Metro aos sindicatos.

- Mas agora o Metro nem tem bilhetes, é maior o intervalo entre comboios e há canibalização de material circulante…

- É culpa do anterior governo.

- Como?

- Ainda hoje o Fernandes do Ambiente, que é quem tutela os transportes, explicou: havia um fornecedor que funcionava, mas o anterior governo não previu que podia não funcionar. Houve falhas durante o nosso governo, logo a culpa é deles.

- Pode então garantir que não haverá mais aumentos de impostos… Mas o senhor mesmo disse que podem ser necessários aumentos de impostos indirectos (e chamou-lhe impostos) se for necessário para a meta do défice. O défice, outra vez. Repito: não há vida para além do défice?

- Espanta-me que não reconheça essa evidência. Precisamente, nós demonstrámos que há vida para além do défice. Demos a educação ao Nogueira, demos a exploração da TAP aos privados e o défice da TAP aos contribuintes, demos o casamento homossexual às meninas, demos os transportes públicos aos sindicatos, demos os serviços do Estado aos funcionários públicos em troca de ganharem mais e trabalharem menos…

- E os utentes?

- Não são utentes, são contribuintes.

- Então, e os contribuintes?

- Os contribuintes são feitos para contribuir.

- Boa parte das medidas que aponta fizeram subir a dívida pública para mais de 240 mil milhões de euros, mais de 8,6 mil milhões nos primeiros meses da sua governação. O senhor que tanto criticava o anterior governo porque a dívida descia pouco, como se defenderia de acusações de aumentá-la?

- As dívidas são, como sabe, para rolar, como bem dizia o meu querido mestre. E enquanto a torneira do BCE estiver aberta, as costas folgam.

- Mas, e o riscos e as previsões que as principais instituições internacionais e nacionais apontam e para os quais advertem?

- Vejo o futuro com grande optimismo.

- Mesmo quando o crescimento, que era uma aposta do seu programa eleitoral que apontava para uma taxa de mais de 2% ou lá o que era, agora está abaixo dos 1,5%?

- «Ou lá o que era», diz bem. Vejo que compreendeu plenamente o espírito do nosso programa…

- Que balanço faz deste ano de governo?

- Há uma grande distensão social. Congelámos a reforma do IRC, acentuámos a desigualdade entre sector público e privado, aumentámos impostos, trouxemos a balança corrente outra vez para o negativo, revertemos reformas dolorosas, entregámos a economia aos interesses, a educação aos comunistas, agravámos o défice, arrasámos o crescimento, instituímos uma firme política de combate ao investimento, pusemos a galope a dívida mas já ninguém vem para a rua, e a comunicação social não diz nada. Há um clima de pacificação e optimismo. É muito compensador para mim.

Crime e careca à mostra

por José Mendonça da Cruz, em 11.10.16

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Compreendo muito bem que abominem o Correio da Manhã (o jornal e a televisão) aquelas pessoas que ainda julgam que Público ou Sic ou Expresso são «orgãos de informação», e não centros avençados de defesa de causas, protecção de amigos, e omissão de embaraços. Mas de vez em quando uma notícia como a dos crimes de Aguiar da Beira permite colocar no mesmo terreno e comparar os jornalistas e os lacaios. Quem queira ligar para o canal 8 e ver as reportagens da CMtv (depois de ter visto as da Sic e da TVi) compreenderá o que é jornalismo em cima do acontecimento, sereno, factual e completo. Notável. No estado miserável da nossa «informação», esta informação é notável. E quem compare compreenderá também a falta de jeito e oportunidade, as hesitações, o embaraço dos canais «informativos»  que não estão habituados a informação e «essas coisas».

De táxistas e bombeiros ou que representam os que os representam?

por henrique pereira dos santos, em 11.10.16

Depois de ler este artigo de Paulo Ferreira ficou clara na minha cabeça uma ideia que ainda não tinha ganho forma suficiente.

Com frequência dizem-me que tenho um discurso anti-bombeiro, mas não me parece que assim seja, pelo contrário, insurjo-me, tanto quanto posso, contra uma doutrina de gestão de fogo que transforma os bombeiros em carne para canhão, que os leva a correr riscos absurdos, que não os defende prudentemente, como é a obrigação de um general defender os seus soldados.

O que me incomoda é ver um Jaime Marta Soares a fazer de Florêncio de Almeida dos bombeiros, sem perceber muito bem por que razão os bombeiros aceitam ser representados assim.

O que me incomoda é ver bombeiros a argumentar que a sua missão é simplesmente apagar fogos, descartando qualquer responsabilidade na gestão dos combustíveis, como alguém que aceitasse responsabilizar-se pelos travões do carro sem ter qualquer outra responsabilidade na sua condução.

Na verdade conheço muitos bombeiros que sabem, e dizem em privado, que Jaime Marta Soares é simplesmente absurdo no que diz, é um demagogo que nunca demonstrou qualquer especial capacidade para gerir sensatamente o problema do fogo no concelho de que foi presidente um ror de anos, tendo como troféu a sua colocação no topo dos concelhos que mais ardiam no país. Sabem bem que procurar apagar todos os fogos nascentes é uma loucura cara e perigosa. E sabem bem que são representados por quem não os sabe representar.

Bem sei que formalmente a Liga dos Bombeiros não representa os bombeiros, mas sim as corporações de bombeiros, mas quantas pessoas fazem essa distinção no espaço público?

Também sei a enorme distância que vai de uma actividade económica de má fama (grande parte injusta, diga-se), como o serviço de táxi, a uma actividade altruísta, feita por uma esmagadora maioria de pessoas que claramente são motivadas pelo serviço ao próximo. E sei da enorme distância que vai da hostilidade social (grande parte injusta) em relação aos taxistas ao enorme carinho com que a maioria das pessoas olham para os seus bombeiros, que consideram um porto de abrigo em qualquer aflição.

Mas apesar disso tudo, vale a pena replicar a pergunta: que raio de mecanismos sociais inventámos nós para que um Florêncio represente os taxistas, ou um Marta Soares represente os bombeiros?

Paulo Ferreira tem razão pelo menos num ponto.

A complacência para com o que condenamos em privado mas encobrimos em público, porque não queremos prejudicar um grupo de pessoas que não merece ser confundida com quem os representa tem, a prazo, uma consequência terrível: o crescimento da ideia de que os taxistas, em geral, são como Florêncio, ou que os bombeiros, em geral, são como quem os representa.

A revolução dos taxis

por João Távora, em 11.10.16

(...) Durante muito tempo, o Estado permitiu que um número limitado de indivíduos e de empresas explorasse, em regime de exclusivo, o transporte público individualizado nas grandes cidades. Os preços eram tabelados, os profissionais vigiavam-se mutuamente, e ninguém inovava. Como os seus porta-vozes lembraram, os taxistas prestavam um “serviço público”. Eram, de facto, concessionários de um monopólio estatal. Para entrar no meio, era preciso investir na autorização legal e depois integrar-se nos costumes e rituais da corporação. Como em todos os “serviços públicos”, o próprio prestador, o seu posto de trabalho e o seu conforto tornaram-se a principal razão de ser do serviço. O utilizador passou a ser frequentemente tratado como um incómodo, segundo o costume das repartições públicas. Daí essa figura característica do “taxista”, de que toda a gente tem histórias. (...)

 

Rui Ramos a ler na integra aqui

Todos os nomes

por João Távora, em 11.10.16

Todas as pessoas têm direito ao seu nome. Um nome que sintetize a sua genealogia com as memórias da sua existência numa unidade com o presente. Nessas circunstâncias é que pode soar como música alguém nos tratar pelo nome - na acepção de pessoa única e irrepetível, criada à imagem de Deus. Devíamos todos ser capazes de nos tratar uns aos outros pelo nome, pois isso significa interesse pelo outro e pela sua circunstância. Isso é Amor, o único Amor que pode resgatar o Homem da sua precária contingência. De resto, não se é aristocrata por nascimento ou vontade, mas é-o quem desse modo interpreta o sentido da vida. 

 

(Reeditado)

Hoje há matinée em S. Bento

por João-Afonso Machado, em 10.10.16

A avaliar pelas notícias ao minuto na Internet, a coisa está bonita. As hordas do Sr. Florêncio convergem para a Assembleia da nossa República e já houve desacatos nas imediações do aeroporto com os «fascistas» da UBER, mas (conforme o usual) as provocações partiram destes. À moda do PREC.

Curioso será constatar com se comportam os sitiados. O nosso Primeiro está na China; o Ministro do Ambiente resigndamente disposto a negociar; o seu Secretário de Estado não é interlocutor que o Sr. Florêncio aceite; e o PCP, como sempre, ao lado dos manifestantes. Conseguirão os generais da coligação de Esquerda entender-se?

Talvez oferecendo alguma sinecura ao Sr. Florêncio. Um assento parlamentar... No limite, Costa terá uma interessantísima opção: a UBER ou o PCP?

Devassas

por João Távora, em 10.10.16

Irrita-me solenemente o discurso unanimista contra Donald Trump, mas na verdade confesso que fiquei estupefacto com o baixo nível da conversa do candidato republicano que o Washington Post trouxe à luz do dia e que para o caso julgo ser pouco relevante se era privada ou pública. Não sou melhor nem pior que ninguém mas por defeito de educação prezo uns valores mínimos de estética (que é sempre um reflexo da ética), exigíveis a qualquer pessoa, mas mais ainda na proporcionalidade da sua responsabilidade social. Dito isto estou inclinado a admitir que a indiscrição do WP neste caso está no domínio do serviço público.

Apoiar os fracos

por henrique pereira dos santos, em 09.10.16

"há muitas empresas viáveis, mas que não têm capacidade de tesouraria de fazer o pagamento integral de impostos neste momento. Se as deixarmos funcionar e contratar trabalhadores, elas vão, no futuro, gerar valor. E por muita eficácia que a cobrança coerciva tenha, a verdade é que só consigo cobrar impostos se deixar as empresas gerar rendimentos no futuro".

Independentemente da discussão das razões do novo perdão fiscal (ou pêra rocha, como lhe queiram chamar) ser ou não essencialmente uma decisão para compôr as contas deste ano, vale a pena perder dois minutos a discutir o argumento central do governo: permitir que empresas que hoje têm dívidas tributárias ou à segurança social, e que não as conseguem pagar, possam aceder aos fundos comunitários e, dessa forma, recuperar.

A pergunta central é esta: permitir que as empresas que não conseguiram os melhores desempenhos até agora usem os fundos comunitários disponíveis é mesmo a forma mais inteligente de usar esses fundos?

Ou é boa ideia deixá-los disponíveis para quem, contra ventos e marés, tem conseguido assegurar os seus compromissos?

Domingo

por João Távora, em 09.10.16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, indo Jesus a caminho de Jerusalém, passava entre a Samaria e a Galileia. Ao entrar numa povoação, vieram ao seu encontro dez leprosos. Conservando-se a distância, disseram em alta voz: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós». Ao vê-los, Jesus disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes». E sucedeu que no caminho ficaram limpos da lepra. Um deles, ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz, e prostrou-se de rosto em terra aos pés de Jesus, para Lhe agradecer. Era um samaritano. Jesus, tomando a palavra, disse: «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove? Não se encontrou quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?». E disse ao homem: «Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou».


Palavra da salvação.

Da dignificação profissional

por Vasco M. Rosa, em 08.10.16

Uma vez mais, ninguém deu o devido valor a José Sócrates. De facto, ao «pagar» 100 000 € a um escritor-fantasma, muito fez ele pela dignificação de uma profissão pouco reconhecida socialmente quando ela tanta se esforça por contrabalançar a mediania, a mediocridade ou o colapso na academia e na literatura do país.

Se o dinheiro não era dele, pois que o livro não o fosse também, decidiu; mas ajudou quem o podia escrever sem que ele se incomodasse demasiado, bastou-lhe decidir o título — o que é quase tudo.

Quem vai d'A Confiança do Mundo ao Carisma, merece mais do que o pouco lhe querem dar os invejosos deste cantinho... 

Que acrescente a bibliografia nacional com uma centena de novos tratados filosóficos e outros, e aumente ainda mais a recompensa desses discretos, fiéis e competentes serviçais.

Se não quiser transferir no banco, aceite-se pagamento em espécie. É até mais porreiro, pá!

 

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Nós os pais...

por João Távora, em 08.10.16

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"(...) Como sabes, não percebo aquelas pessoas que dizem que sentem logo empatia com os filhos acabados de nascer; não entendo a conversa sobre o encaixe perfeito logo no primeiro segundo, do amor imediato por aquelas criaturinhas, do choro comovido no parto (...) E não me parece que esteja sozinho, não sou um coração seco no meio de uma luxuriante e viçosa humanidade. No fundo do coração humano não existe uma vontade de amor à espera de ser convocada pelo choro de um bebé (...) Eu só senti a tal magia da paternidade quando a mais velha me olhou pela primeira vez com olhos conscientes, talvez aos seis meses. Por outras palavras, só senti o amor quando elas aprenderam a pousar o seu olhar no meu. Como vês, este processo de construção amorosa demorou meses a fechar o círculo. Até lá, o que segurou o mundo não foi a emoção, mas sim o dever, o temor, o dever ético que estava para lá dos afectos ou ligações de sangue. Agora sucede exactamente a mesma coisa nos momentos de fadiga e secura emocional. É a minha decisão racional que suporta o meu papel de pai, não as minhas emoções. Ser pai não está no coração, está na cabeça, até porque é no coração que se escondem as trevas. O amor não é uma emoção, é uma decisão. Parece-me até que 'amor racional' devia ser pleonasmo, tal como 'ódio natural'. O ódio é que é natural, emocional e afectuoso. O reino dos afectos é o reino do ódio, porque esse é que flui sem esforço. O amor é de outro campeonato. Tal como a fé, é uma escolha, um salto de confiança que se toma com os neurónios. Se eu dependesse apenas das minhas emoções, apetites ou afectos, nunca teria casado contigo – teríamos continuado solteiros numa eterna lua de mel. Ou então nunca teríamos tido a segunda filha, ou se calhar nem a primeira teria aparecido na nossa vida (...)".

Henrique Raposo em "Nós os Pais", já à venda

 

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Aldrabices

por João Távora, em 07.10.16

Curioso que seja o mesmo PS que cedeu ao populismo da extrema esquerda denunciando um acordo com o CDS e o PSD da reforma do IRC para redução gradual do seu peso nas empresas,vir agora pela porta do cavalo (segundo António Costa) “dar um passo importante para aliviar a pressão das dívidas fiscais de muitas empresas relativamente à Segurança Social e à Administração Fiscal”. 

Uma história de tempos felizes

por João Távora, em 06.10.16

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 Curioso como é mais fácil reavivar memórias luminosas quando estas estão registadas numa casa, num determinado sítio. E todos sabemos que a saudade vive nas casas onde fomos amados, cheias dos nossos fantasmas que às vezes somos nós próprios noutras eras

Ainda a propósito da efeméride aproveito para partilhar o vídeo integral do debate do passado Sábado sobre o 5 de Outubro e o Rei D. Manuel II que juntou os jornalistas Fernando Madaíl e Nuno Galopim, autores de romances “A Costureira sem cabeça” e “D. Manuel II – Os últimos dias do Rei”, respectivamente.

"A mudança de regime em Vila Nova de Famalicão" (III)

por João-Afonso Machado, em 06.10.16

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Por último, os ecos do Novidades de Famalicão, que tinha em Manuel José Rodrigues o director e redactor principal. É na sua edição de 13 de Outubro que divulga o “novo regime”: “para aqueles que acima de tudo põem o amor à Pátria, que são portugueses antes de serem monárquicos ou republicanos, a mudança de regime é uma questão secundária”. A desdramatização política, sem rebuço, procura encontrar plataformas de entendimento e deixar esquecidos no Passado eventuais “culpados”. Não outros senão os “desacreditados e desprestigiados representantes dos partidos monárquicos”, numa referência a uma Nação agonizante no “atoleiro em que a tinham lançado políticos desalmados e pouco exemplares”. Corajosamente se afirma “foram os monárquicos, pelos seus desvarios e pelas suas loucuras, que implantaram a República em Portugal”. Essa a verdade, a atingir a classe política, poupando a essência do Regime deposto. Daí, também, o aviso à navegação: cuidado com o “adesivismo”, citando o exemplo de “um célebre doutor que se deitou monárquico na noite de 5 do corrente e acordou no dia 6 republicano convicto”.

Nesta linha de pensamento, a mais lúcida e intemerata, prossegue, uma semana volvida (a 20 de Outubro), imputando aos monárquicos as responsabilidades pelo bem sucedido desfecho das manobras revolucionárias em Lisboa. Assim “se prova que o defeito foi dos homens e não dos princípios”.

Era o discurso possível: “a Monarquia nasceu tão isenta de defeitos, tão pura de intenções e tão limpa de escândalos como a República. Assim viveu muitos anos, atravessando épocas bem felizes e gloriosas para a Pátria, até que pela fraqueza dos homens que dela se foram assenhoreando, pelo favoritismo escandalosa e pelas tolerâncias de todos, a ordem concedida aos que iriam engrossar as hostes dos régulos da política, foi resvalando para o abismo”.

E prossegue, desassombradamente, o ataque implacável aos oficiais do ofício partidário: “dedicados à Monarquia, enquanto estas podia satisfazer as suas vaidades, e proteger os seus escândalos, os homens que a arrastaram pela lama vieram pressurosamente acolher-se à sombra da nova bandeira, apenas a viram flutuar gloriosa na fronteira dos edifícios do Estado”.

A honra e a bondade da Instituição Real tiveram no Novidades de Famalicão o seu ilustríssimo e corajoso defensor. O qual, de resto, não se poupava em augúrios pessimistas, precisamente porque, com a maior clarividência, se interrogava acerca das façanhas ainda expectáveis dessa classe ainda e sempre presente nos diversos cargos públicos.

Neste enquadramento, não era de forma entusiasmada que registava as diversas alterações logo promovidas na toponímia local: o Largo do Príncipe Real redenominado Largo da República; a Rua de Santo António, agora Rua Cinco de Outubro; a Rua de João Franco, Rua Cândido dos Reis; a Rua Direita, Rua Miguel Bombarda…

A edição de 3 de Novembro mantém o discernimento e recomenda aos católicos ponderação, calma, esperança. O Governo encetara já a sua cruzada anti-clerical, mas “o mal é dos homens, não do regime”. Por causa dos seus erros caíra a Monarquia. E “o mal de que padecemos, que esteve quase a perder-nos no tempo da monarquia, e de que continua ainda infelizmente a enfermar a sociedade portuguesa, esse veneno que parece ter intoxicado todo o organismo da nação, está na falta de confiança recíproca entre governantes e governados”.

Nada, absolutamente nada, mudou de então para cá… 

NOTAS FINAIS:

Da análise da informação veiculada pela imprensa famalicense disponível é possível extrair algumas conclusões:

- A implantação da República foi acolhida no concelho com significativa indiferença por parte das populações. Somente a fatia urbana e mais favorecida económica e culturalmente se manifestou pela positiva e sempre com notório comedimento.

- A ausência de pronunciamentos, aderindo ou rejeitando a movimentação revolucionária, resulta do alheamento generalizado do povo face aos assuntos políticos, da instalada desconfiança face às organizações partidárias e à classe dirigente. Algo que vinha de trás e não se alterou.

- Todas as transformações produzidas, nomeadamente no plano administrativo, foram obra de um grupo minoritário mas militante, a Comissão Municipal Republicana.

- V. N. de Famalicão não escapou à regra: como por todo o País, viveu diversos casos, mais ou menos escandalosos, de adesivismo.

- Por último, não será despiciendo comparar a reacção – o entusiasmo – popular (sempre de acordo com as notícias dos jornais) em 5 de Outubro de 1910 com o episódio chamado “Monarquia do Norte”, ocorrido no início de 1919, conforme a minha exposição no Boletim Cultural de V. N. de Famalicão (nº 5, III Série, 2009).

 

(in Boletim Cultural 2014/2015, IV série, nº 8/9, ed. Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, 2016)

Pela sua relevância parece-me que esta nota do Laboratório de Fogos Florestais da UTAD não deve ficar encerrada num círculo restrito de interessados no assunto, em especial depois ´de haver responsáveis que dizem que "nada falhou" este ano na gestão do fogo.

Não é que tenha falhado alguma coisa, dentro da doutrina que existe, o problema é mesmo uma doutrina que tem estes resultados quando nada falha.

Talvez seja a altura de haver um sistema de auditoria autónoma e independente para avaliação do desempenho do país em matéria de gestão de fogo, como existe para outros problemas complexos: em lado nenhum do mundo se evolui grande coisa quando os avaliadores e os avaliados são os mesmos.

 

"Não é de ânimo leve que se afirma que a capacidade de combater grandes incêndios em Portugal é reduzida. O suporte científico para a afirmação anterior tem na verdade vindo a aumentar nos últimos anos. Essas evidências são de seguida apresentadas objectivamente, com referência às respectivas publicações.

1. Estatísticas comparativas entre países do Mediterrâneo
A simples comparação das estatísticas nacionais é indicativa dos problemas associados a Portugal. A percentagem de fogos que progressivamente excede uma determinada classe de tamanho, assim como a respectiva dimensão e a % de área ardida associada a esses fogos é, ou tende a ser, mais elevada em Portugal em comparação com Espanha, França e Itália. Note-se contudo que esta análise não é conclusiva, devido às diferenças existentes entre países (e também à variação regional em cada país) na densidade de ignições, topografia, meteorologia/clima e vegetação.
Referência:
Mateus, P., Fernandes, P.M. 2014. Forest fires in Portugal: dynamics, causes and policies. Chapter 4, Pp. 97-115 In Reboredo, F. (Ed.), Forest Context and Policies in Portugal, Present and Future Challenges. Series: World Forests Vol. 19. Springer.

2. Comparação das tendências temporais entre países do Mediterrâneo
A análise da tendência temporal permite apreciar o efeito, ou falta dele, das políticas nacionais de gestão do fogo. Há no entanto uma limitação implícita neste tipo de análise: outros efeitos, nomeadamente alterações climáticas, podem “confundir” os resultados, pelo que devem/deveriam ser neutralizados no processo da análise estatística.
Vários estudos (não referidos, excepto para o caso nacional) têm vindo a ser efectuados em vários países do sul da Europa que descrevem a evolução temporal da área ardida. Todos eles concluem pela redução da área ardida a partir da década de 90, excepto no caso de Portugal (um estudo à escala municipal que apenas indica decréscimo em parte da região Centro). É no entanto mais significativa idêntica conclusão obtida por um estudo global (indicado a seguir), uma vez que aplicou a mesma metodologia a todos os países e regiões.
Referências:
Fernandes et al. (2014). The dynamics and drivers of fuel and fire in the Portuguese public forest. Journal of Environmental Management.
Nunes et al. (2016). Exploring spatial patterns and drivers of forest fires in Portugal (1980–2014). Science of the Total Environment.
Turco et al. (2016). Decreasing fires in Mediterranean Europe. PLoS one.

3. Efeito da quantidade de meios de combate em grandes incêndios
Apenas um estudo em Portugal (e na Europa) analisou o efeito que a disponibilidade de meios humanos e materiais de combate tem na propagação dos maiores incêndios (>2500 ha), considerando simultaneamente as condições meteorológicas e de combustível. Concluiu-se que:
- O aumento dos meios alocados a um incêndio tem um efeito moderado na redução da sua velocidade de expansão;
- no entanto, mais meios atribuídos a um incêndio têm um efeito reduzido na sua dimensão final, uma vez que a duração da propagação activa do incêndio não é influenciada pela quantidade de meios despachados;
- para reduzir a dimensão dos maiores incêndios urge explorar mais efectivamente as oportunidades (meteorológicas e outras) de contenção no sentido de reduzir a duração da propagação.
Referência:
Fernandes et al. (2016). The role of fire suppression force in limiting the spread of extremely large forest fires in Portugal. European Journal of Forest Research.

4. O efeito dos reacendimentos/reativações
A elevada percentagem de reacendimentos, muito evidente nos anos mais secos, constitui um problema crónico do sistema nacional de combate a incêndios. Em 2016, por exemplo, três dos maiores incêndios (Monchique, Mogadouro, Ribeira de Pena) resultaram de reacendimento. Tal como demonstrado no estudo abaixo referido, diminuir a % de reacendimentos reduziria substancialmente a duração dos fogos e por arrasto a dimensão dos fogos e a área ardida.
Referência:
Pacheco et al. (2013). Simulation analysis of the impact of ignitions, rekindles, and false alarms on forest fire suppression. Canadian Journal of Forest Research.

5. Inferências a partir de análises do regime de fogo e da dimensão dos grandes incêndios
Em Portugal o efeito da acumulação de combustível na probabilidade de arder varia pouco entre meteorologias “normal” e extrema, e entre fogos pequenos e grandes, sugerindo que o desempenho do combate a incêndios é pouco sensível às variações de comportamento do fogo que acompanham as variações na meteorologia.
Nos perímetros florestais do norte e centro de Portugal a carga de combustível tem vindo a decrescer como resultado dos incêndios recorrentes desde os anos 80, mas a área ardida não acompanha essa tendência de diminuição. Tal indica que as operações de combate não aproveitam a redução da intensidade do fogo associada à redução da carga de combustível.
Em Portugal a dimensão dos grandes incêndios (>100 hectares) é essencialmente dependente da continuidade do espaço florestal e dos padrões espaciais dos fogos anteriores. A influência das condições meteorológicas é comparativamente menor (e inferior ao que seria expectável) e o tipo de floresta é irrelevante para a dimensão dos grandes incêndios. Mais uma vez estes resultados apontam para o aproveitamento deficiente das oportunidades de controlo por parte das operações de combate.
Referências:
Fernandes et al. (2012). Fuel age, weather and burn probability in Portugal. International Journal of Wildland Fire.
Fernandes et al. (2014). The dynamics and drivers of fuel and fire in the Portuguese public forest. Journal of Environmental Management.
Fernandes et al. (2016). Bottom-up variables govern large-fire size in Portugal. Ecosystems.

6. E no entanto ...
O paradoxo da extinção de incêndios diz-nos que o facto da área ardida e frequência do fogo serem tão elevadas no norte e centro de Portugal constitui um factor que auxilia, ou deveria auxiliar, as operações de controlo de incêndios. Paisagens florestais contínuas, extensas e não perturbadas por incêndios de tamanho significativo são facilmente percorridas por grandes incêndios impelidos por condições meteorológicas extremas. Um estudo internacional comparativo que além de Portugal incluiu a Espanha e partes da Austrália, África do Sul, EUA e Canadá revelou que é no nosso país que a área ardida antecedente mais limita a área ardida futura. Tal sugere que reduzir o nº de ignições nas regiões do país mais vulneráveis ao fogo, por exemplo como consequência do abandono rural, poderá resultar em incêndios ainda maiores no futuro, o que é potenciado pelas características do sistema nacional de combate a incêndios. O esforço de gestão de combustíveis nunca terá a dimensão desejável pelo que deveria ser coadjuvado pela gestão dos fogos que ocorram em condições meteorológicas comparáveis àquelas em que é praticado o fogo controlado.
Referências:
Price et al. (2015). Global patterns in fire leverage: the response of annual area burnt to previous fire. International Journal of Wildland Fire.
Fernandes et al. (2016). Characteristics and drivers of extremely large wildfires in the western Mediterranean Basin. Journal of Geophysical Research: Biogeosciences.
Regos et al. (2014). Using unplanned fires to help suppressing future large fires in Mediterranean forests. PloS one."

Cheque MAAT

por João Távora, em 05.10.16

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Os canais de notícias gostam é de entrevistar populares para encher os balões da sua miserável programação low cost, e depois saem destas: na inauguração do museu da EDP um deles aos microfones da SIC Notícias exibia a sua colossal erudição e argúcia de pensamento comparando “as linhas rectas e quadradas do Centro Cultural de Belém e as linhas curvas elegantes do MAAT que são reflexo dos diferentes governantes nas diferentes épocas” (Cavaco e António Costa, para bom entendedor). De nada valeria que alguém lhe dissesse que este novo edifício do Museu da Electricidade não é obra da geringonça nem da república, é sim um empreendimento do capitalismo internacional, nomeadamente Chinês, que pagaremos com língua de palmo mensalmente na nossa factura da electricidade. 

Era mesmo de mais um “espaço de exposições” que Lisboa estava a precisar, não era?

 

Imagem Diário de Notícias

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A degradação da palavra como penhor de compromisso

por henrique pereira dos santos, em 05.10.16

Tem vindo a ser insistentemente difundida a tese de que António Costa tinha deixado claro, ainda antes das eleições, que a actual solução governativa era uma possibilidade e que desde o primeiro momento das eleições trabalhou para construir esta solução governativa.

O próprio tem insistido nessa tese, o que se compreende: aplicar uma solução apresentada a votos ou aproveitar os votos para apresentar uma solução não é a mesma coisa, não porque existam diferenças de legitimidade formal, mas porque existem diferenças de legitimidade moral e política.

Saltemos por cima da discussão sobre se assim foi ou não e tomemos como boa esta tese.

Se assim foi, como explicar as reuniões de 9 de Outubro do ano passado e as declarações subsequentes de Costa: "Reunião com a coligação "foi bastante inconclusiva" e não houve nenhuma proposta" (vale a pena ir ler as notícias desse dia, onde a ideia é ainda mais clara: Costa estava totalmente aberto a fazer acordos com a PAF, o problema era que não lhe eram apresentadas propostas sérias).

Se, como o próprio agora diz, era claramente inaceitável negar os resultados eleitorais, que rejeitavam liminarmente qualquer acordo com os partidos do governo anterior, o que estava Costa a fazer, aceitando as reuniões do dia 9 e posteriores e proclamando que não se chegava a acordo porque a coligação mais votada se recusava a fazer propostas sérias?

Estava a aplicar o seu método habitual: tomar uma decisão e depois dizer o que for preciso, incluindo simular negociações institucionais e formais, para responsabilizar os seus adversários pelos aspectos negativos das suas opções.

Que Costa funcione assim não me incomoda especialmente, sei que não se pode esperar das pessoas mais do que podem dar.

Mas que todas estas mistificações, completamente inaceitáveis entre pessoas de bem, porque implicam o penhor da palavra dada, sejam recebidas, analisadas, avaliadas com meridiana mansidão, como se dar formalmente a palavra sabendo não a pretender cumprir fosse uma mera traquinice de habilidoso, francamente, isso sim, parece-me um claro sinal de degradação social, com o alto patrocínio de uma imprensa viciada em pequenos truques e absolutamente insensível aos valores que tornam saudável o debate no espaço público.

É verdadeiramente deprimente.

 




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