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A pilhagem do bom senso

por Vasco M. Rosa, em 20.10.16

Vindo da Junqueira pelas 19h demorei exactos 100 minutos, 1h40, a chegar ao meu destino, pelas Portas de Benfica, apanhando dois autocarros, 742 e 746, via São Sebastião.

O tempo que demoraria caso morasse em Coimbra e apanhasse o alfa pendular... Coimbra!!

Depois, li no Público do dia 15 — que tinha aqui para refolhear e deitar para o lixo — a explicação disto tudo dada pelo sr. conselheiro de estado Prof. Francisco Louçã: «os serviços públicos estão a sofrer o preço da pilhagem pela troika».

É uma frase e tanto. Justificá-la já pode demorar uma eternidade, mas não sejamos exigentes... A demagogia política não exige fundamentação.

O que nós não queremos sofrer é a loucura desta geringonça, as 35 horas de privilegiados e impávidos funcionários do estado e outras serventias eleitoralistas com as quais se podem vencer eleições mas com as quais certamente não se faz um país onde prevaleça o bom senso e onde seja agradável viver.

A luta continua!

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E a hipótese de dar o exemplo em vez de dizer aos outros o que fazer?

por henrique pereira dos santos, em 20.10.16

O Governo aprovou um Plano Nacional para a Coesão Territorial que parte de um diagnóstico absurdo: "1) “a primeira razão para tal assimetria territorial resultará do facto de terem sido sucessivamente implementadas políticas iguais de forma transversal ao todo nacional, no fundo, tratando de forma igual o que é diferente”.

Ou seja, os autores do estudo  acham que o despovoamento do mundo rural e do interior, um fenómeno em todo o mundo desenvolvido, não resulta de profundas alterações económicas, tecnológicas e sociais mas das decisões erradas dos governos anteriores (felizmente, mas os autores não sabem, os governos mandam muito menos do que pensam).

Partindo deste pressuposto errado, apresenta-se um estendal de medidas para finalmente resgatar o interior do país.

Há anos que faço a mesma proposta que, se o Governo quiser, é uma boa oportunidade de realmente demonstrar as virtudes da localização no interior: que mude a sede do governo para Castelo Branco e, a prazo, a capital administrativa de Portugal.

O interior agradece, Lisboa também, e a autoridade moral do governo para sugerir que outros invistam no interior seguramente teria outro lastro.

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Com três perguntinhas apenas...

por Vasco Lobo Xavier, em 20.10.16

Diz António Costa: "se tivéssemos margem já tínhamos acabado com a sobretaxa".

 

Perguntaria eu: se não tem margem, por que razão prometeu acabar com ela, e logo em 2016, para depois colocar em lei que seria a 1 de Janeiro de 2017, e nem isso? Não sabem fazer contas, no seu Governo?

 

Perguntaria ainda: se não tem margem, por que razão anda por aí a aumentar a despesa corrente como se não houvesse amanhã, escorando-se na receita de uma sobretaxa que já deveria ter terminado?

 

Perguntaria também: se não tem margem agora, momento em que apregoa ter acabado a austeridade, por que razão criticou tanto a medida quando foi criada?

 

Mas isto sou eu, que não percebo nada das funções que competem a um jornalista/entrevistador...

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A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 20.10.16

À saída do encontro com o Presidente da República, o representante de Os Verdes disse aos pés de microfone que ali tentam passar por jornalistas que neste OE é removido o corte de salários feito pelo Governo do PSD/CDS.

A ninguém ocorreu lembrar que o corte de salários tinha sido feito pelo Governo do PS de Sócrates, que continha muitos Ministros que agora se passeiam novamente pelo poder. Pés de microfone, são o que são.

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Não sei se a ruivinha tem realmente fome, nem se o senhor tem nojo de comida, nem se os passageiros da Fertagus que vão apanhar o comboio estão em jejum ou esfaimados. Não conheço nem tenho que conhecer a circunstância das fotos, não sei, nem neste caso tenho que saber, o que se passa. Já um jornalista que dá uma notícia sobre fome ou jejum ou nojo teria que investigar e saber antes de escrever a notícia.

Triste -- triste e confrangedor, mesmo -- é que os mesmos jornalistas que tomaram por certo que a fome grassava em Portugal por obra da austeridade, e agora celebram uma campanha da Fertagus porque muitas pessoas «em jejum» desmaiam nos comboios não saibam ao certo se foi ou é isso que realmente se passa num caso ou noutro. Nos dois casos fica à mostra gritantemente a falta de profissionalismo, brio, espinha dorsal e vergonha.

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Equiparação

por João Távora, em 19.10.16

"Essa lei (antitabagica) vai enxotar os alunos que fumam à porta do Liceu para debaixo dos prédios contíguos onde os mais rebeldes se vão drogar, pai."

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Blame it on a simple twist of fate

por João Távora, em 19.10.16

 

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É preciso fazer um boneco?

por João Távora, em 19.10.16

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Curioso como certa direita adopta como verdadeira a propaganda socialista estranhando as opções de um governo de esquerda ao não aumentar as pensões dos mais pobres ou aprovar um ordenado pornográfico a um presidente de um banco estatal. A senha igualitária das esquerdas nada tem a ver com humanismo ou solidariedade, que nunca foram seus particulares predicados, antes pelo contrário. A pobreza para a esquerda sempre serviu de arma de combate político, essencial para a expansão da sua mensagem, assente no ressentimento social e no ódio de classe. 
Não lhes peçam para prescindir dela.

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Os tanguistas

por henrique pereira dos santos, em 18.10.16

"Deixar de pagar a colégios privados para dar livros gratuitos aos alunos das escolas públicas ... é poupança para o Estado - repassada para milhares de famílias".

A avaliação racional deste argumento pressupõe avaliar se deixar de pagar a colégios privados é poupança para o Estado e se essa poupança é o que permite dar livros gratuitos. Ora a informação que existe é que o pagamento de serviços de educação a escolas privadas é mais barato, por aluno, que a prestação do mesmo serviço directamente pelo Estado, logo não há poupança mas sim custo acrescido. Logo, não há qualquer consistência no argumento.

"se o turismo pagar por melhoramentos na cidade que beneficiem a vida de quem nela vive, ... etc.".

A taxa é certa e o turismo está a pagar qualquer coisa. Para avaliarmos o argumento, podemos ver que melhoramentos estão a ser pagos e em que medida isso corresponde a melhoramentos que beneficiam quem vive nas cidades que recebem os turistas. Ora, tanto quanto percebi, o destino dado a esses recursos, para já, é acabar a construção de um palácio para nele instalar um museu. Convenhamos que, provavelmente, os habitantes da cidade terão um conceito diferente do que são as necessidades da cidade para melhorar a sua vida. E, sobretudo, é muito, muito discutível que a concentração de recursos na mão do Estado para pagar um investimento que não faz falta e cria despesa corrente adicional, que não tem fonte de financiamento identificada, tenha melhores efeitos na vida das pessoas que o pagamento, pelos turistas, dos milhares de bens e serviços proporcionados pela actividade de cada uma das pessoas que vive na cidade e que deixaram de existir porque o dinheiro foi desviado para o Estado.

"o imposto sobre combustíveis serve para melhorar os transportes públicos..."

O imposto que os utilizadores de combustíveis pagam é absolutamente concreto e está em curso, já a melhoria dos transportes públicos parece bem menos tangível aos seus utilizadores.

"os aumentos sobre o alcool e tabaco contribuem para o serviço nacional de saúde".

Sim, podem consignar-se esses impostos, ou os seus aumentos, mas para vermos se o argumento aguenta o confronto com a realidade seria preciso ir ver se a sua consignação não serviu apenas para libertar outros recursos que antes iam para a saúde e que, não estando consignados, podem ser desviados para outro lado.

Não têm conta o número de argumentos tanguistas que apelam a boas intenções e bons sentimentos, mas a que aparentemente não se aplica o normal escrutínio de avaliação das políticas públicas.

E o problema é que a imprensa considera que os bons sentimentos não precisam de ser escrutinados, são inerentemente bons, em especial quando se traduzem em mais recursos na mão do Estado.

Infelizmente tangas cheias de sensibilidade social não resolvem o problema que um dia Maria Luís Albuquerque definiu muito bem: "sensibilidade social tenho muita, senhor deputado, o que não tenho mesmo é dinheiro".

A primeira parte dos argumentos acima é sempre cumprida (o dinheiro é canalizado coercivamente para o Estado) mas o que o Estado faz na segunda parte dos argumentos não precisa de escrutínio: por definição, o Estado garante o adequado uso colectivo dos recursos que retira, e bem, às pessoas que só pensam no seu interesse particular.

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O que eu passei para aqui chegar...

por João Távora, em 18.10.16
“Somos uns seres no gerúndio, não somos fixos, estamos sempre a fazer-nos… Ao contrário das cobras, que se vão separando de cada pele, nós sobrepomos as peles, e portanto entesouramos a realidade que vamos sendo.”
Ortega y Gasset
 
 
A minha filha disse-me certo dia, quando era pequenina, que queria ser uma “celebridade” – a palavra requer aspas pois a sua conotação hoje em dia liga-se à “fama” mediática. Um desejo que na altura já se revelava um pouco contraditório com o seu feitio algo tímido e cortês. Ainda hoje acredito como é importante uma pitada insegurança para temperar um bom carácter. Tentei explicar-lhe como melhor ainda que ser “famosa” é ser “importante”, como é o caso de uma médica que salva as pessoas da doença, de um professor que desperta os alunos para o saber e para a liberdade de pensarem por si, ou de uma mãe de família com o poder de incutir bons valores e força de vontade nos seus filhos.
Certo é que queremos sempre nos extravasar das margens do que somos, desafiar o que a nossa natureza nos dificulta. Por exemplo, eu admiro profundamente a capacidade de um bom tribuno, culto, de pensamento rápido e discurso arguto. Nunca lá chegarei perto, mas o certo é que nos vamos transformando (sim, estamos sempre a recriarmo-nos), e que o que somos é um milagre de que não temos consciência, fruto de um vagaroso itinerário interior feito vontade, tão lento como o ponteiro das horas que parece estar sempre parado.

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As quatro hipóteses

por João-Afonso Machado, em 17.10.16

Não esquece o comentário de José Miguel Júdice na noite das eleições legislativas últimas: louve-se a sua argúcia (senão os seus conhecimentos de bastidores). Dizia ele - dos quatro resultados possiveis, este é o menos desejavel, o pior.

Quais eram esses quatro resultados?

- O primeiro, a vitória com maioria absoluta da Coligação de Direita. Caso em que o País prosseguiria, mais ou menos habilidosamente, a sua rota de recuperação económica;

- O segundo, uma maioria absoluta do PS. A obrigar Costa a tentar fazer melhor do que PPC/PP, na linha moderada que caracterizou o discurso e a prática socialista até então;

- O terceiro, uma maioria relativa PS. Sem dúvida, Costa surgiria nessa altura perante o PSD, falando na voz grossa do partido mais votado, mas realçando as suas afinidades - na campanha tão propaladas - com Manuela Ferreira Leite;

- A quarta, a que se verificou: a maioria relativa da Coligação. Com Costa, incapaz de saber perder e dar a vez a um qualquer sucessor na chefia do PS, a inventar a geringonça. Para se salvar na política e sem especiais escrúpulos acerca do nó cego que estava dando a Portugal.

Tudo isto seria passado, não fora os resultados eleitorais de ontem nos Açores. Vasco Cordeiro, a despeito da presença próxima do inefável Carlos César, não tem cara de vez alguma pretender unir «as esquerdas». Mesmo que só alcançasse a maioria relativa, não é de crer as versões insulares de Catarina e Jerónimo tivessem uma - quanto mais quatro hipóteses!

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Aristocracia

por João Távora, em 16.10.16

"(...) As elites que contam, agora, são as elites financeiras. Os milhões, não os títulos. E quem faz de "aristocracia", numa sociedade do espectáculo avançada, são as celebridades: instantâneas, fugazes, democráticas, demóticas e vulgares. (...) A aristocracia é hoje uma forma de nostalgia, é esse o seu defeito e a sua virtude."

 

Pedro Mexia no Expresso.

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O populismo de baixar impostos

por henrique pereira dos santos, em 16.10.16

Ao que parece, correu por aí um grande escândalo porque Estrela Serrano terá escrito que "Um bom orçamento é aquele que vai buscar dinheiro onde os orçamentos anteriores não descobriram que ainda havia para tirar".

Eu não percebo o escândalo, acho uma afirmação perfeitamente banal vinda de quem vem. Se se pretende um escândalos envolvendo Estrela Serrano, seria melhor olhar para o facto de ser eleita pela Assembleia da República para o conselho de opinião da RTP, demonstrando qual o nível de qualidade que os nossos deputados acham adequado para os cargos para que elegem pessoas.

A mesma ideia, numa frase bem mais colorida, não causou escândalo que eu desse por isso: "Não vamos aderir à política populista de baixar impostos" diz, e pratica, o vereador da Câmara de Lisboa com a tutela das finanças.

A velha ideia da apropriação colectiva dos meios de produção como forma de atingir a felicidade na terra não terá sido abandonada, apenas mudou de aspecto: podes ficar com os meios de produção, desde que através dos impostos seja feita a apropriação colectiva do que daí resulte.

Frases como as citadas acima são normais para quem achar que a produção é do Estado, porque o Estado é o melhor garante da sua utilização sensata e justa.

É também por isso que esta ideia de transferir impostos sobre rendimento para impostos sobre o consumo tem tanto apoio actualmente, porque permite ao Estado captar recursos, mas aparentemente sem ser eu a pagar (ou são os ricos, ou os fumadores, ou os automobilistas, ou os gulosos, ou os caçadores e, se eu quiser, posso não ser nada disso).

Devo dizer que sou, há muito tempo, um ferveroso adepto da taxação do consumo em detrimento da taxação sobre o rendimento, por razões de sustentabilidade ambiental, em primeiro lugar, mas também porque ao transferir taxação do rendimento para o consumo se consegue proteger melhor quem poupa e quem investe (naturalmente, sendo o investimento também consumo, será preciso olhar com mais atenção para esta proteção), taxando mais quem simplesmente usa de forma estritamente pessoal os recursos a que tem acesso.

Esta opção protege menos os mais pobres porque consomem, inevitavelmente, uma maior parte do seu rendimento, o que implica, para reforço da justiça social, a adopção simultânea de medidas de apoio ao rendimento dos mais fracos, seja com apoios directos (sempre, mas sempre, sujeitos a condição de recursos, com excepção das pretações sociais que decorrem directamente dos descontos dos trabalhadores), seja com apoios indirectos, como o IRS negativo para rendimentos especialmente baixos.

Em qualquer caso, sejam quais forem as opções, o fundamental é restringir os impostos ao mínimo indispensável. É que, ao contrário do que pensam os citados acima e grande parte dos estatistas que conheço, não há nenhuma garantia de que o Estado saiba usar melhor o meu dinheiro que eu.

E, se houver dúvidas, o melhor será ler o OE 2017 para as perder de vez.

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Domingo

por João Távora, em 16.10.16

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

 

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?»

 

Palavra da salvação.

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Dúvida:

por Vasco Lobo Xavier, em 14.10.16
se se cria um novo imposto cuja receita reverte para a Segurança Social, quererá isso dizer que o PS, o PCP e o Bloco estão a admitir que algo está mal na sua sustentabilidade?

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Ora digam lá se isto não anda tudo ligado?

por João Távora, em 14.10.16

Rui Riso, presidente do sindicato dos bancários do sul e ilhas.
Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos.
António Chora, sindicalista da comissão de trabalhadores da Autoeuropa.

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Como se demonstra a minha completa incompetência social

por henrique pereira dos santos, em 14.10.16

Um post puramente pessoal.

Há anos que defendo um modelo de nomeação dos altos dirigentes da administração pública dividido em duas fases, a primeira totalmente aberta, em que qualquer pessoa se pode candidatar ao lugar vago, e uma segunda fase de escolha discricionária por parte do responsável político que tutela o cargo em questão.

As minhas razões para isto são obrigar as pessoas a manifestar o seu interesse e disponibilidade, interpor um processo de selecção de qualidade mínima, definir uma lista em que todos são, em princípio, competentes para o cargo, mantendo a responsabilidade do decisor nas escolhas que faz. Assim se evita a situação em que os responsáveis se desreponsabilizam dizendo que as pessoas que tutelam foram escolhidos por terceiros.

Este modelo pressupõe o máximo de transparência, o que significa que a primeira fase seja escrutinável de forma clara e a decisão do responsável político seja fundamentada em razões concretas verificáveis e não em justificações generalistas como "melhor adequação do perfil ao cargo".

No que defendo não cabe uma CRESAP, bem pelo contrário, é bem mais seguro ter júris diversos para os diferentes concursos, escolhidos mais ou menos aleatoriamente dentre os quadros da administração, em vez de alimentar o ego de "king makers".

Apesar disso achei que a CRESAP era um passo no sentido certo e, embora relativamente pouco interessado no assunto, resolvi concorrer a um concurso para o qual me achei suficientemente qualificado, sabendo e aceitando que outras pessoas seriam nomeadas.

O caldo entornou-se quando verifiquei que a CRESAP tinha um funcionamento completamente opaco e que os processos de selecção eram uma fraude e que as entrevistas dos pré-selecconados eram farsas notórias.

Quando fui preterido com fundamento na menor experiência no sector (no meu caso de mais de trinta anos, no caso de uma das pessoas escolhidas, de menos de dois anos e na parte administrativa e financeira do sector) resolvi contestar até onde me foi possível, começando por cumprir a regra absurda de reclamar do Presidente do júri (João Bilhim) para o Presidente da CRESAP (João Bilhim).

No contexto dessas muitas reclamações, escrevi várias vezes aos senhores deputados, de todos os partidos, demonstrando de forma clara que João Bilhim mentia ao parlamento com a maior desfaçatez. Nem um único dos deputados da comissão que tinha a tutela da CRESAP alguma vez manifestou o menor interesse em averiguar o que se passava, mesmo depois da CRESAP ser criticada pela Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (por violação grosseira da lei), pela Provedoria de Justiça (cujas recomendações foram olimpicamente ignoradas), para além da CRESAP ter perdido todos os poucos processos que chegaram ao tribunal.

Hoje percebi finalmente por que razão Bilhim tinha toda esta benevolência, mesmo depois da comissão a que presidia escolher, para gerir fundos comunitários, pessoas a quem o tribunal tinha proibido de gerir empresas privadas, por terem estado envolvidas em falências fraudulentas.

"João Bilhim, por seu lado, referiu de forma clara que nunca aceitaria o cargo sem a aprovação de António José Seguro porque é militante do PS. "Eu era militante do PS", começou por referir, salientando que nunca votou no PSD e no CDS. "Não poderia de maneira nenhuma aceitar este cargo se o meu secretário-geral não me dissesse alguma coisa", argumentou, sugerindo que isso seria "traição"."

Eu, pelo contrário, acharia, na minha ingenuidade e incompetência social, que a interferência ilegítima de dirigentes partidários no processo de escolha para uma comissão destas seria motivo mais que suficiente para nunca aceitar o cargo nessas condições.

João Bilhim é uma fraude colossal, isso é inquestionável, mas o problema central não é esse, é mesmo a mais absurda indiferença dos senhores deputados perante tudo o que não seja a discussão mesquinha sobre o partido a que pertence cada um dos nomeados.

E não vejo forma de resolver este problema nos próximos tempos, tanto mais que a imprensa alinha alegremente no ping pong do diz que disse, em vez de escrutinar o poder, como lhe compete.

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Dylan, o poltergeist e o violador de telheiras

por João Távora, em 14.10.16

(...) Eu gosto de Bob Dylan. Não vale nada, que eu goste de Bob Dylan. Quer dizer, vale para mim, que lhe reconheci o génio em determinadas alturas, que isto de reconhecer génios é ao contrário do que se faz hoje nas escolas, sobrecarregadas de sobredotados: é pessoal, intransmissível e intransitável por tendências mutantes da moda que procura algo novo só porque sim, para quebrar com o velho. Que pós-pós-modernos betos (diminutivo de analfabetos) também afirmem gostar é irrelevante. É que, ao contrário dos Adões e Silvas, o Bob Dylan nunca se esforçou para que gostassem dele. Vai-se a ver, é mesmo por isso. Em vez do Nobel, consensual seria dar a Dylan uma licenciatura em sociologia.

 

Vitor Cunha no Blasfémias a ler na integra

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Jokerman

por João Távora, em 13.10.16

Fico muito contente com o Nobel para Bob Dylan. O maior trovador do séc XX merecia este reconhecimento em vida.

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Resultado de imagem para economico

O Económico chega ao fim. Este é talvez o texto mais difícil de escrever. Ficar para apagar as luzes tem um lado trágico e desolador.

O muito que se poderia dizer de um jornal que nasceu a 3 de Outubro de 1989, quando a economia e o mercado de capitais despontavam num país saído dos escombros das nacionalizações e a reentrar no admirável mundo novo da iniciativa privada, fica sempre aquém. O Económico atravessou as principais evoluções económicas do mercado português ao longo de 27 anos.

A coincidência da precisão de acabar no dia 4 de Outubro de 2016, precisamente um dia depois de completar os seus 27 anos, dá-lhe uma carga mais fatídica, e provavelmente mais memorável.

Uma marca líder, um jornal de referência, são coisas que não se constroem de um dia para o outro, o Diário Económico tinha um activo incomensurável, uma liderança como jornal de referência, consolidada ao longo de quase três décadas. 27 anos é uma vida. Uma vida que não foi possível salvar, apesar de todos os esforços.

Não foi possível salvar o Económico, apesar de todos os esforços dos que aqui trabalharam e deram o seu contributo para consolidar a liderança. É uma pena, é o mínimo que se pode dizer.

Pelo menos não faltou vontade de tentar salvar o Económico. Foi uma luta titânica até ao fim, mesmo quando já tinha o futuro traçado. O mínimo que se podia fazer era manter a dignidade de um grande jornal até ao fim. Por isso até hoje manteve actualidade e dinâmica informativa possível, dadas as circunstâncias. Um fim digno impunha-se. Ao menos isso foi conseguido.

Todas as pessoas são insubstituíveis (lamento contrariar o cliché) e todas as pessoas foram insubstituíveis no percurso de construção do Diário Económico e Semanário Económico que depois se desdobrou em Económico, versão digital. O Económico online era o último reduto de um jornal que foi líder de mercado praticamente até ao fim. A força da marca do Económico é irrepetível. Nenhum outro se lhe comparará.

A vida é composta de mudança e cada pessoa (todas elas sem excepção) que escreveram no  Económico, levam consigo uma marca de credibilidade inegável, a marca do profissionalismo de um jornal de referência. Levam consigo o nome Económico.

Vemo-nos por aí!

 

*Este texto era suposto estar publicado no site do Económico no dia 4 de Outubro. Mas mais uma vez o responsável pela empresa que gere o site paralisou na sua indecisão estrutural, e assim como me pediu o texto, também não o publicou. O Económico merecia uma explicação aos leitores que ainda lá vão ao site, mas teve azar com a gestão. Assim o site ficou entregue à sua sorte, naquele estado de abandono. Lamentável.

Agora encontram uma boa parte dos jornalistas do Económico no Jornal Económico.

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