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Atentos, venerandos e obrigados

por José Mendonça da Cruz, em 08.09.16

Este instantâneo é o retratinho nojento do Portugal dependente do Estado socialista, reverente perante o Estado socialista, borra-botas do Estado socialista, que é como o Estado socialista o quer.

Como as nossas empresas de construção dependem quase inteiramente do Estado, aqui se vê como o vencedor de um concurso público, afinal anulado vem, com todo o respeitinho, elogiar a autarquia que o escolheu e depois, por conveniências eleitorais, o mandou dar uma curva. É que se não fosse humilde e reverente e agradecido sabe-se lá se mais tarde havia negócio.

E como no clima económico do tempo «novo» é muito bonito ver «um privado» curvar a espinha perante quem manda e gasta o saque dos impostos, a empresa ainda tem que sofrer a notícia na imprensa avençada, para que a vassalagem seja pública.

Deve ser isto o «crechimento».

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Eu fico atónito...

por Vasco Lobo Xavier, em 06.09.16

Mas vamos lá ver se eu compreendi bem.

Goste-se ou não, concorde-se ou não, a subvenção vitalícia tinha um carácter pessoal e justificava-se por isso.

Em 1993, Jerónimo de Sousa requereu o seu pagamento e os contribuintes portugueses têm vindo a pagar essa subvenção desde essa altura, todos os meses, não obstante Jerónimo de Sousa e o PCP apregoarem que são contra ela.

Agora que foram descobertos, veio o PCP (que Jerónimo dirige) dizer que quem fica com a massaroca (cuja atribuição tinha uma justificação pessoal) é o próprio PCP (nem me interessa agora o tratamento contabilístico ou a que título e com que justificação empocham a massa) e que Jerónimo não aufere qualquer subvenção.

Primeiro, isso não é verdade. Jerónimo recebe a subvenção. Poderá é fazer com ela aquilo que quiser e pretenderá entregá-la ao PCP, mas a verdade é que recebe a pensão paga pelos contribuintes.

Por outro lado, é evidente que o PCP se aproveita do dinheiro que os contribuintes (por via do legislador de então) tinham decidido pagar, a título pessoal, a determinadas pessoas.

E o PCP de Jerónimo de Sousa vem dizer isto como se nada fosse. E ninguém se indigna?!?…

Será que os contribuintes portugueses ainda deveriam agradecer ao PCP por lhes ficar com o dinheiro que os contribuintes só admitiram pagar tendo em vista fins completamente diferentes?

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Domesticação de mercados (nota histórica)

por henrique pereira dos santos, em 06.09.16

Depois de um braço de ferro durante grande parte do século XIX, os domesticadores de mercados impuseram-se aos livre cambistas e uma lei de 1899, proposta por Elvino de Brito, domesticou o mercado de cereais em Portugal.

Um êxito que José da Silva Picão, um produtor agrícola, descreveu assim “coincidiu a protecção à cultura cerealífera, que deu em resultado o alargamento enormíssimo dessa mesma cultura e por consequência a precisão de braços e a subida importante nos salários e soldadas”.

Num país em que grande parte do rendimento era gasto em pão, esse êxito deveria ser celebrado por toda a gente, mas estranhamente a lei passou à história com o nome de “Lei da Fome”.

A domesticação do mercado de cereais em Portugal manteve-se quase cem anos, sendo conhecida a Campanha do Trigo, decalcada da Batalha do Grão, levadas a cabo respectivamente por Salazar e Mussolini, dois impenitentes anti-liberais e reconhecidos domesticadores de mercados.

Em Portugal esta domesticação dos mercados de cereais tornou o Estado o grande cliente de grande parte da agricultura, com excepção de alguns sectores que operavam em mercados menos domesticados, como as frutas e legumes.

A opção do Estado não foi no sentido de garantir rendimento aos consumidores que tivessem dificuldade no abastecimento de bens essenciais, a opção foi, como era normal na época, a domesticação do mercado.

Com a torneira de emigração fechada desde a grande crise económica dos anos 20 e 30, e depois com a guerra, o mundo rural foi-se enchendo de gente cada vez mais pobre, ou melhor, os donos das terras iam andando menos mal, os trabalhadores iam andando menos bem e os que eram simultaneamente donos de terras e trabalhadores não iam andando nem bem nem mal.

O resultado desta política (ironicamente próxima do que hoje defendem o PC e o BE para a agricultura, fortemente proteccionista e visando a autarcia alimentar), foi bem sintetizada por Rui de Andrade em 1956: ““A carne é um artigo que se pode considerar de luxo, e o que nos vale é termos peixe barato e o grosso da população ser quase vegetariana, visto que se alimenta de legumes, hortaliças, trigo, milho e batatas”.

A análise que me parece mais lúcida e elegante aos efeitos desta política foi feita em 1916, numa crítica à lei de 1899, e numa crítica ex-ante à política domesticadora de mercados que Salazar aplicou. Nessa altura, um jovem académico prestava as suas provas de entrada como professor em Coimbra discutindo exactamente a questão do trigo:

“De modo que este país da vinha e da oliveira, das frutas magníficas e das flores preciosas, podendo oferecer nos grandes mercados, com antecedência de bastantes dias, os produtos mais caros e mais raros, de maior procura e consumo, vive agarrado à miséria da sua cultura de cereais. Porque não a abandonará?”.

Ao que parece o jovem académico nunca teve o poder suficiente para aplicar estas ideias, apesar do seu nome se ter tornado, posteriormente, largamente conhecido: António de Oliveira Salazar.

Esta coisa de domesticar mercados, apesar das evidências históricas, é uma cena que assiste a muita gente que jamais deixará que os factos influenciem as suas ideias.

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A gente habitua-se e esquece

por João-Afonso Machado, em 06.09.16

Soure, esta madrugada, com as chamas a rondarem o casario; Colmeias, Leiria, não tão dificil de dominar; Vila Pouca de Aguiar, Vila Verde, anteriormente o cenário dantesco da Serra de Monchique... Será que todos se aperceberam de como decorreram estes últimos dois dias?

O Governo seguramente não. António Costa anda a vender pensões para o Orçamento de 2017, a ministra Urbano de Sousa deu-se conta do ridículo do colete laranja (com a bandeira da República pregada por um alfinete!!!), braços expostos à fuligem, e sumiu, perdeu-se-lhe o rasto. Assim sendo, os demais seus colegas - Justiça, Defesa, Ambiente - também ficaram em casa. Jerónimo na Atalaia e a heróica Catarina percorre agora novas entrevistas.

Além do mais já tudo ficou dito. O Governo deu à luz comissões e grupos de trabalho qb, debruçados sobre a problemática dos incêndios. Para o resto, um incómodo nestes dias tão quentes, sobram por aí umas centenas de bombeiros e uma dezena de "meios" aéreos.

De modo que as imagens transmitidas pela TV são já um não tema. Repetitivas, a obrigar-nos a mudar de canal. Até ao reatar das novidades incendiárias do próximo Verão. Então sim, com drama, solidariedade, boutades e críticas, decididamente promessas e novas comissões. 

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A trapalhada das obras da segunda circular

por Vasco Mina, em 06.09.16

Segundo esta notícia publicada no dia 30 de Agosto, dava-se conta de um atraso explicado pelo próprio Presidente da CML: "A empreitada maior está em avaliação pelos serviços. O concurso está em fase de resposta por parte do júri a essas questões e aguardamos por essa resposta". As questões referidas tinham sido colocadas por três dos vinte e sete candidatos à realização da obra; segundo aqueles, por um alegado erro de cálculo no processo de definição da proposta vencedora. Note-se que esta seria a 2ª fase do projecto de requalificação daquela via e cujas obras deveriam arrancar em Outubro. Três dias depois, ou seja a 31 de Agosto, em conferência de imprensa, Fernando Medina anuncia a “ anulação do Concurso Público Internacional relativo à requalificação da 2ª Circular entre o Nó da Buraca e o Aeroporto bem como a suspensão da empreitada já em curso relativa à intervenção na 2ª Circular no troço entre o Nó do RALIS e a Avenida de Berlim.” Motivo: “o júri do concurso ter detetado indícios de conflito de interesses, pelo facto de o autor do projeto de pavimentos ser também fabricante e comercializador de um dos componentes utilizados".  Hoje, esta notícia do Observador acrescenta mais alguns pontos mas a confusão e a falta de transparência são por demais evidentes. Mas porquê toda esta trapalhada? Como aqui bem referiu o João Távora, Fernando Medina pressentiu “ que trágicas consequências daquelas obras na já precária mobilidade da cidade poderiam comprometer a sua eleição para a câmara”. Mais, a possibilidade de Assunção Cristas avançar com uma candidatura trará dificuldades acrescidas ao atual herdeiro da Câmara. É que pode alguém ser Presidente da CML por “herança” mas numa eleição o cargo não se herda – conquista-se!

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Variantes e contradições

por Vasco M. Rosa, em 05.09.16

images.jpegHá coincidências fulgurantes.

O director do Museu Nacional de Arte Antiga reconhece riscos graves por falta de vigilantes no principal museu patrimonial do país, o ministro da tutela embarca dois ou três dias com o PM para uma «visita de Estado» sem agenda produtiva — quanto custará: 200 mil euros?  — mas de simples cortesia para com atletas para-olímpicos e uma exposição em Bienal num país virado do avesso por crise política e de regime. Só o valor dessa inutilidade, pagaria muita segurança e assistência em museus do estado. Mas isso!

Não há como acudir a instituições nacionais — mas fica muito fino oferecer avultados meios para restaurar um museu brasileiro, que só muito remotamente, sejamos lúcidos, tem a ver com Portugal. (Se arder algum em Portugal, teremos simétrico apoio brasileiro?: duvido!)

No mesmo dia em que aterram S Exas., industrial de prestígio no ramo do calçado lamenta não conseguir vender um único par de sapatos no Brasil, embora os venda facilmente por este mundo afora e noutros, se acaso houvessem. Disso, o PM não cuida, não trata. Não lhe interessam miudezas...

Há botas que AC não descalça porque crê bastar-lhe sorrir e fazer umas piadolas — como aquela do salto do coelho de Amadeo de Souza Cardoso mostrado a MSR em Paris.

Lembram-se? Pois. É isso mesmo, mas com variantes...

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O homem que domestica mercados

por henrique pereira dos santos, em 05.09.16

Capoulas Santos explica os apoios ao sector leiteiro com o facto de, ao contrário dos liberais, querer domesticar o mercado do leite.

Este é o mesmo ministro que tutela o sector florestal e, por essa via, tem uma vaga relação com o problema dos incêndios.

Os incêndios, tal como os conhecemos, resultam de uma falha de mercado: não existem, ou existem de forma insuficiente, actividades económicas sustentáveis que garantam a gestão de combustíveis necessária para termos 20 a 30% do território com baixa propensão para o fogo, Ou seja, ou os matos são removidos, ou conseguimos atingir povoamentos de folhosas suficientemente maduros para os controlar através do ensombramento.

O problema central para se chegar a um território resiliente ao fogo, e que conviva saudavelmente com o fogo de forma socialmente óptima, prende-se com a falência do modelo económico de subsistência que prevaleceu no nosso mundo rural até à emigração dos anos sessenta (no resto da Europa o mesmo processo teve diferentes desenvolvimentos temporais mas no essencial é igual).

Nesse modelo os matos eram matéria-prima para a agricultura (a fertilidade dos campos não dispensava as estrumações, como acontece hoje) e a pastorícia.

Gerir a transição entre a paisagem produzida pelo modelo anterior e a paisagem de que precisamos agora implica uma de duas coisas (provavelmente as duas): 1) aceitar um regime de fogos crescentemente socialmente sub-óptimo como fogos severos, extensos e incontroláveis; 2) uma quantidade de recursos apreciável para ir gerindo essa transição através da gestão de combustíveis com fogo, pastorícia e actividades económicas que controlem os matos.

Resumindo, o resultado dessa falência, se tem muitos aspectos positivos – provavelmente voltaremos a ter ursos em Portugal nos próximos anos – implica o pagamento de um imposto em fogos que se alimentam da acumulação de combustíveis que o abandono proporciona.

Um ministro mais preocupado com a realidade que com a domesticação de mercados procuraria, neste contexto, dirigir os recursos que a política agrícola comum lhe proporciona para atenuar os défices de competitividade das fileiras produtivas que possam gerir o problema de forma mais sustentável, por exemplo, para não falar da pastorícia, avaliando em que medida o serviço de gestão de combustíveis proporcionados pela produção de resina poderia ser pago pelos contribuintes a troco da diminuição das perdas provocadas pelo risco de incêndio e do aumento da competitividade do sector, retribuída em riqueza e criação de emprego no mundo rural.

Infelizmente, apesar da produção intensiva de animais ser um dos sectores produtivos com maiores externalidades negativas (em consumo de água, de energia, de solo e na rejeição de efluentes e produção de gases com efeito de estufa) com menores efeitos sociais positivos (o excesso de consumo de produtos animais é um problema de saúde pública sério), o Senhor Ministro entende que não basta o mercado remunerar o consumo de produtos pelo preço que entender, é preciso o contribuinte ainda apoiar estes produtores, limitando a entrada de outros produtores mais eficientes, quiçá de países mais pobres.

Por razões de interesse público relevantes? O Senhor Ministro, discretamente, guarda as suas opiniões sobre isso porque o que está em causa é que um socialista domestica mercados, não deixa os mercados matarem os produtores ineficientes, mesmo quando são, como são, responsáveis por fortes externalidades negativas.

Já pagar os serviços de ecossistema aos poucos que os produzem para benefícios de todos, sem que o mercado os remunere – muitas vezes são bens difusos ou imateriais – como aconteceria no sector da resina, isso já não interessa nada: são tão poucos, tão pouco organizados, tão fracos que não compensam em votos o esforço que seria preciso fazer.

E para a história é muito menos interessante ficar como um sensato e eficaz governante que ficar como o epítome dos domesticadores de mercados.

Domesticar mercados: isso sim, é de valor.

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Henrique Pereira dos Santos

por Corta-fitas, em 05.09.16

O Henrique Pereira dos Santos é o reforço do Corta-fitas para a nova temporada que agora começa. Numa altura em que a actividade na blogosfera tende a decrescer era fundamental uma aposta na qualidade que ao longo de dez anos mantém o nosso blog como referência. Assumido liberal e agnóstico no que respeita à questão do regime (um assunto muito querido neste blog) o Henrique que recentemente aqui publicou dois importantes textos a propósito dos incêndios como convidado, vem claramente um fortalecer a nossa linha atacante.

Nascido em 1960, em Angola, é casado e pai de quatro filhos. Arquitecto Paisagista, Henrique Pereira dos Santos trabalhou nas áreas protegidas de Montezinho, Peneda-Gerês e Serras de Aire e Candeeiros. Foi dirigente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade vários anos, tendo ocupado o cargo de Vice-Presidente.

Coordenou planos de ordenamento e gestão de áreas protegidas, bem como a instalação do Parque Natural do Douro Internacional, trabalhou na avaliação de impacte ambiental, na visitação e turismo associado a áreas protegidas, bem como na sua comunicação.

Participou na coordenação do Plano Sectorial da Rede Natura 2000, na preparação do novo regime jurídico da conservação e na iniciativa Business and Biodiversity em Portugal e vem estudadando a evolução da paisagem rural de Portugal continental no século XX e sua relação com a dinâmica da biodiversidade.

É consultor na área da gestão da biodiversidade tendo publicado os livros “Do tempo e da paisagem” e “O gosto de Sicó”.

Resta-nos desejar ao Henrique que seja feliz nesta nova experiência, e que os seus golos contribuam tanto quanto possível para abalar a endémica letargia e o conformismo dominante neste nosso querido jardim à beira-mar plantado. Para nós é um orgulho tê-lo na nossa equipa. 

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BPI, vítima das circunstâncias

por Maria Teixeira Alves, em 05.09.16

CaixaBank estuda retirar a OPA ao BPI

O que se está a passar no BPI é o retrato do país. Nada se faz sem o apoio tácito do Governo, que mesmo assim, com medo de violar o políticamento correcto, fez uma lei que fica a meio caminho.

Eu já tinha escrito que uma lei em que só quando a proposta de desblindagem vem do conselho de administração é que caem os limites na votação, estava-se mesmo a ver que ia dar nisto.

Então faz-se uma lei com regras de votação diferente consoante o autor da deliberação que é levada à Assembleia Geral de accionistas? E nem o Presidente da República pensou nisto?

Claro que o accionista minoritário adiantou-se e leva uma proposta antes d administração do BPI, o que leva a que os votos nessa votação continuem blindados e seja preciso uma maioria acima da legal (75%) para que a desblindagem passe.

Cria-se uma lei para desbloquear o impasse accionista e consegue criar-se as condições na nova lei para um novo impasse accionista?

Por outro lado só neste país é que os accionistas minoritários querem chumbar operações que têm como resultado a queda dos títulos. Mas Tiago Violas quer medir forças com o Caixabank para no fim do dia ter as acções a valer menos de 1 euro por acção? Vejam lá as acções após a OPA do Caixabank estar em risco de ser retirada. Acham pouco 1,113 euros por acção? Então o melhor é criar condições para as acções caírem a pique. O BCP estava muito sozinho na sua condição de penny stock, o BPI prepara-se para lhe fazer companhia.

Um accionista com 2,6% consegue impedir uma OPA como? Porque, outra característica portuguesa, os tribunais têm os seus ritmos. Uma falha formal que foi corrigida, não merece uma resposta do juiz em tempo útil, sabendo que está uma empresa essencial para o país em risco?

A quem pedir responsabilidades se mais um banco definhar em Portugal? Como pode a burocracia pôr em causa a definição accionista do BPI, a resolução do problema da elevada exposição do BPI ao risco Angola, e eventualmente a venda do Novo Banco ao BPI, que pode salvar o país de mais uma liquidação de um banco? 

Não me digam que é ao anterior governo que vão atribuir culpas do BPI, porque eu já não aguento esta campanha anti-Passos/Maria Luís como se não tivessem sido eles que tiraram com a ajuda da troika Portugal da bancarrota. 

Ainda vão acabar por dizer que o BCE podia ter evitado a lei que retirou Angola de equiparado em termos de supervisão a bancos europeus, que desencadeou todo este "caso BPI", se o anterior Governo tivesse convencido Mário Draghi.

Já faltou mais.

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A gravação eléctrica

por João Távora, em 04.09.16


É substancial a melhoria qualitativa das performances artísticas nas gravações portuguesas a partir do segundo quartel do século XX. Isso é bem patente nesta gravação do “Velho Fado da Severa” cantado por Dina Tereza para “A Severa”, o primeiro filme sonoro português realizado por Leitão de Barros em 1929. Repare-se na subtileza dos arpejos e do dedilhar de guitarras no inédito longo solo que abre o tema - pormenor outrora difícil de captar pelo registo sonoro mecânico. Definitivamente a qualidade que a gravação eléctrica concede à indústria fonográfica mais reputação – reconhecimento social - contribuindo para atrair a si mais e melhores executantes. Para tanto foi decisivo o advento da telefonia e do cinema sonoro que estão na génese do star system nacional que estabelece o protagonismo dos intérpretes como motor da indústria fonográfica.

Dina Tereza.jpg

 Publicado originalmente aqui

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Domingo

por João Távora, em 04.09.16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».


Palavra da salvação.

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Medina fora de Lisboa já!

por João Távora, em 03.09.16

eixo central.jpg

É evidente que Fernando Medina percebeu a tempo o risco que seria para as suas ambições avançar com as polémicas obras de requalificação da 2ª Circular e agora arranjou um subterfugio para recuar no seu desvario. Valeu-lhe o cálculo político, ao pressentir que trágicas consequências daquelas obras na já precária mobilidade da cidade poderiam comprometer a sua eleição para a câmara. Valeu-lhe certamente a experiencia dos trabalhos no eixo central que por estes dias tornam a circulação na capital uma tortura para os lisboetas e visitantes, sem escapatória. O que é para mim evidente é que Fernando Medina não conhece, não sente, não gosta de Lisboa. Só se preocupa com os lisboetas na medida em que estes se tornem um trampolim para a sua carreira profissional. Acontece que fazer política exige uma mistura assisada de razão e paixão – a Fernando Medina faltam-lhe as duas coisas. Ele fazia um enorme favor à minha cidade e aos meus conterrâneos se retornasse ao Porto, e na sua terra desse largas às suas ambições profissionais, numa qualquer construtora ou empreiteiro.  

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Diploma legal ou cartilha básica?

por João-Afonso Machado, em 02.09.16

O Governo anunciou triunfalmente que lá para o fim deste mês estará no prelo o seu Código de Conduta.

Fica-se sem saber do que se trata. De um diploma legal? Um conjunto ordenado e coerente de normas com as suas componentes essencias: a estatuição e a previsão das consequências do seu incumprimento, isto é, da sua punibilidade? E este incumprimento - valorado como contra-ordenação ou crime?

Porque se assim for, haverá a respeitar a seguinte regra básica relativa a ocorrências anteriores, pendentes (ou ainda não) judicialmente: é sempre de aplicar a lei que beneficie o infractor, quero dizer, a que lhe atribua uma menor punição.

(Isto tudo sem prejuízo da complexidade hermenêutica adjacente a considerandos acerca da derrogação ou abrogação da legislação até então vigente. Um potencial de confusão, também ele, altamente benéfico para o prevaricador... ).

Se, ao invés, o putativo Código de Conduta houver de consistir num mero catecismo escrito para os agentes políticos - ora bolas! - andamos a perder tempo, era suposto a rapaziada conhecê-lo de cor (e praticá-lo) desde a 4ª classe.

Assim se vê, lerda, - a força da Esquerda!

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Capoulas proclama o lacto-socialismo

por José Mendonça da Cruz, em 01.09.16

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Foi a propósito dos protestos dos produtores de leite que, findo o regime de quotas, não conseguem produzir a preços competitivos, que o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, deu, hoje, a melhor explicação do ano sobre o que é o socialismo.

O ministro anunciara os proverbiais «apoios», que se traduzirão, desta vez, em mais uns desses milhões de euros dos contribuintes de que os socialistas se desfazem com insuperável ligeireza.

Então, o repórter da Sic perguntou, muito razoavelmente, se era bom os contribuintes, além de pagarem o leite, pagarem aos produtores para produzi-lo.

Ao que o ministro respondeu que essa seria a solução liberal, deixá-los morrer; mas que ele, como socialista, preferia despejar dinheiro dos contribuintes em cima do problema.

Também como bom socialista, não ocorreu ao ministro alguma mudança de política fiscal que facilitasse a produção, o transporte, a distribuição; nem quaisquer incentivos à competitividade; nem sequer a promoção do associativismo... Não. Como bom socialista o ministro tem a socialista solução: pegar no dinheiro dos contribuintes e dar a quem de momento protesta. E como socialista deste tempo novo, o ministro explicou ainda a sua intenção: é para «domesticar o mercado». É que, digo eu, não há nada como um mercado «domesticado» para sermos felizes como na Venezuela ou em Cuba.

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A imprensa não pode ser livre

por Vasco M. Rosa, em 01.09.16

Ontem à noite a sede do melhor jornal de língua portuguesa — a Folha de São Paulo — teve de ser protegida pela polícia por causa duma manifestação pró-Dilma.

Uma imprensa livre, não estatitizada, incomoda os pseudodemocratas.

Se alguém tinha dúvidas, ficou sem elas.

 

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Amigos do Senhorio

por Vasco Mina, em 01.09.16

Os “amigos do senhorio” são uns pregos pequenos que provocam menores estragos às paredes dada a sua reduzida dimensão. O comércio de materiais da construção civil inventou esta designação para passar a mensagem de pregos suave (na linguagem moderna pregos light). Os buracos continuarão a existir, os senhorios serão sempre prejudicados mas cai bem (é simpática e politicamente correta) a expressão “amigos do senhorio”. Ora os partidos da geringonça inventaram agora uma nova versão: “o senhorio de cariz social”. Ou seja, pretendem o Governo e os seus aliados que sejam os senhorios os promotores de rendas baixas paras as famílias com menores rendimentos. Acenam com benefícios fiscais e seguros de renda para atrair tais senhorios mas começam (com muita amizade ) por prolongar o congelamento das rendas por mais cinco anos. Como aqui bem refere Vital Moreira é a privatização do estado social que agora é lançada por um governo socialista.

Estamos, assim, no arrendamento urbano, com a nova versão dos “amigos do senhorio”. Vale a pena ler o artigo da Helena Matos aqui publicado pois explica bem a natureza desta nova categoria socialista designada por “senhorio de cariz social”. Bem expressivo o título: Estão a gozar, não estão?

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