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Diz o Negócios que o Governo vai alterar a lei bancária para poder recuperar alguns dos oito nomes que ficaram de fora da nova administração da CGD. A notícia é ilustrada com a carinha de Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado do Tesouro e Finanças (o mesmo que queria que a CGD absorvesse o Banif, como solução para a insolvência do banco, no fim do ano passado).

Garante então o Secretário de Estado do Tesouro e Finanças que não houve problemas de conflitos de interesse nos administradores chumbados (aqueles que iriam ser administradores da CGD e acumulavam com os lugares de presidente de várias empresas). Foi apenas porque tinham muitos empregos e a lei bancária portuguesa não permite. Bem espreitem a administração do BPI, será que não foram aprovados pela lei bancária portuguesa. Será que António Lobo Xavier, para além de advogado, é administrador de várias empresas do Grupo Sonae não está a violar a lei invocada? Armando Leite de Pinho Presidente do Conselho de. Administração da Arsopi; Carlos Moreira da Silva (administrador) da Sonae Industria, entre outros investimentos, também não? Para já não falar de Isidro Fainé, o espanhol do CaixaBank que é administrador do BPI, reparem na lista de cargos "presidente de la Fundación “la Caixa” y de Criteria CaixaHolding. También ocupa la presidencia de la Confederación Española de Cajas de Ahorros (CECA). Además, es vicepresidente de European Savings Banks Group (ESBG), miembro titular de la Comisión Gestora del Fondo de Garantía de Depósitos en Cajas de Ahorros, vicepresidente de Telefónica, Abertis y Repsol. Asimismo es Consejero del Banco Portugués de Investimento, de Bank of East Asia y de Suez Environnement Company. Es también Presidente de la Confederación Española de Directivos y Ejecutivos (CEDE), del Capítulo Español del Club de Roma y del Círculo Financiero".

Interessante lista de um administrador de um banco português que acaba de ser reeleito apesar do "Regime Geral das Instituições de Crédito e das Sociedades Financeiras (RGICSF) impor um limite ao número de funções desempenhadas em órgãos sociais de outras sociedades. Um regime que é mais estrito que o imposto pela directiva comunitária", tal qual diz o comunicado das Finanças.

O Governo diz então que vai alterar a lei bancária portuguesa, que é mais restritiva do que a directiva europeia, para poder recuperar os oito nomes que acabou por retirar da lista proposta para a administração da CGD. Quase se fica a pensar que o BCE vai ter de aceitar, queira ou não, porque basta mexer na lei nacional e o regulador de Frankurt logo tem de obedecer.

Mas vejamos ainda que Mourinho Félix garante ao Negócios que não houve problemas de “idoneidade e conflitos de interesse” com os candidatos em causa. Bom vou colar aqui uma passagem do comunicado do Ministério das Finanças, do seu ministério portanto: "A nomeação dos restantes administradores não-executivos será feita num curto espaço de tempo já que não houve sobre estes qualquer objecção relativamente à adequação ou idoneidade, nem foram identificados quaisquer conflitos de interesses impeditivos", diz o comunicado. Em que ficamos senhor secretário de Estado?

 
Notícia do BCE aprova apenas 11 dos 19 administradores que queria o Governo para a CGD é esta.

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Ban Ki-moon, o ainda Secretário Geral das Nações Unidas , afirmou ontem (provavelmente uma das poucas suas intervenções que ficará para a história neste seu muito discreto mandato) que  "Temos muitas líderes mulheres distintas e eminentes em governos nacionais ou em outras organizações ou mesmo em comunidades empresariais, políticas e culturais, e em todos os aspetos da nossa vida. Não existe nenhuma razão para que isso não aconteça nas Nações Unidas". Ou seja, segundo o próprio, já é tempo de ter uma mulher à frente da ONU. Acontece que um dos candidatos ao cargo é António Guterres, cujo perfil e experiência política são atributos inquestionáveis e internacionalmente reconhecidos, é também um homem de esquerda. Mais, sempre se bateu pela paridade de géneros na condução das instituições (públicas ou privadas, nacionais ou internacionais). Mas esta tomada de posição de Ban Ki-moon revela-se agora inconveniente para os grandes defensores da paridade de géneros. Vai ser curioso assistir, nos próximos dias, às reações dos habituais comentadores deste tema. Para já fica a tomada de posição de Mónica Ferro (uma das feministas mais conhecidas da política portuguesa): "Ban Ki-moon tem toda a legitimidade e dever de promover a paridade entre géneros nas nomeações da organização. Mas teve dez anos para o fazer e não o fez. Com ele não houve nenhuma inversão da prática das Nações Unidas. Poderia ter nomeado para vice-secretário-geral uma mulher e não o fez. Por isso entendo esta posição como uma declaração de final de mandato, não uma declaração de guerra contra Guterres, mas sim uma forma de dizer "fiz tudo para que fosse nomeada uma mulher". Pois, fica bem ser a favor da paridade dos géneros, excepto quando não dá jeito…

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Passos - passa a bola!

por João-Afonso Machado, em 16.08.16

O discurso do Pontal foi mastigado, miudinho, maçador. Não basta ter razão, é preciso saber rematá-la contra o adversário. Senão a oposição não surte efeito, Ana Catarina contra-ataca, com muita ressonância televisiva, e Costa dá-se ao luxo de fazer troça e mentir sem vergonha mesmo na cara do árbitro - que é o eleitorado e sempre se atrapalha com o apito.

A Esquerda joga assim: traiçoeiramente. Pregou uma rasteira à Direita e marcou um golo em offside. Acontece, não vale a pena chorar mais, a bancada não gosta de chatos e assobia. E o árbitro continuará a deixar passar. O melhor seria povoar o meio-campo, deixar o esférico nos pés de uns tantos. Há-os bons: Matos Correia, José Eduardo Martins... Não aparecer (nem parecer) isolado outra vez, a chutar frouxo, travado em falta sempre com demagogia. Passa a bola, Passos!

Até porque a Esquerda, mais tarde ou mais cedo, faz auto-golo quando nos deixar á pedir, às portas da falência. É o costume! Centeno é um frangueiro, Passos! E Costa um logro maior do que o Imbula, Catarina Martins tem perna curta, só gesticula. Então sim, é carregar no discurso, sem dó nem piedade. Não os deixar vitimizar nem ludibriar o árbitro, correr definitivamente para a vitória da Direita. A ver se pomos ordem no jogo e não somos eliminados nestes NacionaisEuropeus e Mundiais

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Fogo de vista

por João Távora, em 14.08.16

(...) Em 2005, o inimitável dr. Costa era ministro da Administração Interna de um governo que recusou uma proposta de prevenção do Instituto Superior de Agronomia e, nas palavras do actual deputado socialista Ascenso Simões, cometeu o "erro grave" de optar "pelo derradeiro elemento da cadeia de valor - o combate". Em 2016, o dr. Costa lidera o governo e, logo que as férias e o Twitter lhe permitiram, apareceu a avisar os néscios que "não pode haver a ilusão de que os incêndios se evitam combatendo-os". Há dez anos, a cabeça do dr. Costa engendrou um encantador Plano de Defesa da Floresta - obviamente um sucesso - e um concurso público para aquisição de "meios aéreos", por sinal repleto de pormenores pitorescos. Agora, da cabeça do dr. Costa sai um "grupo de trabalho" para "reforma da floresta", que fatalmente correrá pelo melhor. (...)

 

Alberto Gonçalves a ler hoje no Diário de Notícias

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Domingo

por João Távora, em 14.08.16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns fariseus para O porem à prova e disseram-Lhe: «É permitido ao homem repudiar a sua esposa por qualquer motivo?». Jesus respondeu: «Não lestes que o Criador, no princípio, os fez homem e mulher e disse: ‘Por isso o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa e serão os dois uma só carne?’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Eles objectaram: «Porque ordenou então Moisés que se desse um certificado de divórcio para se repudiar a mulher?». Jesus respondeu-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu repudiar as vossas mulheres. Mas no princípio não foi assim. E Eu digo-vos: Quem repudiar a sua mulher, a não ser em caso de união ilegítima, e casar com outra, comete adultério». Disseram-Lhe os discípulos: Se é esta a situação do homem em relação à mulher, não é conveniente casar-se». Jesus respondeu-lhes: «Nem todos compreendem esta linguagem, senão aquele a quem é concedido. Na verdade, há eunucos que nasceram assim do seio materno, outros que foram feitos pelos homens e outros que se tornaram eunucos por causa do reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda».


Palavra da salvação.

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Hoje testemunhei em Alvalade um Sporting a momentos magnífico, com um jogo rápido exibindo um entrosamento e alegria muito invulgares para uma equipa em início de época. Qual é o meu espanto quando em casa oiço os comentadores encartados das TVs em vez de comentarem a exibição (os factos) a especularem sobre uma crise virtual por conta da cobiça de outros clubes pelas estrelas leoninas...

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Para combater o calor...

por João Távora, em 12.08.16

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 Não vos costumo maçar com estas coisas, mas acontece que de vez em quando publico aqui umas novidades da minha colecção de gravações antigas de música portuguesa.

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"Chacal"

por João-Afonso Machado, em 12.08.16

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Alguém sabe o que são o PNDFCI e o PDFCI? Salvo alguma gralha redactorial, serão (a República gosta destes inoperantes quebra-cabeças) o Plano Nacional de Defesa da Floresta e Contra os Incêndios e o Plano de Defesa da Floresta e Combate aos Incêndios. Este último, a acreditar no rigor da imprensa, resulta de uma «unidade de missão», visando a apresentação de uma «proposta política» para resolver a praga dos fogos estivais, e dela foi ordenante o ministro da Administração Interna em 2005. Nem mais: António Costa!

Reconhece-se agora, a «missão» e a «política» foram um fracasso total. O Governo apostou em apagar incêndios em vez de cuidar da sua prevenção. Gastou em «meios» terrestres e aéreos (e em vidas humanas) o que não investiu na limpeza e vigilância dos matos. Assim completamente indefesos perante as «ignições».

O Funchal e tantas mais urbes no território nacional têm lembrado muito a Roma de Nero. E o Divino parece continuar lá, consolando populações, defendendo hoje, convictamente, a prevenção. Como se o ontem não fosse com ele. Mas já ninguém o identifica ministro, está mais grisalho, mais acolchoado. Há, todavia, um pequeno pormenor, caso o queiram reconhecer - a forma nasalada como pronuncia a palavra «documento». Porque Costa, sempre que instado como vai ser, responde com comissões destinadas a produzir «documentos». Tão infalíveis como as suas célebres «Opções Macroeconómicas»...

 

 

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Será do Guaraná?

por Corta-fitas, em 12.08.16

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Na primeira figura está a produtividade primária na Europa com uma escala de cores contra-intuitiva, isto é, as cores mais frias representam maior produtividade (isto é, onde os matos crescem mais) e as cores quentes representam menor produtividade.

Na segunda figura está a densidade de fogo na Europa, aí sim, com uma escala de cores intuitiva, as cores mais quentes representam as zonas de mais fogos e as cores menos frias as zonas de menos fogos.

Olhando para as duas figuras parece-me tão lógico dizer que o problema é das ignições, dos incendiários ou do guaraná.

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Henrique Pereira dos Santos

Convidado especial 

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O elogio da ignorância

por Corta-fitas, em 11.08.16

José Gomes Ferreira resolveu fazer um debate sobre fogos.

Começa por dizer que Portugal é um país recordista das ignições (o que é um facto) e daqui conclui que “isso só pode significar uma coisa: a floresta portuguesa arde porque alguém quer que ela arda”.

Até aqui, nada de especial, é um nível normal de ignorância sobre o assunto, associado a uma ideia simples, poderosa, facilmente perceptível e que divide o mundo em bons (somos nós) e maus (os outros).

É portanto uma ideia lógica e errada com todos os ingredientes para se tornar um mito persistente e persistentemente martelado aos ouvidos de toda a gente.

Para debater o assunto, José Gomes Ferreira declara que escolheu quatro pessoas que “conhecem muito bem o terreno, não são intelectuais do ar condicionado”.

Com este enquadramento, que é o mesmo que eu dizer que para saber notícias mais vale apanhar um táxi que anda no terreno que ouvir os intelectuais do ar condicionado da SIC Notícias, não admira que um dos intervenientes, que conhece muito bem o terreno, diga que sabe muito bem que o fogo que começou na terra dele (Melres) é fogo posto porque ele viu o fogo a aparecer e um fogo que aparece assim tem de ser fogo posto.

Tenho ouvido os argumentos mais interessantes para justificar a conversa das ignições, que no fundo repetem que José Miguel Cardoso Pereira (um intelectual do ar condicionado) disse sobre os mapas que esta figura mostra.

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Como as ignições estão directamente relacionadas com a densidade populacional, concentram-se no litoral, junto aos grandes centros urbanos. Como as áreas ardidas estão inversamente relacionadas com a densidade populacional, concentram-se no interior centro e Norte montanhoso. Logo, o corolário lógico de quem acha que “a floresta portuguesa arde porque alguém quer que ela arda” é que as áreas ardidas do Sabugal resultam do elevado número de ignições em Gondomar.

Mas ouvir pessoas cada vez mais ignorantes, cada vez menos intelectuais, tem esta virtude única: seria impossível que alguém com o mínimo dos mínimos conhecimentos de fogo tivesse a ousadia de dizer que distinguia um fogo posto de um fogo não posto pela forma como ele evolui, como se uma espécie de pecado original marcasse indelevelmente os fogos impuros.

Informação, zero, mas divertimento, do melhor.

Muito obrigado José Gomes Ferreira, espero então o próximo programa em que para discutir, por exemplo, o Orçamento do Estado, siga o mesmo critério e convide pessoas do terreno, sem suspeita de intelectualidade, por exemplo, as senhoras que à noite trabalham na minha rua.

Mais ligação ao terreno e à economia não há com certeza, e embora haja algumas que podem ser suspeitas de intelectualidade, há várias que seguramente não representam nenhum perigo desse ponto de vista.

 

Henrique Pereira dos Santos

Convidado especial 

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Agarrei-me à carteira

por João Távora, em 11.08.16

Há cerca de dez anos, era o senhor primeiro-ministro o ministro da Administração Interna, que é quem manda no sistema de protecção civil.

15 dias de vento Leste bem rijo (em rigor, 14 dias, porque num dos dias o vento rodou 90 graus, e depois voltou a rodar para Leste, o que tornou tudo ainda mais difícil) em 2003 tinham levado a uma área ardida de mais de 400 mil hectares, uma oportunidade de ouro para um ataque cerrado ao governo de então, à desorganização dos bombeiros e trinta por uma linha.

Dois anos depois, em 2005, mais de 200 mil hectares ardidos, umas eleições e aí temos reunida a vontade política para resolver o problema dos fogos.

Foi assim que se criou o Fundo Florestal Permanente, alimentado com uma taxinha nos combustíveis, foi assim que se fez a tal reorganização da protecção civil de que fala agora o senhor primeiro-ministro e foi assim que foram chamados técnicos reconhecidos para fazer um Plano Nacional da Defesa da Floresta contra Incêndios, com muita prevenção prevista e centrada no problema da gestão do território, a montante do combate.

Um território bem ordenado é um bem comum que interessa aos comuns, era a justificação central para a colecta de recursos.

Depois de garantido o apoio político para a revolução na gestão do problema apoiou a aliança entre protecção civil e poder autárquico na luta pelos recursos existentes e a captar, deixando os reais donos do problema, isto é, os gestores do território, essencialmente na mesma. Uma luta diária que deixou uma escola muito enraizada na protecção civil, prolongando-se muito depois da saída do ministro que vergou o então ministro da Agricultura nas opções sobre fogos florestais e destruiu por completo o Plano Nacional de Defesa das Florestas contra Incêndios. Veja-se o recente despacho N.º 9473/2016 de 25 Julho: o tal Fundo Florestal Permanente, o que iria financiar a prestação de serviços ambientais que o mercado não remunera, como a limpeza de matos pelo pastoreio, transfere para a GNR 3,6 milhões de euros para pagar a vigilantes.

O Estado reconhece que na base do problema dos fogos está uma falha de mercado (que não remunera os serviços ambientais prestados no âmbito de actividades económicas pouco competitivas), o Estado decide colectar coercivamente recursos para remunerar adequadamente os serviços prestados pelos donos e gestores do território e do problema e, quando tudo isso está feito, desvia os recursos para se financiar a si próprio.

Primeiro, mansamente, autarquias locais e centros de investigação e, progressivamente, chegando ao coração do Estado: as forças de segurança.

O custo do dispositivo de combate aos fogos passou de 30 milhões anuais para 100 milhões anuais, mas os resultados são, essencialmente os mesmos – embora obtidos com muito mais estilo – porque os donos do problema continuam sem meios para o resolver e porque o dinheiro atirado para cima do problema serviu, nos anos menos maus, para disfarçar a loucura de querer gerir fogos florestais com água e a partir do ar.

E foi por isto, só por isto, que ao ouvir o senhor primeiro-ministro levei instintivamente a mão à carteira, quando percebi que o plano era o mesmo de há dez anos.

Depois relaxei e fui almoçar um cabrito, é o máximo que está ao meu alcance directo para ajudar a resolver o problema do fogo.

 

Henrique Pereira dos Santos no Público

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Porque é que Portugal arde?, pergunta a imprensa. Esta é a época do ano em que os fogos florestais enchem o país de bombeiros de bancada, silvicultores de rede social, e paisagistas de café. Todos têm uma resposta. Mas há uma regra para o jogo: seja qual for a resposta, não pode ser a mesma para a pergunta porque é que a Califórnia, a Austrália ou o sul de França também ardem. A resposta precisa de ser muito específica, muito portuguesa.

Também por isso, as chamadas “condições naturais” são quase sempre menosprezadas. Os iluminados nacionais nunca reconhecem limites. Para eles, tudo depende da vontade – e, muito particularmente, da vontade do Estado. Durante anos, ai de quem se atrevesse a falar do clima, do relevo ou dos solos para explicar a diferença entre a agricultura portuguesa e, por exemplo, a agricultura holandesa. É claro que tudo se devia à “ignorância” dos lavradores portugueses. E agora, ai de quem comece por mencionar temperaturas altas, ventos fortes ou acessos difíceis a propósito dos incêndios. Tudo tem de se ficar a dever ao tipo de coisas que é fácil mudar com papel e caneta — planos, ordenamentos, leis, portarias. Continuar a ler»»»

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O Ministro do Interior permanece no litoral

por João-Afonso Machado, em 10.08.16

Quem será o nosso ministro? - perguntam as gentes dos lugares já ardidos ou a arder, agora ou amanhã. Fossem ao menos confortados com uma palavrinha de Sua Excelência, uma promessinha de melhores dias, depois de horas de angústia e destruição, de ruina para muitos, e mesmo de perdas de vida já registadas.

O Ministério do Interior é uma descoberta da I República que a II (vulgo Estado Novo) manteve. A III República rebaptizou-o "da Administração Interna", assim como aboliu os cegos, substituindo-o por invisuais.

O resultado está à vista: o absoluto desordenamento do território, a impunibilidade dos criminosos e o País sujeito aos caprichos de S. Pedro.

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Fez-se anunciar

por Vasco M. Rosa, em 09.08.16

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Dizem as notícias que o goveno «vai mandar» para a ilha da Madeira um aparato especial para agir sobre o incêndio local.

A notícia não é de ontem, mas de há uma hora, e resulta da vinda do PM a reunião de gabinete de crise, vinda muito mais célere nas notícias do que a intervenção efectiva sobre um grave problema.

Primeiro anuncia-se que o sr. PM faz o especial favor de «interromper» as suas férias, quando o que haveria de ter acontecido — num país decente! — é que ele aparecesse ontem antes dos noticiários da noite e trabalhasse sem publicidade num problema desta gravidade, como lhe compete, sem qualquer propaganda associada.

Não foi o que fez. Percebendo o país aflito com esta labareda infernal, fez anunciar-se e demorou quase 24 horas a chegar ao sítio onde deveria estar desde o primeiro minuto.

O serviço público não é para todos.

 

 

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Escrevo a meio da tarde do dia 9 de Agosto, ou seja, a meio do terceiro dia de fogos mais a sério em 2016.

O que posso dizer, e não sou o Dr. Karamba, é que a manterem-se as previsões meteorológicas, as pessoas que viveram estes três dias com o coração apertado face à proximidade dos fogos podem ser das pessoas mais descansadas dos próximos dias, dando graças por afinal o que ardeu nestes dias os poupar às angústias dos próximos.

Não, são sou o mandante de uma organização criminosa de incendiários que tenha carregado num botão para desatarem todos a espalhar fogos pelo país.

Não, não vão começar mais fogos à noite (talvez um bocadinho mais esta noite em que o vento Leste vai aumentar de velocidade) porque os fogos nocturnos, faça sol ou faça chuva, são sempre entre 35 e 40% do total diário, demonstrando que as causas são as mesmas em qualquer altura do dia (o início físico e químico do fogo não é registado por sistema nenhum, o que é registado é o momento em que um fogo se torna detectável pelo sistema de aviso, portanto um fogo que é registado às quatro da manhã pode ter-se iniciado horas antes).

O que sei é relativamente simples: que 80% da área ardida ocorre em 12 dias no ano, que o número de fogos diários e a área ardida aumentam exponencialmente nesses dias e que o único factor que distingue esses dias dos outros é a meteorologia.

O sistema de combate passou a custar 100 milhões (número aproximado, ninguém sabe quanto custa) quando antes custava 30 milhões por ano e os resultados são os mesmos, fruto de duas ideias erradas, perigosamente erradas: 1) é possível resolver o problema dos fogos liquidando-os à nascença; 2) “Portugal sem fogos depende de todos”.

Dois dos principais responsáveis pela morte da esperança de revolução na gestão do fogo que se esboçou na sequência dos fogos de 2003 e 2005, Duarte Caldeira e Jaime Marta Soares, empenharam-se profundamente em desviar o dinheiro da gestão racional do fogo, que é feita pelos proprietários e gestores do território, para a sua clientela, o tandem protecção civil/ poder autárquico, o que não os impede de continuarem a ser permanentemente chamados a perorar sobre o assunto, falando mais recentemente da necessidade de articular a gestão do fogo com o desenvolvimento local, como se não tivessem sido eles a dinamitar os tímidos avanços nesse sentido, a liquidar a transparência e racionalidade na gestão do Fundo Florestal Permanente, a intoxicar jornalistas com tretas de incendiários, etc..

E os jornalistas, que dizer dos jornalistas, a escrever sempre sobre os heróis do combate (e muitos são, muitos mais são simplesmente os bombeiros do asfalto, que esperam pelo fogo nas estradas, convencidos de que os fogos florestais se apagam com água e meios aéreos) e a esquecer-se de perguntar a quem sabe, de compreender a economia rural que explica a acumulação de combustíveis, de ver que em Espanha 50% dos fogos são na Galiza e que Portugal é um campeão de fogos pelas mesmas razões que é o maior produtor mundial de cortiça.

Não há solução, então?

Há sim: comer cabrito.

Revitalizar as fileiras económicas que gerem os matos, saber usar o fogo contra o fogo, saber que fogos florestais se apagam com os pés na terra e as mãos em cabos de madeira, deixar arder na Primavera e no Outono, acabar com essa ideia estúpida do Portugal sem fogos.

Viriato era pastor, não era lenhador, era o título (que não me lembro a quem fui buscar, penso que a Caldeira Cabral) de um artigo que escrevi em Setembro de 2003, pelos vistos inutilmente.

Esta noite, a confirmar-se a previsão, pouco mais há a fazer que rezar e fugir, mas no resto do ano seria bom que fosse possível cozer a boca dos que há anos infindos canalizam recursos para a protecção civil, parasitando a gestão do território, passar por cima das câmaras e ir directamente falar com os proprietários e gestores do território para saber o que é preciso para gerir inteligentemente o fogo, fazendo de um inimigo mortal um amigo para vida.

 

Henrique Pereira dos Santos

Convidado especial 

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Temos aquilo que merecemos

por João Távora, em 08.08.16

O governo ataca um juiz que considera seu adversário plantando notícias falsas e difamatórias. Fá-lo porque, nos jornais, encontra quem, facilitando no rigor, publica o que lhe dão a publicar. E tudo acontece com impunidade porque deste lado – o dos leitores, dos cidadãos, da sociedade civil – já está tudo entorpecido demais para reparar. São estes episódios, que rodeiam o intolerável de silêncio, que confirmam o que, tantas vezes, nos recusamos a acreditar: que, entre indignações selectivas, Portugal vai mesmo tendo o que merece.

 

Alexandre Homem Cristo

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Domingo

por João Távora, em 07.08.16

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o reino. Vendei o que possuís e dai-o em esmola. Fazei bolsas que não envelheçam, um tesouro inesgotável nos Céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração. Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?». O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’, e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito acções que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá».

 

Palavra da salvação.

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A Ponte Sobre-o-Tejo

por João Távora, em 06.08.16

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Foi um ano depois de eu nascer que se iniciaram as obras de construção da Ponte Sobre-o-Tejo em Lisboa. Tenho difusas reminiscências de atravessar o rio de Cacilheiro, no velho Hillman do meu pai atafulhado de irmãos, e memórias mais sólidas de atravessarmos a ponte no Volkswagen novinho, que o meu pai jurava também ser o meu carro quando eu chegasse aos pedais. Nesses tempos de barbárie e obscurantismo, demorávamos mais de quatro horas a chegar a Milfontes com uma bagageira no tejadilho e a mãe com a minha irmã bebé ao colo no lugar do morto, e nós os quatro restantes no banco de trás, metade do caminho a implicar uns com os outros. Uma autêntica aventura do faroeste.

Curioso é hoje verificarmos o embaraço mal disfarçado com que a Comunicação Social assinala os 50 anos da inauguração da ponte, que para infortúnio da narrativa oficial nasceu oito anos antes do tempo. Desconfio que nas redacções subentendem o caricato que é celebrar 50 anos de uma obra rebaptizada com uma data histórica posterior à sua construção. Às tantas dão-se mal com a história que confundem com propaganda, um guião de lugares comuns, atafulhada de esqueletos nos armários, pois há que evitar a complexidade para não confundir as cabeças volúveis das gentes. Ou simplesmente “há que ignorar”, é mais isso. Hoje uma tal de Katia Delimbeuf assinala num pequeno artigo na revista do Expresso que: “às 15,00hs, passaram os primeiros carros do povo, que a rebaptizou após a revolução de 1974”. Claro que a coisa vinda de uma jornalista é mentira; se fosse da pena dum poeta seria apenas uma tirada de mau gosto. Na verdade o povo nunca seria chamado a baptizar a Ponte Sobre-o-Tejo (como sabiamente sempre se lhe referiu), tanto mais que a coisa poderia dar para o torto, como se verificou aquando daquele desgraçado concurso televisivo sobre “Os Grandes Portugueses”.
Talvez interesse pouco relembrar neste dia de comemoração que a Ponte Salazar foi construída tarde de mais, e notoriamente subdimensionada. A maior parte das recordações remotas que guardo dos seus primeiros anos referem-se a épicos engarrafamentos que enfrentei, a ir ou a vir da Costa da Caparica, que se repetiam diariamente às horas de ponta e especialmente no Verão, só verdadeiramente mitigados aquando da construção da Ponte Vaco da Gama mais de 30 anos depois. Desculpem-me o mau jeito, mas a ponte Salazar também é uma parábola sobre a nossa incapacidade de planeamento a longo prazo. Um embaraço apenas comparável ao expediente das revoluções que nos últimos duzentos anos nos trouxeram a este triste destino.

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O secretário de Estado

por João-Afonso Machado, em 06.08.16

O Sr. Rocha Andrade tem toda a fisionomia do secretário de Estado de um Governo da República. Na sua atitude mais conseguida, a socialista. Terá alguns conhecimentos de fiscalidade, decerto, e tem sobretudo provas dadas em fidelidade ao partido. Ao que acresce a irreflectida propensão para o disparate e uma qualquer desculpa na ponta da lingua, caso seja apanhado em flagrante.

Tal qual se tratasse do clássico incidente do rapazote na mercearia a roubar maçãs: devolve-as de pronto e tudo fica esquecido. O merceeiro prefere assim, não se dá ao incómodo de chamar a polícia. E foi uma pena, esta teria oportunidade de averiguar o que mais esconderiam os bolsos do meliantezinho, pregar-lhe-ia um susto no futuro desincentivador.

Por isso, para a história ficam as éticas explicações do encarregado de educação, in casu talvez o padrasto, o ministro Santos Silva  - «o dinheiro nunca paga questões morais, mas o reembolso é um gesto que significa que nós não queremos que nenhuma dúvida subsista».

É, este caso de umas maçazitas de origem pouco clara não chega a ser problema. Siga a escandaleira com as faltas dos deputados do PSD, essa sim, grave, capaz mesmo de arrancar umas declarações ao merecido (infelizmente não eterno) descanso de Costa.

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Não sou de modas…

por João Távora, em 05.08.16

Village Peolpe.jpg

Chegados à meia-idade conquistamos uma visão em perspectiva que nos revela a verdadeira importância das modas. Pela minha parte até chegar à da barba de três dias, em matéria de pilosidade masculina, já testemunhei diferentes usos que se banalizaram na paisagem de cada tempo: do cabelo cortado à tijela ou “à Beatle”, à cabeleira e barba hirsutas, comprida até ao peito a encobrir uma fácies cândida “imagine all the people”, passando pela recuperação nos anos 80 da sobriedade insinuante de Morrissey com poupa à James Dean, estou em crer que, com mais ou menos ombros e lantejoulas no casaco, mais ou menos justas as calças, cada moda cumpriu a seu tempo o propósito de alimentar a vital ilusão de corte ou renovação dum sentido existencial de cada geração emergente, que organicamente se impunha com uma assinatura própria à espuma dos dias imparáveis. O problema é que, como bem sabemos, a natureza humana e as suas circunstâncias são realidades essencialmente estáticas. Sobre este complexo assunto, o povo na sua sabedoria arranjou um adágio que mete moscas e excremento. 

Curioso é o burlesco que nos soa um guarda-roupa, por exemplo, quando revisitamos uma antiga (?) série, em voga dos anos oitenta, como a do muito British e europeu “Inspector Morse” ou num ataque de revivalismo revisitamos a sonoridade e paisagem do festival Woodstock, afogada em toneladas de Canábis, pilosidade e devaneios idealistas, daquela miudagem que acreditava sinceramente que a juventude era algo mais do que um efémero acidente do seu imparável processo de envelhecimento. E quanta grosseria e boçalidade não vivia disfarçada por uns óculos escuros, longas barbas, lenço na cabeça e calças à boca-de-sino. O tempo se encarregará de fazer esquecer estes egos estéreis no anonimato da demografia e das estatísticas.
Estou em crer que a moda torna-se num verdadeiro problema quando é motor da política, subjugada ao jogo mediático na conquista das massas consumidoras e democráticas; quando ela se move e se motiva embalada pela espuma dos dias, com causas vácuas de que os nossos vindouros troçarão impiedosamente. Julgo que é exigível às lideranças partidárias, jornalistas e comentadores profissionais um esforço suplementar para a produção de um discurso mais elaborado e perene. Para tanto basta não levantar demasiado os pés da realidade e das prioridades que ela reclama, tendo em conta o bem comum. Que um jornal ou noticiário de hoje não nos pareça daqui a 30 anos um anacrónico guião de um filme pimba.

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