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Ai mata, mata!

por João Távora, em 23.06.16

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Ontem pelo minuto 80 do Hungria vs Portugal ainda fiz sinal do meu sofá para a equipa médica a pedir assistência e substituição. Por isso não sei se estou em condições no próximo sábado para assistir àquilo que se prenuncia um desastre. 

Aquela defesa e meio campo tremem como varas verdes, não há coração. Acontece que na hora certa faltou coragem a Fernando Santos para por a rodar um meio campo entrosado e rotinado a jogar para a frente, como pede o nosso sistema de jogo e os grandes artistas que fazem a diferença no ataque. A insistência em João Moutinho em baixo de forma desautorizou qualquer outra solução perante a restante equipa e ontem na segunda parte notou-se que faltou àquele sector um patrão. Essa autoridade não se confere de um dia para o outro e o que ontem vimos foi um meio campo transformado numa geringonça periclitante, que é o que está a dar. Foi o que aconteceu quando o treinador em desespero colocou um miúdo de dezoito anos a liderar aquele sector nevrálgico. Fernando Santos improvisou mais uma vez e a desconfiança entranhou-se entre os jogadores do meio-campo que parecem estar jogar sobre brasas. Este estado de coisas conjugadas numa eliminatória com a Croácia, uma equipa coesa e determinada, não augura na da de bom. Oxalá eu me engane.  

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Bye Bye Boris

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.16

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O meu único receio é que o mais interessante personagem da vida política inglesa tenha enterrado no Brexit a sua promissora carreira. Nas democracias é assim: aposta-se forte e limpamente, e as derrotas têm custos.

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A figura que o Estado faz

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.16

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O governo socialista quer retirar aos contribuintes 5 mil milhões de euros para remendar o buraco que anos de negociatas e má gestão socialista cavaram na Caixa Geral de Depósitos (o tal banco estratégico e bom). Quer fazê-lo pela calada e sem escrutínio, e, no seu modo alvar e sempre tão inesperadamente revelador, João Galamba já explicou por quê: os partidos podiam ficar sujos. Perceberam bem: não se deve escrutinar porque podia descobrir-se muito de condenável.

Ferro Rodrigues, secundaríssima figura de Estado, prestou-se, portanto, a ajudar. E pediu à Procuradoria Geral da República que se pronunciasse com «a máxima urgência» sobre a admissibilidade da Comissão de Inquérito que o PSD exigiu. Fê-lo porque, diz ele, tem dúvidas jurídicas. E explicou que essas dúvidas vinham do facto de o Inquérito, tendo como um dos seus fins clarificar os motivos da recapitalização da Caixa, poder prejudicar... a recapitalização da Caixa.

Perceberam bem: segundo Ferro não se deve analisar uma situação suspeita, obscura e gravosa porque a análise pode prejudicar a situação gravosa, obscura e suspeita. É como se a Polícia dissesse que não deve investigar um ladrão visto ele estar agora mesmo a preparar-se para roubar.

Neste peculiar «tempo novo», é o Estado a que chegámos que vomita sobre os contribuintes aquilo mesmo que os contribuintes mais passivos não se cansam de dizer: «São precisos mais apoios». 

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Remain

por João Távora, em 23.06.16

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Hoje em Inglaterra, a mais antiga democracia parlamentar de todas, vai a votos um referendo sobre a permanência ou não do país na União Europeia. É curioso que sejam os mesmos que nos últimos anos vêm vilipendiando a tirania de Bruxelas que nos impõe regras e condições, aqueles que mais se insurgem contra o atrevimento do governo inglês fazer depender do veredicto popular a decisão sobre um assunto que classificam como demasiado melindroso e intrincado, o abrir de uma caixa de pandora que pode conduzir à debacle da periclitante geringonça que sempre foi a Europa. A democracia tem afinal um preço que as domésticas elites nem sempre se dispõe a pagar.

Estou convicto que a sabedoria dos britânicos resultará numa vitória clara da permanência, que passará a estar legitimada pelo voto e cujas condições os seus representantes saberão, comos sempre souberam, negociar. Se o exacerbar dos nacionalismos é um inegável potenciador de conflitos e de bloqueio económico num mundo em imparável processo de globalização, subestimar as particularidades e o caracter de cada nação europeia em troca de uma federação artificial e antidemocrática é um atalho para a queda no abismo do visionário projecto de Jean Monet.
É nesse sentido que estou convencido que devemos confiar no bom senso reformista e conservador dos britânicos, que em muitos aspectos deveríamos ter como exemplo.

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Almas de lacaio

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.16

Não sei porquê a decisão do governo de mandar a nova pide espiolhar as poupanças bancárias, e os pressurosos comentários sobre a bondade deste «combate à evasão fiscal» fizeram-me lembrar a peça deste cantor/diseur sobre povos que são como «mexilhões fechados na concha e tranquilos» e «ovelhas que correm para o matadouro, quase orgulhosas».

 

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Um verme, dois vermes...

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.16

Hoje na RTP, Perez Metelo* expendeu a teoria de que o buraco da Caixa Geral de Depósitos resultou de uma conspiração para a debilitar a fim de a privatizar.

Não há abjecção, vilania ou estupidez a que esta gente não desça para defender os desastres do socialismo e qualquer um que ameace desmascará-los.

 

* o mesmo que em 2010 defendia na TVi que os fundamentals da economia estavam todos bem.

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Viva Cristiano e o mérito, abaixo o circo e as ilusões

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.16

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Uma das facetas mais confrangedoras deste campeonato europeu está na constatação de como o futebol serve ao manobrista que temos por primeiro-ministro como circo -- a geringonça diria, no  seu arcaico papaguear, «ópio do povo» --, e como essa distracção serve bem melhor este «tempo novo» do que serviu o Estado Novo.

A segunda faceta mais confrangedora deste campeonato europeu está na constatação de como o povo se ilude com o circo, crendo que também aí (tal como, julga ele, acontece na vida) a sorte, o deixa andar, o bacalhau basta e a mediocridade magicamente conquistarão bem-estar,  felicidade e taças.

A terceira faceta mais confrangedora deste campeonato europeu está na constatação do ressentimento vil que move comentadores de televisão e de bancada contra um dos dois melhores jogadores do Mundo, Cristiano Ronaldo, tão diferente de Messi, tão melhor em tantas coisas, e naturalmente pior em algumas. As palavras desses comentadores ressumam uma inveja pegajosa e malevolente, que lhes vem de CR trabalhar e se esforçar como eles nunca se esforçaram, nem trabalharam, nem se esforçarão, nem trabalharão; fruto de CR ter uma qualidade e um crédito mundial que eles nunca tiveram nem terão; de CR ganhar por mês o que eles nunca ganharam nem ganharão numa vida; de CR ser desejado pelas maiores empresas mundiais do ramo como eles nunca foram nem serão; de CR ter exibições e estatísticas que desmentem as críticas ressabiadas, como eles nunca tiveram nem terão; de CR ter sucessos pessoais e profissionais como eles nunca viveram nem viverão.

Em aspectos bem relevantes, CR devia ser olhado como modelo, que é como o olham em todo o Mundo milhões de pessoas. Aqui, no pequeno mundo das geringonças e do malabarismo, impera a mesquinhez.  

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Saber unir

por Vasco M. Rosa, em 21.06.16

Os ataques contra a Igreja Católica nunca irão acabar, e Francisco sabe-o bem, mas com a sua qualidade humana consegue por gestos desconcertantes unir católicos e mostrar que mudanças podem ser feitas sem absoluta reversão. Sectores tradicionalistas podem afligir-se, mas não há dúvida que os radicais de esquerda terão de resfrear os seus ímpetos fraticidas, impotentes para contestar a gentileza humana deste Papa lúcido e afectuoso. Preferiam ter pela frente um adversário fixo e retrógrado, agora vão precisar de mudar de língua, se é que lhes vá servir de alguma coisa...

 

Francisco e o massacre de Orlando. 

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Porquê alinhar com o BE?

por Vasco Mina, em 21.06.16

Comissão de inquérito à Caixa: Bloco não alinha com PSD

 

Acompanho a posição de Passos Coelho e do PSD em avançar com uma comissão de inquérito à CGD. Depois das comissões de inquérito ao BPN e ao BES era o que faltava não sermos (nós os que pagamos impostos e que, por junto, suportamos os desmandos do setor financeiro) devidamente esclarecidos sobre a situação do Banco do Estado. O que eu não entendo é a opção (ainda que tática) do PSD em alinhar com o BE. É que não é possível estar, em simultâneo, nos dois lados. Aconteceu com as barrigas de aluguer e volta a verificar-se agora. Será que a Direção do PSD ainda não percebeu que o BE nunca foi, não é e não deveria ser nunca parceiro político?

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A escola Sócrates no seu esplendor…

por Vasco Mina, em 20.06.16

“A proposta de comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos tem como objetivo principal lançar mais outro ataque de caráter sobre mim e sobre o Governo que liderei”

 

“Esta jornalista ainda não foi despedida por escrever factos falsos?”

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Canavilhas

por João Távora, em 20.06.16

centenario.jpgNão se entende o espanto que por aí anda com o juízo de Gabriela Canavilhas partilhado ontem sobre a jornalista do Público que descreveu algo que ela não concorda. Não deveria ser preciso recuar à sangrenta Revolução Francesa, à tirania da Primeira República ou ao PREC de má memória para sabermos que as esquerdas não têm qualquer predisposição ou simpatia particular no que respeita à liberdade de expressão… dos outros. Por isso é que me parece que a antiga ministra socialista não caiu numa ratoeira, a Direcção Editorial do Público é que tarda a libertar-se dela. 

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Lisboa lisboeta (6)

por João Távora, em 20.06.16

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 Xabregas. Lisboa tem muito estilo. 

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A prova dos nove

por João-Afonso Machado, em 19.06.16

Fonte da maior confiança garantiu-me; a descer a Avenida da Liberdade ontem, pela «escola pública», não mais do que 5.000 pessoas. As mesmas 80.000 das mentiras de Mário Nogueira. E entre elas Arménio Carlos e a fina flor dos sindicalistas, algumas excursões e comboios fretados oriundas de todo o país, e a incontornável Catarina Martins (mesmo sendo impossivel alguma vez estarmos de acordo, quão preferivel é a rusticidade amestrada de Jerónimo!) explicando ao mundo como é que o mundo, obedecendo aos seus desejos, doravante se há de comportar.

No Porto a manifestação pró ensino livre pareceu mais genuína, menos politizada. Não sei quantificar os pais, professores e alunos participantes e tendo a desculpar a audácia destes últimos, trocando as usuais beijocas aplicadas aos dirigentes das massas nas arruadas da Esquerda pela defesa das suas escolas. Não creio grave esta «manipulação pelos interesses capitalistas» de que terão sido alvo. Consta - não estive lá -  compareceram somente nortenhos,e não se viram Ferraris.

No mais, a conclusão é a mesma de sempre - nenhuma. A Esquerda é dona desta razão toda e pronto. Mas aguardemos o inicio do ano lectivo e as peripécias que se adivinham. Talvez o adolescente ministro vá recambiado para casa, sem experimentar outros exames, e talvez cá na terra caiam mais alguns muros de berlim...

 

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Saltos

por Vasco M. Rosa, em 19.06.16

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Diz o Expresso, e eu acredito, que na visita à exposição de Amadeo de Souza-Cardoso no Grand Palais de Paris, AC saiu de cena e voltou com um pequeno envelope para oferecê-lo a MRS, pedindo-lhe que o abrisse ali, diante de todos, jornalistas incluídos.

O envelope continha um postal com um quadro de ASC, O Salto do Coelho, para mais um fait-divers mediático a juntar à vaca voadora e a outras maravilhas nativas. «Uns [Coelhos] saltam, outros não...»

A cultura é só para isso: coisa instrumental para golpes baixos e imbecis, além de clientelas instaladas e servis, caladíssimas quando a sensatez pedia intervenção (no que toca a câmara de Lisboa e o património e urbanismo da cidade, por exemplo). 

Não se vai a bom sítio com isso...

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O meu amigo José Maria André escreve hoje, no Correio dos Açores, um texto em que nos dá a conhecer quer o Movimento “Scholas Occurrentes” quer uma carta recente do Papa Francisco sobre o fenómeno da corrupção. Nesta missiva, o Papa considera que caminho da corrupção “é um escorregar suave, quase sem a pessoa se dar conta, e que depois continua como todas as tentações: cresce, contagia e justifica-se... e no final ficamos pior que no princípio». Mais contundente ainda: “é um caminho resvaladiço, suave e cómodo... e teremos mil razões para o justificar, mas é um caminho que mata”. Depois e a título de exemplo recorre ao futebol: “Prefiro um jogo de futebol improvisado pelos rapazes num pátio do bairro, com uma bola comum e com alegria limpa, a um grande campeonato num estádio famoso, encharcado de corrupção (lembrem-se da FIFA do ano passado)». Remata ainda: “para fugir do risco da corrupção é preciso austeridade, pobreza e trabalho nobre”. Porque hoje é Domingo, dia do Senhor para os Cristãos, com o futebol na ordem do dia, é por isso mesmo o momento certo para refletirmos sobre o que o Papa nos diz sobre a corrupção. Quem tenha olhos para ler, que leia!

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Domingo

por João Távora, em 19.06.16

Actos dos Apóstolos 3, 1-11

 

Pedro e João subiam ao templo, para a oração das três horas da tarde. Era para ali levado um homem, coxo desde o ventre materno, que todos os dias colocavam à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmola àqueles que entravam.

Ao ver Pedro e João entrarem no templo, pediu-lhes esmola. Pedro, juntamente com João, olhando-o fixamente, disse-lhe: «Olha para nós.» O coxo tinha os olhos nos dois, esperando receber alguma coisa deles. Mas Pedro disse-lhe: «Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!» E, segurando-o pela mão direita, ergueu-o.

No mesmo instante, os pés e os artelhos se lhe tornaram firmes. De um salto, pôs-se de pé, começou a andar e entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu caminhar e louvar a Deus. Bem o conheciam, como sendo aquele que costumava sentar-se à Porta Formosa do templo a mendigar; ficaram cheios de assombro e estupefactos com o que lhe acabava de suceder. E, como ele não deixasse Pedro e João, todo o povo, cheio de assombro, se juntou a eles sob o chamado pórtico de Salomão.

 

Da Bíblia Sagrada

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Gato escondido com a caixa de fora

por João Távora, em 17.06.16

(...) subitamente, só porque mudou o governo, tudo o que era mau tornou-se bom, e vice-versa. Ainda se lembram de quando mandar os professores emigrar era crime? Ainda se lembram de quando discutir a situação da banca era uma urgência nacional, e fazer inquéritos a bancos era o desporto mais popular a seguir ao futebol? Agora, discutir é “destabilizar”, inquirir é “perseguir”, e mandar emigrar professores já não é mandar emigrar professores.

E que aconteceu às velhas soluções infalíveis? Desde a crise financeira de 2008, que nos explicam que o problema é a banca, e que o problema da banca é não ser do Estado. Se a banca estivesse na mão prudente dos ministros em vez de na garra ávida dos banqueiros, não haveria remunerações escandalosas, créditos mal parados, despedimentos, nem, acima de tudo, injecções de capital à custa do contribuinte. Ouvimos isto a propósito do BPN, do BES, e do BANIF. Então, porque é que o banco do Estado nos vai custar mais dinheiro do que todos os bancos privados juntos?

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Desta vez discordo de António Lobo Xavier quando diz que devia haver uma auditoria forense à CGD em vez, ou antes de, uma Comissão Parlametar de Inquérito. Registo também que o próprio diz que hesitou nesta posição.

O argumento de que é preciso apurar responsabilidades de gestão, ou mesmo judiciais é tão válido para a CGD, como para o Banif, para o BES, ou para o BPN. E em todos houve comissões parlamentares.

No limite todos esses casos são fruto de responsabilidades de gestão. Todos tinham gestores e são os gestores os primeiros responsáveis, os gestores que provocam o dano, mais até do que os gestores que o tentam reparar sem sucesso. Isto é de La Palice. E estamos a falar de bancos privados.

Ora sendo a CGD um banco público, e portanto os gestores sendo escolhidos pelo Estado, a gestão deixa de estar só na esfera das responsabilidades de gestão, e nas responsabilidades legais, ou mesmo criminais (eventualmente), para passar a estar na esfera política é a Caixa Geral de Depósitos. É o único banco que não pode passar sem uma comissão parlamentar.

Eu diria mais, espanta-me que até agora não tenha havido nenhuma. Nunca houve deputados a chamar a inquérito os protagonistas das compras de acções em empresas privadas para influenciar os seus destinos. Nunca ninguém chamou à razão o papel que a CGD teve como fundo soberano do Estado português.

 

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Não se perca muito tempo a tentar descobrir quem foram os "malandros" que geriram a CGD até este nível de prejuízos, de imparidades e de necessidades de capital. Ao contrário do que diz a senhora do Bloco de Esquerda o que levou a CGD até aqui é precisamente o ser um banco do Estado (e não a lógica privada na gestão da Caixa). O ser um banco público deu à Caixa uma missão muito concreta: dar o crédito à economia que os privados (na sua lógica de dar prioridade retorno ao accionista e como tal  apostar na rentabilidade) não puderam dar. 

Foi escrita uma Carta de Missão em 2013, que dizia que Caixa Geral de Depósitos era uma instituição imprescindível nesta nova fase do processo de ajustamento português. "A Caixa Geral de Depósitos pode – e deve – aspirar à posição de banco líder na concessão de crédito às pequenas e médias empresas (especialmente exportadoras); no fomento da atividade produtiva, em particular de bens e serviços transacionáveis; no apoio à internacionalização das empresas portuguesas". Quando os bancos privados estavam a retrair o crédito, a CGD estava a dá-lo porque tem uma missão. Era o banco de fomento do sistema. O resultado é este. 

Fala tudo muito do que não percebe. 

Em 2011, antes da intervenção da troika, Fernando Faria de Oliveira, então presidente da CGD, dizia isto: “Nos últimos três anos, a Caixa cumpriu cabalmente com as missões que lhe estão incumbidas, que são o financiamento da economia e estabilidade dos sistema financeiro”. Na conferência de apresentação de resultados de 2010 o banco, o responsável sublinhou que, nos últimos três anos, o crédito cresceu 20,9% e que “os resultados antes de impostos de 2010 são um terço dos de 2007".

Quando ninguém emprestava às empresas (2011, 2012, 2013), durante a crise financeira e depois durante a crise de dívida soberana, a CGD, por instruções do seu accionista, e por ser um banco público emprestava às empresas, e emprestava às PME e isso tinha um custo, na conta de resultados e no capital. A CGD concedia crédito às empresas com spreads mais baixos do que os bancos privados, mas financiava-se ao mesmo preço e isso degradou a margem financeira. Porque o fez? Porque ao ser um banco público era essa a sua missão.

Ora os bancos privados não seguem essa cartilha. O aumento do crédito é um objectivo dos bancos. Mas essa concessão de crédito não pode deixar de seguir critérios de avaliação do risco correctos e prudentes, sob pena de enfraquecerem os bancos, e os spreads reflectem o risco de crédito, não reflectem missões de apoio à economia.

A CGD por ser pública foi uma espécie de BCE da economia portuguesa antes do Plano Draghi vir ajudar à liquidez do sistema (quantitative easing começou no inicio de 2015).

Nunca se esqueçam disso. A Caixa está como está porque tem incumbências de banco público que custam caro.

P.S. Para além da actividade core a CGD serviu também durante anos como fundo soberano do Estado para a compra de participações em empresas estratégicas (whatever that means). Foi a golden share, e a blindagem de votos na gestão privada de empresas como por exemplo a PT. 

Durante anos a CGD era o banco que entrava no capital de uma empresa que o Estado queria condicionar os destinos. Isso é também uma vicissitude de ser um banco público e não o contrário.

Sei que hoje toda a gente tende a defender a CGD como banco do Estado, porque acredita que será a única maneira de ter um banco de grande dimensão no espaço europeu que convida às fusões e ao desaparecimento de bancos mais pequenos às escala europeia e menos rentáveis. Esse designio de que falou Nuno Amado, de haver um banco português de referência. Mas, será que ser do Estado garante esse estatuto à CGD? Não depende também ela das directizes de Bruxelas e Frankfurt?

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Nunca vi

por Vasco M. Rosa, em 15.06.16

Maracuja M.jpg

Temos a banana da Madeira, o ananás dos Açores, extraordinária doçaria regional, como o massapão algarvio, a sericaia elvense, a trouxa de ovos aveirense e o bolo de mel madeirense (para não falar de outros), todos produtos de grande qualidade que podiam ser grandes sucessos empresariais, mas depois não temos a devida capacidade comercial de os expor a cada esquina, valorizando-os.

Hoje vem num papel do dia anunciado um refrigerante que eu nunca vi nem nunca ouvi falar, e todavia existe, e parece — pelo design da garrafinha — coisa bem feita e cuidada. 

O conservadorismo também é isso: valorizar o que é bom e nosso, e protegê-lo.

Um pequeno esforço, portugueses!...

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Corta-fitas

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