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A guerra fria entre Portugal e Angola

por Maria Teixeira Alves, em 18.04.16

Há muito que se sente, mas ninguém se atreve a assumir.

É tão grande a vontade da elite Angolana conquistar a Europa, como parece ser a vontade da Europa de afastar Angola do poder económico europeu.

Isabel dos Santos é a guerreira de Angola. Não aceita de ânimo leve que não reconheçam Angola como equiparada à Europa em supervisão e legislação. 

Mas a Europa é muito forte unida e nessa medida é imbatível.

O que se passa no BPI é só a expressão dessa guerra fria. 

Contemos a história recente: Angola tinha imposto uma regra lá que obrigou o BFA, tradicionalmente 100% do BPI, a entregar uma parte a sócios angolanos. Surge Isabel dos Santos com a Unitel para ficar com 49,9% do BFA.

Uma coisa leva à outra e a Santoro entra como sócia do BPI em Lisboa.

Isabel dos Santos começou por entrar "a bem" no BPI quando, com a crise financeira pós-Lehman Brother, o brasileiro Itaú quis saltar fora e a empresária angolana fica com 18,58%. 

Isabel dos Santos que já dominava outras empresas portuguesas (NOS, por exemplo) entrava com chave de ouro na Europa.

Mas em Angola a parceria de Isabel dos Santos com a Sonae é rompida,  e em vez do lançamento dos hipermercados Continente em Angola, é lançada uma marca sua de hipermercados. Começa aí a mancha no seu estado de graça em Portugal.

A quebra brutal do preço do petróleo numa economia excessivamente dependente dele, deita Angola  a uma crise económica como há muito não se via. 

No inicio do mês de Dezembro de 2014, no rescaldo do caso GES em Portugal, a supervisão única europeia, exercida pelo Banco Central Europeu exclui Angola da lista de territórios com uma regulamentação e supervisão financeiras equivalentes às dos países da União Europeia. Até aí, os investimentos dos bancos nacionais em Angola tinham um risco igual aos da Alemanha, depois disso o risco passou a ponderar a 100% no rácio de capital dos bancos. A exposição dos bancos a Angola é medida tanto pelas participações accionistas em bancos como pela carteira de dívida soberana angolana que o banco detém. Este foi um duro golpe para a actividade do BPI pois tem por imposição do BCE de reduzir a sua exposição aos grandes riscos de Angola, e uma facada para o orgulho magoado angolano.   Esta decisão da Europa foi conhecida quatro meses depois de a exposição a Angola ter sido uma das razões para o Banco Espírito Santo ter sido alvo de uma medida de resolução por parte do Banco de Portugal.

Talvez seja apenas coincidência temporal com o caso BESA, onde sob a liderança do banqueiro da família Madaleno, o banco vê-se a braços com o desaparecimento de dinheiro.

Ontem, depois do turbilhão no BPI, eis que o Expresso anuncia que a Procuradoria Geral da República de Angola reabriu a investigação aos acontecimentos que levaram à queda do Banco Espírito Santo de Angola (BESA). As autoridade judiciais querem saber o que levou à criação de um buraco de quatro mil milhões de dólares na instituição e estão a pedir novas informações, estando a ser “ajudadas” por autoridades judiciais portuguesas.

Desde que Bruxelas excluiu Angola do estatuto que dava aos seus bancos o mesmo risco que a qualquer país europeu, que Isabel dos Santos tem sido especialmente dura e intransigente em tudo o que seja Europa, com quem tem uma relação de amor/ódio.

Quando o CaixaBank lançou a primeira OPA sobre o BPI, na tentativa de  recapitalizar o BPI para ir ao Novo Banco, Isabel dos Santos revelou-se: Opôs-se com todas as forças. Primeiro porque a OPA era barata demais, dizia (eu sempre achei que era um falso argumento) e queria antes uma fusão com o BCP em que sem gastar dinheiro ficava a dominar o BCP+BPI através da troca de acções e com a aliança à Sonangol. Essa operação servia-lhe pois retiraria o BPI da esfera CaixaBank e ainda se livraria de um incómodo presidente chamado Fernando Ulrich. O peso subtil de Ulrich é uma coisa com que Isabel dos Santos não contava. As elites portuguesas ainda têm força, mesmo que às vezes essa força não se veja ou seja propositadamente ignorada. Há uma subtil luta de classes que subsiste no nosso país e resiste ao tempo e a que Angola é particularmente sensível, até porque é um modelo que foi sempre reproduzido em Angola. Portugal por onde passa deixa a sua marca, para o bem ou para o mal.

Isabel dos Santos chumba a desblindagem de votos, a OPA do CaixaBank cai e o Novo Banco escapa às mãos do BPI. Mas o problema dos grandes riscos continua lá. 

Num ano não houve progressos negociais. Pelo contrário a tensão entre ambos aumentou. Mas o BCE não dorme e começa a perceber o entrave que pode ser para a gestão de um banco um investidor como Isabel dos Santos. Há que admitir que o BCE está subtilmente a tentar criar bancos grandes europeus e a restringir ao máximo o peso de accionistas de países que não consideram com risco semelhante ao Europeu. Angola não vai ter a vida facilitada no sector bancário europeu. o BCP poderá ser o próximo alvo de atenção do BCE, pois que lá tem um accionista relevante, a Sonangal. Mais um aumento de capital e a Sonangol fica à beira de diluir a sua posição. O dinheiro deixou de abundar em Angola.

O BPI apresenta mais tarde um spin-off dos activos angolanos em que o BFA sai debaixo do BPI (onde este tem 50,1%) e passa para a posse directa dos seus accionistas. Não mudava nada e ajudava ao BPI a cumprir os grandes riscos. Mas Isabel dos Santos volta a arranjar uma alternativa que sabe ser impossível de aceitar e com esse pretexto chumba o spin-off. Parece estar a tourear o BCE como castigo por ter votado os bancos angolanos à categoria de alto risco.

O prazo dado para o BCE para o BPI aproxima-se do fim e as negociações a sério começam, com advogados e um embaixador político do Governo. A primeira tentativa de chegar a acordo falha. Mas ainda há tempo. Tenta-se novo acordo. Paralelamente o Governo, o BCE e a CMVM preparam um plano B. Já todos perceberam que o mood de Isabel dos Santos é instável e que pode mudar de ideias em cima do acontecimento. O plano B é alterar a lei de modo a que as blindagens de votos deixem de ter eficácia, e a blindagem de votos cair na pendência de uma Oferta. Se tudo correr para o torto, acciona-se o plano B e em 24 horas é lançada uma OPA.

No último dia do prazo do BCE, o CaixaBank e a Santoro chegam a acordo. Mas não anunciam qual é. Parece este segredo indicar um mau prenuncio. Faltam autorizações dos reguladores. 

Entretanto Isabel dos Santos ainda tem o BIC Portugal, um banco pequeno, dominado pelo seu amigo Fernando Teles. O mandato da administração de Mira Amaral chega ao fim numa altura crítica das relações com Angola. Os órgãos sociais são aprovados em AG, mas nunca mais são aprovados pelo Banco de Portugal. Estranho.

A uma semana de serem anunciados os detalhes do acordo, zás, Isabel dos Santos altera as condições do acordo. Fica tudo parvo. No fundo já toda a gente temia que isso acontecesse sem o admitir. Ficámos a saber que a meio da semana Isabel dos Santos foi chamada ao Banco de Portugal para lhe dizer que não iria ser dada idoneidade nem a Jaime Pereira, nem a Fernando Teles. Isabel dos Santos faz depender o acordo com o BPI da aprovação dos seus homens de confiança no BIC Portugal. Mas o Banco de Portugal não é em Luanda. O Banco de Portugal de Carlos Costa não cede (nem a Ricardo Salgado cedeu e era bem mais difícil). O capricho cumpriu-se então. Isabel dos Santos desfaz o acordo, mais uma vez com uma exigência que leva ao rompimento do acordo

Isabel dos Santos queria era estar na banca em Portugal, ao ponto de querer cotar o BFA em Lisboa. 

O resultado deste braço de ferro pode bem ser a nacionalização (lá arranjarão um pretexto mais profissional) do BFA. Mas perdido por 100, perdido por mil. No que não podes ser feliz não te demores ó BPI.

O Estado avança com a alternativa, com o plano B. Amanhã há a OPA do CaixaBank. Tudo a postos para o controlo do banco liderado por Fernando Ulrich.

Uma acção um voto e o CaixaBank passa a dominar o BPI. Pode ser que até o spin-off dos activos angolanos passe. Mas a guerra fria, que será perdida para Isabel dos Santos e para Angola, ainda vai continuar. Há um board para escolher no BIC, e os motivos da recusa da idoneidade aos dois gestores angolanos são uma procissão que ainda vai no adro.

Maravilhas do tempo novo

por João Távora, em 17.04.16

Ainda bem que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa se imiscuíram tão pedagogicamente e com tanto brilhantismo nas negociações entre o CaixaBank e a Santoro para uma solução no BPI. Uma verdadeira lição de "alta política" com resultados à vista.

Domingo

por João Távora, em 17.04.16

Leitura dos Actos dos Apóstolos


Naqueles dias, Paulo e Barnabé seguiram de Perga até Antioquia da Pisídia. A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. Terminada a reunião da sinagoga, muitos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, que nas suas conversas com eles os exortavam a perseverar na graça de Deus. No sábado seguinte, reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra do Senhor. Ao verem a multidão, os judeus encheram-se de inveja e responderam com blasfémias. Corajosamente, Paulo e Barnabé declararam: «Era a vós que devia ser anunciada primeiro a palavra de Deus. Uma vez, porém, que a rejeitais e não vos julgais dignos da vida eterna, voltamo-nos para os gentios, pois assim nos mandou o Senhor: ‘Fiz de ti a luz das nações, para levares a salvação até aos confins da terra’». Ao ouvirem estas palavras, os gentios encheram-se de alegria e glorificavam a palavra do Senhor. Todos os que estavam destinados à vida eterna abraçaram a fé e a palavra do Senhor divulgava-se por toda a região. Mas os judeus, instigando algumas senhoras piedosas mais distintas e os homens principais da cidade, desencadearam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território. Estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, seguiram para Icónio. Entretanto, os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.


Palavra do Senhor.

Sabia que o Cartão de Cidadão é sexista?

por Vasco Mina, em 15.04.16

Se não sabia, o BE explica! De acordo com uma iniciativa legislativa apresentada esta semana, o Cartão de Cidadão "não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa". Mais, "entende que não existe qualquer razão que legitime o uso de linguagem sexista num documento de identificação obrigatório para todos os cidadãos e cidadãs nacionais". Não há pachorra para esta gente! Como bem escreve a Helena Matos, gente "que nunca deixou de fazer palhaçadas mas transformou as palhaçadas numa táctica".

Um raio de sol pela manhã

por João Távora, em 15.04.16

Como acontece muitas vezes pela fresca, esta manhã, terminado o pequeno-almoço, o meu miúdo pequeno veio estender-se na minha cama para aproveitar os últimos minutos enquanto eu me arranjava. Então, atirei efusivo (a ver se ele não adormecia) - Bom dia miúdo! como te está a correr o dia?
- A esta hora ainda não houve tempo de acontecer nada, como um terremoto ou assim - respondeu-me.
Surpreendido com a imaginação, não me deixei ficar e atirei:
- Oh também não é preciso acontecer uma catástrofe, não era bem mais divertido se uns extraterrestres parassem aqui à frente da janela numa grande nave espacial para nos raptarem?”.
Depois de pensar um instante, respondeu-me com o ar desconfiado:
- Ó Pai, mas hoje não é dia de escola?!

Só por escrito e sempre sigilosamente!

por João-Afonso Machado, em 15.04.16

Está agora a situação finalmente clarificada de modo a que falemos do interessante, deixando de parte a pessoa do Ilustre Colega Dr. Lacerda Machado. Não ficaria bem comentar a actividade profissional de outro advogado, a quem só se deve desejar o mais profícuo labor esmifrando, quanto possa, o Estado-pirata. Os demais colegas fariam o mesmo, tinham essa obrigação moral e patriota.

A questão põe-se do outro lado - do lado da pirataria que rouba aos contribuintes para pagar serviços invisiveis contabilizados, ao que consta, em dezenas e dezenas de milhares de euros; e depois pretende manter as aparências através de um contrato sovina passado a escrito e blindado por um dever de sigilo profissional mais longo que a Legislatura.

E, sem empalidecer nem corar, Costa, o Capitão Gancho desta história, ainda vem dar conta dessa cláusula de silêncio como se de garantia de idoneidade e seriedade se tratasse. Nada disso! O Dr. Lacerda Machado, graças à mesma, nem à mesa do café, entre os amigos mais chegados, poderá narrar as peripécias a que assistiu (ou não - tinha enviado um mail...) lá para as bandas do Governo socialista!

(Enquanto a Esquerda "íntegra" se cala e vai consentindo...).

Há 40 anos era preciso coragem

por João Távora, em 15.04.16

"O povo está acima, e sempre, da Constituição."
A coragem de um voto, e uma declaração que se mantém actual:

 

(...) O nosso voto é um voto de liberdade. Porque não quereríamos ver o Estado necessariamente hipotecado à criação maximalista de relações de produção socialista; à apropriação dogmática pela colectividade de meios de produção, dos solos e recursos naturais; à concepção antidemocrática de exercício do poder democrático apenas pelas classes trabalhadoras; ao convite contraditório em democracia, de vinculação das Forças Armadas e Governo a um projecto político restrito; a um ensino particular reduzido às precárias características de suplectividade do ensino público; à impossibilidade de se legislar sobre o âmbito de um justamente inalienável direito à greve; à absurda mitificação do plano como instrumento privilegiado de progresso económico; à aparente recusa de promover o acesso dos trabalhadores à propriedade; às graves limitações acerca do direito de propriedade de pequenos e médios agricultores; à definição limitativa e não criadora do sector privado da economia a um papel remanescente e suberante no quadro geral da actividade económica, à não aceitação positiva da família como fundamento natural da sociedade: às restrições, inexplicáveis e desconfiadas, à legítima autonomia político-administrativa dos Açores e da Madeira no quadro da unidade nacional; e, enfim, ao não reconhecimento, na força histórica do seu puro significado, da ideia de Estado de Direito no articulado constitucional.

Mas se não quereríamos ver o Estado necessariamente amarrado a todos estes liames que consubstanciam, afinal, a visão específica do projecto socialista tradicional, menos nos encoraja a amarração que se pretendeu fazer do próprio povo ao texto constitucional.

O povo está acima, e sempre, da Constituição. Não é a Constituição que está acima do povo.

Por isso, também, o nosso voto não poderia ser favorável ao conjunto do texto constitucional, mesmo que, como acontece, tenhamos aprovado, com verdadeira fé democrática, com autêntico empenhamento em favor da democracia política, social e económica, numerosos artigos do texto constitucional.

De forma solene e inequívoca queremos, todavia, afirmar, sem ambiguidades e com toda a força moral e política, que respeitaremos sempre a Constituição da República Portuguesa.
Queremos afirmar que, apesar das nossas discordâncias políticas, seremos perfeitamente capazes de exercer o Governo com esta Constituição, se a tal formos chamados pelo voto popular. (...)"

 

Faço minhas as indignações de António Lobo Xavier

por Maria Teixeira Alves, em 15.04.16

Partilho completamente das indignações de António Lobo Xavier proferidas na Quadratura do Círculo:

"Diogo Lacerda Machado, o grande amigo do primeiro ministro que é mandado a negociações. Não é possível numa democracia ter representantes de um primeiro-ministro que não estejam integrados nalgum modo no aparelho do Estado. É possivel ter advogados. Agora representantes mandatários, através de um mandato não escrito e não formalizado, que vivem de um poder de facto, que vivem de uma influência de facto que é expressamente invocada como tendo por base uma grande amizade, é uma coisa que não se pode passar numa democracia. Só não falo mais alto é porque há aqui uma certa ingenuidade. A explicação de que era melhor como estava porque era mais barato para o Estado, é confrangedora. 

Reparem que Pedro Passos Coelho teve um consultor para as privatizações, que foi António Borges. Mas esse nunca ninguém se lembrou de dizer que foi escolhido com base na amizade e confiança, e nunca ninguém se lembrou de o mandatar sem contrato, e mesmo assim, o uso desses instrumentos pelo Governo que depois saem fora de qualquer controle, são inaceitáveis".

Eu acrescentaria que Diogo Lacerda Machado deve ser o único homem na história que assina contrato quando os trabalhos já acabaram. Agora que a TAP já é 50% do Estado, que os Lesados do BES já assinaram memorandos de entendimento com reguladores, e que a Isabel dos Santos chegou a acordo com o CaixaBank no BPI, é que lhe assinam um contrato? Agora o que vai o senhor fazer? Ir à procura de negócios privados para dar uso ao contrato? Vai disputar terreno na venda do Novo Banco com Sérgio Monteiro?

Esta então é de gritos:

Diz António Lobo Xavier: "O presidente do sindicato dos impostos, pressionado pelos jornalistas para explicar porque que é que tinham sido apanhados uma série de funcionários do fisco em corrupção e fraudes, disse: 'Bom, é preciso ver, a austeridade imposta pelo anterior governo depois tem estas consequências' [adorei o tom]. E ninguém se indigna".

Concordo, claro! Faço minha a indignação do António Lobo Xavier. E eu sou jornalista.

Idas e vindas para coisa nenhuma

por Vasco M. Rosa, em 14.04.16

Reboleira.jpg

Na capa do inefável Público de hoje, uma fotografia elucidativa que não foi comentada pelo jornal.

(Não surpreende: ainda há dias puseram dum político hoje grisalho uma fotografia antiga. E o dito político aparece num programa sem moderação e já foi deputado...)

Sim, basta olhar um bocadinho para ver que o sr PM foi indelicado, pois tendo à sua direita uma senhora da CMA e um senhor da CML (o qual, pela expressão, desconhece transportes públicos embora se proponha tutelá-los) que tentavam passar numa via fechada, AC avança afoitamente, com uma gravata vermelha a condizer com a ocasião e o lugar. Cuidados mediáticos de altíssima qualidade, que dão milhares a espertos, tradução simplória mas realista de experts!

Então não há aí quem faça notar-lhe que as senhoras passam primeiro, qualquer que seja o estatuto de quem cede o lugar? A mãe feminista não lhe puxa as orelhas? O comité feminino do PS não lhe pede delicadeza? As Marias Capazes não se enfurecem, ao menos por cinco minutos?

Reboleira não é Rebaldaria, ora essa... 

Se comprou bilhete não sei, mas um PM que em vez de enviar um ministro ou um secretário de estado inaugurar obra básica e quase insignificante (em termos nacionais), vai a todas para reivindicar trabalhos feitos por anteriores, em vez de estar no seu escritório a estudar, planear e debater o futuro (e quantas horas semanais ou mensais de trabalho efectivo se perderão nestas idas e vindas para coisa nenhuma?!), não merece créditos positivos. Anda a brincar aos países e depois alguém apresenta a conta aos vizinhos dele — que somos nós, desgraçadamente...

Mas como aqui há dias escreveu José Mendonça da Cruz a respeito de JS, é deixá-lo fazer assim, para se perceber melhor ao que veio. Uma viagem que se deseja a boa velocidade com ida mas sem volta.

Antes assim. 

O futuro já não é o que era

por José Mendonça da Cruz, em 14.04.16

Outros que começam a abrir os olhos, ao que parece, são os jornalistas da tendência socialista compassiva e católica.

Isto, no domínio dos assuntos financeiros e económicos. 

Entretanto, no domínio dos olhos fechados e do silêncio, prossegue a ocupação sectária do Estado: a geringonça nomeou uma socialista sem experiência financeira para o Banco de Portugal e despediu uma responsável do INA contratada através de concurso.

Crescimento e «crechimento»

por José Mendonça da Cruz, em 14.04.16

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Um dia normal no aeroporto de Ponta Delgada; um dia normal no aeroporto de Beja.

 

 ... entretanto, no mundo real, no mundo real português, no mundo real português da actualidade, decorre uma experiência comparativa entre economia livre e socialismo.

A amostra da economia livre está nos Açores, onde a liberalização do transporte aéreo (decidida pelo governo Passos Coelho e desde sempre combatida pelos socialistas) se traduz em aumentos de tráfego da ordem dos 30%, e aumentos de 20% na restauração, hotelaria, construção civil, aluguer de automóveis e comércio geral.

A amostra da economia socialista está em Beja, onde o governo socialista de Sócrates despejou centenas de milhões de euros de dinheiro dos contribuintes, que se traduzem em alguns voos semanais, sem indicação de números porque (em linguagem tipicamente socialista) não são «relevantes».

A comparação quase anedótica mas cruel (e o tipo de linguagem que acompanha uma e outra experiência) podem ser apreciadas neste artigo factual do Jornal de Negócios.

Irónico mesmo é a Maria Luís ter sido convidada a ser consultora da Arrow por 5000 euros e o Antonio Costa propor-se a pagar 2000€ bruto + IVA ao seu amigo Diogo Lacerda Machado para ser consultor de vários negócios dificílimos em Portugal. Que miséria de país! O Diogo Machado vai ter dez vezes mais trabalho a dar conselhos a negociações tipo TAP, Lesados do BES versus reguladores e BPI entre CaixaBank e Isabel dos Santos, do que o aconselhamento do mercado de dívida que a Maria Luís será chamada a dar à firma britânica. Em Portugal trabalha-se muito e ganha-se pouco!

A ASAE na feira socialista

por João-Afonso Machado, em 13.04.16

Terá passado razoavelmente despercebida a notícia do manifesto anti-austeridade assinado por António Costa na sua recente visita a Tsipras. Assim como as suas carícias aos refugiados mais criancinhas, a quem prometeu Portugal e o paraíso socialista, algo que - sejamos optimistas - a Imprensa identificou com os idos da II República e as incursões do Almirante Thomaz no Interior lusitano.

Tudo, talvez, por os portugueses já terem percebido o esquema do Governo: vocifera a uma voz contra o «neo-liberalismo» e, em tom mais baixo, esmola moratórias às economias mais fortes e à "Troika". Como Tsipras, trotando descontraidamente no seu terceiro resgate, aliás.

E isto para quê? Obviamente para sossegar os leninistas e trotskistas de cujos amens parlamentares a nédia figura de Costa se alimenta. A Esquerda já só é a contra-Direita. Nada mudou, quer dizer, tudo mudou para pior. Costa não faz - desfaz. Enquanto cresce o raio de alcance das gasolineiras espanholas.

Mantenha-se a capacidade de viver modestamente mas sem angústias. Isto é, a independência de cada um. Porque o circo que aí vem é de gargalhada, sobretudo o número da ASAE a entrar em força na feira do relógio socialista.

O que é demais é moléstia

por João Távora, em 12.04.16

O socialista Fernando Medina anda há duas semanas numa roda viva nas primeiras páginas dos jornais, rádios e televisões. O que é que este simpático tripeiro nos andará a vender?

Lisboetas e não

por João Távora, em 12.04.16

 

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Foi na tropa que entendi a importância da origem geográfica de cada um:

no quartel, todos os meus companheiros me perguntavam de onde eu provinha

e identificavam-se pela sua terra de nascimento,

cujo nome muitas vezes era adoptado como alcunha.

 

Não, a maioria dos habitantes de Lisboa não são lisboetas. Até podem gostar da cidade um bocadinho como sua, mas não são de cá: têm as raízes noutras paragens, sempre idílicas, que cultivam em visitas periódicas donde chegam como se viessem do paraíso. Na recente apresentação do seu livro Alentejo Prometido — uma pungente declaração de amor às suas origens —, Henrique Raposo lamentou o facto das suas filhas «se estarem a transformar em lisboetas». Foi essa ingratidão que inspirou esta crónica. De facto, como é sobejamente conhecido, a maioria da gente de Lisboa não é lisboeta. Em Lisboa, uma cidade de passagem e acolhimento, a maioria daqueles que nela actuam diariamente não nasceram aí, e boa parte deles recolhe ao fim do dia ou ao fim-de-semana aos seus lugares originários.

Um lisboeta não é, tão-pouco, aquela figura criada pelo imaginário tripeiro de Pinto da Costa ou Rui Moreira, que vive entrincheirado no Terreiro do Paço a conspirar contra a «província», de que se afasta como filho ingrato. O lisboeta que se preze enquanto tal, não tendo de ser necessariamente um «puro-sangue», como eu, terá no mínimo que ter nascido na cidade e já não possuir uma «terra» dos seus ascendentes onde ir baptizar os infantes num fim-de-semana prolongado, ou regressar periodicamente nas férias para reencontrar os seus familiares. Quando era pequeno assisti não poucas vezes a diálogos entre guarda-freios da Carris sobre idas à «terra» tratar das vinhas ou trazer sacas de batatas, mas para um lisboeta de gema, a nostalgia do regresso não o desloca ao Minho ou ao Alentejo, mas lança-o directamente para o vasto mundo imenso que da Torre de Belém se vislumbra oceano adentro. Enquanto isso não se realiza, vai a Sintra com a família visitar a tia velha, e de caminho traz umas queijadas.

Também importa delimitar geograficamente Lisboa até à circunvalação da cidade. Um lisboeta não é de Massamá, Odivelas ou do Estoril aprazível para onde vim morar, mas que sentirei sempre como um certo exílio, ainda que dourado, com a praia quase à porta.

Como é bom de ver, não sobra muita gente a quem chamar lisboeta. Mas esse reduzido número de pessoas tem um traço tão marcado quanto inédito: ama a sua cidade, o seu bairro e as suas ruas com a profundidade intensa dos fadistas e poetas – também eles, não obrigatoriamente lisboetas...

Foi na tropa que entendi a importância da origem geográfica de cada um: no quartel, todos os meus companheiros me perguntavam de onde eu provinha e identificavam-se pela sua terra de nascimento, cujo nome muitas vezes era adoptado como alcunha. Filho, neto e bisneto de lisboetas, também eu fui aí nascido e criado em Campo de Ourique, «a minha aldeia». O meu avô paterno, engenheiro civil, ajudou a construir a igreja de Santo Condestável. Tem um jardim com coreto, um mercado agora muito em voga (a que chamávamos praça), uma escola primária e outra do ciclo (que frequentei), e um odor inconfundível, que respiro com deleite, sempre que lá vou. Irónica, digamos assim, foi a «ascensão» da família do meu pai que me trouxe aquele planalto da cidade: do Palácio de Santos, hoje Embaixada da França (onde os meus bisavôs ainda moraram), à Calçada da Estrela, e depois à Travessa do Patrocínio, onde o meu avô, acabado de casar, se fixou depois de mais de duas décadas exilado pela república, até ao generoso 3.º andar em Campo de Ourique onde cresci, passaram menos de 100 anos – é o que se chama subir na vida!

Em Campo de Ourique, e seu redor, viviam muitos dos meus primos, tios e amigos da escola, e era daí que o autocarro n.º 9 saía para a Avenida da Liberdade, onde viviam os meus outros avós. Ainda conheci e ouvi histórias da minha bisavó Valentina que, na primeira década do século, precocemente viúva, foi ocupar o 1.º Esq.º do prédio 232, a um quarteirão da Rotunda. Da varanda, assistiu ela às escaramuças que nos impuseram a revolução republicana.
Lisboa corre-me nas veias, portanto.

Podemos distinguir um lisboeta na rua pelo seu olhar blasé de quem já viu o outro lado da Lua: normalmente veste com sobriedade, tanto mais que não vai em modas antes delas estarem já bem experimentadas e quase em declínio. No fundo, o lisboeta de Lisboa é filosoficamente um monárquico, descendente de fidalgos arruinados, republicanos desenganados ou anarquistas desiludidos, acalentando sempre orgulho na sua ascendência, seja de fadistas, professores primários, jornalistas ou de modestos lojistas. Desconfiado de grandes aparatos, e principalmente da alegria dos vizinhos que vão e vêm das festas «na terra», dos seus filhos com demasiados piercings e tatuagens e filhas de cabelo azul-eléctrico, têm nos seus genes a secreta certeza de que as revoluções, as suas ou as dos adversários, nunca serviram para nada; que a vida é o que é. Mas o bom lisboeta toma sempre partido e não recusa uma boa discussão de política no café do bairro, e se for necessário cita o seu antepassado de que mais se orgulha.

O lisboeta não esconde o ensejo de um emprego estável, na função pública de preferência, à moda das rendas novecentistas enviadas da província, que lhe permitiam pagar o alfaiate e umas compras num Chiado afrancesado. Gosta de jardins, cafés e esplanadas para ler jornais ou namorar, e conhece os vizinhos com equidistância; é católico, agnóstico ou ateu com a determinação de quem optou em pleno discernimento, que na capital as disputas existenciais têm séculos de discussão, nas cortes, no partido, no clube recreativo, no parlamento e na taberna.

Os lisboetas pronunciam um português mortiço e tendem a omitir as vogais abertas, talvez para poupar energia, talvez por timidez. Distinguem-se dos vizinhos por um entusiasmo reservado, pelo andar mais lento e por um sorriso triste de quem imaginou ter herdado fortunas indivisas dos tetravôs das índias. O lisboeta, para lá das «questões futebolísticas» (às quais já não dá grande valor), não entende o rancor nutrido pelas gentes do Porto, afinal uma cidade bonita e acolhedora — e onde nasceram tantos progenitores de futuros lisboetas.

Depois, há que reconhecer que um lisboeta não se distingue pela sua cor dos olhos ou da pele: há-os com as mais variadas origens e culturas. No entanto, reconheço que há uma ameaça na «consanguinidade» lisboeta. Para não perderem o brilho nos olhos, os alfacinhas deverão abrir-se ao casamento com forasteiros — foi o que fiz. Já os meus filhos cresceram em São João do Estoril e não entendem a mística da grande cidade, que sentem como hostil e suja, e desconfio que a acham tão velha e fora de moda como o Pai, que é um monárquico militante, se atafulha em jornais, livros e discos de vinil e lhes conta histórias de outros mundos. Talvez um dia, por um qualquer acaso, retornem para lá viver e entendam a alma da minha cidade e os tiques deste inveterado lisboeta que também lhes está no sangue.

Acontece que os lisboetas nasceram e cresceram impregnados de história, calcorreiam-na todos os dias através das ruas antigas, passeios puídos, prédios velhos e monumentos históricos com os quais se foram familiarizando diariamente, por osmose. Da rua do Arsenal ao Bairro Alto, das calçadas íngremes da Lapa aos escritórios centenários da baixa pombalina, da igreja de São Domingos à rua de Santa Marta, ao Hospital de S. José, do Largo do Chafariz de Dentro às ruelas de Alfama até à velha Sé de Lisboa, do fatídico Terreiro do Paço (onde mataram o Rei), da inevitável Avenida Almirante Reis que já foi Rainha D. Amélia, do Jardim da Estrela aos do Castelo, o lisboeta corporizou, sem dar por isso, o relativismo do momento, a estreiteza da modernidade e das suas disputas tantas vezes risíveis.

Mesmo habitada por tantos fantasmas, Lisboa tem uma alma extraordinária, um jogo de luz e sombras que é mágico. Com as suas colinas e ventos, renova-se de ar novo e empolgante todos os dias, ampliado pela animação daqueles muitos que chegam e nela se instalam, ou a visitam ocasionalmente.

É com este sangue novo, entusiasmo e muita ilusão que a cidade se reconstrói diariamente das cinzas. Lisboa só é o fim da linha para quem vem do Estoril. 

 

Publicado originalmente no jornal i

Bad, bad bank

por Maria Teixeira Alves, em 11.04.16

Não há milagres, quando um crédito é tóxico alguém fica a perder, se não é o banco e os seus accionistas, é o Estado. Vejamos o caso espanhol. Por causa da ajuda da troika à banca espanhola, e na sequência do respectivo memorando de entendimento, foi criado o bad bank, que agora o nosso primeiro-ministro quer que seja criado para os bancos nacionais.

O Sareb adquiriu uma carteira de activos (créditos ao sector imobiliário) de 50,78 mil milhões de euros, entregando como contrapartida dívida com aval do Estado. Os bancos podem assim utilizar esta dívida com aval dos contribuintes espanhóis como garantia perante o Banco Central Europeu (BCE) para obter financiamento barato, ou seja liquidez.

No caso espanhol, estes activos imobiliários "tóxicos" são créditos para construção imobiliária em situação de incumprimento ou com risco de morosidade, bem como imóveis e terrenos que as entidades financeiras tiveram que assumir por falta de pagamento de hipotecas.

Em três anos, de 2012 a 2015, segundo dados divulgados pelo Sareb, esta instituição vendeu mais de 35 mil imóveis em Espanha e reduziu a sua carteira "tóxica" em 15,3%, passando de 50,78 mil milhões de euros para 42,9 mil milhões. Como se vê não foi grande coisa.

Um dos bancos que passou mais activos para o Sareb (recebendo em troca mais de 19 mil milhões de euros em dívida com aval do Estado) chama-se Bankia e é apontado como um dos maiores responsáveis pelo agravamento do "buraco" orçamental espanhol dos últimos anos.

Na semana passada Carlos Costa respondia assim ao deputado Galamba sobre os casos espanhol e irlandês:

"Eu gostaria muito de ter tido a possibilidade de criar um NAMA ou um SAREB em Portugal se eu tivesse finanças públicas capazes de suportar o financiamento de um NAMA ou de um SAREB". "Eu para criar um NAMA ou um SAREB tenho que ter a capacidade para destacar do balanço dos bancos um conjunto de activos e, simultaneamente, recapitalizar os bancos nesse montante".

O aumento da dívida do Estado é levantado pelo Governador do Banco de Portugal, ao mesmo tempo que "isto não pode acontecer de forma sistemática enquanto os bancos tiverem de suportar perda de capital significativa para fazer esse tipo de operação". Isto, "porque têm de vender abaixo do valor no balanço. Os valores no balanço estão correctos, em lógica de continuação de negócio. Só que quem vem comprar, compra abaixo desses valores. A menos que haja a possibilidade de construir um sistema de garantias que permita titularizar esses activos, e assim interessar investidores com visão de longo prazo e capazes de ficar com esses activos nos seus balanços", explicou citado pela Lusa.

Isto é, se os bancos vendessem essa carteira abaixo do valor do balanço teriam de registar as perdas e com isso consomem o capital o que deixaria os bancos insolventes.

Como pode o Estado português suportar um bad bank do sector financeiro português? Quando estamos a falar de uma carteira de malparado a rondar os 20 mil milhões de euros?

Eis uma resposta de um seguidor do Twitter que percebe destas matérias

  1. Na sua essência mais simplificada, podemos resumir isto da seguinte forma: O Estado cria um veículo financeiro com intuito de acumular os tais activos indesejados da banca, para isso o Estado terá que investir cerca de 20% dos tais 20 mil milhões de euros em questão, este valor pode ser mais ou menos, depende da regulamentação vigente do BCE/BdP para veículos financeiros deste género. Este investimento do Estado são capitais próprios do veículo para alavancar através da emissão de obrigações (até atingir os tais 20MM€), dívida essa colateralizada pelo contribuinte (garantia do Estado) e que será colocado no mercado com um rating que permitirá o BCE incluir no seu programa de compra de obrigações/activos, o que na gíria irá garantir sempre o “Bid” dos títulos o que se traduz numa taxa de juro baixa para essas emissões. Com capital angariado através da emissão de obrigações, o veículo agora poderá avançar para as aquisições dos activos indesejados da banca, que o fará ao valor de balanço, com o intuito de os segurar para o (muito) longo prazo.
  2.  Actualmente os bancos seguram estes activos de acordo com uma regra contabilística de “Mark-to-Maturity”, o que significa que mesmo que um activo semelhante esteja a ser negociado no mercado com perdas de 30% (por ex), o banco não precisa de provisionar essas potenciais perdas pois alega que detém os activos com o intuito da maturidade, o que permite contabilizar no seu balanço com o seu valor de emissão (i.e. sem perdas). No entanto, vender esse activo abaixo desse preço implica adoptar a regra de “Mark-to-Market” pois efectivamente está a realizar a perda, e é obrigado a incorporar esse resultado nos capitais próprio da instituição. Há outra circunstância que também obriga os bancos a realizar perdas, que é a circunstância de um crédito estar malparado durante tanto tempo que, de acordo com a regulamentação, o banco é obrigado a assumir o prejuízo. Ou seja, o banco precisa de se desfazer (i.e. vender) destes activos o mais rapidamente possível e obrigatoriamente sem perdas. Naturalmente só um veículo do género BadBank com apoio do Estado é que se sujeitará a esta circunstância.
  3.  À semelhança de outros veículos financeiros semelhantes do Estado português: Parvalorem e Finangeste. O mais provável é que várias vezes ao longo de vários anos o Estado será obrigado a reforçar o capital deste BadBank, principalmente devido ao facto que alguns dos créditos que farão parte da sua carteira serão simplesmente incobráveis e o BadBank terá que assumir as perdas, assim sendo os aumentos de capital servirão para manter o seu rácio de endividamento dentro dos limites regulamentares.
  4. Há ainda a versão italiana, que evita o bad-bank, pois o estado vende garantia aos bancos para estes poderem incluir nos lotes de activos que querem vender no mercado. de certa forma é como se estivessem a pagar ao Estado um seguro sobre o lote que querem vender a um terceiro. Serve ao fim ao cabo para o mercado não pagar um valor tão baixo pelo activo pois o tóxico é aliviado com a garantia do Estado. Mas os bancos italianos têm mercado para a dívida...

Lisboetas

por João Távora, em 11.04.16

Lisboetas.jpg

 A minha sentida homenagem a Lisboa e aos lisboetas, sempre tão injustiçados e tão mal reconhecidos, já está acessível no Jornal i online

"Acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas", explicou o Primeiro-Ministro na entrevista ao DN/TSF.

É fácil pensar: olha que boa ideia! Como é que não nos lembrámos disto antes?

Porque é mais fácil criar um banco mau numa entrevista do que criá-lo na prática.

Ora vejamos, tirar ao activo uma parte dele obriga a que entre dinheiro em substtituição. Ora quem é que dá a diferença entre o dinheiro que o veículo paga (tem sempre que ser com um grande desconto) e o montante de créditos que sai do balanço? Segunda pergunta, quem financia o veículo para ficar com os créditos? Podem ir ao mercado e emitir obrigações indexadas a esses créditos (titularizar os créditos), é certo, mas isso quer dizer que serão os clientes a ficar com o risco e depois, será certamente preciso uma garantia do Estado para essa colocação.

Há o risco do crédito malparado de 20 mil milhões de euros se vir a tornar num problema maior.

Resultado, não é do pé para a mão que se arranja 11% do PIB para limpar os balanços dos bancos. Talvez tenha sido por isso que ninguém se lembrou antes.

Num quiosque perto de si.

por João Távora, em 11.04.16

capa_jornal_i_11_04_2016.jpg

Tudo aquilo que sempre quis saber sobre os lisboetas e que nunca teve coragem de perguntar está hoje em letra de forma no jornal i, para já disponível apenas na versão em papel. 

 

 
 

Acho que toda a gente defende o fim das offshores a nível mundial porque sabem ser impossível. Era preciso que houvesse uma união económica mundial, com uma União fiscal. Vendo bem era preciso um primeiro ministro ou presidente (consoante o regime) mundial para que tal medida fosse possível. É que há países que não têm economia, vivem de serviços financeiros, vivem de atrair capital estrangeiro através da sua situação fiscal benéfica. Portanto é uma hipocrisia toda esta discussão à volta dos Panamá Papers. O que tem é de haver violação do sigilo bancário de forma mais solta, sem grandes burocracias, sempre que motivos policiais ou judiciais o justificarem.




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