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A grande bizarria

por João Távora, em 25.01.16

Felizes são os ingleses, os espanhóis, os belgas, os suecos, os holandeses, os dinamarqueses, os luxemburgueses ou os noruegueses, que têm a sorte de não terem de aturar periodicamente esta coisa sinistra das "presidenciais". Decididamente, esta berraria em que se envolveram nas últimas semanas umas quantas obscuras figuras do regime e um bem-sucedido comentador televisivo, foi incapaz de unir ou mobilizar os portugueses. O cargo, uma bizarria assente num enorme equívoco, no final de contas pode constituir uma bomba relógio para a total ingovernabilidade do país. Ao contrário das modernas monarquias europeias, o modelo de Chefia de Estado em Portugal não é um poder moderador, arbitral e suprapartidário. Sempre oriundo duma facção ideológica que disputa o poder, a legitimidade de uma maioria absoluta de votos expressos, alguns deles contrariados, concede ao Presidente a competição com a Assembleia da República pela autoridade para interferir ou até formar um Governo, e em última análise, a sua demissão através da dissolução do Parlamento. Perante este panorama, resta-nos rezar para que o vencedor, não sendo “apartidário”, por mais pressionado que vier a ser pelas piores circunstâncias possíveis e imagináveis, se consiga afirmar como um elemento estabilizador e construtivo. Algo que seria muito mais fácil em Monarquia.

 

Publicado originalmente no Diário Económico

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Voltou a ganhar o candidato em que votou a direita

por Maria Teixeira Alves, em 25.01.16

Mais uma vez o candidato que tem base eleitoral PSD/CDS ganhou as eleições (desta vez as presidenciais). Isto apesar das críticas e convicções dos comentadores que consideram que o PSD/CDS são os parentes próximos do diabo. Há uma indignação generalizada das estrelas mediáticas com a vitória recorrente da direita, apesar das críticas, do escárnio e maldizer.

Estas eleições voltam assim a revelar que a sociedade civil está divorciada dos comentadores.

A base eleitoral de Marcelo é do PSD/CDS, não se pode falar de um candidato apartidário, como bem realçou Marina Costa Lobo, na RTP, perante o desagrado e desconsideração expressada pelas caras de alguns dos comentadores/jornalistas habitués que estavam no mesmo fórum. Estes quiserem fazer passar a mensagem que esta não era uma vitória do PSD/CDS, que esta não era uma vitória de Pedro Passos Coelho, que não era uma vitória da direita.

António Costa perdeu mais umas eleições (não que Marcelo lhe desagrade em termos práticos), mas isso não foi tido em conta pelos eleitores. 

Tal como António Lobo Xavier salientou na Quadratura do Círculo, os votos de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém somados tiveram um resultado miserável. O PS está a perder votos, e parece estar a perdê-los para o Bloco de Esquerda. 

O poder do PS está hoje ancorado no ódio da esquerda, quer dos políticos, quer de alguns comentadores (jornalistas incluídos), a Pedro Passos Coelho. Mas no dia em que Passos Coelho sair da liderança, o PS perde o seu actual leitmotiv, e lá se vão as coligações negativas. 

Outra conclusão destas eleições é que a ala segurista do PS acabou antes de começar. 

Há também a salientar um outro fenómeno social. A derrota eleitoral de Maria de Belém com 4,2% dos votos. Será que revela que o clássico PS já não tem palco? O PS tradicional, o PS de Manuel Alegre, de Jorge Coelho, etc, está a desaparecer para dar lugar a um PS que radicaliza à esquerda (Sampaio da Nóvoa)? Ou será que revela que as mulheres que não sejam as rebeldes, freaks-da-passa chique, estilo guerrilheiras de esquerda – Marisa Matias foi a terceira mais votada com 10,1% dos votos – são completamente desconsideradas pela sociedade portuguesa dominada por homens que olham para a opinião das mulheres com uma certa condescendência a raiar a chacota? Sobretudo se são mulheres conservadoras, tradicionais, bem-comportadas, com ar maternal e familiar, ou com ar de quem vai à missa ao Domingo, ou de quem viveu em Cascais, na Lapa, ou na Avenida de Roma. Os homens portugueses não levam a sério as mulheres quando toca a lugares de poder.

Reparem no que têm em comum Maria de Belém, Manuela Ferreira Leite, Assunção Cristas (esperem para ver o desiderato de que vai ser alvo), e todas as mulheres com alguma projecção mediática, quer a nível de opinião, ou de acção política, que sejam o estilo conservador/tradicional? E depois vejam se há alguma admiração/respeito/consideração da parte dessa nata de opinion makers que por aí espalham comentários. Este país é machista sem ser marialva (entendendo por marialva o homem que trata a mulher como um ser frágil que é preciso amar e proteger) porque os homens portugueses não são apaixonados por mulheres. Quanto muito, gostam da mulher deles e pouco mais. Os políticos portugueses não casam com Carlas Bruni, nem fogem de mota a meio da noite para se encontrarem com amantes. Os políticos portugueses, ora têm casamentos acomodados com mulheres resignadas e do establishment, ora não têm mulher, nem casos de amor apaixonados que justifiquem a solteirice. Bem dizia a Agustina que os homens portugueses estão mais perto de repudiar a mulher do que a amar. 

Há outro fenómeno revelado neste resultado eleitoral: a fraca votação do candidato do PCP. O Partido Comunista está desorientado na sua génese e isso vê-se nos resultados eleitorais. Hoje que motivo há para se votar no PCP, se há o Bloco de Esquerda e o PS com os mesmos princípios? O PCP perde na comparação: o PS tem mais hipótese de chegar ao poder e o Bloco de Esquerda tem mais juventude, para que raio há-de servir o PCP? Alguma coisa o distingue do Bloco, por exemplo? Isto é muito importante e pode marcar o futuro do Governo de António Costa.

Tal como li nas redes sociais: O PCP fica o partido do táxi, e se não se livra do Costa desaparece. E ainda "Costa estás lixado. Não pelo Marcelo, mas sim pelo PCP. Os comunistas vão mudar de discurso e de forma de estar já amanhã".

De resto há a salientar que a direita votou contrariada em Marcelo Rebelo de Sousa, porque não quis a presidência nas mãos do socialismo radical de Sampaio da Nóvoa, embora muitos se revissem mais no gestor da Marinha Grande, Henrique Neto - gestor com experiência empresarial, que conhece no terreno as fraquezas e forças do país. Até lhe desculparam a raiz socialista. Mas o medo de uma segunda volta que unisse a esquerda prejudicou-lhe a votação que se ficou pelos 0,8%.

Já Antonio Costa, no seu discurso, não pareceu muito chateado com a vitória de Marcelo. Não era o ideal mas serve-lhe. Talvez por isso tenha optado por não se comprometer com o apoio a nenhum candidato de esquerda.

O Tino de Rans, na sua pureza popular, valeu mais do que o demagogo lutador anti-corrupção, Paulo de Morais. Vitorino Silva é uma espécie de Jorge Jesus da política, embora bem menos genial. 

Vou ter saudades das frases lapidares do Jorge Sequeira, o psicólogo, orador motivacional. Ainda me lembro de algumas como: "Tudo se perde quando nada se transforma"; "a arte não deve ser popular, o povo é que deve ser artístico (Oscar Wilde)"; "eu não tenho um salário, tenho um se calhário"; "heróico no ser humano é não pertencer a nenhum rebanho". Ficou com 0,3%

Francamente fraco foi Cândido Ferreira, queixou-se muito do tempo de antena, mas faltou-lhe ideias e estilo.

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A Grande Derrotada - A Esquerda

por Vasco Mina, em 24.01.16

A Esquerda optou por apresentar vários candidatos na esperança de assegurar os apoios de todas as suas tendencias. Foi uma espécie de todos contra um. O grade objectivo era derrotar o candidato da direita. Ganhou o candidato do centro e a esquerda sofre hoje uma das maiores derrotas de sempre. Vamos assistir, nos próximos dias, ao tiroteio entre as várias esquerdas, com trocas de acusações e com consequências nas posições conjuntas (que nem coligação conseguiram ser) que suportam o Governo de António Costa. Também este um dos grandes derrotados desta noite eleitoral.

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O Grande Vitorioso - Marcelo Rebelo de Sousa

por Vasco Mina, em 24.01.16

Marcelo é o grande vitorioso de hoje. Ganha uma estratégia bem preparada e delineada há muito. Apostou ao centro, optou pelos afetos, evitou conteúdos e afastou-se dos apoios partidários. Ganha sem grandes estados de alma dos seus apoiantes, mas ganha! O resto é conversa da treta da esquerda

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A terceira grande derrota - o PCP

por Vasco Mina, em 24.01.16

O PCP e o seu candidato vão ter cerca de um terço dos votos conquistados pelo BE e com uma votação idêntica à que teve o surprewendente Tino de Rans. O PCP perde por não ter conseguido contribuir para a não vitória de Marcelo à primeira volta e perde, definitivamente, a liderença à esquerda do PS. A sobrevivência política do PCP fica em causa a partirr de hoje. Para "dar a volta" ao péssimo resultado vai ter de mudar de dirigentes e, fatalmente, radicalizar as suas posições. Dificilmente dará apio futuro ao governo de António Costa e a mobilização na rua vai, seguramente, "aquecer" nos próximos tempos. Será uma questão de vida ou de morte!

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Mas vocês ainda não perceberam?

por José Mendonça da Cruz, em 24.01.16

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 Pois, pois, o país é de esquerda, eu sempre disse, e tal e coisa...

Mas agora somem lá o resultado do Nóvoa (21%), da Moça do Bloco (9)%), da senhora da laca e das subvenções (4%) e do batráquio exótico (3%)... ah, e do padreco estalinista (3%). Dá 40%, certo? (e olhem que muitas das parcelas estão ali somadas à força e com boa vontade excessiva).

Então, agora, perguntem-se: há mesmo uma frente de esquerda? Há mesmo uma maioria de esquerda? Ou é tudo uma questão de competência política?

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Maria de Belém fez uma péssima campanha e o resultado está à vista. Pior do que tudo, arrastou, com a sua brutal derrota, os socialistas moderados.

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A primeira grande derrotada - a República

por Vasco Mina, em 24.01.16

Tendo sido superior o número de portugueses que não votaram face ao núnero dos que optaram por votar, a primeira grande derrotada é a República. Com especial destaque para a República de génese socialista que perde para os Republicanos não socialistas.

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Esquerda on the rocks arrasa esquerda bafienta

por José Mendonça da Cruz, em 24.01.16

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 O PCP é uma antiguidade sinistra e bolorenta, mas todos lhe reconhecem (além do estado de proto-cadáver) a inteligência.

Então, PCP: a felicidade dos fieis do Nogueira e dos lordes dos transportes públicos, o dinheirinho, as verbas, compensam estas derrotas arrasadoras? O que é que a flausina do Bloco tem que vos dá cabo das contas? Há futuro nisto? Costa compensa?

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Habemus Marcellum

por José Mendonça da Cruz, em 24.01.16

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 Temos Marcelo Presidente! Temos a direita na presidência durante 20 anos (ou ao menos a «esquerda da direita»).

Primeira pergunta: de que vale?

Segunda pergunta: o povo é mesmo estúpido e para votar bem tem que ser competentemente aliciado?

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Abstenção - A primeira a vencer

por Vasco Mina, em 24.01.16

Tudo indica, à hora a que escrevo este post, que a abastenção ficará com um resultado muito próximo do alcançado nas eleições presidenciais de 2011 (em que Cavaco se recandidatou). Comparando com as presidenciais sem candidati "incumbente" a diferença é brutal. A maioria dos portugueses optou por não votar e assim distanciar-se quer dos candidatos que se apresentraram quer do estado do regime em que hoje nos encontramos. Mas também significa que toda a esquerda foi incapaz de mobilizar apoios suficientes para derrotar o único candidato à sua direita (mesmo apesar da multiplicidade das alternativas de esquerda apresentadas).

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Temos o rei dos portugueses

por João Távora, em 24.01.16

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"É verdade que o cargo [de Presidente da República] se extingue gradualmente: todos os presidentes ajudaram nesse sentido".


António Barreto hoje no DN

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Domingo

por João Távora, em 24.01.16

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

 

Irmãos: Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.

De facto, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros. Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo.

 

Da Bíblia Sagrada

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Profecia Centenista

por José Mendonça da Cruz, em 23.01.16

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«Estou teso, não tenho um cêntimo, levei o lar à bancarrota, mas tenho ideias. Não são as ideias que tinha antes de passar a gastar muito mais do que ganhava (essas deixa-as no cesto de papéis). Agora que estou de tanga tenho umas ideias novas: vou gastar ainda mais para mudar a envolvente, vou crecher, vou apostar no consumo familiar e do meu bairro. A minha falência é culpa da envolvente. A envolvente é austeritária e inimiga. A envolvente abandonou a solidariedade para com os meus desvios. É pérfida e neoliberal, a envolvente. Ninguém deveria ser obrigado a gastar só o que tem; isso paralisa o ânimo, arruina o optimismo, arrefece a economia e eterniza a austeridade. Eu é que sei, que não sou neoliberal, eu é que sou progressista. Amanhã e ao longo dos próximos meses, vou organizar 10 banquetes opíparos para antigos associados e amigos; vou comprar baixelas novas e um carro topo de gama, como os jornalistas chamam a tudo que é mais caro que nada; vou aparecer na televisão a propor esta fé nova (que já arruinou outra gente, mas gente de pouca fé, porque o que é preciso é fé, e eu sou um novo crente); vou explicar que me fartei de ser remediado, que todos devem fartar-se de ser remediados, que agora é que vou ser rico, que agora é que todos vão ser ricos, não é preciso nem trabalho nem capital, a fé basta, na fé vamos montados. Farei todas as compras a crédito. Trata-se de um investimento: a reanimação cultural e económica que vou conseguir trar-me-á incríveis proventos. Não sei quantos. Muitos. Neste momento devo para cima de cem mil euros; espero daqui a um ano ter mais do que esse saldo na conta, com crechimento, com esperança, virando a página da falência. Não sei como, nem sei quanto, nem sei se efectivamente; mas tenho fé, acredito. Pelo menos tenho que dizer que acredito nestas ideias novas, porque as outras, as que não me levaram à bancarrota, eram aperreadas e não me convinham, eram limitativas, deixei-as no caixote do lixo. Toda a gente me diz que sou irresponsável ou desonesto, mas não sou, sou um crente; eles é que são neoliberais, bafientos e imobilistas. Aposto que daqui a um ano estou a ganhar rios de dinheiro, e, embora não imagine como, creio nisso como certeza. Aposto que daqui a um ano toda a gente me quer pagar coisas, encomendar serviços, emprestar-me dinheiro, não sei como nem porquê, mas é uma fé inabalável. Daqui a um ano a minha receita ter-se-á multiplicado exponencialmente, a minha despesa será largamente compensada em vez de deficitária, e no lar todos sorrirão, e no bairro também, e na cidade. Creio nisso. A menos, é claro (é um medo retrógrado e anquilosante que repudio) a menos, é claro, que eu me tenha transformado num sem-abrigo, e as minhas refeições dependam da benevolência da sopa dos pobres, e as minhas noites de sono tenham que ser marcadas num abrigo esquálido com a devida antecedência, sujeito à concorrência de outros homens de fé, como eu traídos. Mas por enquanto sinto-me bem, sinto que as minhas acções me garantirão popularidade e audiência, sinto-me por fim importante. Só um mundo iníquo, não solidário e neoliberal poderia travar os meus sonhos.»

 

                                                           **********************************

 

«Clueless», é a primeira palavra que ocorre de cada vez que aparece Centeno. «Clueless» como «não sabe o que faz» (versão razoável), «Clueless» como «não vê boi» (na versão do actual grau de elevação introduzida por Costas, Galambas e C.ª na linguagem política). Mas, não. Centeno sabe o que faz e vê bois e vacas. Só que não quer saber, desde que seja ministro e importante. Ora, para quem quer ser ministro e importante (na esteira de quem quer ser primeiro-ministro e importante) a realidade e a responsabilidade não têm relevância nenhuma; é a popularidade e a ficção populista que importam. O Orçamento de Costa & Centeno aí está para regressarmos de corpo inteiro ao mundo das despesas certas emparelhadas com receitas duvidosas, dos índices fantasiosos que hão-de pagar os excessos. Vai correr tudo bem, fingem eles, fazendo contas de sair a tempo antes que o «virar da página da austeridade» descubra outra vez a página da bancarrota. 

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No OE de 2016, não haverá algum desnorte macroeconómico?

por Maria Teixeira Alves, em 23.01.16

Confesso que não sou especialista em fiscalidade. Mas assim de relance parece-me que há algum desnorte nas medidas fiscais no draft do Orçamento de 2016. Este Governo parece não ter uma política macroeconómica. Tanto tributa o capital (poupança) como o consumo. Tributa os ricos e poupa nas heranças. 

Aquilo é gerido assim: quem é que o António Costa tem de agradar? Então esses não são atingidos pelo aumento de impostos. É por isso que não sou socialista. Não gosto de irmandades, lojas e internacionais.

P.S. A subida do Imposto de Selo não vai apenas afectar o crédito ao consumo, vai afectar todas as operações que cobrem imposto de selo (seguros, contas bancárias, etc)

 

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Deus nos ajude

por João Távora, em 22.01.16

O ministro das finanças enrola-se em grande aflição num emaranhado de explicações do mágico cocktail de medidas orçamentais. Pergunto-me se isso é só falta do dom da eloquência ou a atrapalhação provém de súbitos rebates de consciência, ou crises de fé?

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O nosso drama

por João-Afonso Machado, em 22.01.16

CANTO E CASTRO.JPG

João do Canto e Castro Ribeiro Antunes já era almirante e continuou a ser monárquico quando em 1910 a República se instalou em Portugal. Ele próprio o diz, jamais renegando as suas convicções, não abandonou a Armada por necessidades de uma família, a sua, a sustentar. Mas manteve-se sempre a bordo, ao largo, carregado de condecorações, distante da sinistralidade política.

Com o País destruido pelos republicanos - democráticos, unionistas, evolucionistas  - é natural o almirante Canto e Castro se tenha aproximado do redentor Sidónio. De tal modo que o Ministério de Tamagnini Barbosa e toda a guarnição militar de Lisboa (!!!) viram nele o seu sucessor logo após o crime da estação do Rossio.

Canto e Castro recusou, invocando o seu monarquismo. O argumento da salvação da Pátria, do perigo eminente de uma guerra civil, demoveu-o. O Parlamento reuniu para eleger o novo Chefe de Estado, os deputados monárquicos abandonaram a sala em protesto, não há número bastante para o acto, os deputados monárquicos regressam, Aires de Ornelas, o seu líder, explica que por respeito ao interesse nacional, e o almirante é o escolhido, com 137 votos.

(Resultados de outros presidentes eleitos pelo mesmo método: Manuel de Arriaga - 121 votos; Teófilo Braga - 98; Bernardino Machado - 134; António José de Almeida - 123).

Ocorrem de seguida a sublevação monárquica de Monsanto e a restauração no Norte. Precedidas e sucedidas de sangrentos tumultos e revoltas na Capital. Canto e Castro, gravemente doente, mantém-se fiel ao juramento prestado quando assumiu a Presidência. Nunca por isso foi criticado por alguém.

Por fim, em mensagem ao Congresso de Junho de 1919, resigna ao cargo. Faltavam ainda uns meses para o termo do seu mandato e a sequente eleição.

Uma moção favorável a sua continuação como Chefe de Estado é aprovada por unanimidade dos deputados. E uma vez mais a preocupação com os tortuosos caminhos que Portugal percorria falou mais alto. Canto e Castro, ansioso por regressar a casa e à família, aceitou prosseguir as suas funções.

Assim grangeou um imenso respeito nacional hoje estranhamente esquecido. Talvez porque tenha sido o derradeiro episódio - e filho único em República - em que a chefia de Estado se confundiu com a chefia da Nação - realidade que esta malandragem de agora nem sabe o que é.

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Que faltará?

por Vasco M. Rosa, em 21.01.16

Há certas coisas que vistas de perto «pedem explicações». Daniel Oliveira tem uma presença enorme nas televisões e nos jornais, e por mais que fale e esbraceje, a verdade é que o seu partido partido colado não elegeu deputados ao novo parlamento. No mínimo, estranho.

Outra figura em destaque é a jornalista Fernanda Câncio, grande activista dos direitos lgt e afins, e uma jornalista de mérito, sem dúvida (não precisamos de concordar para reconhecê-lo, pois não?).

Escreve abundantemente no DN e num blogue colectivo, e aparentemente tem uma legião de admiradores e admiradoras que abraçariam com energia a compra dos seus livros. Compreendo isso: é bom reler em livro o que nos cativou em folhas de jornal. Mas não acontece assim: publicada pela Tinta da China, FC tem 3 livros, de 2007, 2008 e 2010 — datas já distantes... Agora digam: que terá acontecido para que esses livros saíssem nesses anos e depois nunca mais, uma antologia, enfim uma mensagem de esperança e luta aos desvalidos que precisam do conforto duma palavra justa?

Então, a luta não continua?! A gente não se mobiliza?...

Cinco anos passados.

2010... (— Nã me digas!)

Quem lê o DN sabe que FC se esforça e que o seu protagonismo merece reconhecimento editorial. Por isso...

Ou não vende de todo, ou ninguém paga para publicar, mas a verdade é que a Tinta da China podia fazer um pouco mais. Ou muito mais. Que lhe faltará, afinal? 

 

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Alerta laranja para o Novo Banco

por Maria Teixeira Alves, em 21.01.16

A notícia mais relevante do dia é esta: Podem estar em risco de incumprimento não cinco, mas 50 linhas obrigacionistas do Novo Banco no valor de 18 mil milhões de euros em dívida.

O que se passa é que hoje está a decorrer em Londres uma reunião da ISDA  - Associação Internacional de Swaps e Derivados que visa decidir se há ou não um “evento de crédito” (incumprimento de obrigações) e se devem ser accionados os respectivos seguros para cobrir as perdas em default (incumprimento) de obrigações.

Isto quer dizer que os grandes investidores institucionais - Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Morgan Stanley, Nomura, Mizuho, a Société Générale e cinco fundos de gestão de capitais como AllianceBernstein, BlueMountain Capital Management, Citadel, Pimco (Pacific Investment Management Co), Cyrus Capital Partners, Elliott Management - estão a discutir se a decisão do Banco de Portugal de pôr as obrigações seniores do BES, que estavam no Novo Banco, de regresso ao banco que as emitiu e que está em liquidação (bail-in para recapitalizar o Novo Banco) constitui ou não um event of default (evento de incumprimento de obrigações) do próprio Novo Banco.

Se tal vier a acontecer torna todas as obrigações do Novo Banco imediatamente vencíveis e o banco tem de as pagar. Segundo fontes, como muitas obrigações são cupão zero e estão no balanço muito abaixo do valor nominal, a perda com o pagamento seria incomportável e o Novo Banco não sobreviveria.

Estariam em causa 18 mil milhões de euros.

O painel externo, constituído por grandes bancos internacionais, do Comité de Avaliação de Derivados de Crédito (ISDA) está reunido desde quarta-feira em Londres para decidir isso. Para os investidores (que já estão a penalizar até a dívida soberana) o que aconteceu com as cinco linhas de obrigações seniores do Novo Banco pode ser classificado como um "evento de crédito" porque não foram cumpridas as regras de igual tratamento dos credores (clausula pari passu).

As consequências poderão ser dramáticas. O que significa, muito provavelmente que o Banco de Portugal vai recuar, ou compensar os investidores que detinham aquelas series de obrigações que por decisão do regulador regressaram ao balanço do BES (bad bank). 

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Curioso como afinal interpretação dos Juízes do Tribunal Constitucional da sacrossanta Constituição da República Portuguesa, a vaca sagrada da esquerda política, declara inconstitucional a norma que suspendia as subvenções aos pobres ex-políticos com rendimentos familiares acima de 2000 euros. Dado que para o caso, à excepção de Maria de Belém que subscreveu (à socapa) o pedido de fiscalização ao TC, pouco interessa o que pensam os candidatos a presidente da republica sobre a matéria – sobre a qual na verdade o cargo a que concorrem não possui poderes - será interessante saber se os partidos políticos representados no parlamento tiram daí as consequências e se organizam dois terços dos deputados para fazer passar uma nova lei poupando mais de 10 milhões de euros ao erário público que certamente serão vitais para politicas de socorro aos mais desfavorecidos.

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Corta-fitas

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