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Vale a pena ler o artigo do João Miguel Tavares

por Maria Teixeira Alves, em 27.10.15

Acordei hoje com um artigo do Público do Joào Miguel Tavares que recomendo. Chama-se "António Costa anda a aldrabar-nos" e diz, entre outras coisas o seguinte: A seriedade deste procedimento é nula. Quase toda a gente achou que Cavaco foi excessivo na sua intervenção, mas parece-me que quase toda a gente desvalorizou a passagem mais importante do seu discurso. O Presidente falou de forma muito directa de uma “alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas”, acrescentando de seguida: “É significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível.” Convém olhar bem para os adjectivos usados por Cavaco e compará-los com aqueles que polvilhavam a frase mais importante proferida por António Costa após o encontro entre ambos no dia 12 de Outubro. Disse então o líder do PS: “Tive ocasião de informar o Presidente da República sobre a criação de condições para podermos ter em Portugal um governo que seja estável, credível e consistente para os próximos quatro anos.” (...) não terá sido por milagre que os adjectivos que ele escolheu na sua comunicação encaixam na perfeição nos adjectivos que António Costa utilizou à saída de Belém. Costa falou em governo estável, Cavaco disse que não havia solução estável. Costa falou em governo credível, Cavaco disse que não havia solução credível. Costa falou em governo consistente, Cavaco disse que a alternativa era “claramente inconsistente”. Costa falou em governo “para os próximos quatro anos”, Cavaco disse que não havia uma solução “duradoura”.

Primeiro dia da legislatura II:

por Vasco Lobo Xavier, em 27.10.15

O país está em crise, como todos sabemos. As preocupações do PS são estas:.

 

"Repor os feriados civis eliminados, reverter as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez, permitir a adoção de crianças por casais do mesmo sexo e alargar o âmbito da procriação medicamente assistida – foram quatro os projetos de lei que o PS deu entrada na Assembleia da República logo no primeiro dia de trabalhos (o BE apresentou dois, os restantes partidos ainda nenhum)."

 

Ainda que isto fosse só para acenar com a cenoura ao Bloco, só revela que o PS ainda nem percebeu que o Bloco é que lhe acenou com a cenoura e que o PS vai atrás. E o país ao fundo. Isto ainda vai piorar muito antes de começar a piorar...

"Vai trabalhar, Sócrates!"

por Vasco Lobo Xavier, em 26.10.15

Sobre José Sócrates e os factos que ele admite, de tão estranhos, e de mais uns quantos que têm vindo a público sem serem desmentidos, só podemos concluir uma de duas coisas quanto à inacreditável quantidade de dinheiro que ele gastou na sua vida mais recente: ou obteve essa dinheirama de forma ilegal, seja por corrupção ou outra qualquer, ou a gastava porque estranhamente tinha um amigo que lhe atirava pacotes de dinheiro, aos milhões, para as suas despesas de luxo.

 

Para as suas despesas, mas também para as despesas da sua família, para as da antiga família, para as despesas da nova família da antiga família, e ainda para um filho de um antigo ministro do seu governo e aparentemente ainda amigo actual, e por fim para as férias com uma amiga ou ex-amiga, namorada ou ex-namorada, confidente ou ex-confidente, conselheira de transacções imobiliárias ou não, enfim…., uma pessoa que não sei como pretenderá que seja tratada ou referida pelo que nada direi que possa ser prejudicial. Dinheiro para tudo isso. Pelo menos. Pelo menos mas mesmo assim já são muitos milhões. Montes de milhões e milhões para montes.

 

Ora bem. Como disse, só há duas hipóteses: ou o dinheiro é obtido de forma ilegal ou é oriundo de empréstimos bizarros e pouco comuns, feitos por quem nem sequer sabia quanto emprestou, tudo para que Sócrates mantivesse um nível de vida pouco usual para quem não faz pevide. Não há terceira via: ou é um vigarista, um criminoso, ou é um desgraçado que vive luxuosamente à custa de um amigo. De uma forma ou de outra, é pessoa pouco recomendável em qualquer lado do mundo. E esqueçamos por ora a bancarrota em que deixou Portugal.

 

Mesmo assim, neste estranho país, o homem é convidado para fazer uma conferência em Vila Velha de Ródão, sobre justiça e política, e é aplaudido de pé. Que seja. Poder-se-ia sempre pensar que é gente amiga da família, antigos conhecidos, gente arrecadada para ali como se fez nas livrarias aos livros dele ou coisa do género. Até aí tudo bem, ainda se compreenderia.

 

O que não se compreende é que as televisões nacionais, que sabem e conhecem toda e cada uma das palavras que este pequeno texto contém, dêem cobertura a tudo isto e passem em directo quase toda aquela colecção de banalidades que ele proferiu para se tentar defender. Num país decente, uma pessoa destas nem deveria sair à rua sem correr o risco de ser insultado. Aqui é como se nada fosse e ainda leva os jornalistas atrás.

 

E parece que agora ainda se queixa de viver com dificuldades. Dificuldades?!?... Ele não tem vergonha na cara! Dificuldades?!?... Vá mas é aprender um ofício e faça-se à vida! O único conselho que me ocorre dar-lhe é “vai trabalhar, Sócrates!”

PS prepara regra de ouro no acordo com PCP e BE: se forem precisas medidas extra nos 4 anos (para cumprir as metas do défice) não serão cortados salários ou pensões - e não subirão impostos. Desvio maior implicará rever as metas (do défice), explicou ao Observador fonte do PS que tem acompanhado as negociações.

 

A frase só pode ser de um imbecil chapado e traduz-se no seguinte: se, para cumprir as metas do défice, for preciso cortar despesa (salários) ou aumentar receitas (impostos), então não se cumprem as metas do défice. A frase é estúpida do princípio ao fim. Para além do mais, as metas do défice não dependem do PS. E, ainda que dependessem, o que o PS oferece à extrema-esquerda para comprar o seu apoio é hipotecar as gerações futuras com mais dívida, tudo só para salvar a pele de António Costa. Sai muito cara, a pele dele, custa ao país outra bancarrota.

 

E ninguém se incomoda, ninguém se insurge?

Ainda nem começaram e já salivam com o dinheiro dos outros

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.15

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Propõe-se o governo do perdedor Costa aumentar a despesa, cortar na receita, diminuir os horários de trabalho, aumentar os salários, introduzir rigidez no mercado de trabalho, reverter as reformas que tenham beneficiado as empresas, entregar à CGTP e aos Mários Nogueiras tudo o que for possível, e, de todas as formas, arruinar o mais expedita e eficazmente possível o tímido crescimento económico português, hoje acima da média europeia. Mas não faz mal, diz o PS do perdedor Costa, se houver um problema muda-se as metas do défice, ou seja, pede-se mais dinheiro emprestado para pagar as novidades e a UE que se lixe (e o procedimento por transgressão também). É uma «política para as pessoas»: são elas que pagam a dívida, os juros e as consequências. Centeno, essa espécie de Campos e Cunha sem espinha, há-de subscrever tudo. Basta que o mandem.

Suspeito que

por Maria Teixeira Alves, em 26.10.15

António Costa até alinha num Governo de Bloco Central, desde que seja ele o primeiro ministro e o programa do Governo em vigor seja o da pastinha (leia-se o de Mário Centeno). 

Vamos ver se não é aí que vamos parar. 

P.S. Isto é, António Costa vê o seu Governo aprovado pela CDU e Bloco, mas quando chegar a vez dos Orçamentos de Estado, vai contar com o PSD para os deixar passar e vai deixar cair as exigências do PCP e Bloco de Esquerda. 

Última hora

por João Távora, em 25.10.15

Benfica reclama 2 golos do Setúbal e mais 2 do Paços de Ferreira para vitória 4-3 sobre o Sporting.

Isto começa mal:

por Vasco Lobo Xavier, em 25.10.15

Marcelo Rebelo de Sousa resolveu ontem dizer uma série de coisas nenhumas, tentando passar por entre os pingos da chuva. Pareceu-me até que Marcelo considerou que o PCP e o Bloco são partidos democráticos, que todos os partidos cabem na nossa democracia. Sim, caberão, porque é a “nossa democracia”: se fosse a desses dois não caberia mais nenhum que não o partido único. E sim, é verdade, passaram mais quarenta anos, mas não consta que os Comunistas tenham mudado um milímetro nas suas propostas e Marcelo esqueceu-se de que, para eles, Cuba e Coreia do Norte são belíssimas democracias.

 

Mas o meu ponto de hoje é um compromisso disparatado que Marcelo resolveu tirar da cartola, sem que alguém o pedisse. Veio Marcelo dizer que iria um dia abdicar das regalias e do estatuto que são conferidos aos ex-presidentes. Parece-me estranho que seja necessário alguém dizer a Marcelo que essas regalias são conferidas – não é pelas pessoas, em si, mas – pelo cargo que ocuparam. E que por isso nem fica bem abdicar de tal coisa. Para mais, e num país de gente pequena, inicia-se com isto um concurso perigoso de “quem abdica de mais regalias ex-presidenciais?” que só pode fazer mal ao cargo e ao estatuto conferido pela Presidência da República.

 

Sendo monárquico dos pés à cabeça, pouco se me dá que a Presidência da República venha a ficar manchada com este tipo de debates rasteiros e popularuchos; mas não quero que isso venha de algum modo a prejudicar ainda mais Portugal.

Economia do Expresso faz contas à moda socialista

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.15

Teodora dos Santos explicou que o orçamento do próximo ano terá que acolher medidas de austeridade novas  no valor de 2 mil e 500 milhões de euros para que o défice fique dentro dos limites do Tratado Orçamental.

Mas o caderno de economia do Expresso teve uma ideia cor de rosa. Resolveu fazer contas às medidas de aumento de despesa e corte de receita que António Costa prometeu. E como é que o fez? Assim: as medidas de corte de receita de que Costa desistiu, a «Economia» do Expresso contabiliza-as como «excedente»; e depois subtrai a esse «excedente» o valor do aumento da despesa. Chega, assim, à conclusão de que a festa se faz com 500 milhões.

É patetice ou manipulação, bastante burra qualquer delas. Mas visto que o caderno económico deste «semanário de referência» continua entregue a um pobre diabo que avalisa vigaristas, a coisa já nem é de pasmar. Aliás, quase se pode garantir que, hoje em dia, também Mário Centeno está pronto a subscrever contas feitas assim. Basta ser mandado.

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 «Menino Nicolau, não se bate palmas na aula!»

 

Não é novidade que o PC e o Bloco desprezem a independência dos deputados. Mas custa ver o PS alinhar pela mesma medida. Este desprezo pode ir a extremos inéditos: Costa está pronto a fazer governo, baseado num acordo que ninguém viu, nem Presidente nem deputados. Nem o PS! Muito menos o povo.

silêncios ensurdecedores:

por Vasco Lobo Xavier, em 25.10.15

Aqui há dias, no Observador, Maria João Avillez insurgia-se contra o silêncio “devastador” da metade do país que assiste calada a esta atitude inacreditável de António Costa e a toda a novela que se arrasta. Como se fosse natural o PS aliar-se ao Bloco e aos Comunistas, como se daí não viesse mal ao mundo (leia-se, Portugal), como se para os próprios socialistas fosse proveitoso tornarem-se umas marionetas da extrema-esquerda na governação do país, só para Costa se manter no lugar.

 

Hoje, no Observador, Helena Matos insurge-se contra o silêncio da gente decente que ainda exista no PS. Daquela gente decente no PS que se calou “face à forma inqualificável como os dirigentes reagiram ao caso Casa Pia”, “face aos desmandos de Sócrates”, e agora “perante a estratégia de Costa”. Daquela gente socialista decente que também se cala perante o episódio de Ferro Rodrigues na sexta-feira ou com as conferências de Sócrates ou comparações descabidas.

 

Pois eu insurjo-me contra o silêncio de supostos independentes decentes que gravitam na órbita do PS. Mário Centeno, por exemplo. Uma pessoa insuspeita, um universitário, colaborador do Banco de Portugal, alguém que foi apresentado como muito credível e carregado de pergaminhos, que liderou o estudo económico com que o PS se apresentou ao eleitorado e a eleições e que foi a votos. Independentemente do que se possa pensar desse estudo (e eu não acredito por considerar que se baseia em premissas e conjecturas irrealizáveis, para pena minha), Mário Centeno acreditava nele, trabalhou nele, esforçou-se nele, lutou por ele. António Costa rasgou-o em pedacinhos na primeira oportunidade, submeteu-se às exigências do Bloco e queimou aquela coisada toda, a começar pela TSU, que era o sustentáculo daquilo.

 

António Costa promete à extrema-esquerda todo o aumento de despesa, bem sabendo Centeno que aquilo é impossível (se se quiserem cumprir os tratados firmados). E Centeno sujeita-se a continuar a aparecer calado ao lado de tudo isto, como se fosse um bibelot? E não se incomoda, não se indigna?

Estará Centeno preparado ou a preparar-se para fazer triste figurinha semelhante à de Teixeira dos Santos e apresentar-se também, ainda que de ar crispado, ao lado de António Costa quando este anunciar o pedido de novo resgate e o regresso da troika? Sempre em silêncio?

 

Gabo-lhe o gosto.

O mais provável é que António Costa, quando conseguir ser indigitado para primeiro ministro com o argumento de que "a esquerda" é maioritária no Parlamento, faça um acordo com a coligação (PaF) ou com o PSD para deixar passar os seus Orçamentos e se marimbe para o PCP e o Bloco de Esquerda. António Costa vai fazer o golpe palaciano, vai usar a esquerda como argumento e vai-se marimbar para ela quando for poder. Escrevam na pedra. 

P.S. Isto é, António Costa vê o seu Governo aprovado pela CDU e Bloco, mas quando chegar a vez dos Orçamentos de Estado, vai contar com o PSD para os deixar passar e vai deixar cair as exigências do PCP e Bloco. 

Sócrates - a conferência-doença crónica

por João-Afonso Machado, em 25.10.15

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"Justiça e política" podia ser um tema sério e um debate plural e interessante. Foi apenas, todavia, mais uma viagem de Sócrates e uma aterragem, não num estudio televisivo mas em Vila Velha de Ródão, em outro dia da sua cruzada contra o seu próprio imaginário.

Da monologante conferência: zurziu Cavaco Silva, o Poder Judiciário, a Imprensa, o mundo inteiro dos inimigos que perspassam o seu espírito doentio. Reduziu investigação e provas obtidas à condição sumária de «bisbilhotice» e «coscuvilhice». Afinal acabou zurzindo em si mesmo, no Sócrates político, - estadista onírico - na realidade um esbanjador dado a luxos e ao novo-riquismo na sua mais feia expressão: a de quem sequer respeita as dificuldades vividas pelo povo que diz amar correspondidamente. E por isso prega a solidariedade no enésimo andar de algum hotel de muitos salários mínimos por cada noite dormida.

(Afora o mais que se venha a concluir nos tribunais...).

E não se cansou de gritar - jamais o privariam dos seus direitos políticos! Como se não estivesse ali a falar livremente para os que o quiseram ouvir. E sem se dar conta de que assim poderá prosseguir em outros lugares quaisquer, menos ao lado de António Costa e dos seus novos aliados políticos. Porque são esses os únicos interessados em calá-lo ou apartá-lo, não obstante serem também os únicos com quem seria viável a continuação da sua carreira pública. A sua família ideológica, enfim.

Apesar dos ataques, das críticas e medos, apesar da oportunidade e da sala cheia de amigos - Sócrates encerrou a conferência sem responder a perguntas dos jornalistas presentes...

E se fosse o PNR a ir para o governo?

por Maria Teixeira Alves, em 25.10.15

Anda para aí tudo a criticar o discurso do Presidente por ter "banido" os partidos que têm programas anti-euro e anti-Nato. Eu gostava de saber se fosse ao contrário, se estivesse no parlamento o PNR, e o PSD/CDS fizessem uma coligação pós-eleitoral com esse partido considerado de "extrema direita", o que diriam os mesmos que agora atiram a Cavaco Silva? Sabem o que diriam? Que era inaceitável, que era uma traição ao eleitorado, que era uma ameaça à democracia e que não percebiam porque é que o Presidente da República não usava o seu poder para travar essa ameaça. Cavaco voltaria a ser tratado de múmia por deixar um partido anti-imigração ir para o poder e nada dizer. E não me venham com a legitimidade, porque o PNR é tão legal como o Bloco e PCP, vai a votos como os outros.Mas como é a esquerda, ai Jesus que não se pode alertar os portugueses para a gravidade dos seus programas eleitorais.

Estes pensamentos da moda com ecos mediáticos não vos parece uma traição à inteligência?

P.S. E na verdade Cavaco Silva não proibiu nenhum partido de ir para o Governo, limitou-se a alertar os portugueses para a gravidade de um governo composto por partidos anti-euro e anti-Nato, o que é perfeitamente legítimo.

Domingo

por João Távora, em 25.10.15

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos


Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus per¬guntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.


Palavra da salvação.

Sócrates compara-se a Luaty Beirão.

 

E ninguém se incomoda, ninguém se indigna.

José Sócrates estreia nova temporada

por João Távora, em 24.10.15

Sócrates.jpg

Reduzidas as medidas de coacção ao mínimo, e terminado o prazo legal para a conclusão do inquérito judicial sem uma acusação, José Sócrates encontra-se em condições excepcionais para fazer aquilo que mais gosta: actuar sob as luzes da ribalta. A estreia da nova temporada dá-se hoje em Vila Velha de Ródão

Com extraordinários dotes de retórica e um ego alucinado, o “animal feroz” que com inaudita determinação conduziu os destinos do País ao descalabro financeiro, confronta-se hoje, não já com a sua sobrevivência política que é um caso perdido, mas com o desfio da sua defesa na justiça. Uma oportunidade para protagonizar uma novela de grande audiência em que, respeitando um minucioso guião, se vai dedicar a gerir os danos infligidos na sua fustigada reputação. Independentemente do desenlace, para a história constará que foi o primeiro-ministro que levou o país à falência, e que depois foi para Paris viver à grande e à francesa, à custa dos milhões dados em espécie por um amigo que geria uma empresa com negócios com o seu governo. Como foi possível semelhante personagem entrar na História do meu país ao tempo da minha geração, é para mim uma pergunta perturbadora.

 

Publicado originalmente no Diário Económico

Mudei de opinião: venha essa frente de esquerda!

por José Mendonça da Cruz, em 24.10.15

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Afinal, espero que as leituras mais sinuosas do discurso de Cavaco Silva estejam certas, que ele nunca tenha realmente dito que não empossaria um governo apoiado por PCP e BE.

Afinal, espero que Passos não fique em gestão, e que António Costa e o seu governo sejam empossados rapidamente. 

Quero ver os Seguristas, os Assisistas, os Gamistas, os Belezistas rendidos, submetidos e envergonhados com a aventura (os socratistas como Costa não se envergonham com nada).

Quero ver os cérebros com bolhinhas dos urbanos avançados a tornarem-se receosos e perplexos sobre como é que uma ideia tão gira, tão moderna, tão progressiva (e tão inofensiva, porque as bloquistas são tão engraçadas, tão prá frente, e têm uns olhos tão verdes) lhes está a desanimar as noites, o ambiente e a carteira.

Quero ver a legião de pendurados no Estado, que optaram por quem defende que os seus privilégios não terão avaliação nem limite e que o dinheiro cresce nas árvores -- quero vê-los postos perante a constatação e a consequência de que não há dinheiro nem árvores das patacas, e que a inconsciência pode produzir miséria até para os pendurados no Estado.

Quero ver os zangados com a coligação, os que até votariam na coligação, mas, ai, foram tão insensíveis, tão pragmáticos, tão tecnocratas, a contorcerem-se e a zangarem-se sob os efeitos das políticas que recusam o pragmatismo e a realidade.

Quero ver os pesporrentes que apodam de bafientos todos os que têm memória dos horrores e da ruína dos regimes comunistas (com apoio de casos bem presentes), quero ver os que se imaginam a saltar Muros da Vergonha para o lado do totalitarismo a estatelarem-se na tirania e na miséria.

Quero ver os intelectuais e os comentadores chiques, que acham a jogatana política uma coisa emocionante e nobre, e que escarnecem e riem sempre que se fala de economia, a sofrerem com o primado da economia, demonstrado pelos disparates de quem como eles a despreza.

Quero ver as elites, os que conviveram tão bem com gente tão interessante, os que defenderam um Costa tão polido e fluente ou um Centeno tão bem formado e valoroso ou até um Sousa tão telúrico e simpático -- quero vê-los a arrepender-se amargamente do convite, da admiração e daquele lugar à mesa. 

Quero ver os liberais imaculados, que recusam o mal menor e se abstêm em toda a pureza, a gozarem na sua plenitude uma governação que considera a liberdade económica um demónio, os mercados um casino, e o mérito um opróbio.

Quero ver os patrões que têm sempre a acrescentar ou contrapor uma correcção, um inuendo, um «mas», uma reserva, uma equidistância, um cuidado -- quero vê-los a fazerem planos de negócio impossíveis num ambiente inimigo da iniciativa privada, quer vê-los a sonhar e a necessitar daquele investimento estrangeiro que afinal não veio nem vem proximamente.

Quero ver os imbecis que julgam que a austeridade é um credo e não uma consequência, quero ver os demagogos que se propõem «virar a páginada austeridade» e fazer chover «crechimento» por magia -- quero vê-los gregos e vergados à inevitabilidade de uma austeridade mais dura. 

Quero ver os semiletrados e iletrados que nunca vislumbram as consequências dos actos, que acham que o dinheiro aparece sempre, que acreditam que amanhã resolve-se, que defendem que depois vê-se -- quero vê-los a constatarem pessoal e patrimonialmente que a riqueza é escassa, que ignorar os problemas só os agrava, e que se persistirem as coisas podem sempre ficar piores ainda.

Quero ver os abstencionistas, os que ficaram em casa ou tinham mais que fazer, os que acham que «eles» são todos iguais -- quero vê-los a experimentarem um novo resgate, uma austeridade ainda mais apertada (outra vez, mais uma vez, de novo) e talvez a aprenderem dolorosamente alguma coisinha.

Tudo isso me entristecerá (e empobrecerá, obviamente), mas nada disso me dará azia. Acredito que até os povos menos sábios conseguem aprender alguma coisa através da repetição. Afinal sou um grande fã da pedagogia.

 

O tempo que demorou foi pernicioso

por Maria Teixeira Alves, em 24.10.15

Acho que o único erro de Cavaco Silva foi não ter falado com os partidos a seguir ao apuramento dos resultados eleitorais e indigitado Passos Coelho como primeiro-ministro imediatamente a seguir. Essa é que foi a falha ingénua do Presidente. Não se pode dar margem para guerras de poder, há sempre quem se aproveite delas. O tempo que Cavaco deu para se formar um governo de estabilidade jogou contra a estabilidade. O Presidente já tinha repetido o mesmo erro quando tentou um acordo do Governo com o PS de Seguro. Cavaco sempre sonhou com um bloco central, mas saiu-lhe completamente gorado. 

Vêm aí as invasões bárbaras

por Maria Teixeira Alves, em 24.10.15

Alguém publicou no Facebook este artigo do Expresso, em que é relatada a suposta "inversão" dos deputados dito seguristas. Ora eu, daquilo que conheço da natureza humana, sei que mesmo os opositores da mesma família, se unem quando está em causa o poder da família. Para quem acha que o Presidente da República com o seu discurso uniu as esquerdas, digo-vos que é uma táctica fazer de Cavaco Silva o bode expiatório da união dentro do PS, 

Acho que esses deputados da minoria segurista nunca iriam votar contra o partido. Acho que o discurso de Cavaco Silva não é contra o PS é, pelo contrário, um puxão de orelhas a António Costa, e bem dado porque um acordo parlamentar com partidos que escolheram ter programas de governo que os excluem do arco da governação não dá qualquer estabilidade. Acho que os seguristas estavam à procura de um bode expiatório para ficarem do lado do Costa porque se ele for para o poder eles ganham com isso. E acho que vêm aí as invasões bárbaras!

Infelizmente nós é que somos os ratos dessa experiência de laboratório.



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