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A narrativa

por João Távora, em 24.06.15

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A vista aqui da varanda da sede da Real Associação de Lisboa de pouco mais de uma dúzia de sindicalistas a verberar num chinfrim em frente a uma impressionante bateria de câmaras fotográficas e de filmar é uma trágica parábola sobre a ficção “democrática” em que vivemos. Não vamos longe.

Jornalismo a cargo de manipuladores e gente obtusa

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.15

Constatando que o aumento dos custos da saúde é uma certeza inevitável, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, sugeriu ontem que a questão fosse debatida, porque cabe aos eleitores, em última análise, decidir como se resolve o problema. Eis o que disse Paulo Macedo:

 

«Nós vamos ter um aumento com os custos da saúde, depois dizem que é preciso ser financiado, mas ninguém diz como. Ora, o financiamento, ou é feito de uma forma solidária como é hoje, genericamente, através dos impostos dos portugueses, ou é feito de outras formas, que nós recusámos, ou é feito (…) como outro tipo de financiamento, designadamente aquelas que lançámos sobre uma tributação adicional sobre a indústria farmacêutica. (…) A conversa de que os custos na saúde vão crescer, que os novos medicamentos vão custar muitíssimo mais e depois ninguém dizer aos portugueses quais são as opções para depois poderem escolher, porque é a eles que cabe discutir, isso é a má discussão ou ausência de discussão.»

 

Visto, porém, que na classe jornalística pululam hoje críticos do governo travestidos de jornalistas e gente simplesmente estúpida, eis como a Lusa e a Sic (seguidos por outros tontos nos orgãos mais insuspeitos) transmitiram o aviso de Paulo Macedo: «Ministro da Saúde admite aumento de impostos.»

A intoxicação procede sempre assim.

Primeiro, esquece convenientemente que «dinheiro do estado» é coisa que não existe, o dinheiro é todo proporcionado pelos contribuintes, sejam privados, empresas ou sectores de actividades.

Em segundo lugar, a intoxicação reclama que o Estado pague tudo, apoie, subsidie, anime, incentive, doe, presenteie, acorra, aposte, invista.

Em terceiro lugar, quando algum agente do estado pergunta com que dinheiro sugere a intoxicação que tudo isso seja feito, a intoxicação faz-se de virgem ofendida e grita escandalizada «Ai, que horror, querem mais dinheiro!»

O grupo Impresa, que já foi um grupo de comunicação, e hoje pode gabar-se de uma abundância de socialistas e ressabiados (passe o pleonasmo) leva até a coisa mais longe. Depois de ver uma decisão de aumentar de impostos onde ela não existe, o Expresso Curto vem hoje, pela mão de Luísa Meireles, comparar o esclarecimento ministerial sobre uma trapalhada jornalística às medidas de limitação da imprensa que estão a ser preparadas na Tailândia. 

O ressabiamento é isto mesmo: depois de corrigido sem margem para dúvidas há-de sempre rosnar qualquer coisa despropositada, em vez de emendar e pedir desculpa por ser burro.

 

Está feliz, a petiz, a cantarolar...

por Vasco Lobo Xavier, em 24.06.15

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, resolveu atacar Passos Coelho louvando a proposta do Syriza que, salienta, “rompe com a austeridade prevista para a Grécia”. Diz que a proposta evidencia que há uma “alternativa à austeridade”. Nem se incomoda os sopapos paternais que o infantil Tsipras levou de Juncker.

 

O problema é que parece que os seus amigos gregos não andam tão entusiasmados com a coisa nem devem gostar de ser arma de arremesso do Bloco contra o Governo português.

 

Não importa! Está feliz, a petiz, a cantarolar...

O dilema

por João Távora, em 23.06.15

Com o País à beira da falência o governo José Sócrates foi obrigado a assinar um pesado caderno de encargos para que uma tragédia fosse travada.

Em clima de emergência, os danos do violento ajustamento e cortes no Estado esvaziaram muitos bolsos, aqueceram emoções e conduziram a um clima de pré-guerra civil.  
Sabemos como há poucos temas que provoquem mais alarme social que os relacionados com a saúde. E que o sofrimento alheio é um espectáculo tão sedutor quanto intolerável se não for controlado e causado artificialmente para um ‘reality show’. Depois, numa civilização de génese cristã uma pessoa é uma pessoa, uma vida é uma vida, única e irrepetível, e como tal um incontornável problema moral para quem tem responsabilidades na gestão da coisa pública.
Dificilmente um sector sensível como o da Saúde podia ter passado incólume à crise da dívida. Mas quero crer que as disfunções detectadas estão sentenciadas a ser rapidamente sanadas. É nossa condição civilizacional.

 

Publicado originalmente no Diário Económico

Vizinha

por João-Afonso Machado, em 22.06.15

CASA MALVAR.JPG

Gosto de a ver assim, de manhã, do outro lado da rua, rodeada de verde, já sentada à varanda.

Invariavelmente quieta, as janelas sem expressão, o jardim frontal ainda e sempre à espera do barbeiro. Com todo o seu volume desafiando os anos, no ar uma impressão de história madura, pronta a ser contada. E uma multiplicidade de ângulos, o goniómetro inteiro, a cada momento torrentes de novos ângulos sugerindo exercícios fotográficos, mais daqui, mais dali, será desta?... A geometria das ideias e dos sentidos tendendo para o infinito.

E a palmeira e o pachorrento Serra vagueando entre os canteiros, guardião dos tempos, ladrar silencioso como uma memória que prefiro apenas imaginar.

Do outro lado da rua, todos os dias, todas as horas, do outro lado dos olhares, todo o sempre possivel.

Do avesso

por Vasco M. Rosa, em 21.06.15

Há acasos que nos deixam virados do avesso.

Na fila do supermercado hoje ao final da tarde, reconheci à minha frente, pelas costas, a figura distinta do tio dum amigo meu que esta semana tive a sorte de encontrar numa rua. Sabia que sofria de parkinson, e quando tive absoluta certeza de que era ele (mas tão diferente já do belo homem que foi, indiscutivelmente), atendeu uma chamada referindo o nome do irmão, cujo estado de saúde é terminal... A chamada deve tê-lo perturbado ainda mais. A certa altura deixou a bengala esquecida para trás, que lhe passei, e tive de pedir à rapariga da caixa que o ajudasse nos sacos das compras que nas mãos dele teimavam em não abrir.

É confrangedor e tristíssimo ver a decadência física e psíquica dum homem que foi um galã moreno, de porte aristocrático, e mais triste ainda pensar no seu filho que bem conheço e na aflição que tudo isto deve ser para ele... Ai vida! 

Q. ia sair dali com dois sacos pesados, sabe-se lá como, e eu, olhando-o, só pensava em ser capaz de dizer-lhe quem era (ou seja, quem conhecia) e que ele me deixasse ajudá-lo porque seria confiável, mas não fui capaz de abrir a boca...

Não fui capaz — e penalizo-me por isso! — de vencer um pudor ancestral que precisa de ser banido, para que essas pessoas, cuja vida é agora um pesadelo a céu aberto, se sintam não como um resíduo ou um estorvo numa fila de supermercado que precisa de avançar, mas o exacto centro das nossas atenções sensíveis.

Sem isso, a ideia de sociedade é um cenário de papelão.

Domingo

por João Távora, em 21.06.15

Evangelho segundo São Marcos


Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com Ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-n’O e disseram: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». Jesus levantou-Se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e está quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».

 

Da Bíblia Sagrada

Nada de novo para amanhã

por João-Afonso Machado, em 21.06.15

O futuro da Grécia está nas mãos de Merkel -  descarta-se Varoufakis de braços cruzados. E pronto!, amanhã que se amanhem... os gregos. De concreto e concretizado, pelo seu Governo, apenas aproximações e acordos com a Rússia.

E a UE com medo. Sem saber bem de quê, desconhece os efeitos da eventual saída grega da Zona Euro. E sem ter pela frente, efectivamente, gente adulta - quer dizer: séria e responsável - com quem negociar.

Parece que a UE ainda não percebeu o óbvio. A fiabilíssima aparência do promotor imobilário Tsypras e Varoufakis, petulante e bem motorizado, não se passeiam por aí em nome do interesse do seu povo. Inacreditavelmente já houve quem lhes chamasse "heróis"!!! E essa é sua motivação. Puramente ideológica e política - acordar a Esquerda europeia do seu sono, e encolerizá-la de novo contra o reapelidado jugo do mundo capitalista. Enquanto as manifestações e os jovens partidos, os dirigentes de "rabo de cavalo", proliferarem o circo prosseguirá.

É a revolução possivel. Até ver. O renascer do socialismo sob o pretexto da salvação grega, a qual os seus governantes desprezam em absoluto.

Nada acontecerá amanhã, em suma. Senão mais ameaças. - Deixem-nos sonhar! - continuarão os do costume a reclamar. Sonhem à vontade. Aproveitem enquanto não chegam os pesadelos.

 

Falta de Respeito

por Vasco Mina, em 20.06.15

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC)permite que grupos de cidadãos eleitores possam apresentar projetos de lei e participar no procedimento legislativo a que derem origem. Segundo a Lei Nr. 17/2003, estes projetos de lei devem ser subscritos por um mínimo de 35.000 cidadãos eleitores.

A Iniciativa Legislativa de Cidadãos “Pelo Direito a Nascer” recolheu, em pouco menos de três meses, 48.115 assinaturas de cidadão eleitores e foi entregue, na Assembleia da República, a 18 de Fevereiro. Esta ILC propunha várias alterações à legislação em vigor sobre o aborto e promoção da natalidade, nomeadamente: Apoiar a Família, a maternidade e paternidade responsáveis em meio profissional e social; acompanhar o consentimento informado da grávida, dado ao aborto, com consulta interdisciplinar e subscrição do documento ecográfico impresso; Pôr termo à atual equiparação entre IVG e maternidade, para efeitos de prestações sociais, eliminando o seu carácter universal e atendendo a factores de saúde e de condição de recursos; Reconhecer o nascituro como membro do agregado familiar.

Após entrega desta proposta legislativa registaram-se atrasos vários no processo de acompanhamento da ILC e agora, para rematar, a conferência de líderes parlamentares decidiu não agendar a discussão da ILC. Vem o líder parlamentar do PSD afirmar que “não vale a pena atribuir nenhum tipo de conclusão política à decisão tomada na conferência de líderes”. E quanto à opção política de “empatar” tempo na AR com o propósito, agora evidente, de não querer votar esta ILC? Qual o respeito democrático por uma iniciativa legislativa que envolveu 48.000 cidadãos? O que esperar, em tempos eleitorais, de forças políticas que atentam à dignidade democrática? Aguarda-se ainda a tomada de posição da Presidente da AR e espero que, uma vez mais, traga o respeito democrático que, pelos vistos, falta aos lideres paralamentares

A "ética republicana" no seu melhor

por João-Afonso Machado, em 19.06.15

5 OUTUBRO.JPG

São assuntos menores, eleitoralmente falando. Mas depois de ter cavalgado o monárquico MPT para alcançar o Parlamento Europeu, o iluminado Marinho - e - Pinto, saltou abaixo, vergastou a montada para longe e acreditou-se num phaeton: o partido posto por si, qual galinha dos ovos de ouro, o Partido Democrático Republicano (PDR).

Convidou personalidades. Convenceu-se do bom sucesso do projecto. Parece ter convencido outros também.

Eurico de Figueiredo, médico, ex-PS transmontano, sobre o qual nada existe em desfavor, nem sequer um poucochinho de corrupção, embarcou com o caudilho no comboio prá Régua. E levou agora reguada. O que se terá passado, eles lá sabem. Mas, afirma o Dr. Figueiredo, o PDR é já um «partido caudilhista»; e caminha a passos largos para um «partido fascista»!

Riposta o Dr. Marinho - e - Pinto: o Dr. Figueiredo vem desde a primeira hora praticando os «actos tresloucados» em cuja prática persevera. Mas se assim é, porque não o mandou embora mais cedo?

O Dr. Figueiredo se conhecesse um pouco mais de História não esqueceria uma figura do passado, criada muito perto das suas bandas, que deu pelo nome de José Maria de Alpoim. Corpulento, dono de um forte vozeirão, dúplice e maníaco. Alguém dificil de descrever, navegando um oceano inteiro entre o Rotativismo e a quase certa cumplicidade no Regicídio... Ninguém duvide: a História é a mestra da vida...

Crónica dos Bons Malandros

por Maria Teixeira Alves, em 19.06.15

Ex-representante da Oi na PT preso no Brasil na operação Lava-Jato.

Mais cedo ou mais tarde as pessoas revelam-se. Um dia o BES, pôs a Portugal Telecom a fundir-se com a Oi. Zeinal Bava foi premiado com a presidência da Oi. Os accionistas da Oi e Ricardo Salgado entendiam-se bem, havia cortesia para todos. 

Mais tarde, perante o default da Rioforte que provocou uma perda de 900 milhões na PT em plena integração na brasileira Oi, Ricardo Salgado passou de "bestial a besta" para os brasileiros. Mas os mails trocados foram parar ao Expresso, a provar o quão cínicos eram os brasileiros. Cinismo com cinismo se paga.

O que diziam os mails? O Expresso teve acesso a e-mails trocados entre Sérgio Andrade, presidente do Conselho de Administração da Andrade Gutierrez (accionista da Oi), e Ricardo Salgado, com o seguinte conteúdo: “Caro Sérgio, estou surpreendido com a situação porque certamente o Sérgio se lembra de que o GES teria uma contrapartida equivalente ao benefício das holdings privadas brasileiras no aumento de capital”, o que sugere que o aumento de capital que deu corpo à integração da PT Portugal na Oi tinha permitido ‘limpar’ dívidas dos accionistas brasileiros.  Ricardo Salgado dizia que existia um acordo entre o GES e os grandes accionistas da Oi - a Andrade Gutierrez e a Jereissati Telecom - no âmbito da qual a fusão permitiria a ajudar a "limpar" a dívida das holdings destes dois accionistas. "Como contrapartida, afirmou o ex-líder do BES, a operadora brasileira renovaria as aplicações na Rioforte. Ricardo Salgado sempre disse que estes mails eram verdadeiros.

O que aconteceu a seguir?

Num comunicado de duas páginas publicado a 15 de Agosto de 2014, no jornal Expresso os dois administradores acusam o antigo presidente do Banco Espírito Santo de falsificar os mails e criar informação falsa "ao afirmar que os investimentos realizados pela Portugal Telecom SGPS em títulos da Rioforte eram de conhecimento dos sócios brasileiros da Oi e que, supostamente, faziam parte de um acordo de investimento cruzados".

Ou seja, os brasileiros que desmentiram Ricardo Salgado, que despacharam Zeinal Bava da Oi e que entalaram a Portugal Telecom SGPS com o papel comercial da Rioforte que dizem nunca ter conhecido, estão agora presos no Brasil. Os presidentes das duas construtoras brasileiras Andrade Gutierrez e Norberto Odebrecht, accionistas da Oi, foram presos preventivamente. Otávio Azevedo foi um administrador da PT que desmentiu Ricardo Salgado e participou no afastamento de Zeinal Bava.

Ou seja os brasileiros foram presos antes de mesmo de os crimes do Universo BES terem sido sequer julgados.

A vida é irónica!

Efeito Grécia

por Maria Teixeira Alves, em 19.06.15

Em oito meses, o PS de Costa é apanhado pela coligação

Em oito meses, o PS de António Costa é apanhado pela coligação

A propósito da Grécia

por João Távora, em 19.06.15

Não nutro um grande orgulho pela Pátria em abstrato (aliás muitos dos seus traços e história provocam-me apreensão e amargura). Antes corre no meu sangue um amor vivo e profundo a Portugal, que sendo verdadeiro é responsável e exigente. Já o sentimentalismo patriótico é normaalmente semente de brutais tiranias e grandes desgraças.

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Dúvidas

por João Távora, em 19.06.15

Se o Syriza não ceder aos governos  parceiros da União Europeia e assumir a saida do Euro parece-me evidente que condena os gregos a um ajustamento tremendamente mais brutal que  colocará ainda mais em evidência as ineficiências da sua economia. Não sei até que ponto a sua  estratégia "neo-orgulhosamente-sós" resistirá ao desespero causado pelo consequente radical  empobrecimento das pessoas, com os bolsos cheios de Dracmas sem valor,  que não dão para pagar nada.

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Alguém me explica esta OPA do Caixabank?

por Maria Teixeira Alves, em 18.06.15

Quando o Caixabank lançou uma OPA sobre o BPI, a 17 de Fevereiro, pensei, vem em ajuda do BPI para crescer por aquisições, vem ajudar o BPI a comprar o Novo Banco. Mas logo a segunda maior accionista, Santoro (Isabel dos Santos) se opôs e lança o repto de uma fusão com o BCP. Em que com uma mera operação de troca (ainda estaremos para ver se assim será) fica dona em conluio (aliança, vá) com a Sonangol do maior banco português o tão fadado BCP+BPI. Pensei, lá se vai a compra do Novo Banco, isto vai arrastar-se e não há tempo para comprarem o Novo Banco. 

Isabel dos Santos força a administração do BPI a dizer que o preço da OPA é baixo, 1,329 euros não é suficiente para comprar essa pérola que é o BPI. 

O preço era um bom pretexto para fazer abortar isto. Isabel dos Santos quer o BPI e vai ter o BPI. Até porque precisa de boa reputação bancária e segundo o BCE, Angola não tem boa reputação na banca ao ponto de ser equiparada a risco europeu. 

Isabel dos Santos, ou os que a representavam, desde sempre souberam que àquele preço nunca iriam ser demovidos a facilitar a vida aos espanhóis que estavam no BPI há vinte anos. Mesmo sabendo isso, mantiveram a OPA. 

Isabel dos Santos, ou os seus muchachos, forçaram a votação da desblindagem, para acabar de vez com a expectativa do La Caixa de conseguir ter sucesso numa OPA que precisaria obrigatoriamente da vontade de Isabel dos Santos. Artur Santos Silva ajudou os accionistas históricos do banco que ajudou a fundar. Pediu a suspensão e foi adiado para o dia 17 de Junho a votação da famosa desblindagem, quatro meses depois da OPA. Não valeu de nada. Nada mudou entretanto. Durante estes quatro meses o que esteve o Caixabank a fazer? Não estudou imediatamente alternativas? Porque carga de água é que um chumbo mais do previsível há meses, ainda leva o Caixabank a demorar um dia e meio para decidir retirar a OPA ao BPI?

Mas que absurdo tudo isto. Uma OPA que depende de uma condição impossível para  ter sucesso. Uma teimosia em não contornar o impossível. Mas o mais absurdo é terem deixado arrastar a coisa meses quando afinal se podia ter resolvido em semanas. Assim que Isabel dos Santos disse que não votava a favor da desblindagem, se era para nada se mudar, deixava-se cair a OPA logo.

Depois dá-se a AG que vota a desblindagem. A desblindagem é chumbada tal como era esperado, e a OPA fica a pairar até às cinco e meia da tarde do dia seguinte? Mesmo depois de se saber que não tinha condições de sucesso, mesmo sabendo que não iria ser registada, mesmo sabendo que não havia alternativa, senão a subida de preço e a alteração da condição de eficácia? 

A CMVM recusa o registo da OPA, as acções do BPI caem a pique (6,2%). O Caixabank, que teve meses para preparar um resposta ao chumbo da desblindagem de votos, ainda precisou do dia inteiro (a AG foi de manhã) para pensar no que fazer. No dia seguinte, naturalmente os investidores pensaram que esse compasso de espera só poderia querer dizer que estavam a preparar uma alteração das condições da OPA, pois se era para retirar a OPA diziam-no logo. Já tinham tempo para o ter discuto em todos os conselhos de administração. As acções do BPI abriram a subir, e já ia em 2% quando a CMVM suspende a cotação à espera de facto relevante. O board do banco catalão, reúne-se e discute o desfecho da AG do BPI do dia anterior que teve o resultado mais do que esperado, segundo sei, nem sequer nessa reunião puseram outra hipótese que não a retirada da OPA. Ora se era para isso, volto a perguntar, porque esperaram pelo fim do dia seguinte para o comunicar?

Uma retirada de OPA não exige suspensão das cotações, normalmente, mas isto foi tudo menos normal.

Depois os espanhóis deixam até ao fim do fecho do mercado bolsista em Espanha (que é às seis da tarde deles, cinco de cá) para comunicar o mercado uma informação que não vai mexer com nenhuma cotação do Caixabank, nem tão pouco do BPI; e até porque as acções estavam suspensas. Se era para retirar a OPA porque não comunicaram imediatamente, ou mesmo a seguir à reunião do board?

Como é que se lança uma OPA sem falar com o segundo maior accionista quando se quer pedir uma alteração à blindagem de estatutos? Vai-se para isto sem negociar a sério com a segunda maior accionista, Isabel dos Santos? (Sim eu sei que falaram, mas não foi para chegar a um entendimento com certeza)

Como se mantém a OPA por quatro meses? Como se demora quase dois dias depois da confirmação do mais que esperado chumbo à desblindagem,  para retirar a oferta?

Os tempos mudaram. Longe vão os tempos da lealdade. Longe vão os tempos em que nem uma OPA a sete euros levava o La Caixa a vender as acções do BPI. Mas Gonzalo Górtazar não é Isidro Fainé. Os tempos mudaram. Gonzalo Górtazar só tem um objectivo: rentabilizar o Caixabank, doa a quem doer.

Se tiver de vender tudo fora de Espanha vende. O grupo catalão deu uma oportunidade pagava mil milhões para controlar o BPI mas isso obrigava a que Isabel dos Santos largasse o osso, que é como quem diz libertasse a blindagem dos votos.

O país vai ter saudades da frontalidade destemida de Fernando Ulrich. Todo o sistema bancário terá saudades de Fernando Ulrich. Mas o BPI começa hoje a sua contagem decrescente. Irá ser diluído no BCP, ou vendido a alguém.

Nuno Amado é o próximo grande banqueiro do sistema nacional. Desaparecido o BES, o que restará são dois bancos grandes (sob alçada do BCE) – CGD e BCP – e muitos bancos pequenos que ficarão sob alçada regulatória do Banco de Portugal. 

O mundo muda, as mentalidades é que levam mais tempo. 

 

 

O aquecimento da fé

por José Mendonça da Cruz, em 18.06.15

Só faltava agora ao Papa vir dizer que o aquecimento global é matéria de fé. (Deve julgar que se redime de Galileu e afinal arrisca incorrer no mesmo erro.)

Claro e cristalino

por José Mendonça da Cruz, em 18.06.15

O governo, preocupado com o conto de terror para crianças que o Syryza propôs, constituiu uma almofada financeira e encheu os cofres prevendo uma saída da Grécia e criando defesas para o país.

O PS, fã inicial do Syriza, defensor de que se gastasse a «almofada» e se esvaziassem os cofres em «políticas para as pessoas», reabre o programa eleitoral se a Grécia sair.

Não há distinção mais clara e elucidativa sobre os dois futuros que os eleitores podem escolher.

E se se tivesse torrado tudo?

por Vasco Lobo Xavier, em 18.06.15

O problema dos Gregos ameaça estragar a vida de todos os países da zona euro, Portugal e os Portugueses incluídos nesse ramalhete. Não tanto como há quatro anos por termos amealhado alguma coisa, por termos os “cofres cheios”.

 

Agora vamos lá ver: e se tivéssemos torrado tudo como ainda há pouco pretendiam os socialistas e os comunistas e os bloquistas e os pêéssedistas amuados com a sua direcção?

 

É tão-só isto e só isto:

por Vasco Lobo Xavier, em 18.06.15

Existem países verdadeiramente pobres e povos que realmente sofrem com a pobreza. Alguns bem perto de nós. Países e povos que não se lembram de exigir do resto do mundo metade do que com imensa arrogância pretende o Syrisa.

 

Espanta-me que grande parte da esquerda e da comunicação social se esqueça destas evidências e se vá colocar do lado do Syrisa. Mas eles lá sabem.

A carta-profecia de Antero

por João-Afonso Machado, em 17.06.15

PRAÇA DA REPÚBLICA.JPG

Tardes em que a se pesquisa, estuda, escreve. E a grande carta, a imortal carta premonitória, invariavelmente ante o olhar, neste livro, naqueloutro. Contando tanto, em tão pouco espaço, convidando sempre a reproduzi-la. Actualíssima, como se a actualidade fosse um infindo plano inclinado. É de Antero do Quental. O Santo - e profético - Antero. Para o seu amigo João Lobo de Moura, em 1873:

«Creio que teremos República em Portugal, mais ano menos ano; mas, francamente, não a desejo, a não ser dum ponto de vista todo pessoal, como espectáculo e ensino. Então é que havemos de ver o que é atufar-se uma nação em lama e asneira. (...) Os briosos portugueses estão destinados a dar ao mundo um espectáculo republicano ainda mais curioso: se a República espanhola é de doidos, a nossa será de garotos».

Sim, a República Portuguesa é uma marosca de putos, um carnavalzinho de bairro a que dá algum gozo assistir da varanda. Se não é ... - seria, não ocorresse um preocupante crescente de bullying por quantos becos da República. Garotos!




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