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Roger Scruton outra vez

por João Távora, em 25.05.15

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João Vacas apresentará amanhã dia 26 de Maio, terça-feira, pelas 19H00, no âmbito de mais uma sessão de "À volta dos livros" organizada pelo Instituto Amaro da Costa, a obra "The Soul of the World" de Roger Scruton.

Neste livro, Scruton defende a experiência do sagrado face às formas de ateísmo mais em voga. No seu entender, as nossas relações pessoais, intuições morais e julgamentos estéticos indiciam uma dimensão transcendente que a ciência não consegue explicar. Para o autor, estar realmente vivo – e perceber quem somos – é reconhecer a esta realidade e como ela é essencial para a vida humana.

Reserve desde já o seu lugar aqui

Ainda a jhiad de José Alberto Carvalho

por João Távora, em 24.05.15

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 (...) E mesmo a exploração de crimes recentes é preferível à exaltação de crimes remotos, ou a José Alberto Carvalho, em directo do Museu dos Coches, a lembrar o regicídio ("uma data considerada funesta para os monárquicos"), a evocar com carinho a memória do Buíça e a constatar, com certo pasmo, que "mais de um século depois estes princípios republicanos ou de humanidade são ainda objecto de debate". Se os princípios eram a herança francesa do terror, é melhor não conhecer os fins. Já o fim do jornalismo, pelo andar da carruagem (ou do coche, caso apreciem trocadilhos), não deverá andar longe disto.


Alberto Gonçalves hoje no DN

O cabalístico nº 44

por João-Afonso Machado, em 24.05.15

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Não registam os anais, de certeza, outra cela mais conhecida do que a nº 44 do Estabelecimento Prisional de Évora. A História não se faz de acasos, toda ela são misteriosos, por vezes antagónicos, encaminhamentos. Como o que levou Afonso Costa a abandonar velozmente, na madrugada de 4 de Outubro de 1910, o "Quartel-general" da Revolução republicana, num coupé de praça, e a esconder-se no Hotel Central, ao Cais do Sodré.

Alguns tiros de pistola, disparados lá para as bandas de Alcantara, foram o bastante para que o heróico caudilho sustentasse ter sido ferido, necessitar tratamento. Examinando-o, o médico republicano Malva do Vale (o único membro do Directório do PRP presente na Rotunda) «declarou sarcasticamente que ele só tinha no corpo um buraco de nascença e natural».

Os factos e as fontes constam da obra (ed. de Autor) de Eurico Carlos Esteves Lage Cardoso sobre Afonso Costa.

Malva do Vale conhecia bem a "ética" da peça com que lidava. Mas ignoraria que o coupé em que ela fugira era o nº 44...

E 88 meses depois - 2x44 penosos meses depois! - Afonso Costa abandonava definitivamente a governação portuguesa, rumando Paris, o eldorado dos nossos auto-exilados republicanos.

Moral da história: se vais tão depressa, vais dentro.

O desafio de comunicar a monarquia

por João Távora, em 24.05.15

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 Dedicar mais tempo à Política que à História - uma prioridade dos monárquicos em tempo de presidenciais. 

Ricardo Salgado andou anos a dar ordens a cúmplices para trabalharem as contas da holding suíça que controlava o todo o Grupo Espírito Santo. O GES foi crescendo e o BES também. Para financiar o crescimento estavam cá os clientes, quando faltava o dinheiro à família, as holdings emitiam dívida e os bancos e gestoras de fundos distribuíam-na, para depois a família ir aos aumentos de capital. Criavam-se bancos em várias geografias o que dava para financiar mais o GES. Arregimentavam-se solidariedades para assegurar o funcionamento da máquina. Agregavam-se amigos à estrutura de capital das várias holdings.

Um dia veio a crise financeira de 2008 (Lehman Brothers) – um dia ainda ouviremos dizer que quem deitou o BES abaixo (e outros como o BPP) foi o Ben Bernanke (presidente do FED em 2008) – e com ela a crise de financiamento. Os bancos deixaram de se conseguir financiar no Mercado Monetário Interbancário. Foi uma aflição para o GES que vivia irrigado a dívida. Martelar as contas foi a resposta que o líder do GES adoptou para evitar ter de perder o controlo do banco. A dívida estava escondida para que a holding se conseguisse continuar a financiar. Nem se pensou por um segundo que tudo pudesse ruir. A circulação de dinheiro substituía a ausência de capital.

O BES e a Tranquilidade já foram recuperados, na década de 80, às nacionalizações com parcos recursos e muita dívida. A culpa disto tudo no fundo é do PREC de 1975 que destruiu as empresas portuguesas e criou a crise de capital que existe até hoje. 

O Banco de Portugal descobriu em 2013 e começou a pressionar devagarinho e depois pressionou depressa, e quanto mais pressa pior, porque a urgência da situação levou Ricardo Salgado a soluções de recurso pouco ortodoxas. Depois de descobertas o Banco de Portugal e a KPMG quiseram provisionar tudo como se tudo estivesse perdido, estando ou não, e isso deitou o banco abaixo. Criou-se um novo banco e assim se evitou que o Estado entrasse no capital do BES. O que era contra as indicações de Bruxelas que estava em plena legislação anti-ajuda estatal aos bancos. A Resolução é uma medida europeia.

O BCE retirou o estatuto de contraparte ao BES. O BES podia ter continuado sem esse estatuto? Sim podia. Vivia encostado à ELA (facilidade de liquidez do Banco de Portugal) até arranjar compradores privados. Mas podia? Não, porque mesmo para recorrer à ELA não podia ter capital abaixo dos mínimos legais. O BES com as provisões genéricas de 2.100 milhões, mais 1.500 milhões de provisões a 100% para as obrigações que circulavam pela Eurofin para gerar dinheiro, e para as cartas conforto à Venezula, ditaram o fim do BES. Os prejuízos semestrais de 3.577 milhões são resultante dessas provisões (só cerca de 255 milhões é que eram prejuízos da actividade). A Resolução sempre esteve na sombra do desfecho do BES, desde que se descobriu a meio de Julho a marosca da circulação das obrigações que estavam a ser recompradas pelo BES com perca para o banco. E desde que se descobriu as cartas conforto aos venezuelanos. A Resolução esteve sempre na sombra, mas a decisão formal dela só se toma no começo de Agosto. Estava tudo preparado para ela quando ela surgiu, assessores contratados inclusivamente, mas mesmo assim, as opções podiam ter sido outras se tivesse havido outras.

Resumindo e baralhando:

Ricardo Salgado é acusado de actos dolosos de gestão ruinosa, o que lesou depositantes, investidores e demais credores.  Pois sabia da falsificação das contas da ESI e mesmo assim deixou que os bancos e gestoras de fundos disseminassem dívida dessas empresas pelos clientes, investidores e demais credores.

Claro que Ricardo Salgado não decidiu as provisões em Julho, com reporte a Junho, que deixam o BES sem capitais, mas isso não quer dizer que não tenha criado todas as condições para deitar os bancos do GES abaixo (não foi só o BES que caiu). Desde logo os bancos noutras geografias que já estavam a fechar portas porque não conseguiam cumprir o pagamento do papel comercial do Grupo que tinham vendido aos clientes e isso provocou uma corrida aos depósitos. 

O próprio Amílcar Morais Pires, o Merlin do BES, admitiu que havia uma crise de liquidez (o BES aproximava-se do ponto em só se financiaria no Banco de Portugal, recorrendo à ELA) mesmo antes de se descobrir as Obrigações BES de longo prazo (carteira discricionária) as cartas conforto aos venezuelanos.

 

 

O Zé Alberto "a retalho"

por João-Afonso Machado, em 23.05.15

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As alarvidades que José Alberto Carvalho terá dito - eu não ouvi, já quase não oiço noticiários televisivos - sobre o testamento do Buiça e os famosos «valores republicanos», como se matar uma, duas pessoas, pai e filho, ambos queridos da esmagadora maioria dos portugueses de então, andasse longe do respeito devido aos seres humanos, - a boçalidade do Sr. Carvalho, dizia, causou geral indignação. E talvez não seja caso para isso.

Porque se José Alberto Carvalho sabe do que está a falar, e fala em nome dos tais indiscritiveis «valores republicanos», ficamos todos entendidos. E legitimado qualquer colega seu, pela res publica que são os canais públicos da TV, para o abater a tiro sob pretextos da intrigalhada à volta dele gravitando lá dentro.

Mas o mais certo é o Sr. Carvalho ignorar completamente do que se trata. Do que papagaia, cinco minutos depois de ter folheado alguma brochura sobre o património do Museu, e só para não ficar calado. Possuido de tais ideias a retalho, o Zé Alberto - e como ele tantos! - acreditem serão os primeiros a louvaminhar o Rei assim lhes cheire a proximidade do Trono. É que acima de tudo o emprego; e só depois as convicções políticas.

Só depois do futebol, evidentemente.

Estará tudo doido?

por Vasco Lobo Xavier, em 22.05.15

Eu nunca votei no PSD nem conto votar pelo que estou à vontade para dar este exemplo: alguma vez a Francisco Sá Carneiro terá passado pela cabeça entregar a “um grupo de sábios” a solução para os problemas do país, ainda que os consultasse? Alguém consegue imaginar que um político digno desse nome (se ainda isso for possível) ande a sondar projectos de programas de governo do país para solucionar os problemas desse país? A ver se agradam e se dão votos? A perguntar aos outros o que se deve fazer?!?... Se são os outros que decidem, para quê precisar do (suposto) líder?!?...: contratem-se os sábios para governar! Apresentação de projectos de programa de governo?!?... Ao fim deste tempo todo António Costa só tem projectos de programas para apresentar a discussão?!? Não seria suposto que quem se apresenta a candidato a governar o país tenha as suas próprias ideias e queira impor a sua razão, boa ou má? Ao fim deste tempo todo ainda tem de andar a perguntar aos outros como deveria ser?!?... E a comunicação social e os comentadores em geral acham isto natural? Alguns até muito positivo?!?... Estará tudo doido?

 

O título do momento

por Maria Teixeira Alves, em 21.05.15

Pais do Amaral concorreu à TAP com carta de 4 páginas

Na proposta não vinculativa que apresentou, o empresário pedia mais seis semanas para apresentar uma oferta firme pelos 61% da TAP.

Ou seja, Miguel Paes do Amaral concorreu a dizer que concorria mais tarde! Acho Lindo!

Tenho o estômago revirado de nojo

por João Távora, em 21.05.15

Informam-me que José Alberto Carvalho terminou o Telejornal da TVI em directo do novo Museu dos Coches ao lado do Landau do Rei Dom Carlos a citar o testamento do Buiça, louvando o facto de ele saber que ia dar a vida pelo futuro dos seus filhos na defesa dos "valores republicanos" ao assassinar um Chefe de Estado constitucional e o Príncipe Real (por sinal marido e filho da Rainha D. Amélia fundadora daquele Museu).
Ainda há quem acredite na evolução da humanidade. Tenho o estômago revirado.

PS.: Como seria de esparar, mais de cem anos depois ainda usufruimos (com garbo) dos nossos históricos desvarios, e Portugal é orgulhsamente um dos países mais pobres e desiguais da OCDE.

 

PS.: 2 Correio Azul 

 

 

"Porque matam o Ave?"

por João-Afonso Machado, em 21.05.15

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É um traço importante na nossa região, a do Baixo Minho. Sem mais alongamentos geográficos, demarcada pelo Cávado e pelo Douro e tendo por espinha dorsal o Ave. Um rio muito de V. N. de Famalicão, como também de Guimarães, Santo Tirso, Vila do Conde. E há décadas e décadas tratado a pontapé e baldes de porcaria no seu leito.

Lembro passeios de bote na sua foz, a minha meninice povoada de transparência e peixes anafados como tubarões lá no fundo, rochoso, arenoso, encrustado de mexilhões ou em voares das algas. Imaculado. Os robalos subiam a maré como facas na manteiga, as tainhas eram pitéus, ia-se à pesca dos jaquinzinhos já de água na boca para a fritada e, quem gostasse, tinha sempre garantida a caldeirada de enguias. O cais de Vila do Conde era um verdadeiro canavial, tantos os pescadores. E, para o interior, ainda em 1976, sob a ponte de Santo Tirso, tirei uma truta, a excelência do meu repasto no dia seguinte. Mas já o caos se avizinhava, trazido pelos ventos das tinturarias. As águas do Ave adquiriram cores novas, o rio transfigurou-se literalmente em punk. Com espuma em vez de cristas cabeludas.

Depois foi a moda das ETAR’s, um movimento naif e perdulário. Centenas de “chaminés” ao longo do seu curso, centenas de milhares de contos deitados fora. Que me perdoem se exagero… Salvo melhor opinião, porém, não ocorresse a hecatombe de falências o rio teria morrido entretanto.

Sobrevieram, na realidade, tempos de melhor agoiro. A pesca regressou aos açudes e remansos do Ave. E sobre essa pesca, e o que se pescava, deixemos para outra ocasião tantas tolices cometidas. Facto é, o rio lavou-se, oxigenou-se, criou outra aparência, mais civilizada.

Até que, recentemente, regrediu desse aliviante progresso para nova vagabundagem. Sem sequer sair do concelho, basta espreitar o que corre por baixo das pontes de Caniços e da Lagoncinha ou as planuras de Fradelos. Uma imparável tristeza!

De tal maneira, as autoridades decidiram tomar medidas. A “Operação Rio Ave” foi posta em marcha pelo Comando Territorial de Braga da GNR. O objectivo: o levantamento dos pontos de descarga de poluentes e de captação ilegal de águas. A área de intervenção: entre a fronteira das Terras de Basto e o concelho de Guimarães e a nossa freguesia de Fradelos.

Inacreditavelmente os fundos do Ave são um repositório de maldades criminosas: neles jazem cães e gatos envoltos em sacos de plástico, assim condenados à morte, assassinados por afogamento!; e os restos de coelhos e galinhas, bicharada doméstica do consumo alimentar das gentes!; mais objectos, lixo diverso, desde as bolas de futebol aos bidões, pneus, trapos de roupagem, tudo o que a selvajaria de uns tantos achou poder destruir um património de todos por comodismo seu.

O “inventário” é de quem lá anda, os destacados do Núcleo de Protecção do Ambiente e da Unidade Especial de Operações Subaquáticas (incluindo um mergulhador) da GNR. A vergonha é, genericamente, nossa.

Não será de acrescentar mais. Até porque, se o Ave leva semelhantes tratos de polé, os seus afluentes também. O Este, o Pelhe, o Pele, quantas ribeiras serpenteiam pelo concelho e era suposto embelezá-lo em vez de o emporcalhar. Parece até, damos de barato o desemprego grassante e a riqueza turística que os restos mortais dos nossos cães e gatos aniquilam…

 

(Da rúbrica De Torna Viagem, in Cidade Hoje de 21.MAI.2015).

Um programa partidário é uma coisa maçadora de ler, algo que, há mesmo quem diga, não vale a pena ler. Mas vale a pena ler o Programa Eleitoral do Partido Socialista, apresentado por António Costa. Mais que as medidas (fantasiosas, umas; regressivas, outras; já em curso, algumas delas) vale a pena analisar a mentalidade, os preconceitos que estão por detrás do programa, e a vacuidade e a assintonia com o mundo moderno que presidem à linguagem. O programa eleitoral do PS é um documento exemplar da imobilidade e do atraso que os socialistas nos prometem, da intervenção asfixiante que se propõem na sociedade e na economia, e da ruína que garantem caso fossem levados ao governo. Eis o que nos propõe o PS.

 

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Um Estado socialista omnisciente, omnipresente e asfixiante

O Estado, dizem os socialistas, é que sabe, o Estado é melhor que a liberdade cível e económica. Apesar das baixas taxas de crescimento e mesmo da estagnação que sempre resultaram das suas políticas, apesar de bancarrota de 2010, apesar do actual crescimento apoiado nas empresas privadas e nas exportações, apesar do inédito saldo comercial positivo, apesar do superavit primário, os socialistas mantêm-se fiel ao seu credo arcaico e proclamam que é «preconceito de que os privados são mais competentes e eficazes que o Estado.» Para o demonstrar, o PS chega a argumentar com os casos de PT e BES, sem reparar, obviamente, que são casos típicos, não de privados, mas de conluios opacos com o Estado socialista.

Neste ambiente, toda a modernidade, a comunicação electrónica, por exemplo, suscita a suspeita socialista. Depressa tratariam disso, pois propõem-se «criar mecanismos de monitorização e avaliação dos sistemas eletrónicos, públicos e privados, de registo e arquivamento de dados pessoais». O que não se controla, vigia-se.

As empresas privadas não precisaram da ajuda do Estado, mas o PS insiste em ajudar. Por isso, entende que deveria «promover a correta implementação de uma marca Portugal e a sua promoção e divulgação junto de produtores e consumidores». Sempre a mesma fantasia das campanhas públicas feitas por amigos, com pressupostos e alvos errados.

E como o Estado quer estar, agir, intervir, o Estado tem que arranjar dinheiro. Desta vez o dinheiro aparece através de novo aumento do IRS. Ele vem mascarado de «revisão», mas, sabido que os escalões mais baixos estão isentos, é de aumento da contribuição de quem já paga que se trata. Diz o PS que quer «aumentar a progressividade do IRS, nomeadamente através da revisão dos escalões e da eliminação gradual da sobretaxa» e «criar um imposto sobre heranças de elevado valor». O PS, que defende a estabilidade da política fiscal, anuncia, caso seja eleito, mudar a política fiscal: aumenta o IRS e volta atrás na baixa do IRC. Quer pagar mais impostos? Vote PS.

 

O PS dos gastos e das obras

Com o PS, promete o PS, o Estado trabalha menos e gasta mais. Começa pelos horários dos funcionários públicos, que devem ser aliviados com «o regresso ao regime das 35 horas semanais de período normal de trabalho para os trabalhadores em funções públicas» e com o número dos mesmos funcionários públicos que, naturalmente, é para crescer através da «injeção de “sangue novo” na Administração Pública». Eles vão estar por todo o lado, vai haver novos cargos para toda a gente com «a abertura de novas lojas do cidadão (…) A abertura de balcões multisserviços (…) A criação de unidades móveis de proximidade, que visem assegurar um serviço público de qualidade nos territórios de baixa densidade populacional (…) promoção da utilização assistida de serviços de apoio eletrónicos.» O Estado ajuda, o Estado cresce.

E pouco interessam os gastos, o que interessa são os resultados, como na Parque Escolar, se as escolas ficam com mármore, que importa que o mármore seja caro, o que interessa é «implementar programas orçamentais» que tenham «como objetivo associar a utilização de recursos públicos à obtenção de um certo resultado, colocando a sua ênfase nos resultados e não nos recursos. Este modelo facilitará a avaliação da eficiência da despesa pública, uma vez que permitirá comparar imediatamente os resultados alcançados com os recursos utilizados.» Sai caro? Pois. Mas é mais fácil.

Mas o PS tem medo de que as pessoas se lembrem dos aeroportos de Beja e da OTA, do descalabro económico das PPPs, das cinco autoestradas Porto-Lisboa, dos TGVs irresponsavelmente optimistas. Por isso promete que só fará obras megalómanas com apoio parlamentar de 2/3. É a imagem de seriedade. Mas – que diabo! – nada obsta a que entretanto se crie uma dúzia de organismos e centros onde se coloque gente séria. E é isso que o PS faz, ao proclamar «a necessidade de reconstituir Centros de Competência no Estado, que previnam os riscos de captura do interesse público por via do outsourcing.» Vamos a isso, vamos constituir novos gabinetes, novas comissões, novos núcleos, pois «devem ser constituídos a partir dos laboratórios associados, centros de competências nas diferentes áreas técnicas essenciais ao planeamento, apreciação de projetos e fiscalização da execução de infraestruturas», e mais «um centro de competências de análise custo-benefício, de modelos financeiros e de contratação jurídica, comum ao conjunto da Administração Estadual», e mais «um Conselho Superior de Obras Públicas», e mais a «reintrodução da figura dos auditores jurídicos e obrigatoriedade do seu acompanhamento das negociações dos processos mais relevantes de contratação pública», ui, como o emprego vai melhorar.

É que essas coisas de gastos públicos têm que ser vistas com o relativismo do olhar socialista. Como se sabe, dizem os socialistas, todos os cortes são cortes cegos, e, por isso, na organização da administração pública «é preciso romper com a lógica dos cortes cegos». É como na Saúde. O governo PSD/CDS cortou nos gastos da saúde, logo, cortou mal porque «gastar menos não é gastar melhor». Logo, o PS «compromete-se, até ao final da legislatura, a criar 100 novas Unidades de Saúde Familiar, assegurando a atribuição de médicos de família a mais 500 mil habitantes».

 

 

O PS que suspeita das empresas e da iniciativa privada

O liberalismo é uma coisa horrível, pensa o PS, o investimento e a actividade privada são suspeitos até prova em contrário, os mercados é que tramaram os socialistas, os mercados são uma coisa abominável, um casino. Por isso, garante o PS, é preciso «assegurar a regulação eficaz dos mercados». Se não fossem os mercados ninguém tinha dado pela irresponsabilidade criminosa do PS; é preciso pôr na ordem os mercados, e, assim, depois de atribuir a crise portuguesa a puros factores externos, «o PS considera essencial investir no reforço da eficácia das entidades de regulação e supervisão nacionais». Como? «Dotar as entidades reguladoras de uma maior capacidade de fiscalização e de intervenção, nomeadamente preventiva, em termos de verificação de idoneidade, gestão danosa, defesa da concorrência e proteção dos consumidores». É uma promessa de total discricionaridade? É. Mas eles não gostam de mercados. É tudo neoliberalismo. O PS promete combater o neoliberalismo, onde quer que ele esteja.

Na saúde, onde avisa que vai «avaliar as experiências hospitalares existentes em regime de parceria público-privada (PPP) explicitando as suas vantagens e inconvenientes de modo a introduzir melhorias corretoras ou revisoras»

Na habitação onde promete começar por adiar a actualização das rendas, assim insistindo no que trouxe o mercado imobiliário à situação anómala de ser obrigatório comprar casa, por não haver casas para arrendar. O PS insiste no passado, e, como reconhece que deu maus resultados (créditos incobráveis, endividamento familiar, etc) quer agora deitar em cima deles o dinheiro dos contribuintes. Promete «promover a reabilitação dos edifícios degradados e a reocupação dos edifícios e fogos devolutos, designadamente alargando os incentivos e benefícios fiscais à reabilitação», e «criar um “Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado”, com capitais e gestão pública» e «financiar, mediante procedimento concursal, pelo menos 25 Planos de Ação Locais para a reabilitação de áreas urbanas, com vista à execução de intervenções físicas em centros históricos e áreas urbanas desfavorecidas» e «reforçar a capacidade dos municípios de se substituírem aos proprietários incumpridores e realizarem obras coercivas e condicionadas em prédios devolutos ou em ruína» (resultado, esquece convenientemente o PS, das rendas ridículas).

Os «privados» (os eleitores, as pessoas normais, você) , insiste o PS, não são dignos de confiança. Há que cortar favores, regalias e previsibilidade a proprietários e investidores imobiliários, por exemplo, tudo gente horrível que quer substituir-se à sabedoria e acção do Estado. Por isso, o PS promete-lhes a «eliminação do regime de incentivos fiscais atribuídos aos Fundos de Investimento Imobiliário, mantendo apenas os benefícios atribuídos aos restantes promotores de reabilitação urbana» e o «agravamento da taxa de IMI aplicável a prédios urbanos de habitação ou frações, a partir de um valor a definir, que não sejam utilizados para habitação própria e permanente do proprietário».

O PS está disposto a ir até onde for preciso contra os privados, a nacionalizar, até (desde que a nacionalização seja de borla, é claro). Começará pela EGF, propondo-se «travar o processo de privatização da EGF, com fundamento na respetiva ilegalidade e desde que tal não implique o pagamento de indemnizações ao concorrente escolhido pelo Governo PSD/CDS».

 

O Estado à moda de Sócrates

A «aposta nas energias renováveis» com que Sócrates enfeitava o seu «dinamismo» foi, sob um disfarce de modernidade, um caso exemplar de desgoverno e atribuição de rendas excessivas. As energias renováveis de Sócrates traduziram-se na maior factura de electricidade industrial e doméstica da Europa, e na garantia de lucros inexplicáveis a alguns agentes seleccionados. Não se sabe se houve corrupção e luvas, mas é em situações destas que elas surgem.

E no que respeita a energia, o PS de António Costa quer reinstaurar a política de Sócrates (Em todas as vertentes principais, Costa quer reinstaurar a políticas de Sócrates – ele era número dois, no fim de contas). Como Sócrates, também Costa quer «liderar a transição energética». E visto que todos os dias renega o crescimento apoiado nas exportações e nas boas contas, o PS alucina agora que «a economia portuguesa tem de voltar a crescer» (não reparou que cresce como nunca cresceu com os socialistas) «mas deve fazê-lo seguindo um modelo de sustentabilidade. Isso implica adotar uma visão integrada da temática ambiental, do desafio energético e da aposta numa mobilidade eficiente, sempre com um forte cunho de inovação.» Compreenderam? Em resumo: eles apostam e inovam; vocês pagam.

 

O PS dos subsídios e das ajudas

Se não fosse o Estado, se não fossemos nós, esta gente não se mexia, diz paradoxalmente o PS, apesar do seu amor acrisolado à dependência. Há que apoiar, há que subsidiar, há que apoiar os nossos com o dinheiro dos outros. E assim, fica combinada, nomeadamente, a «criação de uma incubadora para testar projetos inovadores na Administração Pública que sejam propostos por entidades públicas, centros de investigação, empresas privadas ou entidades do setor social» e mais a «criação de uma bolsa de fundos públicos, eventualmente com uma componente cofinanciada por fundos comunitários, para premiar projetos inovadores no setor público» e mais a «instituição de um sistema de prémios para trabalhadores ou grupos de trabalhadores que contribuam para a inovação na Administração Pública» e mais, a criação no domínio do ambiente de um «“Superfundo Ambiental”, concentrando os diferentes fundos ambientais atualmente existentes (designadamente o Fundo Português de Carbono, o Fundo de Intervenção Ambiental, o Fundo de Proteção dos Recursos Hídricos, o Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade e, eventualmente, o Fundo de Eficiência Energética), de modo a obter um instrumento com maior capacidade financeira para atuar na preservação dos recursos naturais, na prevenção de riscos e na reparação de danos ecológicos». Não tema: se houver área amiga a subsidiar ou financiar eles inventarão subsídios e financiamentos. Veja-se a Cultura, por exemplo, o PS nunca deixaria desvalida uma Cultura subsídio-dependente e débil. O actual governo é pérfido, o PS é benfazejo. O PS promete dar dinheiro: «O PS entende como essencial a prossecução de políticas que valorizem e dignifiquem autores e artistas e melhorem as condições inerentes ao exercício da sua atividade profissional através de melhor proteção dos seus direitos, melhor acesso a apoios e financiamento e menor instabilidade laboral. A valorização dos criadores nacionais exige igualmente a sua divulgação em Portugal e no estrangeiro o que implicará, por um lado, um novo impulso às redes de difusão cultural nacional que contribuem para facilitar o acesso à cultura em todo o território nacional e, por outro lado, esforços concertados de promoção externa de forma a potenciar a internacionalização cultural e artística». Nunca mais emigram Tordos.

 

O PS amigo dos amigos

O programa do PS mostra preocupações com a Justiça, domínio a que atribui genericamente a necessidade de «analisar», e «reorganizar» e, é claro, corrigir os «cortes cegos». Isso é para o povo. Mas não se pode deixar entregues à sua má sorte os políticos amigos, que ainda agora vêm sendo alvo de tantas perseguições injustas. Pois não se apoquentem, o PS programa «valorizar a actividade política». Como? Com a «a garantia de proteção e defesa do titular de cargos políticos ou públicos contra a utilização abusiva de meios judiciais e de mecanismos de responsabilização como forma de pressão ou condicionamento». Sim, que isto de responsabilizar chefes e membros de governo não pode ser. Com o PS haverá uma «delimitação rigorosa e objetiva das situações em que deva existir responsabilização financeira dos titulares de cargos políticos e públicos». Parece-vos que, à luz desta vontade, alguns responsáveis políticos estariam em menos maus lençóis do que estão efectivamente hoje? Há-de ter sido por acaso…

 

O PS da ilusão de sucesso e do facilitismo

Na escola, como no país, o que os socialistas querem é regressar à ilusão de sucesso, porque as avaliações descobrem ignorância extrema em alguns professores e produzem «retenções» nos maus alunos. Na escola, o que o PS quer é acabar com a avaliação de professores e alunos, para que mesmo que tudo esteja mal, os números por fim digam que tudo está bem: «O PS implementará o seu programa no ensino básico com o objetivo principal de garantir que todas as crianças e jovens concluem os primeiros nove anos de escolaridade com uma educação e formação de qualidade, alicerçadas numa ampla variedade de aprendizagens no domínio das artes, das ciências sociais, das ciências naturais, das línguas estrangeiras, da educação física, da matemática, da língua portuguesa e da cidadania e rejeitando a redução do currículo que tem ocorrido nos últimos anos» E, assim recuperados os curricula risíveis e inúteis, o PS ainda se propõe tratar de «atenuar os efeitos negativos das transições entre ciclos, assumindo uma gestão mais integrada do currículo e reduzindo a excessiva carga disciplinar dos alunos», coitadinhos, e, haja o que houver, garantir «o sucesso educativo de todos os alunos», ou, se querem ainda mais claro, «garantir … o progresso escolar e não a discriminação precoce». E, confessa o PS com espantosa candura, se isto fosse feito, ficaria assegurado que «no final da legislatura, a retenção seja um fenómeno meramente residual». E se a avaliação externa não fizer coro com esse sonho de sucesso geral e colectivo? Ora, põe-se a avaliação externa entre parêntesis. Ou, nas palavras dos socialistas, trata-se de «melhorar a avaliação externa das aprendizagens, designadamente a realizada através de provas nacionais no fim de cada ciclo, aprofundando a sua articulação com a avaliação interna.» O «aprofundamento», é sabido, resolve tudo.

E visto que os alunos serão sempre bem-sucedidos, não vale a pena chatear os professores para que sejam qualificados. O PS promete-lhes, pois, «rever o processo de recrutamento de educadores e professores, suspendendo a realização da chamada Prova de Avaliação de capacidades e Conhecimentos».

E já que estão com a mão na massa do facilitismo vistoso, os socialistas prometem relançar o Magalhães. Vão, dizem eles: «conceber e implementar uma estratégia de recursos digitais educativos, que promovam a criação, disseminação e utilização de conteúdos digitais no processo de aprendizagem, assente em comunidades de prática com autores, produtores, professores, alunos e pais». E repõem-se as novas oportunidades de Sócrates: «Revitalizar a educação e formação de adultos enquanto pilar central do sistema de qualificações, através da ativação de uma rede nacional de centros especializadas em educação-formação de adultos no atendimento, aconselhamento, orientação e percursos de aprendizagem, com base nas reais necessidades de qualificação dos diferentes territórios/sectores económicos».

E como o facilitismo quando nasce é para todos (e apesar da comprovada falta de seriedade e qualidade científica de diversas instituições de ensino superior), o PS promete degradar ainda mais também o ensino universitário. E por isso pretende «alargar a base de recrutamento dos candidatos ao ensino superior e a qualificação dos portugueses, estimulando a aprendizagem ao longo da vida e valorizando um quadro diversificado de instituições universitárias e politécnicas» e «garantindo a implementação sistemática de práticas pedagógicas verdadeiramente centradas no estudante e estimulando a sua autonomia». Sócrates, por exemplo, pensa que é engenheiro. Devemos respeitar a sua autonomia.

 

A Esquerda velha que julga conformar o homem novo

Os arcaicos socialistas insistem que com eles é que aprenderíamos. Também este programa eleitoral do PS se mantém fiel a essa crença na construção de um homem novo, não como o homem novo gostaria, mas antes como os socialistas o sonham. Se a Igreja católica tem dúvidas, começa-se por relativizar a Igreja católica, um ódio que os jacobinos nutrem, embora tenham que disfarçá-lo. Mas o PS é mais inteligente que o pernicioso Afonso Costa. O PS vem de mansinho. Relativiza e promete a «reconfiguração da Comissão para a Liberdade Religiosa, aumentando a sua abrangência e operatividade, reforçando o pluralismo da sua composição (de forma a integrar representantes de outras confissões com expressão crescente) e a sua missão de promoção da convivência e diálogo entre confissões e, entre estas e os não-crentes». Livres dos padrecos, todos de mãos dadas, todos iguais, porque as culturas são iguais e bárbaros e eruditos são da mesma cepa, então será possível promover a «interculturalidade». A interculturalidade, o relativismo e a sua propagação entre os inocentes com «a educação intercultural desde os três anos», com a inclusão da «temática da interculturalidade na formação de professores», com a retoma dos «seminários sobre interculturalidade para os média e a atribuição do prémio de jornalismo pela diversidade cultural», com a promoção «através das autarquias, de iniciativas que valorizem a diversidade e promovam a interculturalidade». Esse homem intercultural e relativizado até se movimentará melhor, não beberá, não fumará, os casais de senhores ou de senhoras adoptarão à vontade, todos morrerão quando quiserem, poder-se-á até amar o animal doméstico, e todos recusarão o automóvel egoísta, nem será preciso «promover os modos de transporte suaves, como a bicicleta e o pedonal» em alternativa aos transportes públicos, vai ser uma poupança desatada.

 

O PS da língua de pau e do discurso bacoco

A maior parte do programa Eleitoral do PS é um mar de platitudes e vazio. É uma maçada ler, mas é leitura admirável. É quando o PS está mais à vontade na sua pele, a propor coisas difusas e inúteis a quem não as quer nem precisa delas. O PS, diz o PS, vai «melhorar a qualidade da democracia», porque quando os eleitores recusam as políticas do PS, o PS acha que a democracia não presta; «aplicar um choque de gestão ao sistema judicial», pois a reforma da justiça não foi feita pelos socialistas, necessitando, portanto, de ser chocada; «corrigir os erros da extinção de freguesias a regra e esquadro» (ainda que não se saiba se os erros existem, pois o PS dedica ao tema três linhas em que promete «avaliar»); cerrar os punhos e «promover a saúde através de uma nova ambição para a Saúde Pública»; estender a mão e «reativar um pacto de confiança no ensino superior»;  franzir o sobrolho e «reagir ao desafio demográfico»; sorrir-nos e «promover a qualidade de vida»; meter-se numa chavasca e «estabelecer uma presença efectiva no mar», nomeadamente «promovendo um melhor ordenamento do mar», enquanto olha para o ar a fim de «explorar a interacção Mar-Ar»; assustar a Andaluzia ao «afirmar o Interior como centralidade no mercado ibérico»; amorosamente «valorizar e promover os produtos regionais»; partir numa cruzada para «descarbonizar profundamente a economia» e «proteger a natureza» toda; «expandir e tornar mais atractivo o regadio», supõe-se que sem descurar o sobreiro, e «garantir a sanidade animal»; e, por último mas não por fim – que seria de Portugal inteiro sem eles? –«manter vivas a cultura, as artes e a memória». Tudo em Acordês, é claro, que eu fui corrigindo onde calhou.        

               

O PS sem vergonha nenhuma

Ao tratar do «Portugal Global» o PS começa por dizer esta coisa extraordinária: «Os últimos anos corresponderam a uma fragilização da posição portuguesa à escala global.»

Julgar-se-ia que (mais valeria tarde do que nunca) os socialistas se penitenciavam pelos anos de irresponsabilidade e ruína interna, acompanhadas de falta de credibilidade e humilhação externa do seu último governo. Julgar-se-ia que, embora breve, se tratava de referência e contrição pelo desgoverno do PS e de Sócrates.

Mas não, afinal o PS insiste que os males são «em muito resultante de uma opção por uma intervenção de baixo perfil no Mundo e na Europa que o Governo PSD-CDS optou por seguir».

O baixo perfil da contas certas, do crescimento, das exportações, da baixa de IRC, de respeitabilidade internacional, das taxas de juro negativas, da solvabilidade e dos cofres cheios, do aplauso internacional a um caminho difícil após a bancarrota socialista, tudo isso o PS condena. O PS aplaude e quer regressar ao dinamismo e à gestão de Sócrates, agora pelo seu braço direito.

Nos estádios, por favor

por Vasco M. Rosa, em 20.05.15

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O que se passou neste domingo no Marquês de Pombal não pode repetir-se. Não me refiro apenas à violência, refiro-me também aos prejuízos materiais e às excepcionais despesas de limpeza que caem sobre o conjunto dos vizinhos lisboetas. Gastou-se muito dinheiro que é preciso ver gasto bem melhor!

Os grandes clubes de futebol, de sul a norte, têm estádios próprios (o que já seria bem escusado) onde tais festividades podem ter lugar sem grande perturbação da ordem pública, assumindo internamente os estragos que então aí os brutos já hesitarão em fazer... Simples, não é?

Fica além disso garantido que clubismo não é regionalismo, ou seja, que a vitória dum clube do sul ou do norte não reverte negativamente sobre o restante território, onde sempre há adeptos dos clubes vencedores.

Ficamos também livres do aproveitamento político ou partidário, por parte daqueles patuscos que fazem duma escolha pessoal totalmente legítima uma avalanca eleitoralista de escasso valor político.

E ficamos poupados ao contorcionismo do novo autarca, que preferiu sacudir o capote para as forças policiais, salpicando-se afinal com essa atitude.

No próximo ano, no estádio da Luz, sff. Obrigado!

SLB, SLB, SLB, glorioso SLB!

 

 

 

 

Programa à Gomes de Cá

por Vasco Mina, em 20.05.15

Tivemos, há dias, Passos Coelho a falar da massa que constitui a coligação PSD/CDS. Hoje temos António Costa a apresentar um Programa que ainda não o é mas sim um Projeto. Como não sabe ainda o que quer vai cozinhar um preparado com ingredientes ao sabor da opinião pública. Não será pois um Programa que resulte de opções políticas já construídas mas sim, como o bacalhau, um programa à Gomes de Cá. É que se fosse à Gomes de Sá nem todos gostariam mas sendo à moda dos que Cá querem talvez tenha um gosto que agrade a muitos mais. Passos e Portas têm massa mas ainda faltam conhecer os padeiros. A Costa faltam cozinheiros e receita, ou seja, nada tem ainda.

Campeões

por João Távora, em 19.05.15

Note-se que os vândalos filmados calmamente a saquear o armazém do Vitória de Guimarães, não eram fanáticos das claques, jovens inconscientes nem estavam alcoolizados. Dá que pensar, onde param os valores e os princípios básicos de urbanidade a dezenas de homens e mulheres comuns que subitamente encontram e não perdem uma oportunidade prevaricar. Certo é que a escolaridade não disfarça a demasiada grosseria que impera. E, por amor de Deus, deixemo-nos de tretas, não há "crise" que justifique esta canalhagem.

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Percebo que vermelhos briguem com verdes, vermelhos e verdes com azuis e brancos, laranjas com rosas, mas vermelhos brigarem com vermelhos já não consigo perceber. Ainda por cima no meio do que deveriam ser festejos.

A locutora da SIC-N do noticiário das 9 deu a explicação: os ânimos estão exaltados por causa da austeridade e da crise. Pouco depois António Vitorino abraça a justificação. António Filipe já se tinha lambuzado com ela. Santana Lopes segue a ideia. Está tudo doido. Vou procurar um filme.

 

Post scriptum imediato 1: Rectificando, politicamente, os vermelhos sempre tiveram brigas fratricidas com vermelhos.

Post scriptum imediato 2: Não partilho da teoria de que toda a selvajaria no Marquês foi acicatada pelo facto de os dirigentes do clube terem entendido por bem passar as imagens da selvajaria nas imediações do Estádio em Guimarães. Isto porque a briga inicia-se entre adeptos do clube, não com as forças policiais.

Ena...!...

por Vasco Lobo Xavier, em 19.05.15

O Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, geralmente tão afável e sorridente com a comunicação social, tem o mesmo problema de comunicação socialista: quando lhe fazem perguntas não programadas, irrita-se como os outros e faz má cara.

 

Nunca o tinha visto como hoje, quando lhe perguntaram a razão da Câmara não ter seguido o parecer da PSP, que era contra os festejos no Marquês tal como os pretendiam Câmara e Benfica. Os olhos chispavam... Seguramente que os jornalistas aprenderam a lição, ou então segue aviso por sms.

 

 

 

Em cada regresso a mais longe

por João-Afonso Machado, em 19.05.15

AV. FRANÇA.JPG

Tudo na cidade são reflexos do Tempo. Dos anos, tantos anos em tão pouco tempo. Um segmento de recta rigorosamente curvilíneo, assim se contam as contas desse rosário. O mais doloroso em quantos minutos de aflição dobrando a rigida distância entre o Passado e o Presente. Porque o Tempo é o antónimo do Espaço, lugar sentado e observador. Ou talvez não: o Tempo varre o Espaço, sopra as almas que o povoam.

Jardins e parques, cafés, tabacarias e cavaqueiras, tascas e passeios... Um magote de gente transportada pelo Tempo de onde tinha assento ou viva voz, o costumeiro, cordial, cumprimento matinal. Na morte das rotinas o luto é enorme sempre que se regride ao Ontem. Tudo não está no sítio em que ainda parece estar, salvo as rugas do que ainda vai estando. Reaparecem expressões esquecidas, transfiguradas, reaparecem, ainda assim... E, invariavelmente, a arquitectura e uma ou outra árvore.

Crueldade verde

por João Távora, em 19.05.15

verde.jpg

Vem-se acentuando de há umas semanas para cá, na minha rua e no jardim em frente ao meu escritório: choupos, plátanos e demais arvoredo numa desavergonhada fúria reprodutora exponenciada pelo vento, expelem carradas de pólens que tornam o ar difícil de respirar. Como num cenário apocalíptico, enquanto se escutam anúncios de anti-alérgicos nas rádios e televisões, muita gente já só vem para a rua de máscara na cara. Consola-nos que por uma vez é a verdejante natureza a culpada de tão incómodo fenómeno e não a ganância do cruel homem branco ocidental. Já para não falarmos da digestão das vacas e dos bois que produzem gás metano em barda que é responsável pelo efeito de estufa. O melhor é não se falar muito deste assunto, se não os Verdes ainda nos proíbem de comer bitoques.

Parabéns e obrigado

por José Mendonça da Cruz, em 19.05.15

observador.jpg

 O Observador faz hoje um ano.

Há um ano e um dia já o fervor esquerdista do Público era ridicularizado três vezes por semana por Vasco Pulido Valente na última página do ... Público.

Há um ano e um dia Sic, SicN, TSF, Antena1 eram deixadas à solta na ridícula manipulação de todos os indicadores económicos, na persistente ocultação de todo o facto, opinião ou notícia que pudesse ser desfavorável à esquerda, na promoção a dimensões absurdas de qualquer minudência que lhes parecesse torpedear o governo.

Há um ano e um dia Medina Carreira, no sector de televisão paga da TVi, punha a ridículo perante audiências restritas (e a perplexidade de uma directora) os dislates que a TVi propagava para audiências recorde no canal aberto.

Há um ano e um dia o Expresso, sobrevivo a velhas manchetes mentirosas sobre o controlo do défice pelos socialistas e sobre a não-vinda do FMI (na véspera de ele vir), balançava entre a obtusidade de N. Santos, o fervor de novo convertido de P. S. Guerreiro, e a tentativa de promover mínimos de seriedade de R. Costa.

Há poucos dias menos que um ano DN e JN aderiram a este mundo de unanimismo esquerdista manipulador e mentiroso. Numa Europa em mudança, os media portugueses acolhiam-se às trincheiras do enviesamento e do atraso. Pela primeira vez o Parlamento Europeu tinha, há cerca de um ano, uma maioria de direita, mas os media portugueses insistiam no seu velho mundo aparte.

O Observador foi moderno não apenas por escolher como meio a Net (onde outros chegarão, mas não por opção, antes por desespero). Foi moderno por quebrar com o unanimismo, a manipulação, a omissão, o desequilíbrio de critérios. A única crítica que faço ao Observador é que por vezes se sinta tentado a seguir o mainstream, a obedecer à sua agenda, a ser corporativamente como os outros. Faz sempre mal quando faz isso porque os outros não são referência que se cheire. De resto -- e na maior parte do tempo e dos temas -- parabéns ao Observador pela inovação, a coragem, a qualidade, os colunistas e o oxigénio.

Selvagens

por Maria Teixeira Alves, em 19.05.15

Acho inacreditável que no Marquês de Pombal, uns doidos do Benfica tenham desatado a atirar garrafas de vidro para cima das pessoas ( via-se nas imagens da SIC, autêntico terrorismo) e de repente a Polícia começa a empreender e passa a ser a culpada. Agora só se fala da violência da polícia. Incrível! Se a polícia tivesse ficado quieta e as pessoas fossem todas parar ao Hospital com garrafas espetadas na cabeça a polícia era incompetente e não tinha feito nada, assim a polícia é que é a má da fita. Acho que se houver autoridade neste país ficam já proibidas as "festas" no Marquês. 

Já em Guimarães estes selvagens benfiquistas destruiram o Estádio de Guimarães, pegaram fogo até às casas de banho. Arrancaram as cadeiras. É lamentável!!!! Selvagens!!!




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