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Frases para a História:

por Vasco Lobo Xavier, em 22.04.15

«O Presidente [do Tribunal Constitucional] justifica ainda que a "escassez de recursos, mormente humanos", poderá, "em muitos casos", explicar "o não cumprimento rigoroso de exigências formais"».

 

in Público, sobre o resultado da auditoria feita pelo Tribunal de Contas ao TC.

Costa.png

 É com espanto que oiço analistas entusiasmadíssimos com o plano económico apresentado ontem pelo PS “em nome da pluralidade democrática”. Para eles não interessa que o plano seja mau, irrealista e perigoso, desde que introduza uma diferente narrativa na disputa politica: o fim da austeridade e o crescimento económico fundado no consumo interno. Uma sedutora aldrabice que nos deve fazer gelar de pavor: eles não aprenderam.

*Humberto Eco

O "sistema"

por João-Afonso Machado, em 21.04.15

MEDITERRANEO.JPG

Agora, enfim, que uma fornada de 950 almas se perdeu no fundo do Mediterrâneo, a imigração clandestina alcançou foros de primeira página na Imprensa. Não há quem não tenha vindo dizer isto mesmo: que todos estiveram calados em face da tragédia instante e de umas quantas macabras travessias, um sorvedouro de desesperados em busca de um futuro suportável. Aqui na Europa e, vai-se lendo, com pesadas culpas da Europa. O tal capítulo menos bem explicado.

Porque ninguém se lembrou de culpar também a Europa rica pelo afluxo de portugueses pobres do tempo dos bidonvilles. O Velho Continente envelhece cada vez mais, e cada vez mais será uma miragem somente. Ou um lugar de acolhimento dividido entre razões humanitárias, que o obrigam a não fechar a porta, e problemas económicos e sociais a desaconselharem a abram.

Percebe-se por aí, muito se fala, pouco se diz. "Em casa onde falta o pão todos ralham, ninguém tem razão"... Aproveitamentos da Esquerda à parte - a Europa na mão dos neoliberais... - certo é o Mundo cavalgar e o Homem marchar. Enquanto isso, é como se fossemos ao banco ou às Finanças (ou à famigerada EDP) e viessemos de lá sem o problema resolvido, a questão adiada por um tranquilo encolher de ombros do zeloso funcionáro - «é o sistema...», costumam justificar-se eles.

O Porto soviético

por José Mendonça da Cruz, em 21.04.15

Porto.jpg

O F. C. Porto é uma equipa gerida competentemente e com grande inteligência. A estratégia de comunicação e a atitude com que o clube se apresenta no futebol português são também inteligentes, e tudo nelas é intencional. Há muito que o Porto de Pinto da Costa adoptou a política externa dos soviéticos, ou seja, passou a considerar que além das suas estritas fronteiras só existem inimigos e mouros. Esta atitude que, repete-se, é inteligente, carrega de cores fortes e paixão as simpatias e as militâncias portistas: militantes e simpatizantes veem-se obrigados a uma vigilância constante, a uma desconfiança medular por tudo o que não seja Porto, a um desprezo o mais verbalizado possível de tudo e todos que estejam para além deles.

 Este método eficaz de arregimentar paixões e tropas tem, no entanto, um reverso: limita o clube, circunscreve-o regionalmente, afasta interesses e apoios mesmo quando eles são merecidos. É o próprio Porto que rejeita o renome nacional e internacional, e se declara um clube bairrista. 

Ontem, no Prolongamento da TVi24, Manuel Serrão, que é um personagem inteligente, bem humorado e com quem qualquer um gostava de beber umas cervejas, deu um exemplo muito claro desta maneira de estar portista: disse que enjeitava o entusiasmo dos que vinham agora puxar pelo Porto contra o Bayern; e que só aceitava o apoio dos que viessem «rendidos», «de joelhos», aplaudir o seu clube e reconhecer-lhe a grandeza.

Eu espero sinceramente que o Porto elimine o Bayern e nos deleite com futebol da classe do que praticou há uma semana. Mas o meu entusiasmo, que poderia ser grande, tem afinal a estrita dimensão que o clube se autoriza. Se o Porto passar adiante, a minha alegria será apenas a de um adepto do futebol perante um resultado interessante por parte de um clube pequenino. 

sorvedouro.png

 

«O Estado pode e deve ter um efeito catalisador e motor.» São declarações de António Costa que resumem muito bem o seu «programa macro-económico» para Portugal com que ele sonha para 10 anos. O programa, claramente inimigo das empresas (e das exportações, consequentemente), aposta no crescimento do consumo (e das importações, consequentemente) e promete «recuperar» o papel do Estado (o mesmo papel que conduziu à bancarrota e ao pedido de socorro à troika) e acelerar o «motor» do investimento público (o dos TGVs, dos aeroportos desertos, das autoestradas sem trânsito e das «festas» do tipo Parque Escolar). Supõe-se que de tudo isso resulte também o considerável enriquecimento pessoal de alguns membros de um tal governo. Afinal, como diz Costa, é urgente «requalificar» a administração pública.   

E o meu desejo é...

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

Que amanhã o Porto seja falado na comunicação social de todo o mundo, até na de Lisboa…

PS - demagogia e atraso

por José Mendonça da Cruz, em 21.04.15

Do programa económico do PS acabado de apresentar (e de autoria de economistas que sem dúvida o Público e a Sic descobirão que são os mais notáveis de Portugal desde sempre) ressaltam alguns aspectos numa primeira análise:

1. O PS não merece confiança, e as reformas com que o PS se compromete e que assina não são críveis. É o que resulta da intenção de abandonar a reforma do IRC e repor as taxas antigas.

2. O PS despreza a iniciativa privada e defende que o crescimento vem de atirar dinheiro dos contribuintes para cima dos problemas. É o que os socialistas chamam «política para as pessoas» e que deu tão bom resultado com Sócrates, e resulta da intenção de fazer crescer a procura baixando a TSU para os trabalhadores, e da recusa da baixa da TSU para as empresas, que é a parte da medida que contribuiria para o emprego e as exportações.

3. O PS quer diminuir a receita e aumentar a despesa, receita para o regresso ao desastre (agora chamada «política para as famílias): é o que resulta da intenção de «apostar» na educação, e dar subsídios a trabalhadores que ganhem pouco, e baixar o IVA da restauração, entre muitas medidas vagas, mas invariavelmente caras.

Nos próximos dias haverá, no entanto, alguns motivos para rir. Um deles será verificar com o Público e a Sic vão descobrir que este é que é o bom corte da TSU e que a redução das pensões é, afinal, uma medida muito inteligente.

A comunicação social que temos:

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

Esta notícia sobre mais esta tragédia grega é velha de ontem. Pois nenhum jornal diário português lhe faz referência na primeira página.

 

Não deve ser importante. Realmente, que mal fará o governo grego ordenar a passagem da totalidade das reservas de tesouraria da administração local e organismos públicos para o banco central?

 

É “uma necessidade extrema e imprevista”, pois claro.

 

 

"E com António Costa no governo...

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

... o euromilhões sairá a Portugal uma vez por mês!!!"

 

Mária Soares esqueceu-se desta. Os socialistas são uns pândegos, mas a gente diverte-se.

O PS a “pensar à grande”:

por Vasco Lobo Xavier, em 21.04.15

"Pensar à grande". De cada vez que o PS “pensa à grande” eu levo a mão à carteira e o país vai à falência.

 

António Costa realmente parece viver no mundo da lua mas era conveniente que descesse à terra e assentasse nela, e bem, os pés. É preciso estar-se completamente desnorteado para proferir este conjunto de banalidades e disparates, bem como as comparações imbecis, que só uma comunicação social subserviente ou ignorante reproduz sem gozar até à exaustão.

 

Está-se mesmo a ver que, se lhes derem corda, os socialistas vão voltar a torrar todo o dinheiro esmifrado cruelmente aos contribuintes portugueses; eles só não decidiram ainda onde, mas ideias nunca lhes faltaram, particularmente quando toca a oferecer esmolas para comprar votos.

 

Os socialistas não perceberam que o país dos contribuintes não está para mais disparates socialistas nem para o desbaratamento do dinheiro dos seus impostos, e menos ainda para nova intervenção da troika.

Contorcionismo

por João Távora, em 20.04.15

O Marcelo Rebelo de Sousa a respeito da anunciada greve de 10 dias dos pilotos da TAP insinuava ontem que tem uma teoria sobre o capitalismo (adivinha-se qual por aquele sorriso malandro). Pela minha parte eu assumo que tenho uma teoria sobre ele: falta-lhe carácter. 

O calote do dono da voz

por José Mendonça da Cruz, em 20.04.15

A julgar por esta semana, o director do Expresso é capaz de estampar na primeira página do jornal uma manchete que deve virar as tripas a muitos dos redactores. Ricardo Costa é jornalista e sério -- não é propriamente uma novidade.

Já outros, não. Já outros, mesmo no mesmo grupo de comunicação, trataram a notícia da bancarrota no PS, da dívida de 11 milhões e da intenção de pedir dinheiro à banca com uma brevidade e discrição que nos faz ter dó deles, pobres diabos. Noticiaram o mínimo possível, e não lhes ocorreu um desenvolvimento, uma dúvia, uma perplexidade.

A Sic, por exemplo, que vislumbra permanentemente contradições governativas, preferiu não perguntar-se porque é que o PS não diz que não paga, ou que só paga uma parte, como recomenda que o país faça.

O Público, que questiona que uma pessoa que se esqueceu de pagar 300 euros possa chegar ao governo, nem estremeceu perante o risco de ter a governar o país gente que depois de o arruinar, arruina a própria casa com uma dívida de 11 milhões.

E os que andam num afã permanente a perguntar ao Rato ou à Fundação Soares qual é a solução de tudo, desta vez não quiseram perguntar-lhes de onde é que «aparece» desta vez o dinheiro «que aparece sempre».

 

Christian Marclay, The Clock, a instalação de 24 horas

por Maria Teixeira Alves, em 19.04.15

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Uma recolha de cenas de filmes com referência às horas foram sincronizadas meticulosamente e articuladas na perfeição como se o tempo (epicentro de toda a instalação) na verdade não existisse. Há por exemplo uma cena em que aparece Alain Delon, num filme a ir ter com alguém apressadamente e a olhar para o relógio, e a seguir aparece uma cena de um filme com a Juliette Binoche à espera de alguém e a olhar para o relógio. Dá a sensação que o jovem Alain Delon se vai encontrar com uma jovem Juliette Binoche, anulando o facto de serem de gerações diferentes e de os separar em idade algumas décadas. Uma espécie de quarta dimensão em forma de arte.

É uma instalação de 24 horas sincronizada em tempo real, que atravessa o cinema através da sua referência ao tempo.

Os relógios (vários) são o actor principal deste vídeo de 24 horas. Quando um relógio retirado da cena de um filme bate as cinco horas da tarde, olhamos para o nosso relógio e são também 5 horas da tarde. Todas as cenas de filmes, mesmo de épocas diferentes coexistem numa sequência como se fosse um filme só. 

Muito bom. Não dá para ver tudo porque é preciso ficar lá o dia todo.

Esteve até hoje no CCB. 

Tempo de mudanças

por João-Afonso Machado, em 19.04.15

MONUMEN TO.JPG

Como terá corrido o fim-de-semana transmontano de pesca? De que cor correm as águas políticas? Apenas a II Grande Guerra não terminou ainda, vai agora no quarto livro de Martin Gilbert. O que foi possivel salvar destes alucinantes dias de mudança.

(Escravizante mania, a das colecções. Nada como a Net, apenas, e um desses aparelhos completissimos e à medida da nossa algibeira! Assim o Google tivesse o formato de uma primeira edição qualquer, em boa pele e letras douradas na lombada...).

Contra todos os sonhos e planos, a mudança não foi de retorno às várzeas e matas da meninice. Antes para a cidade, na Provincia, o apartamento até é bem dimensionado, o canário gostou e o gato vai-se habituando à sirene das ambulâncias, a vizinhança comenta - há-de ter sido coisa feia na auto-estrada - porque a auto-estrada não é longe e o gato, decerto com o susto, abre a gaveta das meias durante a noite e remexe a caixa de cartuchos, hoje nada como andar prevenido, a cidadezita ainda assim prima pela calmaria, tem parque e um rio ressuscitado, na fase de aprender a conservar o seu peixe.

Não sobra muito a acrescentar. A vida é isto e o fundamental reside em que residamos e vivamos na nossa independência. Quer dizer, na não dependência, obviamente de alguém. O mais a gente adapta-se, já nem espantam as sirenes das ambulâncias, foi outra vez coisa feia na highway. Corre-nos aos pés o mundo inteiro, outras pescarias transmontanas surgirão, vamos pela highway, a velha star de Ian Gillan e Ritchie Blackmore, lembram-se? A mini-aparelhagem chegou entretanto e já toca, "smoke on the water/fire in the sky"... Velhos tempos, alguém tem aí uma garrafa vazia de Old Parr para um candeeiro, aproveitando um abat jour sobrante?

Uma boa luz essa. Para prosseguir a II Grande Guerra e reler o que Ortega y Gasset escreveu sobre o homem-massa, «sem entranhas de passado».

Uma mentira mil vezes repetida...

por João Távora, em 19.04.15

Revelador da cicatriz deixada pelo ambiente revolucionário vivido há 40 anos é o jornalista do Expresso Valdemar Cruz, jornal que esteve então para ser extinto pelos comunistas, não conseguir o distanciamento necessário e definir o Partido da Democracia Cristã de Sanches Osório, que então se preparava para ir a eleições coligado com o CDS, como sendo de "extrema-direita que acolhida muitos jovens neofascistas". Um mau serviço. 

Domingo

por João Távora, em 19.04.15

Leitura dos Actos dos Apóstolos


Naqueles dias, Pedro disse ao povo: «O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de nossos pais, glorificou o seu Servo Jesus, que vós entregastes e negastes na presença de Pilatos, estando ele resolvido a soltá-l’O. Negastes o Santo e o Justo e pedistes a libertação dum assassino; matastes o autor da vida, mas Deus ressuscitou-O dos mortos, e nós somos testemunhas disso. Agora, irmãos, eu sei que agistes por ignorância, como também os vossos chefes. Foi assim que Deus cumpriu o que de antemão tinha anunciado pela boca de todos os Profetas: que o seu Messias havia de padecer. Portanto, arrependei-vos e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam perdoados».

 

Da Bíblia Sagrada

Metáfora

por João Távora, em 18.04.15

capa-f23b.jpg

 Está agora do PS estar em pré-falência a renegociar a dívida com a banca é uma bela metáfora. 

Cegos a legislar:

por Vasco Lobo Xavier, em 17.04.15

Tanto se me dá como se me deu que Eusébio da Silva Ferreira vá para o Panteão Nacional. Até agradeço que vão ocupando os lugares para evitar que um dia os socialistas queiram lá pôr Mário Soares ou José Sócrates Pinto de Sousa. Tirando isso, o assunto não me interessa minimamente.

 

Já me preocupa bastante e acho simplesmente extraordinário que a totalidade dos Deputados à Assembleia da República aprovem a trasladação do jogador para lá a 3 de Julho sem saber que isso é impossível por violar outras disposições legais, para mais bem recentes. Estão lá duzentas e trinta pessoas mais uma colecção de assessores, paletes de funcionários, autocarros de gente diversa e o pessoal dos bares e dos restaurantes, bem como a menina dos cafés, tudo sustentado pelo esmifrado contribuinte, e a ninguém ocorreu que o que estavam a aprovar por unanimidade era impossível e ilegal.

 

Já nem falo das pobres expectativas dos adeptos e admiradores do jogador, ou mesmo das dos familiares mais próximos, que saíram goradas. É uma chatice mas pronto, há-de passar. O meu problema é que se isto é assim numa coisa comezinha, o que será em legislação realmente importante.

 

A irresponsabilidade do legislador português é simplesmente fantástica.

Mariquices de outros tempos

por João Távora, em 17.04.15

namorar1.jpg

I’m slowing down the tune
I never liked it fast
You want to get there soon
I want to get there last

(...)

Leonard Cohen 

 

Hoje em Cascais no jardim em frente ao meu escritório o meu olhar estranhou um casal que caminhava entrelaçado em passadas lentas e alinhadas. Essa visão lembrou-me manifestações antes tão comuns que depois catalogámos de possidónias, como bailaricos ou passeios nas tardes domingueiras com roupa de “ver a Deus”, nos jardins ou avenidas, a ecoarem ao fundo os gritos das crianças a brincar e o relato da bola num transístor. Se os nossos avós que tiveram de namorar “de janela”, se conformaram a encontrarem-se só em lugares públicos com um irmão mais velho ou uma criada, a minha geração envergonhada erradicou qualquer exibição de compromisso. E agora morram de vergonha os jovens leitores: o meu saudoso pai contava que antigamente no Liceu Passos Manuel onde estudou, os bons amigos andavam de braço-dado no recreio.
Claro que a minha geração, medrosa e puritana como se fez, baniu esses indecentes hábitos sociais de gente careta, iletrada, rude  – no meu tempo do liceu, tempos revolucionários, do rock pesado e da “poesia com mensagem”, já só sabiamos dançar sozinhos e caminhar de “mão dada” tornou-se uma pieguice. 

Enfim, a mesma geração que institucionalizou o nudismo, o amor livre e toda a sorte de fantasias eróticas, envergonhou-se de namorar, um assunto que circunscreveu à poesia. Curioso como ao mesmo tempo que aprenderam a tolerar demostrações públicas em homossexuais, homem e mulher tenham desaprendido de andar de braço dado com o andar sincopado. Curioso como, com tanto sexo em prime-time, criámos uma comunidade tão estéril e fragmentada. Porque o romance para fazer história tem de ser mais longo que uma canção pop. 

O poder dos CEO e o reino das reciprocidades

por Maria Teixeira Alves, em 17.04.15

António Horta Osório disse na conferência organizada pelo Negócios que «o caso do BES, mas também o da PT são duas boas lições que se deviam tirar em Portugal (...) tem a ver com a governance das empresas, em Portugal não temos um sistema de governance, em termos gerais, ao nível do que melhor se pratica em termos internacionais, como em Inglaterra ou Estados Unidos. Tem de haver "check and balances". Em Portugal damos excessivo poder ao presidente executivo, desvalorizando-se o papel do 'chairman' e dos administradores não executivos». Isto remete-nos para um fenómeno muito importante que nos últimos anos floresceu em Portugal e que agora começa a ter os dias contados. Os CEO absolutistas acabam a dar asas ao reino das reciprocidades.

Ricardo Salgado chegou a confessar no Parlamento que quando foi pedir um apoio institucional (!) ao Governo para financiar o GES, foi pedir uma reciprocidade, pois o BES tinha feito muito pelas finanças públicas e tinha criado 30 mil empregos. Só uma instituição com poderes concentrados numa ou pouco mais do que numa pessoa pode alimentar uma lógica de reciprocidades. Há aqui uma relação dialéctica, perversa se assim quisermos chamar, porque um CEO forte tem poder absoluto para tomar decisões de apoio a outros, e por outro lado o sistema em reciprocidade promove a eternização do poder do CEO.

Ainda há casos de CEO absolutistas a pairar no nosso sistema. Veja-se os casos em que excepções à lei permitem que os administradores executivos sejam eleitos directamente pela Assembleia Geral [a guerra de poder do BCP em 2007 surge dessa excepção que existia na lei e que mudou quando entrou a Sonangol no capital do banco]. Essa excepção perverte a lógica da existência de modelos de governo porque esvazia o poder dos não executivos de fiscalizar os gestores executivos. Sem o poder de destituir a administração executiva o papel dos administradores não executivos fica vazio. Mas não são apenas as excepções à lei que criam CEO absolutistas e duradoiros. O facto de os modelos de governo não passarem de pro-formas cria uma situação fictícia de gestão independente e deixa ao CEO o poder totalitário. Como se combate isto?

António Horta Osório dá sugestões:

Desde logo falta em Portugal a ligação dos administradores executivos aos reguladores: «nunca em Portugal um regulador, como se faz em Inglaterra, tem reuniões com 'chairman' ou com não executivos ou ainda com presidentes dos comités»

Sugere o presidente do Lloyds: «O conselho de administração deve ser representante dos accionistas na fiscalização da gestão. As empresas têm de ter conselhos de administração de alto nível, com 'chairman' responsável por nomear CEO e assegurar boa governação. E os casos BES E PT são evidentes: uma empresa empresta 900 milhões a uma empresa duvidosa. E o BES faz personalização das decisões, pois as decisões são tomadas por uma pessoa. Ora se isso é boa governação estamos falados. São duas boas lições que se deviam tirar em Portugal. Temos pessoas óptimas, mas com boas governances seriam ainda mais».

 
 




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