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Teoria de tudo

por Maria Teixeira Alves, em 17.02.15

A história fabulosa e bem realizada (por James Marsh) de Stephen Hawking talvez não chegue a ganhar a estatuteta de melhor filme, mas nunca nos sairá do coração.

Várias coisas surgem à ideia quando se conhece melhor Stephen Hawking, o brilhante fisico teórico e cosmólogo britânico, emblemático ateu que considerava que Deus não cabia nas explicações da origem do mundo. O pai da teoria do buraco negro, depois por si própria rebatida, e da teoria do Big Bang na criação do mundo.

O mais curioso do seu ateísmo é ter casado com uma mulher crente e religiosa, que cantava no coro da igreja, Jane Wilde casou com ele apesar da doença esclerose lateral amiotrófica que lhe foi detectada e que lhe dava dois anos de vida em condições trágicas. O amor e a vida que teve apesar dessas circunstâncias são só por si a prova evidente da existência de Deus. Stephen Hawking teve uma família fabulosa (três filhos) como muitos não têm e foi reconhecido pelo seu brilhantismo em toda a sua carreira como investigador. É, claro está, britânico. Tivesse ele tido o azar de ter vivido em Portugal e teria tido uma vida trágica. Nunca teria casado, seria abandonado e ninguém lhe daria créditos para as suas teorias e estudos. 

 

O elogio da monarquia

por João Távora, em 17.02.15

O Presidente da República na Grécia é eleito pelo Parlamento e não através de sufrágio direto. Os nomes dos candidatos são propostos pelos partidos e o candidato tem de recolher a aprovação de pelo menos dois terços dos 300 deputados que compõem o plenário grego. Caso não consigam eleger um Presidente, há uma segunda volta em que um dos nomes tem de conseguir mais uma vez um mínimo de 200 votos. No entanto, se nem à segunda ronda for possível aprovar um dos nomes, há lugar a uma terceira ronda em que o número de votos exigidos baixa para 180.

Foi precisamente a falta de um consenso em torno do homem que iria sentar-se no Palácio Presidencial que deu origem à crise política e às eleições antecipadas que conduziram a coligação de esquerda radical ao poder.

Daqui

Onde estão agora os 32 e pico?

por Vasco Lobo Xavier, em 17.02.15

Há uma semana, 32 pessoas, às quais se atrelou António Costa, escreveram uma disparatada carta pedindo ao PM uma tomada de posição que, a ser seguida (e isso hoje é inquestionável), tinha acorrentado Portugal à Grécia, ficando o nosso país no mesmo isolamento face a todos os parceiros europeus. Seguir o conselho dessas personalidades teria sido desastroso para Portugal.

 Como gostam tanto de escrever cartas, aguardo uma de arrependimento e a pedir desculpas aos portugueses e a Portugal pelo conselho disparatado que saiu das suas cabecinhas e resolveram transpor para o papel.

 

 

Pedro Adão e Silva e Manuela Ferreira Leite

por Vasco Mina, em 17.02.15

Pedro Adão e Silva sugeriu há dias, no seu artigo publicado no último nr. do Expresso, o nome de Manuela Ferreira Leite como potencial candidata à Presidência da República. Curioso que em 2009, nas vésperas das eleições legislativas, em que a agora proposta candidata a Belém se defrontava com José Sócrates, o comentador socialista considerava que “não podemos esperar de quem fala mal que pense”. É difícil acreditar que Pedro Adão e Silva tenha escrito isto e agora proponha para PR alguém que o próprio considerou como mal falante e consequentemente mal pensante. Quem não acredite leia aqui. É preciso ter lata!

Uma questão moral

por João Távora, em 17.02.15

A droga não se vence passando o tráfico das ruas para a venda legal nas farmácias. Esta medida seria um sinal de fraqueza e um gesto de falsa compaixão. A verdadeira compaixão assenta em salvar pessoas, ajudando-as a recuperar o impulso natural do homem, que o leva a agarrar-se à vida, sem drogas.

La Caixa com BPI para o xeque mate à compra do Novo Banco

por Maria Teixeira Alves, em 17.02.15

A chegar ao ponto de ter de apresentar ofertas para comprar o Novo Banco, e estando na corrida mais catorze concorrentes e entre eles estando o "abonado" Santander e o determinado grupo chinês Fosun, é chegada a hora da já esperada OPA do La Caixa ao BPI. Só com o La Caixa podia o BPI comprar o Novo Banco. E o Novo Banco, se por um lado permite ao BPI ter aquela posição de destaque que apenas ao de longe aspirou, por outro e desde que foram introduzidas alterações regulatórias ao sistema bancário angolano, permite resolver um problema urgente ao banco português: o BPI precisa de reduzir o peso relativo do BFA no seu balanço e uma forma de o fazer é aumentar o seu balanço. 

Vamos ver então se a OPA ao BPI tem condições de sucesso ou não. Os espanhóis do CaixaBank lançaram uma OPA sobre o BPI, propondo 1,329 euros por acção, e propõem-se a pagar pelas acções que ainda não têm 1,082 mil milhões de euros. 

A oferta, a pagar em numerário, está condicionada a que o CaixaBank supere os 50% do capital do BPI e à eliminação do limite de 20% dos direitos de voto no BPI. Para a supressão deste limite é necessário o voto favorável de 75% do capital representado na Assembleia Geral de Accionistas do BPI que se convocará para o efeito, no qual o CaixaBank apenas poderá votar por 20%. O histórico recente do BPI é de forte participação nas assembleias-gerais dos accionistas. Na última esteve presente 85% do capital (cerca de 64% do capital do banco teria de votar a favor da desblindagem). O catalão Caixabank é actualmente o maior accionista, com 44,1%, ou seja só precisa de comprar 5,9% para superar os 50% que exige na OPA. Mas ainda tem de fazer passar a desblindagem e o BPI tem ainda dois fortes accionistas, a Santoro de Isabel dos Santos com 18,6% do capital e os alemães da Allianz com 8,4%. No total estes três accionistas têm 71,1% do capital do Banco BPI.

A forma como esta OPA está construída sugere que o La Caixa deixa em aberto que a Santoro e a Allianz se mantenham no capital do BPI e participem na aventura da aquisição do Novo Banco. Mas para isso é preciso que seja o La Caixa a mandar. Estará Isabel dos Santos de acordo? Soube Isabel dos Santos desta intenção de OPA? Muito provavelmente sim. Seria difícil que Fernando Ulrich, que está obviamente de acordo com a OPA (daqui a 8 dias haverá o relatório do Conselho de Administração a pronunciar-se sobre a oferta), não avisasse uma das suas principais aliadas em Angola, onde o BPI tem a maioria do maior banco angolano. 

Já o grupo alemão aparece como um subtil aliado, pois no comunicado do banco espanhol é referida a intenção de manter  vigente a actual aliança de bancaseguros do BPI com a seguradora Allianz. 

O CaixaBank acredita que a oferta sobre o BPI poderá estar concluída no segundo trimestre de 2015. As instituições pré-qualificadas para a compra do Novo Banco têm até 20 de Março para apresentarem as suas ofertas de compra não vinculativas. Vamos ver se desta vez o BPI se funde com o ex-BES.

A ver se acabamos esta história dizendo a célebre frase: Que estranho caminho teve o BES de percorrer para chegar até ao BPI.

Carta da Grécia, Fevereiro de 2016

por José Mendonça da Cruz, em 17.02.15

 

 

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 Estamos a viver um virar de página na Europa. A Grécia está falida e há 3 meses que funcionários públicos, desempregados e pensionistas não recebem as suas prestações, mas, nós, governo patriótico do Syriza, orgulhamo-nos de ser daqueles que têm populações que não foram derrotadas, que sabem fazer frente à finança. A Grécia está falida, mas a Grécia está melhor, porque a austeridade fracassou do ponto de vista político e fracassou do ponto de vista económico. O que nós preconizamos é um novo empenhamento cívico por parte dos cidadãos, usando as ferramentas da democracia, algumas delas clássicas, outras novas. Os cidadãos que formam filas à porta das padarias e dos supermercados são heróis desse empenhamento, protagonistas de uma dinâmica de esperança e soluções, resistentes que combatem uma presença europeia sob a forma de neocolonialismo e a falta de soluções apresentadas pelo ocidente. Perante a falta de medicamentos básicos e a impossibilidade de acorrer mesmo aos casos mais urgentes, pessoal médico e de enfermagem entrou justamente em greve, guiado pelo dever de se unir em protestos intensos e perturbadores, unindo-se como se a democracia, hoje agonizante, morresse amanhã. Estamos a criar objectos de mobilização política que vão congregar com eles grandes maiorias: seguiremos o caminho percursor dos estivadores do Pireu, que ocuparam a área privatizada entregue aos chineses, cujos trabalhadores reaccionários haviam recusado aderir à greve. É a força dessa desobediência que afronta os poderosos e que responde pelos de baixo. A Grécia não tem dinheiro, não tem comida, não tem combustíveis, não tem transportes, não tem comunicações, mas a Grécia está orgulhosa, a Grécia está na vanguarda de uma política renovadora do conhecimento, e embebida na inovação e nas experiências de luta e resistência. E a Grécia tem futuro, o futuro de uma Grécia que aposta numa economia assente no conhecimento, que aposta na inovação, na eficiência energética, nas infra-estruturas de alta qualidade, que aposta nessa nova economia. Responderemos à urgência de criar uma resposta política no campo da esquerda que assuma uma disponibilidade essencial em torno da salvação do estado social, daquilo que é a defesa dos valores democráticos e da cidadania social. Estamos a incluir, unir, sem terraplanar a diversidade de que somos feitos. No fundo, o nosso projecto é superar, recusar a lógica do memorando de entendimento e substituí-la por outra a que chamamos memorando de desenvolvimento. Apesar da penúria, da fome, das mortes por ausência de cuidados médicos, apesar dos mortos e dos feridos nas ruas, não nos deteremos. Temos o dever de defender a dignidade de todos, mesmo contra os interesses poderosos que os querem seduzir. Continuaremos a lutar por cidadãos sem medo e por um país com futuro, com uma outra política, uma política solidária. O caminho é duro, mas ousamos lutar. A Grécia está sem alimentos, sem comércio, sem transportes, sem saúde, sem educação, sem trabalho, sem dinheiro, sem ordem, mas este caminho é algo nunca feito, pelo grau de de abertura e participação. Neste novo ano de 2016 teremos a oportunidade de começar um caminho de mudança para apostarmos em mais e melhor trabalho.

 

Composto com a gentil participação

das citações não autorizadas de (segundo as cores):

Catarina Martins

Rui Tavares

Boaventura Sousa Santos

Ana Drago

António Costa

Idiotas úteis, preparem as canetas...

por José Mendonça da Cruz, em 16.02.15

... em breve vos será oferecida para assinar uma «carta solidária» escrita por Louçã, António Costa e Rui Tavares criticando a inflexibilidade da União Europeia, e culpando Passos Coelho e Cavaco pela saída da Grécia do euro e subsequente tragédia grega económica e humana.

 

PS.Com desculpas pela precipitação: António Costa apenas «assinaria» a carta, embora não a vá assinar.

Vão se ver gregos

por Maria Teixeira Alves, em 16.02.15

Reunião do Eurogrupo acaba sem acordo para a Grécia. Razão tinha Pedro Passos Coelho quando dizia que ideias e pretensões do novo governo grego eram conto de crianças.

A maldição do Papel Comercial do GES

por Maria Teixeira Alves, em 16.02.15

Já se percebeu que a única via para pagar o papel comercial aos clientes do BES é conseguir vender o Novo Banco acima dos 4,9 mil milhões de euros. Se conseguirem, o remanescente (que reverte obrigatoriamente para o BES) será usado para pagar aos clientes do BES que foram induzidos a comprar papel comercial da ESI, Rioforte e ES Property, e para o qual havia uma provisão imposta pelo Banco de Portugal, mas que acabou na sucata.

Para serem ressarcidos na totalidade o Novo Banco teria de ser vendido por 5,6 mil milhões de euros, mais coisa, menos coisa. O que hoje toda a gente garante ser muito pouco provável. Mas também não é disparatado esperar um haircut nesse reembolso. 

Esta venda de papel comercial, quer aos balcões do BES e dos seus bancos (por exemplo BES Espanha), quer aos balcões dos bancos da ESFG (que era na altura a entidade supervisonada pelos reguladores) - por ex. Privée Suíça, ES Dubai, ES Bank of Panamá, etc - é o Calcanhar de Aquilles da actuação do Banco de Portugal. É aqui que reside a falha do regulador. Pois há pessoas que compraram papel comercial mesmo depois de 14 de Fevereiro de 2014, altura em que supostamente o Banco de Portugal tinha proibido de se vender tais títulos. Não se percebe porque é que o Banco de Portugal não proibiu completamente a venda de papel comercial do GES (em nome do tal risco reputacional, pelo menos), seja cá, seja fora, seja privado, seja empresa. Nem se percebe porque não tornou pública essa proibição. É o pecado mortal do Governador. De resto Carlos Costa não é o culpado da falência do BES, o culpado dessa falência são os accionistas e gestores do banco. O culpado da falência do BES e do GES é Ricardo Salgado claro, pois se era ele o responsável máximo. Não se pode branquear a culpa e chutar culpas para quem atacou o problema. 

A Grécia e a Justiça Social na UE

por Vasco Mina, em 15.02.15

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O recente estudo que analisa a justiça social nos países da União Europeia é bem revelador do impacto negativo da crise económica e financeira. Desde 2008 que, na grande maiora dos Estados Membros da EU, se regista um agravamento da injustiça social. O estudo não surpreende mas há um aspecto que no atual contexto da situação grega destacaria: A Grécia é o país que, desde2008, mais empobreceu em termos de justiça social. Esta dimensão deve ser tida em conta na atitude que a Europadeve tem em relação a este país e mais ainda quando uma parte da população vive numa situação de pobreza extrema. Mas, também, importa salientar que em 2008 a Grécia (a par com a Polónia) era o país com o pior índice de justiça social. Ou seja, a injustiça social vigente entre os helénicos é estrutural e resulta de muitos anos de governação de socialistas e da gente do centro direita. O problema é, pois, grego e das elites gregas. Não vale apontar a artilharia contra a EU mas sim contra as gentes do PASOK e da Nea Demokratia. Partidos que continuam filiados, o primeiro, no Partido Socialista Europeu e, o segundo, no Partido Popular Europeu. Continuam os socialsitas europeus a dar enquadramento aos Papandreus e quejandos? Porque não assumem, definitivamente, os erros garves da governação socialista em terras gregas? São estes quem, na linguagem da esquerda que se diz radical, deveriam pagar crise e não os restantes povos europeus. Estes devem ajudar e cooperar na recuperação económica grega mas não são os responsáveis daquilo tudo. Não é a troika a fonte do problema mas sim a governação grega das últimas décadas. Os indicadores sociais são bem reveladores.

Um minhoto na Capital

por João-Afonso Machado, em 15.02.15

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Lisboa continua a mesma, sempre em altissima voltagem de gente e acontecimentos. E eu também, o azarado do costume, um esquecido pertinaz. Ao ponto de fazer viagem sem me ocorrer estarmos no mesmo hemisfério, logo ser inverno em Lisboa. Por sinal frigidíssimo, este ano.

E o frio ataca-me fatalmente os pés. Também com Aquiles era assim. Na infernal espera do táxi, à saída da estação, já os pés se me gelavam.  Optei por uma dolorosa marcha forçada até ao Rossio e depois pela Rua do Carmo, onde me lembrei da velha Sapataria Oliveira, que calçava «Lisboa inteira». Ainda existiria, com estes IVA's todos? E ainda me venderia, baratinho, umas botas, umas palmilhas, algo com que proteger os tornozelos, os dedos já rígidos?

Só por isso desviei no Chiado para a Calçada do Combro. Mas ao passar a igreja do Loreto estranhei os populares, um magotezinho, no Largo de Camões, é sempre tão desagradável quando alguém se sente indisposto, a morbidez dos curiosos em volta sem o deixar respirar... E não é que?... Quão pequena a Capital do Império, afinal!!! Ei-la, a minha amiga, umas dezenas de metros à frente, sempre loira, sempre bela, sempre macia, mas sempre arisca. Com um cartaz qualquer entre as mãos. Ah bom!, é carnaval, pensei, como se acordasse então.

E corri para os seus braços. Corri... é modo de dizer; e para os seus braços, de sonhar. Abordei-a, em suma. Cumprimentámo-nos comedidamente, pese embora a sua euforia.

Que estava ali numa manifestação de solidariedade para com o heróico povo grego. Que a Troika tinha os dias contados, agora era dela o medo! E agitava, frenética, o seu cartaz com uns recortes toscos das fotografias de Tsipras e Varoufakis.

Senti curisidade. E, disposto a beber qualquer coisa quente na Brasileira, perguntei a que horas seria a manifestação.

Quase levei com os governantes gregos pela cabeça abaixo. Eu era sempre o mesmo, um céptico, um cínico, um egocêntrico! Um saloio.

- Não sou, não senhora, sou minhoto.

Mas ela não quis saber. Em seu redor, cinquenta, sessenta almas com um aspecto excessivamente sindicalista ou ataviadamente desmazelado. O que faria a minha amiga ali, meu Deus!, entre tanta fealdade?

Assegurou-me à pressa que a esmagadora maioria dos helenos (ela às vezes gosta de falar caro) estava com Tsipras e o nosso PR, o nosso 1º, não podiam continuar a dar palpites, a interferir, invejosos, sabujos...

Achei melhor não opinar. De resto, em nada me comprometia politicamente ficando ali, junto dela, pena até (pensei baixinho, envergonhado), fosse uma multidão compacta e mais chegadinho ficaria, alguém invectivou a Sra. Merkel e eu preparava-me para bater palmas e gritar também - uuuuuuuuh, eu a ganhar folego para a convidar para jantar, e ela, entre dois ápodos tremendos aos neo-liberais:

- O Varoufakis é um pão, não acha?

Não achei coisa alguma. Minhoto, sim, parolo também, mas o resto não. Despedi-me num repente e debandei o antigo poiso de Pessoa. Só para comer uma torrada.

 

 

 

 

O conto de crianças

por João Távora, em 15.02.15

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Não foi com grande espanto que ontem escutei na SIC notícias o deslumbrante Luís Delgado a defender a razoabilidade do governo de Tsipras que, segundo o sábio comentador, no confronto com a realidade se vem revelando um moderado, deste modo legitimado a abjurar todas as promessas que o conduziram ao poder. O verdadeiro e adiado choque do governo Syriza irá ser o de governar a Grécia, digo eu. A mesma tolerância se aplicará a António Costa que por esta via pode prometer aos portugueses um qualquer "conto de crianças": os seus complacentes amigos na comunicação social cuidarão duma narrativa que indulgencie o PS das mentiras utilizadas para chegar ao poder. 

Com este estado de coisas, nunca foi tão fácil alimentar-se uma propaganda com base nas mais desbragadas ilusões, fundadas nos legítimos anseios dos comuns mortais: se é certo que a democracia liberal é alimentada pela arte dos seus actores venderem quimeras e prometerem o Maná, certo é que por via da desilusão sistemática um dia o regime pode mesmo colapsar. Acontece que, se podemos conceder às Artes que privilegiem a beleza em detrimento da verdade, outro comedimento deveria ser exigido à Politica -  e aos comentadores que jogam nesse tabuleiro. A realidade impõe um caminho muito estreito – seja para as pessoas ou para os sistemas – e a democracia nunca se deu bem com isso.  E o caos é o ambiente ideal para frutificarem as mais cruéis tiranias.

A ameaça aos gregos

por João Távora, em 15.02.15

O verdadeiro problema do Tsipras é que vai ter de governar a Grécia.

 

Domingo

por João Távora, em 15.02.15

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios

Irmãos: Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à Igreja de Deus. Fazei como eu, que em tudo procuro agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se. Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo.

Da Bíblia Sagrada

Dúvidas para Vítor Bento

por Maria Teixeira Alves, em 15.02.15

Neste artigo e especialmente nestas suas duas sentenças Vítor Bento parece defender uma espécie de fundo comunitário para pagar subsídios de desemprego e defende politicas keynesianas para "salvar" a Europa dos desequilíbrios estruturais.

A insistência dos Excedentários – por razões inerentes às suas funções de preferência social – em não prescindir de excedentes externos, contornando o seu dever de ajustamento, tem duas possíveis consequências. Insistindo-se na eliminação unilateral dos défices dos Deficitários, toda a zona euro ficará excedentária e o excedente será reciclado para financiar a procura e o emprego no Resto do Mundo, com sacrifício do bem estar social na Eurozona. Mas se, por outro lado, este bem estar quiser ser salvaguardado, então terá que se aceitar que aqueles excedentes terão que ser espelhados em défices noutros países da união monetária e que deverão ser reciclados (de preferência através de investimento e transferências) para financiar esses défices e colmatar a falta de procura global na zona euro.

(...)
 
O que coloca um importante desafio, cuja resposta deve constituir a principal preocupação da política económica da zona euro: como conciliar a necessidade de ajustamento das finanças públicas de cada país com a necessidade de promover a procura interna no conjunto da zona euro? Um maior orçamento (redistributivo) federal, com capacidade de endividamento da própria União e a reconciliação de alguns excessos de endividamento público individuais com um endividamento globalmente sustentável de toda a zona euro (como é o caso), serão condições necessárias, embora não suficientes. Por sua vez, a federalização dos subsídios de desemprego poderá ser um bom começo para a primeira, e um programa de despesa pública (preferencialmente na forma de investimento) suportado no orçamento comunitário e financiado pelos Excedentários será uma boa forma de reciclar internamente os seus excedentes externos.

 

Defende Vítor Bento uma teoria puramente monetária do ciclo económico? Isso não cria a ilusão que a inflação permanente cria crescimento económico eterno?

Espera Vítor Bento pôr os Estados a financiar a economia com o investimento público? Mas a procura justifica esse investimento?
E como é que espera dinamizar o investimento público sem agravar o défice público? 
Em alternativa defende que os países excedentários devem financiar o consumo nos países deficitários, isto significa que acredita no consumo como motor do crescimento económico por excelência? Defende Vítor Bento a política do dinheiro fácil? Não foi o excesso de crédito? E o crédito barato que conduziu à crise de dívida soberana?
No dia em que a procura dentro da Europa parar de aumentar o que é que acontece? A oferta e a procura equilibram-se? E o que acontece à Economia nessa altura? Nova deflação?
Não há no aumento das exportações esse aumento da procura que Vítor Bento aponta como sendo o busílis da questão?
Defende Vítor Bento que pôr a Alemanha a pagar o subsidio de desemprego dos gregos vai criar crescimento económico na Grécia?
 
Vítor Bento não fala da medida de quantitative easing adoptada recentemente pelo BCE. Não há nesta medida uma resposta a parte dos problemas apontados por Vítor Bento?
 
Será mesmo a crise europeia uma conflito entre nações ou será entre sectores económicos? Ler Michael Pettis.
Poderá a política monetária transformar uma Argentina num Japão? Ler Michael Pettis 

50 sombras de voyeurismo

por José Mendonça da Cruz, em 14.02.15

Primeiro, foram as hormonas aos saltos com o aspecto do Varoufakis, depois os 50 matizes de cinzento, depois o dia dos namorados em cima do Carnaval, e a Sic não aguentou mais: hoje, no jornal das 20 arrancou com uma série sobre sexo, de autoria de Maria João Ruela e Bernardo Mendonça. Constou o primeiro episódio, para cuja visão integral não me chegou a paciência, de entrevistas com umas pessoas que vieram contar tim-tim por tim-tim como tratam da cópula e se lhes sabe muito bem ou pouco. Ainda vi uma senhora que diz que não gosta de cambalhotas radicais, e que pilas pequenas não é problema. Mas o prémio, parece-me, teria que ir para dois homossexuais que explicaram repetidamente que têm «um bom encaixe». Foi um momento vintage Herman, melhor porque involuntário. Aguardo o episódio em que os autores da série venham dizer se andam satisfeitos, ou se preferem só ver, assim em entrevistas e filmagens.

Coincidência...

por João Távora, em 14.02.15


A cançoneta é bastante má, assim como a gravação da editora "Chiadofone Ideal" dos Grandes Armazéns do Chiado. Chama-se "Adeus e Saudade" e pertence à revista "A Espiga" que vim a descobrir ser da autoria de Pereira Coelho, Gustavo Matos e Lino Ferreira e ter sido estreada no Teatro Júlia Mendes em Lisboa em Julho de 1912, data aproximada da edição do disco.

Feira de Agosto no parque Eduardo VII, teatro Júl

O curioso é como, na tentativa de identificar a obra com os dados disponíveis no rótulo do disco, eu venho a encontrar pelo Google esta fotografia do Theatro Júlia Mendes, uma construção abarracada que não deixou rasto, onde se pode encontrar por enorme coincidência do lado direito o cartaz alusivo à supramencionada revista "A Espiga".

 

Publicado originalmente aqui

João Duque sobre Varoufakis

por Maria Teixeira Alves, em 14.02.15

O (des)equilíbrio de Nash Varoufakis

No filme de Ron Howard “Uma Mente Brilhante”, John Nash está num bar com três amigos quando entram quatro raparigas, entre as quais uma loura fulminante que, com um olhar, arrasa, simultaneamente, os quatro jovens. Um deles cita Adam Smith: “Num ambiente competitivo as ambições individuais servem o bem comum”, isto é, cada um por si e logo veremos quem conquista a loura. Os rejeitados iriam depois ‘atirar-se’ às restantes.

Nash, inteligentemente, diz: — Adam Smith está errado e precisa de ser corrigido! — O quê? Como? — Se formos todos à loura, bloqueamo-nos uns aos outros e nenhum de nós a conquistará. Depois, iremos ter com as amigas. Mas elas, despeitadas por terem sido a segunda escolha, também nos rejeitarão. Hum... E se nenhum fosse à loura?... Nem nos atrapalharíamos uns aos outros nem desconsideraríamos as outras. Esta é a única maneira de vencermos e de todos conseguirmos uma miúda!”

Para concluir, Nash resumiu: “— Adam Smith disse que o melhor resultado para o grupo sucede quando todos se esforçam para obter o melhor proveito individual. E isso está incompleto, porque o melhor para o grupo sucede quando cada um faz o melhor para si e também o melhor para o grupo.”

Há situações em que, quando dois jogadores se defrontam e escolhem, cada um, o melhor para si, acabam por obter o pior para ambos, quando poderiam ter alcançado muito mais se, cooperando, atingissem uma posição de equilíbrio de Nash. Isto é, em que a escolha de uma opção aparentemente pior para cada um, ao ser a escolhida por ambos resulta no melhor para os dois e cada um individualmente…

O ministro das finanças grego é professor de Teoria dos Jogos e ensina aos seus alunos o equilíbrio de Nash. Na sua análise à situação grega já afirmou que, se a Europa insistir numa estratégia de confronto acaba no desastre da sua saída do euro e ambos perdem (Portugal e Itália seriam os primeiros a serem chacinados) e o euro desfaz-se como um baralho de cartas. O melhor seria a Europa aceitar o que ele quer, ganhando a Grécia e a Europa.

Mas, em lugar de ter apresentado o problema como um equilíbrio de Nash, apresentou-o como a única solução devolvendo o problema à Europa do mesmo modo que criticou quando lhe impuseram o resgate. E será este um equilíbrio de Nash? Isto é: 1) Será que o que é melhor para a Grécia, tal como propõe, é também o melhor para a Europa? 2) E se Varoufakis e Schäuble forem ao mesmo tempo à loura, será que se iriam atrapalhar um ao outro ou, pelo contrário, não correria ela para os braços do alemão, deixando o grego só e abandonado também pelos despeitados investidores?

 

Expresso, 14 de Fevereiro

A carta dos trinta e dois e pico:

por Vasco Lobo Xavier, em 14.02.15

Parece que António Costa já veio dizer que assinaria a carta dos 32. Ninguém se deve ter lembrado de lhe falar antes e por isso vem agora. É mais um, pronto. Diga trinta e três, pela sua saúde. Ou trinta e dois e pico. Eu acho que é só trinta e dois e pico. Acho até que está tudo doido e que no PS se perdeu completamente o sentido de Estado: aquele pessoal anda a fazer política baixa, do mais rasteiro, ao estilo das jotas no liceu: o que é preciso é “ser do contra” e mais nada.

 

Vejo esta notícia do Público, (onde certamente se julga que o dinheiro cai do céu até que um dia isso acabe) e fico pasmo! É preciso alguém explicar ao Octávio Teixeira que os problemas de Portugal não têm nada a ver com os da Grécia! E ao Adão e Silva que não há consenso alargadíssimo algum em Portugal para ajudar a Grécia! E ao Ferro Rodrigues a realidade! Esclareçam eles aos Portugueses que dos seus bolsos há que sair dinheiro para custear a maluqueira grega de pagar setecentos e tal euros de salário mínimo quando cá se pena arduamente para ganhar pouco mais de 500 e os Portugueses mandam-nos todos à fava (nenhuma relação familiar com aquela pessoa que compra com extraordinária facilidade montes em Montemor-o-Novo).

 

Então nós, com as dificuldades que temos, emprestámos mil e cem milhões aos gregos e vamos abdicar disso e perdoar a dívida como pretende o PS? Antes comprar Mirós aos pacotes!

Então há que ter respeito pelo eleitorado grego e pela sua democracia, que elegeu aquele bando de malucos do Syriza?!? E o respeito pelo eleitores Portugueses, para o PS não conta? Nem o dinheiro dos Portugueses?

 

Essa malta do Syriza que prometa aos gregos coisas com o seu dinheiro e não com o dos Portugueses! E se os do Syriza tivessem prometido um carro a cada grego e o fim dos impostos e fossem eleitos? Teríamos de ir lá encher aquela malta de Audis? E o PS anda atrelado a esta maluqueira?!? Eu não consigo perceber! No PS ninguém pensa que um dia poderão ser Governo de Portugal e (pelo menos) fingir que têm juízo junto dos seus parceiros europeus?!?

 

«Ah… mas os portugueses também ganhariam…» Mas já ninguém tem vergonha de mendigar esmolas? Que coisa é esta? Nós, portugueses, podemos ser pobrezinhos mas somos honrados! Ainda ontem fomos aos mercados com honradez, sem ser de chapéu na mão e de cabeça baixa. Não temos nada a ver com a situação grega. O Sócrates meteu-nos na bancarrota e honradamente cumprimos os acordos a que ele nos obrigou. Ponto. E sem ajuda do PS, que há três anos que nos quer arrastar para o lodo da Grécia.

 

Mas os Gregos já vão no segundo resgate e preparam-se para o pior. E ainda têm a lata de dizer que estamos no mesmo barco e de se amarrarem a nós para nos arrastar para o fundo! E o PS engole essa coisa! E apoia! Em Itália, quando se consciencializaram disso mandaram logo os Gregos passear. E de gravata! Cá, o PS quer atrelar-se a essa gente para ir ao fundo! Eu tenho imensos amigos do PS mas imagino que eles próprios estejam um nadinha à rasca com estas posições.

 

Uma das frases mais imbecis daquela carta dos 32 e pico (não consigo perceber como pessoas que admiro, como Pacheco Pereira, ou que admirava, como Bagão Félix, de entre outras, assinam aquele monumental disparate) reza o seguinte: «Este momento exige por isso uma atitude construtiva, que conduza a uma cooperação europeia de que Portugal não se deve isolar.» Portugal isolado?!?... Mas está tudo doido?!? Isolada está a Grécia!

 

Mas alguém pensa que os países da EU e os respectivos contribuintes de cada país estão para pagar qualquer maluqueira que qualquer outro país queira eleger?!? Só um tolo pode pensar nisso. Aqui ao lado, em Espanha, elege-se um qualquer partido que promete que “Podemos ir a Portugal sem pagar portagens e gasolina.” E nós temos de aceitar isso?!?

 

Uma coisa é ajudar pessoas sensatas ou países sensatos; outra, muito diferente, é permitir a continuação do vício. Todos nós ajudaríamos (ou já ajudámos) amigos em dificuldades mas não é para continuarem a jogar no casino ou para beber na taberna. Experimentem chegar a casa e dizerem às mulheres que este ano não há férias no Algarve para os amigos a quem emprestaram o dinheiro irem para férias na Grécia para ver o que acontece. É isso que o PS está a pretender para os Portugueses.

 

A solidariedade europeia é muito bonita e defensável mas é preciso alguma razoabilidade. Não é menosprezar o problema Grego, dos Gregos e de cada um dos Gregos. Nós estamos a falar de uns doidos de esquerda radical que prometeram aos seus eleitores o que não podiam, com o dinheiro dos outros, o nosso inclusive, e que a qualquer momento e por meia-dúzia de dracmas se aliam a Putin, ao doido da Venezuela, e que para governar se amancebam com a extrema direita grega. É deste tipo de gente que o Bloco, o PCP e o PS gostam. Boa!

 

Claro que agora o Governo Grego é elogiado por certa comunicação social portuguesa por ter recuado em algumas das suas exigências mas é preciso recordar e ter sempre presente que, se não tivesse sido travado, se se tivesse seguido as opiniões do PS desde o primeiro dia, esse recuo não teria existido. E nós, Portugueses, estaríamos a pagar o salário mínimo grego de 700 euros com o nosso de 500. Explique lá isso ao eleitorado português o Sr. António Costa e os restantes 32 assinantes.

 

Então andamos nós a suar para honrar as dívidas que o Sócrates nos deixou e ainda vamos ter de pagar a maluqueira do Tsipras? E os cachecóis Burberrys do seu Ministro das Finanças?

 

Tenham juízo o PS e António Costa!



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