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É na verdade um aborrecimento, Filipe,

por Vasco Lobo Xavier, em 06.01.15

...mas é um país muito divertido, não o podemos negar.

Vamos lá ver se eu percebi: Sócrates tem direito a violar a lei para se defender por se encontrar em “estado de necessidade de defesa” e por isso deve poder defender o seu “direito ao bom nome, reputação e a poder defender-se”. E tudo isso se sobrepõe a regulamentos e normas, particularmente quanto ao segredo de justiça.

 Até aqui, tudo bem, é uma interpretação. Acontece que eu tenho visto muitos socialistas e comentadores a dizerem dos Magistrados o que Maomé não disse do toucinho, que tudo isto era uma perseguição política orquestrada pelos Magistrados, sem fundamento algum e ao serviço de interesses não revelados, que se trataria de um projecto de poder dos Magistrados, que prendiam preventivamente as pessoas sem fundamento algum apenas para forçar confissões, que o Juiz do TIC actuava para os tablóides, e que gozava com isso, enfim, que os Magistrados usavam as funções que detinham e os poderes que lhes são confiados para prossecução de interesses menos próprios, e apenas deles.

 

Ora, estas acusações dirigidas aos Magistrados são, elas também, bastante graves (ou bem mais graves), ofendem o seu direito ao bom nome, à reputação, e deveriam eles poder defender-se.

Segundo o mesmo argumento usado por Vera Jardim para defender o Calimero, parece-me que os Magistrados visados deveriam poder vir a terreiro esclarecer as pessoas, na defesa do seu bom nome e reputação, pessoal e profissional, ainda que violando o segredo de justiça e demais normas, nem que fosse para referir só parte dos dados do processo (escutas, documentos, depoimentos ou outros) que afastassem as dúvidas sobre as acusações que lhes são dirigidas. Será assim, Dr. Vera Jardim?

Uma campanha inteligente

por João Távora, em 06.01.15

"Porque não bato numa menina? Porque sou um homem."

Aventalidades

por João-Afonso Machado, em 05.01.15

5 OUTUBRO.JPG

De regresso à Política, sabe-se agora em que verdadeiramente consiste uma entrevista. Dizem "eles", não será redutor concebê-la como um frente-a-frente conversado. Somente. O mais são perguntas e respostas por escrito, ou algum vulgar telefonema.

Assim se conhece, muitas outrora famosas "entrevistas" são, afinal, uma farsa vergonhosa. O repórter e a "estrela", separava-os por exemplo o mar oceano. Talvez por cobardia, talvez por comodismo, comunicavam miseravelmente através do correio electrónico. Isso não vale!

Em suma: Sócrates, encarcerado e sempre de lampião aceso, não dá entrevistas para o exterior. Apenas dialoga com colaboradores de orgãos da Comunicação Social. Logo, não é ele quem traz o processo para a praça pública e declara aberta a audiência do julgamento político. Como ele, qualquer preso procede assim, sem restrições de ideias e auditório.

As coisas, bem vistas, são o seu próprio inverso. Mário Soares também, não pense alguém que ele tem mais de 16 anos. E a Maçonaria... No próximo programa falaremos sobre a Maçonaria.

Fúnebres modernices

por João Távora, em 05.01.15

Hoje no cemitério do Alto de S. João estranhei como o cuidado da arquitectura do crematório não reflectir qualquer identificação religiosa não foi usado para evitar o mau gosto, da profusão de laicas tíbias e caveiras desdentadas exibidas em baixo relevo na cantaria.


PS.: Pode bem ser que seja uma veleidade, mas acho que não me vou habituar a esta nova forma de tratarmos dos nossos mortos, a cremação.

2015: O Ano da Astrologia

por Vasco Mina, em 04.01.15

O célebre economista canadiano John Kenneth Galbraith dizia que "a única função das previsões económicas é tornar a astrologia respeitável". A questão é que não é apenas para a dimensão económica que tal afirmação é verdadeira. Também na política o mesmo acontece e com especial destaque quando estamos em período de crise. Por outras palavras, estimar o que vai acontecer, em 2015, na economia e na política, é tarefa para astrólogo. Assim, uma das grandes questões que se coloca no início deste ano é o resultado das eleições legislativas que ocorrerão lá para Outubro – qual vai ser o partido (ou coligação) mais votado? Será o PS de António Costa que numa semana parece querer fazer coligação à esquerda e na seguinte parece querer reeditar a solução Bloco Central? Ou será a coligação governamental que ainda não é claro se efetivamente se coliga? Qual o impacto eleitoral, no PS, da detenção de José Sócrates? Qual o partido que vai vencer as eleições gregas? Se for o Syriza vai a Grécia sair da Zona Euro? E qual o impacto nas restantes economias europeias, nomeadamente a portuguesa? Quais vão ser os candidatos a Presidente da República? Guterres avança ou não? E Marcelo Rebelo de Sousa ? O caso BES/GES condicionará, ou não, a disponibilidade de vários candidatos? O que irá concluir a Comissão parlamentar de Inquérito ao caso BES/GES? Dos 17 putativos candidatos à Compra do Novo Banco quais os que vão, efetivamente, apresentar propostas? E qual o valor de venda deste Banco? Qual vai ser a evolução do preço do petróleo? Qual o risco e suas consequências de uma situação de deflação na economia portuguesa? Como vão evoluir as taxas de juro da dívida pública? Vamos conhecer, ou não, mais casos judiciais? A lista de questões é infindável e a lista de respostas é quase um conjunto vazio. Vamos à astrologia!

Dias que voltarão

por João-Afonso Machado, em 04.01.15

003.JPGEm que cores se pode esculpir uma estátua? Em que quietude ela entrará no museu? São as conveniências que os lugares das margens recusam saber e o arvoredo ignora, pendularmente despindo o seu resguardo na frouxidão do sol.

Longe do tempo das planícies e dos montes, fica ao menos o curvetear das águas no deslizar dos sonhos. Outros dias virão de brisa e cascalho e terra lavrada e estevas e perdizes e entusiasmo e troféus.

Exactamente nos dias de algum dia em que todo o sentido nasça do apenas ser como sempre foi. Desviando um pouco para sítio nenhum, a dar prioridade ao inalterável. Isso mesmo: revolucionando a Revolução. Será o caos, mas jamais caótico. É, tão-só, a continuidade da História. E dos seus museus.

 

 

 

 

Liberdade maior

por João Távora, em 04.01.15

Eu não sou assim muito livre pois faço questão de usufruir da liberdade que tenho para assumir opções. 

A arte da boa conversa

por João Távora, em 04.01.15

"The lost art of conversation" é uma delicada peça musical com menos de dois minutos de Richard Wright editada postumamente no mais recente disco dos Pink Floyd que quase por si vale a sua aquisição. O seu sugestivo título veio-me por diversas vezes à ideia neste exigente período de festas de família e amigos que agora termina. Porque chego à conclusão que a boa conversa é de facto uma arte desconhecida de muita gente. Ao contrário do que possa parecer não é obrigatório sermos íntimos daqueles com quem emparceiramos na criação de um belo ambiente de conversa, em que cada um é convidado a sobressair mais inteligente e pertinaz. Uma boa conversa promove ideias brilhantes, e exerce-se não tanto pelo contraditório em si, mas pela forma como cada um contribui para fazer brilhar uma ideia que se desenvolve e se faz comum. Numa boa conversa a promoção da estética deve prevalecer sobre a "verdade". É como uma boa exibição de Ténis, em que os participantes se ajustam aos adversários e jogam para o espectáculo em detrimento da rivalidade. Numa boa conversa os sentimentos rasteiros são amestrados, agendas pessoais, lutas de egos e premências de afirmação devidamente contidas. Cada um sabe o que vale e ao que vai, os convivas estimam-se verdadeira ou tacitamente, e com generoso sentido de humor fazem das misérias grandezas. Um grupo de bons conversadores tem dias e é uma preciosidade a cultivar de preferência à boa mesa. É o que de melhor levamos daqui, acreditem.

Domingo

por João Távora, em 04.01.15

Gentile_da_fabriano,_adorazione_dei_magi.jpg

 

Evangelho segundo São Mateus


Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

 

Da Bíblia Sagrada

 

 

Afinal quem é Raquel Varela?

por João Távora, em 03.01.15

Não entendo o fascínio que Raquel Varela vem exercendo ultimamente em pessoas bem-intencionadas e inteligentes. Trata-se afinal de uma académica medíocre de quem qualquer português meridianamente culto se conseguiu preservar até há bem pouco tempo.

 

Soam trompas de sempre

por João-Afonso Machado, em 02.01.15

GUARIDA.JPG

O Tempo constrói as pedras e os homens sedimentam os seus horizontes. Ouvem-nos, cada vez mais longínquos, espreitam o seu aproximar em cânticos talvez ameaçadores. Enquanto a História acumula séculos e narra glórias, desmemoriando os insucessos. No intervalo das suas páginas, crescem o musgo e silêncios que bradam à imaginação. Há sempre uma nesga de sol por onde vigiar o Passado e flechas e cargas de azeite fervente despejadas nas fronteiras do admissivel, para cá das quais nunca.

Entre serranias, umas após as outras, refulgem armaduras e vilanias. Ecos defensivos de outrora. Nada será diferente: todos os dias são o prosseguimento de uma mesma batalha - a Vida. Até que em definitivo morram as gerações.

 

Reynaldo Varella

por João Távora, em 02.01.15


Reinaldo Varella (1867-1940) cantor, guitarrista e professor de música no Paço onde deu formação ao rei D. Carlos, contava já em 1900 com cerca de oito fados gravados para a The Gramophone Company.

Fonte: "Machinas Fallantes" Leonor Losa, Tinta da China, 2013

Outras antiguidades aqui.



Os 800 anos da Magna Carta

por João Távora, em 02.01.15

Magna_Carta_(1297_version_with_seal,_owned_by_Davi

 (...) Que a Magna Carta seria com pontualíssima frequência pisada e ignorada pelo poder político inglês, não resta a mínima duvida. Nem sequer vale a pena recordar que a constituição da igreja Anglicana no século XVI é uma flagrante violação do espírito e da letra da Carta e das suas múltiplas confirmações. Mas mesmo nos períodos mais amnésicos da história inglesa, a Carta nunca morreu. Foi sobrevivendo como uma vela acesa junto a janelas ventosas. Já nos períodos mais intensos de recuperação desta tradição, a Carta alimentou guerras civis, revoluções e finalmente a estabilização de um regime estável e poderoso – o regime saído da revolução de 1688, e que criou no século XIX o maior império do mundo. Com essa estabilidade e prosperidade – a que não seriam alheias os princípios da tradição que as sustentava –, a Inglaterra seria a inveja dos restantes países europeus, arrastados para uma perpétua montanha russa política, feita de reveses atrás de reveses para a causa do governo representativo e das liberdades. Até à chegada do século XX, na consciência inglesa e americana a Carta seria a peça demonstrativa de que sempre houvera um caminho diferente para a modernidade política daquele que fora escolhido pela revolução francesa – um caminho que, afinal de contas, se condenou a si mesmo ao fracasso. (...) 

 

Miguel Morgado, a ler na integra aqui.

A Transcendente Beleza

por José Mendonça da Cruz, em 02.01.15

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Quem tenha acesso aos canais TVC bem pode seleccionar «A Grande Beleza», de Paolo Sorrentino, filme transmitido ontem no TVC2 às 19,30; depois, escolher «Ver» e passar umas inesquecíveis duas horas e meia. Com tanta promoção de prostíbulos, causas em saldo, tiroteios boçais e amores corin telladescos bem me poderia ter escapado. E teria sido muita pena. Teria perdido a fotografia de um fabro, os planos e enquadramentos de um mestre, o ritmo de um poeta, a serenidade na alegria e na tristeza, o embalo da angústia e da vacuidade, os benefícios do irrisório, a fortitude na graça e na desgraça, a farsa e a transcendência, a grandiosidade da contenção, a paixão fútil e o amor perene, a grande, a enorme beleza da vida, filmada em pinceladas impressionistas, tudo na mais bela e amante cidade do Mundo, Roma. Fiquei profundamente agradecido. Há muito tempo que não via uma obra-prima.     

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