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"A monarquia de Espanha"

por João-Afonso Machado, em 22.06.14

A crónica de Vasco Pulido Valente , hoje no Público, chama-se «A monarquia de Espanha» e será uma grande perda nacional os portugueses todos não a lerem. Por isso a reproduzo generosamente aqui. Começa assim: « Apesar da comitiva de segurança, não dei por que os reis de Espanha estivessem no hotel. Um Secretário de Estado português teria sido mais conspícuo. (...) vi a rainha na varanda comum, o tomar um chá e a discutir com um secretário com muitos papeis não sei que problema. Na mesa do lado, a ler um livro, nunca me distrairam ou incomodaram. Aquela monarquia despretensiosa e bem-educada não me pareceu um perigo para ninguém».

Evidentemente, não se trata de uma profissão de fé realista de VPV, que nunca a fez. Apenas a constatação de coisas simples, a comparação entre o «símbolo com algumas funções de representação», que é a Família Real espanhola e os bandos de patos bravos por aqui pululando. Não esses caçáveis nas lagoas, mas os outros que por interesse e dinheiro são capazes de destruir essas mesmas lagoas...

E VPV prossegue: «nas cerimónias de sucessão, uns vagos milhares de pessoas gritaram "Espana manhana será republicana", provavelmente inconciliáveis da guerra civil (1936-1939) ou antifranquistas que guardam uma velha vontade de revanche. Esperemos que nunca aí se chegue por duas razões. Primeira, porque o rei é melhor garantia da unidade do país. E, segunda, porque a república tarde ou cedo criaria um tumulto em Espanha e na Europa. Um presidente sairia por força de uma das nacionalidades de Espanha que se autodenominam "históricas" (Castela, Catalunha, o País Basco e a Galiza), sendo suspeito para os grupos que ficassem de fora: uma receita infalível para a desordem e o conflito». A crónica remata com uma alusão à Escócia que «pelo menos, quer ficar com a rainha e, de caminho, com a libra».

Alguém ao meu lado, quando lia e comentava esta crónica de VPV, dizia referindo-se ao caso português não podermos andar para trás. Pois não, devemos caminhar sempre para o Futuro, decerto aprendendo com as virtudes e erros do Passado. O problema reside, precisamente, em o País não se mexer, sequer olhar para a frente. E quando assim é, manifestamente está a atrasar-se, a afastar-se do mundo global. E isso é andar para trás, por outras palavras.

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S.O.S.: ANIMAIS À SOLTA!!!

por Vasco Lobo Xavier, em 22.06.14

 

A princípio não percebi o que ouvia na televisão: “adoptar está na moda!”

O non sense chamou-me a atenção e continuei naquilo, que também continuou na mesma: “adopte com consciência!” Estranhei, mas a mensagem publicitária prosseguia com disparates em catadupa: “contacte o canil municipal ou as uniões zoófilas da sua área, adopte um animal! Contacte a SOS animal, adopte um animal!” Adopte um animal?!? Mas está tudo doido?!?...

Bateram leve, levemente, como quem chama por mim, pelo que fui ver. Ao dicionário.

Adoptar, segundo a Porto Editora,  é “tomar (o filho de outrém) por filho próprio, perfilhar (…)”, e adopção é “acto ou efeito de adoptar, (…) criação (…) de um vínculo jurídico semelhante ao que resulta da filiação natural, independentemente dos laços de sangue, filiação legal, perfilhação, relação de paternidade e filiação (…)”.

“Adopte um animal” e “adoptar está na moda” (com relação a animais) são imbecilidades difíceis de compreender na mensagem publicitária. Supondo que os seus autores têm dicionários à mão, ou se consideram eles próprios uns animais ou vão naquela onda de que somos todos iguais, humanos e cães, e querem passar essa ideia.

Qualquer que seja a resposta à questão colocada, não podem eles incomodar-se por podermos considerá-los uns animais, e não seres humanos.

Adoptar, a adopção, os conceitos e a realidade que comportam não podem ser banalizados desta forma. Animalesca.

 

 

 

(*) Declaração de interesses: de entre outros, admiro imenso os cavalos e simpatizo bastante com os cães (embora preferisse que corressem mais do que os gatos). Também muitos outros, devidamente tratados com carinho e convenientemente temperados, são muito do meu gosto.

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Domingo (Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo)

por João Távora, em 22.06.14

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios


Irmãos: Não é o cálice de bênção que abençoamos a comunhão com o Sangue de Cristo? Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo? Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão.


Palavra do Senhor.

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Cabecinhas perras

por José Mendonça da Cruz, em 21.06.14

Dos comentários ao jogo Alemanha-Gana (0-0 na 1ª parte, 2-2 no fim) retiro que os jornalistas desportivos são, afinal, bastante parecidos com os homólogos políticos: aquilo que contam não é o que se passa perante os seus olhos, mas a história que já traziam na cabeça.

Na SportTv, a poética criatura que faz comentários para «quem ama verdadeiramente o futebol» (e que, ontem, dizia duma jogada francesa que se devia «filmar e pôr num quadro no Museu do Louvre»), determinou que a Alemanha não estava ligada à corrente, e que suportámos um longo periodo soporífero até ao golo alemão e ao rápido empate do Gana. Mas o que víramos em campo, realmente, fora uma Alemanha perplexa perante a organização, a criatividade, a eficácia e as ganas do Gana.

Já na RTP os comentadores passaram quarenta e cinco minutos a proclamar que «o Gana está a dar boa resposta». O que toda a gente via, na verdade, era uma Alemanha sem resposta perante as iniciativas do Gana.

Falaram sempre como se estivesse em campo apenas a equipa alemã (como eles traziam determinado de casa), e o Gana não fosse uma grande equipa (como eles prefeririam).

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Entre a República e a Monarquia

por Vasco Mina, em 21.06.14

“Entre a República e a Monarquia” seria a resposta que daria se alguém me perguntasse qual a minha opção tendo por referência entre estes dois sistemas. Nasci, como todos os portugueses vivos, em República e a minha família, que não tinha tradições monárquicas, vivia (como hoje eu vivo) comodamente no sistema republicano. A formação escolar em história que recebi foi inexistente a partir das invasões francesas; ou seja, os programas escolares entre 1974 e 1977 nunca foram concluídos e por essa razão nunca tive uma aula sobre o período da História de Portugal que vai desde a sucessão de D. João VI até ao Estado Novo. Depois e por ter optado pelas Ciências deixei de ter aulas de História. Durante anos e anos fui escutando as versões comuns sobre o declínio da Monarquia e a implantação da República que destacavam sempre as virtudes do republicanismo e consideravam como ultrapassada e caduca a opção monárquica. Tive a sorte de ter amigos e um cunhado que são monárquicos e que me “obrigaram” a estudar a história portuguesa a partir do período em que deixei de ter a tal formação escolar. A história é sempre contada por aqueles que ganham e assim vivemos com uma versão dos acontecimentos passados entre o final do Sec.  XIX e o início do Sec. XX e que é, nem mais nem menos, a que corresponde à perspetiva republicana. Por isso tive (e ainda tenho) o cuidado de ler várias abordagens sobre o mesmo assunto pois muitos factos históricos são, propositadamente, omitidos numas versões e destacados noutras. Este esforço de leitura que fiz permitiu-me concluir que são vários os mitos e mentiras lançados sobre a Monarquia e dos quais destaco os seguintes: elitista e não legitimada pelo voto popular. O elitismo é um dos pontos fortes do ataque republicano: quem tem o poder tem de ser descendente de famílias nobres e por isso o exercício da política é apenas condição dos fidalgos. Mais, o Chefe de Estado, ou seja o Rei, será sempre por hereditariedade e não por mérito de um qualquer desempenho político ou outro. Ora as monarquias deixaram de governar ao longo do sec. XIX e os governos passaram a resultar de eleições tal como acontece com o poder executivo em República. E as eleições passam por partidos políticos que nasceram nas monarquias e nos quais militam fidalgos e não fidalgos. Assim, apenas a família real é uma elite não sujeita ao veredicto popular. Acrescente-se que as Repúblicas também convivem, em certos períodos, com Presidentes não eleitos ou escolhidos em resultados de processos eleitorais “fantoches” com aconteceu durante a 2ª República (ou Estado Novo para quem assim queira classificar o regime republicano que vigorou entre 1932 e 1974). Diga-se até que quem consolidou a República em Portugal foi António Oliveira Salazar. Porque caiu a Monarquia? Acompanho aqui a opinião do Vasco Pulido Valente: A monarquia caiu por duas razões. Primeiro, porque os partidos "rotativos", o Regenerador e o Progressista, que não podiam sobreviver numa sociedade urbana (no fundo, Lisboa, e um pouco o Porto), se começaram a dividir no reinado de D. Carlos. Segundo, porque proprietários do Estado, ambos permitiam, a seu benefício, um regime geral de corrupção, ardentemente odiado pela classe média. E, terceiro, porque os republicanos, também no reinado de D. Carlos, conseguiram mobilizar o "bom povo" para a violência. A "ditadura" de João Franco foi já um recurso do desespero. E o regicídio um resultado previsível.

E a República que se seguiu? Um sistema assente na violenta perseguição política e religiosa, dirigido por um único Partido dominado pela Maçonaria, que até reduziu o universo eleitoral (sim o número de eleitores foi reduzido com a República), que pôs e depôs vários governos, que conduziu, por motivos coloniais, o País para uma Guerra Mundial que não só matou muitos portugueses mas que levou Portugal à ruína financeira. Mas não foi elitista? Claro que sim pois só quem frequentava as Lojas Maçónicas e militava no partido Democrático tinha acesso ao poder. E as eleições foram processos “limpos” e livres? Não, não foram! Mais, a família real foi proscrita com o Decreto de 15 de Outubro de 1910 (focam incluídos expressamente na proscrição os ascendentes, descendentes e colaterais até o quarto grau do Rei D. Manuel  II). Por fim e não menos relevante, os republicanos trataram de assassinar o Presidente Sidónio Pais (curiosamente o Primeiro Presidente da República eleito por voto direto), o Comissário Machado Santos (que foi uma espécie de Salgueiro Maia da revolução de 5 de Outubro) e o Primeiro Ministro António Granjo. Depois foi a Revolução de 28 de Maio de 1926 e tudo culminou com a Constituição de 1933 que foi plebiscitada em março desse ano e que se tornou o documento “fundador” do Estado Novo. A história recente da República a partir de 25 de Abril todos a conhecem mas em nenhum momento foi colocada a possibilidade de se debater a opção republicana versus a opção monárquica. Este debate faz falta não só porque ajudaria a esclarecer muitos aspetos da história portuguesa contemporânea mas também (e fundamentalmente) porque contribuiria para a reflexão sobre o que pretendemos de um Chefe de Estado. Eu vivo comodamente em República e tenho uma dificuldade que os meus amigos monárquicos não têm: a história; não a história dos factos (que se aprende estudando) mas, sim, a tradição familiar que se transmite de pais para filhos e que assenta na genealogia dos valores e dos contributos políticos e sociais dos ascendentes. Não me incomoda a escolha, pelo voto, do Chefe do Estado mas tenho muito apreço pelo que o Monarca representa e pelo contributo agregador de um povo que um Presidente da República nunca terá. Para quem tenha dúvidas sobre este ponto basta prestar atenção para o que se passa em Espanha: é o Rei (o que abdicou e o seu filho que agora foi aclamado) que consegue a união do povo em torno de uma causa comum. Se for deposto não será apenas a queda da Monarquia mas sim a queda de uma Nação pois outras nascerão. Sou republicano? Verdadeiramente, não sou. Sou monárquico? Também não. Estou entre a República e a Monarquia.

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«Grandes primeiros-ministros»

por José Mendonça da Cruz, em 21.06.14

Quando o governo ordenava à Caixa Geral de Depósitos que embarcasse em aventuras, quando José Sócrates assaltava o BCP com dinheiros do banco público - ou seja, com dinheiro dos contribuintes -, e quando o Banco de Portugal não regulava e fechava os olhos, Ricardo Salgado sentenciava que tínhamos «um grande primeiro-ministro».

Que bom para os portugueses, e para o uso do dinheiro que o Estado lhes saca em excesso, já não termos «um grande primeiro-ministro».

Tivemos, antes, uma troika a impor boas contas. Tivemos depois, um Banco de Portugal competente e activo. E temos, agora, um primeiro-ministro e uma ministra das Finanças que não aceitam apagar com o nosso dinheiro os fogos provocados pelas ilegalidades do grupo Espírito Santo.

Por vezes, os portugueses avaliam mal o que devem à troika e a este governo. Mas é claro que podem sempre arrepiar caminho e trazer de volta quem, seguramente, ouviria os apelos de Ricardo Salgado. Alguém que certamente auxiliaria o BES com o nosso dinheiro, alguém que sempre tenha defendido o anterior «grande primeiro-ministro», e que se reveja nele e nas suas políticas, e que colha o apoio das suas gentes, e que nos conduza pelo mesmo caminho. Outro «grande primeiro-ministro».

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Segundo a Sic o líder da oposição é um boi

por José Mendonça da Cruz, em 21.06.14

Antes, mesmo de ouvir o Jornal de Noite da Sic, já sabíamos qual fora, para o canal, o resultado de qualquer debate parlamentar em que José Sócrates participasse: uma enorme vitória do então primeiro-ministro, e do seu «dinamismo» e da sua «ferocidade».

Desde que Passos Coelho tomou posse como primeiro-ministro, os debates parlamentares passaram para segundo plano. Aliás, quem tivesse tempo e se desse ao trabalho de assistir a um desses debates, mal o reconheceria no noticiário do horário nobre, desfigurado por discursos off manipuladores e sentenciosos, promotores de tudo PS.

Mas esta semana, a Sic tratou o debate parlamentar com atenção desvelada. Para dizer, resumidamente, que Seguro fora esmagado. A voz off chegou a entoar, desta vez, que numa segunda réplica a Seguro, e ao recordar a evidência de que enquanto houver défice e dívida não existe a «folga» de que os socialistas falam, Passos Coelho dera «a estocada final». No discurso off da Sic, portanto, o primeiro-ministro era um toureiro, e o líder da oposição um boi.

É jornalismo infame? É.

Mas é a tradução das palpitações pró-Costa, do zelo ardente, dos anelos patéticos do canal pelo putativo novo líder do PS.

Acontece, é claro, que António Costa não defende outra coisa senão o mesmo que Seguro: gastar o dinheiro dos outros que vislumbra na suposta «folga», em apostas no «conhecimento» e em políticas de crescimento, que consistem, como sabemos, em investimentos aventureiros com o dinheiro dos contribuintes. Quando, ou se, sofrermos as dramáticas, porém bem conhecidas, consequências desta teimosia arcaica, António Costa - e a Sic com ele, seguramente - hão-de inventar outra crise internacional como desculpa, ou criticarão a falta de solidariedade da Europa que agora lhes parece tão descurada.

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O país de Pedro Passos Coelho

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

 

Vale a pena ler (eu não diria melhor) o que Pedro Guerreiro escreve no Expresso de hoje (deixo a imagem). O país de Pedro Passos Coelho é diferente do de Sócrates (e provavelmente do que virá com António Costa ou António José Seguro). Neste Governo não há padrinhos! É por isso que eu gosto de Pedro Passos Coelho (foi isso que me converteu) e de Maria Luís Albuquerque (que conheço há mais tempo), e é também por isso que fui uma fã de Vítor Gaspar. Porque eu sei o quão difícil é ser-se integro e não ceder a pressões. E sei o que é ser vítima de pessoas que não o são. 

Detesto o pessoal do jeitinho aqui, jeitinho ali. Detesto deslumbrados sociais que querem ser amigos dos Espírito Santo a todo o custo e usam e abusam dos seus trabalhos e profissões para isso! 

Parabéns Maria Luís, parabéns Pedro Passos Coelho por não terem cedido à pressão do presidente do BES para pôr a CGD e o BCP a liderarem um empréstimo de 2,5 mil milhões de euros, com taxas bonificadas, para cobrir a dívida da ES International e da Rio Forte. 

 

*Claro que há pessoas que conheceram os Espirito Santos através dos seus trabalhos e hoje são amigos deles que obviamente não cabem nesta categoria. As pessoas vêem-se de dentro. Não são estereótipos..

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Coisas que só se podem dizer no Twitter

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

 

 

 

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Antes de ir e regressar

por João-Afonso Machado, em 21.06.14

Santa Catarina descia a rua quase num trambolhão desde o Marquês. Ainda antes da desgraça que atingiu este e da Praça Jimi Hendrix a desterrá-lo, não sei para que pombais. Sim, sente-se bem o peso da idade, eramos muito novos e os Por-fi-rios um sonho distante, porventura tanto quanto as gloriosas Lewi's da nossa eternidade na terra. Porquê Santa Catarina, já frenética e ainda afastada da capela das Almas, e foliona, despesista, consumista, musical, quase cosmopolita, no chegar a Santo António, a Santo Ildefonso, nas vésperas da Batalha? Nesse tempo, é claro. No tempo dos LP's, das colecções, da pastelaria depois do consultório médico. E do trânsito nos dois sentidos, dos eléctricos e dos autocarros verdes...

Agora, à cota mais alta, é como se um glaciar embranquecesse de mutismo Santa Catarina. Cá para baixo, obrigada a andar a pé, mais vagarosa - mais cansada, mais pobre - sobrevive. É visitada, talvez até venerada por gente de longe. Toma um café, observa, dessedenta-se em esplanadas.

Mas os LP's e os Por-fi-rios já ninguém recorda onde eram. Como cinzas que se soltam do cendrário.

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Chega de cronistas preguiçosos

por Maria Teixeira Alves, em 21.06.14

Não é aceitável. Não é admissível. Não é inteligente. Não é honesto que se diga isto: "O actual governo mereceu também da banca todos os elogios e retribuiu em espécie, impedindo que qualquer legislação que diminuísse os lucros da banca passasse no parlamento, ou ficando como penhor de bancos que em condições normais iriam à falência, mesmo numa altura em que já era difícil alegar crise sistémica!"

 

José Pacheco Pereira é inteligente e devia ser menos "jornaleiro" do que é. Não se pode ter razão assente em falsidades. Todo o edificio de opinião fica em causa "por causa" da ignorância que demonstra sobre os temas que opina. O que é que custa ir saber como é que funciona o capital de um banco? O que é que custa perceber minimamente de contabilidade bancária antes de opinar. É que se até tem razão nalgumas coisas - como por exemplo nisto "Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota" - depois quando fala do plano de recapitalização da banca como mais um esquema de compadrio do governo português com os banqueiros, revela um pensamento completamente tendencioso, ignorante e baseado em mentiras. 

O plano de recapitalização da banca é EUROPEU. É obrigatório. Não passa por nenhuma relação de Passos Coelho com Ricardo Salgado. 

 

Os bancos portugueses tiveram de ser recapitalizados porque a EBA (Autoridade Bancária Europeia) obrigou os bancos a contabilizarem a divida soberana de longo prazo aos preços do mercado. Isso provocou menos-valias potenciais que tiveram de ser registadas no capital, e criou um défice deste. Depois em Janeiro entraram em vigor as novas regras sobre requisitos de capital (definidos na directiva CRD IV, que aglutina as exigências contabilísticas de Basileia III), que exigem um common equity tier I (capital puro e duro sem incluir outros instrumentos de capital) de 7%, mínimo. 

Há os testes de stress, há o asset quality review, há uma série de iniciativas que nos ultrapassam (e é preciso não esquecer que os bancos da UE tenderão a uma união que os divorcie do risco país) e que provocam alterações no capital.

Pacheco Pereia devia saber que o capital é contabilístico. A mudança de regras contabilísticas abrem frestas no capital dos bancos. O que não é contabilístico (grosso modo) é o dinheiro que lá têm de pôr os accionistas. 

 

Eu não percebo porque é que os opinion makers consagrados são tão preguiçosos. Ao produzir semanalmente opiniões baseadas em aparências Pacheco Pereira cai no pecado que aponta aos outros.

 

Já no outro dia, o José Quintela, que eu gosto imenso de ler, escreveu um artigo giríssimo sobre o Sr. Inércia do BES; referindo-se ao commissaire aux comptes Francisco Machado Cruz, que Ricardo Salgado personalizou numa entrevista, com erros técnicos. Estava verdadeiramente com graça e bem apanhado, mas confesso que me custou ver esta frase "Provavelmente por não estar com pachorra para abrir o Excel, o Sr. Inércia não registou os 1200 milhões de euros de dívida do BES, uma quantia que coloca o banco na falência técnica". Ora isto é mentira. Quem está em falência técnica é a ES Internacional, que é uma holding da família que em termos directos, expurgando todos os interesses minoritários, não controla mais de 3% a 4% do BES. O banco obviamente não está em falência técnica, porque isso é uma questão de rácio de capital. Confesso que esta mentira do artigo, para mim, estragou um bocadinho o texto do José Quintela. 

 

Voltando ao tema Pacheco Pereira. Para esclarecer: 

No âmbito do Programa de Assistência acordado com a Troika, os principais grupos bancários, incluindo o Grupo BES, têm vindo, trimestralmente, a apresentar e a discutir com aqueles parceiros internacionais e com o Banco de Portugal os respectivos planos de financiamento e de capital (Funding and Capital Plan). O plano visa alcançar, no final de 2014, um rácio "crédito/depósitos" inferior a 120%, um rácio de financiamento estável de 100% e a manutenção de um rácio Common Equity Tier 1 mínimo de 7%, como definido pelo Banco de Portugal no Aviso 6/2013 e de acordo com o novo enquadramento regulamentar estabelecido na Diretiva 2013/36/UE e Regulamento (UE) nº 575/2013, de 26 de junho de 2013, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu.

 

 

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A Plebeização do Banco Espírito Santo

por Maria Teixeira Alves, em 20.06.14

Ainda bem que o BES conseguiu evitar que o Estado entrasse no seu capital. A família Espírito Santo não queria de maneira nenhuma pôr o seu banco a ser mandado pelo Estado. De maneira nenhuma! Ainda bem que conseguiram evitar ser intervencionados por entidades públicas para não se repetir a perda do banco que sofreram em 1975. Parabéns!
Basta olhar para o novo Conselho de Administração (incluindo Comissão Executiva) para ver que a família Espírito Santo continua a ser dona do BES, vê-se logo.

Alberto Alves de Oliveira Pinto - Presidente substituído por Paulo Mota Pinto

Ricardo Espírito Santo Silva Salgado - Vice-Presidente substituído por Amílcar Carlos Ferreira de Morais Pires
Bruno Bernard Marie Joseph de Laage de Meux – Vice-Presidente
José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva substituído por Ana Rita Gomes Barosa

António José Baptista do Souto

Jorge Alberto Carvalho Martins

Aníbal da Costa Reis de Oliveira

José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi substituído por Isabel Maria Carvalho de Almeida Bernardino

Rui Manuel Duarte Sousa da Silveira

Joaquim Aníbal Brito Freixial de Goes

Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva sai do Conselho de Administração

João Eduardo Moura da Silva Freixa
Nuno Maria Monteiro Godinho de Matos

Pedro Mosqueira do Amaral sai do Conselho de Administração
Isabel Maria Osório de Antas Mégre de Sousa Coutinho
João de Faria Rodrigues

Marc Olivier Tristan Oppenheim

Vincent Claude Paul Pacaud

Rita Maria Lagos do Amaral Cabral

Stanislas Gerard Marie Georges Ribes

Horácio Lisboa Afonso

Pedro João Reis de Matos e Silva

Xavier Musca

 

É, antes de mais, a "plebeização" do BES! Uma verdadeira Revolução Francesa! :)

 

Ironia à parte, o BES não recorreu ao dinheiro do Estado para se recapitalizar, não emitiu CoCo´s (obrigações convertíveis em capital contingente) para o Estado subscrever, não tem o Estado no capital, mas a verdade é que acabou por perder o controlo do banco. Evitou que o Estado tivesse poder no seu Conselho de Administração mas acabou por cair nas mãos do poder do Banco de Portugal, que é uma entidade pública e tutelada pelo Ministério das Finanças. 

Nem no tempo do PREC o desmantelamento de um império familiar foi tão bem sucedido. Para quê chaimites, armas e cravos? Para quê? Há caminhos mais subtis e mais eficientes.

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A brejeirice não tem idade

por João Távora, em 20.06.14

Mais uma peça resgatada para o espólio fonográfico português, esta curiosa cançoneta cómica “A Gatinha tinha, tinha” interpretada em 1911 pelo actor cantor Jorge Bastos.   

Publicado originalmente com mais informações aqui.

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Não me soa nada bem ouvir agora o António Costa na Quadratura do Circulo. É que cada vez que o oiço sinto-o a fazer campanha contra o Governo a seu favor. Não sei se é legítimo que continue a fingir que não passa de um comentador político, até porque tudo agora o que diz é lido com uma cartilha de futuro Governo a que se propõe.

Bem às tantas, o melhor é lá porem também o Pedro Passos Coelho para fazer de comentador. Comentador em causa própria por comentador em causa própria, pelo menos ficavam em pé de igualdade. É que assim a campanha política está desequilibrada. 

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Agora sim, aclarados

por Vasco Mina, em 19.06.14

 

De acordo com a nota publicada no Portal do Governo ficou agora claro como vão ser pagos os subsídios de férias e de Natal. O que não ficou claro foi o que ontem disse o Ministro Poiares Maduro pois o que hoje foi decidido pelo Governo acaba por ser uma aclaração ao afirmado por este governante.

 

 

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Ricardo Salgado: O bom, mau e o vilão

por Maria Teixeira Alves, em 19.06.14

Ricardo Salgado sai do BES em cima de fazer 70 anos (a 25 de Junho). Deixa o BES capitalizado mas não conseguiu conter a difamação. Pelo contrário, a partir de dado momento a sua presença à frente do BES agudizava a difamação. Penso que Ricardo Salgado sai para poupar o banco. A sua, bem oleada, máquina de comunicação deixou de conseguir travar o desaire. 

O BES deve tudo a Ricardo Salgado: deve o bom, deve o mau e deve o vilão. O BES não seria o que é hoje se não fosse a inteligência, a sabedoria, e a diplomacia de Ricardo Salgado. O genial de Ricardo Salgado levou-o a destacar-se entre a família Espírito Santo (quando há muitos e um se destaca, isso é de um enorme mérito que é preciso reconhecer). Foi essa inteligência que o levou a ser o escolhido para liderar os destinos do BES, decorria o ano capicua de 1991. É a partir do estrangeiro que participa na reconstrução do Grupo Espírito Santo, primeiro a partir do Brasil (1976-1982) e depois a partir da Suíça (1982-1991), de onde regressa para investir em Portugal. Começou pela criação do Banco Internacional de Crédito em 1986, quando a Constituição da República Portuguesa ainda não permitia as reprivatizações.

Todo o seu percurso é feito numa tentativa de fazer do BES um grande banco português e um banco aliado do país. Ricardo Salgado é um banqueiro, daqueles à antiga, que tem uma estratégia para o banco mas também tem uma estratégia para o país. Mas, e há sempre um mas em todas as histórias, não resistiu ao pacto com o poder político que é um pacto com o diabo (seja ele cá ou em qualquer outro país). Esse foi o pecado do banqueiro. O poder é apenas uma sugestão.

A vaidade de Ricardo Salgado foi querer ser o fiel da balança política. Seja em Portugal, seja em Angola, os compromissos com o Estado podem descambar em coisas menos ortodoxas. Depois a tentação de, através do crédito, ajudar quem precisa, corrigir as injustiças, dar gás aos projectos, ajudar os amigos leais, tudo isso são vicissitudes com que se depara qualquer presidente de um banco. Mas às tantas, os amigos são muitos, os desfavorecidos são muitos, os parentes são muitos, os injustiçados são muitos, os buracos de um país são muitos e o banco começa a ser pequeno demais para acudir a tantos. Os apoios começam a cair aqui e ali, depois quando já se está à beira do abismo há sempre quem esteja disponível para dar o empurrão final. 

O bisneto de José Maria do Espírito Santo Silva e neto pela mãe de Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva, é o primeiro presidente do BES a sair vivo da função. Até hoje os presidentes do BES eram como os Reis numa monarquia, não abdicavam, morriam. 

Ricardo Salgado vai agora defender com unhas e dentes Amílcar Morais Pires para presidente. É preciso que se diga que Amílcar Morais Pires é fundamental no BES, o banco deve à sua credibilidade junto dos investidores o sucesso do último aumento de capital.

Ricardo Salgado sai. Não ficará nem sequer Chairman. Ficará num comité estratégico do banco. Um lugar simbólico.

José Maria Ricciardi tem fortes possibilidades de assumir a presidência do BES, se não a executiva pelo menos a não executiva. 

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Proclamação

por João Távora, em 19.06.14

 

Acabo de chegar dos estúdios da CMTV o canal 8 da MEO onde estive a comentar a grandiloquente proclamação de Filipe VI como rei de Espanha no programa da Maya (entre as 9,30 e as 10,30). Descartei-me logo da parte protocolar e das mexericos, temas para os quais não estou vocacionado, tentei focar-me nas questões políticas e evidenciar os contrastes entre uma monarquia constitucional moderna como a espanhola e o modelo de chefia de Estado republicano em Portugal. falei com orgulho da Causa Real em que milito e da Casa Real Portuguesa que tanto estimo. 

De resto, e propósito do mesmo assunto, aqui partilho o meu artigo no jornal i.

 

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Ficámos aclarados

por Vasco Mina, em 19.06.14

Depois do pedido de aclaração enviado pela AR a pedido do Governo, o TC decidiu que não havia nada a aclarar pois estava tudo claro. O Governo manifestou, através do Ministro Poiares Maduro, que uma das questões tinha ficado aclarada, ou seja o "O tribunal torna claro que o acórdão só se aplica realmente a partir de 31 de maio e quanto àqueles que receberam subsídios de férias com cortes, não há qualquer alteração a fazer". Depois, num comunicado ao início da noite de ontem, o TC refere que não pode ser retirada qualquer ilação do indeferimento do pedido de aclaração apresentado. Ficámos aclarados!



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Ser Direita

por João-Afonso Machado, em 18.06.14

A questão do "nacionalismo" é perigosamente dúbia, enganadora. Quem ler Jean-François Revel (A Tentação Totalitária e Como acabam as Democracias) percebe claramente qualquer movimentação comunista começa por se afirmar "nacionalista", assustando as gentes com a eminência da invasão estrangeira. Assim procederam também os republicanos portugueses do início do século XX e quando nos empurraram para a matança da I Guerra Mundial. Feitas as contas, se a tropa se apresenta asseada e disciplinada, no bota-abaixo de um Regime, temos um golpe de estado; e onde houver uns barbudos a mastigar o charuto, de metralhadora na mão, vem aí a revolução esquerdista. Não é, assim, pelo lado do "nacionalismo" que se caracteriza a Direita. Justamente porque o dito "nacionalismo" não é um valor, um conceito, mas uma arma apenas.

A verdadeira Direita despreza os extremismos. Somente os gradua nas consequências da sua loucura.

Sequer a verdadeira Direita se foca no prisma ideológico. Há muito percepcionou o seu fim - as ideologias são meramente pretextos, conforme hoje bem se alcança das discussões parlamentares em torno do Estado Social vs. o famigerado neo-liberalismo. 

A verdadeira Direita radica na Nação. Nas comunidades, no Povo, no respeito pelo Passado como indicador de um rumo, o do Futuro. Daí o seu orgulho pela História, vale dizer, pela continuidade do ethos nacional. De uma cultura identificativa. Nos nossos dias, a Direita só pode ter uma meta, jamais uma solução política inamovível.

Do que resulta a não exclusão de quem quer que seja. A Direita é pluralismo e liberdade. É orgulho de nós mesmos e do nosso ser. Não vive da importação de modas sociais e regimentais e relega a exportação para o plano estritamente económico - porque o das ideias pertence à Esquerda imperialista.

Por tudo, a Direita é essencialmente serena. E imparcial. Valoriza um empolgado António Sardinha tanto quanto a ironia queirosiana.

(Evidentemente, nos tempos que correm, muito mais esta última).

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António Costa

por Vasco Lobo Xavier, em 18.06.14

Afinal não é messias nem é nada, embora tenha imensa graça.

 

Não pode é ser levado a sério mas lá para a pilhéria e chalaça supera bem o Seguro.

 

 

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