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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 06.05.14

 

Earth has not anything to show more fair:

Dull would he be of soul who could pass by

A sight so touching in its majesty:

This City now doth, like a garment, wear

The beauty of the morning; silent, bare,

Ships, towers, domes, theatres, and temples lie

Open unto the fields, and to the sky;

All bright and glittering in the smokeless air.

Never did sun more beautifully steep

In his first splendour, valley, rock, or hill;

Ne'er saw I, never felt, a calm so deep!

The river glideth at his own sweet will:

Dear God! the very houses seem asleep;

And all that mighty heart is lying still!

 

William Wordsworth, Composed Upon Westminster Bridge

Jornalismo militante (ou pura investigação)

por João Távora, em 06.05.14

28 de Setembro de 2013, véspera das últimas eleições autárquicas.

 

Via Blasfémias

não saber perder

por Vasco Lobo Xavier, em 06.05.14

 

 

Uma das coisas mais divertidas de observar naqueles que não sabem perder é a facilidade com que deixam que se evidencie que não sabem perder. Veja-se o caso da A25A: consideraram ter perdido as últimas eleições legislativas e, vai daí, aparentando não saber conviver com o regime democrático, amuaram e deixaram de ir à AR nas celebrações do 25A. Este ano ainda ensaiaram uma chantagem, que lhes correu mal, como correu pessimamente o infeliz apelo à luta armada feito por alguns. Mário Soares é sublime nisto de não saber perder e enveredou também pela luta armada. A decadência é uma coisa terrível, mas nalguns casos divertida.

 

Mais divertido é constatar isso na comunicação social, que deixa de relatar e prefere opinar. No último ano falou-se num 2º resgate e, mais tarde, numa saída com um programa cautelar, exigindo-se uma saída limpa. Derrota, empate e vitória eram os resultados possíveis, quando poucos acreditavam na vitória. Na semana passada, constatando-se que muito provavelmente os portugueses e este governo conseguiriam uma saída limpa, um órgão qualquer da comunicação social (não me lembro qual) chamava-lhe depreciativamente de “saída simples”. É um excelente nome, para o efeito negativo que pretendiam, ainda que não se perceba a sua atribuição à melhor das três hipóteses com que o país se deparava (2º resgate, saída com programa cautelar ou saída limpa). Da mesma maneira que não percebi um programa da rádio que auscultava os ouvintes sobre se a saída limpa constituiria uma derrota ou uma vitória do governo e dos portugueses. O debate pareceu-me extraordinário: se uma saída limpa não é uma vitória, o que seria? Se é uma derrota, o que seria uma vitória? Não se percebe.

 

Um jornal, aparentando também algum inconformismo, noticiava na 1ª página a saída limpa mas colocava a expressão entre aspas, não fosse o incauto leitor imaginar que era coisa boa. E para embelezar o embrulho acrescentava de imediato que isso não afastava os riscos (novidade?!?) nem a a vigilância dos credores (outra novidade de 1ª página?!?), durante duas décadas (sempre novidades?!? – por onde têm andado aqueles jornalistas?). Não arriscando a possibilidade de ainda assim se considerar positivo o resultado, acrescentou-se ainda ao pacote da 1ª página que se está a proteger as pensões mais elevadas e somaram-se os prejuízos de algumas instituições bancárias ao longo dos últimos três anos (uma ligação que mal se percebe mas eles lá devem saber).

 

O não saber perder do PCP e do Bloco tem pouca graça e originalidade porque eles, na verdade, não sabem perder e não me recordo de alguma vez terem admitido as suas derrotas. Convivem muito dificilmente com a realidade: do PCP veio de cabeça perdida o cabeça de lista às europeias tecer uns quantos impropérios e negar que se tenha verificado uma saída limpa (sem explicar então qual das três hipóteses ocorreu). A cabeça de lista do Bloco, igualmente de cabeça perdida, vociferou também uns quantos impropérios, amaldiçoou os empresários portugueses que criam empregos e acrescentou que “amanhã os portugueses estarão exactamente como hoje”. É simplesmente fabuloso que um país consiga eleger para o parlamento europeu pessoa que diz uma anormalidade destas e que pretende fazer crer às pessoas que este tipo de coisas faz alterar a vida das pessoas de um dia para o outro, qual euromilhões (que ainda assim deve demorar uns dias a chegar às nossas contas bancárias...).

 

Mais cómico é o não saber perder de Arménio Carlos, que começa por negar a realidade (velhos hábitos do PCP não se perdem facilmente...), recusando que tenha havido uma saída limpa (então qual foi?!?), e prosseguindo barafustando contra os malvados mercados, de quem continuamos dependentes.  Oh sr. Arménio! Pois continuamos dependentes dos mercados! Uma vez que o seu amigo Sócrates nos pôs na bancarrota, endividando-nos até ao limite e gastando todas as reservas do país, nós estamos dependentes de quem nos emprestou o dinheiro para comer. E uma vez que o senhor recusa qualquer austeridade e que apela ao aumento constante do défice, ano após ano, isso só se consegue com auxílio dos mercados. Por outras palavras: o seu modo de vida, o seu projecto, aquilo que defende, aquilo que tem defendido, põe-nos dependentes dos mercados. É tão simples que não sei como não percebe isto.

 

A UGT foi mais comedida. Disse o seu Secretário-Geral adjunto que isto não era uma saída limpa (sem explicar então o que seria, das três hipóteses que tínhamos pela frente) porque se criou uma almofada de protecção com os impostos dos portugueses. Acontece, caro senhor, que desde a fábula da cigarra e da formiga que toda a gente sabe que é preciso amealhar para se ter uma almofada que nos ampare nos tempos difíceis. É bem certo que eu também preferiria menos impostos e que se reduzisse antes a despesa mas nunca ouvi a UGT a apelar a reduções da despesa, pelo que a almofada por via dos impostos parece ser a solução que a UGT, por exclusão de partes, prefere. Não tivesse o Sócrates gasto tudo e houvesse alguma almofada em Abril de 2011 e os portugueses não precisavam de ter sido resgatados pela troika, que foi ao que o gastador governo socialista nos conduziu.

 

Já o não saber perder dos socialistas é de uma comicidade fabulosa. Queixam-se também da criação desta almofada, feita com o esforço dos portugueses e tão importante para nós. Provavelmente já a teriam torrado toda, se pudessem. Mas Seguro faz uma coisa extraordinária que é desvalorizar todo o esforço hercúleo dos portugueses: para ele, esta meta foi atingida – não com o esforço dos portugueses mas – apenas porque há liquidez nos mercados e porque o BCE falou. Oh dr. Seguro: a não ser que o BCE assegurasse que pagaria na totalidade as dívidas dos desgraçados completamente endividados, o que não fez nem fará, nunca os resultados atingidos pelos portugueses nos mercados se poderiam dever essencialmente ao BCE. E nunca a liquidez nos mercados faria com que se emprestasse dinheiro a quem dá mostras de não o saber gastar nem poupar nem produzir. O excesso de liquidez não torna “os mercados burros”. Saiba o dr. Seguro que, por muita liquidez que haja nos mercados, nunca estes nos emprestariam dinheiro ao juro actual se nos últimos três anos o país tivesse feito tudo o que o senhor sempre defendeu. Nunca! Estaríamos a braços com outro resgate (isto com sorte...) e seríamos tratados como uns desgraçados, gastadores e incorrigíveis, não mereceríamos o menor respeito e confiança.

 

Respeito e confiança que Seguro nunca poderá conseguir dos portugueses, porque demonstrou não confiar nos portugueses nem respeitar o seu esforço, ao imputar a causas externas e fortuitas o sucesso alcançado pelos portugueses. Não, dr. Seguro: asseguro-lhe que estes resultados resultam do enorme esforço dos portugueses e do respeito e confiança que estão a conquistar a pulso e não do tempo que faz lá fora ou de ser dia par ou ímpar do mês. Se António José Seguro não confia nem respeita os portugueses e o seu esforço, como pode pretender o seu respeito e a sua confiança?

 

 

Vota PS!

por João-Afonso Machado, em 05.05.14

A culpa vai por inteiro para Oliveira Salazar. Foi ele quem durante décadas fez tábua rasa daquilo que é essencial no ser humano - a sua liberdade; e manteve fechada, sempre mais recheada, a lata de bolachas onde acumulou toneladas de ouro. O resultado não podia ser outro: uma revolução sem quaisquer preocupações reformistas e essa riqueza toda derramada pelos quatro cantos dos poderes públicos. E libertinamente gasta, com Mário Soares à frente da fanfarra, en tour mondial a tous ses amis.

E assim chegámos à actualidade, com os portugueses a terem de pagar S. Ex.cia o Estado - depois de esvaziada a dita lata de bolachas -  e sem economia a consentir-lhes receita credível. Uma desgraça! A famigerada crise! Fervilhando sob os nossos pés até à sua formidavel erupção no consulado de Sócrates I, por cognome o Parceiro Público-Privado.

Vão lá dois anos dramáticos, é certo. Com o Governo navegando muitas vezes à vista, sem norte e sem inspiração. Tentando bolinar, meter água o menos possivel. Fazendo o que podia entre o canto traiçoeiro da Esquerda radical e o oportunismo palavroso dos socialistas.

Podia ter sido feito melhor? Sem dúvida. Haverá quem fizesse melhor? É duvidoso. Não se percebe surgisse alguém capaz. No entanto, é inegável a inclinação dos portugueses para se deixarem seduzir por sereias, além do mais gastadoras (não, não me refiro às oriundas do além-mar brasuca...).

Dai a premente necessidade de entregar a governação a Seguro (ou a Costa?). Foi assim também que os franceses estão aprendendo com Hollande.

Post-scriptum: se este apontamento se cruzar com algum governante a sério, por favor, queira dá-lo (ao apontamento) sem efeito.

Este título do site Dinheiro Vivo, Sócrates satisfeito com saída limpa, mas recusa responsabilidade na entrada da troika deveria ser assim:

Sócrates satisfeito com saída limpa, mas recusa responsabilidade na entrada suja!

 

P.S. Recusa responsabilidade no resgate do país?! Mas que topete tem este ex-primeiro Ministro!!!! Sócrates não tem é responsabilidade na saída limpa, porque na entrada suja tem no mínimo 80% da responsabilidade (20% para a crise subprime)...

 

A coerência não é um pormenor

por João Távora, em 05.05.14

Estou contra este aumento da TSU porque defendo a redução das pensões mais altas. É a despesa que deve descer, não é a receita que deve aumentar. O problema está no valor mais do que inflacionado de muitas reformas calculadas no pressuposto de que existiria sempre um rácio elevado entre trabalhadores e reformados. Como se sabe, a realidade é bem diferente. Neste momento, Portugal tem 1.4 trabalhadores para 1 reformado. Portanto, aumentar a TSU não é apenas adiar o problema financeiro da segurança social, é fomentar ainda mais a injustiça geracional, é beneficiar a Dra. Ferreira Leite, o Dr. Bagão Félix e o Dr. Aníbal em detrimento da maioria da população, a começar nas crianças e, já agora, na maioria dos reformados

Ler mais aqui

Mistérios celestiais

por José Mendonça da Cruz, em 05.05.14

Pobre esquerda, remetida ao triste recurso de dizer que os Portugueses não servem para nada, que os seus sacrifícios não serviram para nada, que a consolidação orçamental não serviu para nada, que o excedente comercial não serviu para nada, que a recuperação da credibilidade externa não serviu para nada, que o c rescimento não serve para nada, que a diminuição do desemprego não serve para nada, que a reprogramação dos picos de dívida não serve para nada, que a almofada de segurança de 1 ano não serve para nada, e que a saída limpa se deve tão só aos mercados (que ela considera «um casino»), e à União Europeia e BCE (que ela acha «não solidários»), e aos gregos e aos italianos e aos espanhóis, a todos menos aos Portugueses e ao governo. Pobre esquerda que não aprendeu nada e só tem como consolação uma coisa, a coerência. Coerência, porque o que pensou e pensa da bancarrota, é o que pensa da saída limpa: são coisas que caem dos céus, estranhas e imprevisíveis. 

Salsa, Couves e Nabiça

por João Távora, em 04.05.14

Esta cançoneta de Duarte Silva gravada entre 1910 e 1920 vale como testemunho de que a vulgaridade (inofensiva, admitamos) é um predicado ancestral: a malandrice revisteira da analogia dos legumes ao sexo.  

 

Outras curiosidades fonográficas aqui

O Voto Inútil

por Vasco Mina, em 04.05.14

 

António José Seguro apelou ao voto útil para que o “PS possa oferecer uma alternativa ao país e ao mesmo tempo censurar nas urnas este Governo e este primeiro-ministro”. Ou seja pede aos portugueses que esqueçam o motivo destas eleições (o Parlamento Europeu e as questões europeias que lhe estão associadas) e votem como se de eleições legislativas se tratasse o voto no próximo dia 25 de Maio. Em boa das verdades o líder do PS nada tem dito sobre a Europa ou o que diz não passa de wishful thinking tipo “A Europa tem de ser mais solidária” ou sobre a mutualização das dívidas públicas (que nem todos os socialistas europeus acompanham). Mas admitamos, como mero pressuposto, que o que interessa exclusivamente, neste próximo acto eleitoral, é a avaliação do Governo da atual maioria parlamentar. Assim sendo, qual a proposta de valor político que o PS apresenta? Quais as medidas alternativas às implementadas e anunciadas (como é o caso das que foram incluídas no DEO) pelo Governo? Qual a estratégia para a redução da dívida pública? Quais as despesas que serão objecto de futuro corte no Orçamento de Estado? Quais as medidas para a reforma da Segurança Social? Vão baixar os impostos? É que sobre tudo isto o que ouvimos por parte do PS é um vazio total. É verdadeiramente este o drama do nosso país e dos portugueses: pior do que as soluções governamentais só mesmo a falta de alternativas na oposição. Por isso o voto em António José Seguro é totalmente inútil pois não acrescenta nada e nem alternativa credível consegue ser. Não votar no PS é que se torna voto útil pois poderá conduzir à demissão do seu líder e dar espaço à candidatura de António Costa. Teríamos, assim, em 2015, uma disputa eleitoral entre Passos Coelho e o atual Presidente da CML. A concorrência não é apenas uma vantagem em economia, é também na política!

Domingo

por João Távora, em 04.05.14

Leitura dos Actos dos Apóstolos


No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: «Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém, compreendei o que está a acontecer e ouvi as minhas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós destes-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. Diz David a seu respeito: ‘O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção. Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença’. Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».

 

Da Bíblia Sagrada

A música absoluta

por João Távora, em 03.05.14

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Não podemos ser todos artistas

por João Távora, em 03.05.14


O problema é que o igualitarismo se dá mal com o Belo que inevitavelmente hierarquiza a criação do Homem, na Arte que resulta da expressão da sua ligação ao Divino. Ora acontece que, para além de a modernidade ter expulsado o Divino, a beleza carece inspiração, erudição e perseverança - conjunto de qualidades muito pouco democraticamente distribuídas. Só isso justifica a vulgaridade que salta todos os dias aos nossos olhos, agride os nossos ouvidos, e impunemente se propaga pelas nossas cidades.

 

Foto minha - "O Grande Clip" da rotunda da Galiza (Estoril)

E depois de Maio?

por João-Afonso Machado, em 03.05.14

A decisão - agora sim, parece que definitiva - da saída de Portugal do programa de ajustamento directamente para os mercados, sem recurso a medidas cautelares e com o apoio dos parceiros europeus, já suscitou as habituais reacções da Esquerda mais obtusa - que a Troika vai mas fica a pobreza, que assim obrigado, todos a apertar o cinto, etc, etc. Como se a "crise" não fosse isso mesmo, as dificuldades a baterem-nos à porta - à porta de todos, com excepção da rapaziada da política e dos sindicatos - e a mandarem-nos um sortido imenso de privações, designadamente de natureza fiscal.

É o Estado e a sua obesidade intratável. Enquanto os portugueses não ousarem optar pela recta anarquia, dando a voz ao Poder Local, não se legitimarão S. Ex.cias para criticar quem quer que seja, ou chorar quaisquer misérias suas. Mas essa é outra questão e hoje, aliás, não é dia de apologética. Somente de alguma especulação sobre a reacção do inefável PS à sobredita notícia.

Os socialistas não podem baixar os braços nem reconhecer méritos alheios. Em cada socialista há, por regra, um sócratinhos escondido, e vai daí... Mas como sair desta onde, consta, os países da UE se disponibilizaram já para apoiar Portugal em caso de necessidade? A quem atribuiram uma medalha de bom comportamento, tal qual a Irlanda?

Parece evidente que o PS tentará uma saída pela porta da esquerda, fazendo coro com os comunistas na critica à governação da Direita. Vencendo, como é de supor, as eleições europeias ajustarão depois o discurso nas instâncias correlativas, porque com essa gente, menos desmemoriada, não se brinca. E, enfim, sofrerão a partida - tão saborosa quão involuntariamente pregada - de ganhar as próximas Legislativas. Já imaginaram os dirigentes do PS às aranhas com as artes orçamentais, decidindo igualzinho ou pior do que os artistas PSD?

Os verdadeiros homens são sempre homens de fé - e, desta vez, de certeza os portugueses não vão esquecer esta imprescindível comparação.

Tudo começou em Janeiro de 2012 com a aprovação, na generalidade, de dois Projectos-Lei apresentados pelo PSD e pelo PS. Estas propostas baixaram à Comissão de Saúde para serem debatidas na especialidade e, para tal, foi criado um Grupo de Trabalho. Nesse tempo e através da comunicação social e da blogosfera, foram vários os artigos e post sobre este assunto. O referido Grupo de Trabalho iniciou as audições públicas a especialistas na matéria e a última ocorreu (de acordo com os registos no site da AR) em Outubro de 2012. Digamos que este foi o 1º arrendamento do espaço mediático por parte de quem está apostado na agenda dos temas fraturantes. A forte oposição na opinião pública, a fraquíssima qualidade jurídica dos documentos parlamentares, a polémica desfavorável no seio da maioria parlamentar ditaram aquilo que o Público apelidou de “marinar”. Entretanto importava ocupar o espaço mediático e a opção passou por outro tema: a co-adopção por casais do mesmo sexo. Ficou assim garantida, desde então e até há cerca de um mês, a continuidade da agenda alternativa. Chumbado, no Parlamento, este ponto da agenda, havia que retomar o outro ponto. Assim e conforme salientei em post anterior, surgiu uma declaração, ao Jornal Público, do Deputado Miguel Santos do PSD que anunciava o fim da discussão no tal Grupo de Trabalho e que o documento final seria ainda sujeito a aprovação, em Plenário, no mês de Maio. Uma vez mais ouviram-se e manifestaram-se críticas com novas tomadas de posição por parte de quem se opõe a esta iniciativa parlamentar. Estamos à beira das eleições europeias e, fruto destas e outras intervenções, a direção política do PSD recomendou ao grupo parlamentar que adiasse o processo. Assim se entende a notícia do adiamento da discussão da proposta final; agora com o seguinte argumento: “Se o pai e a mãe, que dão o esperma e o ovócito, ou a grávida, que concordou carregar o bebé dos pais biológicos, nalgum momento do processo se arrependerem e quiserem voltar atrás na sua decisão? “ De acordo com o referido deputado “queremos que na lei sejam encontradas soluções para que estas questões não fiquem entregues à jurisprudência”  e reforçando que  “é opinião unânime que não devem ser questões que ficam em aberto”. Ora esta questão foi colocada desde o início bem como outras como por exemplo o direito ao aborto por parte da mulher em cujo corpo acontecerá a gestação; apresentar agora esta argumentação serve apenas para adiar o assunto. Termina desta forma o 2º arrendamento do espaço mediático e fica o 3º para o período após eleições europeias. É lamentável que assunto tão delicado e com inúmeras questões éticas e morais seja assim tratado ao nível parlamentar. Por isso insisto que este e outros temas da agenda fraturante sejam objeto de posicionamento político por parte dos partidos em período eleitoral. É que ficariam os eleitores a saber em quê e em quem votariam e assegurava-se o princípio, tão agora na moda, da transparência política (tão ou mais importante que as transparências fiscais ou orçamentais).

É necessário expropriar

por João-Afonso Machado, em 02.05.14

Há um aspecto importante que este intervalo entre o 25 de Abril e o 1º de Maio - e os tempos que o antecederam e lhe estão a suceder - bem destaca e revela a predominância da Esquerda numa Imprensa ainda e sempre demagógica. Qual seja o dito aspecto a apropriação pela dita Esquerda de uma Revolução que os portugueses julgaram e quiseram nacional. Em suma, debalde se apregoou, no seu quadragésimo aniversário, o 25 de Abril o dia histórico da afirmação da liberdade.

O que, contas feitas, impõe a precisão do 25 de Novembro como a data - a grande data! - impeditiva de que o 25 de Abril não resultasse apenas num 28 de Maio de sinal contrário. 

Em má hora a florista da Baixa lisboeta - ainda agora entrevistada - enfiou um cravo vermelho no cano de uma das muitas G3 esse dia povoando a cidade. Em má hora! Fosse a flor branca e a Esquerda teria de puxar pela imaginação para encontrar outro símbolo para a Revolução. O cravo imaculado seria sempre um sinal de paz e, por trás das ilusões ou dos sonhos dos portugueses, já muitos queriam o confronto, a guerra.

Como actualmente continuam a querer. A liberdade é algo longe dos seus espíritos, incapazes de alcançar mais do que a reivindicação pela reivindicação, o antagonismo pelo antagonismo. Somando Vasco Lourenço ao enunciado - façam-lhe justiça: em Abril de 1974, o que sabia ele do socialismo?... - o protagonismo pelo eterno protagonismo.

Assim as agradáveis comemorações se transfiguram em difíceis efemérides. A não ser que voltemos às expropriações, desta feita para realmente dar o seu a seu dono - a liberdade a nós próprios.

O preço a pagar

por João Távora, em 02.05.14

Qualquer boa notícia que o Governo lançasse por estes dias, seria rotulada de eleitoralista e naturalmente vilipendiada pela rua. É o preço a pagar por três anos de execução dum duríssimo programa de ajustamento em democracia – estou em crer que nestas circunstâncias não haveria malabarismo ou truque de retórica que aligeirasse significativamente o inevitável ambiente de crispação que se atingiu. 
Podia ter sido melhor? Podia, claro - esse tema dava uma longa crónica. Mas convém não menosprezar o facto de estarmos a poucos dias de terminar com sucesso o nosso resgate, cuja execução todos sabiam colocava seriamente em risco a paz social e o próprio regime.

DEO? Qual DEO?

por Vasco Mina, em 01.05.14

 

É esta a nossa realidade! Parabéns ao Benfica e aos meus amigos benfiquistas!

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O meu menino é d'oiro

por João Távora, em 01.05.14

Pela voz de José Paradela de Oliveira um belo fado de Coimbra com base em quadra popular da autoria de Alexandre de Rezende dedicada ao seu filho.

 

O meu menino é d’oiro,
É d’oiro o meu menino,
Hei-de levá-lo ao Céu
Enquanto for pequenino.

 

Por causa de três meninas
Eu passo a vida entre abrolhos;
Uma és tu – as outras duas
As meninas dos teus olhos.

 

A acompanhar outras curiosidades aqui.

Dar e Receber

por Vasco Mina, em 01.05.14

Dar e Receber é um Projeto que ontem teve o seu início. Iniciativa da Sociedade Civil e com liderança da Cáritas e da EntrAjuda. É uma plataforma digital de partilha que reúne quem precisa de receber e quem pode dar. De uma lado as pessoas que podem doar bens equipamentos e talentos e, do outro lado, pessoas que precisam de receber. Estas duas instituições que, genuína e efetivamente, apoiam, no terreno, quem realmente necessita de apoio, juntaram várias instituições e pessoas neste projeto. Todos os que queiram poderão ajudar: basta querer! Quanto ao processo é simples bastando, a título de exemplo, olhar para o carrinho de bébé que se quer dar mas não sabendo a quem. Agora passamos a ter a resposta e alguém receberá!

Tendo em atenção quem dá a cara (Isabel Jonet e Eugénio da Fonseca) muitos dirão que é mais uma forma assistencialista de dar ajuda. Mas eu pergunto: porque só vemos ajudar aqueles que são classificados de assistencialistas? O que fazem aqueles que criticam? Nada! Nem querem pois entendem que cabe ao Estado fazer. Para os assistencialistas é a necessidade que o outro tem que os faz mover. Para os estatistas é o sistema que tem de resolver o problema de quem precisa. Recordo sempre a velha frase de JF Kennedy: "Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela." Foi o que fizeram a Cáritas e a EntreAjuda.


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