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No Mercado de Campo de Ourique

por Luísa Correia, em 03.04.14
Passei pelo Mercado de Campo de Ourique e fiquei encantada com o que vi: um excelente trabalho de reformulação de um espaço agora ordenado, esteticamente atractivo, colorido e «gourmet», onde apetece estar, petiscar e beber um sumo de laranja.

 

Mas foi precisamente no ponto do sumo de laranja que a porca torceu o rabo. Ao balcão de um estaminé de salgadinhos, pedi um croquete de alheira e a dita bebida. Responderam-me que sumos não tinham, que só vendiam comes. «Então, vai outro croquete de alheira», suspirei, logo consciente de que a alternativa clássica do copinho de vinho branco também não era viável.

 

Não me parece boa ideia que tenhamos de percorrer vários balcões ou distintos fornecedores para conseguir um prato e seus naturais acompanhamentos líquidos.

 

Dizem-me que no Mercado da Ribeira, também em processo de reabilitação, este erro já não será cometido.

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Nas suas romarias a França podem António José Seguro e os seus bater à porta do presidente François Hollande?

Uns dias sim, outros dias não.

Podem bater à porta se Hollande estiver acompanhado de Montebourg, ça va de soi. 

Podem bater à porta do Eliseu nos dias em que Hollande tratar com o ministro das Finanças, Michel Sapin, do primeiro objectivo da pasta: adiar novamente a redução do défice para além de 2015, após dois adiamentos anteriores.

Não podem bater à porta de Hollande nos dias em que o presidente discutir com o mesmo ministro Sapin os outros grandes objectivos do governo: o corte de 50 mil milhões de euros na despesa e a subida do IVA para 23%, a fim de compensar a baixa de impostos sobre empresas e particulares.

Não devem bater à porta de Hollande nos dias em que ele receba a ministra da Ecologia, do Desenvolvimento Sustentável e da Energia e de todas as coisas bonitas. Não devem fazê-lo por prudência: é que, apesar de 3 pesadas derrotas políticas e pessoais em 2007, 2011 e 2012, Ségolène Royal disse em 2013 (negou depois; mas disse e está gravado) que não tinha pena de estar fora do governo, porque tinha «carisma, aura, peso. No governo, far-lhes-ia sombra». Pensem, pois, como uma pessoa tão superior trataria mal uns romeiros que batessem à porta sem serem ninguém.

Podem bater à porta de Hollande nos dias em que ele receba aquela versão do primeiro-ministro Valls que ontem disse à TF1 que todos os seus ministros, por mais diversas que sejam as tendências, são «hollandeses». E batam, sem temor, também quanto lá esteja aquele Valls que fala, como ontem, da necessidade de «maior justiça social» ou esclarece, como ontem, que «Hollande fixa o rumo .. e eu levo à prática as suas orientações».

E com metade dos ministros inclinados para a esquerda e a outra metade para a direita, qual é o rumo de Hollande? Com o seu governo tão sexualmente equitativo, que orientações dará?

Ora, depois da falência da «terceira via», Hollande aponta o rumo da derradeira via socialista: para a esquerda e para a direita e para a frente e para trás.

É o que dificulta a Seguro e aos seus saber a que porta estão a bater.

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Os nossos socialistas e a França: Mal-me-quer

por José Mendonça da Cruz, em 03.04.14

 

Nas suas romarias a França, António José Seguro e os seus não devem bater à porta do novo primeiro-ministro, Manuel Valls: está ali um perigoso liberal, peço desculpa, um perigoso neo-liberal. Ainda ontem, o Expresso online esclarecia que ao escolher Valls, Hollande virava à direita e ia contra o seu eleitorado que «ao abster-se massivamente nas municipais ou ao votar contra o PS, pediu o contrário». Ora, sabido como o Expresso conhece muito melhor do que os próprios as intenções dos eleitores franceses, já vêem como o homem é mau.

 É verdade: Manuel Valls só tem defeitos.

Já em 2009, em artigo para o Financial Times, Valls escrevia que «não existe alternativa ao sistema capitalista e à economia de mercado».

Não contente com o horror, defendeu depois que a palavra «socialiste» era arcaica e deveria ser riscada do nome do partido.

E não se deteve antes de chamar à esquerda socialista «pomposa» e «utópica».

Nas primárias para as presidenciais, os socialistas castigaram-no com a parca votação de 6%, mas nem assim Valls aprendeu: pouco depois, já atacava o limite socialista das 35 horas de trabalho semanal.

Ontem, na sua primeira entrevista como primeiro-ministro, concedida à TF1, Michel Valls considerou que essa sua posição sobre o horário de trabalho era «pré-história», e uma luzinha acendeu-se à esquerda. Mas, logo a seguir, defendeu a necessidade de «reduzir os défices públicos» e de «controlar a dívida, sem o que perdemos a soberania», e insistiu duas vezes em que «as empresas têm que ser libertadas». E a luzinha à esquerda apagou-se.

Não, nas suas romarias a França, Seguro e os seus devem evitar o Matignon. Não é porta que se cheire.

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Os nossos socialistas e a França: Bem-me-quer

por José Mendonça da Cruz, em 03.04.14

Arnaud Montebourg foi promovido. No novo governo de François Hollande, Montebourg já não é apenas ministro «da Retoma Produtiva». É agora ministro da Economia e da Retoma Produtiva e os últimos socialistas do Mundo ganharam um herói. Montebourg é a resposta às suas utopias e anseios, um homem de esquerda como deve ser.

Montebourg odeia os Alemães ainda mais que os autores do manifesto pró-calote e despesa. Acha que a senhora Merkel faz uma política «à la Bismarck», que constrói a riqueza da Alemanha «sobre a ruína dos restantes países».

Montebourg tem mais nojo à economia livre e ao mercado do que Soares e Vítor Ramalho. É contra a globalização e a favor da «desmundialização», ou seja, defende o regresso ao proteccionismo e às barreiras alfandegárias, como forma de garantir que os produtos estrangeiros mais baratos não concorrem com os franceses, e defende o isolacionismo como forma de estar.

Montebourg abomina a austeridade mais do que Seguro e Silva Pereira e quer, como eles, uma política de crescimento feita com despesa pública e défice.

E Montebourg tem soluções ainda mais milagrosas e ainda mais alheias à sua vontade e raio de acção do que as «propostas» do nosso PS: é simples, diz ele, a Alemanha tem que aumentar os salários alemães, para que os seus produtos percam competitividade e os outros países concorram melhor. É brilhante. É como se o Paris Saint-Germain pedisse ao Bayern de Munique que jogasse pior para lhe poder ganhar.

Sim, sem dúvida, Seguro e os seus já podem retomar as suas romarias a França. Têm lá uma porta a que bater e um locatário com quem conversar. Não será a sua política que conseguirá a reanimação da Economia ou a Retoma da produção. Mas da troca de opiniões arcaicas e intenções impraticáveis todos hão-de retirar algum consolo e bem-estar.

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Felicitações!

por Vasco Lobo Xavier, em 02.04.14

Com todo o fair play, é o minuto ideal para felicitar os meus colegas de blog spotinguistas pelo provimento parcial do recurso interposto pelo seu clube relativamente ao adiantado da hora num jogo aqui atrasado na taça da Liga.

Sejam comedidos nas comemorações e não cheguem a casa depois da hora imposta pela cara-metade.

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Morning Phase

por João Távora, em 02.04.14

Nem sempre podemos agarrar aquilo que mais amamos. Mas a música sim

 

 

 

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respostas que dizem tudo:

por Vasco Lobo Xavier, em 02.04.14

 

Não me recordo de ter sido chamado expressamente para discutir esse assunto…

 

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Outra vez ávidos de gastos

por José Mendonça da Cruz, em 02.04.14

 

Quando um governo gasta perdulariamente e se endivida até à bancarrota, os socialistas dizem estar perante uma «política de crescimento» e «para as pessoas». Quando um país tem que ser resgatado e viver austeramente para pagar as dívidas, os socialistas dizem que o país empobrece. Quando um défice é menor do que o previsto, ou seja, quando o prejuízo é menor do que se julgava, os socialistas vislumbram aí «uma folga». Quando o PIB cresce sem ser por obra do Estado, e o défice é reduzido, e as exportações crescem, e há um superavit comercial pela primeira vez em décadas, e os juros da dívida baixam dos 4%, e o emprego cresce, e o desemprego diminui, os socialistas desesperam.

Alberto Martins veio, ontem, explicar melhor o que tivesse ficado por explicar por Francisco Assis, candidato ao Parlamento Europeu, ou João Cravinho, promotor do endividamento via SCUTs e cabeça de lista do manifesto pró-calote: com auxílio estrangeiro e 3 anos de sacrifício os Portugueses salvaram-se da bancarrota socialista e conseguiram crédito e dinheiro bastantes. As ávidas elites socialistas acham que está na altura de, mais uma vez, elas gastarem tudo, «folgas», crédito, reservas e dinheiro (sempre para nosso bem, é claro).

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Conselho emprestado

por José Mendonça da Cruz, em 02.04.14

Com a devida vénia a Alexandre Carvalho da Silveira, em comentário no Blasfémias, aqui fica o link para um artigo do Wall Street Journal. Leitura altamente recomendável, nomeadamente porque informa, além de reconfortar o orgulho nacional.

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O jornalismo é como a moeda ...

por José Mendonça da Cruz, em 02.04.14

 

 

... o mau tende a expulsar o bom. A Sic deu, ontem, um exemplo cristalino disso.

O editor de Economia revelou em primeira mão que o Documento de Estratégia Orçamental não prevê mais cortes de salários ou pensões, nem novo aumento de impostos, mas sim cortes nos serviços do Estado e uma taxa sobre os produtores e distribuidores de energia, que é uma forma de reaver rendas excessivas.

Tratava-se de um «furo», de uma «cacha», e seria normal abrir o noticiário com ela. Mas, sendo a notícia favorável ao governo, e visto a estação não gostar de notícias favoráveis ao governo, que prefere atacar, o telejornal optou por um alinhamento que seria surpreendente se não conhecessemos bem demais este tipo de manipulação. A Sic noticiou, primeiro, que o PS criticava o governo por esconder as medidas, e só muito mais tarde revelou as medidas que o governo vai tomar.

No mesmo telejornal a Sic poderia ter noticiado que o desemprego caíu para 15,3%. Mas preferiu noticiar que o desemprego entre os jovens aumentou.

Sem se perguntar, obviamente, sobre o que isso dirá acerca da real preparação da «geração mais preparada de sempre», ou da rigidez do mercado de trabalho, ou do papel dos sindicatos como barreira dos que chegaram primeiro ou já estão.

O jornalismo vendido, o jornalismo alinhado, o jornalismo mau, não é, portanto, apenas uma ofensa ao jornalismo sério. É seu inimigo mortal, expulsa-o sempre que pode, varre-o das antenas e do papel.

 

 

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Cortes no Estado, por fim

por José Mendonça da Cruz, em 01.04.14

Terça feira foi um dia de boas notícias, de que soubemos por mérito do trabalho de investigação de José Gomes Ferreira, mesmo perante o desgosto da estação em que trabalha.

O documento de estratégia orçamental que o governo está a preparar, não contempla mais cortes em salários e pensões, e contempla

- cortes no número de funcionários públicos,

- no número de institutos, fundações e observatórios,

- cortes e poupanças em instalações e serviços nos domínios da educação, saúde e finanças,

e (trata-se de um corte na despesa mascarado de aumento de receita) cobrança de taxas mais altas aos produtores e distribuidores de energia, uma maneira de compensar por vias tortas as rendas excessivas que uma procura saloia de «modernidade» gerou.

Assim começa a reforma do Estado.

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Um distraído útil penitencia-se

por José Mendonça da Cruz, em 01.04.14

 

 

 

António Saraiva, da CIP, foi hoje à TVi24 fazer alguma contrição perante Paulo Magalhães. Disse ele que, tendo em conta a «politização posterior» do manifesto dos 70, hoje não o teria assinado.

Boa notícia, Saraiva percebeu que fez figura de distraído útil.

Outra boa notícia, Saraiva foi sensível às críticas dos empresários que deveria representar e que não se revêem no pobre documento.

Má notícia, Saraiva persiste em alguma distracção, pois julga que o manifesto não era político desde a origem (além de irresponsável, é claro), e pensa que a politização só lhe adveio depois.

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Socialista liberal?

por João-Afonso Machado, em 01.04.14

É por essas e também por outras... Mais a mais, tratando-se de uma "potência" cá da nossa UE. François Hollande, uma espécie de António José Seguro a uma escala muito ampliada pelos seus poderes em regime presidencialista e pela ingénita e evidente incapacidade do "maior" socialista local para governar, - François Hollande, dizia, levou pela medida grande nas recentes autárquicas gaulesas. Do que resultou a urgente necessidade de bulir no programa e no Executivo.

Quanto ao programa, três alíneas trombeteiam agora, a apaziguar o eleitorado: a redução de impostos até 2017, como meio de aumentar o poder de compra das famílias; a diminuição da quotização social das empresas, visando criar mais emprego; e o corte de 50 milhões de euros na despesa pública em três anos.

Neste infernal ruído político, Hollande, essa ave canora, tanto pode imitar o seu homólogo português como o nosso "primeiro" Passos Coelho. Não se encontrando ele na Oposição, inclino-me mais para esta última hipótese. Até porque decidiu indigitar um «governo pequeno mas de combate», chefiado por Manuel Valls, pretensamente um «socialista liberal».

Eu não sei o que isto é. Mas se é mentira, a culpa é dos jornais.

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O jornalismo independente é tão mal visto cá como em Cuba

por Maria Teixeira Alves, em 01.04.14

Acabo de ler isto: Associação de Telespectadores critica "entrevista de emboscada" a Sócrates. Nem sabia que havia uma associação de telespectadores, aonde é que ela anda quando é precisa?
Não queria acreditar. José Sócrates que, enquanto primeiro ministro, telefonava directamente para os Directores dos jornais; tentou calar a Manuela Moura Guedes (que foi afastada do programa); tentou montar um esquema de comprar a TVI (com um tal de Rui Pedro Soares, da PT); que através de aliados entrou por outros jornais a dentro; não pode agora ser confrontado por um jornalista independente?

O Sócrates, que foi o último primeiro Ministro, torna-se comentador político no canal que é pago pelos contribuintes, em vez de estar a ser julgado pela má condução do país que nos levou à quase bancarrota e à intervenção do FMI, e nenhuma associação se indigna? Vem agora a ATV criticar "o comportamento de José Rodrigues dos Santos na condução do espaço de comentário de José Sócrates e pedir parecer ao provedor do Telespectador da RTP"? E não contente ainda "será também enviada uma queixa à ERC"? Isto é pior que Cuba, lá pelo menos é oficial. 

 

Todos os dias a liberdade de expressão é violada de forma encapotada. Há artigos que saem alterados e modificados sem a autorização dos autores das notícias. Há jornalistas que são saneados e afastados, sem motivo e sem fundamentação, e nada acontece. No outro dia o Pacheco Pereira disse que havia jornais ao serviço dos credores e nenhuma autoridade foi investigar? Há deputados a "insultar" opiniões públicas divergentes e ninguém diz nada. 

Nada impede que os jornais estejam ao serviço de interesses políticos, de interesses pessoais, de estratégias de poder de empresas (e até de pessoas que dirigem publicações). Não estão previstas coimas para violações da independência jornalística em nenhum código deontológico, nem sequer há espaço para queixas, quando não se trata de assuntos mediáticos.

Todos os sectores têm um código (com aplicação coimas) para regular a actuação dos agentes - ex: CMVM, ISP, etc. Mas na comunicação social não. A profissão de jornalista vive num limbo, algures entre legislações. 

Mas agora a ERC vai avaliar se o José Rodrigues dos Santos foi independente demais na entrevista ao Sócrates, por se tratar de um espaço de opinião?! Meu Deus!

Eu que acho que os pivots que conduzem o espaço televisivo de opinião política deviam ser mais como o José Rodrigues dos Santos e não menos. 

Mas neste país quem tem opiniões próprias e independentes, quem pensa pela sua cabeça e é corajoso e irreverente, quem não alinha no pensamento dominante, é castigado. De facto estamos muito longe da escola de jornalismo da BBC. 

 

 

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Um de Abril é quando um homem quiser

por João Távora, em 01.04.14

Manchete do Expresso a 5 de Fevereiro de 2011

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Num dia de chuva...

por Luísa Correia, em 01.04.14
No suelen ser nuestras ideas las que nos hacen optimistas o pesimistas, sino que es nuestro optimismo o nuestro pesimismo, de origen fisiologico o patologico quiz, tanto el uno como el otro, el que hace nuestras ideas. (Unamuno)

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O Falhanço segundo o PS

por Vasco Mina, em 01.04.14

Segundo Brilhante Dias, em declarações feitas em Novembro passado, Portugal "terminará 2013 com um défice orçamental, sem medidas extraordinárias, muito próximo dos 6% do PIB”. Acrescentou até que “ infelizmente serão os portugueses que vão pagar em 2014, com mais austeridade, também este falhanço". Ora o falhanço é o deste destacado e brilhante dirigente do PS pois o défice público em 2013 foi de 4,9% e, não considerando as medidas extraordinárias, ficou em 5,3%.

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"Restos? - Não é boa comida para cães..."

por Vasco Lobo Xavier, em 01.04.14

 

Este spot publicitário, já com uns aninhos, e que cito agora de memória gasta, é um bom reflexo do que este país de ricos se tornou. Há dias queixava-me dos rins que são deitados fora nos matadouros, juntamente com muita outra coisa boa, mas poderia alargar o exemplo aos aparelhos de televisão, rádios, telefones, bicicletas, roupas rasgadas (não aquelas que é moda usar rasgadas, num insulto evidente à pobreza): tudo se deita fora e nada se recupera. É até bem difícil encontrar quem recupere o que quer que seja. Havia na Praça Velha, em Coimbra, uma casa onde se consertavam bonecas e bonecos. E guarda-chuvas. Julgo que hoje há uma loja ao lado onde tudo se vende a um euro ou pouco mais. Perto de mim, agora a viver acima do Douro, existe uma pessoa extraordinariamente simpática cuja loja me recupera de tempos a tempos uma braseira que a ASAE gostaria de incinerar mas que faz a alegria e a sonolência de todos os que por cá passam, particularmente nas tardes de domingo. Acreditem ou não, convidados já me pediram para apagar a lareira para não estragar o calorzinho da braseira, e, não digam a ninguém, já a liguei em soalheiras tardes primaveris só por chegar a casa e me parecer que alguém pretenderia conversas demasiadamente sérias se não adormecesse alegre e rapidamente ao seu suave calor. Tem-me corrido bem o estratagema, espero não ser descoberto. O problema é que essa simpática pessoa que arranja o aparelho já passa dos oitenta, embora viva saúde e que assim continue. Seja como for, estou comprador de todas as braseiras antigas que deitem calor a sério.

 

Na comida a coisa ainda é pior. Vai tudo fora. Há tempos, pessoa amiga catalogava o frigorífico como ‘a antecâmara do lixo’. Guardavam-se os restos até cheirar mal, depois deitavam-se fora. Mais valia, dizia essa pessoa com humor, deitar logo tudo fora. É o que faz a maioria das pessoas, desprezando objectivamente uma boa colecção de croquetes. Sim, bem trabalhado o picado, uns belos croquetes com um reluzente e escurinho arrozinho de ervilhas, uma saladinha de alface com cebola vermelha fatiada muito fininha, adormecida umas duas horas em sal e vinagre Moura Alves (e na hora de servir junta com bom azeite à alface), é uma refeição decente e barata em qualquer parte do mundo. Claro, é muito mais simples comprar os croquetes na Padaria Ribeiro, é certo (embora sugira os da casa original, no centro do Porto, cuja receita me parece levar mais chouriço ou presunto que os das mais recentes casas nos Pinhais da Foz ou em Matosinhos), ou os da Augusto Leite, bem cremosos, mas os restos de uma boa carne estufada, se não servem para os cães, não servirão para mais nada?

 

Há dias comi um cozido razoável em casa de pessoas amigas, sem cães, que nada podiam fazer aos restos. Uma sopa de cozido, talvez, mas sendo sempre boa é pouco. Sugeri esfiaparem-se as carnes e os enchidos (esqueçam as morcelas da Beira. Se é certo que um cozido à portuguesa não existe sem morcelas da Beira - cozinhadas à parte -, estas não podem intervir em qualquer cozinhado sob pena de ele ficar a saber só às ditas). Passá-las novamente pela água do cozido. Uma bela travessa de barro, devidamente untada e sem avareza de bom azeite, forrada a boas fatias de pão Alentejano. Serve o de Rio Maior ou o de Mirandela, mas continua a ser melhor o Alentejano.  Depois colocar camadas, de couves, das carnes esfiapadas, de pão, de couves…, até acabarem os restos e se colocar uma boa camada de pão a tapar tudo. Regar muito bem com água do cozido. Congelar muito bem embalado para não ganhar odores. Congelar também um pouco da água do cozido (a sobrante pode ser congelada em couvetes de gelo, tirando-se depois algumas pedras para um qualquer arroz que se venha a fazer mais tarde, ou para um feijãozinho guisado, fica muito melhor que o melhor caldo do mercado).

 

Depois é fácil: num dia com visitas civilizadas e conhecedoras é só descongelar a sopa seca e a água, regar com esta a sopa e levá-la ao forno. Uma saladinha de alface para acompanhar (ver supra). Uma refeição de estalo que fica feita. Claro que os preciosistas e mais previdentes fazem, na véspera, para a família, um lombo assado bem regado para com o molho sobrante regarem a parte superior da sopa seca, o que lhe dá um travo delicioso e um maravilhoso crocante ao pão superior, mas se o leitor se esquecer disso pode aspergir apenas bom azeite, com o que obtém o efeito crocante, embora não o sabor do molho da carne assada. De todo o modo, será um sucesso.

 

 “Restos? - não é boa comida para cães…”

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BES: A vez de António Mexia?

por Maria Teixeira Alves, em 01.04.14

Banco de Portugal e CMVM preferem gestão profissional no BES

 

Já não é segredo que a Ricardo Salgado sucederá um gestor profissional. O Banco de Portugal defende essa mudança. Ricardo Salgado também. 

Quem está na linha da frente para o lugar? António Mexia. Os mandatos acabam ao mesmo tempo, o do BES e da EDP. Até isso vem a calhar. 

Mas poderá ser antes, o Banco de Portugal tem pressa...

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