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Morreu o último dos intelectuais de direita

por Maria Teixeira Alves, em 27.04.14

Vasco Graça Moura é do tempo da literatura, do tempo em que se perdia tempo a estudar, do tempo do primado da actividade intelectual. O último dos pensadores. Foi essencialmente poeta, ensaísta e tradutor dos grande autores clássicos. Traduziu a Divina Comédia e a Vita Nuova de Dante; as Rimas e Triunfos de Petrarca; os Testamentos de François Villon, e ainda fez a tradução integral dos Sonetos de Shakespeare. Empenhou-se assim, como tradutor, em enriquecer o património literário disponível em língua portuguesa.

Traduziu para português, ainda, poetas como Pierre Ronsard, Rainer Maria Rilke, Gottfried Benn, Walter Benjamin, Federico García Lorca, Jaime Sabines, H. M. Enzensberger ou Seamus Heaney, e deixou-nos ainda versões portuguesas de algumas das peças mais importantes dos três grandes dramaturgos franceses do século XVII: Corneille, Molière e Racine.

Era um dos últimos intelectuais de direita (ainda nos resta, felizmente, Agustina Bessa Luís).

Vasco Graça Moura era do PSD. Isso custou-lhe o reconhecimento generalizado merecido.

Era um clássico. Um homem de um excelente bom-gosto, visível em tudo o que era da sua autoria. Até a vestir.

 

 

Soneto do amor e da morte

 

Quando eu morrer murmura esta canção  que escrevo para ti.

Quando eu morrer  fica junto de mim, não queiras ver  as aves pardas do anoitecer  a revoar na minha solidão.

Quando eu morrer segura a minha mão, põe os olhos nos meus se puder ser, se inda neles a luz esmorecer, e diz do nosso amor como se não tivesse de acabar, sempre a doer, sempre a doer de tanta perfeição  que ao deixar de bater-me o coração fique por nós o teu inda a bater, 

Quando eu morrer segura a minha mão.

 

Vasco da Graça Moura (1942-2014)

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O meu 25 de Abril - II

por Vasco Mina, em 27.04.14

Recordo-me que a política passou a ser um tema do quotidiano e que até se debatia mais do que o futebol (ainda que passageira, esta foi uma das consequências da Revolução nas nossas vidas – a “bola” deixou de ser dominante nas conversas). Sempre que acompanhava o meu pai (que, à época, adorava discutir) a casa de amigos ou familiares, lembro um comentário irónico que me fazia no regresso e que ainda hoje retenho na minha memória: “Tanto anti-fascista e não me tinha dado conta antes da Revolução!”. A adesão popular à Revolução de 25 de Abril é um dos temas recorrentes quando celebramos esta data e, de facto, a população saiu, em grande número, às ruas e os festejos do 1º de Maio de 74 são disso um exemplo muito evidente. Mas as mesmas “massas” participaram ativamente nos eventos públicos do Governo de Marcello Caetano. Como referi no post anterior eu estava no 2º ano do ciclo preparatório em 1974 e na Escola Preparatória Manuel da Maia. No ano anterior esta e outras escolas participaram, no Estado Nacional, num festival desportivo e que contou com a presença do então Presidente da República Almirante Américo Thomaz. À época o meu pai tinha uma câmara de filmar (super 8) e recentemente, ao rever a bobine com o filme desse dia, constato que o estádio estava cheio. Perguntei à minha mãe se se recordava de alguma “pressão” por parte da Escola no sentido das famílias estarem presentes e respondeu-me que tal não tinha acontecido; até me referiu que o PR foi fortemente ovacionado pela assistência. Tudo isto em 1973! As “massas” (e em boa das verdades, também, os interesse instalados) estão sempre do lado de onde “sopra o vento” e para quem tenha dúvidas recomendo a leitura (que considero que deveria ser obrigatória na disciplina de História) do Relatório de Machado Santos (o Salgueiro Maia da Revolução de 5 de Outubro) que conta os acontecimentos ocorridos nos dias revolucionários que conduziram à implementação da República. É um documento notável (porque factual) e para os mais esquecidos recordo que este homem foi assassinado, em 1921, na chamada “Noite Sangrenta” e vítima das forças revolucionárias. Salgueiro Maia não foi morto mas sim esquecido pois sempre se assumiu como militar ao serviço e não como político militar. É agora lembrado pois já partiu.

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Domingo

por João Távora, em 27.04.14

Leitura da Primeira Epístola de São Pedro


Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece. Esta herança está reservada nos Céus para vós que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n’Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque conseguis o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas.

 

Leitura dos Actos dos Apóstolos


Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor. Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar-se.

 

Da Bíblia Sagrada

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A Sic acaba de transmitir uma peça verdadeiramente miserável sobre o cerco à Assembleia Constituinte de Novembro de 1975.  O elenco da Assembleia Constituinte resultou das primeiras eleições livres em Portugal, que contaram com uma participação superior a 90%, um recorde que derivou tanto da ânsia de construir um país livre como de uma vontade esmagadoramente maioritária de travar as tentativas comunistas de impor um outro regime totalitário.

Mas a peça ignorante da Sic, assinada por Patrícia Mouzinho, sob coordenação de Maria João Ruela e direcção de Alcides Vieira, apresenta essa derradeira acção comunista (o 25 de Novembro viria pouco depois) como mera iniciativa de «dezenas de milhares de trabalhadores da construção civil exigindo melhores condições laborais».

Pode a reportagem da Sic ter ouvido Mota Amaral explicar que os deputados estiveram sequestrados dois dias. Para a reportagem ignorante tratou-se apenas de um protesto laboral.

Pode a reportagem da Sic ter ouvido um jornalista a sério, José Pedro Castanheira, dizer que correria perigo se se tivesse identificado como repórter de um dos poucos jornais não tomados pelos comunistas. Para a reportagem revisionista ali só havia «operários».

Pode a reportagem da Sic ter sabido que uns quantos deputados se banquetearam com frangos assados oferecidos pelos camaradas, enquanto os restantes passavam fome. A reportagem incompetente da Sic não quis saber (ou, pior ainda, omitiu) que quem se banqueteou foram deputados comunistas.

Pode a reportagem indigente ou mal intencionada da Sic ter sabido por um dos autores do cerco, que os sitiantes dispunham, para se organizarem, de uma rede rádio através das betoneiras de que se apropriaram para a manobra. Para a reportagem cega da Sic nem esta prova de concertação deu para pensar que não se tratava de uma manifestação espontânea.

Pode a reportagem obtusa da Sic ter aprendido que, findo o cerco de 2 dias, os deputados comunistas sairam de punho erguido e aplaudidos por entre as alas dos «trabalhadores», enquanto todos os restantes deputados, representantes de 85% dos eleitores, sairam sob ameaças, injúrias e cuspidelas. Entre esses sequestrados, injuriados, cuspidos, estão futuros presidentes e primeiros-ministros, ministros, intelectuais, escritores, poetas, homens livres e notáveis que deixaram saudades ... e até o patrão dos autores desta reportagem vergonhosa. A rasteira reportagem da Sic deve a todos um pedido de desculpas.

Alguns deputados da Assembleia Cosntituinte, eleitos por CDS, PSD e PS, e que recolheram 4 105 133 votos do total de 5 711 919:

Adelino Amaro da Costa, Basílio Horta,  Diogo Freitas do Amaral, Vítor Sá Machado, António Barbosa de Melo, Artur Santos Silva, Artur Cunha Leal, Carlos Alberto Mota Pinto, Emídio Guerreiro, Fernando Monteiro do Amaral, Francisco Pinto Balsemão, João Bosco Mota Amaral, Ângelo Correia, José Augusto Seabra, Leonardo Ribeiro de Almeida, Marcelo Rebelo de Sousa, Helena Roseta, Alberto Arons de Carvalho, Alcides Strecht Monteiro, António Arnaut, António Barreto, António Lopes Cardoso, Aquilino Ribeiro Machado, Beatriz Cal Brandão, Carlos Candal, Etelvina Lopes de Almeida, Francisco Igrejas Caeiro, Jaime Gama, José Medeiros Ferreira, Júlio Miranda Calha, Manuel Alegre, Manuel Tito de Morais, Manuel da Mata de Cáceres, Mário Soares, Mário Cal Brandão, Sophia de Mello Breyner Andresen, Teófilo Carvalho dos Santos e Vasco da Gama Fernandes.

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Much obliged Mr. Carlucci

por João Távora, em 26.04.14

 

Da excelente entrevista de Ricardo Lourenço a Frank Carlucci para a Revista do Expresso de ontem dia 25 de Abril, é arrepiante constatar a dimensão humana, plausível, das decisões que acabam por mudar tão dramaticamente o rumo da história, no lugar das fantasmagóricas teorias da conspiração com que tantos acalentam a sua ilusão de impotência. Ou de como naqueles anos estouvados da nossa História, foi por uma unha negra que nos salvámos dum trágico destino. A realidade é, o mais das vezes, feita de uma arrepiante simplicidade. 

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 26.04.14
(Lisbon Story Center)

 

Diz-se que a China entrou no século XX ainda mergulhada no seu esquema e mentalidade feudais. Esta circunstância, a falta de uma Idade Moderna, «renascentista», humanista, iluminista, explicaria a aterradora desumanidade revelada nas mudanças políticas e sociais que depois empreendeu.

Mas nem tudo por ali entroncava na mesma linha de instinto.

Não sendo eu uma acabada feminista, sinto-me particularmente solidária com o espírito feminino, desde sempre incompreendido pelos protagonistas culturais maioritários de cada momento. Por isso me impressionaram tanto a discreta história de sofrimento e o legado escrito de Kai-hui, a segunda mulher de Mao, abandonada por este aos vinte e seis anos - com três crianças nos braços - e executada aos vinte e nove às mãos das forças governamentais, pelo crime de ser ex-mulher do «bandido» comunista:

 

“I was born extremely weak, and would faint when I started crying … At the time, I sympathised with animals … Every night going to bed, horrible shadows such as the killing of chickens, of pigs, people dying, churned up and down in my head. That was so painful! I can still remember that taste vividly. My brother, not only my brother but many other children, I just couldn’t understand them at all. How was it they could bring themselves to catch little mice, or dragonflies, and play with them, treating them entirely as creatures foreign to pain?

If it were not to spare my mother the pain—the pain of seeing me die—if it were not for this powerful hold, then I simply would not have lived on.

I really wanted to have a faith!…”

 

Sobre as suas convicções políticas, de início concordantes com as de Mao, escreve:

 

“Now my inclination has shifted into a new phase. I want to get some nourishment by seeking knowledge, to water and give  sustenance to my dried-up life … Perhaps one day I will cry out: my ideas in the past were wrong!"

 

E termina com este grito desesperado:

 

"Ah! Kill, kill, kill! All I hear is this sound in my ears! Why are human beings so evil? Why so cruel? Why?! I cannot think on! I must have a faith! I must have a faith! Let me have a faith!!”

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O meu 25 de Abril - I

por Vasco Mina, em 26.04.14

Começo com uma declaração de interesses: tinha 11 anos em 25 de Abril de 1974 e os meus pais nunca tinham tido qualquer atividade política. Isto dito, recordo-me de não ter ido às aulas o que é sempre uma festa para um miúdo com aquela idade. Estava no 2º ano do ciclo preparatório (era o tempo das reformas Veiga Simão) e em Outubro daquele ano passei para o Liceu Pedro Nunes. Não me recordo de ouvir comentários políticos por parte dos meus pais nos primeiros dias após revolução mas a minha avó materna, desde logo, começou a anunciar o perigo comunista e que a desgraça tinha chegado ao nosso país; ela era uma salazarista de “primeira linha” e só mais tarde (ao ler devidamente a história da 1ª República e do Estado Novo) percebi os excessos de linguagem com que nos brindava com os seus comentários. Eu sou o mais velho de três irmãos e por isso nunca tinha ouvido qualquer conversa sobre lutas académicas nas universidades ou de quaisquer perseguições políticas e a PIDE foi uma sigla que comecei a ouvir com o 25 de Abril. A guerra colonial, essa sim, entrava em nossas casas todos os anos via TV: pelo Natal a RTP deslocava-se às ex colónias e entrevistava longas filas de soldados que enviavam mensagens para os seus familiares; era um “filme” que me impressionava e, muito especialmente, ficava sem entender os silêncios de muitos que se recusavam a falar. Em casa este era um tema tabu: apesar de assistirmos às mensagens dos militares nunca se falava da guerra (vagamente ouvia a referência aos “terroristas”). Os partidos políticos foram uma das muitas novidades que vieram com a revolução e muitos iniciaram a sua militância política; o meu pai filiou-se no PSD e algumas vezes o acompanhei (em 1975) em saídas noturnas para colagem de cartazes: ainda me recordo dos baldes com cola e dos largos pincéis mas também de alguma preocupação do meu pai pois registavam-se encontros com grupos mais à esquerda que, por vezes, resultavam em pancadaria; hoje, ao recordar esses tempos, constato a boa vontade e o genuíno interesse em participar na política e ao lembrar os nomes daqueles que participavam nestes grupos de “colagens” encontro pessoas de várias profissões e de múltiplas famílias. Por tudo isto eu não sou do antes do 25 porque era um miúdo e não sou propriamente do 25 pois fui apenas um espectador. Mas também não pertenço à geração daqueles (como por exemplo os meus filhos) para quem a Revolução é mais uma matéria para um teste de história. De alguma forma até, pertenço a uma geração algo privilegiada pois não se envolveu emocionalmente com o antes e nem com o após mas que assistiu presencialmente a tudo o que aconteceu.

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O Carmo e o passado

por José Mendonça da Cruz, em 25.04.14

Em 1974, o homenzinho de boina preta que hoje esteve no Largo do Carmo, teria aproveitado o 1º de Maio para beijar os pés a Cunhal, proclamar-se seu discípulo e empenhar-se com ardor e zelo nas tentativas de instaurar uma nova ditadura.

O homenzinho de boina preta teria sido uma figura importante do mais abjecto populismo ou de uma nova tirania.

Quando o último meio de comunicação livre da bota comunista, o República, foi ocupado, o homenzinho de boina preta teria exigido o esmagamento da primeira manifestação de rua em que democratas revoltados entoaram «O Povo não está com o MFA».

O homenzinho de boina preta teria acompanhado Otelo nas prisões sem mandato nem culpa, no terrorismo messiânico, no ridículo. 

Em vez de estar na manifestação da Fonte Luminosa, decisiva no combate da democracia contra a ditadura militar-comunista, o homenzinho da boina preta teria estado nas barricadas que tentavam impedir o afluxo de manifestantes, e não no lado dos que defendiam a liberdade.

O homenzinho de boina preta que hoje foi ao largo do Carmo proclamar que aquele ajuntamento era «o bem» e os eleitos do povo «o mal», teria estado na rua, a cercar a primeira Assembleia eleita, a Assembleia Constituinte cuja composição o frustrava, em vez de estar lá dentro, com os eleitos da eleição mais participada de sempre.

A menos que o homenzinho de boina preta que hoje foi filmado no Carmo não fosse realmente Mário Soares, o que explicaria tudo.

Mas, se for, ele viverá os últimos anos frustrado e assim morrerá. Ele e as figurinhas militares rotundas e presunçosas que anseiam impor-nos caminhos ignorantes e irresponsáveis. O que eles pensam vale nada perante o voto livre. Viva o 25 de Abril! Viva o Mundo de hoje!

 

 

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Ainda bem que a Câmara de Lisboa reconheceu o imbróglio, demitindo Inês Pedrosa, e a devido tempo possa vir esclarecer os meandros do que ali se passou ao longo de anos.

Merece o meu maior respeito e admiração a equipa da Casa, que fez sempre o seu trabalho de serviço educativo, fórum cultural da cidade e imã pessoano internacional, e se conservou unida e aplicada, mesmo quando confrontada no dia a dia com o absentismo, o vedetismo, o ridículo de «escritores» dormirem na cama do poeta (urgghhhhhh!!!!!) e mais recentemente a guerra de nervos, a suspeição e a intimidação.

Quem quer que seja escolhido para o cargo — um reconhecido pessoano seria o melhor —, vai certamente surpreender-se com uma equipa devotada e qualificada, e faço votos para que todos se entendam muito bem, e que esse novo ambiente favoreça o papel que a CFP pode ter em Lisboa, no país e no mundo.

Uma experiência acumulada e uma equipa estável são como aqueles canivetes suíços que fazem tudo o que precisamos.

25 de Abril SEMPRE!!

 

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...

por Vasco Lobo Xavier, em 24.04.14

  Alguém quer caramelos de Vigo?

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 24.04.14

 

o teu rosto à minha espera, o teu rosto

a sorrir para os meus olhos, existe um 

trovão de céu sobre a montanha. 

 

as tuas mãos são finas e claras, vês-me 

sorrir, brisas incendeiam o mundo, 

respiro a luz sobre as folhas da olaia. 

 

entro nos corredores de outubro para 

encontrar um abraço nos teus olhos, 

este dia será sempre hoje na memória. 

 

hoje compreendo os rios. a idade das 

rochas diz-me palavras profundas, 

hoje tenho o teu rosto dentro de mim. 

 

José Luís Peixoto, Amor

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A religião laica

por João Távora, em 24.04.14

Nas mais recentes sondagens, a revolução dos cravos já é tida pela grande maioria dos portugueses como o mais importante acontecimento de toda nossa História. O meu artigo hoje no Jornal i 

 

 

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Ironia é o Hino do MFA de 1974 ser na verdade ianque!

por Maria Teixeira Alves, em 24.04.14

Não se podia esperar grande coisa de um movimento que escolhe para hino, uma música do seu maior inimigo...

O Hino do Movimento das Forças Armadas, no 25 de Abril de 1974, era na verdade uma música norte-americana: Life On the Ocean Wave, composto por Bobby Scott.

Ora, os Estados Unidos eram (e são historicamente) os maiores inimigos do Comunismo. Os EUA foram os maiores opositores à luta das ex-colónias pela independência (ver anexo), por oposição aos apoiantes que eram os países comunistas (as ruas de Maputo, desde que adoptou esse nome, até hoje se chamam Mao-Tse-Tung e Karl Marx). Mas o movimento do Otelo Saraiva Carvalho teve logo a pontaria de escolher uma música do inimigo para o representar. Só podia estar condenado ao fracasso.

 

 

Anexo: Depois de muitas críticas, construtivas, às minhas declarações sobre a posição dos Estados Unidos na Guerra do Ultramar. Venho corrigir as minhas declarações. Na verdade deveria ter explicitado que:
"As grandes potências emergentes da II Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética, alimentavam — quer ideologicamente, quer materialmente — a formação de grupos de resistência nacionalistas, durante a sua disputa por zonas de influência. É neste contexto que a Conferência de Bandung, em 1955, irá conceder voz própria às colónias, que enfrentavam os mesmos problemas e procuravam uma alternativa ao simples alinhamento no conflito bipolar que confrontava as duas grandes potências.
Isto é, os Estados Unidos estavam no lado oposto ao da União Soviética que apoiou as facções vencedoras das guerras e que acabaram por assumir os governos dos países na independência. 

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 23.04.14
(Elevador do Castelo)

 

Se puserem numa balança, de um lado a utilidade real das ciências mais sublimes, das artes mais nobres, e do outro a utilidade das artes mecânicas, verão que os valores atingidos não foram estabelecidos segundo critérios que tivessem em conta os respectivos méritos, porque os homens empenhados em fazer-nos crer que somos mais felizes conseguiram sempre mais louvores do que aqueles que se esforçaram para que o fôssemos de facto. (Diderot, na Encyclopédie Méthodique)

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Monarquia TV

por João Távora, em 23.04.14

Aqui estão algumas ideias por mim expressas numa entrevista à Monarquia TV, um meritório projecto de comunicação que dá os primeiros passos e que merece a atenção de todos. 

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Aí está de volta a questão das barrigas de aluguer (ou da maternidade de substituição que é a designação politicamente correcta).  Conforme editorial de segunda-feira do Público, dois projectos de Lei (um do PS e outro do PSD) andam a “marinar” na AR. Parece que agora está próxima a data da sua votação na Comissão de Especialidade e depois a subida ao Plenário para decisão final. Segundo o coordenador do grupo de trabalho (o deputado Miguel Santos  do PSD) tal deverá acontecer no próximo mês de Maio. O Jornal da Noite da SIC de ontem dava também notícia do mesmo. Fica assim assegurada a manutenção das questões fracturantes que poderá interessar de sobremaneira ao PS para criar divisões quer dentro do PSD quer entre os partidos da coligação governamental. Mas também ao PSD (ou pelo menos a alguns deputados) o agendamento para o próximo mês poderá ajudar a dispersar a atenção que, naturalmente, os portugueses estarão a dar ao fecho do Programa de Assistência Económica e Financeira e às opções de saída do mesmo. Independentemente das opiniões que cada possa já ter sobre este assunto, a verdade é que são complexas as questões que envolvem o tema das barrigas de aluguer. Seria, por isso, fundamental promover um amplo esclarecimento do que está em causa (a título de exemplo desconhecem-se por completo os entendimentos que já terão sido conseguidos entre deputados do PS e do PSD) e, consequentemente, lançar um debate na sociedade. Até porque (e uma vez mais) é outra questão fracturante que não foi objecto de qualquer proposta eleitoral dos partidos que apresentaram os Projectos de Lei em discussão.

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Do "Partido Evolucionista"

por João-Afonso Machado, em 22.04.14

Reler O Antigo Regime e a Revolução que Freitas do Amaral deu à estampa, como as suas Memórias Políticas, em 1995 (O Autor teve o cuidado de explicar que pedira o título emprestado a Alexis de Tocquevile...), ajuda extraordinariamente a perceber o seu discurso recente, em mais um congresso-manobra soarista onde apareceu... de cravo vermelho na lapela!

A obra é interessantíssima e a sua leitura recomenda-se. Como remédio para os males da memória e como laxante para o roteiro político de Freitas. Um aluno brilhante - é o próprio que, com generosa insistência, o afirma - no liceu e sobretudo na Faculdade: o melhor do seu curso.

Entenda-se porquê, através de um exemplo simples buscado no prefácio. Em 1961, o jovem Freitas foi convidado a candidatar-se à presidência da Assembleia Geral da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Aceitou. No ano seguinte estoirou a mui referenciada crise estudantil que culminou com uma greve geral. Mais nada consta do texto acerca de qualquer intervenção do digníssimo Presidente da Assembleia Geral. Salvo ter sido levado na avalanche que demitiu todos os dirigentes académicos. Pois assim considera Freitas ter ganho «a sua primeira "medalha" no combate democrático»... Fazendo o quê? Apenas deixando que os outros fizessem por ele, para anos depois colher as flores...

Logo nas primeiras páginas, ainda, Freitas confessa as suas inclinações neo-liberais, com tendência para a democracia-cristã. Estávamos, repito, em 1995. Ontem, mesmo afirmando a sua indisponibilidade para a política activa, lá foi sugerindo a criação de um partido situado entre o PSD e o PS, a que daria o seu total apoio? E amanhã?

O espectro de uma sua nova candidatura à Presidência da República paira sobre o Regime. Óptimo! É o que se deseja ao Regime. Mas não a Portugal.

 

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Em busca de "condições"?!?

por Vasco Lobo Xavier, em 22.04.14

Vasco Lourenço “já há legitimidade [dos militares] para correr com esses tipos que estão no poder; não há é condições.”

 

Não consigo perceber o tempo que se gasta com um personagem deste calibre que profere uma enormidade desta dimensão, discutindo-se à exaustão a sua chantagem sobre a Assembleia da República através da qual exigia botar faladura na que chamam casa da democracia.

Se era isto que ele pretendia dizer, provavelmente para buscar “condições” para desenvolver a suposta “legitimidade [dos militares] para correr com esses tipos” que foram eleitos democraticamente pelo povo, então já está dito e não é preciso emporcalhar a Assembleia da República: ele que o diga nos cafés, nas esquinas ou nos congressos, animando a brigada do reumático, da qual se destaca Soares que se esqueceu do que quer dizer “democracia” e defende que se deve considerar “uma bela ideia” acabar com este regime ainda que seja “a mal”, não obstante “estes tipos” ou “fulanos”, como lhes chama o militar, estejam apenas a tentar resolver os problemas que a bancarrota a que Sócrates e a governação do Partido Socialista nos condenou.

 

 

nota: citações in Público, versão impressa, uma vez que na digital se terão esquecido de incluir as alarvidades do militar.

 

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Foto-fitas do dia

por Luísa Correia, em 22.04.14
(Costa do Castelo)

Ler a biografia de Mao escrita por Jung Chang e Jon Halliday é tomar consciência da dimensão ilimitada do cinismo, do desrespeito pela vida alheia e da sede de sangue que caracterizaram o comunismo revolucionário sino-soviético nos seus tempos de expansão e implantação. O livro derruba, de forma sistemática e fundamentada, todos os mitos que o conturbado e complexado século XX alimentou sobre a personagem. Denuncia-lhe os interesses puramente egoístas, a discreta cobardia, o indiscreto comodismo, a sabujice, a ferocidade, o gosto da intriga e toda a gama de estratégias ziguezagueantes e de armas e instrumentos de hipocrisia e terror aplicados na sua conquista do poder absoluto. O livro consegue surpreender (e confranger) mesmo quem julgue ter ganho, com algum conhecimento da História e da natureza humana, imunidade à surpresa. O livro arrepia, porque trata de acontecimentos de há menos de cem anos, que se adivinha, de ciência quase certa, que vão continuar a acontecer. Enquanto houver política... ou políticos!

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É capaz de ser um bocadinho redutor

por Maria Teixeira Alves, em 21.04.14

 

O congresso da Revolução do 25 de Abril parece o congresso dos pensionistas... Caramba, não foi assim há tanto tempo a Revolução (foi há 40 anos) e já só atrai os reformados.  
E depois, todos, mas todos, foram para o palanque atirar lanças contra o Governo. É só isto o 25 de Abril?

 

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