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A ignorância de António Filipe

por João-Afonso Machado, em 20.12.13

A propósito da convergência de pensões, abortada pelo Tribunal Constitucional, instado a pronunciar-se, na SIC Notícias, sobre se achava justo a diferença de 10% nos descontos, que previlegia a Função Pública em relação aos trabalhadores do sector privado, o deputado comunista António Filipe fez esta extraordinária pergunta - mas porque se há-de fazer a igualização por baixo?

Nos tempos áureos do imperialismo comunista, todos os seus mestres - Cunhal, Brejnev, Fidel, Ceausescu... - teriam respondido imediata e acertadamente: porque sim!

 

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RTP ... chapeau!

por José Mendonça da Cruz, em 20.12.13

Quem disponha das funcionalidades da Zon e da Meo para rever programas televisivos já emitidos, deve rever a reportagem que o telejornal da RTP acaba de passar, às 20.40, sob o título «Partidas e Chegadas», ou seja, sobre os reencontros e despedidas no aeroporto de Lisboa no âmbito da nova emigração portuguesa. Com todos os mal-entendidos, o «serviço público» tem destes momentos de jornalismo no sentido mais nobre. Jornalismo de rua (de gare de aeroporto) capaz de retratar situações políticas, económicas, sociais. É uma reportagem notável, sentida, que retrata sem engraçadismos ou impertinências «off» um novo Portugal que busca soluções e não críticas, que é valente e não queixoso, moderno e não enquistado em ilusórias «conquistas irreversíveis». Foi um momento alto de jornalismo, feito com o maior despretensiosismo. É obrigatório ver.

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Excentricidades...

por Vasco Lobo Xavier, em 20.12.13

 

Neste país, é inconstitucional viver com o que se tem.

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Mais um grande cérebro que nos deixou

por José Mendonça da Cruz, em 20.12.13

 

Há muito que gente do PSD e da direita vem tecendo agrestes críticas contra José Pacheco Pereira. Estranham o azedume extremo com que fala de qualquer membro, acto ou omissão da coligação governamental. Apontam-lhe o dedo por defender alternativas políticas e económicas que nunca explica nem expõe. Desconsideram-no por reincidir em processos de intenções. Acusam-no até de se entregar a raciocínios falaciosos e (reconhecem isso, ao menos) absolutamente indignos de si. Dizem que Pacheco Pereira perdeu a razoabilidade, que pôs a sua enorme inteligência entre parentesis, que está fora de si.

A realidade é, porém, infinitamente mais triste: Pacheco Pereira já não se encontra entre nós. Pacheco Pereira é um mero organismo possuído pela alma danada de Álvaro Cunhal. Há provas reiteradas disto que escrevo. São fortíssimos os indícios.

Ontem, ainda, no programa Quadratura do Círculo, pela boca material de Pacheco Pereira, o fantasma de Cunhal zurziu o PS por ter celebrado um acordo com o governo de direita a propósito do IRC. Não só insuflou alento num moribundo, dizia Cunhal, como subscreveu mais uma manobra deste governo para favorecer os poderosos e privar os trabalhadores.

A prova? Valendo-se do proverbial jeito para o desenho, Cunhal apresentou este gráfico que reproduzo e a que acrescento letras para maior facilidade de explanação:

 a é, segundo Cunhal, a riqueza nacional.

A riqueza nacional segue para b, que são os ricos, pela, digamos assim, haste superior

e para c, pela haste inferior, para o povo em geral.

Ora, a intenção deste governo, diz o espectro do defunto líder comunista, é entumescer a haste superior fazendo passar mais dinheiro da riqueza nacional para os ricos em b, e estreitar a haste inferior para que cheguem menos moedas ao c do povo. 

 

     

O próprio António Costa estava perplexo (António Lobo Xavier, ça va de soi, estava gelado). Mas eu, humilde espectador, eu não. Eu sabia que era Cunhal a falar. Já o intuía há muito tempo, não julgando inteiramente irrazoável que a concentração na escrita de uma biografia notável possa ter efeitos secundários paranormais. E firmara a certeza já em Novembro, quando, ao zurzir os que desvalorizam as manifestações da Intersindical, perdão, da CGTP, Pacheco Pereira, aliás, Cunhal, fazia, no seu Abrupto, perdão, no Abrupto do intruso Cunhal, o seguinte retrato da parte verdadeiramente genuína e progressiva do povo português:

«Os manifestantes da CGTP não são da classe social certa, não ambicionam ir tomar chá com Ricardo Salgado, ou ir comer aos restaurantes da moda, não são frequentáveis e, ainda pior, não se deixam frequentar. Têm, muitos deles, uma vida inteira de trabalho e de muitas dificuldades. Tem um curso, uma pós-graduação e um doutoramento em dificuldades. São velhos, um anátema nos nossos dias. Tiveram ou tem profissões sobre as quais os jornalistas da capital não sabem nada, foram corticeiros, mineiros, soldadores, torneiros, mecânicos, condutores de máquinas, pedreiros, ensacadores, motoristas, afinadores, estivadores, marinheiros, operários têxteis, ourives, estofadores, cortadores de carnes, empregados de mesa, auxiliares educativos, empregadas de limpeza, etc., etc. Foram e são cozinheiros e cozinheiras em cantinas, e não chefs. E foram ou são, professores, funcionários públicos, enfermeiros, contabilistas

 

Eu, humilde leitor-espectador, mais humilde bloguista ainda -- porém, atento e obrigado -- chamo para tão infausto sucesso a atenção dos nossos meios culturais, e dos meios políticos, e dos meios de comunicação social. Choremos, pois Pacheco partiu. Não nos cansemos de chorar. Perdemos um grande valor.

 

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O Monstro passará!

por José Mendonça da Cruz, em 20.12.13

 

 

É verdade que esses detestáveis privados, também chamados contribuintes ou pessoas comuns, já fizeram muito para saldar a dívida criada pelo Estado. É verdade que deixaram de viver a crédito, que aumentaram os níveis de poupança, que aceitaram reduções salariais, que passaram a viver mais frugalmente, e suportaram, além de desemprego, carências e dramas familiares e pessoais, brutais aumentos de impostos. É verdade que as empresas privadas mostraram iniciativa e talento, e conquistaram mercados novos e novas fatias de mercado gerando um superavit da balança como nunca fora visto. É verdade que fizeram depressa e bem o ajustamento que a falência provocada pelo Estado Socialista exigia. Mas nem por isso pensem esses privados detestáveis que o Estado vai ajustar-se também. O Estado é gordo, pesado e tem muita fome de pesar e engordar mais. O Estado consome em salários e pensões 80% da riqueza que saca, mas tem que ser assim. Está escrito. Nem cortes, nem despedimentos, nem poupanças, nem reformas. Consta que é o que está escrito. Se não estiver escrito, o Estado tem juízes para dizer que afinal está. Bem pode algum governo reunir resmas de documentos e opiniões razoáveis -- como estes, que os juízes não querem saber. Bem podem as contas demonstrar que não há dinheiro para pagar fábulas socialistas, que o dinheiro não é nosso, é emprestado, que os credores se fartam, exigem mais juros ou não emprestam mais. E que, de qualquer forma, não podemos viver indefinidamente a gastar mais do que produzimos. Tudo minudências: os juízes valem mais que os credores, os juízes valem mais que a sanidade financeira, os juízes valem mais que a realidade. Os juízes são o último baluarte da previsibilidade e da segurança. Com segurança travarão qualquer reforma ... aliás, qualquer beliscão da despesa pública. Com previsibilidade imporão o aumento da despesa, a insustentabilidade do défice e a falência do país. Eles estudaram a Constituição e, dizem-nos eles, é isso que a Constituição diz. 

 

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Temos uma Constituição bestial...

por Vasco Lobo Xavier, em 19.12.13

 

Tomara houvesse dinheiro para a pagar.

E a oposição, completamente irresponsável, ainda aplaude. Parece que ninguém percebe a realidade que vivemos. O dia de amanhã vai ser um desastre, mas é só o primeiro de muitos, não haja ilusões. O princípio da confiança dos pensionistas fica a salvo, o de todos os outros portugueses, que na sua grande maioria nunca virá a ter reformas, fica destruído. Esmagados por impostos, insolvências, e uma vez que o Estado não reduz as despesas ninguém acreditará em nós nem nos emprestará dinheiro. E ainda bem, que nunca o conseguiríamos pagar. Depois queixam-se de que as pessoas buscam melhores vidas no estrangeiro. Pois. Um dia ficarão cá apenas os pensionistas, não sei como se irá arranjar dinheiro para cumprir a Constituição e lhes assegurar o princípio da confiança. Depois queixam-se também de guerrilha entre gerações. Claro. Esmaga-se a geração actual e a futura para não prejudicar o princípio da confiança da anterior. Um dia as pessoas acordam e chateiam-se, é natural, não há volta a dar. O país não produz dinheiro para pagar as despesas do Estado com funcionários públicos e pensões. Manter essas despesas e não resolver esse problema é de doidos. No fundo é simples: nós vivemos num país de doidos. E parece que gostamos. Só mesmo sendo doidos.

 

(quando me preparava para postar vi Manuel Ferreira Leite a defender na TVI 24 que é melhor dividir o montante necessário pela totalidade da população. Parece bonito. Mas isso é pela via dos impostos, não pela redução da despesa do Estado, que é o que urge resolver. Pessoas que considerava continuarem neste registo é coisa que me revolta e me faz desacreditar no futuro do país. Com imensa pena.)

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Férias de Natal

por João-Afonso Machado, em 19.12.13

Eram umas férias especiais. Sem a amplitude do Verão, semanas e semanas sem fim à vista, antes resguardadas no calor da lareira, aqueles dias únicos de expectativa entre o Natal e o Ano Novo. Diminutas mas cheias de luz, na escuridão da invernia, e imensamente musicais. Um tempo de família, de alegria e da sempre ansiada entrega dos presentes. Cheirando imparavelmente a rabanadas e a mexidos, mesmo com o bacalhau a saber bem, tão ao contrário do que a criançada sentia no decorrer do quotidiano. As férias do Natal são o que de melhor trazemos na nossa memória já de adultos.

Hoje não serão vividas assim. Os pais trabalham, o lar é um escasso momento vivido quase na hora de recolher à cama. Mas a miudagem continua a gostar de brincar e de viver, consoante pode, esses dias ímpares de magia natalícia.

Talvez não haja vagar para pensarmos nisso. Nem para planear os presentes, as preferências, os sinais dados no decurso do tempo que antecede a quadra. Filhos, netos, afilhados, quanta gente, quanta escassez de imaginação e disponibilidade... 

Assim mesmo a vida tem de continuar. Para muitos sem grandes alterações de horários, a escola, o ATL são alternativas incontornáveis. Onde, tantas vezes, a guarda dos mais novos é mera profissão dos guardiões. Mas onde, também, com um bocado de sorte, se encontram absolutas vocações. Gente que vai além do ganha-pão e se entrega do coração. Às crianças, aos nossos filhos ou netos, ao nosso sangue que já não pode brincar em casa e gozar as férias de antigamente.

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Ainda o coleccionador de sons

por João Távora, em 19.12.13

 

Mais arqueologia fonográfica portuguesa aqui.

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Showbiz

por João Távora, em 18.12.13

Não entendo este "Manifesto 3D" do Daniel Oliveira e daquele outro humorista do canal concorrente. Deve ser por falta de uns óculos especiais.

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Coisas do Tempo

por João-Afonso Machado, em 18.12.13

É a escalada mais íngreme, mais demorada. Quando nos queixamos de que tudo corre demasiadamente depressa, aí está esse vagaroso percurso roendo-nos em ansiedade e incerteza; aí estamos nós, subitamente, gritando pelo fim da linha, por ventos amigos que nos empurrem até ao acolhedor porto de abrigo. Porque montanha e mar, pedregulhos ou ondas, em qualquer caso o acaso ou o destino nos tolhem os pés e sangram a alma desejosa de uma cobertura, um cais.

É do Tempo que falo. O Tempo tantas vezes tão aceleradamente capaz de nos roubar o tempo de estar e gozar; o Tempo também maldosamente senhor de se arrastar preguiçoso, indiferente à nossa batalha ante qualquer malfadado contratempo.

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Partido Fedorento

por Maria Teixeira Alves, em 18.12.13
Não consigo levar a sério um partido em que o Ricardo Araújo Pereira seja membro. De cada vez que o vir na televisão a apregoar o programa eleitoral do Manifesto 3D, vou achar que é um sketch! Vou achar que finalmente o Daniel Oliveira está no registo certo, o do humor, e que o Carvalho da Silva não sabe o que fazer à vida de reformado, e tem saudade dos palcos da CGTP. Não vejo a hora de conhecer o programa eleitoral desta esquerda hilariante!
Ricardo Araújo Pereira terá tomado o gosto ao Governo Sombra ao ponto de querer fazer parte de um?
Perde-se um inteligente humorista? Talvez, mas também já estava a perder a graça mesmo.

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Fado "A Samaritana" gravado em 1915

por João Távora, em 17.12.13

 

Esta é uma inédita interpretação gravada por volta de 1915 por Arthur Silva do fado "A Samaritana" de Álvaro Cabral (1865 - 1918). O achado necessita ainda de alguma pesquisa mas desconfio que constitua uma preciosidade para o acervo fonográfico nacional. Agradeço quem me possa ajudar com informação complementar.

 

Originalmente publicado aqui.

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Mordomias

por João-Afonso Machado, em 17.12.13

As imagens iniciais de O Mordomo são perfeitamente aceitáveis e mesmo úteis, tratando-se de um filme de adultos, tanto mais que se reportam, não aos antecedentes da Guerra da Secessão americana, mas à cultura do algodão no Sul já em tempo dos nossos pais. Onde um branco ainda baleava mortalmente um negro - o desafortunado marido da mulher recém-violada pelo assassino - e nem por isso era consentido aos demais abrandar o ritmo da apanha.

Era assim, sem ponta de exagero. Até a II Grande Guerra foi uma honra apenas reservada aos brancos. Provavelmente devido ao medo de ver um negro armado...

E o filme retrata, no fundo, essa lentíssima evolução - onde o homicidio de Kenedy constitui um verdadeiro balde de água fria - até um negro atingir a presidência dos EUA e, espera-se, a sociedade reparta, no plano racial, os mesmos direitos por todas as gentes.

Mas talvez muitos se esqueçam que a escravatura oficialmente foi extinta na América em 1865. Na sequência de uma guerra sanguinolenta em que 2 milhões de vidas foram perdidas em campo de batalha. Combatida pelo idealismo de alguns e pela hipocrisia de muitíssimos.

Porque, entre 1863 e 1865, o que esteve verdadeiramente em causa não foi a dignificação dos negros mas os interesses políticos e comerciais do Norte federal, visando derrubar o poderio económico da Confederação sulista. Vencedores do conflito, proclamaram a liberdade dos escravos mas negaram-lhes o trabalho livre, assim mantendo a dependência e a humilhação dos negros. Até aos nossos dias.

André Malraux disse que são precisos 60 anos e não 9 meses para fazer um homem. Considerando o homem social, a sua visão é optimista.

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Prudência

por Maria Teixeira Alves, em 16.12.13

"Nos primeiros meses do próximo ano vamos levantar dívida de médio e de longo prazo ao mercado e teremos, antes da conclusão do programa, se não todas, pelo menos uma parte muito significativa das necessidades de financiamento para o ano cobertas"


ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.


Antes do programa de ajustamento da troika chegar ao fim, o Governo quer ter as necessidades de financiamento do próximo ano praticamente todas acauteladas.

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380 mil ou muito mais de 10 milhões?!?...

por Vasco Lobo Xavier, em 16.12.13

 

Vejo em diversa comunicação social que o Tribunal Constitucional tem nas mãos a vida de 380 mil pessoas, julgo que se referem aos pensionistas. Parece-me que a contabilidade não está a ser muito bem feita.

 

Segundo se diz, um eventual Plano B passaria pelo aumento do IVA, o que afecta directa e negativamente não só cerca de dez milhões de habitantes (para além daqueles 380 mil), como centenas de empresas, pequenas médias ou grandes, a nossa produção, capacidade de exportação e, para lá do aumento de impostos que isso constitui, semelhante solução conseguiria manter os juros dos empréstimos em níveis altíssimos, prejudicando assim gravemente todo o país.

 

O TC tem nas mãos a vida de 380 mil pessoas?!?... Só para quem apenas olha para o seu umbigo…

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Domingo (3º do Advento)

por João Távora, em 15.12.13

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus



S. João Baptista por Leonardo da Vinci


Naquele tempo, João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».


Da Bíblia Sagrada

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De retorno ao costume

por João-Afonso Machado, em 15.12.13

Portanto, se bem alcanço - acabado de chegar de outras andanças - o País político está calmo. É uma impressão, apenas. Mas, olhando de relance, o que há por aí? Os três maiores da lusa futebolidade este ano muito a par, jogando de igual para igual; a morte de Mandela a dar pano para muitas mangas, sobretudo - grande pacificador! - a distrair Mário Soares, puxando a sua vaidade para as memórias da intimidade com que tratava o defunto líder africano; e os sindicalistas aparentemente submetidos à força do aforismo - uma andorinha não faz a Primavera - assim como meia duzia de exaltados não produzem tumultos de maior.

A Oposição berra como é sua obrigação e os desentendimentos entre o Governo e Seguro, à conta do IRC, são de natureza técnica, maçadora, nem sequer se trata de um tema mais candente, como o de um eventual IRS a entrar víperinamente nos nossos próprios bolsos.

De modo que este ensolarado domingo vai muito bem para um belo passeio ou para as compras de Natal - de quem possa e goste de as fazer. No mais, é só não esquecer aquele natural automatismo de logo à noite - o de mudar de canal logo que Sócrates começar a debitar torpezas.

 

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IRC - o discurso sonso dos pobrezinhos

por José Mendonça da Cruz, em 14.12.13

 

«Sabem o que é que o primeiro ministro quer?», perguntava Seguro, sobre a reforma do IRC. Quer, segundo Seguro, beneficiar as grandes empresas, garantir às 20 cotadas da Bolsa que paguem menos 100 milhões em impostos.

Aqui temos, estrutural no discurso da esquerda, o processo de intenções do costume: «Nós vimos pelo bem; os outros só têm intenções cavilosas.» (Acéfala, a comunicação social nem pergunta, pois para que serviria uma baixa da taxa do IRC senão para diminuir impostos?)

O ministro da Economia, Pires de Lima, não tem razão ao sugerir que o PS quer fazer da reforma do IRC uma reforma «envergonhada» ou «descafeinada». Não é assim. O que o PS quer é reforma nenhuma.

O discurso de Seguro sobre esta reforma é o mais genuíno discurso do PS, o discurso de dois gumes.

Por um lado, Seguro defende vantagens fiscais para as pequenas e médias empresas. O PS, que passa o ano a vituperar «os privados» a propósito de educação, saúde, economia, «mercados», defende, no entanto, as PMEs. É o PS a proclamar-se virtuoso, a engalanar-se de defensor dos pobrezinhos. Os «privados pequeninos» são bons para o PS. Os privados são bons para os socialistas desde que sejam pequenos e impotentes.

Por outro lado, Seguro e os socialistas não vêem com bons olhos uma reforma que beneficiasse as empresas em geral, e, naturalmente, também as grandes empresas, ou seja, as grandes criadoras de riqueza, emprego e investimento. É que um ambiente fiscal claro, geral e bem fixado, um ambiente que torne Portugal atraente para os grandes investidores estrangeiros e portugueses (como aquele que a proposta de reforma do IRC de Lobo Xavier ameaça instituir) é um ambiente desconfortável para maçons e socialistas. Para os grandes, o PS prefere a legislação impenetrável, prefere um fisco cheio de confusão e condicionalismos. São a confusão e os condicionalismos que melhor põem em relevo a utilidade dessa criação, desse filho dilecto do PS, essa verdadeira institucionalização da corrupção: os projectos PIN. Aos adoráveis pequenos, o PS oferece a fingida protecção da sua asa; aos grandes investidores e empresas, o PS oferece o caminho da excepção: «Querem investir? Venham falar connosco, no segredo e na sombra dos gabinetes!»

É a economia tutelada, à boa moda socialista. É o ambiente das negociatas casuísticas. É o que torna um país pobre e alguns «beneméritos» ricos. 

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Para quem esteja ou passe perto nesse dia:

por Vasco M. Rosa, em 14.12.13

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A desolação de encher chouriços

por José Mendonça da Cruz, em 13.12.13

Peter Jackson e a New Line Cinema hão-de ter pensado que o sucesso cinematográfico e de bilheteira da trilogia «O Senhor dos Anéis» (baseado fiel e razoavelmente nos três livros de grande fôlego de Tolkien) lhes permitiria extrair mais uns dólares da transformação em 2-longos-filmes-2 do livro «O Hobbit», uma coisinha menor e pouco madura de pouco mais de 200 páginas. Em nome do que fizeram muito bem, mais valia terem ficado quietos. Os dois filmes sobre o Hobbit, e esta «Desolação» acima de tudo, são uma colagem pouco hábil de personagens sem interesse, eventos sem sucessão lógica, mistérios irrelevantes, e uma aparente ânsia de inventar cenas em que possam basear-se as atracções de um qualquer futuro parque temático (o labirinto da Floresta Tenebrosa; a descida das cascatas em barris; o tiro ao orc). Metade dos diálogos destina-se a explicar porque é que o que vem a seguir é perigoso e emocionante; a outra metade, destina-se a pedir desculpa por não ter sido nem uma coisa nem outra. Há elfos que não pertencem à história, monstros revistos em perda, impasses narrativos em barda, heróis que entram de surpresa pela esquerda e logo saem pela direita sem um vislumbre de utilidade, a banda sonora anda em constante rappel de «O Senhor dos Anéis» para se esfregar na antiga glória, e nem os comic relief aliviam de coisa nenhuma. É um filme como o peixe espada -- chato e comprido. É um filme mau. Aliás, é um filme muito mau. Ou melhor, é um filme péssimo. 

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