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Pagar para ver

por João Távora, em 08.09.13

 

A exploração de um canal temático de televisão contém riscos e potencialidades que exigem uma gestão muito profissional, mais a mais no âmbito da indústria do futebol, tema que como sabemos “comove” milhões de adeptos e move milhões de euros.
No que diz respeito a um canal explorado por um clube “a solo” concorrendo no mercado da televisão em regime de “pagar para ver”, por muitos e bons conteúdos que se contratualize em exclusividade, os seus riscos aumentão exponencialmente, porque o sucesso estará sempre restrito ao número dos seus apoiantes com entusiasmo e meios para o subscrever. Nesse sentido, o êxito da empresa será sempre refém do sucesso desportivo do emblema. Ou seja, a somar aos exigentes desafios duma boa gestão operacional e comercial, o projecto arrisca-se a ser comprometido por uma bola no poste, um fora de jogo mal assinalado ou a má forma de um atleta. Se a vertigem da sorte é a alma de qualquer jogo, essa característica pode ser mortífera para um projecto empresarial. Também por isto temo que o Canal Benfica resulte num mau negócio. 

 

Publicado originalmente aqui.

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Bloco Turístico

por Vasco M. Rosa, em 08.09.13

O Bloco de Esquerda gosta muito de fazer pronunciamentos políticos no admirável terraço de um hotel de cinco estrelas no Chiado. É de facto um sítio agradável, com vista panorâmica, onde é bom ir, onde turistas podem fazer uma pausa inesquecível e por aí fora. Certamente que a cedência desse espaço, que é também comercial, custa considerável dinheiro, que não sai de certeza dos bolsos daqueles soi disant moralizadores esquerdistas, pois vem da cornucópia de meios públicos postos à disposição dos partidos em campanha eleitorial. É que as mesmas palavras ditas no vetusto salão da Voz do Operário ou nas ruínas duma fábrica falida em Xabregas não teriam esse efeito suplementar do sentimento de apropriação de algo acessível a privilegiados. Mas têm a verdade máxima do que aqui realmente se trata: nada de verdadeira Política, mas apenas uma ideia: o Estado tudo dá (não interessa como), e vamos lá aproveitar isso!

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Domingo

por João Távora, em 08.09.13

Evangelho segundo São Lucas 
 

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».


Da Bíblia Sagrada


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Meneses e a boa e a má dívida

por João-Afonso Machado, em 07.09.13

As últimas horas registam um crescendo de demagogia no Porto: a candidatura de Luis Filipe Meneses é, defenitivamente, uma realidade. Gaia ficou já para trás, agora só importa a campanha eleitoral. O último a sair que apague a luz, que é como quem diz - o cidadão (gaiense) que pague as dívidas.

Saiba-se, porém, distinguir: Meneses já explicou, existe a boa dívida e a má dívida. E não quererá, decerto - democrata eivado de espírito cívico - que esta última (a má dívida) seja paga pelos inocentes e remediados seus ex-munícipes.

Portanto... trata-se somente de uma questão de fazer contas.

Hoje mesmo, Meneses, imparável, já veio para os microfones, afirmando que a "marca" Porto vale muito mais do que a "marca" Portugal!!! 

A nação portuguesa chora; a capital do Norte amedronta-se; tudo porque Meneses é de marca. E provavelmente vai ganhar.

Rio, Rio, que saudades!

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Na parte que me diz respito, não entendo esse tipo de humor, Filipe. Não se pode baixar a guarda na disputa entre a liberdade e a tirania. 

 

PS

 

A (...) "recusa em olhar de frente o passado e reconhecer o crime — cava em Portugal um fosso intransponível entre a Democracia e o Comunismo: está aqui a raiz da impossibilidade de diálogo, a origem de um insanável desaguisado que nos transforma em inimigos e nos impede de discutir ideias racionais como adversários polidos e civilizados. Mas então, e a Esquerda não comunista? A Esquerda socialista ou não alinhada? (...) A Esquerda socialista e não alinhada não renega as suas remotas origens, como um filho não renega um pai alcoólico ou ladrão; e, mais decisivo, partilha com os comunistas, embora mais discretamente, a aversão pela Liberdade tal como os liberais a entendem, e abominam o regime capitalista em que ela nasceu, germinou e se expandiu". 


Fátima Bonifácio, no Público (excerto)

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Da beleza pura

por João Távora, em 06.09.13

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A mim também...

por João Távora, em 06.09.13

Sempre me repugnou a condescendência generalizada — sim, generalizada à esquerda e à direita — de que os comunistas beneficiam e sempre beneficiaram. (…) Nunca os comunistas portugueses admitiram qualquer erro ou crime e ainda menos qualquer culpa. Nunca se demarcaram do estalinismo — nunca fizeram a mais leve autocrítica — e, para meu espanto e de muitas pessoas, acham-se os verdadeiros democratas e lutadores pela liberdade. Esta arrogância moral brada aos céus.

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Hoje é o dia indicado para eu dizer isto

por João Távora, em 05.09.13

Não tenho nem mais nem menos deferência pelas decisões dos juízes do tribunal constitucional do que pelos restantes poderes, sejam os deputados, ministros ou autarcas. O facto é que todos actuam politicamente e os primeiros nem são eleitos.

 

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Propaganda do Ministério da Justiça

por Vasco Lobo Xavier, em 05.09.13

 

 

Fui surpreendido na segunda-feira com a publicidade, propaganda ou o que seja, a página inteira, em diversos jornais, feita ao novo Código de Processo Civil. Não, não eram editoras a publicitar as suas edições mais recentes. Não eram também associações de profissionais do foro a divulgar por entre os seus membros as alterações no Processo Civil: eram páginas inteiras dos jornais pagas pelo Ministério da Justiça para avisar os portugueses de que entrava em vigor o Código de Processo Civil.

 

Ora bem. Para lá do enorme ridículo da coisa, a meu ver há desde logo uma questão que se coloca. O Código de Processo Civil é um documento técnico que interessa aos profissionais do foro e só muito acessoriamente às restantes pessoas, ao público em geral, pelo que se percebe muito mal que se gaste dinheiro dos contribuintes neste tipo de propagandas. Não se vêem situações destas em questões bem mais relevantes para o dia-a-dia das pessoas (um Código da Estrada, por exemplo, chamando-se a atenção para as alterações mais relevantes)

Dir-se-á (o que provavelmente só aumentará o caricato da coisa) que não é propaganda, que foi uma forma do MJ agradecer aos que teriam participado na reforma (acredite quem quiser, mas vem lá dito, preto no branco, em maiúsculas, “BEM HAJAM TODOS OS QUE PARTICIPARAM NESTA REFORMA”. A sério!). Admito que possa ser um reconhecimento, mas esses agradecimentos costumam ser feitos com um cartãozinho simpático, eventualmente uma referência discreta no Diário da República, não em publicidade paga na comunicação social. De resto, se a moda pega, começamos a ter as páginas de jornais cheias de anúncios e agradecimentos, aos que contribuíram para o código disto e daquilo, da regulamentação do piropo à portaria relativa ao vira-frangos na beira de estrada. “Bem hajam todos os que fazem o seu trabalho” vai ser uma fonte de receita para todos os jornais, paga pelos contribuintes. Imagino que as televisões também concorram a esse mercado.

 

Acontece que aquilo não é só publicidade ou propaganda do Ministério da Justiça. Aquilo antecipa os resultados da aplicação do diploma: maravilhosos, claro, mesmo que ainda não demonstrados. Como é sabido, elogio em boca própria é vitupério e semelhante coisa não mereceria comentários, mas no caso vai-se bastante mais longe porque raia o disparate: para se ilustrar a “mais profunda reforma (…) nas últimas décadas” elenca-se um conjunto de banalidades sem qualquer conteúdo inovador. A título de exemplo, diz-se no panfleto que todos os intervenientes, incluindo os juízes, passam a ter prazos para a prática dos actos. Acontece que já tinham. Bem como os funcionários judiciais. E os Magistrados do Ministério Público. Diz-se ainda que todos os actos de um julgamento, incluindo as deslocações de testemunhas, passam a ser calendarizados. Isso já estava previsto anteriormente. Como existia também a possibilidade de as testemunhas serem inquiridas por videoconferência, sem necessidade de deslocação, coisa que é igualmente referida como “inovação”. São penalizados actos que visam atrasar o processo ou invocar factos que nada tenham a ver com a acção, só para complicar? Já era assim anteriormente. As sentenças passam a ser redigidas de forma simples? Simples? O que é isso? E não eram?

O elenco prossegue com erros, imprecisões e incorrecções. Diz-se que em matéria de recursos passa a haver uma “verdadeira reapreciação dos factos”. Isto não faz sentido, desde logo porque aquilo de que se pode falar é de uma reapreciação da prova produzida sobre os factos, e isso já acontece. O que o MJ deveria querer dizer é que pode acontecer que a segunda instância ordene a produção de novos meios de prova, o que não só não é bem a mesma coisa como me parece poder contribuir para um processo se eternizar saltando para cima e para baixo, como acontece muitas vezes nos tribunais penais. A ver vamos. Outra suposta inovação é deixar de ser preciso propor acção executiva para executar o decidido em processo declarativo. Falácias. Não só já isso ocorria antes de terem alterado o processo executivo, aqui há alguns anos, pelo que não é novidade alguma (vai servir para as estatísticas), como a afirmação não é exacta e sugiro ainda que vejam bem as custas judiciais na fase executiva. Aliás, sugiro que se vejam bem as custas judiciais, sempre!, porque o que se tem de pagar hoje atinge valores de tal forma elevados que só se compreendem se servirem para afugentar as pessoas dos tribunais. Ou para pagar estas propagandas do Ministério da Justiça na comunicação social.

 

 

Por fim, a bem de uma “justiça de verdade” e para futuros panfletos publicitários, esclarece-se o Ministério da Justiça de que, ao contrário do que escreveu ou mandou escrever, as acções não se interpõem. O que se interpõe são recursos; as acções propõem-se ou intentam-se.

 

  

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Os independentes

por João Távora, em 05.09.13

Mais do que focar o lado caricato das candidaturas autárquicas mais ou menos independentes e genuínas que despontam um pouco por todo o País, parece-me importante valorizar o movimento sem qualquer preconceito. Os meios de propaganda são mal utilizados? Os protagonistas não se apresentam no padrão cosmopolita de Lisboa? O Design é descurado ou de mau gosto? O discurso é politicamente pobre?
Não alinho no discurso anti partidário, mas no caso das eleições autárquicas em que se disputam cargos essencialmente de gestão e liderança parece-me pouco importante a questão ideológica. Claro que cada caso é um caso, nem todos serão verdadeiramente "independentes", mas o fenómeno parece-me intrinsecamente bom para Portugal. Curioso como cada um de nós pode conhecer pelo menos um parente, amigo ou vizinho a concorrer a uma junta ou assembleia de freguesia. E se o espetáculo da propaganda não servir para mais nada, que nos sirva de espelho, em que dos dois lados iremos sempre nos confrontar connosco próprios. Sem filtros nem desculpas.  

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Mais uma corporação que quer os meus impostos

por José Mendonça da Cruz, em 04.09.13

Andam por aí umas figuras importantes a defender que fica em risco a identidade nacional, o país, a história, o futuro se fechar o Colégio Militar.

Dizem as distintas figuras que «querem matar» (os maus, os «eles«) o Colégio Militar e que isso não pode ser.

Eu, ao contrário, não considero que venha mal ao Mundo do fecho desse colégio. Eu, ao contrário, não quero continuar a pagar a minha parte dos 9000 euros que os contribuintes pagam por cada um dos 400 alunos do Colégio. Eu, ao contrário, não vejo risco nenhum, nem perigo para a pátria, nem hipoteca da história, nem beliscadura para a identidade nacional se uma instituição deficitária fechar. Eu, portanto, que vejo nisto apenas mais uma das dispendiosas manias corporativas que nos levaram à falência, tenho uma ideia melhor para as ilustres figuras: sendo, por maioria de razão, que muitos deles estão muito bem na vida, paguem o colégio que tanto incensam. Tirem do vosso dinheiro e paguem. É um negócio excelente, pois, segundo as vossas próprias convicções, serão até generosamente reembolsados - em gratidão perene da pátria, e da identidade nacional, e do futuro, e da história.

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Tempus fugit

por João Távora, em 04.09.13

O Verão cede e inclina-se ameaçadoramente: Vejam bem como sol aquece cada vez mais obliquo e produz sombras esguias e cores "vintage". Ainda temos uns dias antes de cair a noite.

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O legislador, o Benfica e o Sporting

por João-Afonso Machado, em 04.09.13

É melhor fotocopiar o DR em vez de comprar o novo Código de Processo Civil (CPC). Mais dia menos dia, estão aí as portarias rectificativas, sucessivas alterações, uma mancha enorme a borrar a frescura do fresquissimo diploma. Para não variar, desde os já recuados tempos em que o legislador desaprendeu de legislar.

A Justiça está como está e os cidadãos protestam e reclamam inovações, celeridade. Exigem cabeças. Completamente em pânico, os pescoços que sustentam estas inventam à toa, dão-se às mais inusitadas experiências, só pioram, só agravam, em vez de criar caminhos de rápida circulação judicial. Em Portugal, o deplorável estado da Justiça deve-se mais ao legislador do que ao multiplicar dos ilícitos.

Em vigor há três dias, do CPC já se ouviu tudo: desde criticas aos poderes excessivos cometidos aos juizes até à acusação de serventuário das grandes sociedades de advogados, na medida em que estimula as arbitragens (por aquelas conduzidas). Preparem-se os advogados para estudar a nova lei, resignem-se ante a disparidade interpretativa pela mesma suscitada e a suscitar.

A confusão adivinha-se. Como se estivessemos no balneário desses grandes clubes de futebol que não há meio de apresentarem resultados condizentes com o seu prestígio. Lá fora a multidão dos adeptos ruge e os dirigentes, assustados, endividados, sentem faltar-lhes o tempo para construir uma boa equipa e aplacar as iras que se voltam contra eles. Daí a imparável sucessão de treinadores, o rodopio de jogadores contratados e descontratados. A eterna fuga para a frente que há décadas vem caracterizando o Benfica e o Sporting...

 

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Adoro este actor

por Maria Teixeira Alves, em 04.09.13

Um dos homens mais bonitos e inteligentes de sempre.

Esta é só mais uma razão para confirmar a minha óptima opinião deste, que foi um dos homens mais bonitos de sempre, e que. constato agora, também dos mais inteligentes, sensatos e corajosos.

P.S. Félicitations pour votre opinion courageuse et intelligente

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A questão moral

por João Távora, em 04.09.13

(...) Antes de ser um problema financeiro e conjuntural, a reforma do Estado é uma questão moral. Por que razão o funcionário público tem uma mão cheia de privilégios em relação ao cidadão comum? Por que razão não pode ser despedido mesmo quando se torna excedentário? Por que razão trabalha menos 5 horas por semana? Por que razão tem a melhor parte do SNS (a ADSE)? Por que razão o cálculo das pensões da CGA é muitíssimo mais favorável do que o cálculo da Segurança Social? No fundo, por que razão vivemos num regime que consagra uma aristocracia, o funcionalismo público? Com ou sem troika, estas questões morais deviam ser atacadas pelo governo português; mesmo que não vivêssemos um cenário de falência, estes privilégios das corporações deviam ser extintos, porque são injustos antes de serem insustentáveis. (...)

Ler mais aqui.

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E o que dizem os médicos?

por Vasco Mina, em 03.09.13

Líder do PS diz que não faz sentido os funcionários da saúde poderem trabalhar no privado e no público.

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Vai mesmo?

por Vasco Mina, em 03.09.13

Seguro admite corrigir "situações de exceção". Só para os juízes? E as outras? Porque não corrigiram ao longo de 12 anos que ocuparam o Poder? Porque não avançam com uma iniciativa legislativa nesse sentido?

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Rotinas de embalar

por José Luís Nunes Martins, em 02.09.13

Tudo se torna monótono quando não sabemos renovar o entusiasmo e permitimos que as nossas preguiçosas habituações nos embalem.

 

Poucas vezes ousamos trocar o certo pelo incerto. Os outros não esperam nem admiram grandes liberdades... o normal é quase sempre preferível ao sonho.

 

Há gente que se acomoda a circunstâncias assustadoras, tornando quase naturais condutas e situações estranhas à sua essência original, tudo em nome de uma aceitação social sem valor.

 

A nossa identidade constrói-se pelo que fazemos. Assim, quando nos deixamos prender e arrastar pelas algemas da monotonia, muitos de nós perdem a oportunidade de uma existência plena por não ousarem remar contra as suas próprias marés de costumes e tradições...

 

Repetimos até (o que no início eram) emoções... quando, na verdade, nunca se ama por hábito nem se gosta por tradição. Há tantas pessoas enganadas quanto ao que sentem... convencem-se de que amanhã sentirão o mesmo que ontem... sem que, hoje, precisem de fazer coisa alguma.

 

Iludidos, alimentamos falsas esperanças, sem nos apercebermos que seguimos embalados – a velocidade crescente – rumo a um nada que promete dar-nos a felicidade que não temos...

 

Embalados, como que nos fechamos numa qualquer embalagem, de onde parece impossível sair, porque nos fizemos escravos das nossas próprias fraquezas...

 

Embalados, deixamo-nos adormecer, baloiçando na sensação agradável de voltar sempre aos mesmos sítios...

 

Dizem que nunca se muda para melhor...

 

 

 

(publicado no jornal i - 31 de agosto de 2013)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

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Tempos que não se demoram no ontem

por José Luís Nunes Martins, em 02.09.13

Um simples dia de férias pode durar para sempre na identidade e na memória de alguém. Afinal, é quando nos é dada maior liberdade que aparecemos com mais verdade a nós mesmos e ao mundo. As horas e dias sem grandes obrigações são momentos propícios para que a vida encontre espaços e tempos para nos fazer chegar as suas melhores marcas e ensinamentos.

 

As férias constroem-nos. Sendo igualmente o tempo em que nos revelamos de forma mais autêntica.

 

O que somos hoje funda-se em muitos eventos passados, melhor ou pior recordados... com uma estranha prevalência de acontecimentos em períodos de férias... enfim, não foi na sala de aula que aprendemos que um joelho esfolado pode ser uma tatuagem da felicidade, ou que um simples toque dos nossos lábios nos lábios de alguém pode trazer, de forma milagrosa, tantas e novas cores ao mundo... não terá sido professor algum que nos ensinou que deitar tarde é uma forma subversiva de viver mais, roubando horas aos dias...

 

Hoje, adultos, temos o dever de propiciar e potenciar as férias dos nossos filhos... é importante que percebamos que estes são tempos de exceção... onde da liberdade resultará responsabilidade... tempos em que, com humildade, nos cumpre deixar que os mais novos cresçam... aprendendo a partir de si mesmos.

 

Cuidar da nossa própria vida levará os outros a seguirem-nos nesse gesto de verdade, humildade e dignidade. Educa-se pelo exemplo, não pelo conselho.

 

Quantos pais são capazes de contar aos seus filhos aquelas suas estórias de meninos bem comportados e alegres, sem joelhos esfolados nem lábios beijados... com muitos castigos épicos, suportados sempre com particular heroísmo, por faltas de educação sempre mínimas... será que não se dão conta que estarão a ensinar os seus filhos a mentir?

 

Podemos chamar os nossos filhos hoje mesmo e contar-lhes, atendendo às suas idades, a maior e mais bela série de aventuras e desventuras que conhecemos: as verdadeiras histórias das nossas férias.

 

No nosso país há sol e ar puro, montanhas e mar... há espaço e tempo de sobra para que uma criança faça o seu caminho e nele aprenda a fazer-se feliz. É preciso deixá-la em paz... promover a sua autonomia. Encararmos, todos (a começar por nós mesmos), as dependências como algo mau. Não se trata pois de lhes oferecer banhos em piscinas de cinco estrelas ou brinquedos de alta tecnologia... trata-se, sim, de lhes dar o que de mais valioso há: a vida deles... inserindo-os numa família onde há verdade... onde todos são de carne e osso. Um porto onde serão sempre bem-vindos com todas as suas epopeias, descobrimentos e naufrágios...

 

Os filhos não devem ser nunca a segunda oportunidade para os insucessos dos pais. Acabam sim por replicar, tantas vezes, os (nossos) mesmos erros... talvez porque nunca houve coragem para lhos contarmos enquanto tal.

 

É assim que o verdadeiro amor se materializa... dando espaço, tempo e verdade para que o outro se possa construir... para que se faça feliz.

 

Uma das lições mais importantes dos bons tempos é a de que inevitavelmente chega a hora do adeus, sempre com angústias, sonhos, promessas e certezas... algumas vezes, para nunca mais voltarmos ali; outras, sim, voltaremos, porque afinal as voltas da vida escondem segredos de infinitas surpresas.

 

Obrigado pai por um dia ter tido a coragem de me contar os seus primeiros beijos e amores, obrigado por toda a liberdade e verdade que me ofereceu... obrigado pai por me ter ensinado com a sua vida e morte que amar também é deixar ir... obrigado a si, pai, pelo que sou. A sua neta, sorrindo, segue o caminho dela... também por si.

 

 

 

 

(publicado no jornal i - 24 de agosto de 2013)

 

imagem de José Luís Nunes Martins

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O Cesarismo não é monárquico

por João-Afonso Machado, em 02.09.13

Neste nosso regresso aos dias que são sempre os mesmos, povoados das mesmas novidades, encontramos, muito acima das emanações do Palácio Ratton, o gás sarin e as razias que já causou entre a população síria.

A loucura chegou, entretanto, ao Ocidente. Efeito, também, de alguma arma química desconhecida?

Assim é que o Nobel da Paz, Obama, pretende avançar para a guerra. O socialista Holland outro tanto. E Imprensa e opinião pública comunaram-se em mais uma demonstração de preconceitos e ignorância: a atitude do presidente francês, dizem, evitando consultar o parlamento, é «monárquica»!!!

Assim passando ao lado do ponderado papel do rei da Jordânia neste conflito ou do funcionamento das instituições no Reino Unido, onde a Coroa, obviamente, não consta prejudique o principio da separação dos poderes.

A verdade é que François Holland age (ou pretende agir) como um verdadeiro césar. Como um Júlio, um Augusto ou um qualquer sucessor - Napoleão, Hitler ou Estaline, por exemplo - desses autocratas romanos de antanho. Uma tendência, de resto, vulgaríssima entre o pretensiosismo socialista. Vejam lá o que Soares não seria capaz de fazer - já o é de dizer - se o deixassem...

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