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Casa da Juventude

por João-Afonso Machado, em 27.09.13

Recordo-o um edifício bem proporcionado, revestido a azulejos verdes. No piso de baixo funcionavam o ginásio e os balneários, no cimeiro as salas de aulas. Nunca o frequentei porque, chegada a altura, V. N. de Famalicão dispunha já de liceu e, em família numerosa, o ensino público afigurava-se claramente mais vantajoso...

Era o venerando Colégio Camilo Castelo Branco. Não sobreviveu ao período revolucionário abrilino e naquele casarão instalou, então, o PCP a sua sede. Em Agosto de 1975 um concelho em peso, farto da tirania cunhalista, plantou-se à porta do velho Camilo disposto a salvar a democracia (sim!, isso mesmo, como o Ocidente pluralista a concebia). Houve duas mortes: um rapaz da vila, de não mais de 19 anos, enfermeiro; e um agricultor quarentão, de uma freguesia periférica. Os tiros assassinos foram disparados de dentro da fortaleza comunista e a tropa de Braga estava lá entricheirada, ao que parece vinda para proteger a rapaziada de Esquerda.

Sobreveio o abandono e a ruina, durante décadas.

Ultimamente, foi a sanha reconstrutora em volta daquelas fachadas já podres. E assim nasceu a Casa da Juventude. Ao inaugurá-la a semana passada, o Presidente da Câmara pouco mais disse além disto: «jovens - tomem, é vossa».

«Eleitoralismo» bradarão os oposicionistas. Talvez. Mas quem não faria igual? E quem teria capacidade para chegar lá - à obra, finalmente iniciada e concluida, depois de tanto os anos de sivados e rataria?

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Os inadaptados

por Maria Teixeira Alves, em 27.09.13


A notícia que, no processo de revisão do Código do trabalho, o governo poderá ter de recuar, deixando cair a possibilidade de despedimento por “inadaptação funcional” é algo que deve ser registado.

O memorando de entendimento que o Governo assinou com a troika previa que o despedimento de um trabalhador por inadaptação deixasse de estar dependente da introdução de novas tecnologias ou alterações no posto de trabalho. O Tribunal Constitucional chumbou só agora (porquê só agora?) esta medida. 

Em primeiro lugar é preciso definir o que é um inadaptado. O que é? (Deixo aqui um trailer do filme do Spike Jonze sobre um Inadapatado).  É que não se podem criar palavras ambíguas para justificar despedimentos, neste país onde o mérito não é nada comparado com a vaidade. Num país em que a gestão segue lógicas de poder e projectos pessoais. 

"Em Portugal tem-se uma lógica de que tem se ter poder e influência para gerar riqueza quando devia ser o contrário é gerando valor e criando riqueza que vai ser reconhecido e assim ter influência", disse-me uma vez um amigo meu gestor. As tentativas de saneamento de pessoas que incomodam as estratégias de poder dos chefes não podem ser legitimadas, sobretudo quando está em causa o mérito. O terrorismo profissional não pode ser legitimado. Porque no limite poder-se-ia pôr o caso de um superior hierárquico abusar do seu poder para dar funções inadequadas e depois o trabalhador ser despedido por inadaptação. A flexibilização do despedimento tem de ser acompanhada de legislação que imponha o mérito como critério. Entidades independentes (eventualmente que regulem o contrato colectivo de trabalho) deveriam avaliar o desempenho. Não sei se é possível, mas são pelo menos desejáveis avaliações de desempenho o mais independentes possíveis. 

Mas quanto ao timing desta decisão do Tribunal Constitucional, acho que enfraquecer ainda mais a actuação do Governo perante a troika não nos vai ajudar. Desde que o Vítor Gaspar saiu tudo (ou quase todos) contribui(em) para estragar as relações com a troika, o que nos poderá levar a um segundo resgate. 

Este governo desde a remodelação está mais coeso? Provavelmente. Mas também está mais fraco. A dificuldade de regressar aos mercados de forma consistente é disso um sinal. 

 

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Rui Moreira

por Vasco Lobo Xavier, em 27.09.13

As sondagens são o que são, valem o que valem, mas os resultados atingidos no Porto por diversas empresas são de enorme esperança. De enorme esperança porque revelam que as pessoas já não se deixam levar em cantigas, não acreditam em tudo o que os vendedores de banha da cobra lhes oferecem. E as candidaturas do PSD e do PS ao Porto têm em comum a enorme similitude que se verifica entre Menezes e Seguro: ambos oferecem tudo a todos, este mundo e o outro, isto e o seu contrário, sol na eira e chuva no nabal. Menezes e Seguro devem tomar as pessoas por parvas, mas as gentes do Porto de parvas não têm nada e ninguém com o mínimo de senso pode acreditar nas larachas que eles apregoam diariamente. De resto, todos os portugueses (e não só os portuenses) sentem bem na pele os efeitos do esbanjamento desvairado.

 

A vitória do independente Rui Moreira, a acontecer, como espero, será a vitória dos projectos sérios, realizáveis, verdadeiramente úteis à população e às empresas, que não nos endividem nem aos nossos filhos. E será uma excelente lufada de ar fresco.

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Chove...

por João Távora, em 27.09.13

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Mentiras e arrogâncias

por Maria Teixeira Alves, em 26.09.13

É muito comum quem recorre à mentira para enganar, ser arrogante quando é apanhado. Nunca vi um mentiroso que, uma vez apanhado, baixasse as armas e dissesse, desculpe menti. 

 

José Sócrates mentiu à jornalista Maria Henrique Espada, da revista Sábado, desmentindo categoricamente a notícia de que a sua tese de curso na Science Po era sobre tortura. 

“Não. Peço-lhe aliás que não escreva isso porque estará a enganar os leitores da sua revista e estará a dar-lhes uma informação errada.”, disse o Senhor Ex-Primeiro Ministro (isto pelo menos eu sei que é verdade). 

Tal como revela o blog de Fernando Esteves "Passaram umas semanas e estava a Maria leve e tranquila quando lhe falaram de uma notícia bela e espectacular publicada na edição do Expresso do último sábado: a tese do senhor engenheiro era sobre tortura. Assinada pelo director do jornal, Ricardo Costa, a notícia estava perfeita, com declarações de Sócrates e tudo. Ricardo Costa escreveu a notícia que a Maria gostaria de ter escrito. Não o fez porque o senhor engenheiro mentiu".


A Maria Henrique Espada confrontou o Senhor ex-Primeiro Ministro com o caso:  “Senhor engenheiro, fiquei muito surpreendida pela notícia do Expresso…” E o Senhor ex-Primeiro Ministro respondeu “Não lhe admito isso nem lhe devo explicações. O diálogo continuou até que Sócrates finalmente explicasse que a sua tese não era sobre tortura – era sobre tortura em determinadas circunstâncias. É lá! 

 

O mais grave é pensar que foi este senhor Primeiro Ministro durante duas legislaturas e tanta gente neste mundo jornaleiro o defendeu e foi seu cúmplice. Diz-me com quem andas...



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branco mais branco não há

por Vasco Lobo Xavier, em 26.09.13

Desde a tentativa de fazer crer que Sócrates e os socialistas nada tinham a ver com a bancarrota do país que nunca se tinha visto tamanha campanha de branqueamento, algo que seguramente escapou aos especialistas de marketing da Xau, a tal que supostamente lavava mais branco. Jesus lava mais branco. O Benfica lava muito mais branco.

Os portugueses, pelo menos quatro milhões, viram as imagens nas televisões. Pois Luís Filipe Vieira (de quem se diz fazer parte dos 4, e não dos 6 milhões, ainda que os presida) disse que não viu qualquer agressão. Terá ido, ele sim, ao quarto de banho. Na altura e sempre que as imagens passaram nas televisões, mesmo que gentilmente (e cada vez mais) censuradas. Espero que melhore rapidamente. Vai daí acreditou nas declarações do seu parceiro: não se teria apercebido ele de que lutava violentamente com polícias, pensando que eram meros seguranças (sem perceberem ambos a gravidade de tal afirmação).

 

Murros na cara dos polícias, catanadas violentas nos braços dos agentes das autoridades, tentando impedir uma detenção legítima pelas forças policiais, algo que com qualquer outra pessoa neste país implicaria o direito constitucional de apanhar umas valentes bastonadas dos agentes da autoridade e a oferta de uma dormida grátis numa cela prisional com o seu Djalmão como terapia, para ver se lhe passava o nervoso miudinho de querer salvar aquele miúdo nervoso que tinha invadido o campo desportivo. Todos vimos, menos o personagem principal e o seu presidente. E os seis milhões.

Disse ainda o homem que apenas pretendia «serenar os ânimos», no que podemos acreditar piamente vendo as imagens da televisão: não há nada melhor para serenar os ânimos do que desferir uma carga de porrada no próximo. Muitos cônjuges dizem que, depois, ele/ela acalma-se e fica tudo bem. Partir serviços de louça oferecidos pela sogra também é muito recomendado. Eu próprio já fiz em migalhas um comando de televisão, pouco antes do Kelvin ter marcado, mas ainda hoje choro não poder ter visto logo as repetições. Mais tarde saciei-me, é certo, vendo e revendo o ajoelhado ao som de um estádio imenso a gritar “Portôooo!”.

 

O Presidente da agremiação veio entretanto acrescentar que os polícias se excederam, que aquilo era uma invasão pacífica, queixando-se até que o seu treinador perdeu a voz e o relógio. Julgo que pretende a realização de um pequeno inquérito individual prévio a qualquer invasão de campo: “o senhor adepto vai invadir o campo pacificamente ou é para arranjar confusão?” seria talvez a pergunta indicada e as invasões seriam mais ordeiras.

No meio desta novela apareceu (aparece sempre) um idiota útil que se queixa de uma suposta agressão, que ninguém ao lado, atrás ou à frente viu ou assistiu (nem mesmo quem o convidou para o camarote do Estoril), apenas para afastar as atenções e criar ruído. Não percebi se se queixa de o terem chamado de “meiínhas de lã” ou de lhe puxaram os cabelos, talvez um piparote na orelha esquerda, mas a alegada agressão não foi seguramente o suposto murro de que se queixa, pois da pessoa em causa teria ido parar à bancada oposta do recinto, não tenho a menor dúvida. Certo é que um pequeno arrufo num camarote dificilmente é comparável com a batalha campal que vimos na televisão com o treinador de que falava.

 

Vejo no Correio da Manhã que Cardozo se disponibiliza para defender Jesus. É justo. Pois se tentaram defender que Cardozo nunca agrediu Jesus, aquando do Guimarães, não obstante as imagens e a realidade, Cardozo está perfeitamente à vontade para jurar que Jesus nunca agrediu os polícias, em Guimarães, não obstante as imagens e a realidade. Se comeram da primeira vez, por que não irão comer da segunda? Ou terceira, quase que me esquecia da festinha de Luisão ao árbitro... Julgo que teremos de ir todos ao oftalmologista e esquecer de uma vez por todas que o céu é azul: é vermelho! Nós é que não vemos bem a coisa…

 

Mais grave é o que vi no jornal Público. Tem na página 47 do dia 25 de Setembro todo o espaço destinado a defender a posição avermelhada. Em caixa larga, vai também a posição do Provedor da Ética do Desporto (juro!), Manuel Sérgio. Terá dito esse iluminado à Rádio Renascença, dizendo-se “amigo assumido do treinador do Benfica”, com quem já teria trabalhado no «gabinete de inteligência competitiva [sic] no clube da Luz”, que “como amigo” não se devia calar e que a situação não tinha relevância penal (que sabe ele?!?). Jesus era “quixotescamente generoso”… Pois será. Inventará moínhos e porá milhões a sonhar irrealidades e conquistas fantasiosas: o problema é saber se isso lhe permitirá violar a lei e agredir as forças policiais, que não são criações de Cervantes, antes pessoas  que nos devem proteger dos arruaceiros.

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Eternidade

por João Távora, em 26.09.13

Juntar as pontas do tempo integrando as suas infindáveis (pequenas) histórias, é o que nesta vida mais nos aproxima da eternidade.

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On the road

por João-Afonso Machado, em 25.09.13

Onde era suposta a temática autárquica, surge o despique partidário em torno da politica governamental. A «caravana», correndo o País de lés a lés, não se cala. Espicaçada por quem já se esperava - a Esquerda m-l - mas, também por um espírito em pânico, uma expressão alterada, um destino adivinhado pelo próprio: António José Seguro. Lamentavelmente com Passos Coelho respondendo-lhe taco a taco.

Seguro já percebeu que não sobreviverá às Autárquicas. O que, aliás, se lhe lê na cara, desta feita já não a penteadissima postura de um falante que nunca foi mais senão um partidocrata de carreira.

Assim o ouvimos em pleno Alentejo bradando como se só agora houvesse deixado o Interior e lhe conhecesse o miolo e as feridas. O ridículo campeia já, impunemente.

Porque a vitória de António Costa em Lisboa não oferece quaisquer dúvidas, o candidato até parece sê-lo dos pés à cabeça. Nada a apontar senão aquele bocadinho de verdade a não vir à tona: a partir de 2015 a Câmara da Capital será presidida por outrém. Tão certo como o esquecimento com que Costa contempla o inconsolável Seguro.

 

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Revisionismo Jurídico:

por Vasco Lobo Xavier, em 25.09.13

 

 

A doutrina e a jurisprudência portuguesas vão ter uma trabalheira enorme se efectivamente quiserem defender que dar violentas cacetadas nos braços de polícias, devidamente identificados como tais, que tentam deter invasores de um recinto desportivo, para assim tentar permitir a fuga desses criminosos, não consubstancia a prática de qualquer crime. Estou curiosíssimo.

 

  

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Top of the pops

por João Távora, em 25.09.13

And you've got to fight to make what's right

you've got to fight to keep your legendary love

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Revisionismo Bíblico II

por Vasco Lobo Xavier, em 25.09.13

 

 

“Soltem Jesus!” – clamavam raivosos os apoiantes de Barrabás.

 

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Revisionismo Bíblico:

por Vasco Lobo Xavier, em 25.09.13

 

“Batei e abrir-se-vos-á” – disse Jesus aos criminosos detidos pela guarda.

 

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Eu não voto no Flávio mas gostava...

por João Távora, em 25.09.13

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Leituras

por Vasco Mina, em 25.09.13

Evangelho segundo S. Lucas 8,19-21.

Naquele tempo, vieram ter com Jesus sua mãe e seus irmãos, mas não podiam aproximar-se por causa da multidão.
Anunciaram-lhe: «Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem ver-te.»
Mas Ele respondeu-lhes: «Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.»

 

Era esta a leitura da Igreja do dia de ontem. A primeira reacção, mais “à flor da pele”, deixa-nos com uma sensação de frieza por parte de Cristo em relação à sua família e, em concreto, à sua mãe. Parece até que as relações familiares estarão em segundo plano ou mesmo não contam para Ele. Mas não, o que Jesus quer é dar relevância àquilo que é essência da Vida: a escuta da Palavra do Pai e a vivência quotidiana desta Mensagem. Cristo não rejeita a sua  família de sangue mas considera que esta faz parte da Grande Família dos que seguem ao Deus. Há dias o Papa Francisco deu uma entrevista que centra, em sua opinião, aquilo que é verdadeiramente importante: “O anúncio de carácter missionário concentra-se no essencial, no necessário, que é também aquilo que mais apaixona e atrai, aquilo que faz arder o coração, como aos discípulos de Emaús. Devemos, pois, encontrar um novo equilíbrio; de outro modo, mesmo o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder a frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda, irradiante. É desta proposta que vêm depois as consequências morais”. Muitos leram esta entrevista como sendo o início de uma nova abordagem da Igreja quanto a certos temas como o aborto e a homossexualidade. Outros reservaram-se em comentários. A minha leitura das palavras do Papa é que pretende dar relevância, na nossa atitude missionária quotidiana, ao Amor, ao acolhimento do próximo, ao tratamento das feridas (que bela imagem a de uma Igreja como Hospital de Campanha). Para o Papa vem primeiro o anúncio da salvação e só depois a catequese:  “o anúncio do amor salvífico de Deus precede a obrigação moral e religiosa”. O Papa em nada vem alterar a Catequese da Igreja mas apenas e tão só chamar a atenção para aquilo que é a atitude primeira de quem quer seguir a Deus. É um recado para os crentes e os não crentes. Não vale a pena inventar ou especular!

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Isto anda tudo ligado

por João Távora, em 24.09.13

 

"I'll Say she Does" pelo All Star Trio gravado em 1919 para a Victor HMV é um primitivo Foxtrot, uma música de dança popularizada depois da I Guerra Mundial e com o seu auge na louca década de 1930 quando era tocada pelas célebres “big bands”. É curioso como as editoras discográficas rotularam os primeiros discos de “rock and roll” como sendo Foxtrot, um ritmo inicialmente mal recebido na Europa, onde foi visto como uma perniciosa “americanada”.

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O tempo não espera por nós

por Vasco M. Rosa, em 24.09.13

A morte de António Ramos Rosa — que além dum poeta foi um ser integralmente poético — deveria chamar a nossa atenção para um problema crucial: o da edição de qualidade das obras dos mais relevantes escritores do século XX, que está muito longe de ser satisfatória. (Os editores portugueses mais capazes dedicam-se à literatura estrangeira.) O cânone — se a palavra melindra alguns, que se lixem, pois, pum pim basta etc!

Isso exige um debate, mas um debate qualificado com protagonistas editoriais também qualificados, e que de ARR — cuja obra errática está à deriva há anos, sem que ninguém levante o braço — se estenda a todos os outros que continuam ao deus-dará, diante da indiferença das editoras, dos leitores, das universidades e dos ministros e secretários de estado. Mapear as injustiças, as carências, reavaliar talentos, sacudir as tutelas políticas ancestrais (sim!!), exibir em livros baratos, cuidados e acessíveis a obra dos grandes, exige uma atenção que não pode esperar mais, sob pena de que, a cada um que se vai, um degrau adicional nos aproxime do abismo, o abismo da desintegração.

 

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Futurologia

por João Távora, em 23.09.13

A cada momento todos nós somos chamados a prever o futuro com relativo sucesso - guiar um automóvel é desse exercício um bom exemplo. A dificuldade de antecipação dispara na proporção do alargamento do espaço e do período de tempo em equação (segundos, minutos?) com a consequente desmultiplicação de variáveis que temos de considerar


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Convite

por José Luís Nunes Martins, em 23.09.13

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A Verdade e as mentiras

por José Luís Nunes Martins, em 23.09.13

Enganar o outro é uma das piores coisas que podemos fazer a nós mesmos. Desrespeitamos a nossa capacidade de compreender, aceitar e criar o mundo em que nos é dado viver e ser felizes.

 

Umas vezes por preguiça de pensar, outras por falta de capacidade de compreender que o outro é também um eu, nunca perfeito, que precisa de amar mais do que de ser impressionado, mentimos, tantas vezes, para tentar criar com a linguagem o que custa criar com as mãos... fingimos, e é assim, com a falsidade, que nos fazemos fracos e nos condenamos ao fracasso. Não acreditamos que a mentira pode ser uma promessa, um plano simples para que amanhã seja verdade. Muitos são os que sentenciam os seus sonhos como impossíveis, a fim de não ter de lutar para os erguer da almofada onde jazem.

 

A verdade é única e crua, as mentiras são sempre múltiplas e bem parecidas.

 

A verdade é o caminho. Ser feliz passa por nos descobrirmos, ir encontrando a coerência profunda da nossa existência. A verdade é a essência da vida. Cada um de nós é chamado a criar no mundo, não a sua verdade, mas a verdade que há dentro de nós. A essência.

 

A mentira é sempre digna de perdão. Sempre. Ninguém quer ser infeliz. A culpa da mentira passa por uma espécie de inclinação natural que limita o entendimento do bem. Mentir é errado e moralmente condenável. Não perdoar uma mentira também. Não há ninguém que não seja digno do nosso amor. Ninguém. O amor é para quem precisa e quer, não para quem merece.

 

Nem a contradição é marca de falsidade nem a coerência é sinal de verdade. O futuro está aberto e faz parte da verdade. A verdade está viva. Faz-se. Ainda não acabou.

 

Neste mundo, há pouco de absoluto: não há o livro, mas vários, não há a música, mas várias, não há a beleza, mas migalhas dela... o tempo promove aproximações sucessivas a quem sabe esperar, a quem já compreendeu que se pode desenhar uma circunferência com linhas retas. Como se a vida fosse um infinito número de caminhos por onde se pode, a pouco e pouco e em cada um, ir admirando mais e mais detalhes de cada contorno da verdade.

 

A verdade é um compromisso que resulta da perfeição da postura interior de alguém que se decide pelo bem. As mentiras são imposturas.

 

Nenhum homem pode ser quem é longe da verdade. Devemos assumir o nosso passado tal como foi, os nossos pensamentos e sentimentos, declarar com sinceridade tudo quanto queremos... estes gestos da verdade são simples e iluminam-se uns aos outros.

 

A humildade e a inteligência aconselham a que não tomemos as nossas convicções por verdade. Enganamo-nos menos se soubermos que, por vezes, estamos errados. É preciso aprender a resistir aos primeiros impulsos de julgar, sabendo que a verdade é muito mais que uma ausência de mentira e que há sempre, para o melhor e para o pior, alguma verdade nas mentiras...

 

O silêncio é a expressão sublime da verdade.

 

A verdade é amor e cabe toda dentro de um olhar... nos olhos de quem está disposto a dar à sua vida um sentido pleno.

 

Ser autêntico é ser verdade, celebrar o dom da vida... em cada pensamento, palavra e gesto.

 

A verdade revela-se no tempo, através do amor em nós.

 

 

 

 

(publicado no jornal i - 21 de setembro de 2013)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

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Em brasa

por Vasco M. Rosa, em 23.09.13

Talvez por pudor eleitoral-político António Costa e José Sá Fernandes (esse que faz falta mas agora fica em plano recuado e discreto nos outdoors eleitorais) não foram às festas de abertura de grandes lojas na Avenida dos Ricos, que outrora se chamou da Liberdade, mesmo quando não a havia.

Não foram eles, mas foram outras figuras que à sua maneira fazem parte do entourage autárquico, até pelas facilidades que sempre alcançam quando se trata disso. Um mundo todo de esquerda mas que não cede ao glamour das grandes marcas internacionais, até porque as preocupações sociais são quase um soutien que se deixa no armário quando a máscara também cai.

Uma festa é uma festa e todas são boas, mas quando uma cidade e um país se racham entre ricos e pobres, aquelas pessoas que ainda nadam numa cultura de esquerda por inércia da maré na qual cresceram, faziam melhor em dizer de caras aquilo que fazem mais do que aquilo que pensam ou julgam pensar.

O pudor da não ostentação é uma virtude e uma maturidade, e que maturidade, afinal!...

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