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Adriana Lima daqui

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Não, não é uma questão cromática

por João Távora, em 21.06.13

 

As avenidas e praças do mundo podem encher-se de protestos contra o inimigo, contra o sistema, contra o governo, contra os partidos do governo, contra os gastos e contra os cortes, mas nunca contra a Esquerda. O ambiente de intolerância, o ódio e o medo (sim, o medo do Daniel Oliveira) são instrumentos legítimos, mas nunca contra Esquerda. Só se começa a sentir apreensão e ouvir vozes indignadas, não quando os manifestantes incendeiam bancos ou multinacionais (destroem emprego), não quando vandalizam monumentos ou vilipendiam símbolos ou instituições, mas quando o povo “contra os partidos” queima bandeiras… vermelhas. Isso nunca, toca a rebate, que a democracia está ameaçada. A da esquerda, que é a que importa. Sim, eu conheço muito bem este filme. 

 

Imagem e notícia daqui

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Coisas que um dia escrevi

por Maria Teixeira Alves, em 20.06.13

 

«Um dia, lá para os inícios da década de 90, António Champalimaud convidou-o para Administrador da Mundial Confiança, no dia a seguir à privatização da seguradora, e Carlos Santos Ferreira apressou-se a anunciar que era socialista, filiado no PS desde Maio de 1974. O industrial, ícone do capitalismo do Estado Novo, respondeu-lhe "e o Senhor Doutor acha que eu nunca tive gente do Reviralho a trabalhar para mim? Pergunte aos seus camaradas Zenha e Palma Carlos".»

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Títulos que não passam despercebidos

por Maria Teixeira Alves, em 20.06.13

Seguro foi à Sicasal ver salsichas e chouriços para mostrar a capacidade dos empresários

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A esperança é a última a morrer

por João Távora, em 19.06.13

É sempre com alguma estranheza que constato que a maioria dos católicos parece preferir viver distante da acção política. Apesar disso, não deixam de se alvoraçar com algumas decisões tomadas - cada vez mais distantes dos seus valores. Assim se vão entrincheirando, desistentes, justificando a rendição com a impotência de cada um para debelar as mais fantásticas teorias da conspiração e todo um cardápio de obscuros adamastores inexpugnáveis. 
Se é certo que os católicos nos dias de hoje já não possuem a representatividade de outrora, parece-me que em Portugal constituem ainda uma força social significativa, provavelmente mais informada e convicta do que noutras eras. Para mais, acredito que o sentido filosófico e existencial que representam constitui uma referência decisiva, e necessária, na sociedade actual, crescentemente enleada em tão profunda crise. 
É nesse sentido que interpreto a exortação do Papa Francisco aos cristãos para que se envolvam na política, considerando-a uma forma de caridade. De facto, talvez o pouco empenho dos cristãos contribua decisivamente para a má reputação das organizações políticas. "É muito fácil culpar os outros", referiu.
É inspirado por este sentido de serviço que estou envolvido na vida política, no caso, partidária, tentando, com o meu modesto contributo reconhecer-me um pouco mais no País a que pertenço e de que me sinto parte. E no próximo congresso do CDS defender uma Moção que com orgulho sou subscritor. Porque a esperança é a última a morrer.

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Outro quindim da greve dos profs.

por João-Afonso Machado, em 19.06.13

Aos 15 anos já pensava pela sua cabeça, em regra, aliás, não muito condizentemente com modas e movimentações de massas. Militava na Juventude Monárquica Revolucionária e prezava muito a sua liberdade. Como ainda hoje em que profissionalmente conjuga a lavoura e a docência no Ensino Secundário.

Por razões que são as dele - e um ou outro excêntrico consideram valer tanto como as das demais pessoas - resolveu não aderir a esta última greve que espalhafatosamente caiu em cima da data dos exames. Vai daí, comunicou aos seus colegas a sua decisão e apresentou-se a serviço, na vigilância das provas.

Da reacção dos colegas: a reprovação e o insulto. Mesmo por parte daqueles com quem sempre mantivera cordiais relações.

Dos acontecimentos do dia: a meio da manhã veio cá fora fumar o seu cigarro. De imediato se viu rodeado por outros professores e por mais achincalhos, ameaças e - curioso!... - variadas fotografias tiradas com telemóveis. Ainda assim aproximou-se deles, procurou o diálogo, conhecia-os todos e o grupo não era enorme (os restantes grevistas deviam ter aproveitado para tratar de assuntos pessoais...). Conversa fria, distante, de muito pouco companheirismo. Foi quando um prof. de Educação Fisica se dirigiu a ele em claros propósitos de agressão. Outros, mais sensatos, impediram chegassem a vias de facto.

Da necessária conclusão: a greve não é um direito, antes um dever. O dever de, pelo menos, contribuir para a estatística dos sindicatos. A Constituição ou foi escrita ou está a ser lida ao contrário.

Leva quem não greva? Será assim?

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Ainda a greve dos professores

por João-Afonso Machado, em 18.06.13

A conversa estava interessantíssima, nos intervalos em que elas, ambas professoras, não discorriam sobre a maçada da carga horária e da reforma e das avaliações e das suas regalias. A conversa - a verdadeira conversa - centrava-se mais na excitação de ir a Lisboa, nesse dia de passeio, com viagem ainda por cima de borla. É claro, não estava em causa a perfidia do ministro. Mas o que as levava à Capital era, entusiasmadamente, as montras, a companhia, o fim-de-semana fora da norma. E a televisão, a t-shirt, o carnaval na Avenida da Liberdade. Por isso mesmo, o grande chefe Mário Nogueira foi jamais chamado à colação. Ele ou os sindicatos ou mesmo o ministro, pelo menos em assanhadas palavras contra a sua alegada prepotência.

Partiram cá de cima e levaram farnel. No dia seguinte contaram tudo: tinha sido um forrobodó.

Aliás, com tradições. Como bem explicava aqueloutro professor, a meio caminho entre a escola básica e o seminário - porventura um mestre de Religião e Moral, um homem desconhecedor da mentira - já tinham entalado este e mais este ministro (e nomeava-os todos, desde Guterres para cá) pelo que também Crato cairia aos pés dos docentes portugueses. Era só mais um...

Bem vistas as coisas, Portugal só tem um problema - é não ter safa alguma...

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quem se preocupa com os alunos?

por Vasco Lobo Xavier, em 18.06.13

 

Falhada a sua greve, uma vez que mais de ¾ dos alunos conseguiram fazer os exames, vêm alguns professores e os sindicatos insurgirem-se contra a falta de equidade que eles próprios promoveram. Alguns falam até em anular os exames aos 76% de alunos que os conseguiram fazer, prejudicando-os uma vez mais. Ou anular todos. Não sei bem o que é a equidade (por exemplo, o Estado devolverá às famílias os pagamentos por estas efectuados no ensino privado?) mas sei que a ideia é um absurdo tremendo: bastaria então, no futuro, que a greve dos professores aos exames se restringisse a Cuba, Grândola ou Setúbal para que todos os alunos de todo o país se vissem prejudicados.

 

Os exames encontravam-se marcados e os sindicalistas resolveram fazer greve para esse dia. É uma decisão dos sindicalistas. Eles é que quiseram fazer a greve, eles é que quiseram prejudicar os alunos, eles é que quiseram usar os alunos como arma para defender os seus (dos professores) interesses. Não percebo, por isso, que chamem “teimoso” ao Ministro. Deveria ele mudar a data dos exames, alterar a vida e os planos dos alunos por causa dos desejos dos sindicalistas? – nunca mais se conseguiria fazer qualquer exame no país.

 

Mas, pergunto, os sindicalistas não foram teimosos? Não poderiam ter desmarcado a greve à última? Ou mantê-la, mas assegurando que os alunos não seriam prejudicados e que fariam os exames? Os apoiantes da greve dos professores aos exames não percebem a singularidade desta greve, mas é tão simples de explicar que me vou socorrer das observações de dois rapazes que ontem estavam no noticiário da RTP. Diziam eles que esta greve não é comparável a uma greve dos transportes, ou outra do género, em que as pessoas não conseguem chegar ao trabalho ou chegam mais tarde, um dia ou uma semana ou o que for. É uma greve a um momento singular, quase único, e importantíssimo na vida dos alunos, que pode definir a sua vida futura. Um professor que não percebe esta evidência cristalina não merece ser tratado de professor.

 

E um sindicato de professores que não percebe isto não merece ser assim chamado. Que este sindicato se está nas tintas para os alunos (e, consequentemente, para a qualidade do ensino) é evidenciado pela forma como celebrou o dia de ontem. O sindicato pôs a tónica na percentagem de professores que fizeram greve. Já o Ministério da Educação sublinhou antes a percentagem de alunos que conseguiram fazer exames. Isto evidencia quem se preocupa com quê e quem se preocupa com quem.

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A Fenprof é uma espécie de Cuba

por Maria Teixeira Alves, em 18.06.13

Henrique Raposo, na sua crónica no Expresso, traz à ribalta informação pouco divulgada. Quem é Mário Nogueira que tem o estatuto de professor há 32 anos, mas não dá aulas há 22 anos, porque há mais de duas décadas que é líder da Fenprof? "Mário Nogueira é o verdadeiro ministro da educação. A cadeira do ministério vai mudando de dono, mas Mário Nogueira está lá sempre. Os governos sucedem-se, mas a Fenprof está lá sempre. E, com menor ou maior intensidade, as políticas educativas são determinadas pela Fenprof e não pelos governos democraticamente eleitos."


Há décadas à frente da Frenprof, Mário Nogueira, é tão imutável quanto o seu bigode revolucionário, anacrónico. Na prática é um  daqueles defensores da democracia que se mantém numa cadeira de poder há mais de duas décadas. Um paradoxo! Nunca é questionado, nunca é posto em causa. Bem conclui Henrique Raposo: 

Quem é Mário Nogueira? Um dos inimputáveis do regime.

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Um debate muito pertinente

por João Távora, em 18.06.13

 

Quem defende os valores da direita quando a direita está no poder?

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O mundo em rebelião

por Maria Teixeira Alves, em 18.06.13

 

De repente a febre das manifestações chegou ao país que nos últimos anos era citado internacionalmente pelo seu sucesso económico. O processo é o mesmo da Turquia. Um pretexto e a partir daí a febre das rebeliões. Se na Turquia tudo começou com a intenção do Primeiro- Ministro, Erdogan, construir um centro comercial no Parque Gezi, no centro de Istambul, o que motivou a mobilização de vários sectores da sociedade turca, no Brasil o gatilho foi o aumento da tarifa do transporte público para 20 Reais que levou a uma avalanche de manifestações em quase todas as capitais estaduais e na capital federal do Brasil. 

Os brasileiros não têm ideologia política, então porque é que há manifestações e centenas de milhares de pessoas nas ruas e os protestos estão a replicar-se? Os brasileiros são dos povos mais unidos do mundo, e protestam com a mesma adesão e união com que torcem pela equipe de futebol na copa do mundo. Disso não há qualquer dúvida. Mas o preço dos transportes é apenas um gatilho. Na realidade a revolta dos filhos da cidade maravilhosa é contra tudo: Políticos, corrupção, educação, serviços, impostos, copa do mundo e olimpíadas. Hoje a luta é contra o PT (nunca o clientelismo e a corrupção foram tão fortes e tão à descarada, diz quem vive no Brasil). A Dilma é, como se esperava, a face negra do partido do Lula. Na política brasileira não há ideologia. Há os corruptos e os não corruptos. 

Hoje há um sentimento de frustração nos brasileiros, apesar de toda a pujança económica que vive o Brasil. É que o custo de vida no Brasil é dos mais elevados do mundo. 

No entanto quando se olha para o Brasil verifica-se que hoje os brasileiros têm um nível de vida muito superior do que há 10 anos. Todos os dias há brasileiros a passar para a classe média à conta do crescimento do crédito. Então porquê tanto descontentamento? A chamada nova classe média quer mais. Os pobres que passaram a ter uma vida melhor estão conscientes de ter dado um salto qualitativo na esfera do consumo e agora "querem mais". 

 

E na Turquia? Porque estão os turcos em rebelião há duas semanas? Porque há sinais de uma vaga de neo-otomanismo na Turquia (tentativa de islamizar a sociedade laica turca), de que faz parte um plano de construção de edifícios de grande envergadura.

 

Um pouco por todo o lado, a revolta é o grito das sociedades à beira da ruptura e da construção de uma nova ordem. Qual é ela?

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O dom de deixar ir

por José Luís Nunes Martins, em 17.06.13

É preciso aprender a viver. A qualidade da nossa existência depende de um equilíbrio fundamental na nossa relação com o mundo: apego e desapego. Nesta vida, a ponderação, a proporção e a subtileza são sempre melhores que qualquer arrebatamento. Mas o essencial é aprender que a existência é feita de dádivas e perdas.

 

Eis porque quem reza deve pedir e agradecer: tudo é, na verdade, um dom. Tudo passa... importa pois prepararmo-nos para a perda, ainda que tantas vezes não seja senão temporária... Alegrias e dores. Só há felicidade num coração onde habita a sabedoria e paciência dos tempos e dos momentos, a paz de quem sabe que são muitos os porquês e para quês que ultrapassam a capacidade humana de compreender.

 

Na vida, tudo se recebe e tudo se perde.

 

Amar é um apego natural mas também obriga a que deixemos o outro ser quem é, abrindo mão e permitindo-lhe que parta, ou que fique, sem desejar outra coisa senão que seja radicalmente livre. Aprendendo que há muito mais valor no ato de quem decide ficar do que naquele de quem só está por não poder partir.

 

Nada verdadeiramente nos pertence. O sublime do amor está aí, na inteira liberdade que não pode ser condicionada por nenhuma outra força que não a vontade própria. Todo o amor é absolutamente livre. E assim é do primeiro ao último instante. Uma fidelidade que se esgotou no conforto de um hábito deixou de ser uma virtude admirável para ser um vício estranho ao amor. Amar pressupõe uma radical liberdade do espírito, da mente e do corpo, bem como uma via a direito entre a cabeça e o coração... numa vida decidida a fazer um caminho de compromisso com a liberdade de criação de si mesmo.

 

Vivemos porque Alguém nos ama e de nós abriu mão, dando-nos o melhor de Si: a liberdade para a criação, também de nós mesmos através dos nossos atos! Qualquer pai percebe que há um momento em que é tempo de ver o seu filho partir... e porque os arcos não seguem as flechas, fica... para que o filho possa melhor ser quem é.

 

Quase tudo neste mundo é impermanente. Nada nos pertence porque não somos daqui.

 

Quem não sabe viver, adia o instante e perde esse dom. Nesta vida, adiar é perder. Aqui e agora temos o dever de pedir e de agradecer, também o de abraçar e o de deixar ir... o de aprender a viver nesta tempestade de razões e emoções.

 

Dar é viver e reter é morrer. Mas nem todos são capazes de viver de forma plena, porque muitos são os que não compreendem que a vida se vive em marés de apego e desapego. Mantendo os braços bem abertos... para abraçar, mas também para deixar ir... como se o peito fosse uma janela... por onde importa que a luz, o ar e os outros encontrem caminho...  

 

Viver é apenas amar muito.

 

Amar significa que a cada novo dia renovemos de forma consciente, o nosso caminho, o nosso ser. A beleza maior de um casamento é que ele se faz de dias e noites em que sucessivamente se elege a mesma pessoa.

 

Nascemos e morremos sós, por mais que duas pessoas se amem nunca deixam de ser duas vidas, duas vontades – num amor só. Mas como os pilares de um templo, nunca excessivamente próximo pois que é pelo espaço que houver entre eles que crescerá o amor que os une.

 

Ser é amar, numa entrega que implica abdicar de muito mais do que dos nossos bens. Significa acreditar na vida ao ponto de aceitar que sempre teremos o que precisamos. Numa lógica de dar e receber que nos ultrapassa a compreensão.

 

Entretanto, ajudará aprender a agarrar o essencial e a largar o resto...

 

 

 

(publicado no jornal i - 15 de junho de 2013)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

 

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Isto é uma aberração, o mundo ao contrário, a inversão dos valores e a negação dos professores. Confesso que estava convencido de que em Portugal e no ensino público existiriam professores sérios e dedicados aos seus alunos em número suficiente para que estes pudessem fazer os seus exames sem sobressalto. Parece que não foi assim. Embora a grande maioria dos alunos tenha conseguido realizar os seus exames, basta-me que um não o tenha conseguido para ficar triste por ele e desanimado com isto.

Mas poderia ser diferente? Esta súcia que se diz defensora do ensino público de qualidade, esta cambada que se supunha dever ensinar e apoiar os estudantes não só lhes dificulta a vida como se manifesta com grandes cartazes pedindo “DEIXEM-NOS SER PROFESSORES! PORRA!”

Isto não é ser professor, é ser arruaceiro, malcriado, grosseirão, incivilizado e um péssimo exemplo para os jovens. Mas um extraordinário exemplo negativo do que pulula por certos sectores do ensino público. Ensino de qualidade?!?... Não seguramente com este tipo de professores, que usufruem de condições muito melhores e mais seguras do que os professores do ensino privado, que não se lembram de por isso prejudicar os seus alunos.

 

Deve contudo salientar-se que na grande maioria das escolas os alunos puderam fazer os seus exames. Destaco a escola Infanta D. Maria, em Coimbra. Fizeram-se os exames como se nada de anormal se passasse. Tem professores de qualidade, e certamente por isso aparece regularmente nos primeiros lugares das avaliações que anualmente se realizam. Não é seguramente por sorte nem por acaso, é pelo esforço dos seus professores, a quem não passaria pela cabeça passear semelhante faixa pelas ruas ou prejudicar os seus alunos.

 

Exige-se num futuro breve um estudo sério e rigoroso que compare as classificações das escolas com os resultados desta greve. Estou convencido de que os resultados serão claros: nas melhores escolas do ranking encontrar-se-ão seguramente os alunos que não terão tido hoje quaisquer problemas para fazer os seus exames. Por que é que essas escolas são as melhores? – porque têm professores de qualidade, professores que preferem servir os alunos do que servir-se deles.

 

 

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"Vivemos tempos interessantes - tempos interessantes são sempre tempos enigmáticos que não prometem descanso, nem prosperidade, continuidade nem segurança." 


Paul Valery, Paris, 13 de Julho de 1932

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Da greve dos professores

por João Távora, em 16.06.13

Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe de medíocres reivindicam o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso são os professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e esforço individual.
Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do País que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. (…) Se alguém conhece uma alternativa mágica em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6,7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga.


Miguel Sousa tavares, Expresso 15 Junho 2013



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Domingo

por João Távora, em 16.06.13

Evangelho segundo São Lucas


Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade – ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-Lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre». Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?». Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem». E voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem, que até perdoa os pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz». Depois disso, Jesus ia caminhando por cidades e aldeias, a pregar e a anunciar a Boa Nova do reino de Deus. Acompan¬havam-n’O os Doze, bem como algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demó¬nios, Joana, mulher de Cusa, administrador de Herodes, Susana e muitas outras, que serviam Jesus com os seus bens.

 

Da Bíblia Sagrada

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Se a Esquerda não existe?

por João-Afonso Machado, em 16.06.13

No prefácio ao seu O Antigo Regime e a Revolução, escreveu Alexis de Tocqueville «os franceses fizeram em 1789 o maior esforço jamais efectuado por qualquer povo, para, por assim dizer, cortar o seu destino em dois e separar por um abismo aquilo que haviam sido até então daquilo que queriam ser no futuro. Neste sentido, tomaram toda a espécie de precauções para não levarem para a sua nova condição fosse o que fosse do passado; impuseram-se toda a espécie de constrangimentos para se moldarem de modo diferente do de seus pais; nada esqueceram para se tornarem irreconhecíveis».

Será de acrescentar - a tal ponto que, alguns anos volvidos, marchavam atrás de Napoleão numa das maiores sanhas imperialistas de toda a História Universal... E as movimentações bolcheviques de 1917 limitaram-se a repetir o fadário em relação ao qual só com a queda do Muro de Berlim pudemos respirar fundo, enfim.

A Esquerda voltou então - agora - à formulação libertária, mais do que à igualitária. Mas sempre massificante - o barulho é o seu oxigénio. E entre as propostas extremistas de Jerónimo e o discurso despudorado de Sócrates - únicamente se dirá que a Esquerda mostra bem o que é em momentos televisivos como o de logo à noite (RTP1), "antes e depois do adeus"...

Porque, em boa verdade, a Esquerda não sabe, e nunca soube, exactamente o que quer. Apenas invectiva o que não quer - os modelos societários tradicionais (sejam eles asiaticos, europeus, africanos...) cuja evolução seria recomendável decorresse da interligação entre a ciência e a reflexão sobre a essência humana. Onde a revolução pretendeu atingir a organização económica visa hoje destruir os alicerces sociais das comunidades. Ei-la, umas décadas depois dos obsessivos "planos quinquenais", na linha da frente do combate pela legalização do aborto e do consumo do haxixe...

A interessante crónica de José António Saraiva ("A esquerda não existe") na última edição do Sol talvez peque assim por alguma imprecisão. É que se dificilmente a Esquerda se poderá unir em torno de um programa comum, isso significa apenas que a Direita, imensamente mais progressiva, não padece de tais problemas dado as suas franjas mais extremistas - pelo menos cá em Portugal - há muito terem desaparecido do mapa político.

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O lobby da sardinha assada soma e segue

por João Távora, em 15.06.13

 

Depois de atingir o preço de 2,00 por unidade num qualquer arraial de Alfama, segundo o Expresso, como ícones de Lisboa as sardinhas remeteram os corvos para a heráldica oficial. Não digam nada ao António Costa para ele não ter ideias.

 

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Todos acabamos por ser vítimas de estereótipos

por Maria Teixeira Alves, em 14.06.13

Diz a Anabela Mota Ribeiro à Agustina Bessa Luís:

As Górgonas são figuras mitológicas, terríveis, com serpentes enredadas na cabeleira. Talvez tenha feito esta associação por causa da imagem diabólica e perversa que se tem de si. Uma imagem já mitificada.


E responde a Agustina: 

E muito errada! Não tem nada que ver. Mas claro, quando queremos identificar uma pessoa, difícil de detalhar e compreender, a melhor maneira é encontrar uma definição que simplifique as coisas. Começou há muito tempo... Primeiro, era «Barroca», definição do Óscar Lopes, mais literária. A certa altura passou a achar-se que eu era perversa. Tornou-se muito fácil, e sobretudo entre as mulheres a coisa circulou. As pessoas dadas ao epigrama, aos aforismos, que não são exactamente maneiras convencionais de ver as pessoas e o mundo, são tidas por perversas. Perversidade no fim de contas é o que não é convencional. Então, a civilização é uma perversidade! A pureza verdadeira é o homem das cavernas.

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Sexta-feira e o Santo António já se acabou

por Corta-fitas, em 14.06.13

Soraia Chaves

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