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Lido no Facebook

por Maria Teixeira Alves, em 21.03.13

A RTP podia convidar o Sr. Oliveira e Costa para comentar os problemas da banca.

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Primavera

por Luísa Correia, em 21.03.13

(Da outra banda...)


"Il est des jours - avez-vous remarqué ? -
Où l'on se sent plus léger qu'un oiseau,
Plus jeune qu'un enfant, et, vrai ! plus gai
Que la même gaieté d'un damoiseau.

L'on se souvient sans bien se rappeler...
Évidemment l'on rêve, et non, pourtant.
L'on semble nager et l'on croirait voler.
L'on aime ardemment sans amour cependant

Tant est léger le coeur sous le ciel clair
Et tant l'on va, sûr de soi, plein de foi
Dans les autres, que l'on trompe avec l'air
D'être plutôt trompé gentiment, soi.

La vie est bonne et l'on voudrait mourir,
Bien que n'ayant pas peur du lendemain,
Un désir indécis s'en vient fleurir,
Dirait-on, au coeur plus et moins qu'humain.

Hélas ! faut-il que meure ce bonheur ?
Meurent plutôt la vie et son tourment !
Ô dieux cléments, gardez-moi du malheur
D'à jamais perdre un moment si charmant".

Paul Verlaine, "Impression de printemps"

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Romanov

por Luísa Correia, em 20.03.13

O Figaro Histoire dedica um dos seus números recentes aos Romanov e aos trezentos anos em que comandaram os destinos da Rússia. O "cahier" não acrescenta novidades ao que se sabe, mas advoga, explicitamente, a perspectiva de que teriam sido as cerca de sete décadas consecutivas de poder feminino, com Isabel I e Catarina a Grande, as responsáveis pela preponderância cultural russa na Europa oitocentista, na literatura, no teatro, na música, na ópera e no ballet. De resto, parece que já antes, Pedro o Grande incentivara uma certa emancipação (leia-se educação) das mulheres, ciente de que da sua maior curiosidade e sensibilidade às exigências da moda dependia o refinamento dos costumes de maridos e filhos, à época ainda dados a usar barbas anacrónicas, a arrotar às mesas e a assoar os narizes às toalhas.
Impressionam naturalmente as páginas dedicadas aos últimos Romanov. As viragens da História revelam-se, muitas vezes, demasiado injustas para com os governantes em exercício, sacrificando, numa corrente de autocratas ou déspotas, aqueles que o são menos. O "povo" tem esse agudo sentido de oportunidade...
Recomendo, a propósito, a biografia "Nicholas & Alexandra", de Robert K. Massie. Tanto quanto julgo saber, Massie é pai de uma criança hemofílica, o que lhe proporciona uma visão interior do drama de Alexandra, na sua somatização de todas as angústias, na sua devoção desesperada e fatal a Raspoutine, na sua indiferença ao resto do mundo.

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Esta última boutade de Belmiro

por João-Afonso Machado, em 20.03.13

Belmiro de Azevedo, por momentos esquecido, veio à ribalta falar um pouco de si e do seu contorverso ideário. Sem dúvida, é de hesitar como classificar a sua última intervenção pública: se de um macaquíssimo e refinado descaramento - o terceiro homem mais rico de Portugal augurando salários baixos para a generalidade dos seus concidadãos - se de lucidez qb e coragem bastante. Não porque se deseje sejamos um País de mão-de-obra impreparada e barata. Mas não, também, porque se deseje um País de mão-de-obra estéril, pelo menos enquanto não salta para o lado de lá das fronteiras.

E talvez fosse a isso que Belmiro se queria referir.

Evidentemente, choveram os protestos, vivemos, afinal, a ditadura do "politicamente correcto"; e o sindicalismo nacional logrou um lance de raro brilho para ressuscitar todo a loucura marxista-leninista. Ninguém os calará tão cedo, tal qual os saudosos tempos da "classe operária".

A verdade é que Belmiro tornará às delícias do seu mundo áparte. A Esquerda perseverará na sua caça às bruxas. A malta não deixará de engrossar manifs a pedir menos trabalho e mais salários - em nome da produtividade!...

E Belmiro (tiradas de mau gosto à margem) vai-se rindo com o panorâma. Não é que faça bem. Mas outros mais farão como ele: aqueles que trabalharam enquanto os outros reivindicavam.

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Pai...

por Luísa Correia, em 19.03.13

(Na Gulbenkian...)

"A minha alegria em velho consistiria em ter aqui meu Pai para falar com ele. Não é só saudade que sinto: é uma impressão física. Agora é que acharia encanto até às lágrimas em termos a mesma idade, conversarmos ao pé do lume e morrermos ao mesmo tempo"… (Raul Brandão)

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O Chipre e as circunstâncias

por Maria Teixeira Alves, em 19.03.13

O Parlamento cipriota vai ter de votar o resgate europeu de 10 mil milhões de euros que inclui a polémica taxa sobre os depósitos. A crise política está à vista. O Ministro das Finanças acaba de se demitir.  


Mas vejamos que hipóteses têm o Chipre?

Bem, o Chipre precisa de um resgate de 10 mil milhões de euros, para recapitalizar os bancos. E ainda assim não chega, são precisos mais 5,8 mil milhões. Para vos dar uma ideia as necessidades de capital dos bancos farão projectar a dívida pública do Chipre, dos actuais 80% do PIB para qualquer coisa como 140%. O Chipre tem, segundo o BCE, depósitos de não residentes de 32 mil milhões de euros, cerca de 188% do PIB cipriota. Ao todo os depósitos e recursos de clientes nos bancos do Chipre (residentes e não residentes) são 7,1 vezes maior do que a economia. Um problema de solvabilidade e de liquidez no sector financeiro leva imediatamente o país à falência (tal como aconteceu na Irlanda). Porque o Estado não tem dimensão para intervencionar os bancos. Os depósitos no Chipre não podem por isso estar seguros. 

 

Para salvar os bancos cipriotas o Estado tem de taxar os depósitos (uma brutalidade, é certo, um precedente perigoso, também é certo) mas a alternativa é a falência dos bancos, e aí os depositantes com mais de 100 mil euros, não perdem 9,9%, perdem tudo. 

Qual é alternativa? A russa Gazprom tomar conta do Chipre, ao dar ao Estado os 10 mil milhões de euros que estão para ser emprestados pelo FMI e União Europeia, em troca de direitos exclusivos da exploração do país que é rico em reservas de gás.

 

Se é verdade que a taxa extraordinária sobre os depositantes pode ter um efeito de contágio, não é menos verdade que a alternativa pode trazer consequências perigosas para toda a Europa. O Chipre pode muito bem ser o primeiro país a sair do euro, e abre um precedente para a saída da Grécia, e quem sabe se por arrasto de Portugal (a pressão dos juros soberanos poderia levar a isso). 

 

A União Europeia e o FMI, como Pilatos, lavam as mãos da autoria da medida polémica, tal como de resto fazem em todos os países intervencionados, pressionam mas lavam as mãos. "O programa de ajuste é do Governo cipriota. Se o presidente do país quiser mudar o imposto sobre os depósitos pode fazê-lo, desde que consiga arranjar 5,8 mil milhões de euros". Ora pois. 

 

Esta medidas malditas que estão a ser tomadas na UE não são no entanto inéditas. Outros países falidos e em crise no passado tomaram medidas iguais ou piores, lembram-se do Plano Collor, implementado no Brasil nos anos 90? 

No dia seguinte à sua posse como presidente da República, Fernando Collor de Mello efectuou o confisco dos activos depositados nas cadernetas de poupança dos brasileiros.

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A caminho do infinito

por José Luís Nunes Martins, em 18.03.13

Uma coisa é pensar que se está no bom caminho, outra, bem diferente, é acreditar que esse caminho é o único. São muitos os caminhos bons. Onde alguns chegam por nascente, outros chegam por poente, o que alguns conseguem pela alegria, outros alcançam pela tristeza. Os trajetos podem parecer opostos mas são as distâncias que iludem, muitos rumam a um mesmo objetivo, pelos diferentes caminhos do mundo e pelos diferentes mundos de cada caminho. Os sacrifícios exigidos na vida são imensos e a cruz de cada um, há de ser levada nos seus próprios ombros, não nos de mais ninguém. Numa via original e sagrada. Criada pelo passos que ligam o princípio ao fim... e religam ao infinito.

 

Não somos sós. Não somos seres isolados e a realização humana pressupõe a partilha. Talvez a alma do mundo seja a fé que importa depositarmos uns nos outros. Respeitando os itinerários de cada um, aceitando as diferenças, assumindo sempre com humildade que podemos e devemos ajudar, mas não dirigir.

 

Os caminhos nada dizem, ou se mostram ou não se mostram, mas mesmo quando se mostram preferem guardar silêncio. Como se as próprias pedras admirassem a liberdade daqueles a quem foi dado o dom de criar a própria vida. Importa estar atento aos silêncios que cruzam os sons de cada passo. Escutar a sabedoria dos tempos.

 

Viver esta vida é estar aqui. Ajudar este mundo e os outros. Respeitar, confiar e amar. Entregar a vida toda à certeza de que ela é eterna...

 

Num abraço, suave, como um beijo.

 

 

 

 

(publicado no jornal i - 16 de março de 2013)

 

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De torna viagem

por João-Afonso Machado, em 18.03.13

Em redor do enorme terreiro da igreja eram as casas dos principais: ricos lavradores de uma lavoura que se estendia a perder de vista, mais o capitão da Milicia, o cónego letradíssimo, a prosápia envinagrada de quem se jurava Cavaleiro de Cristo, embora se lhe desconhecesse montada ou pecúlio capaz de um jeito nas telhas quebradas do seu telhado...

E um dia chegou ele, trinta anos após a partida, já um desconhecido, quem adivinharia naquele corpo cansado e torrado do sol, de patilhas grisalhas e casaca a suavizar-lhe a marreca, quem descobriria o mancebo que se fora de arca às costas (quantos teriam morrido, entretanto?) cismando brasis, colossais fortunas só em ecos vislumbradas, trabalho, aventura, o mundo por sua conta, o regresso, enfim, o opulento regresso desvastador da miséria dos seus?

No local preciso três décadas sonhado construiu o seu palacete ombreando em altura com a torre sineira da igreja lá em cima. Partira já, é claro, o cónego, levando no encalço o capitão, o cavaleiro apeado, os poderosos lavradores da sua infância. Conquanto de todos ficasse descendência num perpétuo rondar o Tempo à espera de fortuna contratada. De um apetecível dote, isto é. Aproximando-se, sornamente, escutando as batidas na pedra em que tão formidáveis paredes se erguiam.

Não casara, não fora pai, ninguém trouxera consigo. Mas uma sobrinha, uma afilhada, uma protegida, sempre lhe assistiriam na velhice e abocanhariam o naco mais gordo do ouro do seu segredo. Senão, para quê o palacete, o volume enorme onde talvez coubesse, inconfortável, o seu orgulho?

Sucede que a sua gente desaparecera. Levada pela doença, pelo infortúnio, pelas águas turbulentas do Ave, em indizíveis desgraças. Ou partira, também, rumando ignotos destinos. Na insana obsessão dos planos irrealizáveis, ainda assim rasgara os alicerces do casarão todas as noites sonhado. Já os olhos se reviravam de loucura e de outros males, sequelas dos ares tropicais em que suara as saudades do seu Minho.

Foi somente o espaço de concluir a portentosa edificação. O seu mausoléu, diziam depois os vizinhos, na triste danação face à inevitável posse da sua riqueza pelo Estado.

Era quando Santiago de Bougado ia ganhando em silêncio a paz que o lugarejo da Trofa perdia no banzé da proximidade da estrada para o Porto.

Decorreram vidas, gerações delas. O palacete está lá, onde sempre esteve. O mais, igonra-se. Talvez o regresso, o subir dos andares e o escutar do vento ajudem a esclarecer o que foi o que é agora (felizmente) um espaço de cultura da Autarquia.

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O pânico que antes de ser já o era

por Maria Teixeira Alves, em 18.03.13
O que esperar de um sistema financeiro que tem como Governador do Banco do Chipre um senhor com o nome de Panicos O. Demetriades. O pânico, antes de ser, já o era, no nome do governador do banco central. 

 

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Bailout no Chipre

por Maria Teixeira Alves, em 18.03.13

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Too big to...

por Maria Teixeira Alves, em 17.03.13

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Machado, Fm

por João-Afonso Machado, em 17.03.13

Nessa época remota, os Cream chegaram à Praia da Leirosa, com o seu Disraeli Gears e muito psicadelismo. Vinha com eles, também, a guitarra de Eric Clapton e música que obrigava a pensar, eles apoiados nos ombros delas e elas nos deles. A faixa World of Pain ainda se ouvia nas noites de passeio ao luar, lá para as bandas da escola, onde era costume montarem-se as tendas de campismo.

Depois sumiram, e só esporadicamente nos encontramos - sempre com a devoção de outros tempos

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No adeus ao Inverno

por João-Afonso Machado, em 17.03.13

A rotina no quartel é o entra-e-sai das ambulâncias, o cessa-e-começa dos piquetes; ou o ginásio e as aulas de dança, depois do horário de trabalho... A época pascal traz consigo outras efemérides, a fanfarra principia, por isso, os seus ensaios. E hoje foi à rua, em direcção à Matriz velha. Atrás dela o desfile, creio bem, das velhas guardas, a vez dos mais medalhados. Em farda de gala e solene marchar.

Era a missa dos Voluntários de Famalicão. Porque assim os intitulou El-Rei D. Carlos, - da Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de V. N. de Famalicão. Manhãzinha cedo. E a cidade acordou com o ribombar dos bombos, espreitou à janela e desceu à porta, acompanhando a manifestação. Como sempre procedeu desde a derradeira década de Oitocentos, aquando da fundação da Corporação. Uns tantos por curiosidade; a maioria porque entre os que marchavam sempre se descobria uma cara conhecida, um primo, um amigo, alguém das suas relações.

No regresso ao quartel, após as solenidades, parecia já o triunfo dos césares. Seguir-se-ia o almoço de Páscoa dos Bombeiros. Vive-se muito destes abraços entre conterrâneos fora da impessoalidade dos grandes centros urbanos.

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Recortes

por João Távora, em 17.03.13

(...) Padecendo de uma estranha maleita que os impede de viver em paz sem que o líder de uma fé a que se dizem radicalmente indiferentes concorde com eles, os ateus militantes receberam o Papa Francisco sob três perspectivas. A perspectiva simpática apreciou a circunstância de o homem vir do hemisfério sul (porquê?) e ter sido nomeado contra o "sistema" (apesar de ter sido o "sistema" a nomeá-lo). A perspectiva hesitante lamenta que o homem não defenda o casamento homossexual, o aborto, a eutanásia e, afinal, cada imperativo dos bem pensantes. A perspectiva desconfiada descobriu (ainda que, conforme se comprova no site do Bloco de Esquerda, à custa de manipulações fotográficas) a afinidade entre o sr. Bergoglio e a antiga ditadura argentina. Enquanto os cardeais não designarem um herege para pastorear os crentes, o catolicismo não se redime.


Alberto Gonçalves no DN

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Instantâneos de Lx

por Luísa Correia, em 17.03.13

(Na Rua do Vigário...)

"Le destin rit sur nos revers et nos réussites; il culbute nos combinaisons et nous dispense le bien ou le mal en raison inverse de notre raison. Quand on écoute ce rire perpétuel, dans l'histoire de chaque homme et de chaque jour, on se trouve niais de souhaiter quelque chose." (Vicomte E. M. de Vogüé)

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O Estado corrupto e corruptor

por José Mendonça da Cruz, em 17.03.13

A Grande Reportagem que acaba de passar, entre as 13 e as 14 horas, na SicNotícias é serviço público do mais nobre, jornalismo sério e de qualidade. Quem disponha de cabo deve revê-la já. Ésobre aquacultura, mas o âmbito é muito maior: durante uma hora vemos as penas, os abusos, os entraves,os arbítrios a que são sujeitos todos os que querem criar emprego e riqueza em Portugal, e a protecção e a promoção pelo Estado da burocracia e da corrupção. Vale a pena ver e indignar-se. 

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Domingo (5º da Quaresma)

por João Távora, em 17.03.13

Evangelho segundo São João

Naquele tempo, Jesus foi para o monte das Oliveiras. Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo e todo o povo se aproximou d’Ele. Então sentou-Se e começou a ensinar. Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus: «Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres. Tu que dizes?». Falavam assim para Lhe armarem uma cilada e terem pretexto para O acusar. Mas Jesus inclinou-Se e começou a escrever com o dedo no chão. Como persistiam em interrogá-l’O, ergueu-Se e disse-lhes: «Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra». Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão. Eles, porém, quando ouviram tais palavras, foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos, e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio. Jesus ergueu-Se e disse-lhe: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?». Ela respondeu: «Ninguém, Senhor». Disse então Jesus: «Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar».


 Da Bíblia Sagrada

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Lion's song...

por Luísa Correia, em 16.03.13

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Presos por terem cão, e por não o terem

por Maria Teixeira Alves, em 16.03.13

As pessoas queriam mais tempo para cumprir as metas orçamentais, para aliviar a austeridade. Mas agora dizem que o país ganhou mais um ano de recessão e desemprego. Pois. 

De cada vez que o Estado português adiar o pagamento à troika, isso implicará mais tempo de austeridade. Talvez uma austeridade menos abrupta, mas será sempre uma austeridade.

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"Strigoi"

por Luísa Correia, em 16.03.13

Os vampiros andam, por estes dias, muito na moda. Mas o fenómeno não é novo. Já no século XVII corriam pelo sudeste europeu rumores da exumação de cadáveres incorruptos, revelando sinais de actividade nocturna criminosa. A coisa, porém, manteve-se discreta, até ao momento em que, em 1718, os Habsburgos anexaram a Sérvia, proporcionando a alguns notáveis austríacos um contacto próximo com o "disse que disse".
Num piscar de olhos, os vampiros entravam na ordem do dia. Por toda a parte, as gazetas faziam eco da apreensão geral: haveria realmente vampiros? E desde processos verbais a certificados da mais variada espécie, de médicos, magistrados e curas, nada faltou à prova da sua existência... salvo vê-los.
Talvez por isso, o papa Bento XIV tratou, em 1749, de divulgar o seu parecer de que, fosse caso de defuntos intactos e sujos de sangue, em que cresciam unhas e cabelos, fosse caso do que fosse, tudo dependia da fiabilidade dos testemunhos. Acrescentando que, pelo seu lado, tinha dificuldade em acreditar na ressurreição dos mortos em tão estranhas e adversas condições.
Eram as "luzes" a fazer vergar a superstição.
Pelo meu lado, subscrevo, naturalmente, o entendimento papal. Que vejo, de resto, reforçado nas palavras sempre argutas e actuais de Voltaire. Em Londres ou em Paris, escreveu este no seu "Dictionnaire de philosophie portatif", ninguém fala em vampiros. É verdade que em ambas as cidades há uns agiotas, uns tratantes, uns homens de negócios, que sugam o sangue das pessoas. Mas fazem-no em plena luz do dia. E não estão mortos, embora estejam corrompidos; nem moram em cemitérios, mas em palácios agradabilíssimos.

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