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O pior não é a ignorância, um mal que mais ou menos, em termos relativos, todos sofremos. Trágica é a arrogante falta dessa consciência, hoje tão fácil reprimir com umas roupitas de estilo e licenciaturas de bolonha.

Todos se lembram de como o Governo socialista e o seu aliado Vítor Constâncio, na altura Governador do Banco de Portugal, trataram do BPN (nacionalizado com perdas abruptas para os contribuintes) e do BPP, com perdas brutais para os clientes, num processo moroso, atabalhoado, e doloroso. Segundo sei o Finantia foi também "salvo" pelos bancos privados, a pedido do Governador, com prejuízo para o crédito à economia. Agora reparem no processo Banif (feito por este governo e pelo novo Governador do Banco de Portugal Carlos Costa). O banco foi nacionalizado por 1,1 mil milhões do dinheiro da troika (uma nacionalização que se diz temporária mas que logo se verá) sem dor, sem barulho, rápida, subtil e sem mortos e feridos. Sem prejudicar o crédito dos outros bancos à economia, sem pesar nas contas públicas, nos contribuintes, sem destruir os clientes. Isto é o que se chama de savoir faire.
Antes disso o Governo actual já tinha intervencionado o BCP em três mil milhões e o BPI em 1,3 mil milhões, sem rasto de destruição pelo caminho. Nada comparado aos processo dantescos do BPN e BPP.
...que a larguíssima maioria dos pensionistas que aufere reformas superiores a 1300 euros não descontou para ter aquelas pensões?
No dia em que alguém me disser que uma pessoa pode fazer um PPR em que desconta durante 30 ou 35 anos, mas o montante a receber será calculado apenas com base no valor das contribuições dos últimos três, cinco ou dez anos - como sucede com a grande maioria das actuais reformas - avisem-me que eu também quero!
Como "objector de consciência", não comento discursos semi-presidenciais. De resto, a realidade também lhes é sabiamente insensível.
O Diário Económico publicou ontem um notável artigo de Olli Rehn, o comissário europeu dos assuntos económicos, que vale bem a pena ler na íntegra.
Escreve este responsável europeu que “O programa de ajustamento económico de Portugal entrou na segunda fase com progressos significativos, que reforçam a perspectiva de vir a ultrapassar esta crise sem precedentes. O país tem conquistado confiança entre os seus parceiros internacionais e essa crescente confiança traduzir-se-á em ganhos para a economia portuguesa através de um modelo de crescimento mais equilibrado e sustentável, que produzirá mais e melhor emprego.”
Reconhecendo estar “consciente das dificuldades que muitos cidadãos portugueses enfrentam”, designadamente porque “Muitos perderam o emprego ou foram afectados por cortes nos salários ou nas pensões” e que, por isso, “Têm o direito de esperar por políticas económicas responsáveis que salvaguardem o bem-estar das gerações presentes e futuras”, Olli Rehn não deixa de sublinhar que “É esse o principal objectivo do programa de ajuda financeira e de ajustamento económico da UE/FMI, ao qual está também inerente a reposição da confiança numa economia que desde há muito tempo vem a deteriorar-se.”
Ao contrário dos incendiários de esquerda e dos derrotistas e acomodatícios de todos os quadrantes cá do burgo, o comissário nota que o “Forte empenho, perseverança e amplo consenso político e social serão decisivos para que a correcção dos desequilíbrios económicos e financeiros seja alcançada com êxito.”
Recorda que “Em 2011, Portugal estava na iminência da bancarrota e solicitou apoio à UE e ao FMI para evitar uma correcção abrupta, que teria tido consequências económicas e sociais extremamente graves” e sublinha que “A situação da economia portuguesa está a melhorar, embora não existam soluções rápidas”, tendo a União Europeia decidido “conceder mais um ano a Portugal para reduzir o seu défice orçamental.”
E se reconhece que “Os progressos alcançados desde então são notáveis”, avisa que “Apesar de tudo, ainda há muita coisa por fazer. O Orçamento para 2013 contempla medidas difíceis para todos os cidadãos portugueses. Serão necessários mais esforços de consolidação orçamental em 2014. Nos últimos decénios, Portugal cimentou um conjunto louvável de serviços públicos, embora estes fossem, em grande medida, financiados pela dívida acumulada. Para salvaguardar esta rede de bem-estar, é necessário encontrar novos modelos organizacionais, mais eficientes e justos, mas que também promovam o crescimento.”
A conclusão é categórica: “No geral, as reformas em curso em Portugal abrem caminho ao optimismo (…). A determinação em implementar a agenda de reformas será decisiva para Portugal regressar à prosperidade”.
Por mim, não duvido que esta importante declaração de confiança da União Europeia no esforço nacional será olimpicamente ignorada por todos aqueles - e são infelizmente muitos - que não desistem de voltar à vida velha do despesismo, da irresponsabilidade e do fartar vilanagem.
Só posso pois esperar que a força de carácter dos Portugueses deixe esses velhos do Restelo a falar sozinhos, por se saber bem que, ao defenderem o status quo do passado, mais não pretendem que manter os seus privilégios e deixar o dilúvio para as futuras gerações. Se os ouvirmos não vamos lá.
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