Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Segundo a SIC quem tem 29 anos não é nada

por José Mendonça da Cruz, em 05.01.13

Diz a Sic, no seu jornal das 20h, que o Tribunal de Contas questiona os vencimentos de vários assessores do governo, e duvida que possam ser peritos, visto terem apenas 25 ou 29 anos.

Ou o Tribunal de Contas disse de facto isto (coisa de que duvido muitíssimo) e o comentário para tais considerações seria «Pobre país! Pobres cabeças!», ou, então, passou-se o que se passa as mais das vezes: o Tribunal de Contas foi mal citado pela Sic. E o comentário apropriado será: «Miserável jornalismo! Miseráveis cabeças!»

Expresso

por João Távora, em 05.01.13

Ontem numa reportagem na SIC notícias a respeito do 40º aniversário do Expresso, o seu director Ricardo Costa arrogava esfusiante o seu jornal como o semanário dos “Sábados amargos” (subentendidamente de Miguel Relvas), assumindo que o seu papel é de contrapoder, nas suas palavras de “contrabalanço dos abusos dos excessos que a democracia proporciona”. Perece-me óbvio que ao contrário de se pretender contrapoder (um papel que a oposição em geral e o Bloco de Esquerda em particular exerce com requintada competência) cabe a um jornal sério investigar a verdade, seja ela a favor ou contra “o Poder”. Aliás acontece que a Comunicação Social constitui em si um disputadíssimo Poder, o quarto como se lhe usa chamar, e talvez não fosse má ideia incluir os sucessos e insucessos da História no seu balanço de aniversário. Sobre esse ponto de vista e nesta altura do campeonato, talvez Ricardo Costa e Nicolau Santos não tenham assim muitas razões para tanta euforia.
Na edição de aniversário deste histórico hebdomadário nacional - que como bem salienta Henrique Raposo na sua coluna, se confunde com o actual regime - uma das melhores crónicas está escondida na página 53 em forma de carta, pela pena de António Barreto. A determinada altura reza assim: (…) Um semanário tem mais responsabilidades na actividade de “desvendar” os factos opacos ou “misteriosos” do que os diários ou as televisões. Muito do que se passa na sociedade e na política é totalmente incompreensível se não for devidamente tratado e esclarecido. As causas concretas da dívida portuguesa e o deficit dos anos 2005 a 2013, por exemplo ainda estão hoje razoavelmente encobertas. (…) Toda a comunicação social está orientada para o espectáculo e encenação, quando não para a propaganda. É indispensável contrariar essa tendência, o que já se percebeu em Portugal não acontecerá com os Diários, muito menos com as televisões.
É aqui que está o busílis da questão. Estranho, de facto, como um tão atendo e sofisticado “contrapoder” como o Expresso, tenha atravessado a última década de ruina num plano inclinado de indolência e alienação, quando não em absoluta cumplicidade com as oligarquias conservadoras (dos seus crescentes privilégios) que nos trouxeram a este trágico desígnio.
Neste dia em que se celebram quarenta anos do mais reputado jornal deste País que se afunda numa das mais graves crises da sua História, seria aconselhável, ao invés de estéreis troca de gabarolices e de galhardetes entre os seus protagonistas, uma séria análise de qual deverá ser o seu papel no futuro, se ser agente activo no jogo de recados da baixa intriga sectária e fulanista, ou reabilitar o merecimento do seu histórico estatuto nobiliárquico, coisa que sem uma clara mudança de estratégia, se ficará como isso mesmo: um estatuto, que o arruinado e excêntrico fidalgo levará para a sepultura do esquecimento. 

 

Publicado originalmente aqui


(...) A mesma oligarquia que tentou convencer-nos de que com o euro tudo seria fácil, parece agora determinada em fazer-nos acreditar que tudo é difícil exclusivamente por capricho deste governo. (…)
Nenhum governo, nas actuais circunstâncias, escapará a este destino. Não haja ilusões. Será sempre fácil apresentar qualquer política que não seja repor subsídios e baixar impostos como a “continuação da austeridade que nos trouxe até aqui”. Para a oligarquia, a missão dos governos no actual contexto é só uma: salvar o regime carregando sozinho com as culpas. Compete ao Governo ser mau para que todos possamos ser bons.


Rui Ramos, hoje no Expresso

inconstitucionalidades...

por Vasco Lobo Xavier, em 04.01.13

Num país em que quase tudo é inconstitucional, tê-lo levado à bancarrota também o deveria ser.

O medo de sentir medo

por João Távora, em 04.01.13

 

O Homem fica sempre mais frágil quando rejeita os seus sentimentos. Exemplifico com um bastante desprezado, mas afinal tão valioso como os outros: o medo é o principal inimigo da realização humana, e o maior adversário da liberdade individual; se por um lado potencia a inércia e a omissão, também acciona a violência mais irracional. Mas aquilo a que chamamos “valentia” significa uma de duas coisas: ou inconsciência, ou… o domínio sobre o medo. Para domina-lo é necessária inteligência para o reconhecer, racionalizar e ponderar os nossos limites.  A isso se chama sabedoria.

Por esse caminho chegamos à conclusão de que o medo faz muita falta: é salutar que tenhamos medo de atravessar o Marquês de Pombal pelo meio da Rotunda, ou a 2ª circular fora duma passadeira para peões. É salutar um pai ter medo de deixar o seu filho sozinho perto duma piscina. É normal termos medo de caminhar por um caminho às escuras. O medo das alturas pode salvar uma criança de cair da janela. Odiamo-lo, mas à sua ausência chamamos inconsciência, irresponsabilidade.

 

Texto reeditado

Sexta-feira com fiscalização sucessiva

por Corta-fitas, em 04.01.13

Adriana Lima

Recortes

por João Távora, em 04.01.13


(...) Antigamente, as "crises" da economia e das finanças do Estado afectavam pouco mais do que a classe média e a pequena-burguesia de Lisboa e do Porto, que por causa da fraqueza da moeda deixavam de poder importar "produtos de qualidade" (a moda francesa, por exemplo) e, coitadinhas, viajavam menos. Por isso, as "crises" do liberalismo não provocavam revoluções; provocavam, quanto muito, "uniões nacionais", que a certa altura os levaram juntinhos para o governo (sem faltar um único), pendurados numa gerigonça chamada "A Fusão" (que tanta gente, ainda em 2013, incita o dr. Cavaco a fabricar). Na província, como é óbvio, a polícia tratava a tiro o menor tumulto.
Desgraçadamente, o regime republicano, laico e socialista, que sem senso aceitámos, tem de sustentar mais de metade da população, sem meios para mexer um dedo, e assiste impassível ao apodrecimento do país.
(...)


Vasco Pulido Valente hoje no Público

Risco acentuado

por João Távora, em 04.01.13

 

Hoje emancipado dos seus fundadores, o Blog Risco Contínuo, ganha novo ensejo, nova dinâmica, com um promissor conjunto de novos riscadores. Merece portanto renovada atenção

Tags:

Alma, Vontade e Sensatez

por Rui Crull Tabosa, em 04.01.13

Corria a Guerra dos Sete Anos.

Ameaçada por uma fortíssima coligação que juntava a França, a Áustria, a Suécia e a Rússia, tudo indicava que a Prússia, cercada, sucumbiria à avassaladora superioridade numérica dos seus inimigos.

Frederico, o Grande, animado da mais firme vontade de libertar o seu povo da iminente escravidão do jugo estrangeiro, não prometia facilidades, consciente de que nada na vida é oferecido, nada se consegue sem luta. Luta decisiva.

Quando a guerra estava particularmente difícil, diria que “Este ano vai correr de forma dura e incisiva, mas tem de se manter os ouvidos duros e cada um que tenha Honra e amor à Pátria deve fazer o possível”. Nesse ano de 1757 escreveria à sua irmã que “Nesta Primavera o Mundo verá o que a Prússia é; através da nossa força e, acima de tudo, da nossa disciplina, venceremos”.

E assim, sob o génio militar do inventor da ordem oblíqua, um pequeno exército e um povo de 3,7 milhões de almas, animados da Virtus, essa admirável Coragem que dera corpo à Via Romana, venceriam a terrível guerra, repetindo a luta entre Horácios e Curiácios, atacando pois à vez os seus dispersos inimigos, cujos países totalizariam mais de 40 milhões de habitantes.

Porque lembro este exemplo?

Pela simples razão de que também Portugal está em guerra, embora muitos o não percebam ou não queiram reconhecer.

Em guerra contra o desemprego, a dívida, o desperdício e, mais grave, o espírito derrotista, egoísta, acomodatício.

Ao actual Governo cabe pois a dura tarefa de corrigir a estratégia de desenvolvimento que seguimos nestes quase 40 anos e se provou completamente errada, cumpre-lhe reparar os erros do passado na medida do possível, modernizar o País, cultivar nos cidadãos uma ética de responsabilidade, enfim, libertar a sociedade de uma asfixiante dependência do Estado, que construiu uma monstruosa máquina burocrática que ainda há um ano pesava mais de metade da riqueza nacional.

Atacar cada um desses flagelos, não todos de uma vez ou de modo inconsequente, mas através de ataques de flanco, em função das possibilidades e vantagens de cada momento e situação, é o que se exige ao Governo, assim este tenha alma vencedora e vontade reformadora, temperadas com a sensatez do bem comum.

É certo que o combate é ingrato, porque poucos reconhecem o seu sentido histórico e muitos sentem os seus privilégios ameaçados, não hesitando em envenenar o povo com mentiras e promessas de facilidade que equivaleriam a escolher o não ser. Mas é precisamente isso que torna a luta mais nobre, pois, para distribuir o que se não tem, estão cá os socialistas.

Palermice Mesmo

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.13

No seu Política Mesmo, Paulo Magalhães inventou agora, para tratar de concertação social, um sociólogo especialista em concertação social de nome Alan Stoleroff, que explicou que tem legitimidade para se pronunciar porque tem dupla nacionalidade. Pena o português ser tão macarrónico que não se percebeu uma ideia. Uma pena, já que o personagem há-de ter especiais aptidões para comentar o tema, as quais PM investigou certamente antes de o pôr a criticar o governo.

Votos impossíveis para 2013 - IV

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.13

Votos de nunca mais ouvir dizer ao PS que tem «uma política para as pessoas», como se a política dos outros fosse para objectos inanimados. E votos de um PS com memória, ao menos sobre as coisas que assina.

Votos impossíveis para 2013 - III

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.13

Votos de nunca mais ouvir uma reportagem perguntar a uma vítima «como se sente?». Como na variação sobre as greves: «Então, teve dificuldades?». Votos de, em vez disso, ouvir explicadas as exigências dos grevistas e a posição das administrações respectivas.

Votos impossíveis para 2013 - II

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.13

Votos de um Estado menos omnipresente, a expirar-nos hálito fétido por sobre o ombro, um Estado que não ande metido a saber quantas bicas bebemos e onde, a tratar-nos de aldrabões, um Estado menos caloteiro do mesmo passo que é ávido, como agora, quando exige renovação da carta aos 30 anos a quem a obtenha, por exemplo, aos 28, mero processo administrativo cujo único e exclusivo propósito é a extorsão de 30 euros e a engorda da burocracia.

A descida do IRC e a obtusidade jornalística

por José Mendonça da Cruz, em 03.01.13

Uma colher de sopa de estupidez. Junta-se um ramo de cheiros colhido à esquerda. Adiciona-se um cálice de preguiça.

Foi assim que a Sic noticiou a nomeação de uma comissão chefiada por António Lobo Xavier que deverá apresentar em Outubro um estudo sobre a baixa do imposto sobre as empresas exportadoras. Importante para a Sic foi perguntar de passagem ao ministro das Finanças se considerava que Cavaco Silva tinha enviado um recado ao governo. Após o que ouviu a representante do Bloco de Esquerda, que proclamou que Lobo Xavier era a raposa nomeada para tratar das galinhas, uma graçola idiota e rasteira perfeitamente à altura da visão dos jornalistas.

Agora, algumas ideias sobre o que interessaria realmente saber sobre este caso, e, obviamente, não foi perguntado nem se soube:

1. O ministro da Economia, autor e proponente da ideia, estava ausente porquê?

2. E que pensa sobre a medida, a comissão e o prazo para conclusões o senhor ministro da economia?

3. São precisos realmente 9 meses para estudar uma medida que parece urgente?

4. Ou a dilação significa que a enorme prioridade é cobrar impostos e adiar todas as medidas, por mais benéficas para a economia, que possam comprometer a receita das finanças?

5. Qual o impulso previsível da baixa do IRC para 10% nas exportações e no investimento estrangeiro?

5. Quanto custará a comissão? Quem são os membros? Quais as suas posições conhecidas?

Pois é... Informar é uma maçada.

Patrioticamente

por João-Afonso Machado, em 03.01.13

Foi ontem. Chegámos para almoçar já a desoras e o restaurante perdido entre a várzea e umas matas, alumiado somente por uma Nossa Senhora e três pastorinhos em volta dela, mais os seus anhos, no pátio da entrada. Um pormenor de mau gosto, achei inicialmente, um afloramento de almas bondosas, conclui no fim. À porta, um letreiro: «O Multibanco não funciona».

Não sobrava tempo para procurar outro poiso. E o contado na carteira era escasso. De modo que a cada garfada, a cada gole, lá iamos perguntando preços, a saber até onde poderíamos chegar.

O patrão, simpaticamente, percebeu eramos da terra. Que ficássemos à vontade... E desculpássemos, a máquina registadora ainda não estava adaptada ao novo programa informático, isto agora das facturas...

A 2 de Janeiro de 2013. No primeiro dia útil do novo ano de vida nova. Com o Fisco mais amatilhado do que nunca.

Perseguidos. Mas sempre portugueses. Havemos de dar ao volta ao Estado-papão. Digo: ao Estado Social. E continuaremos patrioticamente a contribuir com o menos possivel para quem nada nos oferece senão obras públicas... para benefício de alguns privados -  e encargo de todos os demais.

Viva Portugal!!!

O crescimento económico

por João Távora, em 03.01.13

 

Ou coisas simples que toda a gente sabe mas
que temos que repetir todos os dias

 

De há duas décadas para cá, os estímulos ao crescimento económico não deram resultado algum, para além duma incontrolável divida externa e consequente falência do Estado que hoje estamos a pagar com língua de palmo. Tais estímulos apenas serviram para engrossar exército de funcionários públicos e promover as suas carreiras, para sustentar uma multidão de dependentes directos e indirectos das deficitárias empresas Estado, desenvolver o parque automóvel mais moderno e luxuoso da Europa, para a proliferação de mais ou menos redundantes auto-estradas e tuneis “sem custos para o utilizador”. A brilhante estratégia passou também pela construção de luxuosos estádios, centros comerciais e uma praga de cafés, restaurantes e mercearias gourmet que por aí pululam aos pares a cada esquina, empreendimentos subsidiados pelas campanhas de auto-emprego promovidas pelo respectivo Instituto, não esquecendo os sofisticados edifícios de escritórios, pólos empresariais e condomínios privados que agora se degradam semiabandonados, hipotecados pelos bancos com o dinheiro dos nossos impostos. O resultado do "festim", para além do "crescimento zero", foi uma lenta e sólida destruição de emprego, que não foi mais trágica porque muitos recursos financeiros foram despendidos em engenhosas reformas antecipadas.
De resto, ninguém quanto eu, que depende do sucesso de um pequeno projecto empresarial, mais anseia por uma consistente “retoma”, proporcionada por uma economia dinâmica, flexível, em que o mérito, o trabalho e a imaginação prevaleçam sobre as negociatas que favorecem as oligarquias do costume. Desconfio que esta dolorosa revolução que preconizo, não coincida com os desejos manifestados pelo nosso semipresidente e seus correligionários keynesianos.

Da (má) vontade

por João Távora, em 03.01.13


Dawkins anda à procura de um Deus impessoal que, segundo a doutrina católica não existe, e de um Deus cuja existência se possa provar pelo método das ciências naturais que, segundo a doutrina católica, não é o método para lá chegar. Dawkins nunca chegará a Deus. Porquê? Porque não quer. 

A decisão de não decidir

por João Távora, em 03.01.13

(...) A verdade, porém, é que se o Presidente está a ser "salomónico" não é por conceder uma parte da razão de cada um. Onde a natureza "salomónica" realmente se revela é no facto de a intervenção do Presidente não produzir, à semelhança do julgamento de Salomão, uma verdadeira solução.

O episódio do julgamento de Salomão relatado no Livro dos Reis é muitas vezes uma metáfora mal contada. Quem recorre ao episódio está convencido de que a solução "salomónica", dividindo a criança ao meio, contentou as duas mulheres que a reclamavam. Não pensa que o julgamento de Salomão só serviu para resolver o problema do próprio Salomão. Partindo a criança em duas metades e entregando-as às mães, Salomão resolvia à força o problema do julgador incapaz de julgar. A solução "salomónica" não é afinal uma solução a contento de ambas as partes. É uma não-solução a contento de quem julga.

Mais metáforas. Na linguagem do regime, o Presidente da República é tido como "árbitro" do jogo político, precisamente o nosso máximo julgador. Para julgar, é preciso escolher. Um "árbitro" não tenta conciliar posições inconciliáveis. Tal como estabelece consensos, também afirma a razão de uns contra a razão dos outros. Diz o que está certo.

(...) Talvez o Presidente esteja a ver algo que nos escapa. Mas a remessa para o Tribunal Constitucional não é solução para os problemas económicos do Orçamento, nem para os problemas políticos que a sua inconstitucionalidade poderá suscitar. Com o risco de ficarmos com um Orçamento inconstitucional ou sem Orçamento e sem Governo. Como Salomão, Cavaco Silva resolveu o seu problema. E o nosso?


Pedro Lomba hoje no Público

Um discurso razoável e sólido

por José Mendonça da Cruz, em 02.01.13

Com irritação e pressa, pareceu-me, à primeira vista, que o discurso de ano novo do presidente da República se contorcia de desejos de acertar uma no cravo, outra na ferradura. Mas eram pressa e irritação minhas excessivas. Parece-me, afinal, o discurso muito bom. E parece-me que merece justiça.

Cavaco recordou as dificuldades de 2012 e a continuação das dificuldades em 2013. E sublinhou a necessidade de «urgentemente pôr cobro a esta espiral recessiva» ou «ciclo vicioso» de menores rendimentos, menores prestações sociais, mais falências, mais despedimentos, mais austeridade. Fez bem em sublinhar, como fez bem em sublinhar a necessidade de crescimento económico.

O PS diz, a propósito, que o governo ficou isolado. Mas engana-se. Não é o PS, é o governo, o presidente e, aliás, toda a gente que defende a necessidade do crescimento económico. Só que nem presidente nem governo querem crescimento nos termos em que o entende o PS, nos termos da vulgata de Keynes-para-idiotas seguida por Sócrates, e que nos trouxe direitinhos à emergência.

Mais lembrou Cavaco que a progressão da dívida externa é insustentável, que o défice tem que ser corrigido; e mais lembrou que as medidas de austeridade actuais são as necessárias ao abrigo do Acordo de Entendimento; e mais lembrou ainda que o Acordo e a ajuda externa foram tornados necessários pela política do anterior governo; e mais lembrou logo que o Acordo foi assinado por partidos que representam 90% dos deputados da Assembleia da República.

Arménio Carlos chama a Cavaco, por isto, «cúmplice». Mas não é cúmplice. É solidário, ao contrário do que julga o PS. E é sério, como tanto dói ao chefe da correia de transmissão de menos de 10% do eleitorado.

Insistiu ainda o presidente da República em que o incumprimento das obrigações internacionais ou a renegociação da dívida não nos deixariam melhor, deixar-nos-iam pior. Que o PS considere, após ouvir isto, que o governo está isolado, é pura matéria de pasmo.

Cavaco subscreve o OE2013 sem dúvidas? Não. Tem «dúvidas fundadas». E faz bem em submetê-las ao juízo do Tribunal Constitucional. O que seria insuportável seria o Orçamento estar perante a constante e prolongada ameaça de contestações casuísticas.

PCP e Bloco de Esquerda chamam «inconsequente» a Cavaco por promulgar o Orçamento enquanto tem dúvidas. Mas não é inconsequente. É previdente e responsável, ao contrário das propostas do Bloco e dos comunistas.

Cavaco apelou ao consenso e ao diálogo, instou o governo a reconquistar a confiança dos Portugueses (porque a das instituições internacionais não basta), e a procurar novas vantagens junto dos parceiros europeus, por terem mudado as condições desde a assinatura do Acordo de Entendimento. Fez bem. O governo precisa de fazer mais política, cá dentro e lá fora. Precisa muito de fazê-la e nunca é demais insistir com este governo que não a faz para que a faça. Mas Cavaco acrescentou que seria fatal juntar uma crise política à crise financeira e económica. A isto, socialistas e comentadores/jornalistas da filiação chamam ser «salomónico». Mas não é. É apenas não ser parcial e cego.

 

 

 

 

 

 

Tanta informação, tão pouca educação.

por José Luís Nunes Martins, em 02.01.13

Uma explosão de conhecimentos, detonada por volta do século XVII, parece ter atingido dimensões que ultrapassam os limites da imaginação nos últimos 25 anos.

 

Todas as tradicionais áreas do conhecimento se têm expandido. Há cada vez mais especialistas, que por sua vez percebem que cada vez melhor que os saberes se entrecruzam. Num futuro muito próximo, talvez se retorne ao saber único. Mais profundo e rico do que até agora... ou isso, ou outro modelo tão genial quanto simples.

 

A informação deve ser recolhida e armazenada. Depois, filtrada e organizada. Mas aqui reside um problema fundamental: ainda estamos a aprender a ver o imenso mar de dados. Andamos, mais ou menos, maravilhados com os prodígios da técnica, brincamos e fingimos não se tratar de nada de relevante. Quando, em boa verdade, nos cumpre adequar, tão rapidamente quanto possível, a nossa inteligência às necessidades importantes, e urgentes, que surgem da imensidão de potencialidades ao nosso dispor. Pois se algumas não podem ser desperdiçadas, outras há que nem mais um passo devemos dar em sua direção.

 

Vivemos numa sociedade rica em informação. Riquíssima, talvez no pior dos sentidos. Quase tudo está à distância de 2 ou 3 cliques e em 4 ou 5 segundos temos diante dos nossos olhos uma montanha de informação.

 

Um dos efeitos perversos deste contexto é a desresponsabilização do indivíduo em chamar a si a capacidade de recolher e armazenar os dados importantes da sua própria realidade. Parece não interessar saber este ou aquele conteúdo, desde que se saiba pedir para o irem buscar. Mas, os chamados motores de busca, bem como os conteúdos por onde navegam, resultam de escolhas mais ou menos inteligentes que ultrapassam completamente o comum utilizador. São opções alheias. Resultam de critérios muito específicos, por vezes altamente perversos, tão bem disfarçados de simplicidade e transparência que só poucos chegam a perceber o que alimenta e sustenta esta máquina que parece tão bondosa...

 

É admirável e estranha esta fé na tecnologia. São aos milhões aqueles que confiam de forma tão completamente voluntária quanto estúpida, o que pensam, sentem e desejam às bases de dados... talvez na secreta esperança de se poderem analisar e avaliar daqui a uns meses ou anos, ou talvez para que alguém, num qualquer dia futuro, lhes diga quem são... mas estas informações são íntimas e constituem, por si mesmas, uma das nossas maiores riquezas: sermos misteriosos aos outros, profundos e absolutamente únicos. Abdicar disto é desistir de se ser quem se é.

 

Os homens de hoje são escravos da tecnologia, mais do que senhores dela.

 

Na vida, tudo deve ser gerido com sabedoria. Sem estabelecer critérios, prioridades e importâncias, quase nada sai a direito. A cada um de nós é requerido que, pessoalmente, analise e avalie o que nos rodeia. Descubra valores, trace e siga um caminho. Um só. Nosso. Só nosso. Absolutamente único.

 

Mas a maioria das gentes prefere grupos, trocam a sua capacidade de ser únicos pelo sorriso de aprovação daqueles a quem imitam...

 

Na formação de cada ser humano é essencial a promoção da sua total autonomia; uma dignidade que assenta na liberdade e responsabilidade de nos criarmos a nós mesmos de uma forma tão autêntica quanto bela e original.

 

A educação é crucial, hoje mais do que nunca. Importa aprender a discernir bem o essencial do acessório, o privado do público, o que é valioso do que apenas o parece ser. É importante lançarmo-nos na preparação de seres cada vez mais humanos, que constituam melhores famílias, a fim de que toda a humanidade melhore. Mas, cuidado: É o nosso exemplo que educa, mais, muito mais, do que as nossas melhores palavras...

 

 

 

(publicado no jornal i - 29 de dezembro de 2012)

 

ilustração de Carlos Ribeiro




Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Eremita

    Não estou a confundir coisa nenhuma, como poderá v...

  • Anónimo

    cARO SENHOR Vou começar pelo fim, onde me sinto ma...

  • henrique pereira dos santos

    Está a confundir médias com picos, a gripe em 2017...

  • Eremita

    Pode também ser um pouco mais rigoroso nas suas co...

  • Eremita

    O já estafado paralelo com a gripe começou por ser...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2008
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2007
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2006
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D

    subscrever feeds