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Tomem lá estes votos de Natal devolvidos, se fizerem favor

por José Mendonça da Cruz, em 28.12.12

Não compreendo esta mania de presidentes e primeiros-ministros de nos enviarem mensagens e twits de Natal. O senhor cardeal patriarca, sim. O senhor cardeal patriarca fala-nos por altura da festa do nascimento de Cristo. Os outros não sei ao que vêm. Hão-de julgar que o senhor Afonso Costa vinha bem intencionado quando inventou que o Natal era a «festa da família» -- e aproveitam para se meter nela. Ou então julgam que o laicismo é uma coisa de um sentido só, que a Igreja não deve andar na esfera pública -- mas que o Estado pode sentar-se à minha mesa e participar na minha vida privada. Presidentes e primeiros-ministros deviam, ao menos guardar-se para o fim do ano -- balanços velhos e votos novos são maçadores à mesma, mas a calendarização compreende-se melhor. E os chefes de oposição que criticam os votos de «Natal imerecido» do mesmo passo que fazem votos de «Natal muitíssimo difícil» deviam calar-se também.

E parece-me supinamente detestável que presidentes e primeiros-ministros se achem modernos por usarem o Facebook e por nos chamarem «amigos». A ligeireza da Internet sempre me pareceu incompatível com as complexidades da governação -- e eu acho, como o senhor MacLuhan e o senhor Vargas Llosa, que «quanto mais esperto é o meu computador, mais parvo eu sou». Além de que o senhor presidente da República e o senhor primeiro-ministro não são meus amigos, são titulares de cargos públicos para que eu os elegi e outros não. Não sei de nenhum Aníbal nem Pedro, e é-me indiferente o nome dos respectivos cônjuges, embora não me seja indiferente que presidente da República e primeiro-ministro se ponham à altura daqueles jovens gestores sem tempo para ter vida que acham que os amigos do Facebook são amigos seus. E à altura daqueles jornalistas adversários que andam maçados com a quadra e à míngua de assuntos, e aproveitam qualquer coisa para se excitar. Prefiro que não me chamem amigo - eu prometo que também não. Prefiro que não se assinem com nomes próprios ou em casais. E, se quiserem, que tenham tido um santo Natal. 

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Sexta-feira baptista da silva

por Corta-fitas, em 28.12.12

Padma Lakshmi

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Bernardino e o despudor do PS

por José Mendonça da Cruz, em 28.12.12

Bernardino Soares, do PCP, esteve ontem especialmente inspirado a explicar e expor o inultrapassável despudor dos socialistas. Duas frases certeiras de Soares, na Assembleia da República:

Uma martelada: «... É que quem ouvisse agora este debate ficaria com a ideia de que de todos os partidos o único que nada tem a ver com o memorando da troika é o PS, que foi quem o assinou.»

E logo a talhe de foice: «O PS vai ficar conhecido como o partido do "assim não": austeridade, sim, mas assim não; acordo de entendimento sim, mas assim não... Ora nós gostávamos de ter o partido socialista na oposição... mas assim não.»

Aqueles poucos que fazem somas de esquerda com base nas esperançosas auscultações de voto do senhor Oliveira da eurosondageira podem ir tirando o cavalinho da chuva.

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...será que o Nicolau também 'desconvidou' Baptista da Silva, esse fugaz guru da esquerda tuga, da "Grande Conferência Expresso 40 anos"? 

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A cidade e as férias

por João-Afonso Machado, em 27.12.12

Não é afinal o lugar infernal como parecia evidente. A cidade tem recantos e tem ângulos. Pequenos espaços do maior equilíbrio, uma imensidão de harmonias no dobrar da mais imprevisivel esquina. A cidade só não tem - e tanto dele carece! - o tempo devido aos olhares de quem respira fundo e não se limita a devorar o chão que pisa com medo de escorregar.

É natural seja, por isso, as férias de eleição dos campesinos, a cidade. Nos seus mirantes, nas suas vielas, no silêncio súbito que se abate entre as janelas quase se tocando frente a frente. E nos gritos das histórias contadas em páginas de pedra trabalhada. O mapa todo é uma vida a desdobrá-lo e a percorrer os seus traços em cores diversas com o dedo e a intuição de por aqui, sim! é caminho!

Esta tarde rendeu, ainda assim. Em apenas três ou quatro lugares da sua toponímia. A continuação ainda não tem data marcada porque férias são férias, há que saber gozá-las...

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Assim um Dom Sebastião do avesso...

por João Távora, em 27.12.12

Há quem afirme que Artur Baptista da Silva, académico impostor, cadastrado titulado, doutorado pela imaginativa Milton Wisconsin, investigador em economia social, ex-deputado constituinte, ex-secretário de Estado, consultor do Banco Mundial, funcionário da ONU, Artur Baptista da Silva, com p, sendo tudo isto e o resto mentira, é a grande figura do ano que termina. Pois se foi este um ano que não teve grandes figuras, um ano de figurões, de Baptistas da Silva que transitam para o ano seguinte, como não proclamar 2012 o ano de Artur Baptista da Silva? Nós passaremos, se passarmos, para 2013. Já Baptista da Silva ficará, se ficar, em 2012.

Mas é preciso, em abono da justiça, encontrar-lhe um lugar na História que não se resuma à fraude épica de que ele foi autor e principal vítima. Que dizer sobre Baptista da Silva agora que regressou ao seu posto de origem? Esta não foi uma fraude qualquer. E não foi por ter sido enganada a imprensa, que sim, também se deixou enganar. A "fraude" foi colectiva.

Durante escassas semanas, Baptista foi a emanação de um sonho. Tão bom que poucos viram que era só isso mesmo: um sonho. Um indivíduo delirante contagiava uma sociedade crédula, sem vontade para verificar os delírios. Estávamos sedentos de Baptistas, ávidos da boa nova. Este Baptista desembarcava vindo da ONU directamente num país deprimido. Ao menos parecia limpo e imaculado. Abriu ele portas, contactando jornalistas, padres, movimentos políticos, associações. Era o profeta que vinha aliviar o nosso sofrimento. Para uns, um técnico que debitava números ao serviço do bem; para outros, um Baptista "Robin Hood" que mentia aos ricos para acudir aos pobres; para outros ainda, uma espécie de Kruglitz, mescla de Krugman e Stiglitz, e com a ONU na lapela. Trazia estudos, logotipos, explicações e informação interna que não podíamos confirmar.

Recebido em todos os cenáculos, não demorou a chegar aos jornais e às televisões. É fácil perceber porquê. Vejam e revejam os vídeos mais recentes. Aquelas técnicas não se treinam em casa. O domínio perfeito da pausa, o modo como enfrenta a situação, a entoação em "Ainda bem que levanta esse problema, dr. Pires de Lima", o seguríssimo e repetido "nós, Nações Unidas".

Agora perdemos tudo. Nada de Baptistas, nada de ONU e dos seus miraculosos planos. Não existem estudos, economistas empolgados com o nosso destino ou Observatórios para a Europa do Sul. Até o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o famoso PNUD, visa afinal países em vias de desenvolvimento e não países em vias de subdesenvolvimento como nós. Estamos por isso sozinhos. Queríamos tanto a ONU contra a Merkel. Por breves instantes pudemos acreditar que sim. Onde está Baptista da Silva, o prémio Feelings Awards, agora que precisamos dele?

É verdadeiramente absurdo que SIC, TSF e Expresso pensem em processar Artur Baptista da Silva. Se o fizerem, não deveremos nós processar também a SIC, a TSF e o Expresso? Acima de tudo: não deveremos processar-nos a nós mesmos, ou os que não acreditaram contra os que acreditaram em Baptista da Silva? Que todos se processem uns aos outros! Em 2012, como escreveu o António Araújo, do extraordinário Malomil, Baptista da Silva foi "espelho de nós, síntese do colectivo pátrio." Se apareceu Baptista, foi porque ansiávamos por um Baptista. Um cometa. Um bárbaro. Um charlatão justo. E é como diz o filósofo, nós não temos vontade de verdade. A nossa vontade é de mentira. E esta mentira fugaz, mentira colectiva, chamou-se, por instantes, Artur Baptista da Silva.

 

Teoria Geral de Baptista da Silva - Pedro Lomba hoje no Público

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No dia 25, por causa da greve dos comboios, voltei de Cascais a Algés a pé. Foi uma experiência extraordinária! Três horas e meia de marcha por caminhos marítimos quase contínuos numa orla passando por chalés, hospitais e sanatórios, praias de surfistas, e fortalezas de grande porte batidas por ondas fortes num dia de sol admirável. Recomendo a todos! Quem vem na estrada ou no caminho de ferro não se apercebe do que nestas duas décadas ali foi feito para resgatar esse lugar único para o lazer, o desporto ou o panteísmo dos que ali vivem ou ali vão. Foi uma maravilhosa descoberta que fiquei a dever a ferroviários que, sem perdão nosso e sem vergonha deles, não tiveram pejo de deixar no cais quem (e foram certamente muitos) precisou de viajar num dia santo. Nunca saberão o prazer que com o seu egoísmo me proporcionaram!

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Tolkien no cinema

por Luísa Correia, em 26.12.12

Li o "Hobbit" e "O Senhor dos Anéis" nos primórdios da minha juventude. Reli-os, com o mesmo entusiasmo, uns anos depois - numa edição inglesa, de "luxo", que me custou um vigésimo da trivialíssima tradução portuguesa - aquando da estreia de "A Irmandade do Anel", primeiro filme da triologia de Peter Jackson. Creio que foi pela familiaridade que já tinha com a "epopeia" inspiradora, verdadeira obra de culto de quem aprecia, na literatura, uma grande história mais do que um belo estilo, que gostei da adaptação cinematográfica - um pouco como quem prefere ouvir, em concerto, composições que conhece e vai trauteando em surdina a novos lançamentos. Mas mesmo tendo gostado, reconheci no trabalho de Peter Jackson aspectos de realização que me franjam os nervos de cada vez que acontece deparar-me com uma (re)exibição televisiva. Ninguém sabia quem era Peter Jackson antes da sua abordagem a Tolkien. Ousou fazê-la e colheu os frutos (compensadores!) da sua ousadia. Mas Peter Jackson era então um novato, e não resistiu à tentação de explorar, até ao tutano, o dramatismo dos momentos. O que redundou no que me parece pouco menos do que um espectáculo de carpideiras. A emotividade extremada das cenas (ressalvadas as de pura acção ou de guerra), expressa em morosos lamentos e declamações, em olhares e sorrisos parados e insondáveis, à Gioconda, em câmaras lentíssimas nos instantes de risco ou tragédia, e, em suma, numa confrangedora falta de naturalidade, é muito enjoativa. E o pior é que Jackson, no tempo que lhe tomou a triologia, evoluiu de novato para novato, e nunca corrigiu a trajectória da sua lamecha direcção de actores. Aí estão "As Duas Torres" e, sobretudo, "O Regresso do Rei" a comprová-lo. O sentimentalismo não terá sido, portanto, um erro de inexperiente, mas algo que tem entranhado na massa do sangue. Sucede que, para mim, é como diz Auberon Waugh: "Sentimentality is the exact measure of a person’s inability to experience genuine feeling." E quem não sente verdadeiramente, conseguirá ser mais do que fingidor e artificial? E agora, que faço eu - já tão enjoada nesta quadra pantagruélica - em relação ao recém-estreado "Hobbit"? Vejo? Não vejo? Espero pelo DVD?

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Homens cheios de si mesmos

por José Luís Nunes Martins, em 26.12.12

O mundo começa a ser pequeno para tanta gente que se julga o centro do universo, são cada vez mais aqueles para quem o próximo não passa de um figurante sem qualquer importância numa ópera de que são os únicos protagonistas.

 

Têm sempre muitas coisas materiais mas nunca têm paz.

 

São incapazes de acolher a novidade, de se aperfeiçoar, entupidos de egoísmo até aos olhos, têm por valores supremos a razão e a liberdade.

 

Nem a razão nem a liberdade são males, entenda-se bem, mas quando surgem como pilares únicos da existência potenciam o risco de se falhar completamente o objetivo. Há muito mundo para além daquilo que a razão é capaz de assimilar e compreender. Também o valor da liberdade, que em si mesma não é boa, nem má, depende sempre da forma, mais ou menos sábia, de ser usada. Mas a sabedoria de escolher bem é um dom, a ela não se chega através de torres de livros, opiniões ou razões, por mais altas que sejam... tal como não é por muito abanar os braços que se levanta voo.

 

Os sentimentos articulam-se de forma não absolutamente lógica entre si e connosco. A vocação do homem apenas se cumpre quando ele se faz humilde, se esvazia das coisas e das suas opino-razões, para permitir que a vida, na sua generosidade, o edifique e lhe dê consistência, a partir da essência.

 

Acreditar é uma forma de unir o sentir ao pensar, talvez a ponte por onde estas duas dimensões se encontram e complementam. Só tem fé quem sabe e sente que não é ele próprio o centro do mundo.

 

A liberdade, tal como a justiça que a devia orientar, tem, por vezes, olhos vendados. O seu valor é pois relativo dado que um cego nem sempre é o melhor guia de outro... Não devemos fazer ou ser tudo quanto podemos, embora possamos fazer ou ser tudo quanto devemos. O dever demora até surgir evidente à razão, por vezes cumpre-nos agir numa linha de livre obediência a um desígnio maior que nós. Um tremendo caos, mas apenas aparente, pois que é de uma ordem superior à nossa capacidade de o compreender.

 

Somos todos pequenos e quase insignificantes. Aceitarmo-nos uns aos outros nessa condição é o primeiro passo para nos conhecermos e amarmos... para nos fazermos uns aos outros humanos, até felizes, por vezes. Verdadeiramente.

 

Hoje tende-se a aniquilar toda a crença. Como se não fosse admirável em si mesmo um homem esperar contra toda a razão. A fé é um alvo recorrente de gente que, não sendo feliz, tenta estragar a felicidade de todos quantos, com fé, sabem sem saber e sentem sem sentir.

 

O amor implica uma livre submissão do eu ao outro. Uma dinâmica sem garantia alguma de sucesso, mas que esvaziando o eu de si mesmo, e das coisas, abre espaço para a coragem da alegria, e, por ela, à felicidade.

 

No Natal devíamos todos celebrar a chegada do Filho de Deus, que por amor a nós se fez Homem, mas andamos cheios de nós mesmos e atafulhados de coisas... e é assim que, de portas fechadas, Ele nos encontra quando pretende dar-nos a Sua paz e a nossa felicidade... somos livres e responsáveis pela nossa vida; por abrir e fechar as portas do nosso ser ao que não compreendemos; por permitirmos que quem nos quer amar nos ame.

 

De nariz no ar, ignorando o mundo, podiam ao menos abrir os olhos e dar-se conta da estrela que conduz quem, humildemente, percebe que não é, por maior que seja, grande coisa sozinho.

 

Que neste Natal saibamos escolher o presente certo para dar a quem nos ama: esvaziarmo-nos de nós mesmos e abrir o coração ao seu amor.

 

 

 

(publicado no jornal i - 22 de dezembro de 2012)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

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O haraquíri do jornalismo

por João Távora, em 26.12.12

 

O caso Baptista da Silva é todo ele uma irónica parábola sobre a crise que por estes dias perpassa e se agudiza nos media tradicionais. É curioso como o burlão, promovido por um jornalista de nomeada de um semanário de referência nacional não tenha sido denunciado pelas “convenientes” intrujices que proferiu em vários palcos, mas antes pela descoberta do seu falso curriculum. Como sempre em Portugal o que conta é o estatuto.
Numa altura em que através das novas plataformas “sociais” tanto a opinião e análise de qualidade quanto a gestão de agenda politica ou corporativa se autonomizam cada vez mais dos meios de comunicação institucionais, não tenho dúvidas que a prazo poucos deles resistirão no actual modelo de gestão. Apenas irão sobreviver os que fundarem a sua actividade na excelência do profissionalismo, reflectindo os factos de forma isenta, analisados por atentos e meticulosos peritos, que sejam capazes de aferir discursos coerentes ou contestar raciocínios viciados ou cálculos mentirosos. Para alimentar conversas de café e amplificar bitaites sectários, já há para aí batalhões de blogues e ávidos activistas das redes sociais. Deixar-se seduzir e enredar nesta lógica é simplesmente o haraquíri do jornalismo. 

 

Publicado originalmente aqui

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Um livro extraordinário

por Duarte Calvão, em 26.12.12

Uma pessoa chega quase aos 50 anos e percebe que deixou para trás uma série de livros clássicos e desperdiçou menso tempo com jornais, revistas e livros sem importância. Mas nem tudo é mau, porque permite descobrir obras extraordinárias como Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio (Edição Relógio d’Água), que acabei de ler. Para não me sentir tão inculto, perguntei a uma série de amigos da minha geração, ou mais novos, quem o leu, e verifico que há muita gente que ainda o desconhece. Como é possível que não seja obrigatório, pelo menos em termos culturais, já não digo escolares, ler este livro publicado em 1944, sem dúvida um dos melhores romances portugueses dos últimos cem anos? Um português magnífico, personagens excelentemente construídas, um enredo inteligente e absorvente, é tudo muito bom.

Lembro-me do Vitorino Nemésio da televisão, mas obviamente não tinha idade para compreender a sua grandeza. Agora, vou tentar recuperar o tempo perdido, procurando outras obras suas, que espero que não estejam esgotadas. Mas provavelmente não encontrarei melhor do que este Mau Tempo no Canal, porque Nemésio, que morreu em 1978, não escreveu mais ficção depois de o publicar, como se soubesse que já tinha atingido o auge neste domínio. Mas aceito recomendações da sua obra ensaística, que parece que também é extraordinária.

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Bizarra condescendência

por João Távora, em 26.12.12

Por se fazer passar por algo que não era, Baptista da Silva foi apodado rapidamente de “fraude" - curiosamente não o foi pelas afirmações mentirosas que tanto seduziram o sub-director do jornal Expresso. Se não fosse o seu falso curriculum, teria algum jornalista contestado os seus erros factuais e “raciocínios? Qual o preço desta bizarra condescendência indígena?


Obrigatória a leitura desta crónica de Pedro Braz Teixeira

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Com papas e bolos se enganam os tolos

por Maria Teixeira Alves, em 26.12.12

"A ONU apresentou ao Governo e a várias autoridades uma proposta de renegociação da dívida total pública e privada e da condições do resgate da troika". 

"Dirigimos programas onde este paradigma do ajustamento já foi aplicado com resultados muito graves e onde foi preciso depois injectar capitais das Nações Unidas". 

"O que propomos é separar claramente a dívida que resulta da má gestão política dos governos locais da que é da responsabilidade das autoridades europeias"

"Falámos com todos os órgãos de soberania (...) alguns disseram que assinariam por baixo e delegariam na ONU a negociação [da dívida com a troika]"

"Não é normal que um país com o nível de endividamento e o desvio no défice orçamental que Portugal já tinha, e no meio de uma crise de dívida que o país vivia, o governador do Banco de Portugal tenha sido eleito vice-presidente do BCE"

Expresso 22 de Dezembro.

 

Como é que é possível que tenham engolido esta?

 

Bastava ler estas linhas para ver que se tratava de um autodidacta. Jamais um representante da ONU se atreveria a criticar a carreira profissional de Vítor Constâncio, por exemplo, isto é obviamente um tema típico de conversa de café. Também é óbvio que pedir para renegociar a dívida total pública e privada só pode ser opinião de um leigo. E por aí fora.  Não admira que alguns jornalistas (muitos também autodidactas) se tenham revisto nesta opinião generalista e de senso comum que este Artur Baptista da Silva expressou. 

 

É caricato olhar para esta crónica, mas ainda é mais caricato que Nicolau Santos, depois de elogiar a opinião se desminta a si próprio pedindo desculpa aos leitores por a ter emitido.

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Continuação de Boas Festas...

por Luísa Correia, em 25.12.12

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Dia de Natal

por João Távora, em 25.12.12

Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efectuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».

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Boas Festas!

por Luísa Correia, em 24.12.12

(Em Alcântara...)

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Top of the pops

por João Távora, em 24.12.12

Jingle Bells - Ethel Smith - Solo de órgão com orquestração, Decca BM30601 American Series (194?). A carreira desta popular organista americana teve o seu auge em 1944 quando vendeu mais de um milhão de cópias do tema Tico-tico.

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Baptista da Silva para Figura do Ano

por Duarte Calvão, em 24.12.12

Quando fizerem as suas listas de "Figuras do Ano", espero que os nossos estimados órgãos de Comunicação Social não se esqueçam de incluir o Prof. Doutor Artur Baptista da Silva e os seus alertas, brilhantemente sintetizados no título de um artigo de opinião assinado por Nicolau Santos no último Expresso (que não li): “O que diz Artur e o governo não ouve”. A sua sabedoria ecoou não só pelo Expresso, SIC (incluindo presença no "Expresso da Meia Noite", que não vi), TSF e Reuters, como até a TVI recorreu a declarações proferidas na concorrência para abrir pelo menos um noticiário (que eu vi).  Constança Cunha e Sá não deve ter conseguido resistir a confirmação tão clara das suas convicções sobre a "desgraça" que este Governo é para o país.

Soube do caso através de um bom noticiário da Antena 2, que justificava acertadamente o êxito deste “especialista” por ele dizer “o que as pessoas queriam ouvir”. Ou seja, que a “receita” do governo não dá certo, que estamos no caminho da Grécia, que temos que “inverter” as políticas e toda a insuportável lenga lenga que tivemos que aturar ao longo de 2012 em tudo o que foi jornal, rádio e televisão, muitas vezes apoiados por “especialistas” que, não tendo a lata de Baptista da Silva, garantem o seu acesso à Comunicação Social por também dizerem “o que as pessoas querem ouvir”. Por isso é que até uma pessoa como Marcelo Rebelo de Sousa, que devia ser mais exigente com aquilo que diz, atreve-se a enormidades como esta, dita no seu comentário de ontem: “o Governo está optimista, mas os portugueses não”. Nada mais nada menos, Marcelo consegue ser porta-voz dos estados de espírito de “Os Portugueses”. Judite de Sousa sorriu deliciada e confirmou com um aceno de cabeça.

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Artur Baptista da Silva

por João Távora, em 24.12.12


Baptista é serviço público. É espelho de nós, síntese do colectivo pátrio. Figura nacional de 2012. Ao contrário do que alguns gritam por esses táxis fora, Portugal não precisa de dois ou três salazares. Necessitamos, isso sim, de mais baptistas da silva. Artur Baptista da Silva, o homem que mostra a verdade dizendo a mentira.


Malomil na integra aqui

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Custa-me Cavaco, mas...

por José Mendonça da Cruz, em 23.12.12

Custa-me gostar de Cavaco Silva. Custa-me que se deixe apanhar em esquinas e cantos e responda às chuvas de perguntas com esgares, e dificuldades, com um discurso hesitante, mal articulado, penoso. Custa-me que nunca se eleve acima, que nunca faça um pronunciamento ou uma boutade em nome de alguma coisa superior. Custa-me que não se entusiasme nem se indigne, que nunca se zangue nem grite, nunca aponte um objectivo grande. Custa-me como articula e mastiga. Custa-me a literalidade egoísta com que interpreta o cargo. E, no entanto...

E, no entanto, prefiro-lhe a sisudez à jovial fluência dos aldrabões que nos hipotecaram, prefiro-lhe o visível desconforto em situações sociais e políticas ao exuberante savoir-faire dos que se sentam com ar de virtude à mesa do orçamento e se empanzinam.

A cultura de esquerda tratou de meter Cavaco no mesmo saco com os grandes delapidadores da República. Que aumentou os funcionários, que destruiu agricultura e indústria... Mente e esquece convenientemente que Cavaco presidiu a taxas de crescimento próximas dos 10%. E esquece o fundamental: que Cavaco Silva foi o primeiro (e o último) governante que pôs a tónica e insistiu na meritocracia e no valor do rigor e do trabalho. Esteve quase, quase a convencer os Portugueses. Julgo que é a principal razão por que a esquerda o detesta. Mas a esquerda socialista emendou a tempo: o deixa andar e não te rales mole e invertebrado de Guterres, o deixa andar que o dinheiro aparece sempre de Soares, o deixa gastar que o dinheiro só falta aos pessimistas de Sócrates deram cabo muito depressa da principal herança de Cavaco. Agora e no próximos anos -- durante os quais pagamos -- custa-me gostar de Cavaco Silva. Mas gosto.

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