Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Assim se combate a "crise" também

por João-Afonso Machado, em 28.10.12

Vai na sua sexta edição, a «Super Especial» automobilistica em percurso urbano famalicence. Esta tarde. As ruas da cidade encheram, o comércio local rejubilou. A organização pertence à Câmara Municipal e conta com o apoio de entidades e patrocínios diversos. É, obviamente, uma forma de dinamizar a urbe e a sua organização empresarial. Com recurso a um desporto com vasta adesão entre as gentes da terra.

Tema, pois, que de pacífico só não tem o barulho dos motores. Porque é matéria a que a Oposição não se opõe, assim circulando livremente nos corredores e anfiteatros da edilidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo

por João Távora, em 28.10.12

Evangelho segundo São Marcos

 

 Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus per¬guntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

 

Da Bíblia Sagrada

Autoria e outros dados (tags, etc)

É nossa, é minhota!

por João-Afonso Machado, em 27.10.12

A biografia traça-se de uma penada: a locomotiva 02049, da fabricante britânica William Fairbaim & Sons, nasceu em 1857, um ano após a primeira viagem ferroviária em Portugal (de Lisboa ao Carregado). É a mais antiga existente em Portugal, tendo iniciado os seus serviços em tais aventuras entre a Capital e Santarém.

Viria a ser vendida à companhia Caminho-de-Ferro do Minho e Douro, ainda na altura em que esta estendia carris, e, por volta de 1882, recebia por baptismo o nome de "Este", alusivo ao afluente do Rio Ave que vem de Braga e atravessa o concelho de Vila Nova de Famalicão. Em 1931 ainda não se reformara, somente fora carinhosamente crismada de "Andorinha".

Esse o seu actual nome. Repousa em Nine, estação onde ocorre a bifurcação da Linha do Minho e do ramal bracarense. E onde consta pretenderem levá-la para o museu do Entroncamento.

É a guerra! Porque o Entroncamento há muito está prenhe de fenómenos e não precisa de mais este. A "Andorinha" é nossa! - proclama-se em terras vizinhas do berço da Maria da Fonte. E as gentes armam-se para combates realmente justificados.

Hoje mesmo a manifestação foi exuberante, junto à cocheira onde a "Andorinha" se resguarda. Tenhamos atenção ao evoluir das tropas no terreno.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A grande maldição

por João Távora, em 27.10.12

 

Na quinta-feira passada não resisti a assistir a mais uma amarga derrota do Sporting e assim me certificar do seu acelerado fenómeno de decadência. Uma pessoa não se habitua à dor e palavra de honra que fiquei incomodado, com um inaudito melão. 
Como já referi mais do que uma vez, nestas coisas da bola sou apenas um adepto de paixão que não leva a sério a discussão de estratégias facilmente objectadas por uma bola à trave, uma lesão fatal ou má arbitragem. Ou seja, este é daqueles temas em que sou meramente “clubista”, ou seja, parcial e apaixonado - o que me move (me faz saltar) são as bolas lá dentro.
As razões atrás expostas não me permitem portanto uma análise lúcida da situação. Isso tem na língua portuguesa uma expressão clara e explícita, diz-se: o Filipe é do Benfica, o Vasco é do Porto e o João é do Sporting. Uma relação de propriedade, inevitabilidade umbilical, siamesa, da qual não há fuga ou libertação possível. Entendamo-nos: se fosse ao contrário e o Sporting fosse meu, eu rifava-o, escondia-o no sótão no baú dos trastes de família, aí mesmo onde estão todos os descarnados esqueletos. Mas não; para desgraça minha sou eu que sou do Sporting, qual Fausto que por uma miragem de felicidade vendeu a alma, e que assim alcançou a dor lancinante do perpétuo fogo dos infernos diabólicos. Não há rádio, jornal ou noticiário que a cada hora não me confronte com esta maldita condenação de assistir com uns palitos nos olhos ao naufrágio clube de que sou refém.
Agora mais a sério: temo bem que pouco haja a fazer nestes dias para resgatar um pouco de orgulho e alegria aos sportinguistas, que em boa verdade, desde os anos sessenta, animados por umas poucas e fugazes vitórias, vivem dos seus pergaminhos. E se há pessoa que sabe que, exceptuando para a um alfarrabista, o valor prático dos pergaminhos é igual a zero sou eu; acreditem. Como diz o povo, "fidalguia sem comedoria é gaita que não assobia" e pelos vistos acabaram-se as filhas dos brasileiros ricos para “bem casar”, que o dinheiro custa a ganhar em todo o lado. E sem palhaços acabou-se o circo. É uma gaita.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Ligo a RTP e vejo o Mário Soares a perorar contra isto e contra aquilo e a debitar coisas e mais coisas e a perguntar afinal qual era a sua pergunta e quase que tenho pena do desgraçado. O homem não sabe a figurinha que faz, mas não sou eu quem tem de o avisar...

Autoria e outros dados (tags, etc)

gente muito estranha...

por Vasco Lobo Xavier, em 26.10.12

Não tenho nada a ver com aquilo mas o que me estranha mais no clube lampião é a facilidade com que aqueles adeptos engolem qualquer disparate. Qualquer patranha que qualquer papalvo lhes ofereça é bebida com a mesma sede de um perdido no deserto.

 

Vem Vieira, ao fim de não sei quantos anos de desaires, e diz que a equipa do Benfica vai ser a espinha dorsal da selecção nacional. Tudo aplaude entusiasticamente naquela selva maluca e ninguém se interroga: irá Vieira alterar outra vez toda a equipa? Irá comprar Ronaldo, João Moutinho, Varela, Rolando, Miguel Lopes, ou mesmo Meireles, Bruno Alves e Pepe? Ou é antes uma promessa para um futuro quase tão longínquo como longínquas são as passadas conquistas europeias? E engolem esta patacoada?!?...

 

Vem o outro candidato, que se queixa – e bem – de nos últimos anos o Benfica ter menos campeonatos nacionais do que os troféus europeus conquistados pelo rival Futebol Clube do Porto, e promete ganhar o campeonato nacional este ano. E e a maralha aplaude também efusiva. Mas alguém pode prometer semelhante coisa?!?...

 

Que gente estranha…

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estranhezas...

por Vasco Lobo Xavier, em 26.10.12

No estado em que o Estado colocou o ensino na escola pública, e uma vez que no Porto não existe o Liceu Infanta D. Maria, para mim de muito boa memória, todas as minhas poupanças são aplicadas no Colégio Nossa Senhora do Rosário, esperando que a geração que se me seguirá aproveite o esforço dos pais. Mas isto sou eu, que não sou político e defendo a escola privada nas suas diversas vertentes, ao lado da escola pública, por vezes igualmente boa. E os meus estarão lá enquanto os seus pais puderem, mesmo que não pese ao Estado e o custo não seja dedutível nos impostos absurdos que pago. Assumo, posso, quero, e enquanto puder e quiser estarão lá, nesse belíssimo colégio.

 

Estranho é que o antigo secretário de Estado, Paulo Campos, confesse em público que tem de se socorrer dos pais para apoio económico para, segundo o próprio, dar uma boa educação aos filhos. Estranho tanto essa confissão do político socialista contra a escola pública como o facto de ninguém ter reparado na coisa. Aliás, talvez até estranhe mais esta última, mas a comunicação social é como é... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A falta que o Público não faz - uma peça de intoxicação

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.12

A notícia factual, tal como é publicada hoje em jornais que procuraram informar (Jornal de Negócios, Diário de Notícias, i, Sol) é a seguinte:

O Tribunal de Contas acaba de divulgar um estudo sobre o custo dos alunos no ensino obrigatório, que lhe foi pedido pelo grupo parlamentar do PSD quando na oposição. O TC considerou 1.238.599 casos de alunos do ensino básico e secundário, referentes a 1176 escolas e apresentou o estudo que é relativo ao ano de 2009/2010. O estudou determinou que um aluno do 1º ciclo do ensino básico custa, em média, 2771,9 euros, um aluno do 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário custa, em média, 4921,44 euros; o valor médio (por aluno) do financiamento do ensino particular e cooperativo é de 4522 euros. Os responsáveis do ensino privado e cooperativo defendem que a economia é ainda maior visto que, nos casos de contratos de associação, o Estado não paga o custo das infraestruturas.O Tribunal de Contas adverte, depois, que os números do estudo não devem ser extrapolados para anos mais recentes, visto os cortes e racionalização no sector da educação feitos pelo actual Governo terem, provavelmente, feito baixar o custo por aluno no ensino público.

Tendo isto em conta, o ministério de Nuno Crato tem em curso um estudo para os anos posteriores, que não está ainda concluído.

Estes são os factos segundo as notícias daqueles jornais.

No mesmo dia, eis o que fez deles a central de intoxicação do Público.

Sobre a mesma exacta matéria o Público titula na pág. 9: «Custo médio por aluno continua a ser uma incógnita». Ou seja, o Público descarta a notícia que lhe desagrada, e opta por titular com uma não-notícia.

Depois, a abertura da peça: «Tribunal de Contas reconhece que o valor apurado na sua auditoria está datado face aos cortes e às medidas na educação». Ou seja, o Público, que não gosta da notícia - e, por isso, não a dá -, preocupa-se em desvalorizar o que omite do mesmo passo que cita o TC fora do contexto.

Depois, o Público prossegue nesta sua obsessão de esvaziar de conteúdo o conteúdo que não quis transmitir: diz que «durante um ano» o TC andou nisto, mas que «como o próprio TC reconhece, o cálculo (…) já não é válido». Depois explica que não é válido porque as sucessivas medidas de austeridade (contra as quais o mesmo Público tanto se encrespou) resultaram em diminuição da despesa. Ou seja: um título, uma entrada e dois parágrafos depois, o Público ainda não deu um facto, um número. Mas obstinou-se contra eles, apesar de não os revelar.

Por fim, no 3º parágrafo: «Em 2009/10 foi apurado um custo médio por aluno das escolas públicas de 4415 euros. Nos colégios com contrato de associação, este valor era de 4522 euros.» Aqui, manipulando grosseiramente os números, amalgamando o que o relatório distinguiu, o Público consegue extrair do estudo do TC (mesmo que ele lhe desagrade tanto) o contrário do que o estudo diz.

Por fim, e recaindo no habitual tique de que «o governo não quis dizer», o Público ignora que o estudo actualizado do ministério da Educação ainda não está concluído, e remata: «O Público questionou o MEC, mas não obteve respostas».

Recordemos, visto isto, algumas frases tremendistas que têm sido pronunciadas a propósito da crise que tão justamente afecta o Público. Proclama-se que é terrível para a sociedade civil perder um jornal de referência. Mas referência de quê? Um mínimo de civilidade impede-me de dizer. Diz-se que a saúde da democracia fica em risco com a perda de valores como o Público. Mas dizer que a democracia perde com processos jornalísticos como o acima, é o mesmo que dizer que para apreciar o oxigénio é preciso inalar gás.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira mini-remodelada

por Corta-fitas, em 26.10.12

Gisele Bundchen

Autoria e outros dados (tags, etc)

O fascínio da história da gravação sonora

por João Távora, em 26.10.12

Recentemente foi descoberta, recuperada e reproduzida esta gravação de 1860 feita por Édouard-Léon Scott de Martinville num fonoautógrafo, que nunca descobriu forma de a reproduzir. Este refrão de Au Clair de la Lune é o registo de voz humana mais antigo alguma vez escutado. 


O primeiro aparelho de gravação e reprodução sonora mecânico foi o fonógrafo de cilindro, inventado por Thomas Edison em 1877. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

É o que sobra ...

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.12

O Tribunal de Contas estudou, concluiu e acaba de divulgar que um aluno no ensino privado custa muito menos do que um aluno do ensino público, o que recomenda vivamente os contratos que o Estado vem celebrando com escolas particulares.

Mas estamos em Portugal.

De maneira que lá tem que vir (e ser ouvido em destaque por pés-de-microfone) o inefável Mário Nogueira, da Fenprof, dizer que ai não, isso é porque o ministério é mau, tem professores sem horário, e público e caro é que é bom.

Os amanhãs que os Nogueiras cantaram são isto em que nos debatemos agora. E os amanhãs que propõem são iguais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

É o que há ...

por José Mendonça da Cruz, em 26.10.12

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, anunciou a intenção do Governo de, após negociação com FMI, UE e BCE, instituir uma taxa de IRC de 10% (a mais baixa da Europa) para as empresas que façam investimentos superiores a 3 milhões de euros. A medida (embora de difícil negociação e ainda mais difícil aprovação pela UE) teria efeitos explosivos em termos de atracção do investimento estrangeiro, crescimento do investimento privado em geral, e criação de postos de trabalho e de riqueza.

Mas estamos em Portugal.

E, assim, o líder da UGT, João Proença, proclama que essa medida seria «obscena», porque se traduz em baixar impostos para empresas (más) e não para os trabalhadores (bons). E o presidente da Associação de PMEs acha mal conceder taxas de IRC a empresas que invistam 3 milhões porque as PMEs não têm 3 milhões para investir.

Imóveis e miseráveis todos por igual. Eis o bom futuro na cabeça desta gente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dias mais azuis virão

por João-Afonso Machado, em 25.10.12

Não poderá ser de outro modo, dias mais azuis virão. Com uma tonalidade capaz de se sobrepor às cores próprias de cada estação, realçando a riqueza própria de todas elas. Mesmo quando, como hoje, o frio se instala e convida ao recato. Ou a outro tipo de produtividade. Não haja escusas. O caminho faz-se caminhando, para usar um lugar-comum. E o estar suspenso mais não poderá ser senão uma ilusão - nem sequer uma fracção de segundo num tempo que é de todos e contra cujos malefícios todos temos de lutar.

Porque a invernia já não serve de desculpa. Mesmo sob chuva, os tractores continuam a lavrar a terra. Antes que a terra, de tão empapada, ceda ao seu peso.

Agindo assim, é de crer consigamos. Nem de outro modo a lareira alcançaria o paladar de um merecido serão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

notícias curiosas...

por Vasco Lobo Xavier, em 25.10.12

Funerárias queixam-se de que negócio pode morrer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Variações

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.12

«Existe aparentemente um enorme desvio entre o que os portugueses acham que devem ter como funções do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar», Vítor Gaspar, 24/11/2012.

«Existe gritantemente uma contradição entre a aliança entre os vários serviços, corpos e avençados do Estado que se aliaram para continuarem a comer à mesa do Orçamento e a disposição dos contribuintes de continuar a mantê-los empanturrados.»

«Existe escandalosamente um enorme fosso entre o que os governantes prometeram em programa abater à gula do Estado e o pouco esforço aplicado no corte de rendas a eléctricas, PPPs, fundações, institutos e no abate das despesas sumptuárias daqueles que acham que um Renault Clio oferecido pelos contribuintes está abaixo do seu status.»

«Existe chocantemente um claro contraste entre a facilidade com que os governantes sufocam indivíduos, famílias e empresas e o esforço que estão dispostos a aplicar na tarefa que sempre dizem "muito difícil" de pôr fim aos seus próprios gastos perdulários.»

«Existe tristemente uma enorme apatia dos governantes perante o que já deveriam ter feito em termos de redução do tamanho e gastos do Estado e a farronca com que apontam o dedo aos espoliados e confiscados.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Grécia como exemplo para tontos

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.12

Alguma comunicação social destituída de brio e honestidade profissional anda agora a tentar apresentar a tragédia grega como um exemplo para nós. Diz ela: «Vêem, vêem?! Os gregos portam-se mal, ao contrário de nós, e ganharam mais dois anos de folga e mais dinheiro no programa de resgate.»

Eis o que essa comunicação social omite: que o contrato para esse novo programa e prazos de resgate ainda não está celebrado; que, a ser celebrado, os gregos deixarão, basicamente, de fazer o seu orçamento, que passará a ser cozinhado no estrangeiro; que os gregos serão obrigados a contratar peritos estrangeiros para tratar de cobrar impostos, combater a corrupção e, em geral, governar o país. O programa é de uma tal brutalidade que faz empalidecer o nosso e faz estremecer o próprio FMI. Mas há media portugueses assim, e nem estranharia que Seguro ou Galamba lhes soprem o exemplo e depois o invoquem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ulrich versus Ricciardi

por Maria Teixeira Alves, em 25.10.12


São dois portugueses, com apelidos estrangeirados, são dois banqueiros, dois aristocratas na alta finança. Mas isso não impediu que trocassem ironias.

Hoje Fernando Ulrich foi questionado por um jornalista de um canal de televisão (daqueles que trazem a cartilha anti-Vítor Gaspar agarrada à pele), se concordava com a adjudicação por ajuste directo da assessoria de uma privatização a uma entidade estrangeira , portanto sem concurso público? Numa clara alusão ao facto criticado por José Maria Ricciardi (em conversas telefónicas com o Governo) de a assessoria financeira da privatização da EDP ter sido entregue pelo Estado (via CGD) à Perella W. Partners. Claro que o jornalista estava à espera que o presidente do BPI criticasse o Governo e o Ministério das Finanças, mas qual não foi o espanto quando respondeu: "qual ajuste directo? O primeiro ou o segundo? É que quem protestou o primeiro [EDP] (que agora se sabe que protestou) ganhou logo as duas privatizações seguintes: TAP e ANA, é caso para dizer que o protesto valeu a pena" (muito bom FU).

O BES, que se vê a braços com o embaraço das escutas telefónicas que apanharam José Maria Ricciardi (BESI) a protestar contra as adjudicações das privatizações junto de "membros do Governo", levou com a sinceridade desconcertante e irónica de Fernando Ulrich, que aproveitou para confessar que não tinha protestado contra nenhum ajuste directo, nem contra o primeiro, nem contra o segundo. Mas que lhe tinha calhado um candidato à compra da ANA.

Ora cheira-me que Fernando Ulrich acaba de arrumar as hipóteses do seu candidato à ANA ganhar a privatização, é que quem vai hierarquizar as propostas é o BES Investimento!

A sinceridade é muito atraente mas não ganha privatizações. Neste caso os protestos em privado, junto das altas esferas governamentais são mais eficientes e produzem mais resultados!  

O BESI, perdeu pela primeira vez (e pela última) a assessoria financeira do Estado numa privatização. Desde o episódio Perella, nunca mais o BESI perdeu nada e vendo bem nem a EDP perdeu, porque assessorou o candidato vencedor. A Three Gorges  tinha a melhor proposta de compra da EDP, e assim o cliente do BESI deixou para trás a alemã E.On que o Ministro Vítor Gaspar (o mesmo que traiu o BES ao contratar a Perella) tanto queria.

Fernando Ulrich não ganha nada, mas tem este charme desconcertante de ser a voz da razão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jornalismo, qualidade, sabedoria ... e o contraste

por José Mendonça da Cruz, em 25.10.12

Fazendo, como é seu costume, jornalismo no sentido mais nobre, jornalismo informativo, actual, José Gomes Ferreira entrevistou ontem, no seu programa Negócios da Semana, Eduardo Eurnekian, o patrão da Corporación América argentina, provável comprador da ANA, e German Efromovich, do grupo Synergy, provável comprador da TAP. Se o pragmatismo oportunista de Efromovich não descansa quanto ao futuro da TAP, já a segurança empresarial e a sabedoria cosmopolita dos 80 anos de Eurnekian auguram muito de bom para os aeroportos de Portugal. Seja como for, ambas as entrevistas me acentuaram a impressão de que a maneira como estamos a diversificar as nossas relações económicas, com relevo para a China e a América do Sul, se vai revelar, dentro de poucos anos, uma opção muito, muito, muito inteligente e proveitosa.

(É claro que, logo a seguir a ambas as notáveis e informativas entrevistas de Negócios, a SicNotícias regressou às suas colagens malandrecas de declarações de presidentes socialistas, às «contradições» e «recuos» no governo, e à reprodução de momentos caricatos como sendo o cerne dos debates parlamentares. Como que a demonstrar que Gomes Ferreira é uma pequena ilha de qualidade num curso de aromáticos efluentes.) 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Olhando para as declarações do Ministro das Finanças lembrei-me de um pensamento que é em mim recorrente. Nesta geração Portugal não tem remédio. Somos a fatídica geração da transição.

"Aparentemente existe um enorme desvio entre aquilo que os portugueses acham que devem ser as funções sociais do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar", alertou Vítor Gaspar, hoje no Parlamento.

Evidentemente que as pessoas precisam do Estado para ir ao médico, para sobreviver quando estão no desemprego (e estão muitas vezes e nalgumas vezes para sempre), para enterrar os seus mortos, para sustentar os seus filhos e os educar.  É quase um veredicto dizer que Portugal paga mal e não oferece oportunidades de evolução. 

A verdade é que os portugueses sofrem de sub-valências, sub-conhecimentos, sub-formação e a sociedade não oferece oportunidades. Este país não oferece oportunidades. Mas não é só pela falta de dinheiro, é pela medíocre cultura, pelo conservadorismo, pela insegurança. 

Margaret Thatcher dizia que a economia é o instrumento, mas o importante é mudar a alma. É isso, o importante é mudar a alma. A minha geração era aquela que entrava no mercado de trabalho à procura da segurança no trabalho. Nós não tivémos inglês obrigatório desde a primária, aprendemos a escrever à máquina e quando entrámos na idade adulta já estávamos na era dos computadores, o mail, o telemóvel são coisas que nos aparecem em adultos. A informática que aprendemos é por isso rudimentar. Passámos os anos 80 e 90 no consumo fácil e fútil com o dinheiro da CEE, achámos que isso durava para sempre e por isso não poupámos. Fomos educados para casar para a vida inteira e não encontrámos essa realidade em adultos. As mulheres pensaram que os homens serviam para as proteger, e chegámos à idade adulta a ter que nos proteger dos homens. 

Este  país é classista, deslumbrado, não premeia o mérito (já é uma sorte quando não o castiga) e vive do "amiguismo".

A certa altura, com Guterres, teve uma magna ideia de apostar na educação mas a aplicação dela foi desastrosa. Por exemplo criaram-se cursos universitários de tudo, menos do essencial. 

Por exemplo, algures em 2004, quis fazer um curso de guionismo (porque a pobreza dos diálogos dos nossos teatros e cinema parecia-me constrangedora) e de escrita criativa nem um único curso universitário, ou mestrado, sobre o tema, e de resto tínhamos cursos superiores de filosofia oriental.

A revolução cultural está agora a fazer-se pela economia, pela recessão, pelo ajustamento, pela austeridade . Mais uma vez Margaret Thatcher tinha razão.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O ano da fé

por João Távora, em 24.10.12

“Ter fé cristã é aceitar que Deus, em Jesus Cristo, nos dá a vida, para além da morte e para além de todas a nossas capacidades de a conquistar. Isso permite uma atitude de confiança que abre à esperança, para além de todo o absurdo aparente”.

 

João Manuel Duque, diretor-adjunto da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa

Autoria e outros dados (tags, etc)




Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    1974, Setembro, LM:Antes de seguir para a cidade, ...

  • Anónimo

    Muito bem escrito.Devemos ter sido amigos e vizinh...

  • Sarin

    Porque nem sempre discordamos, permita-me partilha...

  • Anónimo

    novos-ricos cheio de 'entusiasmo urinário'

  • Luís Lavoura

    Parece que o João Távora está contente com o perfi...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2008
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2007
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2006
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D

    subscrever feeds