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Martim Avillez Figueiredo na sua crónica de hoje do Expresso traz à estampa o interessante debate sobre a importância da família, no lugar do “indivíduo” como alvo alternativo das políticas sociais. Aludindo a teses do académico dinamarquês Gota Esping-Anderson e da democrata americana Isabel Sawhill, ele refere como as pessoas podem ser ajudadas através da melhoria do background familiar, e como afinal é esse o pilar que falta privilegiar nas modernas políticas sociais. É aí, defende, onde melhor “circulam os apoios, suavizando assim o estigma dos subsídios e assegurando uma rede de solidariedade entre pessoas que se conhecem” num sistema orgânico de auto-regulação.
Supondo que sobrevivia às instaladas tendências libertárias, receio que este pertinente debate tenha chegado tarde demais. Tenho muitas dúvidas de que a família na sua concepção tradicional, de comunidade solidária, necessariamente hierarquizada, simultaneamente tolerante e reguladora, acolhedora mas circunscrita, sobreviva à voracidade da adolescentocracia predominante. Porque uma família, mesmo sem a rigidez de outrora, nunca pode ser “relativa” e volúvel à precariedade das paixões momentâneas individuais. A família, sendo um espaço promotor de liberdade, cobra caro as infidelidades e é exigente nas contrapartidas. Acontece que limitados que são os recursos materiais e afectivos disponibilizados ao grupo, a salvaguarda da sua coesão obriga os seus membros ou candidatos a desafiantes rituais de entrada e à repressão de veleidades hedonistas, que afinal constituem a ameaça a um irreversível processo da extinção.
São vários os sintomas desta hecatombe. Nas festas, as crianças já nem abrem os presentes que os convidados levam
Os quartos dos nossos filhos não são quartos, são garagens com uma cama lá no meio; são arrecadações onde, por acaso, alguém dorme. É impossível a uma criança organizar uma qualquer brincadeira nestas condições. Por isso, o interesse em brincar morre logo ali à entrada do quarto. (...)
Deixou de ser preciso imaginar e inventar e deixou de existir paciência para o fazer. Pior: tudo o que as crianças podiam imaginar ou inventar está imaginado e inventado e disponível em qualquer loja perto de si. Já não existe o conceito “passar a tarde a brincar”. Onde? Como? Com quê? Com quem? Pois. O melhor é ir ver televisão e não desarrumar nada.
Inês Teotónio Pereira hoje no jornal i
Ricardo Salgado diz que não vamos ter aumento da carga fiscal:
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Caro H P SGostava muito e estou certo que serei ap...
Excelente texto, com assetividade e sem falácias i...
Não são só as aulas teóricas sobre democracia que ...
Nem à beira, quanto mais à beirinha ... Além disso...
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