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Manhãs pedestres

por João-Afonso Machado, em 05.08.12

A caminhada nem sempre será uma fatalidade, a solução de recurso para quem perdeu a boleia. Na cidade ou no campo, os trajectos retratam bocados de quotidiano, há um sem-número de pormenores que entretém, explicam, constituem novidades. Nesta nossa vida em que, por regra, tanto nos passa ao lado.

Além do par de pernas, de origem e raríssima e nunca completamente substituível, a convir manter na melhor forma. Assegurando a média horária dos 6 kms, no ir e no voltar, sem dramas e sem dores. Ano após ano.

É uma graça de Deus e um estímulo mental. Um desassombro. Sobretudo em percursos onde haja cor, beleza, natureza, oxigenação do espírito. De modo a que os 30º de temperatura ambiente passem despercebidos.

Caminhar é concretizar. É transpor o discurso das intenções, transformando-o em actos de vontade. Como se, de uma vez por todas, cessasse o saltarico entre este e aquele e aqueloutro projectos, todos eles sequer iniciados.

(Além de ser levado a crédito na conta corrente das inevitáveis "proezas" gastronómicas que sempre assolam a época de férias...).

Domingo

por João Távora, em 05.08.12

Evangelho segundo São João

Naquele tempo, quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo». Disseram-Lhe então: «Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?». Respondeu-lhes Jesus: «A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou». Disseram-Lhe eles: «Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná, conforme está escrito: ‘Deu-lhes a comer um pão que veio do Céu’». Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu. O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo». Disseram-Lhe eles: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome, quem acredita em Mim nunca mais terá sede»


Da Bíblia Sagrada

Bilhete postal

por João Távora, em 04.08.12


A tradição consiste em confiar no consenso das vozes humanas, em vez de confiar no registo isolado ou arbitrário. Por exemplo, uma pessoa que cite um historiador alemão para se opor à tradição da Igreja Católica está, rigorosamente falando, a apelar à aristocracia. Está a apelar à superioridade de um especialista contra a tremenda autoridade de uma multidão.


Chesterton


Foto: Maré Cheia no Rio Mira - Vilanova de Milfontes

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Gente realmente importante

por João-Afonso Machado, em 04.08.12

Não quis ficar no retrato e mandou para lá os melões dele. É Agosto mas os dias são passados à sombra, numa das entradas da cidade. Os tempos vão como todos sabemos e a sua produção é excelente e tem muita procura.

Aires Mesquita há-de ser um dos mais bem sucedidos agricultores do concelho. Com sacrifício e persistência e esta peculiar forma de encarar as férias. Porque naquele recanto decorre o negócio a par com o entretenimento: os amigos passam, param, conversam...

Estudámos juntos. Ontem, relembrando esses anos já remotos, dizia-me o Aires Mesquita:

- Deviamos era ter ido para a Política!,

enquanto volvia os olhos aos seus melões, num certo ar desconsolado de quem quase desabafa - falhámos a vida!; falhanço este, como é sabido, dependente inteiramente do estomago.

Mas, conhecendo-o como conheço, estava obviamente a brincar.

Bilhete postal

por João Távora, em 03.08.12

 

Os democratas opõe-se à exclusão das pessoas devido aos acasos do nascimento; pois a tradição opõe-se à sua exclusão devido aos acasos da morte. A democracia sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja o criado lá de casa; pois a tradição sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja o nosso pai. Por mim, não consigo separar as duas ideias, a da democracia e a da tradição; parece-me evidente que se trata da mesma ideia. 


Chesterton


Foto: Vilanova de Milfontes

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Sexta-feira a banhos

por Corta-fitas, em 03.08.12


Pania Rose

Eurico de Melo

por João-Afonso Machado, em 02.08.12

Decerto já poucos se lembravam dele, o que, só por si, é um excelente sinal. Não fosse o desespero de um País que vê partir um dos últimos de uma geração desgraçadamente sem sucessores. A geração em que ainda havia quem entendesse a Política como um serviço e não como um emprego.

Eurico de Melo, de resto, tinha o seu, não precisava da partidocracia para se alimentar ou para enriquecer. Também não sentia, aliás, necessidade de enriquecer. Bastava-lhe ser o que já era.

Era minhoto, era um senhor e se porventura o epíteto de "vice-rei do Norte" lhe assentava bem no espírito e no curriculo... sorte da Região. Eurico de Melo serviu-a, como serviu Portugal - nunca serviu o Estado, nem do Estado se serviu. Obviamente não era republicano.

Por tudo, e por respeito à sua liberdade pessoal, quando entendeu que não era entendido - bateu a porta, regressou à sua terra. E à sua profissão.

Fica o seu exemplo, agora que a doença e a idade o levaram. O exemplo de como e porquê deviam inexistir Mários Soares; e da tontice da "ética republicana" também.

Bilhete postal

por João Távora, em 02.08.12



"É ocioso estar sempre a discutir a alternativa entre a razão e a fé. A razão, é ela própria, uma questão de fé. É um acto de fé afirmar que os nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade" 

Chesterton


Foto: Furnas ao luar, Foz do rio Mira

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Está desvendada identidade do Super-Homem

por Maria Teixeira Alves, em 02.08.12

 

Qual Clark Kent português, o Super-Homem que é ao mesmo tempo administrador de 73 empresas (segundo o relatório da CMVM), foi revelado: é Miguel Pais do Amaral.

 

Um verdadeiro campeão do corporate governance!

 

P.S. Ironia à parte, é preciso esclarecer que Miguel Paes do Amaral é accionista em grande parte delas, razão pela qual é nomeado administrador. Mas que na maioria delas nem lá põe os pés isso é quase certo.

Férias

por João-Afonso Machado, em 01.08.12

Chove, cá para cima. Não é maçada alguma: antes uma poupança de combustivel nos motores de rega. E um bom pretexto para pastelar, mesmo porque os cães também são gente.

Já para não falar nos Jogos Olimpicos, onde se vê de tudo menos medalhas para os portugueses.

A tarde cai. A manhã ainda foi de passeio, a vizinhança gosta sempre de uma palavrinha, há que planear os dias seguintes, tirar uma fotografias...

São as férias. Sem absoluta necessidade de praia e de fartura solar sobre a cútis. Apenas no local exacto onde nada nem ninguém chateia alguém.

Bilhete postal

por João Távora, em 01.08.12

 

"As pessoas que fazem coisas inúteis são as pessoas mais felizes; as pessoas doentes não têm energia para serem ociosas." 

.
Chesterton
.

Foto: A Pirâmide do Malhão, construída pelo meu sobrinho Francisco

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It's the economy, stupid

por Zélia Pinheiro, em 01.08.12

Os políticos não gostam muito de economistas, que tendem a dizer-lhes que "não intervenham na economia", quando os políticos obviamente não foram para a política para estar quietos e gostam é de intervir.

A opinião pública em geral também não tem os economistas em grande conta e prefere os políticos. Afinal, são os políticos que defendem as coisas populares como os benefícios sociais, os "subsídios", os "apoios" e as "ajudas". Quem não gosta de ser beneficiado, subsidiado, apoiado ou ajudado? Os economistas na melhor das hipóteses  defendem coisas esotéricas como "flexibilidade laboral" ou "simplificação dos licenciamentos", para não dizer outras que, convenhamos, não interessam muito a ninguém.

Keynes é o economista preferido dos políticos porque fundamentou teoricamente a intervenção do Estado na economia. Com Keynes, os políticos respiraram fundo - afinal, a economia podia ser sua amiga. O Estado podia “criar” emprego. Keynes colocou expressamente a economia do lado da política e substituiu a mão invisível de Adam Smith pela mão visível dos governos, ajudando os políticos a ganhar eleições de uma forma simples. A “economia” intervencionada cresceu e multiplicou-se. Logo surgiu uma panóplia de instrumentos jurídicos dedicados: primeiro as “empresas públicas”, depois as “sociedades anónimas de capitais públicos”, por fim as “parcerias público-privadas”. Ao mesmo tempo cresceu a burocracia, uma forma ainda mais directa de criação de emprego: quando não podia criar empresas, o Estado criou institutos e agências ou mesmo fundações, nos casos de mais atrevimento. Todos juntos, a pouco e pouco, foram permitindo o “pleno emprego” de milhares de portugueses.

O único problema é que, a menos que se opte pelo colectivismo, a economia não é inteiramente domesticável e continua por aí a chatear. E convém que continue, porque afinal, a propriedade pode ser o "direito terrível”, mas é a propriedade que financia o “Estado de bem estar”. Ou, como já disse quem se sabe, o socialismo só dura enquanto dura o dinheiro dos outros. Alguém tem sempre que puxar da carteira. E este admirável mundo novo, no limite, não tinha quem o pagasse.

Vem isto a propósito deste post sobre a última reforma da legislação laboral - digo última porque entre nós é sempre a “última”, pois as reformas, já sabemos, são como as cerejas. Tratou-se, grosso modo, de reduzir férias e feriados (entre outras coisas, extinguindo um curioso bónus de férias por assiduidade criado há apenas meia dúzia de anos por um governo que devia ter sabido evitar estas asneiras), reduzir as remunerações devidas por trabalho suplementar (vulgo horas extraordinárias) e as compensações devidas por cessação do contrato de trabalho.

Nada disto é espantoso. Trata-se de aliviar a intervenção pública no mercado laboral. E se for um passo excessivo no sentido da liberalização, não o será tanto quanto foi excessivo o favorecimento dos trabalhadores nas últimas décadas, segmentando geracionalmente o mercado de trabalho e forçando as empresas a contorcionismos legais para a contratação. Agora, precisamos mesmo é de empresas e empresários e de quem esteja disposto a arriscar para criar riqueza.

E, por favor, não me venham falar em direitos adquiridos, a menos que estejam dispostos a falar também no direito dos que ainda não adquiriram direitos a poder vir a adquiri-los um dia. 

 

(Publicado originalmente aqui)

Dizem que é arte...

por Francisco Mota Ferreira, em 01.08.12

Eu até sou bastante tolerante com a arte e gosto de uma boa provocação. Mas será que estes meninos sabem que adulterar o Hino é crime?

Até quando, Pais de Brito?!...

por Vasco M. Rosa, em 01.08.12

O Museu de Arte Popular vai passar a ser controlado (dirigido seria excessivo), ou seja, escondido, por Joaquim Pais de Brito, que assim fica com dois museus pessoais: o MAP e o Museu Nacional de Etnologia. A figura é tão indolente e discreta que só não mandou mudar a placa na fachada do MNE, mas o resultado lá dentro é a total e abusiva dominação pessoal dum património de todos. De todos nós! É obra. E consentida... Mas, até quando?! E porquê?...




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