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Quadratura com Pires de Lima

por Maria Teixeira Alves, em 01.03.12

Deve ser chato para António Costa estar a fazer o debate da Quadratura tendo por oposição um empresário que põe a mão na massa da economia, onde os seus argumentos não são políticos, mas sim económicos. É chato para António Costa e mesmo para Pacheco Pereira ter que se debater com António Pires de Lima.

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Por cá é assim

por João-Afonso Machado, em 01.03.12

Os nossos rios deslizavam assim, prenhes de peixe e de odores naturais. A ler-se-lhes os fundos pedregosos e arenosos, cercados de terra sã, as margens limpas porque as águas serviam o cultivo. Até as mentes menos previdentes descobrirem a galinha dos ovos de ouro - esses paralelipípedos construídos nas cercanias, ligados aos cursos respectivos por tubos a vomitar veneno. E todos deixámos andar...

Escusam as vestais do Progresso recordar agora as melhorias que a industrialização trouxe ao povo trabalhador do Minho. Conneço-as. São elas o oposto dos males que agora os torturam. Tudo está morrendo menos as vivacíssimas sequelas da poluição. Por isso, e encurtando razões, eis-me aqui defensor do Retrocesso. Só para cortar cerce polémicas demagógicas.

Vivemos o desemprego e a sujidade. Os rios, ninguém os quer, salvo para deles extrair energia eléctrica. O mais é com o Fundo de Desemprego. Alternativas? Tentem o Alqueva. Parece que para essas bandas há sanidade e trabalho. Aliás, muito que fazer, tantos os turistas a bater à porta.

 

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Escola para a submissão

por João Távora, em 01.03.12

  

Como educador de quatro crianças, encontro amiúde uma tão premente quanto velha questão com a qual fui de novo confrontado há dias ao ajudar a minha filha num trabalho de História do 6º ano sobre a Revolução Francesa: acontece que passam governos de direita e de esquerda, passam anos e décadas depois do PREC e nós conformados que se continue a ensinar às criancinhas a disciplina de História sob a óptica do Materialismo Histórico. Acontece que dá muito trabalho desmontar da cabeça duma criança a perspectiva do passado maniqueísta, repleta de juízos explícitos sobre uma Nobreza opressora, um Clero interesseiro, uma Burguesia gananciosa e o povo oprimido, vítima de tudo o mais. Ensina-se aos miúdos que a História da humanidade é um campo de batalha entre classes sociais (tornadas entidades corpóreas auto-conscientes), entre opressores e oprimidos, uma ascendente sucessão de acontecimentos, cujo desenlace é a vitória dos bons contra os maus, consubstanciada na modernidade dos dias de hoje.
Infelizmente ou felizmente a coisa não funciona assim e percebe-se que seja considerado perverso pelos pedagogos do regime revelar às criancinhas certas “fontes”, factos e pensamentos que denunciem a prevalência de um relativismo casuístico na História.
De facto como referia há umas semanas Filipe Paiva Cardoso, no jornal i custa a aceitar que o nosso país não tenha a força para reclamar o lugar de topo na história da civilização, quando, quase cento e cinquenta anos antes da Tomada da Bastilha, exibe num seu documento fundacional, a legitimação democrática de D. João IV, no assento das cortes de Lisboa em 1641, algo como “[...] sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins [vida, liberdade e felicidade], cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la” – e “Nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela [nação] não emane expressamente”.
De resto, quase duzentos anos depois de outorgada Carta Constitucional, nesta república modernaça e democrática por acaso hipotecada aos estrangeiros, alguém acredita que a igualdade do cidadão perante a lei já tenha passado das intenções à realidade? E sabiam V. exas que, ao contrário do que acontecia na Idade Média a que eles chamam “das Trevas”, hoje neste País é possível adquirir-se um relógio por 5.000.000 euros ou um Yacht por 500.000.000,00 de euros, enquanto uma família dos subúrbios de Lisboa vive com 500,00 euros por mês, e uma outra em África sobrevive com um por dia? Querem impingir uma linha condutora a isto tudo? Haja paciência!

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o cúmulo do politicamente correcto...

por Rui Crull Tabosa, em 01.03.12

...é pretender que este anúncio...

...é racista,
...mas esta T-Shirt, livremente comercializada, já não o será...
 
 
É caso para dizer que há limites para a estupidez e a hipocrisia...

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As passeadeiras:

por Vasco Lobo Xavier, em 01.03.12

 

Entre as pequenas maravilhas deste pequeno país constam as suas singulares particularidades, únicas no mundo. Um mimo de exemplo são as passadeiras, presentes no mundo inteiro e inexistentes em Portugal: aqui só existem passeadeiras. É verdade! Em Portugal, as pessoas pensam que as passadeiras não servem para atravessar arruamentos, mas sim para passear de um passeio para o outro. Basta ver a velocidade inversamente proporcional com que as pessoas se atiram para as ditas e as atravessam.   

 

Se descontarmos os de mais avançada idade, porventura mais habituados a menos direitos, a fatalidades irremediáveis, e que atravessam a rua com rapidez e brilho agradecido nos olhos ao condutor expectante, por vezes até com um aceno simpático, o passeador habitual  de uma passeadeira normal é, em Portugal, um vaidoso incorrigível. Ele mergulha de cabeça na passeadeira e, imediatamente a seguir, bamboleia vagarosamente, a passo de elefante cansado em cortejo fúnebre, sobre as listras brancas pintadas no asfalto (quando existem).  Na generalidade dos casos nem olha para o condutor assustado, que se viu obrigado a travar a fundo para não o atropelar. E, quando olha, fá-lo com uma altivez nunca vista no melhor lidador de toiros quando vira as costas à fera finalmente subjugada.

 

De particular referência as passeadeiras junto aos Liceus. Nem Job teria resistido a malhar nuns quantos. A matilha ululante, de calças abaixo do rabo, atira-se em manada para a passeadeira para, imediatamente a seguir, seguir ordeiramente em fila indiana, com um metro de distância entre cada índio, passo lento, passo a passo, passas tu? passo eu?, parando para cumprimentar demoradamente os colegas que vão na direcção oposta, virando-se para trás para um recado atrasado, ou para um abraço mais demorado ao colega que não viam desde a manhã, ou para recuperar o telemóvel ou os headphones caídos.

 

Os headphones são uma questão interessante. Sofro de uma curiosidade mórbida: gostava de saber quantas pessoas já sofreram acidentes por andarem a pé, a correr, de bicicleta, trotinete ou de qualquer outro meio com aquilo enfiado nos ouvidos. E por se terem atirado para as passeadeiras. Tenho imensa pena do ser humano, mas parece que há uns meses atrás um não ouviu o metro a chegar, com todos os seus apitos, por causa dos headphones que levava aos berros. Nenhuma relação com um condutor que, julgo que em Braga, há tempos perdeu a cabeça e sovou o adolescente  que se passeava divertido de um lado para o outro na passeadeira.

 

Pasmo com a facilidade com que as pessoas se atiram para passear nas passeadeiras e a leviandade com que lá se passeiam. Orgulho-me de já ter salvo a vida a um punhado daquelas que, em arruamentos de duas faixas no mesmo sentido, param o condutor da direita e atravessam sem olhar, sem atentar se na faixa da esquerda não virá alguém mais distraído, e seguem com total sentimento de impunidade e, principalmente, de invulnerabilidade. Quase sempre foi com desesperadas buzinadelas de alerta (que despertam no passeador olhares ferozes, que me dirige sem perceber que lhe estou a salvar a vida), mas, uma dessas vezes, parado perante o guna de headphones que junto à passeadeira passeava indolente, surdo e cego, tive de sair do carro para parar a viatura distraída que seguia na faixa da esquerda. O guna nem agradeceu nem percebeu que esteve a milímetros de ter aprendido a voar para o cemitério.

 

Acontece e pode acontecer porque as passadeiras não dão invulnerabilidade, mas os passeantes não querem saber. E depois a culpa é sempre dos condutores.

 

Aos mortos não interessa a culpa. E aos familiares e amigos que sobrevivem com dor também não. Importante seria que peões e condutores se respeitassem mutuamente: nas passadeiras, pede-se a atenção máxima dos condutores, é certo, mas que os peões percebam que não estão a passear no passeio. A bem da vida. Da sua, principalmente.

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Não, não vamos morrer em breve

por João Távora, em 01.03.12

Brilhante, Eduardo Nogueira Pinto hoje no jornal i

 

(...) A dada altura criou-se a convicção no mundo ocidental de que o único sentido da humanidade era a ascensão material, social e mesmo física. Quem subisse jamais voltaria a descer senão por força de um acidente extraordinário. O progresso, pelo menos como tendência, estava assegurado. Só que o progresso – notável em áreas como a medicina – não só não está assegurado como trouxe agarrado a si muita tralha e inúmeras dependências.

Talvez por isso veja mais sabedoria que ressentimento na tirada de Erland  Josephson. Somos piores pessoas, não no sentido ético, mas porque somos pessoas mais frágeis. Temos melhores máquinas mas uma relação mais patológica com elas. Exigimos guerras limpas quando acabámos com todos os protocolos que as institucionalizavam. Queremos, até, controlar o clima por decreto. Ah, e não vamos morrer em breve.

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Pensamentos do Dalai Lima

por Jorge Lima, em 01.03.12

Pior que mulher que implica é mulher que explica.

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