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Apesar de tudo, hoje é Natal*

por João Távora, em 25.12.11

 

 

Se considerarmos a racionalidade a prática da boa interpretação da realidade, podemos atribuir ao século xx, o do advento das repúblicas, das independências e das “igualdades”, o cognome de “O irracional”. O conhecimento e a aptidão tecnológica definitivamente não conferiram racionalidade ao ser humano: para não nos determos em demasia nos três maiores monstros do século passado, Mao Tsé-tung, José Estaline e Adolf Hitler, aos quais, por junto, se pode atribuir a responsabilidade de quase 200 milhões de vítimas, observe-se o caso do jovem norueguês Anders Breivik, que dominava técnica suficiente para fabricar as bombas que fez explodir em Oslo.

Neste início de milénio no Ocidente suportamos ainda o legado desse trágico século da irracionalidade, da massificação ideológica e do desconstrutivismo laicista, tornado vitorioso por conta dos sofisticados mecanismos de controlo social entretanto desenvolvidos: nunca foi tão simples a gestão de um moralismo de massas, o incremento da religião do Estado, atiçar ressentimentos selectivos, a popularização do consumo de narcóticos, a democratização da alarvidade, sem esquecer a promoção de tremendismos de conveniência, complexos de culpa e puritanismos de substituição. Decididamente, não são só os corpos policiais bem equipados e os ministérios da propaganda sofisticados que mantêm os rebanhos a balir unissonamente, é o caldo vigente que, num panorama de ilusória liberdade individual, impele as pessoas a agirem por imitação, seguindo os cânones eficazmente publicitados pela maioria, à revelia das elites descomprometidas e da estética erudita, relegados à irrelevância pelo índex da adolescentocracia.

De resto, bem sabemos como a utopia da “igualdade” se tornou um bezerro de ouro, e como a liberdade, o valor mais caro à humanidade, será sempre um bem precário, quando não uma vã miragem. Os filósofos, os escritores e os cientistas há muito sentenciaram um prognóstico: a contingência humana é uma incontornável limitação aos seus profundos ensejos de realização, que só o espírito pode alcançar.

Se o Natal de Cristo se desse hoje (e certamente ele se dará amanhã no coração de muitos cristãos, cada vez mais excluídos), de onde viriam os despojados pastores e vigilantes de coração puro? Quantos reis magos dos nossos dias se desprenderiam da sua zona de conforto, do seu conhecimento “científico”, deixando-se guiar pela estrela do Oriente para adorar o Menino Redentor, tão insistentemente profetizado na história pelos profetas? Onde se encontrariam, entre as hordas de “cidadãos” modernos, consumidores criteriosos, público exigente, exemplos da mais simbólica figura do presépio, os pastores, gente desperta e disponível (porque despojada), para o grande Advento da humanidade? Como escutar o silêncio da noite estrelada, essencial para atender à voz do coração, de onde brota o apelo decisivo e o cerne da salvação? Se o nascimento de Cristo acontecesse hoje, para lá dos compenetrados cientistas na NASA ou na AEE, que se limitariam a tirar as medidas ao cometa, quantos de nós atentariam à estrela luminosa apontando o caminho do Natal de Jesus, Deus redentor nascido criança numa manjedoura, que nos é permitido tratar por tu numa relação íntima de afecto profundo?

O império da racionalidade em que urge converter este novo século deverá começar a ser edificado por uma drástica concessão de espaço ao livre arbítrio do homem, único e irrepetível, como chave de um percurso de libertação e felicidade, que estará sempre a montante de quaisquer modas ou agendas ideológicas. O império da racionalidade em que urge tornar o nosso século só poderá emanar do coração dos indivíduos de razão e coração livres, através da prática de uma ecologia do homem que o liberte da poluição que tolda o seu espírito e os seus sentidos. Porque a felicidade só é concebível com pessoas inteiras e mais realizadas: um desafio a que nenhum Estado ou legislação está apto a responder.

 

Um Santo Natal a todos.

 

* No original "Apesar de tudo amanhã será Natal" 

publicado ontem 24 Dez 2011 no Jornal i

Domingo de Natal

por João Távora, em 25.12.11

 

«Chegou o dia de Maria dar à luz, e teve o seu filho primogénito. Envolveu-O em panos e recostou-O numa manjedoura, por não terem lugar na hospedaria» (cf. Lc 2, 6-7). Estas frases não cessam de tocar os nossos corações. Chegou o momento que o Anjo tinha preanunciado em Nazaré: «Hás-de dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo» (cf. Lc 1, 31-32). Chegou o momento que Israel aguardava há muitos séculos, durante tantas horas sombrias – o momento de algum modo esperado por toda a humanidade, ainda que sob figuras confusas: que Deus viesse cuidar de nós, que saísse do seu esconderijo, que o mundo fosse salvo e tudo se renovasse. Podemos imaginar com quanto cuidado interior, com quanto amor Se preparou Maria para aquela hora. A breve anotação «envolveu-O em panos» deixa-nos intuir algo da santa alegria e do zelo silencioso de tal preparação. Estavam prontos os panos, para que o Menino pudesse ser bem acolhido. Na hospedaria, porém, não havia lugar. De algum modo a humanidade espera Deus, a sua proximidade. Mas quando chega o momento, não tem lugar para Ele. Está tão ocupada consigo mesma, sente necessidade tão imperiosa de todo o espaço e de todo o tempo para as próprias coisas, que não resta nada para o outro: para o próximo, para o pobre, para Deus. E quanto mais ricos se tornam os homens, tanto mais preenchem tudo de si mesmos. Tanto menos pode entrar o outro.

 

Papa Bento XVI - Homilia 24 de Dezembro 2007

imagem roubada daqui

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Deus escolheu ser pobre

por José Luís Nunes Martins, em 25.12.11

 

Muitos são os que acreditam que Deus é infinitamente bom e misericordioso, mas que é um completo absurdo que tenha descido à terra para viver como nós e, pior ainda, que tenha terminado essa sua vida numa cruz.

 

Este homem, que era Deus, quis vir experimentar viver a nossa vida e morrer a nossa morte. Não chegou envolto em honras e nunca as quis. Preferiu sempre ser simples, tendo apenas o essencial, nada mais. Veio até nós amar-nos e viver connosco. Pediu-nos para irmos ao encontro dos nossos semelhantes mais pobres, tal como Ele veio ter connosco.

 

Felizes de nós se, pelo menos no dia de Natal, nos sentirmos da mesma família dos pobres, dos doentes, dos que choram e de todos os que sofrem; somos tão carenciados como eles noutros aspectos da nossa vida; e mais felizes seremos se dermos um passo na sua direção. Amar alguém é ir ao seu encontro.

 

Um dos mais admiráveis poderes deste Deus, que se fez homem, não consiste em responder às nossas dificuldades com milagres, mas em dar a todos nós a possibilidade de nos transformarmos, de transformarmos as nossas vidas e, através disso, o mundo em que vivemos. Deu-nos ombros fortes, a

fim de sermos capazes de carregar a nossa própria cruz e, deste modo, ajudar os outros a carregar também as suas.

 

Talvez o sentido da vida seja o de fazer vencer o Amor sobre o egoísmo.

 

 

(publicado no jornal i - 24 de dezembro de 2011)

Seguindo a estrela de Belém...

por Corta-fitas, em 24.12.11

 

Feliz Natal são os votos do Corta-fitas aos seus leitores

(imagem "roubada" ao grande Eurico de Barros)

 

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Um Santo Natal...

por João-Afonso Machado, em 24.12.11

É o meu desejo para todos os Amigos do Corta-Fitas - os demais colaboradores e os leitores: um Santo Natal.

Um Natal de Paz. Com o mundo, com os que nos rodeiam e, sobretudo, connosco próprios.

Sendo nós mesmos. Longe da duplicidade da personalidade, longe da fantasia doentia... Sim, longe da doença. Assim vivamos o nascimento sempre redivivo do Filho de Deus.

Um abraço a todos. Boas Festas! 

Recortes

por João Távora, em 24.12.11

Apesar de tudo, amanhã será Natal
(Excerto da minha crónica publicada hoje no jornal i)

Se considerarmos a racionalidade a prática da boa interpretação da realidade, podemos atribuir ao século xx, o do advento das repúblicas, das independências e das “igualdades”, o cognome de “O irracional”. O conhecimento e a aptidão tecnológica definitivamente não conferiram racionalidade ao ser humano: para não nos determos em demasia nos três maiores monstros do século passado, Mao Tsé-tung, José Estaline e Adolf Hitler, aos quais, por junto, se pode atribuir a responsabilidade de quase 200 milhões de vítimas, observe-se o caso do jovem norueguês Anders Breivik, que dominava técnica suficiente para fabricar as bombas que fez explodir em Oslo. Continuar a ler »»»»

 

À atenção da maioria PSD/CDS: A vice-presidente e porta-voz do Governo espanhol, Soraya Saénz de Santamaría, anunciou que irá haver modificações à lei do aborto no país para “preservar o direito à vida” e “garantir a situação das menores”.

 

Daqui

O nosso ano novo chinês

por José Mendonça da Cruz, em 23.12.11

O negócio da entrada da Três Gargantas chinesa na EDP é um óptimo negócio porque...

... é um óptimo negócio, ponto. É um óptimo negócio uma venda 50% acima do valor.

... com esta privatização fica a empresa entregue a critérios de racionalidade empresarial e económica, e para sempre livre de imposições de bastidores e empreguitos e negociatas para socialistas com moral a menos e ambição a mais.

... são abertos à EDP canais de financiamento que lhe permitem crescer e investir em plena crise mundial, pois é assim que se defende o nosso interesse estratégico, e não mantendo sob a pata de um Estado incompetente e gordo o futuro da economia.

... deixa Portugal em clara vantagem como testa de ponte de investimentos da China na Europa (e no Mundo, se recordarmos que servirá de base para entradas no Brasil, Estados Unidos e África), e isso pode ser explorado com grande proveito.

... fica claramente dito a alemães e franceses, e holandeses e finlandeses e outros, que, sim, a formiga tem catarro, e, sim, sempre teve, e, sim, tem competência para se relacionar com outras partes mais dinâmicas do Mundo (ficámos mais uns anos na China depois de os ingleses sairem, lembram-se?) que não a Europa - a qual manda por enquanto nos nossos orçamentos, mas, como vê, não manda em tudo. 

Negócios da China*

por João Távora, em 23.12.11

Esta agora de ter que comprar a electricidade na loja do chinês é que eu não esperava!

 

* Não foi "ouvido no elevador", a boca é mesmo minha.

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O grande Advento (pub.)

por João Távora, em 23.12.11

 

 

O Criador jamais descurou a comunicação do grandioso Advento, insistentemente anunciado pelos profetas nos séculos que o antecederam. Para o Natal de Jesus não esteve com meias medidas.

Um pouco de luta, alguma vida "en garde"

por João-Afonso Machado, em 23.12.11

CRISTO-REI.jpg

Construir o Futuro de uma argamassa de dores, um dique seguro a conter os dias que vêm. Seja a realidade jamais uma surpresa... Sejam as palavras submetidas a uma vigilância rigorosa... E proibidas de embarcar, as promessas!

Mas partamos. Sim, é impossivel calcular a profundidade das águas, tal o breu da correnteza. Nem a sobrevivência é uma garantia, apenas a esperança de uns braços abertos a receber-nos. Alguma vez, no incerto termo do mais longo combate.

Quando a serenidade voltar ao discurso e o medo for irradiado, aniquilado. Esgrimindo sempre a mesma personalidadde. Sem outra na baínha, à cinta.

我們出售的戒指和手指 *

por Francisco Mota Ferreira, em 22.12.11

Tudo o que leio sobre a fantástica compra de 21,35% da posição do Estado Português na EDP pelos chineses da Three Gorges faz-me alguma azia. Ok, o negócio até pode ser fantástico, as contrapartidas bestiais e, depois do El Dorado líbio, Portugal parece descobrir agora o fruto proibido de Pequim.

 

A história parece-me, no entanto, demasiado familiar. Portugal fascinou-se com a Líbia, com as negociatas da Venezuela (agora, aparentemente retomadas pelo nosso MNE) que, espremidas, acabaram por ser caixas cheias de nada.

 

Pode-se sempre argumentar que estamos em crise e que precisamos desta injecção de capital e que o próprio capital não tem Pátria ou ideologia. Enquanto Português estarei atento.

 

Não sei porque é que não me sai da cabeça aquele velho ditado que estamos a vender os anéis para ficar com os dedos. O problema aqui é que, neste caso, ou me engano muito ou também estão a ir os dedos…

 

(*Vendemos os anéis e os dedos)

Gargantas não nos faltam

por José Mendonça da Cruz, em 22.12.11

 

Vamos, então, pela mão dos comunistas chineses, ganhar estofo e investir nas colónias eléctricas do Brasil e África! (E que pena os pobres diabos que se ocupam exclusivamente em bradar «mercados!», «casino!», «especuladores!» não terem tempo nem espaço mental para apreciarem o fino humor do capitalismo.)

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Nunca é demais explicar... é bem simples.

por João Távora, em 22.12.11

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Vão vir charters

por Maria Teixeira Alves, em 22.12.11

O Futre é que tinha razão, se querem dinheiro chamem os chineses!

E foi porque os chineses pagaram um prémio de 53,6% sobre a cotação das acções da EDP que a Three Gorges ganhou a privatização de 21,3% da EDP. Pode-se dizer que o Governo, perante tantas pressões políticas (dos três candidatos, chineses, alemães e brasileiros) optou por escolher o critério objectivo: o do dinheiro. Esta é uma escolha financeira.

Os chineses prometerem tudo só para entrar na EDP e desta forma chegarem ao Brasil, seu objectivo último. Será expectável que o Estado português, no acto da venda, exija a manutenção das acções da EDP durante largos anos. Para impedir que isto seja uma mera compra financeira para ficar com a EDP Brasil.

Na lista de promessas está a de os chineses irem instalar bancos em Portugal, um deles o China Development Bank. Na sua oferta ao Estado português, a China Three Gorges foi assessorada pelo BES Investimento, com quem o China Development Bank já firmou um acordo de financiamento este ano. O BESI já ganhou!
E agora a State Grid, também chinesa, vai ganhar a privatização da REN.
 

Um minhoto na capital

por João-Afonso Machado, em 22.12.11

Há dias assim: a gente acorda com essa grata sensação de que as horas são suas. Que pode dispor delas a seu bel-prazer. E, vai daí, nada como agarrar nas pernas e dar-lhes o devido uso. A Costa do Castelo não é o Marão mas, não obstante, o seu declive é acentuado, como frutuoso é o passeio, as ideias que brotam das suas fontes, no caso citadinamente transfiguradas em becos e esquinas falantes.

Estávamos quase no Natal. O frio dos lisboetas é um brinquedo comparado com o nosso: ainda assim, a manhã valia um agasalho. Fui deambulando por aquela toponímia estreitinha mas grandiosa, carregada de alusões à grande Nobreza de antigamente. E dei de caras com ela, descendo a calçada com todas as precauções recomendadas pelos seus saltos de equilibrista. Pareceu agradavelmente surpreendida:

- Olá!!! Então por aqui?! Está melhor?

Confesso, nem me lembrava já. Foi preciso recordar-me o episódio do escadório da Madalena, a minha célebre cena fadista. Oh!, onde isso já ia... Acontecera até reavivarem-se-me na memória pequenos pormenores, estes si, caricaturas preciosas: a mão dela agitando-se, o polegar e o mindinho estendidos,

- E quando se sai a dizer-me que já tinha um namorado?

- O quê? E você?

- Eu felicitei-a e fui acrescentando que, então, nada fazia ali. Pelo que partia...

(Ainda tentou emendar a mão: não tinha, estava em vias de ter - o tal namorado. Insisti nos votos de prosperidade enquanto arrumava a minha trouxa).

- Há cada uma!

Pois há. E nos dias que se seguiram, tendo eu voltado ao Campo das Cebolas, choviam os telefonemas, os recados remetidos por gente amiga, fosse para me chamar doido, fosse para manifestar os seus temores sobre a minha felicidade, uma vez sozinho no mundo... Por fim, a declaração: não ficaria cá muito mais tempo...

- E...

- Nada mais soube. Alguém me disse, já lá vão umas semanas, a vira toda embeijocada e abraçada num pseudo-poeta qualquer.

Um rombo no palácio de um antigo marquês lisboeta, consentia o sol vencesse a resistência das pedras e ganhasse a sua surtida na viela. Encostámos à amurada, mirando o fervilhar da Praça da Figueira, tão lá em baixo, aquelas dezenas e dezenas de telhados em cascata.

- Este casario sempre abrigará cada história, não acha?

Sem dúvida, totalmente de acordo:

- Pode crer. O mundo é uma colecção de desvarios. E você deve ter uma aptidão especial para se esbarrar com eles...

- Pois muito lhe agradeço a profecia!...

- Ora! E qual o problema? Tudo isso são nascentes de inspiração. Que bom jeito lhe dão...

Esquizofrenia aguda

por João Távora, em 22.12.11

 

Enquanto a inconsequente extrema-esquerda do “quanto pior melhor” exulta com terríveis desafios que Portugal enfrenta, preparando as máquinas para incendiarem a rua, o Partido Socialista mantém o discurso esquizofrénico herdado da era Sócrates, elevado ao absurdo durante a campanha Alegre à presidência, quando os mesmos actores verberavam contra o descalabro económico e as medidas impopulares implementadas pelos próprios. Pelos vistos a negação da realidade é uma patologia, um vício profundamente impregnado nos inquilinos do Rato. Tenho é muitas dúvidas que esta estratégia alcance resultados, para lá de servir de entretém aos seus embaraçados barões. O problema deles é não podem esconder-se todos em Paris a estudar filosofia. 

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Pensamentos do Dalai Lima

por Jorge Lima, em 22.12.11

 

«O futuro está no mar.»

 

– PM, falando para professores do liceu.

 

 

Muito mais no Blog do Dalai Lima 

O Presidente também desilude

por Francisco Mota Ferreira, em 21.12.11

Já não deveria surpreender ninguém, mas é assustadora a forma redonda com que o Chefe de Estado fala aos Portugueses. Desta vez, a propósito dos votos de Boas Festas do Parlamento a Belém, Cavaco Silva apelou a consensos, prometeu uma cooperação leal com a Assembleia da República (só o facto de reforçar algo que é um garante constitucional é por si revelador…) e falou na defesa do superior interesse nacional, lembrando também que os políticos não podem desiludir os Portugueses.

 

Ora, o manancial de frases feitas em meia dúzia de minutos, onde o Presidente da República falou de improviso - pelo que, desta vez, não se poderá culpar qualquer mente brilhante que aconselha o Chefe de Estado ou, helás, escreve os seus discursos - é uma pura desilusão.

 

Eu sei que o momento não seria, de todo, propício a grandes intervenções de fundo. Mas Cavaco Silva não se pode esquecer que tudo o que diz é seguido com atenção por milhares de Portugueses, que tendem a ver a Presidência da República como o último garante dos atropelos ou desvarios dos restantes órgãos de soberania.

 

Ao dizer o que disse, ou melhor, ao aproveitar a oportunidade para, uma vez mais nada dizer, Cavaco Silva remeteu-se ao silêncio magestático a que sempre nos habituou. Fraca prestação de quem tem a responsabilidade, enquanto primeira figura da Nação, de elevar o seu Povo.

 

Esperava-se e espera-se mais de um político que foi Ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e é Presidente da República. Ao lembrar que os políticos não podem desiludir os Portugueses, Cavaco Silva deveria ter sido o primeiro a olhar para o seu próprio espelho.

Apresentadores de TV comem-se em directo

por Jorge Lima, em 21.12.11

 

So what, perguntam os nossos telespectoradores. O Bruno e o Unas já se comeram num talk show onde um entrevistava o outro, ou talvez o contrário, já não me lembro. Para disfarçar aquela coisa enfadonha de os nossos televisíveis se entrevistarem mutuamente em circuito fechado, simularam por duas vezes interromper a intrevista para simularem o coito, «à canzana», de uma das vezes, e da outra já não me recordo. Um biscoito, em todo o caso.

 

So what, dizia. No que toca a enfants terribles que se recusam a integrar o sistema da moral católica vigente, arriscando carreira e reputação para proclamar o amor livre, fiéis ao espírito soixant-huitard, estamos conversados. Nada temos a aprender com os supostos libertinos dos países baixos.

 

Será? Não, não será. Porque, se os humoristas lusíadas se comem figurativamente, os holandeses, sempre um passo mais abaixo, comeram-se literalmente. Poupando-vos aos pormenores, fizeram-se cirurgiar um naco de cada um, um de nádega, outro de abdómen, trocaram, cozinharam e paparam. E presumo que tiveram uma grande ovação, presumo, porque confesso que não tive pachorra de ver o vídeo.

 

Escandaloso? Não mais que a ida do Santana Lopes para a Santa Casa. Enfadonho, definitivamente. Embora ligeiramente mais interessante que um americano a atirar-se do telhado para a piscina e a falhar.

 

Havíamos de lá chegar. A televisão vai perdendo adeptos, et pour cause, e os pais do Amaral da vida vão tendo de subir a parada para arranjar uns performers que, a troco de surpreender o boi e mantê-lo a olhar para o palácio, ganhem uns pratos de lentilhas que lhes permitam continuar a levar a vida burguesola que levam, entre o Bairro Alto onde peroram e o condomínio fechado onde moram.

 

Quem se escandaliza perde o seu tempo. Vejam bem. Chegámos à antropofagia, verdade? Comem-se timidamente aos nacos. Daí até se comerem não aos nacos, mas às carcaças, é um passinho. E o doce equilíbrio darwinístico-malthusiano vai-se restabelecendo, e tirando-nos estes bróculos do prato.

 

Comei-vos e desmultiplicai-vos, digo eu. O último a ser comido por favor mande um sms a dizer que já podemos ligar outra vez a televisão. Ou se calhar não, deixem estar.




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