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"Portugal Contemporâneo"

por João-Afonso Machado, em 02.11.11

Em entrevista ao mais recente Boletim da Ordem dos Advogados, o Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, perguntado como via o País daqui a 20 anos, respondeu: «Tenho de o ver de uma forma positiva, uma vez que o progresso, o desenvolvimento, a liberdade, são exigências postas à nossa sociedade. Estamos a falar de um País com nove séculos de história, feita de vicissitudes, dificuldades. Mas se chegámos aqui com todas estas dificuldades, vamos continuar».

Sempre louvável o optimismo do Dr. Oliveira Martins!

Não me abstenho, contudo, de aqui deixar o testemunho do seu tio-trisavô, Joaquim Pedro de Oliveira Martins, socialista, filósofo, ministro da Fazenda no Governo chefiado por José Dias Ferreira (1893), no final do seu imorredoiro Portugal Contemporâneo: «O que eu daqui estou vendo, ao pôr as últimas palavras nesta obra triste, é o leitor irritado amarfanhar o livro nas mãos, pisá-lo com os pés, vingando-se do atrevimento de quem lhe disse coisas que tanto o ofendem. (...) Também os médicos, por via de regra, escondem às famílias a gravidade das doenças; umas vezes não as percebem, outras convém-lhes mentir, para não assustar! Assim estão as classes que nos governam; e até hoje, força é dizer que o povo ainda meio de se libertar delas. Nem descobriu o meio, nem demonstrou a vontade. Dorme e sonha? Ser-lhe-á dado acordar ainda a tempo?».

 

 

Cores de Outono

por João-Afonso Machado, em 02.11.11

Não o vivemos do lado de dentro da vidraça, buscando beleza, inspiração, a frase ideal. O Outono faz parte da nossa existência, dos dias em que lhe suportamos o vento ou nos enchumbamos nas suas chuvas. Na quase-certeza (porque o mundo tornou-se outro…) de que o ciclo prosseguirá com o gelo e os nevões, até ao renascimento da natureza. Não sem que antes as camélias dêem um ar da sua graça e a garça tome novamente conta dos ares, voando de charca em charca.

Mas as horas trazem agora outro encanto. Cheiram a castanhas assadas e ao entardecer à lareira. Mesmo os equídeos não sofrem o tormento das moscas e gozam pacatamente a sua liberdade. E a floresta parece acordar em tons pardos e um forro novo de folhas secas, aliviada da iminência dos fogos.

Entre o contraste das cores outonais, decorre o tempo minhoto. O tempo de quantos mais sentem o que vivem e escrevem o que sentem.

 

Tragédia Grega

por Maria Teixeira Alves, em 02.11.11

 

Mas alguém me explica, tecnicamente, o que acontece se a Grécia sair do euro? É que eu acho que estancar a sangria poderia não ser má ideia. 

De resto este referendo, pedido pelo Primeiro-Ministro grego para passar para a população o ónus da decisão do segundo pacote de austeridade, vem revelar como os políticos são exímios em tomar decisões erradas. A consequência disto é uma má influência a pairar sobre os mercados até à Primavera de 2012. O que vai arrastar os bancos que têm dívidas soberana de países europeus.

Mas o que espera a Grécia conseguir com o referendo? Uma solução milagrosa? Que alternativa à austeridade tem a Grécia? 

É o que dá a tentação dos políticos de agradar ao povo, o que normalmente os leva a decisões desastrosas. Nós cá também temos um político que gosta de agradar à populaça: O nosso Presidente da República...

 

Dizem os especialistas que os líderes europeus continuam no caminho errado a centrar todas as forças no controlo das contas públicas e esquecendo o financiamento da economia. Uma estratégia de combate à crise tem de resolver os problemas de necessidades de financiamento da economia, e não apenas das necessidades de financiamento do Estado. Os especialistas dizem que o BCE devia intervir mais no mercado, cedendo liquidez, como fez o FED nos Estados Unidos, após a falência do Lehman Brothers. Os analistas explicam que só há uma entidade com a capacidade de intervir com credibilidade nos mercados de dívida: o BCE. Todas as decisões como o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) através da alavancagem ou a criação de um veículo financeiro para intervenção no mercado secundário são formas de contornar a necessidade de um banco central efectivo.

A política contra-ataca

por José Mendonça da Cruz, em 01.11.11

 

Com a sua decisão de submeter a referendo o mais recente pacote de ajuda à Grécia, Papandreou fez política de alta escola e risco, e deu uma bofetada na cara, um murro no estômago e um pontapé nas pudendas dos cultores da tibieza. O primeiro-ministro grego fartou-se de ver os gregos sufocados, tratados como aldrabões, preguiçosos, sulistas sem préstimo, e convidados a penas de untermensch por uma Europa que nem tem a coragem de reconhecer a sua herança.

Os astutos negociadores financeiros, os hábeis planeadores económicos, os prudentes chefes de governo hão-de estar agora a pensar como foi, afinal, que um golpe político passou a rasgar e desfez os parcos ganhos das suas negociações tão sábias e demoradas.

Foi a política, estúpidos.

Com política, Papandreou subiu a parada para níveis gerais e alarmantes de risco. Razão pela qual, ele, Papandreou, não pode perder de maneira nenhuma.

Se o  referendo não se realizar, afinal, isso só poderá ter acontecido por duas razões: internamente, pelo advento de um governo de salvação nacional e o recuo dos distúrbios; externamente, pelo advento, por fim, de um plano de real resgate da Grécia (embora possivelmente injusto para toda a restante Europa).

Ganhe o «sim» ou o «não» no referendo, Papandreou terá feito a Europa mexer-se, com apenas um susto de morte ou, então, com o próprio deflagar do desastre financeiro e económico na zona euro e em toda a União Europeia.

Se o referendo acontecer, e o «sim» ao novo plano de resgate vencer, Papandreou vence mais que eleições, vence na confiança e (de novo) faz que a oposição se junte às suas fileiras e põe distúrbios «indignados» para lá da linha da marginalidade.

Com uma vitória do «não», pode Papandreou retirar-se sem lavar as mãos. Terá, de facto, tentado tudo.

Vem de onde não se esperava, mas ... querias liderança política?! Toma!

Parabéns à Optimus

por Vasco M. Rosa, em 01.11.11

 

Sou cliente Vodafone mas tiro o chapéu a duas das actuais campanhas publicitárias da Optimus — a televisiva que magnetiza os lisboetas jovens e menos jovens num levada musical cinco estrelas, mas sobretudo aquela que colocou nos mopis urbanos, com criações de meia dúzia ou dezena de artistas plásticos, criadores de moda e ilustradores que estão realmente a transformar o panorama visual português. Lamento não conseguir mostrá-los aqui, mas sugiro que reparem bem neles nas ruas por aí.

No meio do negrume surgem cintilações que nos fazem sorrir de esperança.

Um (pequeno) esforço, Portugueses!

Dia de Todos os Santos

por João Távora, em 01.11.11

Hoje celebra-se o dia de Todos os Santos, ou seja, de todos os cristãos que de forma coerente, anónimos ou canonizados pela hierarquia, devotaram o esforço das suas vidas à felicidade de serem "dos de Cristo". Hoje pelas igrejas de Portugal reza-se por intenção dos seus heróis, Todos os Santos, a Guarda Avançada de Jesus Cristo na História.


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