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Em entrevista ao mais recente Boletim da Ordem dos Advogados, o Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, perguntado como via o País daqui a 20 anos, respondeu: «Tenho de o ver de uma forma positiva, uma vez que o progresso, o desenvolvimento, a liberdade, são exigências postas à nossa sociedade. Estamos a falar de um País com nove séculos de história, feita de vicissitudes, dificuldades. Mas se chegámos aqui com todas estas dificuldades, vamos continuar».
Sempre louvável o optimismo do Dr. Oliveira Martins!
Não me abstenho, contudo, de aqui deixar o testemunho do seu tio-trisavô, Joaquim Pedro de Oliveira Martins, socialista, filósofo, ministro da Fazenda no Governo chefiado por José Dias Ferreira (1893), no final do seu imorredoiro Portugal Contemporâneo: «O que eu daqui estou vendo, ao pôr as últimas palavras nesta obra triste, é o leitor irritado amarfanhar o livro nas mãos, pisá-lo com os pés, vingando-se do atrevimento de quem lhe disse coisas que tanto o ofendem. (...) Também os médicos, por via de regra, escondem às famílias a gravidade das doenças; umas vezes não as percebem, outras convém-lhes mentir, para não assustar! Assim estão as classes que nos governam; e até hoje, força é dizer que o povo ainda meio de se libertar delas. Nem descobriu o meio, nem demonstrou a vontade. Dorme e sonha? Ser-lhe-á dado acordar ainda a tempo?».
Não o vivemos do lado de dentro da vidraça, buscando beleza, inspiração, a frase ideal. O Outono faz parte da nossa existência, dos dias em que lhe suportamos o vento ou nos enchumbamos nas suas chuvas. Na quase-certeza (porque o mundo tornou-se outro…) de que o ciclo prosseguirá com o gelo e os nevões, até ao renascimento da natureza. Não sem que antes as camélias dêem um ar da sua graça e a garça tome novamente conta dos ares, voando de charca em charca.
Mas as horas trazem agora outro encanto. Cheiram a castanhas assadas e ao entardecer à lareira. Mesmo os equídeos não sofrem o tormento das moscas e gozam pacatamente a sua liberdade. E a floresta parece acordar em tons pardos e um forro novo de folhas secas, aliviada da iminência dos fogos.
Entre o contraste das cores outonais, decorre o tempo minhoto. O tempo de quantos mais sentem o que vivem e escrevem o que sentem.
Mas alguém me explica, tecnicamente, o que acontece se a Grécia sair do euro? É que eu acho que estancar a sangria poderia não ser má ideia.
De resto este referendo, pedido pelo Primeiro-Ministro grego para passar para a população o ónus da decisão do segundo pacote de austeridade, vem revelar como os políticos são exímios em tomar decisões erradas. A consequência disto é uma má influência a pairar sobre os mercados até à Primavera de 2012. O que vai arrastar os bancos que têm dívidas soberana de países europeus.
Mas o que espera a Grécia conseguir com o referendo? Uma solução milagrosa? Que alternativa à austeridade tem a Grécia?
É o que dá a tentação dos políticos de agradar ao povo, o que normalmente os leva a decisões desastrosas. Nós cá também temos um político que gosta de agradar à populaça: O nosso Presidente da República...
Dizem os especialistas que os líderes europeus continuam no caminho errado a centrar todas as forças no controlo das contas públicas e esquecendo o financiamento da economia. Uma estratégia de combate à crise tem de resolver os problemas de necessidades de financiamento da economia, e não apenas das necessidades de financiamento do Estado. Os especialistas dizem que o BCE devia intervir mais no mercado, cedendo liquidez, como fez o FED nos Estados Unidos, após a falência do Lehman Brothers. Os analistas explicam que só há uma entidade com a capacidade de intervir com credibilidade nos mercados de dívida: o BCE. Todas as decisões como o reforço do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) através da alavancagem ou a criação de um veículo financeiro para intervenção no mercado secundário são formas de contornar a necessidade de um banco central efectivo.
Com a sua decisão de submeter a referendo o mais recente pacote de ajuda à Grécia, Papandreou fez política de alta escola e risco, e deu uma bofetada na cara, um murro no estômago e um pontapé nas pudendas dos cultores da tibieza. O primeiro-ministro grego fartou-se de ver os gregos sufocados, tratados como aldrabões, preguiçosos, sulistas sem préstimo, e convidados a penas de untermensch por uma Europa que nem tem a coragem de reconhecer a sua herança.
Os astutos negociadores financeiros, os hábeis planeadores económicos, os prudentes chefes de governo hão-de estar agora a pensar como foi, afinal, que um golpe político passou a rasgar e desfez os parcos ganhos das suas negociações tão sábias e demoradas.
Foi a política, estúpidos.
Com política, Papandreou subiu a parada para níveis gerais e alarmantes de risco. Razão pela qual, ele, Papandreou, não pode perder de maneira nenhuma.
Se o referendo não se realizar, afinal, isso só poderá ter acontecido por duas razões: internamente, pelo advento de um governo de salvação nacional e o recuo dos distúrbios; externamente, pelo advento, por fim, de um plano de real resgate da Grécia (embora possivelmente injusto para toda a restante Europa).
Ganhe o «sim» ou o «não» no referendo, Papandreou terá feito a Europa mexer-se, com apenas um susto de morte ou, então, com o próprio deflagar do desastre financeiro e económico na zona euro e em toda a União Europeia.
Se o referendo acontecer, e o «sim» ao novo plano de resgate vencer, Papandreou vence mais que eleições, vence na confiança e (de novo) faz que a oposição se junte às suas fileiras e põe distúrbios «indignados» para lá da linha da marginalidade.
Com uma vitória do «não», pode Papandreou retirar-se sem lavar as mãos. Terá, de facto, tentado tudo.
Vem de onde não se esperava, mas ... querias liderança política?! Toma!
Sou cliente Vodafone mas tiro o chapéu a duas das actuais campanhas publicitárias da Optimus — a televisiva que magnetiza os lisboetas jovens e menos jovens num levada musical cinco estrelas, mas sobretudo aquela que colocou nos mopis urbanos, com criações de meia dúzia ou dezena de artistas plásticos, criadores de moda e ilustradores que estão realmente a transformar o panorama visual português. Lamento não conseguir mostrá-los aqui, mas sugiro que reparem bem neles nas ruas por aí.
No meio do negrume surgem cintilações que nos fazem sorrir de esperança.
Um (pequeno) esforço, Portugueses!
Hoje celebra-se o dia de Todos os Santos, ou seja, de todos os cristãos que de forma coerente, anónimos ou canonizados pela hierarquia, devotaram o esforço das suas vidas à felicidade de serem "dos de Cristo". Hoje pelas igrejas de Portugal reza-se por intenção dos seus heróis, Todos os Santos, a Guarda Avançada de Jesus Cristo na História.
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Caro H P SGostava muito e estou certo que serei ap...
Excelente texto, com assetividade e sem falácias i...
Não são só as aulas teóricas sobre democracia que ...
Nem à beira, quanto mais à beirinha ... Além disso...
Mas não devemos esquecer, que os desvios, disfunçõ...